Eternidade
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Suicídio, uma visão médica e espírita
“Só existe um problema filosófico
verdadeiramente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena
ser vivida é responder a questão fundamental da filosofia.” – Albert
Camus (1913-1960)
A afirmativa acima é do Prêmio Nobel de Literatura de 1957 e se encontra no livro O Mito de Sísifo, cujo tema central é o suicídio.1
Se essa proposição parece exagerada, em sua essência guarda verdades,
que devem ser refletidas de forma séria e profunda. Não se pode negar
que, se não é o único “problema filosófico verdadeiramente sério”, é um
dos maiores, levando-nos a pensar em questões fundamentais como o
sentido da vida humana e a continuação do existir.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em setembro de 2014 um suplemento intitulado Preventing Suicide – a Global Imperative2 (em tradução livre, Prevenindo o Suicídio – um Imperativo Global).
São as estatísticas mais recentes sobre o tema, referentes ao ano de
2012, as quais revelam a magnitude do problema. Naquele ano, 804 mil
pessoas tiraram a própria vida, número que excede as vidas perdidas por
homicídio e guerras juntos e equivale a uma morte a cada 40 segundos.
Nesse número, obviamente, não são contabilizadas as tentativas, mas
somente as mortes consumadas. Em termos de tentativas, tem-se uma a cada
dois segundos.
Em números absolutos, o ranking
dos países é liderado pela Índia, totalizando número superior a 258 mil
mortes. O Brasil ocupa a preocupante oitava posição com quase 12 mil
suicídios por ano, média de 24 mortes por dia. Outros dados importantes
trazidos pela OMS indicam que se trata da segunda causa de morte entre
pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos, ou seja, jovens em idade
produtiva. Os dados também revelam que 75 % de todos os suicídios de
2012 ocorreram em países pobres ou em desenvolvimento. Os números,
assim, são imperativos em comprovar a importância do tema e de que se
vive um verdadeiro problema filosófico e de saúde pública.
Mas afinal, por que tantas mortes? Por
que as pessoas cometem suicídio? Os suicidólogos, especialistas no
assunto, atestam que mais de 90% das pessoas que cometem suicídio são
portadoras de algum transtorno mental, o qual seria possível ser
diagnosticado e tratado. Na lista têm-se, em especial, os transtornos do
humor (depressão e transtorno afetivo bipolar), abuso de substâncias
ilícitas (álcool e drogas), transtornos de personalidade e
esquizofrenia. Transtornos dessa natureza aumentam os índices de
suicídio, sobretudo quando não há tratamento adequado. No entanto, não
se deve esquecer uma das maiores chagas da Humanidade: o materialismo.
Os Espíritos Luminares, que sob a
bandeira do Espírito de Verdade colaboraram na elaboração da Doutrina
Espírita, indicam que a luta contra o materialismo é um dever e uma
necessidade para a transformação moral da Humanidade. Allan Kardec, na
Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, diz “que o materialismo, com o proclamar para depois da morte o nada, anula toda responsabilidade moral ulterior”.3
Despertar o ser para sua verdadeira essência, indicando sua natureza
espiritual sujeita às Leis de Causa e Efeito e à Lei da Reencarnação, é
tarefa das mais relevantes e que descortina um Novo Mundo e situa o
Homem como sujeito do seu destino na construção da felicidade.
“A incredulidade, a simples dúvida sobre
o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores
incitantes ao suicídio […]”.4 O Espiritismo, como Doutrina
Consoladora, transforma a crença em saber, dizima as dúvidas e vence o
materialismo, dando a conhecer as leis que regem o universo espiritual e
suas relações com o mundo corpóreo. A partir daí, foi e é possível
conhecer as graves consequências de pôr fim à própria vida. O capítulo
V, intitulado Suicidas, da segunda parte do livro O Céu e o Inferno,5 guarda importante material de estudo e desvenda o importante sofrimento post mortem.
