Eternidade

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domingo, 3 de maio de 2020

Mar Alto


"E, quando acabou de falar, disse a Simão: 
Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar."
(Lucas, 5:4.)
  

Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta que se sentem abandonados na experiência humana.
Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.
Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras próprias.
Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita amargura.
Rememoram, compungidos, os dias da infância, da juventude, das esperanças crestadas nos conflitos do mundo.
No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das reminiscências que lhes dilatam as impressões de vazio.
Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as criaturas mortais.
Se alguém as não viveu em determinada região do caminho, espere a sua oportunidade, porquanto, de modo geral, quase todo Espírito se retira da carne, quando os frios sinais de inverno se multiplicam em torno.
Em surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de que chegaram para a tua alma os dias de serviço em "mar alto", o tempo de procurar os valores justos, sem o incentivo de certas ilusões da experiência material. Se te encontras sozinho, se te sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há companheiros que te assistem e esperam carinhosamente.
O Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do Planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas lições.


Livro: Pão Nosso, cap. 21.
_______________________
Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel
 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Visitar enfermos


A vida moderna exaustiva e, às vezes, extravagante, por necessidades reais e imaginárias, toma as horas físicas e mentais dos seres humanos, sobrecarregando-os de preocupações que os estressam. Em conseqüência, os distúrbios de comportamento aumentam a sua estatística tormentosa, demonstrando que as grandes conquistas de fora não conseguiram harmonizar a criatura interior.

A desenfreada ansiedade e a incessante busca pela posse de artefatos e de coisas para preencher o vazio existencial, de forma alguma lograram plenificar aquele que se afadiga pelo conseguir. 

Aplicando todo o tempo disponível na realização desse objetivo que parece básico para uma existência feliz, empenha-se cada vez mais, não se dando conta de outros valores que permanecem aguardando a sua atenção e interesse. 

Dessa forma, após conseguirem aquela meta inicial, perdem o encanto todos aqueles que assim procediam, transferindo para as coisas o tormento íntimo, continuando tão frustrados quanto antes, por constatar a falta de sentido e de significação de que aparentemente se revestem. 

Somente possui valor aquilo que pode ser envolvido pelo amor, preenchido pelo amor, irradiando amor. 

Não é, pois, na quantidade, que está a solução dos problemas emocionais, mas na qualidade da conquista, no seu objetivo relevante. 

Em face dessa circunstância, a que representa ambição desmedida, as amizades são apressadas, os conhecimentos humanos são superficiais, as afeições são interesseiras, não harmonizando de forma significativa a emoção pessoal. 

Diz-se que esse é um mecanismo de autodefesa, de que se utilizam as criaturas humanas, a fim de evitarem sofrer dilacerações interiores, prejuízos psicológicos, tendo em vista os insucessos iniciais experimentados. 

Não têm razão, porém, esses que assim pensam. O importante não é a resposta que advém da oferta que se faz, mas é, ela em si mesma, que tem significação, mediante o enriquecedor ato praticado. 

Se, por acaso, produz conseqüencias inamistosas ou gravames perturbadores, a raiz desse efeito encontra-se naquele que responde mal ao bem que recebe, merecendo ser realmente assistido, porque é portador de desequilíbrio e de tormentos, de que talvez não se dê conta.

O escrúpulo, que nasce do pessimismo, é tão negativo quanto o entusiasmo, que resulta da irreflexão. 

Dessa forma, amigos surgem, passam e desaparecem, substituídos por outros igualmente transitórios, rápidos. 

Vale, porém, a pena, investir mais no ser humano, oferecer-lhe mais luz de entendimento e de confiança, de respeito e de estima. 

Altera, portanto, a tua maneira de relacionar-te. Cuida mais e melhor dos teus conhecidos e evita revidar com animosidade as ondas mentais molestas que te enviam os inimigos. 

Reserva-te alguns minutos diários para a fraternidade, embora a agitação dos teus compromissos, e constatarás quanto este comportamento te fará bem.
Nem todos que se te acercam são frívolos ou insensatos, como pensas. Examina com mais cuidado as pessoas a quem te afeiçoas e descobrirás tesouros de amizade que te surpreenderão. 

Há muitos amigos que te estimam, e quando desaparecem da tua presença, talvez não seja por ingratidão ou indiferença, mas porque foram compelidos a distância, porque passam por dificuldades que desconheces, por compromissos novos, ou vitimados por enfermidades. 

