Eternidade

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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Libertação Espiritual

© Brandon Kidwell


            Às vezes me preocupava o mecanismo das leis cármicas. Pensava eu que a série de ações e reações se estendesse em espirais infinitas pelo tempo a fora. E isso me parecia contrário à ideia que sempre formulei da justiça divina.

            Se ontem, num momento infeliz de desvario, estrangulei um irmão, alguém teria que me estrangular no futuro, para que se cumprisse a lei. Mas, o novo crime haveria de gerar, fatalmente, uma nova reação, abrindo outro ciclo e assim por diante, “ad infinitum”. De mais a mais, não havia, também, a dureza do “olho por olho, dente por dente”?

            Acontece, porém, que as leis divinas são muito mais sábias e perfeitas do que sonhamos. Ao descer até nós, vindo das mais elevadas esferas espirituais, o Divino Mestre nos trouxe a mensagem da verdade suprema da vida – o amor. E como Ele próprio dizia, não vinha destruir a lei, mas fazê-la cumprir. Não se alterava a substância dos postulados cármicos; ficavam eles, porém, esvaziados do seu conteúdo de inexorabilidade, para adquirirem o suave colorido da reparação.

            Ensinava o Amigo Sublime que só uma atitude poderia quebrar o círculo vicioso: o amor. Na verdade, colocou tão alto o conceito e a prática do amor entre as criaturas, que fez disso a nota dominante, o tema, o “leit motiv” de toda a sua insuperável pregação. A certa altura da vida, com o poder de síntese e de acuidade de que era dotado, no mais alto grau, como se quisesse deixar, numa só ideia, toda a sabedoria da vida – disse simplesmente: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.” Já meditou o amigo leitor, com seriedade, na beleza e na profundidade daquela simples frase? Ela contém, não somente o mandamento supremo da lei – que séculos antes havia sido transmitido a Moisés –, como, também, a afirmação de que Ele, o Cristo, viera demonstrar e praticar a verdade do amor e não somente pregá-la. Aqueles que vivessem tal filosofia da vida estariam cumprindo a lei e seguindo os ensinos revelados pelos profetas através das idades.

            Estava o Mestre oferecendo, a cada um de nós, os recursos necessários para que nós mesmos nos libertássemos das imposições do “olho por olho”.

            Bastava amar. Quando nos pedissem para caminhar mil passos, caminhássemos mais dois mil por nossa conta. Se nos batessem em uma face, oferecêssemos a outra. Era lícito perdoar sete vezes? Perguntaram-lhe. Não sete, mas setenta vezes sete, foi a resposta.

            Aí está o ponto onde se quebra a corrente cármica, se o desejarmos: na prática do amor e do perdão. Bem sabemos que é mais fácil falar que praticar, enquanto estivermos contidos pela nossa imperfeição, mas se perdoamos àquele que em nós feriu a lei e o ajudamos a recuperar-se, estaremos, por nossas próprias mãos, partindo o círculo de ferro. Se ainda não atingimos a perfeição moral de oferecer a outra face, caminhemos pelo menos a outra milha, os outros dois mil passos, para oferecer a nossa prece em favor daquele que nos ofendeu. Esse gesto talvez represente, nas telas infinitas do tempo, o progresso e a libertação de irmãos aos quais provavelmente devemos tantas outras reparações.

            Graças a Deus, a despeito dos desacertos da época em que vivemos, há bastante beleza moral neste mundo. Muitos espíritos se deixaram impregnar de tal forma por esse perfume de amor e perdão, que imprimiram a marca de sua passagem na História.

            Francisco de Assis, num transbordamento de amor incontido, pregava tanto aos homens como aos humildes seres da criação, procurando atrair todos para a luz. Tereza d’Ávila, em transportes de amor sublimado pelo Mestre, vivia entre este mundo e o outro. Joana d’Arc, sob a pressão desencadeada do poder terreno, não cessou de amar e perdoar. Gandhi, na fragilidade física, era um gigante de força espiritual e moral no seu amor pacifista pelos irmãos deserdados. Albert Schweitzer, mergulhado no coração da selva africana, cura, ensina, educa, ampara, sem outra paga que a satisfação de exercer o amor pelo ser humano.