O sofrimento vivenciado não é fruto de
castigo divino, pois não existe esse artigo nas Leis Universais. É
natural que o Espírito, ao se deparar com a realidade pós-túmulo e
entender que a vida ainda “pulsa”, mergulhe nos abismos da própria
consciência onde se encontram escritas as Leis de Deus.6
Transgredir as Leis de Deus é transgredir a própria natureza, causando
assim profundo sofrimento moral. O Espírito percebe que a morte
compreendida como extinção da vida não corresponde à verdade. A rigor, a
morte está inserida nela e é a porta para o retorno à Pátria da qual
saiu, voltou e sairá ainda na necessidade de evoluir sempre. Além disso,
existem as consequências biológicas da complexa relação espírito-corpo,
o qual, enquanto encarnado, se satura de fluido vital. Para que o
desligamento ocorra por completo, o Espírito deve extinguir totalmente o
fluido vital a fim de que possa dar continuidade à sua jornada como
Espírito desencarnado. Em Memórias de um Suicida, psicografia de Yvonne A. Pereira, há o seguinte esclarecimento:
[…] Será preciso que se desagreguem dele
[do suicida], as poderosas camadas de fluidos vitais que lhe revestiam a
organização física, adaptadas por afinidades especiais da grande mãe
natureza à organização astral, ou seja, ao perispírito, as quais nele se
aglomeram em reservas suficientes para o compromisso da existência
completa […].7
Daí as profundas e graves impressões sofridas pelo Espírito vinculado ainda ao corpo [1]físico
por ter atentado contra a própria vida de forma violenta. São
repercussões de ordem magnética que impactam o envoltório sutil do
Espírito ou corpo espiritual, ou seja, o perispírito. Dado que tal
envoltório corresponde à matriz biológica formadora do corpo físico,
pode haver implicações futuras. Dificuldades no intercurso existencial e
em encarnações posteriores, gerando limitações físicas e psíquicas não
são incomuns. Entram em ação as Leis de Causa e Efeito na necessidade de
reparar equívocos através da dor, maior aliada do processo evolutivo.
Eis o que afirma Léon Denis:
“Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação”
e, assinala ainda, “necessidade de ordem geral, como agente de
desenvolvimento, condições do progresso”.[2]
Porém, em nenhum momento, o Espírito em sofrimento é abandonado à
própria sorte. As Leis de Deus agem sempre a favor do Espírito imortal,
acolhendo-o e aliviando suas dores para que possa progredir com
confiança e fé em si mesmo e no Pai de infinita misericórdia. Assevera
Jesus: “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. […] pois
que é deles o Reino dos Céus”. (Mateus, 5:4, 6 e 10.)
A espiritualidade e a religiosidade são
as ferramentas mais eficazes de prevenção ao suicídio e também as mais
consoladoras. A Ciência caminha nessa direção e são inúmeras as
pesquisas indicativas de menores taxas e atitudes mais negativas em
relação a esse ato.[1] A data de 10 de setembro,
indicada pela OMS, corresponde ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Seja ela um momento de reflexão para todos e, igualmente, de alçar uma
prece em favor desses Espíritos em sofrimento, buscando a figura meiga
do Nazareno…
[…] Desci, mas desci muito aos reinos inferiores…
Despertando no túmulo, escutei Os gritos
da aflição de alguém que muito amei E que muito amo ainda… […] um amigo
não esquece a dor de outro amigo que cai… Antes de me altear à Celeste
Alegria, Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas, Vali-me, após a
cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas, A fim de aliviar a imensa dor de Judas.
O trecho acima do poema Amor e perdão,
de Maria Dolores, psicografia de Francisco Cândido Xavier, descreve
o diálogo do Mestre de Nazaré e Maria Madalena após o histórico dia do
Calvário.[2] O Cristo, nos três dias que antecederam a “ressurreição”, buscou Judas, seu amigo amado, após o ato impensado do suicídio…
Jesus nunca nos esquece!
