Eternidade

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

A doutrina da Imortalidade



A moderna psicologia
 

Foi justamente quando o espírito de negação e de materialidade triunfava no mundo, e quando esses dois formidáveis exércitos, sacerdotalismo e cientificismo, se digladiavam e destruíam, com prejuízo para a coletividade, que as Potências dos Céus se abalaram e o Espírito de Verdade desceu à Terra, para trazer-nos a nova luz que deveria iluminar os horizontes da nossa Imortalidade!

Então, uma nova Ciência ergueu-se para enfrentar a Ciência que nega a Religião; e uma nova Religião bateu às portas dos templos para pedir, aos seus sacerdotes, contas das suas negações às provas positivas que a Ciência lhes tem oferecido.

O velho mundo foi abalado em suas bases e as partes litigantes, avelhantadas, sem recursos para prosseguirem na sua luta, voltaram suas armas contra quem lhes vinha propor paz honrosa.

O Espiritismo foi repudiado, caluniado, injuriado pelos obscurantistas anchos do saber e do poder humanos; mas a Verdade devia triunfar, pois soara no grande relógio universal a hora das reivindicações sociais! A cegueira de uns e de outros não poderia privar o desenvolvimento da vidência latente de tantos: a VOZ DOS MORTOS fez-se ouvir em todos os cantos da Terra e em pouco mais de meio século o espiritismo restaurou o Gênio do Cristianismo, ao menos quanto aos memoráveis testemunhos da sobrevivência humana.

Ao par de tantas descobertas e inovações, que vêm transformando nosso mundo num paraíso, o Experimentalismo Espírita faz reviver, em todos, a certeza da Imortalidade, cumprindo assim a previsão do Apóstolo dos Gentios, segundo o qual "a morte será tragada na vitória dos arautos do Ideal Cristão".

E já não são mais considerações filosóficas, nem floreios de retórica que vêm exaltar a Doutrina da Vida, mas, sim, a eloquência dos fatos persistentes que desafiam todas as minuciosas investigações e se submetem aos mais escrupulosos exames!

O magnetismo, com os seus fenômenos de sonambulismo, desdobramento da personalidade e outros de não menor importância, tem deixado patente aos olhos de todos os que querem ver, a existência do Espírito, quer se trate do Espírito humano, quer se trate do Espírito do animal, esse mesmo Espírito independente do corpo carnal.

A visão a distancia e no interior dos corpos opacos, os fenômenos de bilocação, de exteriorização da sensibilidade, sobrepujam todos os templos de barro e academias de pedras, construídos pela imperfeita mão do homem.

O Animismo, como o denominou Aksakof, por si só explica e demonstra, com lógica irrefutável e fatos irrefragáveis, a existência da alma, independente das forças néuricas e cerebrais, e sua ação volitiva apesar da resistência que a matéria lhe opõe.

Não há que tergiversar: existimos, e nossa indiviudalidade mantém-se indestrutível, sem que para isso concorram com um ceitil o fósforo, as circunvoluções cerebrais, ou a cal da carcaça que abriga nosso cérebro. A memória aí está para testificar esta verdade!


Hoje podemos dizer: Ego sun, fui et ero! - Existo, existi e existirei!



(da obra: Gênese da Alma, por Cairbar Schutel)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O pão da Terra e o pão do Céu...


"No dia seguinte a multidão, que ficara do outro lado do mar, notou que não havia ali senão uma barca e que Jesus ão tinha entrado nela com seus discípulos, mas que estes tinham partido sós; chegaram, porém, outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde comeram pão, depois de o Senhor ter dado graças.

Quando, pois, a multidão viu que Jesus não estava ali, nem seus discípulos, entraram nas barcas e foram a Cafarnaum em procura de Jesus. Depois de o terem achado no outro lado do mar, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Vós me procurais, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a Vida Eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque sobre ele imprimiu o seu selo o Pai, que é Deus." (João, VI, 22-27.)

Há pão do Céu, assim como há pão da Terra; há alimento para a alma, assim como o há para o corpo; o alimento do corpo acaba, entretanto, como o corpo; o da alma permanece para a Vida Eterna.

Quem somente trabalha pelos manjares da Terra, não tem a comida do Céu; quem trabalha pela comida do Céu tem o pão da Terra e o pão que permanece para a Vida Eterna.

Há muitas espécies de trabalho da mesma forma que há diversas qualidades de trabalhadores; trabalhos da Terra, trablhos do Céu na terra.

Aqueles jazem como túmulos bem ornados nas necrópoles, que desabam ao rugir das tempestades; os do Céu aparecem nas alturas, iluminados pelo fulgir dos astros e brilho das estrelas.

O que é da Terra, na Terra permanece; o que é do Céu, persiste na Vida Eterna.

No trabalho exclusivamente terreno, os membros cansam, o suor goteja, o cérebro se aniquila, a vida se extingue.

No trabalho do Céu, a fronte se eleva, a alma se engrandece, o corpo se fortalece, a mente se aclara, e a vida se eterniza.

Quem só trabalha para o que é da Terra, trabalha para o que perece. Quem trabalha para o que é do Céu, trabalha para o engrandecimento moral e espiritual de si próprio e de seus semelhantes, trabalha pela comida que permanece para a Vida Eterna.

Há trabalho e trabalho; assim como há Pão e pão; assim como há tesouros na Terra e Tesouros no Céu.

Quem vive do Espírito busca as coisas do Céu; quem vive da carne busca as coisas da Terra; a carne para nada serve, o Espírito é que continua a viver.

"Trabalhai, não pela comida que perece, mas sim pela comida que permanece para a Vida Eterna."


Cairbar Schutel
Livro: Parábolas e Ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel