Eternidade
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domingo, 12 de novembro de 2017
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
A criança e o ensino religioso
Responsabilidade das escolas?
Na década de 1940 havia nas escolas
públicas do Ensino Fundamental um horário semanal destinado ao ensino
religioso. Lembramo-nos, perfeitamente, dessa obrigatoriedade porque,
como em nossa matrícula escolar constava a observação “espírita”, éramos
levados para uma sala onde ficavam os alunos não católicos. Estes
últimos constituíam, sem dúvida, a grande maioria e eram os únicos que
recebiam, de fato, o ensino religioso, quase sempre ministrado por
sacerdotes.
Recordamos que, em uma dessas
oportunidades nas quais eram separados os alunos pertencentes a outras
religiões (conforme declaração dos seus responsáveis), o diretor da
escola identificou-nos como “espírita” e fez-nos o seguinte desafio: “Se
você é espírita, faça com que nos apareça um Espírito”. O nosso
acanhamento diante da suposta autoridade foi acompanhado pelas risadas
dos presentes.
Decorrido mais de meio século, esse
acontecimento não se repetiria, pois em nosso país desenvolveu-se grande
respeito aos sentimentos e à compreensão religiosa de todos os
cidadãos, ao lado de inequívoco avanço na divulgação da Doutrina
Espírita. Nem mesmo nas escolas ditas religiosas haveria hoje ambiente
favorável a semelhante e desrespeitosa atitude.
Permanece, entretanto, uma pergunta:
deve o ensino religioso ser ministrado obrigatoriamente nas escolas?
Orientam-nos os Mentores Espirituais que a resposta deve ser negativa. A
moral religiosa é, primordialmente, de responsabilidade dos pais, sejam
biológicos ou adotivos. Eis o que lemos em O Livro dos Espíritos, na questão 383: Qual é, para o Espírito [encarnado], a utilidade de passar pelo estado de infância?1
Resposta:
Encarnando com o
objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais
acessível às impressões que recebe, e que podem auxiliar o seu
adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados de
educá-lo.1
Referindo-se ainda à infância, continuam os Espíritos Superiores na resposta à questão 385, da obra citada, pois nessa fase:
[…] É quando se pode
reformar o seu caráter e reprimir seus maus pendores. Esse é o dever
que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão que responder.1
Caberia aqui outra pergunta: o que dizer
das aulas ministradas nas casas espíritas, identificadas como
evangelização da criança? A resposta é simples: o trabalho de
evangelização à luz do entendimento trazido pela Doutrina Espírita
constitui importante contribuição complementar para a educação infantil,
além de proporcionar orientação aos pais.
Lembra-nos a educadora espírita Martha Rios Guimarães, em artigo publicado pela Revista Internacional de Espiritismo:
O maior patrimônio
que os pais podem oferecer aos seusfilhos é uma mensagem que esclareça,
oriente e equilibre. Essa mensagem, ao contrário dos bens materiais que
oferecemos, não é perecível, e passará a fazer parte da bagagem imortal
do Espírito. Alguns pais espíritas alegam que seus filhos devem utilizar
o “livre-arbítrio” para escolher [ou não] a religião ou doutrina que
seguirão em suas vidas. Esquecem-se, porém, que estão oferecendo
liberdade de escolha a quem ainda não está preparado para escolher.[1]
Como consequência da imortalidade e da reencarnação escreve-nos, em Reformador, o esclarecido articulista Ricardo Di Bernardi:
A criança, que recebemos em nosso lar, não é um bloco em branco onde
podemos escrever qualquer mensagem ou ditar qualquer conteúdo; ao
contrário, é um livro com inúmeros capítulos já escritos por ela mesma,
vindo agora solicitar auxílio para que dê continuidade à história de sua
vida […].[1]
São incontáveis as mensagens que nos chegam do Mundo dos Espíritos
alertando-nos para a responsabilidade que nos cabe na educação da
criança, que deve ser alicerçada na realidade espiritual da vida. É
urgente a necessidade de empregarmos todo o esforço possível nas tarefas
de aceleração da transição planetária para um mundo de regeneração.