REFERÊNCIAS:
[1]PIMENTA, Danilo. A postura camu-siana perante o suicídio físico. Fragmentos de Cultura, Goiânia, v. 22, n. 3, p. 281-288, jul./set. 2012.
[2]Preventing suicide: a global imperative. 2014
[3]KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. Introdução, it. IV, Resumo da doutrina de Sócrates e Platão, subit. 9.
[4]____. Cap. 5, it. 16.
[5]O céu e o inferno. Trad. Guillon Ribeiro. 61. ed. 2. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. pt. 2, cap. 5.
[6]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 2. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2016. Q. 621.
[7] PEREIRA, Yvonne A. Memórias de um suicida. Pelo Espírito Camilo Cândido Botelho. 27. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2016. Cap. Vale dos suicidas, p. 27.
[8] DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 32. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2015. Cap. 26, p. 347-348.
[9] KOENIG, Harold. Espiritualidade no cuidado com o paciente. São Paulo: FE Ed., 2005. Cap. 1, p. 21.
[10] XAVIER, Francisco C. Coração e vida. Pelo Espírito Maria Dolores. São Paulo: Ideal, 1994. Cap. 14.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
sábado, 30 de novembro de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
O estranho mundo dos Suicidas
Freqüentemente somos procurados por iniciantes do Espiritismo, para explicações sobre este ou aquele ponto da Doutrina.
Tantas são as perguntas, e tão variadas, que nos chegam, até mesmo através de cartas, que chegamos à
conclusão de que a dúvida e a desorientação que lavram entre os aprendizes da Terceira Revelação partem do fato de eles ainda não terem percebido que, para nos apossarmos dos seus legítimos ensinamentos, havemos de estabelecer um estudo metódico, parcelado, partindo da base da Doutrina, ou exposição das leis, e não do coroamento, exatamente como o aluno de uma escola iniciará o curso da primeira série e não da quarta ou da quinta.
Desconhecendo a longa série dos clássicos que expuseram as leis transcendentes em que se firmam os
valores da mesma Doutrina, não somente nos veremos contornados pela confusão, impossibilitados de um sadio discernimento sobre o assunto, como também o sofisma, tão perigoso em assuntos de Espiritismo, virá em nosso encalço, pois não saberemos raciocinar devidamente, uma vez que só a exposição das leis da Doutrina nos habilitará ao verdadeiro raciocínio.
Procuraremos responder a uma dessas perguntas, de vez que nos chegou através de uma carta, pergunta que nos
afligiu profundamente, visto que fere assunto melindroso, dos mais graves que a Doutrina Espírita costuma examinar.
A dita pergunta veio acompanhada de interpretações sofismadas, próprias daquele que ainda não se deu ao
trabalho de investigar o assunto para deduzir com a segurança da lógica.
Pergunta o missivista:
- Um suicida por motivos nobres sofre os mesmos tormentos que os demais suicidas? Não haverá para ele uma misericórdia especial?
E então respondemos:
- De tudo quanto, até hoje, temos estudado, aprendido e observado em torno do suicídio à luz da Doutrina
Espírita, nada, absolutamente, nos tem conferido o direito de crer que existam motivos nobres para justificar o suicídio perante as leis de Deus.
O que sabemos é que o suicídio é infração às leis de Deus, considerada das mais graves que o ser humano
poderia praticar ante o seu Criador.
Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam,
a amargura da situação em que se agitam, consequentes do seu impensado ato.
Muitos deles, como o grande escritor Camilo Castelo Branco, que advertiu os homens em termos
veementes, em memorável comunicação concedida ao antigo médium Fernando de Lacerda, afirmam que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja, sobre a Terra, ainda seria excelente condição "comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio".
Durante nosso longo tirocínio mediúnico, temos tratado com numerosos Espíritos de suicidas, e todos
eles se revelam e se confessam superlativamente desgraçados no Além-Túmulo, lamentando o momento em que sucumbiram.