Procura informar-te sobre eles, quando lhes notes a falta. 

Se enfermos, visita-os, levando-lhes a tua solidariedade, a tua palavra de amizade, a chama da tua fé espiritual. 

Essa atitude constitui generosa fonte de caridade que é pouco praticada. 

Se, de todo, as circunstâncias não te permitirem, embora sempre possas fazê-lo se te empenhares honestamente, escreve-lhes algo, endereça-lhes vibrações de saúde, telefona-lhes, diz-lhes que os estimas e que lhes sentes a ausência. 

Faze-te presente junto aos enfermos, quanto te seja possível. A saúde, na Terra, é dom precioso, que sofre periódicas alterações, convidando a pausas de reflexão e de esforço interior.

Usa-a para espalhar o bem-estar e não apenas para amealhar valores passageiros. 

Aplica-a também em favor do teu próximo, o irmão que padece enfermidades e experimenta sofrimentos, muitas vezes disfarçados em sorrisos pálidos e rostos esquálidos. 

Assim agindo, distribuindo bênçãos, recolherás preciosas gemas de paz e de bem-estar.
Somente é possível valorizar-se algo, quando se tem carência ou necessidade inadiável. 
Na doença, todos se renovam com um sorriso gentil, uma palavra de ânimo, uma visita fraternal, demonstrando-lhes que não estão a sós no testemunho evolutivo. 

Doa, portanto, hoje, e estarás acumulando haveres que não enferrujam, as traças não roem, os ladrões não roubam. 

Quando visitares enfermos, não lhes imponhas a descrição do seu quadro orgânico ou emocional, exigindo que te narre o problema de saúde que vem sofrendo. 

Se te aborda o tema, ouve-o com atenção e evita aumentar-lhe a preocupação, falando sobre outros dramas e tragédias do teu conhecimento. 

Sê otimista sem exagero, realista sem crueza. Conversa, edificando, se a ocasião o permitir. 

Não prolongues a tua visita, tornando-a cansativa. Atua de forma que o paciente anele pelo teu retorno à sua cabeceira. 

Conforta-o com uma leitura edificante, com notícias auspiciosas, com uma oração refazente. 

Se ele solicitar-te a aplicação de passes, faze-o sem jactância, não deixando falsa impressão de cura milagrosa ou pronto restabelecimento. A caridade é gentil e discreta, bondosa e calmante.

Diante de alguém enfermo, recorda-te de Jesus e entrega-o à Sua proteção, procurando ser o instrumento de que Ele se possa utilizar para encorajá-lo e apaziguá-lo.

Sempre, pois, que possível, visita os irmãos que se encontram enfermos.


Joanna de Ângelis
Livro: Diretrizes para o Êxito.

domingo, 29 de julho de 2018

PIETÀ


PIETÀ 
(imagem)
'Pietà’, de Michelangelo, 1499, em
mármore, quase 2 metros de altura por
1 metro e 50 centímetros de largura,
Basílica de São Pedro; 
Vaticano, Santa Sé, Cidade do Vaticano
 
 
É dito que é preciso acreditar em si mesmo quando se quer conseguir algo. A confiança não era algo que o jovem Michelangelo tinha em falta. Quando o artista de 23 anos de idade foi contratado para esculpir a obra Pietà em 1498, o acordo oficial declarava que deveria ser a mais bela escultura em Roma, superando a de todos os artistas vivos.
 
Embora o tema Stabat Mater seja a Santa Maria de pé junto à cruz, angustiada pela morte do filho, a Pietà é o momento de reconciliação e aceitação.
 
Vemos Maria em transição, a tranquilidade assumindo o lugar da tristeza, evidente na serenidade do rosto de Maria e no gesto gentil de seu braço esquerdo: Deixe-o ir.
 
A expressão serena de Maria é apoiada pela solidez de seu enorme manto. Deixando a angústia, ela aparece como uma montanha, com fé inabalável, ainda inclinando-se para o lado um pouco, superando o esmagador peso dos eventos recentes.
 
Seu rosto venceu o sofrimento. Ela segura o corpo do filho nos braços. A excepcional beleza de seu rosto - talvez a face mais bela já esculpida na Terra - só é igualada pela paz de sua expressão. A última coisa que Ele sentiu na Terra foi claramente a perfeição dos céus.
 
Michelangelo mesmo disse, numa frase comumente citada, que tinha a intenção de retratar uma "visão religiosa de abandono e o rosto sereno do Filho".
 
