Eternidade

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A criança e o ensino religioso


Responsabilidade das escolas?

Na década de 1940 havia nas escolas públicas do Ensino Fundamental um horário semanal destinado ao ensino religioso. Lembramo-nos, perfeitamente, dessa obrigatoriedade porque, como em nossa matrícula escolar constava a observação “espírita”, éramos levados para uma sala onde ficavam os alunos não católicos. Estes últimos constituíam, sem dúvida, a grande maioria e eram os únicos que recebiam, de fato, o ensino religioso, quase sempre ministrado por sacerdotes.

Recordamos que, em uma dessas oportunidades nas quais eram separados os alunos pertencentes a outras religiões (conforme declaração dos seus responsáveis), o diretor da escola identificou-nos como “espírita” e fez-nos o seguinte desafio: “Se você é espírita, faça com que nos apareça um Espírito”. O nosso acanhamento diante da suposta autoridade foi acompanhado pelas risadas dos presentes.

Decorrido mais de meio século, esse acontecimento não se repetiria, pois em nosso país desenvolveu-se grande respeito aos sentimentos e à compreensão religiosa de todos os cidadãos, ao lado de inequívoco avanço na divulgação da Doutrina Espírita. Nem mesmo nas escolas ditas religiosas haveria hoje ambiente favorável a semelhante e desrespeitosa atitude.

Permanece, entretanto, uma pergunta: deve o ensino religioso ser ministrado obrigatoriamente nas escolas?  Orientam-nos os Mentores Espirituais que a resposta deve ser negativa. A moral religiosa é, primordialmente, de responsabilidade dos pais, sejam biológicos ou adotivos. Eis o que lemos em O Livro dos Espíritos, na questão 383: Qual é, para o Espírito [encarnado], a utilidade de passar pelo estado de infância?1

Resposta:
Encarnando com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, e que podem auxiliar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados de educá-lo.1

Referindo-se ainda à infância, continuam os Espíritos Superiores na resposta à questão 385, da obra citada, pois nessa fase:

[…] É quando se pode reformar o seu caráter e reprimir seus maus pendores. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão que responder.1

Caberia aqui outra pergunta: o que dizer das aulas ministradas nas casas espíritas, identificadas como evangelização da criança? A resposta é simples: o trabalho de evangelização à luz do entendimento trazido pela Doutrina Espírita constitui importante contribuição complementar para a educação infantil, além de proporcionar orientação aos pais.

Lembra-nos a educadora espírita Martha Rios Guimarães, em artigo publicado pela Revista Internacional de Espiritismo:

O maior patrimônio que os pais podem oferecer aos seusfilhos é uma mensagem que esclareça, oriente e equilibre. Essa mensagem, ao contrário dos bens materiais que oferecemos, não é perecível, e passará a fazer parte da bagagem imortal do Espírito. Alguns pais espíritas alegam que seus filhos devem utilizar o “livre-arbítrio” para escolher [ou não] a religião ou doutrina que seguirão em suas vidas. Esquecem-se, porém, que estão oferecendo liberdade de escolha a quem ainda não está preparado para escolher.[1]

Como consequência da imortalidade e da reencarnação escreve-nos, em Reformador, o esclarecido articulista Ricardo Di Bernardi:

A criança, que recebemos em nosso lar, não é um bloco em branco onde podemos escrever qualquer mensagem ou ditar qualquer conteúdo; ao contrário, é um livro com inúmeros capítulos já escritos por ela mesma, vindo agora solicitar auxílio para que dê continuidade à história de sua vida […].[1]

São incontáveis as mensagens que nos chegam do Mundo dos Espíritos alertando-nos para a responsabilidade que nos cabe na educação da criança, que deve ser alicerçada na realidade espiritual da vida. É urgente a necessidade de empregarmos todo o esforço possível nas tarefas de aceleração da transição planetária para um mundo de regeneração. Esta realidade está sendo demonstrada pela encarnação, cada vez mais numerosa, de Espíritos amadurecidos no exercício da fraternidade.
Entre as mensagens a que nos referimos, destacamos o texto de Emmanuel trazido pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier:

– A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar poderá edificar o homem.[1]


REFERÊNCIAS:
1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014.
2 GUIMARÃES, Martha Rios. Educação espírita começa no lar. Revista Internacional de Espiritismo, p. 222, maio 2016.
3 DI BERNARDI, Ricardo. Educação infantil, sexualidade e espiritualidade. Reformador, ano 134, n. 2.242, p. 47(45)-48(46), jan. 2016.
4 XAVIER, Francisco C. O consolador.Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. Q. 110.


