Eternidade

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

A persistência da fascinação


Um grave tipo de obsessão

Ailton Barcelos

Allan Kardec diz que a mediunidade é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos maleável aos Espíritos em geral (Kardec, 2002). Por isso mesmo, os médiuns não devem se vangloriar de terem assumido suas responsabilidades morais na condição de trabalhadores da última hora, comprometidos com os benfeitores da humanidade que neles confiaram, deixando-se sucumbir aos tormentos da fascinação sutil ou extravagante (Franco, 2012a; Franco, 2015).

Novos missionários surgem de um para outro momento, a si mesmos atribuindo realizações superiores e mergulhando em tormentosas obsessões por fascinação, assim como se apresentam novidades estapafúrdias que levam o bom nome da doutrina ao ridículo, pela maneira como são expostas as teses infelizes, nascidas na vaidade daqueles que são médiuns ou não (Franco, 2012b).

A atividade mediúnica, para Manoel Philomeno de Miranda, constitui oportunidade abençoada para o aperfeiçoamento intelecto-moral do indivíduo, que se permitiu cometer equívocos em reencarnações anteriores, comprometendo-se em lamentáveis situações espirituais (Franco, 2012a). Para o autor, a mediunidade é uma oportunidade especial para a autorecuperação, devendo ser utilizada de maneira dignificante, em cujo ministério de amor e de caridade será encontrada a diretriz de segurança para o reequilíbrio do ser humano.

Tais indivíduos preservam comportamentos egotistas, comprazendo-se em vivenciar mecanismos de evasão da realidade, transferindo os conflitos para a aparência de superioridade, acreditando-se – ou fingem acreditar – portadores de vida irretocável (Franco, 2012a).

Para Kardec, em O Livro dos Médiuns, o perigo está na orgulhosa propensão de certos médiuns para, muito levianamente, se julgarem instrumentos exclusivos de Espíritos superiores, nessa espécie de fascinação que lhes não se permitem compreender as tolices de que são intérpretes.

A fascinação é um grave tipo de obsessão, e pode ser definida como uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações (Kardec, 2003). Dessa forma:

O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.” (Kardec, 2003, p. 156)

Suely Caldas Schubert diz que existem várias modalidades de fascinação. Assim como ocorre com os outros gêneros de obsessão, também a fascinação é exercida não somente por Espíritos desencarnados visando os encarnados, mas igualmente de encarnado para encarnado, de desencarnado para desencarnado, de encarnado para desencarnado, e ainda pode exercer-se de um encarnado sobre si próprio: a autofascinação (Schubert, 1981, p, 13). Para a autora, a fascinação pode ser encontrada em diferentes gradações, chegando-se a ser tão sutil que pode passar despercebida, assumindo caráter de verdadeira subjugação.

Na fascinação, para Hermínio Miranda, o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima, inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as ideias que expressa provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral (Miranda, 1984). Para o autor, seu engano é evidente a todos, menos a ele próprio, que segue fascinado e servil ao Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente. Para Manoel Philomeno de Miranda, a tomada na qual se encontra o plugue obsessivo está no egoísmo e no temperamento especial, que lhe constituem os grandes desafios a vencer durante a conjuntura reencarnacionista (Franco, 2012a).

A inferioridade e as dívidas do passado são fatores que tornam o indivíduo predisposto ao mecanismo da fascinação (Schubert, 1981). Ao iniciar-se o processo da reencarnação, o indivíduo tem impresso no seu código genético as deficiências defluentes de irresponsabilidades e dívidas do passado, que se apresentarão no futuro em momento próprio como descompensação nervosa, carência ou excesso de moléculas neurônicas (neuropeptídeos) responsáveis pelos correspondentes transtornos psicológicos ou de outra natureza.

Para M. P. Miranda, as vítimas são atraídas pela irradiação inferior do ódio ou do ressentimento, da ira ou da vingança que permeia o perispírito do seu antigo algoz, produzindo-lhe desarmonia vibratória, que resulta em perturbação dos sistemas nervosos central e endócrino, abrindo espaço para a consumação dos funestos planos de vingança (Franco, 2006). Simultaneamente, o Espírito fascinador atua na mente da vítima, direcionando à mente do hospedeiro físico induções hipnóticas carregadas de pessimismo e de desconfiança, de inquietação e de mal-estar, interrompendo o fluxo dos seus pensamentos e interferindo com a sua própria onda mental (Schubert, 1981; Franco, 2006). Para Schubert (1981), a pessoa visada passa a ter o seu pensamento controlado e cerceado, o que, de certa maneira lhe paralisa o raciocínio. Ainda para autora, o perseguidor utiliza então a repetição constante de suas ideias, configurando-se assim a hipnose, que leva o fascinado a agir teleguiado pelo ser invisível.

Nenhum médium se encontra livre da fascinação lançada por entidades obsessoras, já que a trilha da vivência mediúnica é cheia de perigos, impondo cuidado (Franco, 2000). Tal processo de fascinação é muito mais comum do que se pode imaginar (Schubert, 1981; Franco, 2006). Tais entidades acabam por ter o objetivo de criar dificuldades ao progresso da Doutrina Espírita, e nada melhor para alcançar esse intento do que utilizar os próprios espíritas, partindo do princípio que toda casa dividida desmorona (Schubert, 1981).

Kardec, citando o caso da fascinação, diz que esta pessoa é infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação, uma vez se encontra seduzida pelo Espírito que a domina, persistindo no que é conduzido e repelindo toda assistência (Kardec, 2003).

Para Schubert (1981), dificilmente o fascinado irá admitir que está sendo alvo de obsessores e que não precisa de tratamento espiritual, já que ele está convencido que não é igual a outras pessoas. Para a autora, o estudo da Doutrina Espírita, das obras básicas da codificação feita em grupo, seria o primeiro passo para o seu despertamento e conscientização, mas aquele que é alvo de Espíritos fascinadores foge a todo custo de qualquer tipo de estudo sério, afastando-se de todos aqueles que o passam esclarecer e ajudar. Além do mais, esse estudo, disciplinado e constante, de tal modo que possibilite a assimilação de seus postulares, o que, por certo, ocasionará a nossa transformação moral, princípio básico do espírita.

Para M. P. Miranda, a terapia de recuperação dessas pessoas se inicia pela vigilância, vivenciando a humildade e tendo a coragem de bloquear e interromper a interferência nefasta, descendo do palanque de sua superioridade que se acredita, para a planície das criaturas comuns e frágeis, onde ele se deve situar (Franco, 2000).

Para Schubert (1981), mais do que outros obsedados, o fascinado precisa receber por meio do diálogo todos os esclarecimentos imprescindíveis ao seu tratamento, e ser conscientizado de sua própria participação neste processo, sendo essencial que ele sinta que todos estamos em aprendizado constante.

Além disso, é fundamental nos conscientizarmos de nossa realidade espiritual, que somos aprendizes imperfeitos das primeiras letras do conhecimento universal (Schubert, 1981).

Por fim, como nos diz Manoel Philomeno de Miranda, Franco (2012a), a fascinação ainda é persistente nas casas espíritas pela falta de vigilância e humildade de todos nós, que ainda não compreendemos que a mediunidade é uma oportunidade especial para a autorrecuperação e equilíbrio, devendo ser utilizada de maneira dignificante, com amor e caridade.

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– Franco, D. Temas da Vida e da Morte. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: FEB, 1996.
– Franco, D. Fascinação Obsessiva. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. In: Reformador, ano 118, n. 2.051, fev. 2000, p. 37.
– Franco, D. Reencontro com a Vida. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2006.
– Franco, D. Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2012a.
– Franco, D. Amanhecer de Uma Nova Era. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2012b.
– Franco, D. Perturbações Espirituais. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2015.
– Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 120.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
– Kardec, A. O Livros dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 71.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003.
– Miranda, H. C. Diálogos com as Sombras: Teoria e Prática da Doutrinação. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
– Schubert, S. C. Os Perigos da Fascinação. In: Reformador, ano 99, n. 1.833, dez. 1981, p. 369-373.

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Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, abril/2018

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Sentimento e Obsessão


"Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, 
vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração." 
(S. Mateus, cap. XIII, vv. 18 a 23.)
O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo XVII - item 5


Costuma-se relacionar obsessão com condutas viciosas como alcoolismo, tabagismo, sexolatria e outros vícios corporais. Entretanto, existe uma infinidade de conúbios obsessivos ainda não investigados que se operam em decorrência dos estados psicológicos e emocionais do ser humano.
Obsessão é uma interação de mentes que evolui no tempo através da sustentação de vínculos pela Lei de Sintonia, mantendo duas ou mais criaturas ligadas pelos seus interesses. Alterando ou deixando de existir tais interesses, a vinculação passa a ser circunstancial. Chamamo-la de pressão psíquica.

Que processos interiores experimenta a alma para que estabeleça um circuito de forças mentais dominadoras? Que estados psicológicos e emotivos servem de base na constrição mente a mente?

Analisemos, didaticamente, nesse terreno sutil, a sequência de interação mental mais frequente a partir da intenção obsessiva, nutrida por um Espírito desencarnado sobre as "brechas" oferecidas pelo encarnado.

Etapa um
. Existe a intenção do agente (obsessor).
. São acionados elementos de sintonia no receptor (obsidiado).

Etapa dois
. O agente invade os limites psicológicos e emocionais do receptor.
. Permissão do receptor.

Etapa três
. Produção de clichês induzidos.
. Assimilação de ideias intrusas e surgimento do conflito mental.

Etapa quatro
. Sugestões hipnóticas de manutenção.
. Enfraquecimento da vontade.

Etapa cinco
. Implantação de tecnologias
. Adesão intencional ao plano do agente indutor através do sentimento.

Etapa seis
. Evolução e sofisticação do domínio sobre o receptor.
. Dependência através de simbiose afetiva compartilhada.


Adotando a progressividade didática utilizada pelo senhor Allan Kardec no capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns, assim se enquadram as etapas acima referidas:

1) Obsessão simples - estabelecimento da sintonia - etapas 1 a 3.
2) Fascinação - invasão dos limites alheios - etapas 4 e 5.
3) Subjugação - simbiose - etapa 6.


Na educação interior, certos comportamentos sujeitam-se à obsessão. Ao longo do tempo, os embates interiores causam em alguns discípulos espíritas a sensação de "fadiga na alma". Os esforços e vitórias parecem insignificantes e infrutíferos. Um nocivo sentimento de inutilidade toma conta da vida mental. Desponta a dúvida e com ela multiplicam-se as perguntas sobre a validade de perseverar. Não estará faltando algo? Melhorei de fato? Estarei sendo hipócrita?!

Nessa "hora psicológica" nascem muitas obsessões. Discípulos sinceros que sacrificaram longamente na conquista de si próprios estacionam em lamentação e descrença, desprezando as vitórias e fixando-se no derrotismo e na acomodação.

Um dos pontos educacionais da auto-aceitação consiste em valorizar os nossos esforços de reeducação espiritual - ponto crucial na conquista de condições psicológicas adequadas ao crescimento interior. Quando não valorizamos o que já podemos realizar, abrimos a frequência da vida interior para a descrença, o desânimo e a desmotivação, convidando os famanazes da maldade para que dilapidem os tesouros de nossa vida íntima.

Façamos agora, portanto, uma radiografia da exploração obsessiva sobre o sentimento de "menos valia" ou baixa auto-estima", valendo-nos das etapas supra enumeradas.


Etapa um
. O agente encontra campo vibratório para sua intenção constritora.
. A sensação de incapacidade é aceita pelo receptor, através de suas próprias crenças derrotistas programadas no inconsciente.

Etapa dois
. O agente penetra a vida psíquica do receptor e estimula o sentimento de indignidade já presente na "vítima".
. Adesão espontânea no clima da revolta em função das frustrações da vida.

Etapa três
. O agente trabalha com informações sobre as mazelas de seu alvo.
. São criadas as justificativas autodefensivas para a conduta invigilante.

Etapa quatro
. Sugestões hipnóticas de autodesvalorização através de ideias imaginárias do desprezo de outrem.
. Estado íntimo de insatisfação consigo próprio, levando à culpa e apatia ante os ideais superiores.

Etapa cinco
. Tecnologias avançadas para instalar a descrença - o sentimento básico para consumar uma queda moral.
. Estado íntimo de falência cujo nome é desânimo - a doença de quem desistiu.

Etapa seis
. Exploração do receptor nos programas de ataque e interferência na sociedade carnal. "Assalariado carnal".
. Total dependência em quadros de adoecimento psíquico.


O conceito de vigilância vai muito além de disciplinar os pensamentos. É no campo do sentimento que nasce esmagadora maioria das obsessões. A capacidade de "pensar livre" ou decidir por nós é "quase nula" no concerto universal. Vivemos em regime de contínuo intercâmbio e interdependência.

Nesse contexto fenomenológico da vida mental não será incoerente afirmar que todos respiramos, em maior ou menor grau, nas faixas da obsessão. A questão é saber se somos por ela dominados ou se a temos sob nosso controle. Sob essa ótica as obsessões são convites educativos contidos nas Leis Naturais para nosso aprimoramento.