Certamente que não haverá regra geral para a situação dos suicidas. A situação de um desencarnado, como
também de um suicida, dependerá até mesmo do gênero de vida que ele levou na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas antes de morrer.
Num suicídio violento como, por exemplo, os ocasionados sob as rodas de um trem de ferro, ou outro
qualquer veículo, por uma queda de grande altura, pelo fogo, etc., necessariamente haverá traumatismo perispiritual e mental muito mais intenso e doloroso que nos demais.
Mas a terrível situação de todos eles se estenderá por uma rede de complexos desorientadores, implicando
novas reencarnações que poderão produzir até mesmo enfermidades insolúveis, como a paralisia e a epilepsia, descontroles do sistema nervoso, retardamento mental, etc.
Um tiro no ouvido, por exemplo, segundo informações dos próprios Espíritos de suicidas, em alguns casos
poderá arrastar à surdez em encarnação posterior; no coração, arrastará a
enfermidades indefiníveis no próprio órgão, consequência essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e desequilíbrios insolúveis
enfermidades indefiníveis no próprio órgão, consequência essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e desequilíbrios insolúveis
.
Entretanto, tais consequências não decorrerão como castigo enviado por Deus ao infrator, mas como efeito
natural de uma causa desarmonizada com as leis da vida e da morte, lei da Criação, portanto.
E todo esse acervo de males será da inteira responsabilidade do próprio suicida. Não era esse o seu
destino, previsto pelas leis divinas. Mas ele próprio o fabricou, tal como se apresenta, com a infração àquelas leis. E assim sendo, tratando-se, tais sofrimentos, do efeito natural de uma causa desarmonizada com leis invariáveis, qualquer suicida há de suportar os mesmos efeitos, ao passo que estes seguirão seu próprio curso até que causas reacionárias posteriores os anulem.
No caso proposto pelo nosso missivista, poderemos raciocinar, dentro dos ensinamentos revelados
pelos Espíritos, que o suicida poderia ser sincero ao supor que seu suicídio se efetivasse por um motivo nobre.
Os duelos também são realizados por motivos que os homens supõem honrosos e nobres, assim como as guerras, e
ambos são infrações gravíssimas perante as leis divinas.
O que um suicida suporia motivo honroso ou nobre, poderia, em verdade, mais não ser do que falso
conceito, sofisma, a que se adaptou, resultado dos preconceitos acatados pelos homens como princípios inabaláveis.
A honra espiritual se estriba em pontos bem diversos, porque nos induzirá, acima de tudo, ao respeito das
mesmas leis. Mas, sendo o suicida sincero no julgar que motivos honrosos o impeliram ao fato, certamente haverá atenuantes, mas não justificativa ou isenção de responsabilidades.
Se assim não fosse, o raciocínio indica que haveria derrogação das próprias leis de harmonia da Criação, o
que não se poderá admitir.
Quanto à misericórdia a que esse infrator teria direito como filho de Deus, não se trataria, certamente,
de uma "misericórdia especial". A misericórdia de Deus se estende tanto sobre esse suicida como sobre os demais, sem predileções nem protecionismo.
Ela se revela no concurso desvelado dos bons Espíritos, que auxiliarão o soerguimento do culpado para a
devida reabilitação, infundindo-lhe ânimo e esperança e cercando-o de toda a caridade possível, inclusive com a prece, exatamente como na Terra agimos com os doentes e sofredores a quem socorremos.
Estará também na possibilidade de o suicida se reabilitar para si próprio, através de reencarnações
futuras, para as duas sociedades, terrena e invisível; as quais escandalizou com o seu gesto, e para as leis de Deus, sem se perder irremissivelmente na condenação espiritual.
De qualquer forma, com atenuantes ou agravantes, o de que nenhum suicida se isentará é da reparação do ato
que praticou com o desrespeito às leis da Criação, e uma nova existência o aguardará, certamente em condições mais precárias do que aquela que destruiu, a si mesmo provando a honra espiritual que infringira.