Fonte: Revista Reformador, setembro/2016

sábado, 14 de dezembro de 2013

A religião de Jesus


A religião de Jesus

"Aquele que quiser ser maior no Reino de Deus
seja servidor de todos." - (Mt. 20:26.)
Emmanuel, Espírito, revela-nos que Jesus presidiu à formação da Terra e que é seu Governador2. Isto significa que há bilhões de anos já atingira extraordinária evolução. E, modestamente, aceitou a incumbência de nos evangelizar, para compreendermos as leis de Deus, que se resumem no Amor!
Ele não se impõe, não se aborrece com nossos defeitos e nos oferece, nas múltiplas reencarnações e em variadas circunstâncias, meios para desenvolvermos a inteligência e os bons sentimentos: na profissão, no lar, ou nos diversos relacionamentos de nossas vidas.
Dá-nos oportunidades de trabalho, até aprendermos a servir com gratidão e alegria, sem melindres e sem escolher parceiros de atividades, trabalhando com aqueles que se apresentam!
Espera, pacientemente, nosso amadurecimento, a fim de aderirmos, de forma consciente, ao seu ideal de Amor; para conquistarmos plena Liberdade, Harmonia, ventura e belezas dos mundos superiores!
“(...) Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. (...)”.1  Lc, 9:23.
Afirma claramente: se alguém quer... E vejam a humildade e a infinita paciência com que atua esse Espírito, cuja grandeza é inimaginável para nós!
Para vivenciar sua Religião, cabe-nos servir, na família ou na comunidade, favorecendo o trabalho de equipe, para que todos participem de atividades em favor do bem comum e da evolução de todos os Espíritos provisoriamente vinculados à Terra!
Sem a perspectiva histórica e o hábito – cada vez mais raro – da leitura, do estudo, da pesquisa, e, sobretudo, sem as informações a nós repassadas por Mentores da Vida Maior, torna-se difícil ao homem comum entender que Jesus continua presente em nosso orbe, em nossas vidas e que dá sequência à nossa evangelização – processo esse que ainda se estenderá por longo tempo! 

Nas lições de Jesus o foco é outro – Legou-nos, há dois mil anos, o resumo das Leis Divinas, que, se observadas, nos concedem a saúde efetiva, que é a do Espírito imortal, porque nos harmonizam com o Criador. Saúde que se refletirá em nosso corpo físico, nesta e em futuras encarnações.
A vivência desses princípios conduzir-nos-á à evolução consciente, acelerando nossa caminhada evolutiva, além de eliminar sofrimentos acarretados pela inobservância dessas Leis.
Ao longo do tempo – mesmo antes de Sua vinda a este orbe –, propiciou a fundação de inúmeras religiões e inspirou artistas, filósofos, escritores, cientistas, para contribuírem com o progresso moral da Terra.
A multiplicidade dessas religiões revela-nos a sabedoria e a generosidade do Pai, que a todos nos favorece, com escolas adequadas e compatíveis com nossa capacidade de compreender – ainda que fragmentariamente – Suas Leis e sublimes desígnios.
O Mestre não veio, da parte do Pai, para curar corpos, mas Espíritos imortais. As curas são
“(...) para alívio dos que sofrem e para ajudar na propagação da fé (...)”.3
Nem veio para nos conceder prosperidade material, mas, sim, conduzir-nos ao progresso espiritual. Em Suas lições sublimes o foco é outro. Não visam os bens materiais – passageiros. Iludem-se os que O buscam com esses objetivos. Representam caminhos para a evolução – real progresso do Espírito.
Como se vê, ainda não assimilamos esses ensinos, não os incorporamos à nossa conduta diária, não obstante as inúmeras reencarnações por que passamos, após Sua presença neste orbe.
Não nos preocupamos em ‘aviar’ suas libertadoras receitas.
Ao cuidar do corpo físico, temos pressa em aviar receitas médicas – se não contemplam exercícios físicos, regimes alimentares ou supressão de vícios, sempre adiados para as calendas gregas, ou seja, para nunca, eis que só existiram “calendas” romanas. 