Esta realidade está sendo demonstrada pela encarnação, cada vez mais
numerosa, de Espíritos amadurecidos no exercício da fraternidade.
Entre as mensagens a que nos referimos, destacamos o texto de Emmanuel trazido pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier:
– A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as
bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino,
propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família
pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão,
mas somente o lar poderá edificar o homem.[1]
REFERÊNCIAS:
1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014.
2 GUIMARÃES, Martha Rios. Educação espírita começa no lar. Revista Internacional de Espiritismo, p. 222, maio 2016.
3 DI BERNARDI, Ricardo. Educação infantil, sexualidade e espiritualidade. Reformador, ano 134, n. 2.242, p. 47(45)-48(46), jan. 2016.
4 XAVIER, Francisco C. O consolador.Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. Q. 110.
1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014.
2 GUIMARÃES, Martha Rios. Educação espírita começa no lar. Revista Internacional de Espiritismo, p. 222, maio 2016.
3 DI BERNARDI, Ricardo. Educação infantil, sexualidade e espiritualidade. Reformador, ano 134, n. 2.242, p. 47(45)-48(46), jan. 2016.
4 XAVIER, Francisco C. O consolador.Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. Q. 110.
segunda-feira, 3 de março de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
sábado, 14 de dezembro de 2013
A religião de Jesus
A religião de Jesus
"Aquele que quiser ser maior no Reino de Deus
seja servidor de todos." - (Mt. 20:26.)
Emmanuel,
Espírito,
revela-nos
que Jesus
presidiu à formação da Terra e que é seu Governador2. Isto
significa
que há
bilhões
de
anos já
atingira extraordinária evolução. E, modestamente, aceitou a incumbência de nos
evangelizar, para
compreendermos as leis
de Deus, que se resumem
no Amor!
Ele não se impõe, não se
aborrece com nossos
defeitos e nos oferece,
nas múltiplas
reencarnações e em
variadas circunstâncias,
meios para
desenvolvermos a
inteligência e os bons
sentimentos: na
profissão, no lar, ou
nos diversos
relacionamentos de
nossas vidas.
Dá-nos oportunidades de
trabalho, até
aprendermos a servir com
gratidão e alegria, sem
melindres e sem escolher
parceiros de atividades,
trabalhando com aqueles
que se apresentam!
Espera, pacientemente,
nosso amadurecimento, a
fim de aderirmos, de
forma consciente, ao seu
ideal de Amor; para
conquistarmos plena
Liberdade, Harmonia,
ventura e belezas dos
mundos superiores!
“(...) Se alguém quer
vir após mim, a si mesmo
se negue, dia a dia tome
a sua cruz e siga-me.
(...)”.1
Lc, 9:23.
Afirma claramente: se
alguém quer... E vejam a
humildade e a infinita
paciência com que atua
esse Espírito, cuja
grandeza é inimaginável
para nós!
Para vivenciar sua
Religião, cabe-nos
servir, na família ou na
comunidade, favorecendo
o trabalho de equipe,
para que todos
participem de atividades
em favor do bem comum e
da evolução de todos os
Espíritos
provisoriamente
vinculados à Terra!
Sem a
perspectiva histórica e o hábito – cada
vez mais
raro – da leitura,
do
estudo,
da
pesquisa,
e,
sobretudo,
sem
as
informações
a
nós
repassadas
por
Mentores
da
Vida
Maior,
torna-se
difícil
ao
homem
comum entender
que Jesus continua
presente
em nosso
orbe, em
nossas
vidas e
que
dá sequência à
nossa evangelização – processo esse que ainda se estenderá
por longo tempo!
