Eternidade

Eternidade
Mostrando postagens com marcador Manoel Philomeno de Miranda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manoel Philomeno de Miranda. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sintomas da Mediunidade


A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.



Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.


Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.


Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.


Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas. Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.


Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de  faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.


Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.


Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.


Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.


Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium  a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.


O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.


Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.


A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.


A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.


Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.


Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.


A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.


É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranqüila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.


Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.


Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.


Texto de autoria de Manoel Philomeno de Miranda

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Atendimento Fraterno



Quando alguém propõe-se a auxiliar o seu próximo, colocando-se à disposição para o atendimento fraterno, desenvolvem-se-lhe os sentimentos de elevação moral e espiritual, posibilitando-lhe a bênção da sintonia com o mundo transcendente superior.

Entidades nobres, encarregadas de contribuir em favor do progresso da sociedade acercam-se-lhe e passam a inspirá-lo e a protege-lo com mais assiduidade, a fim de que sempre se encontre em condições seguras para o mister.

Quando se aprende a ouvir com serenidade, especialmente as queixas e reclamações, os brados de desespero e os profundos silêncios da angústia, ou simplesmente permitir que haja uma catarse de quem sofre, interessado em socorrer bondosamente, nunca lhe faltam os valiosos recursos do auxílio dos Mentores, que vão além das palavras consoladoras e calmantes, como também través dos processos fluidoterápicos valiosos.

Os grandes problemas e desafios humanos encontram-se ínsitos na própria criatura, desestruturada para os enfrentamentos, no debate de inúmeros conflitos não resolvidos e procedentes do passado espiritual, que se transformam em terríveis algozes, acicatando o cerne da alma e aturdindo a mente, colocando fantasmas aparvalhantes onde existem somente frustraçõs e insegurança.

Quaisquer pequenas ocorrências desagradáveis são transformadas em tremendos sofrimentos que aumentam na razão direta em que a falta de equilíbrio e maturidade para resolvê-los, induz à autocompaixão, à revolta, à insanidade.

Todos os males que aturdem o ser humano procedem do seu íntimo e somente na sua raiz devem e podem ser solucionados. Por essa razão, cada Espírito é o somatório das suas experiências evolutivas através do curso das reencarnações.

A ignorância desse mecanismo sublime permite ao indivíduo manter-se em deplorável situação existencial, o que lhe proporciona a instalação de conflitos e tormentos desnecessários à evolução, mas que são o inevitável efeito dos comportamentos insanos.

A consciência exige a reparação de todo e qualquer atentado às Leis Cósmicas de harmonia, e, por essa razão, mantém, no perispírito, os arquivos de todas as ocorrências existenciais.

Oportunamente, tudo aquilo que lhe constitui culpa, leviandade, violência, extravagância na conduta, agressão à vida sob qualquer significativo, portanto, à capacidade de registros mais profundos e menos grosseiros, defluentes da animalidade por onde transitou no passado.

É comum, portanto, que as aflições emocionais prolongadas terminem em mecanismos de somatização, o que dá surgimento a enfermidades orgânicas muito complexas, ao mesmo tempo enseja contaminações de vírus, bactérias e outros microorganismos danosos à saúde.

Noutras vezes, e não em número inexpressivo, toda ocorrência de sofrimentos tem origem na presença e imantação fluídica de adversários espirituais do ontem, que não conseguiram superar os ressentimentos e optam pela infeliz cobrança, como se fossem transformados nos braços da divina justiça, iniciando as sutis ou abruptas obsessões de efeitos danosos e de complexidade terapêutica muito grande, por depender essencialmente do enfermo.

em quaisquer casos, no entanto, a compreensão do atendente fraterno torna-se essencial.

A não pressa em dialogar, os cuidados com as colocações propostas, o evitar sempre diagnósticos depressivos ou alarmantes informações sobre perseguições de ordem espiritual, que os necessitados ignoram, são essenciais, a fim não lhes produzir mais danos que benefícios.

A discrição do ouvinte, na condição de cooperador espiritual, torna-se relevante, sem expor a outrem, sem comentar as experiências dolorosas do seu próximo, enquanto mantém cuidados no diálogo esclarecedor à luz da meridiana sabedoria do Espiritismo. Jamais sugerir terapias fora daquelas recomendadas pela Doutrina Espírita, seja orientar a busca de profissionais na área da saúde, propor superstições em voga ou aquelas que são heranças do passado, assinalando o atendimento pela serenidade, compreensão e gentileza, ao tempo em que, tampouco, deve prolongar por muito tempo a conversação psicoterapêutica, para evitar criar dependências emocionais e afetivas com o cliente.

De bom alvitre manter-se o cuidado de não receber o msmo enfermo continuamente, desde que, após instrumentaliza-lo para os esforços pessoais que deve aplicar-se na busca da saúde, encaminhá-lo às das reuniões de explicações doutrinárias, assim como receber os auxílios fluídicos.

Cuidar de não prometer curas e soluções mirabolantes, porque cada caso é especial, sua estruturação no Espírito tem uma longa história de difícil compreensão num rápido lance, nem encorajar ilusões difíceis de serem tornadas realidade.

O atendimento fraterno não substitui o confessionário das antigas religiões nem deve permitir que o entrevistado revele segredos, de que se arrependerá, para que o ouvinte não se transforme num cofre de revelações dispensáveis para o mister.

Algumas pessoas têm falsa necessidade de narrar os dramas interiores, envolvendo os membros da família, especialmente os parceiros ou afetos, como responsáveis pelo que lhes ocorre, e isso acarreta problemas mais sérios, por causa da utilização intencional de usar os conselhos como arma contra aqueles que supõem serem os seus algozes.