A arte genuína tem o poder de fortalecer o espírito das pessoas. O coração de Michelangelo, obviamente, sabia desta verdade. Tendo perdido a mãe aos 5 anos (ele mencionou ter usado sua memória como um modelo para o rosto da Virgem), o florentino conhecia em primeira mão sobre a grande perda e sobre como ficar em paz com ela.

Ele sublimou as dolorosas experiências da infância de forma construtiva numa obra grandiosa para deixar-nos uma das melhores obras de arte que a Terra já viu.


Fonte: www.epochtimes.com.br/pieta-deslumbrante-obra-michelangelo/
 
 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Entre a mansidão e a prudência


Um dos discursos de Zaratustra, personagem criado pelo filósofo Nietzsche, refere-se, de forma muito interessante, às transformações experimentadas pelo ser humano, durante sua trajetória de vida.
Esse texto, inclusive, serviu de inspiração para Carl Gustav Jung ao desenvolver seu conceito de individuação, entendido como o processo pelo qual o ser humano busca desenvolver a consciência de si mesmo, integrando seus aspectos sombrios, diferenciando-se do coletivo e tornando-se, então, o ser que é.

Nietzsche sugere que o espírito humano comumente vivencia, ao longo de sua vida, três diferentes etapas de transformação, nas quais desenvolverá o autoconhecimento, além de se apropriar de sua força, para, ao final, tornar-se quem realmente é. Como símbolos das três metamorfoses, o filósofo utilizou:

  • o camelo, para representar o ser que desenvolve o papel de carregar o peso do mundo, dispondo-se a servir, de forma submissa, por ainda não ter vontade própria e consciência para tomar decisões. Ao carregar o peso das cobranças, dos problemas alheios, aprende que sofre justamente por tentar carregar o que não deveria, o que não lhe pertence. Nessa fase, tem a oportunidade de desenvolver humildade, caso aproveite o aprendizado. Mas pode, igualmente, manter-se na acomodação e na subserviência, adotando postura escrava e de vítima, indefinidamente;
  • o leão, para exemplificar o momento em que a consciência desperta, tornando-se crítica e permitindo ao indivíduo discernir e fazer escolhas por si mesmo. A pessoa assume, então, a responsabildiade pela própria existência, e experimenta uma nova forma de relação com o mundo, considerando, agora, suas próprias concepções e valores. Ao leão é dada a chance de experimentar o Sim, sim; Não, não do Evangelho1. Ao se posicionar de acordo com seus valores, deixa de carregar valores alheios, que não lhe fazem sentido. Torna-se corajoso e leal aos seus princípios, mas precisa cuidar para não exagerar nessa postura, desenvolvendo arrogância, orgulho e acreditando-se dono da verdade, superior e distante dos outros;
  • a criança, para simbolizar o renascimento, o recomeço, como se a vida, de fato, iniciasse a partir desse ponto, ou seja, somente depois de haver desenvolvido a humildade de servir do camelo e a coragem de ser livre do leão, numa sociedade prisioneira de valores passageiros, é que o ser humano está pronto para viver realmente. É o momento em que podemos afirmar: Vivemos no mundo conscientes de que não somos do mundo.2

Interessante notar que o filósofo, crítico da religião, acabou utilizando a criança como representação de verdadeira sabedoria, de evolução, emprestando, de forma inconsciente, provavelmente, o símbolo empregado por Jesus:

Quem é o maior no reino dos céus? – Jesus, chamando a si um menino, o colocou no meio deles e respondeu: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos converterdes e tornardes quais crianças, não entrareis no reino dos céus. – Aquele, portanto, que se humilhar e se tornar pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus3.

O Espiritismo explica que a finalidade da vida na Terra é o progresso espiritual e, para isso, conforme vivemos, é natural que passemos realmente por transformações, provenientes da reforma íntima que nos cabe.

Nietzsche chama a atenção, na voz de Zaratustra, para algumas faces que devemos desenvolver em nossas metamorfoses durante a vida: a de sermos servidores, humildes suficientes para nos envolvermos com as histórias dos outros, propondo-nos a ajudá-los a carregar seus fardos, sem, no entanto, tornarmo-nos subservientes; a de sermos firmes e corajosos, a ponto de não nos deixarmos levar pelos modismos ou valores predominantes, mas capazes de seguir os próprios princípios, cuidando, porém, de não cairmos na armadilha de nos sentirmos superiores, tornando-nos arrogantes e, por fim, a de sermos alegres, espontâneos e confiantes, como são as crianças, esperançosas do futuro, livres de preconceitos e com energia para viver, aprender, crescer.