Nas lições de Jesus o
foco é outro
– Legou-nos, há
dois
mil anos, o resumo
das Leis Divinas,
que, se
observadas, nos concedem a saúde
efetiva, que é a do
Espírito
imortal, porque
nos harmonizam
com
o Criador.
Saúde que
se refletirá em nosso
corpo físico, nesta e em
futuras
encarnações.
A vivência desses
princípios
conduzir-nos-á à
evolução consciente,
acelerando nossa
caminhada evolutiva,
além de eliminar
sofrimentos acarretados
pela inobservância
dessas Leis.
Ao
longo do
tempo – mesmo antes de
Sua vinda a este orbe –,
propiciou a
fundação
de inúmeras
religiões
e inspirou artistas, filósofos, escritores,
cientistas, para
contribuírem com o
progresso
moral da Terra.
A multiplicidade dessas
religiões revela-nos a
sabedoria e a
generosidade do Pai, que
a todos nos favorece,
com escolas adequadas e
compatíveis com nossa
capacidade de
compreender – ainda que
fragmentariamente – Suas
Leis e sublimes
desígnios.
O Mestre não veio, da
parte do Pai,
para
curar corpos,
mas Espíritos
imortais. As
curas
são
“(...)
para
alívio dos que
sofrem e para ajudar na
propagação
da fé (...)”.3
Nem
veio
para
nos conceder
prosperidade
material, mas, sim,
conduzir-nos ao
progresso espiritual. Em
Suas
lições
sublimes
o
foco é
outro.
Não visam os bens
materiais – passageiros.
Iludem-se os
que
O buscam
com
esses
objetivos. Representam caminhos para a evolução – real progresso
do
Espírito.
Como se vê, ainda não
assimilamos esses
ensinos, não os
incorporamos à nossa
conduta diária, não
obstante as inúmeras
reencarnações por que
passamos, após Sua
presença neste orbe.
Não nos preocupamos em
‘aviar’ suas
libertadoras receitas.
Ao cuidar do
corpo físico, temos pressa
em aviar receitas
médicas – se
não
contemplam
exercícios físicos, regimes
alimentares ou
supressão de vícios,
sempre adiados para as
calendas gregas, ou
seja, para nunca, eis
que só existiram
“calendas” romanas.
Jesus não fundou
religião nenhuma
– Esse alheamento aos
ensinos de Jesus é que
nos mantém presos à roda
das reencarnações
dolorosas!
A rigor, Ele próprio não
fundou nenhuma religião!
Sobretudo religiões à
maneira das que existem
na Terra, ainda que seu
nome e ensinos sejam
nelas mencionados e
raramente observados!
Suas lições não requerem
nem organizações
complexas, nem templos
suntuosos, nem
preconizam rituais,
roupas especiais, sinais
exteriores; mas mudanças
internas; traduzidas em
normas de conduta
surpreendentemente de natureza prática.
Pregava em qualquer
parte onde se
encontrava: à margem do
lago; em casa da sogra
de Pedro; em casa de
Lázaro, Marta e Maria
e... até nas sinagogas!
“Deus é Espírito; e
importa que os seus
adoradores o adorem em
espírito e em verdade.”
Jo
4:24
Sempre fomos mal
orientados pelas
religiões tradicionais –
nas várias reencarnações
por que passamos –,
sempre achamos que a
frequência aos templos
(ainda que de forma
desatenta, na maioria
dos casos) apenas uma
vez por semana e o
exercício de práticas
exteriores eram
bastantes para a
conquista de um ‘céu de
louvor e contemplação,
em repouso eterno’!
Repouso esse que revela
a suprema ignorância das
Leis Divinas – e
preguiça ainda maior!
Eis que o trabalho é Lei
da vida.
E que castigo
insuportável seria a
eterna indolência!
Jesus, em parte alguma,
menciona esse ‘repouso
eterno’! Aqueles que
defendem essa tese
absurda parecem
desconhecer o ensino do
Mestre sobre o trabalho:
“Meu Pai trabalha até
agora, e eu trabalho
também”.