Os dramas existenciais de heranças, de infidelidade conjugal, de rebeldia de amigos e familiares devem sempre ser ouvidos com silêncio, desviando o tema para as consolações que a Doutrina propõe, assim como para o estudo de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a fim de o fazê-las entender as razões das ocorrências que assinalam.

Trata-se, portanto, o atendimento fraterno, de um valioso e grave compromisso que se constitui num importante desafio a que a pessoa se submete.

Nele encontra-se também a mensagem da caridade no aspecto delicado da assistência moral e espiritual, sempre dignificando aquele que chega atormentado e carente de afetividade, não se permitindo, porém, arrebatamentos e emoções que possam transformar-se em sentimentos de paixões subalternas ou de excessiva compaixão.

Quando o atendente está consciente dos fatores que respondem pelas provações, esclarecido pelo conhecimento da reencarnação em nome da Divina Justiça, não perde a serenidade diante dos mais escabrosos acontecimentos, não se choca com narrações exageradas ou graves, a fim de que a sua palavra e a sua emoção sob controle possam sustentar o combalido, ao invés de desviar-se do essencial para os comentários paralelos sem significado.

Nunca dizer de improviso que o problema é resultado de obsessões espirituais nem fazer narrações aterradoras, ou que se trata de mediunidade não cuidada, por falta da prática da caridade, já derrapando em julgamentos que não têm cabimento.

Fortalecer o ânimo do visitante com jovialidade e ternura, ao tempo em que lhe demonstre a necessidade de responsabilizar-se pelas ocorrências e conseguir superá-las com paciência, com mudança das paisagens mentais e com a consequente alteração do comportamento moral para melhor.

O atendimento fraterno objetiva diluir informações equivocadas que o paciente traz sobre o Espiritismo, retirar-lhe a ideia mágica ou sobrenatural, deter-se no problema central, sem desvios narrativos inecessarios, com demonstração de solidariedade, mas sem parecer que, a partir daquele momento, tudo se modificará ou pretender assumir o compromisso de passar a carregar-lhe a problemática.

Jesus, o exemplo máximo de atendimento fraternal aos infelizes, na Sua superioridade moral, evitava os diálogos longos e as interrogações secundárias, sendo direto no exame da questão, quando perguntava aos que O buscavam: - Que queres que eu te faça? Ou Tu crês que eu te posso curar?

E, de maneira incisiva, após operar a mudança no transtorno de qualquer natureza do enfermo, contemplava: - Vai e não tornes a pecar, a fim de que não te aconteça nada pior.

Impossibilitado de agir de igual maneira, o atendente espírita, deve sempre dispor-se a ajudar, favorecendo o visitante com as diretrizes para a autoajuda, para a sua renovação e saída do erro gerador do distúrbio que o aflige.

Orientar com sabedoria e bondade é uma difícil arte de amar.

O ser humano de hoje conduz interiormente todas as heranças do longínquo passado, por cujos territórios passou armazenando experiências nem sempre edificantes. A predominância das paixões primitivas remanescem fortes, dificultando-lhe o desenvolvimento moral que é mais lento e mais importante.

Por essa razão, os diálogos durante o breve contato entre paciente e atendente deve constituir-se de singulares cuidados, especialmente preservando a integridade moral de ambos os dialogadores.

Todos aqueles que chegam atormentados em busca de conforto moral, trazem, às vezes, inconscientemente, as respostas que gostariam de ouvir, especialmente os queixosos e reclamadores, os acusadores e os depressivos, sendo indispensável manter-se cuidado com as palavras a exteriorizar-lhes e sem nenhuma presunção de convencê-los, mas sim, responder às indagações que sejam feitas, ao tempo em que favorece com os caminhos a percorrer a partir daquele momento.

Jamais sugerir o abandono das terapêuticas médicas a que vêm sendo submetidos, não interferindo numa área que não lhe diz respeito, nem tem condições de pronunciar-se. Pelo contrário, vale o cuidado de interrogar-lhes se recebem assistência especializada e mesmo diante da reclamação de que a mesma não tem dado os resultados desejados, estimulá-los a prosseguir ou mesmo, se for o caso, procurar outro facultativo.

O Espiritismo não vem combater nenhuma ciência, especialmente a médica, antes contribui em favor de resultados mais amplos, por demonstrar que o Espírito é o ser do qual procedem todas as manifestações existenciais.

Essa união das duas doutrinas - a médica e a espírita - é de fundamental significado para o bem-estar da criatura humana e, por extensão, da sociedade.

Nas recomendações que se deve apresentar ao paciente, é necessário elucidar o valor dos passes, da água magnetizada ou fluidificada, da oração e do comportamento com o indispensável à sua recuperação.

Em circunstâncias mais embaraçosas, não perder a calma, não reagir da maneira como seja agredido, tendo em vista que o socorro não se pode converter em revide, porque o doente nem sempre tem noção exata de como se está conduzindo durante o atendimento.

São muitas as angústias que desnorteiam o ser humano e, em razão disso, os desequilíbrios emocionais tornam-se mais comuns e repetitivos, merecendo mais cuidado e entendimento fraternal, acalmando-o com vibrações de ternura e ondas de caridade, que constituem especial elemento de recuperação.

cuide-se o atendente fraterno de orar com unção, experenciar contínuas emoções de alegria pela alta honra de poder servir, mantendo-se em sintonia com o Divino Médico de todos, que se encarregará dos resultados finais.

Por fim, aplicar-se o sublime ensinamento: Fazer ao próximo como gostaria que o mesmo lhe fizesse.

Nisso reside o êxito do empreendimento de amor, resultando na caridade numa das suas mais sublimes manifestações.



por Manoel Philomeno de Miranda.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã do dia 4 de novembro de 2013, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.)





 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Animismo e Mediunismo



O mais hábil músico sempre conseguirá a melodia que execute, conforme as possibilidades do instrumento de que se utilize. Quanto melhor afinado seja, mais perfeitos resultados serão obtidos.

No campo mediúnico o efeito é semelhante. Sempre a mensagem transmitida apresentará os recursos psíquicos e culturais do médium. Por tal razão, quanto mais sensível e esclarecido o medianeiro, mais fiéis se farão as comunicações espirituais. Igualmente, o exercício sistemático e os valores morais constituirão valioso contributo para o êxito da atividade mediúnica. Sempre haverá, no entanto, a presença do médium, mesmo que em parcela mínima, como é compreensível, por ser através dele que o fenômeno ocorre. Emprestando os órgãos físicos para o intercâmbio, este se dará através das potencialidades que serão colocadas à disposição do comunicante, que delas dependerá para alcançar a fidelidade desejada.

O animismo, desse modo, constitui um fantasma perturbador, na área mediúnica intelectual.

Quando o médium não possui a faculdade ostensiva, e a mensagem lhe é inspirada através de processo consciente para a psicografia como para a psicofonia, estabelecem-se conflitos na mente, que terminam por alterar o conteúdo da comunicação.

Tornam-se indispensáveis, para melhor captação do pensamento dos Espíritos, concentração profunda, silêncio interior e neutralidade emocional.

Fenômeno telepático a princípio, torna-se, mente a mente, desencarnado com encarnado, um intercâmbio sutil que se faz mais profundo, automatizando-se graças à predominância do psiquismo do agente sobre o sujet. Com o tempo e a constância do fenômeno, este se torna perfeitamente autêntico, caracterizado pela fidelidade de captação e transmissão.

É natural que haja anímicos nas comunicações mediúnicas, que não devem merecer crítica ou preocupação, porquanto, no exercício correto, a educação do sensitivo modificá-los-á, diminuindo-os até o máximo que lhe seja possível.

O excessivo preconceito contra o animismo deve ceder lugar à tolerância e à paciência, a fim de que o mesmo seja eliminado.

Na primeira fase das comunicações mediúnicas, o inconsciente encontra-se sobrecarregado de informações e conflitos arquivado, que são liberados no momento da concentração, a prejuízo do fenômeno. 

À medida que o indivíduo libera as fixações mentais, a insegurança, os complexos perturbadores, as antenas psíquicas passam a captar melhor as vibrações mentais dos desencarnados, sem as próprias turbulências e oscilações íntimas.

A simpatia despertada pelo médium, nos Bons Espíritos, permitirá que eles mais se lhe acerquem e insistam na inspiração com o amigo encarnado, facultando-lhe uma filtragem mais cuidadosa, que se vai tornando natural e propiciadora do fenômeno correto.

Certamente, deve-se exercer vigilância em relação às manifestações mediúnicas, entretanto, o excesso de exigências torna-se tão prejudicial quanto a sua falta. O equilíbrio é sempre a medida saudável, ideal, e está na forma edificante com que se cuide de selecionar o mediunismo do animismo.

Podemos afirmar que, no fenômeno mediúnico, a vigência do animismo é ocorrência natural, tanto quanto no último faz-se presente o primeiro, em se considerando a constante presença e assistência dos Espíritos aos homens. Um encontro puro, sem qualquer interferência, somente ocorrerá no infinito...

Não seja de recear-se o animismo apenas nas experiências da mediunidade, porquanto ambos encontram-se tão associados, que fica difícil estbelecer-se uma linha demarcatória onde um começa e o outro termina.

Merecem reproche, pelo prejuízo que produzem, as mistificações dos Espíritos zombeteiros e mentirosos, como as produzidas pelos indivíduos inescrupulosos, que se apresentam como médiuns para enganarem pessoas ingênuas, incautas e de boa fé, retirando proveito dessa artimanha.

Os indivíduos sérios e de seguros princípios morais, afeiçoados aos deveres, ao bem e à caridade, sempre serão credores de confiança, pela facilidade de sintonização com os Espíritos que os assistem, captando-lhes facilmente os pensamentos. Em face da sua ductibilidade emocional e comportamental, são mais seguramente telementalizados pelos desencarnados, traduzindo-os com serena segurança.

As pessoas desestruturadas psicologicamente, tumultuadas, instáveis, ansiosas ou receosas tornam-se mais propícias aos animismos, por uma necessidade inconsciente de liberação dos arquivos mentais de conteúdo perturbador.

Toda atividade exige disciplina, treinamento, perseverança, abnegação, e a mediunidade não constitui exceção, especialmente tendo-se em vista os mecanismos intrincados, orgânicos, emocionais e psíquicos de que se reveste o fenômeno que propicia.

Examine-se, desse modo, a comunicação, e o bom senso estabelecerá quando a ocorrência da mesma é anímica ou mediúnica.

Quando a mensagem vier firmada por personalidade célebre, por entidade de nome exótico, apresentada em siglas de significado duvidoso, afirmando-se de outro planeta ou de longínqua galáxia, por precaução cuide-se de examinar se não se trata de mistificação, zombaria ou de animismo, por necessidade inconsciente de chamar a atenção ou de ser original, especial, diferente...

As comunicações mediúnicas autênticas e elevadas são desvestidas de extremidade, de superstições e quaisquer outras características do exotismo, do terror, sempre do agrado das mentes perversas e ociosas da erraticidade inferior.

Considerando-se a predisposição orgânica de quase todos os indivíduos para os fenômenos mediúnicos e parapsicológicos, o animismo se apresenta em diversos casos como paranormalidade em desenvolvimento - vidência, desdobramento, precognição, retrocognição, magnetização e outros - a caminho de faculdades mediúnicas, que surgirão mais tarde ou em próxima reencarnação.

De bom alvitre que um como outro fenômeno sejam colocados a serviço da fraternidade, da solidariedade, do progresso e do bem.


Manoel Philomeno de Miranda
(sob a Proteção de Deus)

domingo, 26 de outubro de 2014

Treino para a Morte




A cessação dos fenômenos biológicos é inevitável.

Máquina sofisticada e completa, que se vem aprimorando através dos séculos, gasta-se o corpo à medida que funciona, emperrando sob as ações e condições variadas, desajustando-se por interferência de agentes perturbadores e enfermiços, por fim, transformando-se pela morte.

Essa é uma fatalidade irrecorrível, por mais se pretenda escapar-se.

Como a vida, porém, não são apenas os implementos admiráveis da constituição células, e o ser que a vitaliza seja-lhe pré-existente, compreende-se que, morrer não é extinguir-se, antes é libertar-se da temporária prisão onde se esteve, sobrevivendo-lhe à argamassa material.

Em razão da impregnação da energia espiritual pelas vibrações do campo físico, o seu apega-se ao corpo e teme perdê-lo. O adormecido da consciência profunda, na maquinaria cerebral, faz que ele esqueça com as sensações, nesse período, da sua procedência, iludindo-se mais com as sensações a que se encontra acostumado do que com as emoções transcendentes do seu estado real.

A morte assemelha-se-lhe, então, a uma interrupção definitiva da vida, ao seu aniquilamento, o que se lhe torna terrível e devastador.

Surgem, em razão disso, reações de rebeldia, de pavor ou de desinteresse, de desprezo pelo fenômeno transformador.

A expressiva massa humana, todavia, apegada às experiências fisiológicas, não se dispõe a meditar a respeito da morte, a preparar-se para ela, a entender-lhe a ocorrência.

Vivendo em uma espécie de sonho, não se propõe a despertar, transferindo mentalmente essa reflexão para um momento que, talvez, não alcance.

Vive-se no corpo, acompanhando-se-lhe a incessante, a automática transformação molecular. Morrem células aos bilhões com frequência, que são substituídas por outras; os órgãos sofrem alterações contínuas, que não são percebidas imediatamente, e somente quando o desgaste se acentua é que se notam as mudanças, a insuficiência de forças, o enfraquecimento da visão, da audição, da memória, da bomba cardíaca e de outros equipamentos vitais...

A inexorabilidade da morte está, portanto, presente na vida, e torna-se medida saudável e racional pensar-se sempre nela, no momento terminal. Equipando-se de energias morais para o enfrentamento, a liberação.

A morte não produz dor, por ser um suave deslindamento de vínculos, quando o fenômeno é natural.

Cada morte é decorrência de cada experiência de vida, sendo, então, especial e particular para cada indivíduo.

No processo biológico final, normal, morrer é uma forma de adormecer, para um consequente despertar com as mesmas características e disposições anteriores ao processo terminal fisiológico.

 

Ao acordar, nem coro de anjos, nem presenças satânicas aguardando, exceto para aqueles que vinculados ao que viveram, aqueles que assim se comportaram, com os Espíritos perversos e obsessores. Aqueles outros, que se iluminaram pelo bem e ascenderam aos paramos do amor, defrontam os seus amigos diletos, que os precederam e ali estão para recebe-los de volta ao lar.

Cada qual desperta com a posse da bagagem que acumulou na Terra e conduziu na mente como no sentimento. Ela dispensa os objetos, os recursos amoedados e títulos, os valores materiais que ficaram e agora se tornam motivos de lutas e usuras, de animosidade e rixas cruéis.

A verdadeira posse permanece com o seu cultivador, que deixa de ser aquele que tem para tornar-se o que é. Nesse momento, dá-se conta do que é verdadeiro ao lado daquilo que é falso; do que tem permanência e do que sofre transitoriedade; do que se transforma em asas de libertação, em detrimento do que sucumbe ao peso das paixões primitivas...

Essa avaliação é automática, rápida ou prolongada, conforme os comprometimentos morais de cada ser.

A consciência, sem anestesia, passa a comandar a razão com vigor, não mais podendo ser camuflada a verdade, ou postergado o momento de auto-análise, de autodescobrimento.

Muitas vezes, a memória, desatrelando-se dos neurônios cerebrais, recorda toda a existência, em forma regressiva, desde a desencarnação ao nascimento, fixando as lembranças infelizes, que se fazem acompanhar de dolorosos arrependimentos e mágoas, ou alegrias inefáveis, quando são ditosas essas recordações. Nesse instante, o que está feito não pode ser alterado até que se renovem os compromissos de reparação, quando negativos, ou prolongando as emoções de felicidade, quando ditoso.