Jesus não fundou religião nenhuma – Esse alheamento aos ensinos de Jesus é que nos mantém presos à roda das reencarnações dolorosas!
A rigor, Ele próprio não fundou nenhuma religião! Sobretudo religiões à maneira das que existem na Terra, ainda que seu nome e ensinos sejam nelas mencionados e raramente observados!
Suas lições não requerem nem organizações complexas, nem templos suntuosos, nem preconizam rituais, roupas especiais, sinais exteriores; mas mudanças internas; traduzidas em normas de conduta surpreendentemente de natureza prática.
Pregava em qualquer parte onde se encontrava: à margem do lago; em casa da sogra de Pedro; em casa de Lázaro, Marta e Maria e... até nas sinagogas!
“Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” Jo 4:24
Sempre fomos mal orientados pelas religiões tradicionais – nas várias reencarnações por que passamos –, sempre achamos que a frequência aos templos (ainda que de forma desatenta, na maioria dos casos) apenas uma vez por semana e o exercício de práticas exteriores eram bastantes para a conquista de um ‘céu de louvor e contemplação, em repouso eterno’!
Repouso esse que revela a suprema ignorância das Leis Divinas – e preguiça ainda maior! Eis que o trabalho é Lei da vida.
E que castigo insuportável seria a eterna indolência!
Jesus, em parte alguma, menciona esse ‘repouso eterno’! Aqueles que defendem essa tese absurda parecem desconhecer o ensino do Mestre sobre o trabalho:
“Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. 1 (Jo, 5:17).
É muita desatenção! Ou infinita preguiça! 

Religião significa religação com o Pai – A evolução contínua dos Espíritos pressupõe o desenvolvimento do Amor e a educação da inteligência. E isso requer esforços, estudos e trabalhos constantes, que guardem relação com nosso estágio evolutivo. Porque evoluímos muito lentamente, somos submetidos às infinitas reencarnações!
Não apenas revelou que Deus é nosso Pai e que “a Lei e os profetas” se resumem em amá-Lo e ao próximo como a nós mesmos.
Sua doutrina, além de recomendar-nos a vivência desse amor amplo, indica-nos, com simplicidade, as formas de praticá-lo, na conduta diária. Só a adoção dessas práticas nos conduzirá, a pouco e pouco, ao autoconhecimento, à conquista da harmonia e da paz plenas.
Observadas, religam-nos ao Pai, pela vivência do amor fraternal com todas as criaturas. Importa aqui recordar que Religião significa religação com o Pai!
Allan Kardec5 indaga aos Espíritos:
Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir ao arrastamento do mal?
“Um sábio da Antiguidade já disse: Conhece-te a ti mesmo.”
E não há roteiro mais seguro para atingir esse fim do que observar seus ensinos. Ele mesmo o diz, quando afirma: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” .1 (Jo, 14:6).
Cabe-nos registrar que Jesus não só ensinou, mas exemplificou o que ensinava! Isto lhe dá autoridade incontestável:
“Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” .1 (Mt, 7:28-29). 

Quem é, para Jesus, um homem prudente – Eis breve amostra do que nos recomenda e nos ensina a proceder, amorosamente:
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele (...).”1  Mt 5:25
“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. E ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.”1  Mt 5:38 a 40
“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem e caluniam.”1 Mt 5:44
“Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita.” 1 Mt 6:3
“Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.”  Mt 6:7
“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.” 1 Mt 6:34
“Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consiste a lei e os profetas.” 1 Mt 7:12
“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.” 1 Mt 7:24
“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.”  Mt 15:8
“Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me.” 1 Mt 25:35
“Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão.” 1 Mt 26:52
“(...) Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (...)” 1 Lc 23:34
A Parábola do Bom Samaritano (Lc, 10:25 a 37), transcrita no cap. XV, item 2, de O Evangelho segundo o Espiritismo4, demonstra, com clareza, a necessidade da prática desse amor fraternal.