1 (Jo, 5:17).
É muita desatenção! Ou
infinita preguiça!
Religião significa
religação com o Pai
– A evolução contínua
dos Espíritos pressupõe
o desenvolvimento do
Amor e a educação da
inteligência. E isso
requer esforços, estudos
e trabalhos constantes,
que guardem relação com
nosso estágio evolutivo.
Porque evoluímos muito
lentamente, somos
submetidos às infinitas
reencarnações!
Não
apenas
revelou que Deus é nosso Pai e que “a Lei e os
profetas” se resumem em amá-Lo e ao próximo como a nós mesmos.
Sua doutrina, além de
recomendar-nos a
vivência desse amor
amplo, indica-nos, com
simplicidade, as
formas
de praticá-lo, na
conduta diária. Só a adoção dessas práticas nos conduzirá, a pouco e pouco,
ao
autoconhecimento,
à conquista da harmonia e da paz
plenas.
Observadas, religam-nos
ao Pai, pela vivência do
amor fraternal com todas
as criaturas. Importa
aqui recordar que
Religião significa
religação com o Pai!
Allan Kardec5
indaga aos Espíritos:
Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem
de se
melhorar
nesta vida e de resistir
ao arrastamento do
mal?
“Um
sábio da
Antiguidade já disse:
Conhece-te a ti mesmo.”
E não há roteiro mais
seguro para atingir esse
fim do que observar seus
ensinos. Ele mesmo o
diz, quando afirma:
“Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão
por mim” .1
(Jo, 14:6).
Cabe-nos registrar que
Jesus não só ensinou,
mas exemplificou o que
ensinava! Isto lhe dá
autoridade
incontestável:
“Quando Jesus acabou de
proferir estas palavras,
estavam as multidões
maravilhadas da sua
doutrina; porque ele as
ensinava como quem tem
autoridade e não como os
escribas”
.1 (Mt,
7:28-29).
Quem é, para Jesus, um
homem prudente
– Eis
breve amostra do que nos recomenda e nos ensina a proceder,
amorosamente:
“Concilia-te
depressa com o teu adversário, enquanto
estás no
caminho
com
ele (...).”1 Mt
5:25
“Ouvistes
que
foi
dito:
Olho
por olho,
dente por
dente. Eu,
porém, vos
digo que não resistais
ao
mal. Mas se alguém te bater na face direita,
oferece-lhe
também a outra. E ao que
quer demandar
contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também
a
capa.”1
Mt 5:38 a 40
“Amai os
vossos
inimigos e orai
pelos
que vos
perseguem e caluniam.”1
Mt 5:44
“Quando derdes
esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que
faz a
vossa
mão
direita.”
1 Mt 6:3
“Orando,
não
useis de vãs
repetições, como os gentios; porque presumem
que
pelo seu muito falar serão ouvidos.”
Mt 6:7
“Não
vos
inquieteis,
pois,
pelo dia de amanhã, porque o dia de
amanhã cuidará de
si
mesmo.”
1 Mt 6:34
“Fazei aos
homens
tudo o que
queirais que
eles
vos
façam,
pois é nisto
que consiste a lei e os profetas.”
1 Mt 7:12
“Todo
aquele que ouve estas minhas
palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que
edificou a
sua
casa
sobre a rocha.”
1 Mt 7:24
“Este
povo
honra-me
com os
lábios,
mas o seu
coração está
longe
de
mim.”
Mt 15:8
“Tive
fome e me destes de comer; tive sede e me
destes de
beber;
era
forasteiro e me
hospedastes; estava
nu e me vestistes; enfermo
e
me
visitastes;
preso
e fostes ver-me.”
1 Mt 25:35
“Embainha a tua
espada;
pois todos os
que lançam mão
da espada, à espada
perecerão.”
1 Mt 26:52
“(...) Pai, perdoa-lhes,
porque não sabem o que
fazem. (...)”