O suicídio é rodeado de complexos e sutilezas imprevisíveis, contornado por situações e consequências
delicadíssimas, que variam de grau e intensidade diante das circunstâncias. As leis de Deus são profundas e sábias, requerendo de nós outros o máximo equilíbrio para estudá-las e aprendê-las sem alterá-las com os nossos gostos e paixões.
.
Assim sendo, que fique bem esclarecido que nenhum motivo neste mundo será bastante honroso para
justificar o suicídio diante das leis de Deus. O suicida é que poderá ser sincero ao supor tal coisa, daí advindo então atenuantes a seu favor.
O melhor mesmo é seguirmos os conselhos dos próprios suicidas que se comunicam com os médiuns: - Que
os homens suportem todos os males que lhes advenham da Terra, que suportem fome, desilusões, desonra, doenças, desgraças sob qualquer aspecto, tudo quanto o mundo apresente como sofrimento e martírio, porque tudo isso ainda será preferível ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio.
E eles, os Espíritos dos suicidas, são, realmente, os mais credenciados para tratar do assunto.
(Revista Reformador de março de 1964)
domingo, 13 de janeiro de 2013
A eficácia da prece em favor do Suicida
A Oração é um recurso mental de poder extraordinário. Podemos orar pelos encarnados e pelos desencarnados, por nós mesmos e pelos outros.
Através da oração não podemos mudar o curso dos resgates necessários, em nós ou nos outros, mas podemos confortar e ser confortados. Quando bem utilizada, ela amplia a nossa receptividade, favorecendo aos bons Espíritos, nos inspirarem.
Quantos problemas poderiam ter morrido no nascedouro, se o recurso da oração sincera tivesse sido utilizado!
A oração feita com amor gera ondas mentais, que se propagam no espaço em direção ao alvo para o qual é endereçada. No caso específico de Espíritos sofredores, ela proporciona alívio e conforto espiritual.
No entanto, muitas pessoas, mesmo aquelas que são conhecedoras do poder da oração, externam certa dúvida, quando se trata de orar pelos que se suicidaram.
Certamente supõem que o suicida, sofredor de dores inimagináveis, como descrevem algumas obras espíritas, permanecendo longo período em total perturbação, dispensariam o recurso da oração. É como se imaginassem um determinismo, que a oração não poderia mudar.
Comete grande equívoco quem defende esta tese. É no mínimo uma prova de desconhecimento a respeito desse assunto.
Os efeitos da prece acontecem através de mecanismos não totalmente conhecidos por nós, humanos. Os relatos feitos por desencarnados, que foram vítimas de suicídio, comprovam a eficácia da prece e revelam ser uma importante caridade, realizada em benefício destes sofredores.
Ela é um recurso algumas vezes esquecido. porém poderoso em qualquer circunstância. Claro que não podemos interpretá-la como um recurso mágico para isentar o devedor do débito. Mas com certeza lhe dará conforto e forças para reagir impedindo, em alguns Espíritos, o prolongamento desnecessário do seu sofrimento.
Para melhor esclarecimento a respeito do assunto, consideraremos duas situações, colhidas do livro "Memórias de um Suicida", ed. FEB, recebido mediunicamente por Yvonne do Amaral Pereira:
a) Espíritos resgatados das zonas de sofrimento, em recuperação nas colônias espirituais - comentário de Camilo Cândido Botelho:
Da Terra, todavia, não eram raras as vezes que discípulos de Allan Kardec [...] emitiam pensamentos caridosos em nosso favor, visitando-nos frequentemente através de correntes mentais vigorosas que a Prece santificava, tornando-as ungidas de ternura e compaixão, as quais caíam no recesso de nossas almas cruciadas e esquecidas, quais fulgores de consoladora esperança! (Op. cit., cap. Jerônimo de Araújo Silveira e família, p. 105-106.)