Mas observamos que Jesus novamente antecipou o filósofo, quando nos recomendou que, ao viver entre lobos, que podem, atualmente, simbolizar os valores distorcidos predominantes, nos conservássemos mansos como as pombas, mas prudentes como as serpentes4. A recomendação do Mestre de Nazaré é a de buscarmos internalizar esses dois aspectos que parecem paradoxais, sendo, no entanto, complementares: a humildade e mansidão da pomba e a prudência e firmeza da serpente.

Ao observarmos as normas, culturas e comportamentos predominantes nas sociedades modernas, verificamos o quanto esse ensinamento – de preservarmos o aspecto pacífico, aliando-o à coragem – proposto por Jesus e relembrado por Zaratustra, é atual e de grande relevância. Observamos em nossa vida social, que poucas pessoas são capazes de transitar por esses dois caminhos de forma saudável. A maioria tomba na vitimização, deixando-se explorar ou na prepotência, colocando os outros a serviço de si.

É preciso, então, plena atenção para a conquista desse caminho do meio, da medida certa, entre a humildade/mansidão e a firmeza/prudência. Ao nos propormos a essas transformações, que nos preparam para a vivência pacífica, mas, ao mesmo tempo, resoluta, certamente nos encontraremos, ao final, mais próximos da pureza de alma, simbolizada pela criança.


Referências:
1 BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 5, vers. 37.

2 Op. cit. João. cap. 17, vers. 16.
3 Op. cit. Mateus. cap. 18, vers. 1-5.
4 Op. cit. Mateus. cap. 10, vers. 16.

Fonte: Jornal Mundo Espírita, por Cristiane Maria Lenzi Beira

domingo, 24 de junho de 2018

A coragem do perdão


Na jornada de conquista da plenitude, temos o desafio de aprender a lidar com as emoções, cujo exercício principal é feito através dos relacionamentos. Do convívio surgem os atritos naturais, advindos das nossas diferenças na forma de ver a vida, dos interesses conflitantes, além das limitações que tipificam o estágio atual da consciência humana, marcada pelo egoísmo.

Nas relações, também criamos expectativas quanto às atitudes do outro que nem sempre se cumprem, assim como nos sentidos feridos em nossas emoções, defraudados nas aspirações que acalentamos e magoados por não termos os desejos atendidos. Quando não possuímos estrutura psicológica para lidar com tudo isso, o ressentimento surge como consequência. O problema é que o primeiro prejudicado é aquele que abriga a emoção perturbadora.

Nesse contexto, o perdão é um gesto de autoamor, pois, ao nos libertar do conteúdo conflitante, disponibilizamos, para a consciência, energias preciosas, antes aprisionadas na questão mal resolvida. Nem sempre é um caminho simples, porquanto às vezes envolve dores profundas vinculadas a seres muito próximos a nós. O impulso direciona à reação, mas o ser consciente não deve ser escravo dos seus impulsos. Por isso mesmo o perdão, ao invés de covardia, é um ato de coragem, pois é preciso construir resistências para travar o embate com emoções profundas, sem igualar-se ao agressor na atitude.

Não se trata apenas de uma questão de memória, de recordar ou não o evento que nos traz dor, mas de cuidar da emoção vinculada ao fato.  E para sanar o conteúdo emocional é preciso recordar da nossa própria condição humana. Assim como os outros cometem equívocos que nos atingem de alguma forma, também nós atingimos e ferimos os outros e, às vezes, nem nos damos conta disso. Esse ponto se amplia quando agregamos, à nossa história, a trajetória do espírito, pois quem é que pode [i]atirar a primeira pedra[/i]e dizer que nunca cometeu equívocos?

Perdoar é exercício importante para aquele que deseja alcançar a plenitude.


por Iris Sinoti (Terapeuta Junguiana)

domingo, 4 de março de 2018

Psicografia - Despedidas


O ser humano, apesar de toda a sua suposta religiosidade e conhecimento, se abala no momento da despedida de um ente querido.

Não importa o quão o outro deseje essa partida, o quão debilitado ou ainda a dor que padeça, quer-se sempre mantê-lo um pouco mais, tê-lo por mais tempo mesmo diante das consequências.