            Conhecemos, pois, o caminho da recuperação, aquele que leva para o Alto. É preciso rogar forças para que saibamos segui-lo; pedir a Jesus que nos amplie a capacidade de amar e compreender. Não que essa atitude seja de passividade inútil. Não. Amar, no mais puro sentido, é um programa de ação, é um roteiro de lutas, porque implica, em primeiro lugar, o combate ao nosso comodismo através dos milênios. Esse egoísmo cego talvez fosse necessário quando, na meia luz da consciência que despontava em nosso ser, nos distantes períodos encarnatórios, ainda não sabíamos que a vida continua depois da morte. Vivíamos, então, agarrados ferozmente ao corpo físico e às coisas da matéria, e por ela lutávamos, matávamos e roubávamos. Hoje não. Iluminados pela verdade superior, sabemos que o corpo é mero instrumento – e dos mais nobres – de trabalho e de evolução e, por estranho que pareça, quanto mais trabalhamos para os outros, mais realizamos para nós mesmos. Vemos, assim, que o egoísmo se sublimou numa forma superior de sentimento, pois que, por amor a nós mesmos e ao nosso progresso espiritual, somos levados a amar os outros. Então, isto tudo não é belo e maravilhosamente perfeito?

            E quando dizemos que o amor é um programa de trabalho e de luta é porque temos que exercê-lo ativamente, esclarecendo, pelejando contra o erro, ajudando aos que precisam de ajuda, tolerando, enfim, porque essa é a lei que nos oferece a chave da libertação.


João Marcus


MARCUS, João. "Candeias na noite escura". Pseudônimo de Hermínio C. Miranda. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1992. Cap. 4
Fonte: Centro Espírita Bezerra de Menezes

quinta-feira, 25 de junho de 2015

ADVERTÊNCIA DE AMOR



Fala-nos, o Evangelho do Senhor, que nos futuros dias, por Ele previstos, a dor ganharia dimensões inimagináveis, arrastando multidões ao abismo, ao desespero, fazendo que o delírio e o desequilíbrio aturdissem a Humanidade.
Na simbologia profética, Ele caracterizou as horas terríveis, vestindo-as de alegorias.
Vivemos hoje esses dias prometidos, sem nenhum retoque nem disfarce.
Anunciam-se as horas graves da transformação dos homens, da mudança vibratória do Planeta.
Ninguém se engane ou engane a outrem.
Clareados pela razão da fé espírita, tenhamos a lucidez do discernimento, a perseverança da convicção e a coragem de porfiar fiéis até o fim.
O martirológio prossegue atual; o circo aumentou as suas dimensões; o suplício variou de forma, porém os testemunhos à verdade, ao progresso, são os mesmos.
 
Cultiva a paciência, mantendo, alto e nobre o ideal da fé espírita.
Não reajas pelo hábito de reagires. Age pela consciência do equilíbrio.
Não podes ser confundido com aqueles que perderam a fé, que desconhecem o Reino de Deus e se utilizam dos mesmos mecanismos vis para a sobrevivência inglória no
corpo e os triunfos mentirosos da ilusão.
A consciência de fé proporciona a harmonia da paz, e nela a felicidade real.
Convidado ao debate injusto, ao duelo nas disputas inglórias do corpo, renuncia à presunção e sê simples como as aves dos céus, os lírios do campo, confiante em Deus.

Nenhum tesouro que se equipare ao bem-estar da consciência reta e pacificada, em harmonia com os Decretos Divinos.
Amando o bem no lar, nos grupos sociais, de trabalho e religioso, e na comunidade, o cristão é uma carta viva de Jesus. Nela deve estar presente o Código que foi apresentado na montanha, como diretriz de equilíbrio para os outros, a exteriorizar-se de si próprio.
Não te permitas contaminar pelo bafio pestilento da loucura que a todos atinge.
Vitimado, banha-te na água lustral do Evangelho; retempera o ânimo; recompõe a atividade; volta à paz.
Vale o esforço a fim de que não fiques na retaguarda, com os elos escravizantes retendo-te na imposição, para um retorno amargurado.