b) Espíritos ainda não resgatados - comentário de Yvonne Pereira:
Certa vez, há cerca de vinte anos, um dos meus dedicados educadores espirituais – Charles – levou-me a um cemitério público do Rio de Janeiro, a fim de visitarmos um suicida que rondava os próprios despojos em putrefação. [...] Estava enlouquecido, atordoado, por vezes furioso, sem se poder acalmar para raciocinar, insensível a toda e qualquer vibração que não fosse a sua imensa desgraça! [...] E Charles, tristemente, com acento indefinível de ternura, falou: – “Aqui, só a prece terá virtude capaz de se impor! Será o único bálsamo que poderemos destilar em seu favor, santo bastante para, após certo período de tempo, poder aliviá-lo...” [...] (Op. cit., cap. Os réprobos, Nota da médium no 3, p. 49.)
De acordo com o exposto, não poderá restar dúvida sobre a eficácia da prece. E no caso específico do suicídio, podemos afirmar que é o único recurso de que nós, encarnados, dispomos para, com certeza, aliviar o sofrimento imenso causado por tão enganosa solução. Abaixo, transcrevemos um trecho do diálogo entre Divaldo Pereira Franco e o Espírito de um suicida, que sofreu vários anos os efeitos dolorosos da sua precipitada ação (do livro O Semeador de Estrelas, de Suely Caldas Schubert):
[...]
Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: “Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se”. Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: “Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se”. Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
– Eu perguntei – continuou o Espírito – quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me:
– É uma alma que ora pelos desgraçados.
– Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.
Dá para perceber, nestes dois exemplos, que a oração, também para os casos de suicídio, tem o poder de lenir a dor e aplacar o desespero da vítima. Nestas condições, poderá acontecer a mudança gradativa dos painéis mentais (gerados pelo sentimento de culpa), à medida que surge o arrependimento
sincero, proporcionando aos samaritanos da Espiritualidade resgatarem a vítima, que ainda se encontre nas regiões de sofrimento, para uma colônia espiritual.
sincero, proporcionando aos samaritanos da Espiritualidade resgatarem a vítima, que ainda se encontre nas regiões de sofrimento, para uma colônia espiritual.
por F. Altamir da Cunha
Reformador nº 2.168, de novembro/2009.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Estudo sobre a obra "Memórias de um Suicida"
Videoaula completa e comentada sobre a obra “Memórias de um Suicida”,
psicografada pela médium Yvonne do Amaral Pereira e ditada pelo
espírito Camilo Cândido Branco.
Parte 1/6
Parte 2/6
Parte 3/6
Parte 4/6
Parte 5/6
Parte 6/6
Fonte: Manancial de Luz
sábado, 15 de dezembro de 2012
O SUICIDA DO TREM
Eu
nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um
suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha
férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com
todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai
de dez filhos, um operário modesto.
Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem.
Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.
Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.
Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.
Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse.
Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros. Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter).
Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.
Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou:
- Por que você está chorando?
- Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.
O Espírito retrucou:
- Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará?
- Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar!
- Não faça isto - pediu. - Se você chorar eu também chorarei muito.
- Mas por que você vai chorar? - perguntei-lhe.
- Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor.
Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.
- Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente. Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou. Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
- Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me:
- É uma alma que ora pelos desgraçados.
- Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.
(Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)
- Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me: "- Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade.
Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."
- Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.
- Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades. Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.
Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou.
Igualmente emocionado, falei-lhe:
- Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.
- São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você.
Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem.
Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.
Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.
Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.
Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse.
Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros. Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter).
Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.
Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou:
- Por que você está chorando?
- Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.
O Espírito retrucou:
- Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará?
- Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar!
- Não faça isto - pediu. - Se você chorar eu também chorarei muito.
- Mas por que você vai chorar? - perguntei-lhe.
- Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor.
Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.
- Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente. Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou. Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
- Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me:
- É uma alma que ora pelos desgraçados.
- Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.
(Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)
- Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me: "- Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade.
Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."
- Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.
- Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades. Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.
Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou.
Igualmente emocionado, falei-lhe:
- Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.