“Faze isso e viverás.” – No diálogo de Jesus com o fariseu, que antecede o relato dessa parábola – um dos mais belos entre o Mestre e personagens do Evangelho! –, o fariseu respondeu à própria pergunta, indicando que o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo é a condição indispensável ao merecimento da vida eterna.
Jesus, então, lhe disse, em belíssima e concisa frase: “(...) faze isso e viverás”.1
Kardec, nos comentários que a ela adita – item 3, do mesmo capítulo –, afirma que toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade; e, ao referir-se à alegoria do juízo final, indaga:
“Naquele julgamento supremo, (...) Pergunta o juiz se foi preenchida tal ou qual formalidade, observada mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: a prática da caridade, (...) Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro?”  3 Cap. XV, it. 3.
Na Parábola, o samaritano – julgado herético, mas que exercita o amor fraternal – revela-se superior ao ortodoxo que falta com a caridade. Não apenas recomenda a caridade, mas a indica como condição única da felicidade futura.
Em outro ensino sublime, o Divino Mestre desvincula o verdadeiro cristão de quaisquer sectarismos, de cultos, de templos, de manifestações externas:
“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.  1 Jo 13:34 e 35.
A religião de Jesus – contida em fraternas normas de conduta – é, eminentemente, de natureza prática e se traduz na vivência do amor, por todas as formas ao nosso alcance.
Esta é a visão da Doutrina Espírita no tocante à Religião de Jesus, eis que também ela não requer templos suntuosos, não adota liturgias e rituais diversos, nem hierarquias ou princípios teológicos abstratos. Educa-nos para bem compreendermos e praticarmos Sua doutrina de puro Amor e de serviço ao semelhante, tal como exemplificou e recomendou o Divino Mestre, no ensino primoroso:“(...) faze isso e viverás”. 1 
 
Referências: 
1.                 ALMEIDA, João F. de – Tradutor. A Bíblia Sagrada. Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil. 1969;
2.                 XAVIER, F. Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. FEB: Rio de Janeiro, 1975. p. 21 e 110;
3.                 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1ed. 2.imp. Brasília: FEB, 2011. cap. 26, it. 2, p. 447;
4.                 _____. _____. cap. 15, it.2, p. 301;
5.                 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. 1.impr. Brasília: FEB, 2011, q. 919.


Fonte: O Consolador, por Gebaldo José de Sousa

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

AMOR E RELIGIÃO



Ninguém vive sem uma crença. Quer seja em algo transcendente ou não, a criatura busca apoiar-se em algum ente que lhe pareça real.

A negação à existência de um ser superior ao humano que o justifique, não implica na ausência dele em seu psiquismo. Todo aquele que ama, e não há quem não se inclua nesta categoria, necessita de Deus em si, mesmo que o denomine com outro nome.

A religião é uma busca natural de todo ser humano. Adotar uma é um ato de amor a Deus.


Aquele que se dedica a uma religião com devoção e afinco, deve fazê-lo com verdadeiro amor. A vida religiosa é cheia de agruras, mas também de recompensas incomensuráveis.

Lidar com os objetivos de Deus é tarefa de amor a Ele e à Sua Obra. A religião é trabalho para quem a exerce do lado do labor de evangelizar o ser humano.

Seu exercício requer abnegação e amor em dobro. O esquecimento de si, mesmo na dedicação à tarefa religiosa, não necessita atingir a recusa ao convívio social. Dedicar-se a Deus não significa fugir do mundo.

Amor e religião não se chocam com o amor a outra pessoa. O ser humano, historicamente decidiu separar o que fosse carnal do que lhe parecesse divino. Não se separa o que tem a mesma procedência.

A religião é o encontro do ser humano com o conhecimento dos objetivos de Deus para com Sua Obra. Esse encontro, sob o signo do amor, proporciona o verdadeiro êxtase.

As religiões tem se distanciado do amor e da verdadeira comunhão com o Altíssimo, em função da ignorância em que se encontra o ser humano a respeito de seu papel na Vida. Dias virão em que estaremos praticando a verdadeira religião em espírito e verdade.

O amor às pessoas, indistintamente, requer desapegos e compreensão da vida. Os laços que nos prendem às pessoas, são os mesmos que nos fortalecem a alma. A diferença está na intensidade e prioridade com que os aplicamos.

Jesus, exemplo de amor e de compromisso com a verdade, mostrou, através de seus atos e palavras, o significado da religião, quando estabeleceu que deveríamos nos reconciliar com nosso adversário, antes de fazermos qualquer oferta a Deus.

Nenhuma tarefa pode ser maior que dedicar-se à evangelização da criatura em favor da própria humanidade. O amor a Deus é o amor ao crescimento e evolução da sociedade, a fim de que ela alcance a paz e a felicidade de todos, sem que ninguém se sinta excluído.

O amor à religião não admite sectarismos e exclusões. Ninguém pode ser discriminado pela opção religiosa. Assim procedendo, estaremos faltando com o amor pregado pela própria religião.

Religião é vida de dedicação, de amor e de caridade para com o próximo. A religião do amor é a que se dedica ao próximo sem preconceito de qualquer natureza.