1 Lc 23:34
A Parábola do Bom
Samaritano (Lc, 10:25 a 37), transcrita no cap. XV, item 2, de O Evangelho segundo o Espiritismo4,
demonstra,
com
clareza,
a
necessidade
da
prática
desse
amor
fraternal.
“Faze isso e viverás.”
– No
diálogo
de Jesus
com
o fariseu, que antecede
o relato dessa parábola
– um dos
mais
belos
entre o Mestre e
personagens
do Evangelho! –, o
fariseu respondeu à própria pergunta, indicando
que o amor
a
Deus e ao
próximo
como a si
mesmo é a
condição
indispensável
ao
merecimento
da
vida
eterna.
Jesus,
então,
lhe disse, em belíssima e concisa frase: “(...) faze
isso e viverás”.1
Kardec, nos comentários
que a ela
adita –
item 3,
do
mesmo
capítulo –, afirma que toda a moral de
Jesus se resume na
caridade
e na humildade; e, ao
referir-se à
alegoria
do
juízo
final,
indaga:
“Naquele
julgamento supremo, (...) Pergunta o juiz
se foi preenchida
tal ou qual formalidade, observada mais
ou menos
tal ou
qual prática exterior? Não;
inquire tão-somente de
uma
coisa: a
prática da caridade,
(...) Informa-se,
por acaso, da ortodoxia
da
fé? Faz
qualquer
distinção entre
o
que crê
de
um
modo e o que
crê de
outro?”
3
Cap. XV, it. 3.
Na Parábola, o
samaritano – julgado
herético, mas que
exercita o
amor
fraternal – revela-se superior ao ortodoxo que falta com a caridade.
Não apenas
recomenda a
caridade, mas a indica como
condição
única da
felicidade
futura.
Em outro ensino
sublime, o
Divino
Mestre
desvincula o
verdadeiro cristão de quaisquer
sectarismos,
de
cultos,
de
templos,
de
manifestações
externas:
“Novo
mandamento
vos dou: que vos
ameis uns aos
outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
Nisto conhecerão
todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor
uns aos outros”.
1 Jo 13:34 e
35.
A religião de Jesus – contida em fraternas normas de
conduta – é,
eminentemente, de
natureza prática e se traduz na vivência
do
amor,
por
todas as
formas ao
nosso
alcance.
Esta é a visão da
Doutrina Espírita no
tocante à Religião de
Jesus, eis que também
ela não requer templos
suntuosos, não adota
liturgias e rituais
diversos, nem
hierarquias ou
princípios teológicos
abstratos. Educa-nos
para bem compreendermos
e praticarmos Sua
doutrina de puro Amor e
de serviço ao
semelhante, tal como
exemplificou e
recomendou o Divino
Mestre, no ensino
primoroso:“(...)
faze isso e viverás”.
1
Referências:
1.
ALMEIDA, João F. de –
Tradutor. A Bíblia
Sagrada. Brasília:
Sociedade Bíblica do
Brasil. 1969;
2.
XAVIER, F. Cândido. A
Caminho da Luz. Pelo
Espírito Emmanuel. FEB:
Rio de Janeiro, 1975. p.
21 e 110;
3.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
Trad. Evandro Noleto
Bezerra. 1ed. 2.imp.
Brasília: FEB, 2011.
cap. 26, it. 2, p. 447;
4.
_____. _____. cap. 15,
it.2, p. 301;
5.
KARDEC, Allan. O
Livro dos Espíritos.
Trad. Evandro Noleto
Bezerra. 2.ed. 1.impr.
Brasília: FEB, 2011, q.
919.
Fonte: O Consolador, por Gebaldo José de Sousa
sábado, 7 de dezembro de 2013
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
AMOR E RELIGIÃO
Ninguém
vive sem uma crença. Quer seja em algo transcendente ou não, a criatura
busca apoiar-se em algum ente que lhe pareça real.