A reencarnação tem como objetivo imediato facultar o desenvolvimento intelecto moral do espírito, e, ao ser ela concluída, a imediata avaliação de resultados estabelecerá os futuros empreendimentos, ficando esse período intermediário, entre o túmulo atual e o futuro berço, como preparatórios, em esfera de paz ou campo de luta.

É necessário pensar-se na morte enquanto se está no corpo; fazer-se uma análise de como se encontra e qual seria o seu estado emocional ao despertar, caso a mesma lhe chegasse nesse momento.

Valeriam a pena os apegos exorbitantes a pessoas e a coisas; as disputas por heranças perturbadoras e complicadas que ficarão; por terras e propriedades que passarão de mãos? E o cultivo do amor-próprio ferido, das vaidades enganosas, dos ódios angustiantes, dos caprichos pessoais, das exigências extravagantes, das dores desnecessárias que o egoísmo e o orgulho ocasionam?

Ver-se-á, com essas reflexões, que há muito acúmulo de entulho a que se dá valor descabido nos depósitos dos interesses pessoais da existência terrestre.

Quanto maior for a soma das paixões, das fixações fortes, dos jogos dominadores nos painéis mentais e nas emoções, mais largo será o período de aflição ante a morte e de perturbação íntima, que leva a estados infelizes de obsessão os que ficaram no corpo como legatários, os adversários, os amores desequilibrados, os disputadores das coisas e posses.

É necessário um treino moral para libertar-se do que não se pode conduzir, doando-se, transferindo-se com alegria para outrem, ou deixando-se sem saudades nem amarguras todas as coisas.

Uma reflexão diária sobre a morte ajuda a partida de todos que, inevitavelmente, viajarão para o país de sua origem, de onde volverão de retorno ao mundo, no futuro, em algemas ou inteiramente livres para a preparação de sua plenitude.



Manoel Philomeno de Miranda
(Sob a Proteção de Deus)


domingo, 21 de setembro de 2014

O rabino Eliachim Bem Sadoch



O Enfrentamento com a Treva – Compilado do livro
Transição Planetária – Manoel P. de Miranda e Divaldo Franco
Os membros, que foram convocados entre os encarnados, eram companheiros adestrados no socorro aos Espíritos renitentes no mal e acostumados aos debates que sempre se travam durante os atendimentos especializados. O médium Joseval, que fora responsável pela dissertação da noite, veio trazido pelo mentor amigo, apresentando significativa lucidez, acostumado como se encontrava com os desdobramentos parciais pelo sono fisiológico e com as realizações espirituais em nossa esfera de residência.
Nesse comenos, um dos vigilantes que se encontravam à porta de entrada da instituição, veio notificar-nos que o grupo de rabinos judeus acercava-se, apresentando-se de maneira pomposa, com indumentárias extravagantes e o sumo sacerdote “Eliachim Ben Sadoch”, à frente, caminhava com orgulho mal disfarçado, estampando uma carantonha de ódio e soberba.