Somente a oração ungida pelos sentimentos elevados, a intenção nobre e perseverante, seguidas da conduta reta, podem estabelecer um clima de autonomia psíquica desejável, que nos defenda da dominação dos interesses inferiores à nossa volta.

Essa autonomia interrompe o processo na "etapa dois", quando elabora no terreno dos sentimentos o auto-amor - reconhecimento de nossa pequenez, seguido da alegria de poder contar sempre com a manifestação da Divina Providência em favor de nossas vastas necessidades espirituais.

"Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração."

Com sua habitual lucidez Jesus estabeleceu em Mateus, capítulo quinze, versículo dezenove: Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.

Só carregamos por fora o resultado do que temos por dentro.


por Ermance Dufaux e Wanderley S. de Oliveira
obra: Escutando Sentimentos 


 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Despoluição Espiritual do Planeta



Nas reuniões mediúnicas de desobsessão, causa perplexidade o grande número de Espíritos que exercem vingança por prejuízos sofridos em pretérita existência. Perseguem os responsáveis, impondo-lhes variados problemas de saúde física e psíquica.

Parecem ter perdido o contato com a realidade, dominados pelo desejo de revide, sem atentar ao passar do tempo, contabilizando, não raro,dezenas de anos e até séculos.

Localizam e assediam seus desafetos com a intenção de submetê-los a todo sorte de sofrimentos e desajustes.

E quem é mais digno de comiseração?

O obsidiado, pela inconsequência criminosa do passado, ou o obsessor, pela agressividade feroz do presente?

O obsidiado, que ofendeu, ou o obsessor, que não soube perdoar?

O obsidiado, que colhe espinhos que semeou, ou o obsessor, que dilacera nos propósitos de vingança?

É difícil lidar com um Espírito nessa condição, fixado na ideia de que seus desafetos, que tanto o fizeram sofrer, devem experimentar sofrimentos mil vezes acentuados.

Inútil racionalizar, dizendo-lhe que responderá por seus atos,que está sendo insensível, que não está agindo de conformidade com as leis divinas.
É impermeável aos apelos da razão. Melhor evocar o coração.

Lidei há pouco com umasituação dessa natureza...

O obsessor mostrava-se irredutível na perseguição que exercia sobre um desafeto. Pretendia induzi-lo ao suicídio. O caso viera parar no atendimento fraterno do Centro, por iniciativa de um familiar, preocupado com  estado de abatimento e desânimo do obsidiado.

E ali estava o algoz, conversando conosco ao processo mediúnico.De nada adiantou falar-lhe das consequências de seus atos, do crime que estava cometendo, dos sofrimentos que estava impondo a toda uma família, em nome do ódio.

Em certo momento, justificando-se, explicou:

- Aquele de quem você se compadece é um criminoso sem perdão. Na existência passada ele foi um coronel nordestino.Movido pela ambição, invadiu minhas terras, matou-me, bem como a meus pais,irmãos, esposa e três filhos, e apossou-se de todos os nossos haveres. Estive a vagar sem sossego por muito tempo. Agora o localizei e farei justiça. Vou induzi-lo ao suicídio e provocarei a desagregação de sua família.

- A experiência ensinou-me que em situações assim o primeiro passo é captar a simpatia do manifestante, concordando com seus propostos,exercitando amor por ele.

Foi o que fiz...

- Sua revolta é justa. O crime que seu desafeto cometeu é imperdoável.
- Ainda bem que concorda comigo, porquanto não descansarei enquanto o miserável não pagar!
- Desculpe, mas fico imaginando se valeu a pena ficar tanto tempo dominado pelo ódio, a ponto de perder a própria noção do tempo. Pelo que você relatou, aquela tragédia aconteceu há mais de um século.
- Ainda que se passem muitos séculos, não importa! Quero vingança!

Então amigo leitor, veio o apelo do coração...
- E a sua família?...
- O que tem minha família?
- Mantém contato com seus pais, irmãos, a esposa e filhos?
- Não, nunca mais os vi.
- Não acha estranho, já que desencarnaram juntos?
- Nada disso importa! Apenas a justiça!
- Não sente saudades?
- Não quero pensar nisso!
- Nunca procurou definir por que não os encontra?
- Certamente esqueceram-se de mim, seguiram seu caminho.
- E se eu lhe disser que mentores espirituais querem colocá-lo em contato com eles?
- Não acredito! Você quer enganar-me!
- É verdade! Seus familiares têm procurado aproximar-se, mas você não os vê, porquanto seus olhos estão obscurecidos pelo ódio. Agora, me irmão,surgiu a grande chance. Aproveite! Esqueça o passado!

O obsessor sensibilizou-se...

- Você tem certeza de que os reencontrarei?
- Fique tranquilo.
- O que devo fazer?
- Mentores espirituais conversarão com você e lhe prometo que em breve reencontrará a família. Rendamos graças a Deus, cuja misericórdia nos oferece infinitas oportunidades de reabilitação.

Em seguida orei, naquela evocação que parte do imo d’alma, réstia de amor quando nos sensibilizamos com as misérias alheias, rogando a Jesus amparasse aquele nosso irmão no seu propósito de renunciar à vingança.
O médium chorava, extravasando a emoção da entidade.
Mais uma vez o amor triunfava sobre o ódio. A partir daquele dia a situação começou a mudar no lar do ex-obsidiado, livre da pressão do tenaz perseguidor.

Sempre imagino, amigo leitor, como seria maravilhoso se pudéssemos ter milhões de grupos mediúnicos, mundo afora, em condições de ajudar Espíritos perturbados e perturbadores que enxameiam e nosso mundo.
Teríamos prodigioso saneamento em nossa psicosfera, melhorando muito as condições de vida na Terra.

E pensar que muitos dirigentes espíritas desavisados eliminam práticas mediúnicas em suas casas! Negligenciam o aspecto sagrado do Espiritismo, que o distingue de outras religiões! Perdem maravilhosa oportunidade de colaborar com a Espiritualidade para uma despoluição espiritual do planeta.

Livro – AMOR, SEMPRE AMOR! – Richard Simonetti

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Reforma Interior



Tendes seguidamente ouvido recomendações quanto ao vosso padrão vibratório, o qual deve ser, o mais possível, harmonioso e estável, evitando-se oscilações e quedas.