- São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você.
por Suely Caldas Schubert / Relato de Divaldo Franco
Fonte: Mensagens Cristãs
terça-feira, 6 de novembro de 2012
O Suicídio
O Suicídio
O
suicídio é considerado como a falta mais grave passível de ser cometida
pela criatura humana. O suicida viola o instinto de conservação, força
admirável da qual é dotado o princípio espiritual e que dá a ele a
vontade e a obstinação de lutar pela sua sobrevivência.
Embora seja um crime de conseqüências tão funestas, e combatido por todos as religiões, seus índices têm crescido de forma significativa, especialmente nos países desenvolvidos e nas classes mais bem favorecidas economicamente.
Causas
Várias condições são anotadas como responsáveis pelas diversas causas de autocídio: dificuldades econômicas, perda de ente querido, frustração amorosa, complexo de culpa, viciações múltiplas, etc.
Allan Kardec, sintetizando a questão, afirma que “se excetuarmos os que se verificam por força da embriaguez e da loucura, é certo que, sejam quais forem os motivos particulares, a causa geral é sempre o descontentamento.”
Joanna de Ângelis [Após a Tempestade] completando o tema diz que a base real do autocídio está no orgulho ferido. O suicida é uma alma extremamente orgulhosa que, ante o descontentamento, prefere a morte ao esforço nobre para superação do obstáculo ou da frustração. Lembra Joanna, que a vontade do suicida é "destruir Deus, mas como isso não é possível, ele destrói a si mesmo que é a mais sublime criação de Deus."
Conseqüências
Allan Kardec [*LE-qst 957] diz:
“As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos, elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência que será pior do que aquela cuja curso interromperam.
Há, porém, as conseqüências que são comuns a todos os casos de morte violenta; as que decorrem da interrupção brusca da vida. Observasse a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo, porque este laço está quase sempre em todo o vigor no momento em que foi rompido. Na morte natural ele enfraquece gradualmente e, às vezes, se desata antes mesmo da extinção completa da vida. As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento do estado de perturbação, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos.
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de recuperação do estado do corpo sobre o Espírito, que assim se ressente dos efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.
“Em alguns casos, o suicida não se livra das conseqüências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de outra maneira. É assim, que certos Espíritos que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação.”
De forma didática, podemos separar em três fases o processo de reparação do suicídio:
1ª Fase: Expiação na Erraticidade
Corresponde ao sofrimento do suicida no mundo espiritual logo após o seu desencarne.
2ª Fase: Reencarnação Compulsória
Consiste na existência corporal que segue àquela onde ele cometeu o suicídio. Geralmente é de curta duração, objetivando recompor o corpo espiritual lesado.
3ª Fase: Reencarnação como Teste
Trata-se de uma nova existência física onde o Espírito faltoso vai deparar-se com a mesma condição frustrante que o levou ao suicídio no passado para superá-la e, assim, concluir o resgate do erro.
Agravantes e Atenuantes
Não existem duas faltas iguais.
Uma série de circunstâncias, agravantes ou atenuantes, vão estar relacionadas ao ato de auto-extermínio, como por exemplo, o tipo de suicídio, sua motivação básica, a presença ou não de distúrbios psíquicos ou obsessão.
Algumas observações de Kardec:
“O suicídio mais severamente punido é aquele que é o resultado do desespero, que visa a redenção das misérias terrenas.”
”Não se pode chamar de suicida aquele que devidamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante.”
“O louco que se mata não sabe o que faz.”
“As mulheres que, em certos países, voluntariamente se matam sobre os corpos de seus maridos, obedecem a um preconceito e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio.”
Papel do Espiritismo
A religião, a moral e todos os filósofos condenam o suicídio como contrário à Lei Natural, mas estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta, uma infração a uma moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um fato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, pelo contrário piora e em muito sua situação espiritual.