Acolitado por mais de uma centena de outros chefes, igualmente portadores de semblantes ferozes, alguns com visíveis deformações, deteve-se à porta principal. Cães amestrados, que pareciam anteriormente seres humanos, ora hipnotizados, assumindo formas animalescas, em razão da crueldade de que se fizeram portadores durante as existências anteriores, evitavam que grande número de adeptos e de vitimados pelos administradores da triste corte gerassem qualquer embaraço.
Chegando à área fronteiriça à porta de entrada, tomaram ridícula posição de combate, nos antigos moldes medievais, empunhando estranhos instrumentos de guerra, e, em gritaria selvagem quê repercutia em todo o ambiente, pareciam aguardar a voz de comando. Veneranda entidade feminina acercou-se do fanfarrão desencarnado e desarmou-o com a simplicidade das suas vestes, a irradiação de compaixão e ternura, convidando-o a adentrar-se no recinto, onde era aguardado com respeito e afetividade, sendo permitida também a entrada de alguns membros do seu séquito que, confessamos, era estranho e sombrio.
Carregando volumoso número de pergaminhos amarelecidos e gastos, entregou-os a um dos auxiliares, seguindo após a anfitrioa gentil. Dez outros sacerdotes das antigas seitas que se derivaram do judaísmo na Europa, igualmente tiveram acesso à sala que os aguardava, enquanto ficavam, furibundos e agitados, os demais membros da estranha caravana de honra e a malta de desesperados servidores e subalternos.
Nesse comenos, o diretor espiritual dos trabalhos exorou a Jesus: Senhor Jesus, Augusto Mestre: “Embora as sombras da ignorância predominem em nosso mundo interior, permite que a sublime claridade do Teu inefável amor nos inunde de esclarecimentos, libertando-nos da perversidade que persiste, dominadora. Não somos outros Espíritos, senão aqueles réprobos que Te negamos, mais de uma vez, embora situados nas fileiras do Teu Evangelho, assumindo compromissos perniciosos que nos envergonham até este momento.
Hoje, novamente convocados pela Tua misericórdia, ao serviço iluminativo, sentimos a fragilidade em que nos demoramos, e, por isso, deixamo-nos conduzir pelas Tuas santas mãos, cobrindo as pegadas luminíferas que ficaram pelos caminhos, sinalizando a Tua passagem pela Terra. Ajuda-nos, portanto, a ajudar, socorrendo aqueles que foram nossas vítimas quando defraudamos a Tua mensagem, infelicitados pelos interesses sórdidos da nossa mesquinhez.
Torna a nossa palavra, suave e enérgica, os nossos sentimentos, elevados e meigos, a nossa mente, lúcida e compreensiva, a fim de que não venhamos a dificultar a concretização dos Teus planos para com os infelizes, que somos quase todos nós. Raiando a nova madrugada, propicia-nos a incomum felicidade de ampliar os horizontes ainda em sombras para a luz da verdade de que Te fazes portador.
O irmão, que iremos receber, ao lado de outros que tombaram nos fossos profundos do ódio, guarda as lembranças do que lhe fizemos ontem, quando conspurcamos o Teu nome com as nossas paixões. Apieda-Te de todos nós, os Teus servos humilíssimos, e sê conosco a partir deste momento, através dos Teus mensageiros sublimes, a fim de que consigamos melhor contribuir na Tua seara fecunda. Que assim seja!”
Ao silenciar, apresentava a emoção que a todos nos tomara. Uma indescritível onda de paz dominava-nos a todos, que nos encontrávamos unidos em suave harmonia de enternecimento.
Chegando ao recinto, devidamente protegido por correntes fluídicas cuidadosamente distribuídas em torno do edifício e, em especial, da sala mediúnica, o desafiador iracundo não pôde sopitar os sentimentos infelizes de que se fazia portador, exigindo mais consideração e destaque, no que, certamente, não pôde ser atendido.
Seja bem-vindo à Casa de Jesus, saudou-o, propositalmente, Dr. Sílvio, demonstrando respeito e amizade. Não me fale esse nome — reagiu, totalmente esfogueado, porquanto não tenho a mínima consideração por essa nefanda criatura mitológica da tradição dos dominadores da Terra. E permitiu-se estertorar em estrondosa gargalhada.
Embora houvesse reação de todos os recém-chegados, que se puseram a blasfemar, Dr. Sílvio acercou-se do médium Joseval, que se encontrava em semitranse, e, antes mesmo que o sumo sacerdote se desse conta, foi atraído ao seu campo perispiritual, como uma limalha de ferro à ação do ímã. O médium em incorporação atormentada, moveu-se, tomando uma atitude arrogante, enquanto o Espírito gritava: “Caímos numa cilada típica dos nefastos cristãos de todos os tempos. Avancem e ataquem os infelizes traidores, rápido...”
Movimentaram-se os demais convidados, sem qualquer facilidade, porque as energias ambientais impediam-nos de tomar as atitudes para as quais se haviam preparado, permanecendo imobilizados pelas vibrações que lhes eram dirigidas por todos os presentes. Ante a impossibilidade, puseram-se a gritar em situação deplorável de desespero, esperando ser ouvidos pelos asseclas que permaneceram fora do recinto, e que os acompanharam, mantendo a expectativa de uma batalha a céu aberto...
Dr. Sílvio manteve-se tranqüilo, e após muito breve momento entre as acusações do comunicante e os seus acompanhantes, respondeu com bondade irrepreensível: “Não tem fundamento a sua afirmação de que os traímos, atraindo-os para uma cilada, porquanto, o desafio partiu do respeitável amigo, desafio que aceitamos para um encontro de esclarecimento, não para uma batalha que caracterizasse o Armagedom bíblico, a que se apega, em plano de vingança e de guerra...”
Não ficarei aqui, reagiu com ferocidade, retorcendo-se nos equipamentos mediúnicos, ouvindo suas arengas muito conhecidas minhas, vítima que fui, mais de uma vez, dos argumentos mentirosos dos infames cristãos... Batamos em retirada. Muitas vezes, o recuo é a melhor estratégia num combate, especialmente quando a tropa é vítima da vilania e da sordidez do adversário que a atraiu para o fosso de torpe armadilha.