Não seria cabível exigir de vós elevação constante de pensamentos e vibrações. Entretanto, embora atualmente impossível vossa estabilização nos planos mais elevados que frequentemente atingis, por esforço próprio, tanto na esfera do pensamento como na do sentimento, bom seria que evitásseis ao máximo oscilações vibratórias. Naturalmente, referimo-nos a oscilações "para baixo", em sentido de "queda", e não aos vôos intelectuais e afetivos em que necessariamente vos deveis exercitar, até que vos possais estabilizar em planos mais elevados.

Infelizmente notamos, em muitos dos seguidores do Mestre, uma atitude de certa forma comodista. Deixam-se influenciar por entidades inferiores, ou obedecem a impulsos menos dignos, contando mais tarde reabilitarem-se mediante o devido retorno ao bom caminho, ou por meio de preces e passes, esquecidos de que a queda tem invariavelmente seu preço doloroso, e cada pacto com as forças do mal, por ligeiro que seja, implica sintonia e ligação, muitas vezes prolongando-se mais do que esperava o encarnado invigilante.

Olvidam muitos que não podem ligar-se ocasional e momentaneamente a uma entidade colérica, por exemplo, sem correrem o risco de tê-la, talvez por longo tempo, como obsessora, não mais atendendo a apelos inconscientes, na forma de impulsos raivosos do encarnado, mas acompanhando-o constantemente e, já agora, impelindo-o no sentido das explosões de ódio.

Conhecêsseis o imenso valor e a oportunidade sempre atual da oração e da vigilância, saberíeis evitar frequentes "pequenas quedas", eivadas do perigo de se tornarem em grande e terrível derrocada espiritual, e tampouco correríeis o risco de instantes, embora ligeiros, de sintonia com o astral inferior.

Muitos dão excessiva importância aos fatores cármicos, ao considerarem o problema das obsessões. Na realidade, mesmo o número de obsessões oriundas de rancores e inimizades pregressas diminuiria prodigiosamente, se atentásseis devidamente para o valor imenso da oração e da vigilância.

Para que ocorra obsessão, necessário é que haja, primeiramente ligação. E para que se efetive a ligação, é imprescindível sintonia.

É fato muito conhecido que mesmo os mais evoluídos Espíritos, encarnados entre vós, sempre contaram com acirrados inimigos nos planos astrais inferiores, em virtude mesmo de seu adiantamento espiritual. No entanto, embora o peso tremendo das vibrações adversas que os atingem e, muitas vezes, chegam a abalar profundamente, jamais se teve notícia de que Espíritos de escol fossem vítimas de obsessão. Sabeis que o próprio Cristo não escapou ao assédio das forças das trevas, mas de forma alguma poderia ser influenciado obsessivamente, por absoluta inexistência e impossibilidade de sintonia e ligação entre suas elevadíssimas vibrações e as de seus adversários.

Com o único recurso de defesa ante tais perigos, necessário vos é buscar, firme e decididamente, destruir a "criatura velha" que em todos habita, sujeita e vulnerável, por sua imperfeição, aos ataques das forças inferiores, e abraçar sinceramente o propósito de vossa reforma interior.

A ninguém ocorreria, galgando uma escada, subir e descer o mesmo degrau, repetidamente. Não pretenderíeis subir a escada de Jacó, permanecendo em perpétuo movimento de "queda - ascensão - queda".


pelo Espírito Bezerra de Menezes

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Simbiose Espiritual


À semelhança de uma planta trepadeira, que, enroscando-se ou agarrando-se a outra, passa a nutrir-se dela, participando, de contínuo, dos acontecimentos de sua existência, há entre encarnados e desencarnados um processo de associação similar.
 
  Quando, desavisadamente, agasalhamos anseios de natureza inferior, e continuamente mantemos na tela mental ideias de origem viciosa, irradiamos para o plano extrafísico da vida aquele desejo, estabelecendo uma verdadeira "varredura". Deste modo, encontramos Espíritos que simpatizam com o mesmo objetivo, e que, percebendo nossa "busca", aproximam-se de nós, estabelecendo a parceria.
 
  A quantidade de mentes desencarnadas, ávidas de sensações físicas, é muito grande. Espíritos ociosos, negligentes, baldos de fé e de conhecimentos sobre os princípios que orientam a vida, vivem perambulando entre os encarnados. Muitos tentam desesperadamente manter-se o mais possível ligados à vida material, da qual não encontram coragem para se separar; outros, carregaram para a vida além-túmulo os vícios a que se escravizaram na vida física, e que estão a reclamar satisfação. Alguns, inconformados pela decepção de não haverem encontrado o céu que esperavam, mas que nada fizeram por conquistar, tentam dominar as mentes fracas que se ajustem aos seus estados de moralidade desequilibrada. Com isto, procuram manter-se o mais próximo possível de um estado de vida material, numa espécie de desforço por sua decepção ao se verem frente a frente com a realidade que não esperavam.
 
  O simples fenômeno da morte não modifica o estado moral e intelectual de quem desencarna; mas, ao contrário, faz o desencarnado sentir-se exatamente como sempre foi quando vivo, razão por que a satisfação daqueles objetivos torna-se imperiosa para o Espírito inferior. Assim, na medida em que são alimentadas fixações que interessem a ambos os parceiros, fica estabelecido um vínculo, criando-se a dependência mútua em que se comprazem, e que acaba por transformar-se em "necessidade". Esta parceria em geral prolonga-se por tempo indeterminado, já que é estabelecida passiva e voluntariamente, embora sem que os parceiros percebam que são os próprios promotores daquela situação. O encarnado busca continuamente alimentar-se das forças inferiores do desencarnado, o qual encontra  nele a "ponte" para manter vivas as sensações físicas a que se escravizou.
 
  Muitas vezes o vínculo é tão forte, e alimenta-nos a insânia com tal intensidade, que a sua supressão repentina poderia provocar-nos a falência, quiçá a desencarnação. Esta simbiose, muito mais frequente do que se possa imaginar, é a causa, em grande proporção, dos sofrimentos na crosta planetária, onde o homem pouco afeito às atividades espirituais elevadas prefere ignorar a realidade que o aguarda e render-se aos doces embalos dos gozos materiais e paixões mundanas, atendendo, com esta atitude, o desejo do parceiro desencarnado, e transferindo-lhe as sensações por ele esperadas.
 
  Para chegar ao resultado desejado, o hóspede explora a invigilância do seu hospedeiro, não com a intenção de prejudicar, perseguir ou vingar, mas de alimentar seus anseios através dele, estimulando-lhe as fraquezas, que procura enaltecer exaltando-lhe a vaidade, e sugerindo-lhe um desculpismo complacente, sempre que a consciência, infalível guardiã, o advirta do erro e do perigo iminente.

 Para romper os grilhões que prendem um ao outro, hóspede e hospedeiro, ouçamos a Doutrina Espírita: ela nos ensina não haver outro meio de vencermos a influência de um Espírito inferior, senão nos tornando mais fortes do que ele. No "orai e vigiai", o Cristo sintetizou a solução: orando, haurimos forças para resistir à tentação de nos rendermos; vigiando, nos policiaremos preventivamente, para evitarmos chegar ao estado de dependência. A chave para solução do problema estará em manter-se a mente ocupada, com assuntos de elevado conteúdo moral e intelectual, através da leitura, da frequência a palestras, conferências e cursos e, paralelamente, em nos dedicarmos à prática do bem em todas as suas formas e expressões, o que, além de dirigir nosso pensamento para estados vibratórios mais elevados, também nos favorecerá com a assistência mais estreita dos bons Espíritos, que, sempre atentos às nossas necessidades, procurarão estimular-nos os esforços, amparando-nos nos momentos de vacilação e dúvida.






por Mauro Paiva Fonseca
Revista Reformador nº 2.077 - abril/2002

domingo, 3 de agosto de 2014

DOUTRINAÇÃO DE ESPÍRITOS




do livro "Missionários da Luz", por André Luiz & Chico Xavier


A. Que doente tratado pelos Espíritos é capaz de atingir a cura positiva?
R.: Somente o doente convertido voluntariamente em médico de si mesmo, que compreende que a medicação, qualquer que seja, não é tudo no problema da necessária restauração do equilíbrio físico, pode alcançar a verdadeira cura. (Missionários da Luz, cap. 18, pp. 309 e 310.)

B. Que requisitos requer uma doutrinação eficiente?
R.: Não basta ao doutrinador conhecer as matérias e ministrá-las. É preciso, antes de tudo, senti-las e viver-lhes a substancialidade no coração. O homem que apregoa o bem deve praticá-lo, se não deseja que as suas palavras sejam carregadas pelo vento, como simples eco dum tambor vazio. O companheiro que ensina a virtude, vivendo-lhe as grandezas em si mesmo, tem o verbo carregado de magnetismo positivo, estabelecendo edificações espirituais nas almas que o ouvem. Sem essa característica, a doutrinação, quase sempre, é vã. (Obra citada, cap. 18, pp. 310 a 312.)

C. No tratamento da obsessão é fundamental o afastamento do obsessor?
R.: Não. Efetivamente, não faltam, embora raros, os casos de libertação quase instantânea. É que, nesses casos, pode ter chegado ao fim o laborioso processo redentor. Mas, na maioria dos casos, a tarefa é de sementeira, de cuidado, persistência e vigilância. Não se quebram grilhões de muitos séculos num instante, nem se edifica uma cidade num dia. É indispensável desgastar as algemas do mal, com perseverança, e praticar o bem, com ânimo evangélico. (Obra citada, cap. 18, pp. 312 a 315.)

D. Após a conversão real do obsessor, o obsidiado readquire a normalidade orgânica?
R.: Quando o doente se dispõe a cooperar com os benfeitores espirituais, em benefício próprio, colaborando decididamente na restauração de suas atividades mentais, regenerando-se à luz da vida renovada no Cristo, pode esperar o restabelecimento da saúde relativa do corpo terrestre. Entretanto, na maioria dos casos, as vítimas não mais restabelecem o equilíbrio do corpo, permanecendo com a saúde incompleta até o sepulcro. Lembremos que, embora o obsessor se haja transformado, é possível que a vítima não esteja convertida. Na obsessão, as dificuldades não são unilaterais. O eventual afastamento do perseguidor nem sempre significa a extinção da dívida. E, em qualquer parte do Universo, receberemos sempre de acordo com nossas próprias obras. (Obra citada, cap. 18, pp. 315 a 319.) 

Texto para leitura

130. A caminho da cura -  Os trabalhos da reunião seguiam seu curso. Emissões magnéticas dos que ali se reuniam eram aproveitadas pelos Espíritos para assistir não só os obsidiados, mas também os infelizes algozes. Somente uma pessoa, porém, dentre os obsidiados, conseguia aproveitar cem por cento o auxílio espiritual recebido. Era uma jovem que, envolvida na corrente das vibrações fraternas, recuperara a normalidade orgânica, embora em caráter temporário. A moça percebera a tempo que a medicação, qualquer que seja, não é tudo no problema da necessária restauração do equilíbrio físico e, por isso, desenvolvia toda a sua capacidade de resistência, colaborando com a equipe espiritual no interesse próprio. Ela emitia vigoroso fluxo de energias mentais, expelindo todas as idéias malsãs que os desventurados obsessores lhe haviam depositado na mente, absorvendo em seguida os pensamentos regeneradores e construtivos que a influenciação espiritual lhe oferecia. Alexandre aproveitou o exemplo para elucidar que somente o doente convertido voluntariamente em médico de si mesmo atinge a cura positiva. Se a vítima capitula sem condições, ante o adversário, entrega-se-lhe totalmente e torna-se possessa, após transformar-se em autômato à mercê do perseguidor. Se possui vontade frágil e indecisa, habitua-se com a persistente atuação dos verdugos e vicia-se no círculo de irregularidades de difícil corrigenda. Nestes casos, as atividades de assistência se circunscrevem a meros trabalhos de socorro, objetivando resultados longínquos. Quando o enfermo está interessado na própria cura, então podemos prever triunfos imediatos. (Cap. 18, pp. 309 e 310) 
131. Doutrinação - O doutrinador encarnado era o centro dum quadro singular. Seu tórax convertera-se num foco irradiante, e cada palavra que lhe saía dos lábios assemelhava-se a um jato de luz alcançando diretamente o alvo, fosse ele os ouvidos perturbados dos enfermos ou o coração dos obsessores cruéis. Suas palavras eram, com efeito, de uma simplicidade encantadora, mas a substância sentimental de cada uma assombrava pela sublimidade, elevação e beleza. Alexandre explicou que ali era uma escola espiritual, onde, para ensinar com êxito, não basta conhecer as matérias e ministrá-las. É preciso, antes de tudo, senti-las e viver-lhes a substancialidade no coração. O homem que apregoa o bem deve praticá-lo, se não deseja que as suas palavras sejam carregadas pelo vento, como simples eco dum tambor vazio. O companheiro que ensina a virtude, vivendo-lhe as grandezas em si mesmo, tem o verbo carregado de magnetismo positivo, estabelecendo edificações espirituais nas almas que o ouvem. Sem essa característica, a doutrinação, quase sempre, é vã. Compreende-se então que o contágio pelo exemplo não constitui fenômeno puramente ideológico, mas é, sim, um fato científico nas suas manifestações magnético-mentais. Com o decorrer do trabalho, os obsidiados – exceção feita à irmã que se encontrava possessa – ficavam livres da influência direta dos obsessores, porém todos, menos a jovem que reagia valorosamente ao tratamento, apresentavam singular inquietude, ansiosos de se reunirem de novo ao campo de atração dos algozes. Benfeitores espirituais haviam arrebatado os verdugos, expulsando-os temporariamente daqueles corpos enfermos e atormentados, mas os enfermos encarnados primavam pela ausência íntima, permanecendo a longa distância espiritual dos ensinamentos que o doutrinador terrestre ministrava, ao influxo dos mentores da reunião. A atitude dos enfermos era de insatisfação e ansiedade: parecia não suportarem a separação de seus algozes invisíveis. Alexandre explicou então que, em geral, noventa por cento dos casos de obsessão que se verificam na Crosta constituem problemas dolorosos e intrincados e quase sempre o obsidiado padece de lastimável cegueira, com relação à própria enfermidade, tornando-se presa fácil e inconsciente, embora responsável, de perigosos inimigos. Comumente, os casos dessa natureza dão-se em virtude de ligações vigorosas e profundas pela afetividade mal dirigida, ou pelos detestáveis laços do ódio que, em todas as circunstâncias, é a confiança desequilibrada convertida em monstro. É por isso que cada problema desses exige solução diferente. (Cap. 18, pp. 310 a 312)