Avançar é a meta; seguir sempre é a diretriz.
Não faltarão provocações e tentações, porque estes são dias de loucura. Não te deixes enlouquecer.
São horas de agressividade. Não te permitas enfurecer.
São momentos de tragédia. Não queiras sucumbir nas mãos dos maus, por motivos que não se justificam.
Sucumbir, somente pela glória do serviço a Deus, do irrestrito dever da caridade na vivência suprema do amor.
Ora mais, mais um pouco. Vigia mais, advertido quanto ao rolo compressor que avança inexorável, esmagando os distraídos.
Os tempos, por fim, chegaram, mas recorda-te, Jesus está conosco.


A ação do Bem é sempre discreta e contínua, com metas bem-definidas.
Não se deixa entorpecer, quando não compreendida, nem estaciona diante dos obstáculos.
Porque não almeja promoções pessoais nem apoia individualismos, sempre se renova sem fugir às bases, perseverando tempo afora.
Quando os ressentimentos aparecem, de imediato são diluídos no próprio trabalho, não havendo lugar para que se atirem espículos venenosos, umas contra as outras pessoas.
Jesus é o exemplo máximo que deve servir de Modelo, porquanto, mesmo ultrajado, perseguido sistematicamente, perseverou até o fim.
Se te vinculas a Ele, perceberás o Seu ânimo invadir-te o organismo, e nada poderá impedir-te de seguir adiante.
Não te preocupes em criar novidades que promovem o ego, mas sustentarás o belo, o bom e o nobre onde estejam.
Vitalizado por essa Energia, terás resistência para vencer as tentações da inferioridade moral, tornando-te um pouso de esperança para os desalentados e um estímulo para que se ergam os caídos, experimentando grande felicidade em tudo quanto faças, onde quer que te encontres.
 
 
Do livro "Desperte e seja feliz" - Divaldo / Joanna de Ângelis

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Divaldo Pereira Franco - Compromisso de Amor



Compromisso de Amor

O confrade Ederlindo Sá Roriz e esposa, convidaram o médium Divaldo Franco, juntamente com o incansável trabalhador da "Mansão do Caminho", Nilson de Souza Pereira, para irem até Aracaju naqueles idos de 1947.

Na ocasião, encontrar-se-ia também presente o casal Celso e Eunice Sá Roriz, respectivamente cunhado e irmã de Ederlindo.

Todos ansiavam passar alguns dias prazeirosos na capital de Sergipe ao ar puro daquela encantadora cidade, deliciando-se com suas comidas típicas, suas praias, o descanso merecido. Seriam férias inesquecíveis, e... foram!

Divaldo acertou com os Sá Roriz e com o jovem José Martins Peralva Junior a ida à Aracaju, quando falaria de público, sobre suas experiências, enquanto de férias do IPASE onde trabalhava, em Salvador. Seria a primeira palestra de Divaldo . Estava ele com menos de 20 anos, um adolescente ainda...
 
A viagem levava muito tempo num trem "Maria Fumaça". Os passageiros colocavam uma espécie de guarda-pó, para se protegerem, bem como às suas vestes, da fuligem lançada pela chaminé que crepitava ruidosamente.

Chegaram eles, então, sujos de carvão entre sorrisos e alegrias.

Divaldo em casa dos anfitriões enquanto se preparava para lavar o rosto, encontrou no corredor, à caminho do lavabo, a revista mensal "O Reformador" editada pela FEB, leu um artigo, e encantou-se, tendo então idéia de fazer da página encontrada, abertura para a palestra, memorizou-a. Era a bela "A Lenda da Guerra", ditada pelo espírito Irmão X ao médium Chico Xavier.
 
Quando lhe deram a palavra na União Espírita Sergipana, levantou-se e olhou a multidão que ali estava para ouvi-lo – 14 pessoas. Começou lentamente, como era costume à época: Sra, Srs...mas esqueceu-se subitamente de tudo o que planejara para a ocasião.