*LE: O Livro dos Espíritos
Fonte: CVDEE
Embora seja um crime de conseqüências tão funestas, e combatido por todos as religiões, seus índices têm crescido de forma significativa, especialmente nos países desenvolvidos e nas classes mais bem favorecidas economicamente.
Causas
Várias condições são anotadas como responsáveis pelas diversas causas de autocídio: dificuldades econômicas, perda de ente querido, frustração amorosa, complexo de culpa, viciações múltiplas, etc.
Allan Kardec, sintetizando a questão, afirma que “se excetuarmos os que se verificam por força da embriaguez e da loucura, é certo que, sejam quais forem os motivos particulares, a causa geral é sempre o descontentamento.”
Joanna de Ângelis [Após a Tempestade] completando o tema diz que a base real do autocídio está no orgulho ferido. O suicida é uma alma extremamente orgulhosa que, ante o descontentamento, prefere a morte ao esforço nobre para superação do obstáculo ou da frustração. Lembra Joanna, que a vontade do suicida é "destruir Deus, mas como isso não é possível, ele destrói a si mesmo que é a mais sublime criação de Deus."
Conseqüências
Allan Kardec [*LE-qst 957] diz:
“As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos, elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência que será pior do que aquela cuja curso interromperam.
Há, porém, as conseqüências que são comuns a todos os casos de morte violenta; as que decorrem da interrupção brusca da vida. Observasse a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo, porque este laço está quase sempre em todo o vigor no momento em que foi rompido. Na morte natural ele enfraquece gradualmente e, às vezes, se desata antes mesmo da extinção completa da vida. As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento do estado de perturbação, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos.
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de recuperação do estado do corpo sobre o Espírito, que assim se ressente dos efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.
“Em alguns casos, o suicida não se livra das conseqüências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de outra maneira. É assim, que certos Espíritos que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação.”
De forma didática, podemos separar em três fases o processo de reparação do suicídio:
1ª Fase: Expiação na Erraticidade
Corresponde ao sofrimento do suicida no mundo espiritual logo após o seu desencarne.
2ª Fase: Reencarnação Compulsória
Consiste na existência corporal que segue àquela onde ele cometeu o suicídio. Geralmente é de curta duração, objetivando recompor o corpo espiritual lesado.
3ª Fase: Reencarnação como Teste
Trata-se de uma nova existência física onde o Espírito faltoso vai deparar-se com a mesma condição frustrante que o levou ao suicídio no passado para superá-la e, assim, concluir o resgate do erro.
Agravantes e Atenuantes
Não existem duas faltas iguais.
Uma série de circunstâncias, agravantes ou atenuantes, vão estar relacionadas ao ato de auto-extermínio, como por exemplo, o tipo de suicídio, sua motivação básica, a presença ou não de distúrbios psíquicos ou obsessão.
Algumas observações de Kardec:
“O suicídio mais severamente punido é aquele que é o resultado do desespero, que visa a redenção das misérias terrenas.”
”Não se pode chamar de suicida aquele que devidamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante.”
“O louco que se mata não sabe o que faz.”
“As mulheres que, em certos países, voluntariamente se matam sobre os corpos de seus maridos, obedecem a um preconceito e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio.”
Papel do Espiritismo
A religião, a moral e todos os filósofos condenam o suicídio como contrário à Lei Natural, mas estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta, uma infração a uma moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um fato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, pelo contrário piora e em muito sua situação espiritual.
*LE: O Livro dos Espíritos
Fonte: CVDEE
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
SUICIDAR-SE, NUNCA!
Meu
caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil
fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros,
enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e
está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave
reflexão.
Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.
Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.
Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.
Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.
O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver...!
Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.
Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.
Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.
Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.
O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver...!
O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A
pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios,
que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da
morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o
suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo
inanimado, cuja decomposição
experimenta com os horrores próprios,
pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade
de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais
intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia
dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um
indigente do além.
Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?
A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.
Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.
Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!
Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?
A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.
Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.
Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!
Fonte: Portal do Espírito
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