132. Algemas seculares - No trato da obsessão, os encarnados observam somente uma face da questão: o afastamento do obsessor. Mas, como rebentar, de um instante para outro, algemas seculares, forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum? como separar seres que se agarram um ao outro, ansiosamente? Efetivamente, não faltam, embora raros, os casos de libertação quase instantânea. É que, nesses casos, pode ter chegado ao fim o laborioso processo redentor. De qualquer modo, o trabalho de assistência será sempre frutífero, e não podemos fugir ao nosso dever de assistência fraterna ao ignorante e sofredor, compreendendo, porém, que a construção do amor é também obra do tempo: nenhuma palavra, nenhum gesto ou pensamento, nos serviços do bem, permanece perdido. A tarefa é de sementeira, de cuidado, persistência e vigilância. Não se quebram grilhões de muitos séculos num instante, nem se edifica uma cidade num dia. É indispensável desgastar as algemas do mal, com perseverança, e praticar o bem, com ânimo evangélico. Ouvindo isto, André indagou se o desequilíbrio da mente poderia acarretar a enfermidade do físico. Alexandre disse que sim. As intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo; o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas. (Cap. 18, pp. 312 a 315) 

133. Benefícios do tratamento - Tão logo se quebrou a corrente de vibrações benéficas, com o término da reunião, três dos cinco obsidiados voltaram a atrair intensamente os verdugos invisíveis, a cuja influenciação se haviam habituado, demonstrando escasso aproveitamento. Alexandre asseverou, contudo, que em todas as atividades de socorro espiritual há sempre imenso proveito, ainda mesmo quando a sua extensão não seja perceptível ao olhar comum. Quando o doente se dispõe a cooperar com os benfeitores espirituais, em benefício próprio, colaborando decididamente na restauração de suas atividades mentais, regenerando-se à luz da vida renovada no Cristo, pode esperar o restabelecimento da saúde relativa do corpo terrestre. Quando o indivíduo, porém, roga a assistência de Jesus com os lábios, sem abrir o coração à influência divina, não deve aguardar milagres da colaboração espiritual. Os benfeitores espirituais podem ajudar, socorrer, contribuir, esclarecer, mas não é possível improvisar recursos, cuja organização é trabalho exclusivo dos interessados. O problema da responsabilidade não se circunscreve a palavras; é questão vital no caminho da vida. Raros homens, entretanto, se dispõem a respeitar os desígnios da Religião, olvidando voluntariamente que as menores quedas e mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação. No trabalho em favor deles, não podemos exonerá-los das obrigações contraídas. O bom trabalhador é o que ajuda, sem fugir ao equilíbrio necessário, construindo todo o trabalho benéfico que esteja ao seu alcance, consciente de que o seu esforço traduz a Vontade Divina. (Cap. 18, pp. 315 e 316) 

134. Conseqüências da obsessão - André indagou a Alexandre se, após a conversão real do verdugo, o obsidiado readquiriria a normalidade orgânica. Em sua resposta, o instrutor comparou o corpo de carne a um violino entregue ao artista, neste caso o indivíduo reencarnado. Entregue aos malfeitores, o violino pode ficar semidestruído e, mesmo que seja restituído, não poderá atender ao trabalho da harmonia, com a mesma exatidão de outro tempo. Um Stradivárius pode ser autêntico, mas não se fará sentir com as cordas rebentadas. É por isso que nos casos de obsessão não se pode prescindir do concurso direto dos interessados. Há casos em que os antigos verdugos se transformam em amigos, ansiosos de reparar o mal praticado e, por vezes, o conseguem, recebendo a ajuda dos planos superiores. Entretanto, na maioria dos casos, as vítimas não mais restabelecem o equilíbrio do corpo, permanecendo com a saúde incompleta até ao sepulcro. Lembremos que, embora o obsessor se haja transformado, é possível que a vítima não esteja convertida. Na obsessão, as dificuldades não são unilaterais. O eventual afastamento do perseguidor nem sempre significa a extinção da dívida. E, em qualquer parte do Universo, receberemos sempre de acordo com as nossas próprias obras. (Cap. 18, pp. 317 a 319) 
 








sábado, 5 de outubro de 2013

Transição 232 - Obsessões pelo prazer e pela sexualidade

Sexo e fator Obsessão


Vive-se na Terra, a hora do sexo. O sexo vive na cabeça das pessoas, parecendo haver saído da organização genética onde se sedia. Vulgarizado e barateado pelos meios de comunicação de massa, tornou-se motivo essencial da vida de milhares de pessoas, sempre frustradas e insatisfeitas. Julgando-se a criatura humana como sendo tão somente o corpo, cresce hoje o vil mercado das sensações, em completo desrespeito e desconsideração pelo ser humano.

O homem e a mulher verdadeiros são os seus valores éticos, as suas aspirações, as suas lutas e sonhos, os objetivos nobres que trazem dentro de si. Sitiar a criatura apenas nos valores da libido desenfreada, como vem acontecendo, é atitude injustificável perante todo o progresso psíquico, emocional e intelectual que nos colocam hoje no patamar da razão.