Nunca os cristãos terão qualquer tipo de dignidade para o enfrentamento com a verdade que se encontra na “Tora”, e jamais nas falsas palavras desse adversário de Israel, que foi justamente castigado. Dr. Silvio: “Confesso-lhe, amigo e irmão, que não existe em nós nenhum sentimento inferior em relação à sua pessoa. Aceitando a sua oferta de decisão em torno da peleja que se alonga pela noite de alguns séculos, o nosso, é o desejo da fraternidade e da paz.”
Reconhecemos o seu poder nas regiões infernais onde se homizia com outros Espíritos que foram vilmente enganados e traídos no passado, quando ainda nos encontrávamos dominados pela ferocidade das paixões inferiores. O tempo correu na ampulheta das horas e todos mudamos, penso que, para melhor, porquanto, a clara mensagem de Jesus, por fim, alcançou as paisagens da nossa mente e o país dos nossos sentimentos.
Suplicamos-lhe, bem como a todos aqueles a quem magoamos, o perdão sincero, reconhecendo o nosso erro lamentável e de graves conseqüências. Honestamente arrependidos, desejamos demonstrar a nossa transformação moral, recebendo-o e a todos quantos anelem pela paz que não fruem desde há muito, paz de que Jesus é o único possuidor.
Não volte a pronunciar esse nome, revidou furibundo. Lamento não poder atendê-lo, porque o servo não é maior do que o amo, nem o escravo melhor do que o senhor. Jesus é o nosso Caminho, nossa Esperança de libertação total, nosso Porto de segurança.
Fosse Ele tudo isso, resmungou, irônico, e eu não estaria aqui, constrangido e impossibilitado de fazer o que me apraz, confirmando a minha desconfiança em relação a Ele e à escória que O segue. Dr. Silvio: “Ocorre, que o amigo, esclareceu, paciente, trazia planos de belicosidade, utilizando as armas do ressentimento e da vingança, instrumentalizado por outras de caráter destrutivo, conforme as manipula na área que lhe parece pertencer.
Deflagrada está a guerra, ripostou, com os olhos fora das órbitas, deixando que a máscara afivelada à face desaparecesse e venceremos os adversários, não permitindo que mais se expanda a nefasta doutrina agora renascida no Espiritismo, essa peçonhenta herança do maldito Cristianismo dos padres e príncipes da igreja enganosa.
De fato, respondeu o nobre esclarecedor, o Espiritismo ora esplende nos céus do planeta, confirmando a promessa de Jesus, de que não nos deixaria órfãos, o que realmente aconteceu. O Seu amor e a Sua compaixão permitiram que fossem revistas as páginas que Ele escreveu no santuário da Natureza, através das palavras sublimes e dos exemplos inigualáveis, e que nós adulteramos, adaptando-as aos nossos interesses miseráveis, dando lugar a uma doutrina muito distante da sua legitimidade. Como, porém, nunca é tarde para se recomeçar, refazer caminhos e corrigir enganos, estamos empenhados no compromisso da reabilitação.
Palavras e palavras, que não alteram os atos ignóbeis do passado, nem alteram os nossos planos de desforço, explodiu, caviloso. Erguendo o médium em atitude ameaçadora, interrogou com hostilidade irrefreável: “Veja a paisagem da Terra infeliz. Onde estão a mansidão e a cordura, a compaixão e a misericórdia, tão decantadas? Não vê, por acaso, o que ocorre no mundo rico de poderes ilusórios e de degradação? Em que lugar se ocultam os discípulos do Crucificado portador de muitas culpas, que os engabelou com as Suas palavras e promessas vás?”
Sim, vemos a presença da luz onde predominava a treva, do amor onde o ódio semeava destruição, da ternura no lugar em que a agressividade reinava e do trabalho de reconstrução sobre os escombros das glórias mentirosas do passado. Anunciam-se novos tempos, quando o sofrimento cederá lugar à alegria de viver, e quando os sentimentos entorpecidos oferecerão campo à floração dos elevados ideais da dignificação humana.
Essa lamentável situação será questão de pouco tempo, para ser resolvida, porquanto, momento chega em que a Terra e os seus habitantes serão constrangidos a alcançar patamares superiores da evolução. “Quando os filhos de Alcione se instalarão, expulsando os terrícolas? Indagou, dominado por refinado sarcasmo.”
Não exatamente conforme assinalado. Estamos recebendo visitantes de outra dimensão, que se propõem a ajudar-nos nas transformações que já se vêm operando no planeta, porque a Lei que vige no Universo é a da harmonia, da solidariedade, dos princípios morais estabelecidos pelo Pai Criador.
Gargalhada horripilante estrugiu por entre os lábios deformados do ser que se comunicava, agora apresentando-se em toda a sua hediondez de fera, vítima que se permitira ser da licantropia. Vimos o médium vergar-se e uivar dolorosamente, apresentando comportamento lupino. Um odor fétido tomou conta do ambiente, à medida que os demais acompanhantes do antigo rabino sofriam equivalentes modificações. Passamos a aspirar uma psicosfera pesada, muito densa, quase asfixiante.
Enquanto isso ocorria, os diversos membros da reunião em prece de profunda intensidade, tomados de compaixão e sinceramente tocados pelo espetáculo doloroso, lentamente geraram vibrações que diluíram as densas nevoas psíquicas, e, inopinadamente, entre dentes, em convulsão, o comunicante estridulou: “Nada agora me deterá... Voltaremos a encontrar-nos, infame traiçoeiro... noutro lugar... Sim - redarguiu nosso benfeitor - Encontrar-nos-emos, sim, no seu reduto.
Como se fosse arrancado violentamente, desprendeu-se do perispírito do médium que, por pouco, não tombou ao solo, não estivesse Dr. Sílvio em vigília, amparando-o e pondo-o sentado em postura equilibrada. As outras entidades que o acompanharam, igualmente foram atraídas na mesma onda vibratória e a sala, a pouco e pouco, voltou a adquirir a harmonia inicial.
Deixando revelar a emoção de júbilo, nosso mentor explicou-nos: Estava programada essa reação, porquanto, em realidade, não tivemos aqui, o antigo sacerdote Eliachim Ben Sadoch, mas um clone dele, um Espírito que lhe assimilou as características com o objetivo de enganar-nos, já que, no seu reduto, ele acompanhou todos os lances do nosso encontro.
Hábil e astuto, não quis correr o risco de um enfrentamento direto, enviando, primeiro, simuladores do seu reino de horror, fortemente vinculados à sua poderosa mente, que os arrancou do nosso recinto, com a permissão dos nossos Guias, sem dúvida, para que não descobríssemos a farsa.