Muitas vezes recorremos à religião para solução de conflitos de ordem sentimental. Em algumas situações agimos em proveito próprio, excluindo alguém que se interpõe em nosso caminho, pedindo a Deus ou a seus intermediários, para nos livrar de sua influencia. Estaremos, dessa forma, abdicando de vivenciar a tolerância e confiança no amor de Deus para conosco.

A religião, quando usada para benefício próprio, é instrumento de prisão e alienação. O amor ao próximo é o meio mais eficaz de alcançar a verdadeira prática religiosa.

As religiões tradicionais nos afastaram do contato com a simplicidade e da verdadeira adoração a Deus, insculpindo-nos culpas e medos. Nada há que não seja sagrado. Tudo na vida é obra de Deus. Seu amor está presente em toda Criação.

Não nos entreguemos ao medo e à separatividade da vida supostamente simples, em nome da religião. Amor e religião são compatíveis com a vida verdadeiramente simples que se realiza na convivência social.

Jesus deu-nos exemplo de sua religião quando estabeleceu que seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem. 
Adenáuer Novaes
do livro Amor Sempre, de Adenáuer Novaes

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

RELIGIÕES



“Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim. 
Ou são ramos da mesma árvore majestosa. Portanto, são todas verdadeiras”. 

A frase que você acabou de ler foi dita por uma das mais importantes personalidades do século vinte: o Mahatma Gandhi.
Veja quanta sabedoria nas palavras do homem que liderou a independência da Índia sem jamais recorrer à violência!
Nos tempos atuais, são raros os que realmente têm uma posição como a de Gandhi, que manifestava um profundo respeito pela opção religiosa dos outros.
Muitas pessoas acreditam que sua religião é superior às demais. Acreditam firmemente que somente elas estão salvas, enquanto todos os demais estão condenados.
Pouquíssimas pensam na essência da mensagem que abraçam, já que estão muito preocupadas em converter almas que consideram perdidas.
E, no entanto, Deus é Pai da Humanidade inteira. Todos nós temos a felicidade de trazer, em nossa consciência, o sol da Lei Divina. Ninguém está desamparado.
De onde vem, então, essa atitude preconceituosa, exclusivista, que nos afasta de nossos irmãos?
Vem de nosso pensamento limitado e ainda egoísta. Quase sempre o homem acredita que tem razão.
Imagina que suas opiniões, crenças e opções são as melhores. Você já notou que a maior parte das pessoas acha que tem muito a ensinar aos outros?
É que, em geral, as pessoas quase não se dispõem a ouvir o outro: falam sem parar, dão opiniões sobre tudo, impõem sua opinião.
São almas por vezes muito alegres, expansivas, que adoram brincar. Chamam a atenção pela vivacidade, pelos modos espalhafatosos, pelas risadas contagiantes e pelas conversas em voz alta.
Mas são raras as vezes em que param para escutar o que o outro tem a dizer.
São como crianças um tanto egoístas, para quem o Mundo está centrado em si ou na satisfação de seus interesses.
É uma atitude muito semelhante a que temos quando acreditamos que o outro está errado, simplesmente por ser de uma religião diferente. É que não conseguimos parar de pensar em nossas próprias escolhas.
Não estudamos a religião alheia, não nos informamos sobre o que aquela religião ensina, que benefícios traz, quanta consolação espalha.
Se estivéssemos envolvidos pelo sentimento de amor incondicional pelo próximo, seríamos mais complacentes e mais atentos às necessidades do outro.
E então veríamos que, na maioria dos casos, as pessoas estão muito felizes com sua opção religiosa. A nossa religião é a melhor? Sim, é a melhor. Mas é a melhor para nós.
É óbvio que gostamos de compartilhar o que nos faz bem. Ofertar aos outros a nossa experiência positiva é uma atitude louvável e natural.
Mas esse gesto de generosidade pode se tornar inconveniente quando exageramos.
Uma coisa é ofertar algo com espírito fraternal, visando o bem. Mas diferente quando desejamos impor aos demais a nossa convicção particular.
Se o outro pensa diferente, respeite-o! Ele tem todo o direito de fazer escolhas. Quem de nós lhe conhece a alma? Ou a bagagem espiritual, moral e intelectual que carrega?
Deus nos deu nosso livre arbítrio e o respeita. Por que não imitá-lo?
Enquanto não soubermos amar profundamente o próximo, respeitando-lhe as escolhas, não teremos a atitude de amor ensinada por todas as religiões e pelos grandes Mestres da Humanidade.


Texto da Redação do Momento Espírita,  www.momento.com.br