Alheios a tais aquisições, homens tomam de seus veículos automotores, a vagar pela noite, à procura de uma parceira que lhe satisfaça os impulsos. Forma-se uma corrente mental indirecionada, já que a mulher de seus desejos só existe no seu pensamento. Imediatamente, dezenas de espíritos trevosos captam o “fio mental” do desejo sexual do homem imprevidente e vão em sua direção. Por influência deles é encontrada a parceira ideal, a fim de estarem eles próprios a participar do infeliz ato sexual, porque desprovido dos condimentos do amor.

Sem a afetividade sincera e honesta dando sustentabilidade à relação sexual do ser humano, este se faz presa fácil da parasitose obsessiva que se estabelece. Acoplando-se ao Chakra Coronário, localizado no topo da cabeça, centro vital responsável pela "alimentação das células do pensamento" e relacionado ao funcionamento de todo o sistema nervoso, conforme elucida o espírito Manoel Philomeno de Miranda, em seu livro "Sexo e Obsessão", o desencarnado penetra nas ondas mentais do encarnado e, desta forma, passa a sentir as mesmas e idênticas sensações que sua vítima experiência. Simultâneo a este acoplamento, ocorre a expansão de uma densíssima massa energética chamada ectoplasma, a qual permite com maior facilidade a absorção das baixas energias da relação sexual do casal desavisado.
Hoje, dessa forma, milhares de criaturas são vítimas das vampirizações espirituais. Se tivessem envolvido as suas vibrações no sentimento sincero do amor; se tivessem resguardado seus canais mediúnicos, que todos temos; se tivessem mantido seus pensamentos em patamar elevado; e não seriam vítimas então desses terríveis conúbios obsessivos.

Urge na Terra a necessidade de uma educação mental por parte das criaturas. O pensamento é força atuante e estamos constantemente rodeados por consciências desencarnadas de toda natureza. Pensar de maneira correta e elevada é atitude de todo aquele que tem o desejo sincero de evoluir, de progredir sem limites no rumo da plenitude que o espera. Conforme as emanações mentais que mantivermos, da mesma forma se apresentará a nossa vida e o nosso comportamento. O ser humano é energia pensante e onde estiver irradiará o que traz dentro de si, atraindo as companhias correspondentes: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és", já dizia o conhecido provérbio popular.

Quando um encarnado mantém o seu pensamento no nível dos prazeres vulgares, sua vibração é sentida pela espiritualidade inferior como se fora um estridente sinal sonoro, uma verdadeira "sirene do desejo"... e então localizam com facilidade o homem e a mulher inadvertidos, de acordo com as afirmações do espírito Galileu Galilei, em seu livro "Amor e Fator Obsessão". Tais emissões vibratórias em suas mentes ocasionam a produção de enzimas psíquicas ou bacilos psíquicos, microscópicos corpúsculos desconhecidos da ciência terrena os quais irão atacar as células reprodutoras masculina e feminina. Ao exaurir as fontes da sexualidade, da vitalidade genésica, provocam transtornos e doenças como o câncer de próstata e o câncer uterino. Da mesma forma, o baixo teor vibratório emitido pela tela mental desorganiza a sede da consciência individual de cada célula, que passam então a funcionar irregularmente, conforme nos esclarece Joanna de Ângelis, em seu livro “Adolescência e Vida”, abrindo o campo receptivo à instalação de várias doenças. Não são os microorganismos visíveis os responsáveis pela causa das doenças, mas sim o psiquismo em deterioramento, que abre um canal enfermiço para todo o corpo perispiritual e físico.

Há casais em nossos dias, os quais entenderam erroneamente que o sexo é tudo, e entregam-se a viciações sexuais de difícil libertação, as quais nem mesmo os especialistas conseguem compreender com facilidade. Enquanto se permitirem licenças morais e aberrações sexuais como vem ocorrendo, desorganizarão sistematicamente toda a sua aparelhagem genésica, o que acarretará doenças inadiáveis, por lesarem com vigor seus períspiritos.

Sob a óptica espírita, portanto, a única maneira de vivenciar a função sexual de forma correta é através do amor. Quando os indivíduos se amam, não ocorre somente a permuta física mas, principalmente, a de ordem psíquica, conforme afirma Walter Barcellos, em "Sexo e Evolução". Os olhares sinceros se encontram e intercambiam raios psíquico-magnéticos que os vitalizam, estimulando a coragem, o ânimo e a alegria de viver. Quanto mais espiritualizado, quanto mais sincero e honesto for o sentimento que une duas criaturas, mais rica e sublime será a permuta magnética entre as duas, que têm a sua intimidade completamente protegida pelos mentores de ambos, os quais utilizando-se dos pensamentos elevados da atmosfera psíquica do casal, constroem a "residência fluídica" que os protegerá de qualquer espírito infeliz.

Já o mesmo não ocorre quando a relação sexual é desprovida de sentimentos nobres, sendo a sua passagem rápida e frustrante, o que gera naqueles a que se entregam sentimentos de vazio e arrependimento – porque não completa, não preenche, não vitaliza -, além de ficar o casal completamente vulnerável à ação da espiritualidade inferior.

O sexo não foi elaborado por Deus a fim de possibilitar tais deleites irresponsáveis, mas sim para o renascimento das vidas, que retornam ao cenário terreno, e para as sensações compensativas das jornadas diárias, na permuta de hormônios que acalmam e da afetividade que robustece as criaturas e as completam. Sendo o espírito neutro na sua sexualidade, possui ambas as polaridades psíquicas, masculina e feminina, e as expressa conforme for o melhor para a sua evolução; ora encarnando como homem, ora encarnando como mulher, com o intuito de desenvolver os sentimentos inerentes a cada polaridade.

Quando a sexualidade, entretanto, é aviltada, vulgarizada e desrespeitada em sua constituição, retorna o espírito em outra polaridade a qual não corresponde ao corpo físico, de forma a não poder dar curso aos seus desejos, esclarece o nobre mentor Bezerra de Menezes. Pode ainda o ser reencarnante vir a ocupar um corpo com sérias limitações mentais, o que impossibilitará – com fins preventivos e terapêuticos -, a elaboração das obscenidades que tanto o prejudicaram, quando o empurraram para o fosso das paixões primitivas.

Considera-se nos nossos dias, o prazer corporal como o único meio de felicitar os indivíduos. Os defensores de tal ideia ignoram, por outro lado, uma série de outros prazeres mais sutis, mas que também são fortemente registrados no psiquismo, fomentando o bem-estar e a alegria de viver. São os prazeres da afetividade sincera, o prazer intelectual que se frui diante do aprofundamento em alguma área do conhecimento, o prazer estético, através das artes e das criações da cultura em toda parte, e ainda o prazer espiritual, decorrente dos mergulhos dentro de si mesmo e do contato com a espiritualidade. Há ainda o prazer cultivado quando acalentamos ideais para nossas vidas, objetivos pelos quais nos esforçamos com empenho e dedicação, planos profissionais ou afetivos, junto daqueles que amamos. Todos esses são prazeres do espírito, da alma humana, uns passageiros, como os prazeres físicos, outros perenes porque abstratos, imateriais, mas que da mesma forma impulsionam o indivíduo para as lutas diárias, para os desafios da caminhada terrena.