Quando já ia sentar-se, viu entrar um espírito que lhe disse:

"- Sou o beletrista Humberto de Campos, levanta-te! Falarei por ti!
E esta tua primeira lição- Para falar de Jesus há que te postares de pé..."
 
E Divaldo falou, encantando a todos.

Os confrades Peralva e Ederlindo felizes com a palavra fácil do jovenzinho, convidaram-no para dali a 2 dias falar novamente. E animados, começaram a fazer divulgação do próximo acontecimento.

Ele? Aquiesceu, despreocupado. Para que preocupar-se se na hora o espírito "vinha" e falava por ele?

No dia aprazado, sem estudar absolutamente nada para a palestra, subiu à tribuna. Duzentas pessoas aguardavam-no ansiosas. E ele... novamente esqueceu-se do conteúdo de sua fala. E o pior, não viu entrar nenhum espírito disposto a auxiliá-lo. 
Leal, resolveu dizer ao público que se acotovelava no pequeno espaço:
 
"- Sra, Srs, no outro dia eu iria lhes falar da "Lenda da Guerra" mas esqueci-me, deu-me um branco, com se costuma dizer. No entanto, falei sob a inspiração de um Benfeitor Espiritual que se propôs a me ajudar. Hoje, no entanto, nem me lembro de nada para lhes dizer, nem vejo espírito algum disposto a me auxiliar."

Aí, ele ouviu uma voz que lhe sussurrou:

"- Porque não estudaste? Auxiliar-te-ei em consideração ao público presente.
Esta a segunda lição: Nunca venhas falar sem te preparares antes, sem estudar.
O bom andamento de todo trabalho requer esforço próprio, denodo, dedicação. Lembra de sempre fazer tua melhor parte, doando-te em prol de todos os que de ti se acercarem..."
 
mas... havia uma terceira lição: depois das conferências na União Espírita Sergipana, Divaldo e esses amigos combinaram que num certo dia daquele março, após as 15 horas, fariam um encontro fraterno, somente entre eles, para contatarem com entidade amiga e muito conhecida deles.

No dia aprazado, almoçaram no Hotel Marolli onde foram servidos pombos ao molho. Divaldo nunca houvera comido aquela iguaria e inexperiente, comeu... comeu... o acepipe, esquecendo-se que a digestão não seria concluída satisfatoriamente até o início dos trabalhos, onde ele seria instrumento, através a abençoada mediunidade de que é portador. 
 
O almoço teve seu término e retornando à residência dos anfitriões para daí darem início à reunião mediúnica, é que Divaldo lembrou-se da digestão, dos pombos,
e de tudo o mais...

Que fazer? Refletia meio sem jeito como houvera comido tanto assim. Sentiu a presença de Entidade amiga, e, instintivamente lhe perguntou como deveria agir.

O amigo espiritual não se fez de rogado, e lhe falou:

"-Deixa comigo! Estás interditando a oportunidade dos outros...

Por caridade, aos que te aguardam,

faremos que tenhas certa indisposição estomacal. Foste egoísta somente pensando em ti. Os amigos anelavam tua presença na área mediúnica mas... tu anelavas aos pombos! "
 
Divaldo sentiu então como se dois dedos, se introduzissem em sua garganta chegando quase à altura do esôfago, produzindo-lhe uma regurgitação natural, e... nesse instante os pombos... voaram!!!
 
Diz-nos Joanna de Ângelis, Benfeitora de todos nós, no livro " Após a Tempestade", no capítulo 9 :

"A pretexto de comemorações, festas, decisões não te comprometas (...)
O oceano é feito de gotículas e, as praias imensuráveis, de grãos.
Liberta-te do conceito : "hoje só", (...) e não te facultes: "apenas um pouquinho", porquanto, uma picada que injeta veneno letal, não obstante em pequena dose, produz a morte imediata. Se estás bafejado pela felicidade, sorve-a com lucidez."


Ana Maria Spranger Luiz
Blog Divaldo Franco no RJ