Assim o término de uma relação conjugal, a independência dos filhos, mudar-se e deixar amigos e o maior de todos o desencarne, são acontecimentos que deixam as despedidas com sabor de perda. Vejam meus amigos, as despedidas surgem em nossas vidas como parte de um processo natural de crescimento.

Todos esses fatos nos remetem ao grande questionamento: Esse negar ao outro a despedida seria um ato de Amor ou de Egoísmo? A despedida seria realmente uma perda?

Não pretendemos acusar, julgar, mas sim entender as motivações que induzem a tais sentimentos.

O Amor como sabemos mesmo diante de nossa pequenez, nasce de atitudes nobres e genuínas, expressando a vontade do Pai, em tudo que temos de melhor. Por isso dizemos que o amor jamais prende ao contrário o amor dá asas para que possamos voar e alcançar patamares maiores de evolução. Jesus já nos ensina que por nos amar o Pai nos concede o livre arbítrio sempre, a fim de que possamos construir o nosso aprendizado.

Entendemos ainda que o Amor não é um gesto solitário, mas solidário, aonde através de uma ação fraterna vamos de encontro ao outro, no exercício do bem, permitindo que ele cresça e colha o fruto de suas ações.

Mesmo diante de nossas limitações é possível a percepção de que o Egoísmo se traduz no desejo de se fazer um bem. Portanto, o egoísmo, não é o desejo de fazer o mal. Mas, diferentemente do Amor que é um gesto solidário, o egoísmo é um gesto solitário, onde o único beneficiário desse bem somos nós mesmos. Assim é comum desejarmos o que parece um bem para nós, mesmo que isso traga infelicidade e prejuízos ou atrasos ao outro. Quando somos egoístas, estamos nos equivocando, na compreensão do que seja realmente o bem para nós.

Pela Lei da Causa e Efeito toda ação tem uma reação. Prejudicando o outro, estarei, portanto, prejudicando a mim mesmo.

Retomemos agora ao nosso questionamento central, já recordando os conceitos apresentados.

O que acham meus amigos: negar a despedida é um ato de amor ou de egoísmo? A despedida seria uma perda?

Toda despedida implica em novos aprendizados, em oportunidades e em ciclos novos de vida. Em momento algum significa afastamento definitivo ou perda de momentos vividos, pois sabemos que estamos constantemente aprendendo e interagindo um com os outros, não importando a distância que nos separe.

Quando temos a capacidade de entender a despedida dessa maneira, a saudade que a acompanha, passa a ser muito mais tolerável e aceitável.

Num relacionamento que se finda, seja uma amizade ou conjugal, reter o outro não seria viver uma mentira?

Dentro do processo de amadurecimento não é chegado o momento em que temos que viver por nossas próprias convicções?

No ciclo da vida o momento natural de desgaste do corpo físico e a liberdade do espírito não faz parte de um processo natural de novas fases de uma única vida?

Amor não aprisiona, a educação orienta os caminhos, mas não obriga; e viver a espiritualidade não é a meta de todos nós?

Se entendemos tudo isso, por que ainda a dor, o ressentimento e a tristeza, nas despedidas? Arrisco dizer que é por que ainda não sabemos vivenciar todas essas verdades, mas que estamos procurando a cada dia, dando um passo de cada vez, conquista-las como saber.

Convido-os, portanto, a analisarem as atitudes diante das despedidas e sem julgamentos, mas com vontade de exercitar o Amor trazido por Jesus, efetuar as mudanças necessárias em nosso íntimo a fim de podermos entender e aceitar as despedidas não como o fim, mas como oportunidades de novos reencontros.

Que sejamos exemplos de amor nas idas e vindas que a vida nos oferece.

Com carinho,

16.06.15

Médium: Lúcia (Grupo Mediúnico Maria de Nazaré – CAVILE)

Espírito:Irmão Matheus (Colônia Espiritual Maria de Nazaré)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Mensagem fraterna

Mentes sadias impregnam de aromas agradáveis os recintos ou os santuários, consolidando condições climáticas que criarão bem-estar e alegria de viver. 

Nós é que construímos nosso domicílio do bem ou do mal, conforme a projeção de nossos pensamentos.


Batuíra

(Extraído do livro Orvalho da manhã / ditado pelos Espíritos Lourdes Catherine e Batuíra [psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova, 2005, p. 81)
 
 

sábado, 8 de outubro de 2016

Respeitar sim, repetir não...