Tudo isto constitui o que a benfeitora Joanna de Ângelis considera como sublimação ou transmutação da função sexual. A libido, como a denominou Sigmund Freud, é energia psíquica que pode ser canalizada para várias áreas: para os esportes, para o conhecimento, para a arte, a afetividade... Sempre que nos dedicamos a alguma tarefa ou trabalho, ou mesmo a algum esporte, estamos sublimando ou transmutando energia sexual para diferentes aspectos da vida, a gerar equilíbrio energético e saúde orgânica.

A função sexual, em sua constituição íntima, é criativa das formas físicas, mas principalmente das expressões da beleza, da cultura e da arte, como elucida a mentora de Divaldo Franco, em seu livro "O Despertar do Espírito". Todos os grandes avanços do conhecimento humano, seja através das expressões artísticas ou da ciência, foram frutos desta energia sublimada de homens e mulheres abnegados. Isso não significa ausência de relações sexuais, mas sim o direcionamento criativo da libido para diversas áreas, e não somente para a área genésica.

Nesta tarefa, portanto, de sublimação e transmutação das energias sexuais, devemos tomar ainda o cuidado de não acalentar qualquer sentimento de culpa ou vergonha em relação às sensações fisiológicas, perfeitamente naturais, o que provocaria a repressão de conteúdos para o inconsciente, gerando transtornos e desequilíbrios inevitáveis. Devemos sempre lembrar de que o sexo é obra Divina, elaborado para o crescimento e felicidade das criaturas. A forma como empregarmos as forças sexuais do espírito é que responderá por suas consequências – quer sejam de luz ou de trevas.

Torna-se inadiável, e quão urgente, neste momento, que esta visão espiritual da sexualidade seja levada às gerações mais novas, na tarefa de proporcionar uma correta educação para a vida sexual. A educação sexual que os jovens têm recebido nas escolas, na qual somente o corpo físico é abordado, os têm levado à entrega completa aos impulsos fisiológicos, os atirando em viciações e processos obsessivos lamentáveis. Conforme nos adverte Joanna de Ângelis, em seu livro "Adolescência e Vida", "quando se pretende transferir para a Escola a responsabilidade da educação sexual, corre-se o risco, que deverá ser calculado, de o assunto ser apresentado com leveza, irresponsabilidade e perturbação do próprio educador, que vive conflitivamente o desafio, sem que o haja solucionado nele próprio" (1997, pg.21). 

Certamente existem professores os quais trabalham o tema com dignidade e honradez – embora ignorem os fatores espirituais -, mas, infelizmente, estes constituem exceção. O que se percebe nas aulas ministradas sobre sexo, em sua maioria, é a completa banalização do aparelho genésico, com a utilização de palavreado impróprio e vulgar, além de imagens chocantes, a causar perturbação nos mais tímidos e incitar ao cinismo e à malícia aqueles espíritos que renascem sob a influência de vícios muito arraigados, que longe de serem reforçados, deveriam ser substituídos por hábitos salutares.

A correta educação sexual, sob a óptica do Espiritismo, consiste na aquisição de valores por parte do jovem reencarnante, na introjeção do respeito aos seus semelhantes, aos sentimentos que possuem, seus corpos e individualidade; pois as criaturas hoje são tratadas como objetos – indivíduos descartáveis -, sem qualquer dignidade ou consideração. Ao lado da informação de ordem física, que é necessária, tornam-se indispensáveis os valores éticos e morais para o jovem, as informações espirituais sobre o sexo e suas várias decorrências, a fim de que não tombem nos resvaladouros da vulgaridade dos nossos dias. Sem esses ingredientes, a atual educação sexual se faz ineficiente e perigosa, nos assevera Walter Barcellos.

O Espiritismo, assim, como doutrina de educação das almas, oferece os melhores métodos para tal cometimento, através de seu inestimável patrimônio de saberes, disponível à pais, mães, educadores e todo e qualquer investigador que tenha dentro de si o desejo sincero de conhecer a Verdade.

Este é o grande momento para todos nós que aspiramos a uma vida melhor. Reflexionar em torno dos objetivos da vida e da função sexual é tarefa de todo aquele que pensa e deseja o melhor para si. Cumpre-nos, a todos, somar esforços em favor dos princípios da dignidade, da honradez, dos valores éticos, morais, e principalmente da educação moral das novas gerações, único meio de formarmos um novo homem e uma nova mulher para o porvir, na construção de uma sociedade mais equilibrada e feliz.

Tão logo o ser humano resolver-se pela liberdade ante as amarras que o prendem aos baixos desejos; tão logo decida educar o seu pensamento e manter as suas relações sob os alicerces do amor sincero e puro; libertar-se-á com facilidade das malhas terríveis da obsessão sexual. De outra forma, prosseguirá no fosso das paixões insanas e de difícil libertação.

"Ninguém se engane quanto aos compromissos do sexo perante a Vida.
E cuide também de não enganar a outrem. Cada um responde pelo o que inspira, e pelo o que faz." - Manoel Philomeno de Miranda

Bibliografia:
Miranda, Manoel Philomeno de (Espírito), Sexo e Obsessão; psicografado por Divaldo Pereira Franco. – Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2002.

Galilei, Galileu (Espírito), Amor e Fator Obsessão; psicofonia de João Berbel. –
Franca, SP: Editora Farol das Três Colinas, 2003.
Ângelis, Joanna de (Espírito). Adolescência e Vida; psicografado por Divaldo P. Franco. – Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 1997.
O Despertar do Espírito; - Salvador, BA: LEAL, 2000.
Amor, Imbatível Amor; - Salvador, BA: LEAL, 1998.
O Homem Integral; - Salvador, BA: LEAL, 2000.
Sendas Luminosas, - Salvador, BA: LEAL, 1998.
Nascente de Bênçãos, - Salvador, BA: LEAL, 2001.
Dias Gloriosos; - Salvador, BA: LEAL, 1999.
Barcelos, Walter. Sexo e Evolução; - Brasília, DF: FEB, 1995.
Jr, Décio Iandoli. Fisiologia Transdimensional; São Paulo, SP: FE Editora Jornalística Ltda, 2001.