Como em nossos labores espirituais a violência é desnecessária, e não nos cabia evitar a evasão dos visitantes, foram tomadas providências para que o diálogo se prolongasse pelo tempo apenas necessário para que ocorressem as metamorfoses, diluindo-se as máscaras fluídicas de que se utilizaram para ocultar a atual identidade. O enganador é sempre alguém que se equivoca, iludindo-se, enquanto supõe estar ludibriando o seu próximo. Consideramos exitosa a tarefa sob as bênçãos de Jesus, que terá seu natural prosseguimento em ocasião oportuna que virá.
Refazendo a concentração de todos, vimos a irmã Arlinda, veneranda trabalhadora com mais de meio século de dedicação à Causa do Bem, entrar em transe e passar a eliminar “energia em forma de ectoplasma”, pelos orifícios naturais da face, formando um Espírito nobre que, banhado de azulínea luz, condensou-se no recinto saturado de vibrações perfumadas e elevadas. Tratava-se de um embaixador de Ismael, guia espiritual do Brasil, que logo se fez identificar, trazendo o apoio do nobre mentor:
Irmãos queridos: Guarde-nos Jesus na Sua paz e misericórdia. As vossas preces alcançaram as regiões felizes, e o anjo benfeitor do Brasil enviou-nos, a fim de receberdes o seu apoio honroso, na bendita realização a que vos entregais. A pátria do Cruzeiro desempenhará o seu papel cristão no cenário do mundo conturbado da atualidade.
Missionários do amor e da libertação de consciências encontram-se renascidos entre vós, com a tarefa de devolver ao mundo a mensagem gloriosa do suave-doce Rabi galileu, que sofreu as previstas modificações ao longo dos séculos. Comprometidos com a Verdade, têm a tarefa de viver o que ensinam, trabalhando os metais da alma, de forma a amoldá-los às novas finalidades.
Embora os caminhos ainda permaneçam com espinheirais dominando-os e pedrouços em todo lugar dificultando a marcha, esses peregrinos do dever encontram-se forrados de coragem e de destemor para não se deterem em momento algum, avançando sempre. Espíritos missionários de outras eras, acostumados à austeridade e à renúncia, inspiram-nos em favor do êxito no desiderato. Incompreendidos e malsinados, sofrendo escárnio e enfrentando desafios colossais, avançam confiantes no resultado feliz do empreendimento com o qual se comprometeram desde antes do berço.
A sua palavra vibrante e os seus exemplos dignos sensibilizam os públicos que os ouvem e as pessoas que convivem com eles reconhecem que estamos realmente no limiar de um novo tempo de amor, de paz e de verdade. Não mais os engodos de outrora, nem as louvaminhas da viagem equivocada ao reino da ilusão. A seriedade e o sacrifício são lhes as condecorações que carregam nas vestes da alma, identificando-os como seguidores de Jesus, que não teve outra escolha entre a glória mentirosa da Terra e a cruz libertadora que o reconduziu à imortalidade em triunfo.
Percorrem os mesmos caminhos do passado, nos quais deixaram pegadas assinalando crimes e vícios, que ora deverão apagar, sobrepondo as luminosas propostas do amor sem jaca e da verdade sem disfarce. Vinculados psiquicamente à nossa Esfera, recebem contínuo estímulo para não esmorecerem nas lutas difíceis, nem se desviarem do roteiro que percorrem, animados pelo espírito da alegria e a compensação da paz interna.
Perseguidos pelos adversários da Luz, equipam-se com os instrumentos de defesa, que são a oração e os atos enobrecidos. Mesmo quando a grande nação brasileira mergulha em abismos de devassidão, de corrupção, de desrespeito aos códigos da justiça e da honradez, fase passageira do seu processo de evolução, Ismael, compassivo, intercede, junto a Jesus, em favor de todos, confiando nos reajustamentos que já se vêm operando com uma nova geração de mulheres e de homens de bem.
Certamente, o mesmo ocorre nos diversos países da Terra, no entanto, ao Brasil coube, por determinação do Mestre incomparável, a tarefa de devolver ao mundo a Sua mensagem de misericórdia e de libertação total. Porfiai, pois, nos objetivos abraçados, sem jamais temerdes as forças do mal, que se diluem como a neblina ante o calor do Sol da verdade, instituindo o período do amor como essencial para a felicidade de todos.
Tendes sido objeto de ciladas e traições, de testemunhos que guardais em silêncio, nunca revidando ao mal, sempre compreendendo que sois discípulos daquele que não se defendeu das acusações indébitas que lhe foram atiradas na face, sendo-vos, portanto, o modelo a seguir.
Solidão, desapreço, sofrimentos íntimos por anseios que se não converteram em realidade são as injunções a que fazeis jus em decorrência do vosso comportamento em outras passadas reencarnações. Mantende, hoje, o brilho da alegria e da bondade na face e no sentimento, gerando harmonia onde quer que vos apresenteis.
Nunca experimentareis abandono, nem sofrereis a ausência dos vossos guias espirituais afetuosos, que seguem convosco até a conclusão da tarefa encetada, quando retornareis à grande pátria espiritual. Que o Senhor vos abençoe e vos guarde sempre, vosso irmão e servidor. Bittencourt Sampaio
Enquanto enxugávamos as lágrimas espontâneas, diluiu-se a luminosa figura do Espírito embaixador de Ismael, deixando aragens fluídicas de peculiar bem-estar, que a todos nos penetravam com efusão.
  
Lentamente a médium recobrou a lucidez, consciente de que havia servido de instrumento à materialização de um mensageiro especial, agradecendo ao Senhor a bênção em sentida oração. Por nossa vez, não podíamos conter as emoções que se sucediam em calidoscópio de lembranças afetuosas que procediam da última existência, na Terra, quando tivemos ocasião de ler as obras escritas por esse venerável mentor, antigo presidente da Federação Espírita Brasileira.

Chegando a hora do encerramento das atividades, Dr. Sílvio comunicou ao dirigente que orou, comovidamente, despedindo-se de todos nós até a próxima oportunidade. A sorridente face do Sol ainda não se apresentara, mas os seus cabelos de luz já desenhavam sinais nas sombras antes em predomínio na noite...