Sabemos que os textos evangélicos sofreram muitas alterações ao longo dos séculos, para atender a interesses do mundo, ditados pelo culto do poder e da ambição, ou até pela fé ingênua e cega que pretendia converter, fazendo concessões. Nesse processo, incorporaram-se rituais e crenças mágicas, muito anteriores a Jesus, dando-se-lhes estatuto cristão.

A fé raciocinada encara sem medo esses fatos, já constatados pela História, e busca a essência dos ensinamentos do Mestre. Aliás, já nos advertia Kardec, no primeiro parágrafo da introdução a “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável”.

O ensino moral do Evangelho é inatacável, sem dúvida. É o evangelho propriamente dito. O mais pode até ser lenda, ou é, pelo menos, questionável, passível de investigação histórica e científica. Portanto, não há por que se repetirem, em nosso meio, velhas abordagens fantasiosas que vestem Jesus de magia e ilusão. O Mestre se basta, dispensa enfeites que não concorrem para amadurecer o Espírito, como é o caso das festas marcadas no calendário oficial.

Tais festas representam uma tradição dos católicos e, embora merecendo nosso respeito, não fazem o menor sentido para a Doutrina Espírita. Portanto, não se justifica nas escolinhas de evangelização a comemoração de datas como a Páscoa, nos moldes do convencionalismo cristão.

É certo, porém, que as crianças trazem informações veiculadas pelos meios de comunicação, pela família, pela escola e que não devemos agredi-las com doutrinações radicais, negando tudo o que conhecem e vivenciam no mundo. Mas podemos aproveitar esses saberes, para construir o novo ou resgatar, adequadamente, o ponto de vista histórico e cultural.

No caso da Páscoa, é preciso situá-la entre as  festas ligadas a rituais de fertilidade e seus símbolos, dissociando-a da figura de Jesus, com o cuidado de não repetir a crença de que Ele a instituiu ou de que lhe deu outro sentido, assumindo a posição do cordeiro sacrificado nessa época pelos judeus, para justificar a ressurreição e dar ao corpo do Deus a função de alimento.

O mito do deus morto e do deus ressurrecto é comum a muitas culturas da antiguidade. Quando Jesus encarnou entre nós, essa crença já era conhecida e os judeus, de sua parte, haviam conferido a ela características próprias, associando-a a episódio que remonta ao tempo de  sua submissão ao Egito. 

Jesus insere-se naquele contexto, é verdade, e participa dos eventos da época, mas frisa: “Meu reino não é deste mundo”. E mais: “Não quero sacrifício, mas misericórdia.”

Recuperemos a formação da palavra sacrifício: sacro + ofício. Na realidade, o Mestre da Galileia rompe o ciclo de repetição dos velhos rituais e propõe o mandamento do amor. Misericórdia é expressão do amor. Não cobrava Jesus oferendas nos templos, nem rituais mágicos, como aquele que se realizava na Páscoa. Não pretendia que se lhe oferecessem ofícios sagrados, mas sim que praticássemos a caridade.

A Terceira Revelação nos convida, através do Espírito de Verdade: “Amai-vos e instruí-vos”. Portanto, o conhecimento que nos traz a própria Doutrina assinala um compromisso com o estudo, ensejando a oportunidade de superar uma mentalidade mágica para alcançar o direcionamento da fé, pela razão. Assim, a evangelização espírita não precisa comemorar as festas da tradição cristã, mas deve constituir a festa de todo dia, porque oferece roteiro seguro para a vida e suas surpresas.

Este terceiro milênio do calendário ocidental está marcado, ao que parece, por descobertas científicas arrojadas e por inquietantes constatações da História, provocando a derrubada de velhas crenças. Se, inadvertidamente, repetimos tais crenças na Casa Espírita, estaremos entravando o progresso e perdendo a chance de esclarecimento que o próprio Espiritismo nos oferece.

A criança e o jovem precisam desenvolver uma fé robusta e vigorosa que resista não só aos ventos das novidades – com as quais são alvejados pela escola, pela mídia, pela comunicação virtual – mas também aos embates da vida. Educar-se pelo Evangelho à luz do Espiritismo é abrir uma janela para o futuro, é atravessar a linha do horizonte da acomodação, é libertar-se do velho círculo das ilusões.

       Respeitar sim, repetir não. Essa deveria ser a postura dos evangelizadores na casa espírita, diante dos atavismos da tradição cristã. 


Extraído de O Consolador, Crônicas e Artigos, por Rita Côre