A
negação à existência de um ser superior ao humano que o justifique, não
implica na ausência dele em seu psiquismo. Todo aquele que ama, e não
há quem não se inclua nesta categoria, necessita de Deus em si, mesmo
que o denomine com outro nome.
A religião é uma busca natural de todo ser humano. Adotar uma é um ato de amor a Deus.
Aquele
que se dedica a uma religião com devoção e afinco, deve fazê-lo com
verdadeiro amor. A vida religiosa é cheia de agruras, mas também de
recompensas incomensuráveis.
Lidar
com os objetivos de Deus é tarefa de amor a Ele e à Sua Obra. A
religião é trabalho para quem a exerce do lado do labor de evangelizar o
ser humano.
Seu
exercício requer abnegação e amor em dobro. O esquecimento de si, mesmo
na dedicação à tarefa religiosa, não necessita atingir a recusa ao
convívio social. Dedicar-se a Deus não significa fugir do mundo.
Amor
e religião não se chocam com o amor a outra pessoa. O ser humano,
historicamente decidiu separar o que fosse carnal do que lhe parecesse
divino. Não se separa o que tem a mesma procedência.
A
religião é o encontro do ser humano com o conhecimento dos objetivos de
Deus para com Sua Obra. Esse encontro, sob o signo do amor, proporciona
o verdadeiro êxtase.
As
religiões tem se distanciado do amor e da verdadeira comunhão com o
Altíssimo, em função da ignorância em que se encontra o ser humano a
respeito de seu papel na Vida. Dias virão em que estaremos praticando a
verdadeira religião em espírito e verdade.
O
amor às pessoas, indistintamente, requer desapegos e compreensão da
vida. Os laços que nos prendem às pessoas, são os mesmos que nos
fortalecem a alma. A diferença está na intensidade e prioridade com que
os aplicamos.
Jesus,
exemplo de amor e de compromisso com a verdade, mostrou, através de
seus atos e palavras, o significado da religião, quando estabeleceu que
deveríamos nos reconciliar com nosso adversário, antes de fazermos
qualquer oferta a Deus.
Nenhuma
tarefa pode ser maior que dedicar-se à evangelização da criatura em
favor da própria humanidade. O amor a Deus é o amor ao crescimento e
evolução da sociedade, a fim de que ela alcance a paz e a felicidade de
todos, sem que ninguém se sinta excluído.
O
amor à religião não admite sectarismos e exclusões. Ninguém pode ser
discriminado pela opção religiosa. Assim procedendo, estaremos faltando
com o amor pregado pela própria religião.
Religião
é vida de dedicação, de amor e de caridade para com o próximo. A
religião do amor é a que se dedica ao próximo sem preconceito de
qualquer natureza.
Muitas
vezes recorremos à religião para solução de conflitos de ordem
sentimental. Em algumas situações agimos em proveito próprio, excluindo
alguém que se interpõe em nosso caminho, pedindo a Deus ou a seus
intermediários, para nos livrar de sua influencia. Estaremos, dessa
forma, abdicando de vivenciar a tolerância e confiança no amor de Deus
para conosco.
A
religião, quando usada para benefício próprio, é instrumento de prisão e
alienação. O amor ao próximo é o meio mais eficaz de alcançar a
verdadeira prática religiosa.
As
religiões tradicionais nos afastaram do contato com a simplicidade e da
verdadeira adoração a Deus, insculpindo-nos culpas e medos. Nada há que
não seja sagrado. Tudo na vida é obra de Deus. Seu amor está presente
em toda Criação.
Não
nos entreguemos ao medo e à separatividade da vida supostamente
simples, em nome da religião. Amor e religião são compatíveis com a vida
verdadeiramente simples que se realiza na convivência social.
Jesus deu-nos exemplo de sua religião quando estabeleceu que seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem.
Adenáuer Novaes
do livro Amor Sempre, de Adenáuer Novaes
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
RELIGIÕES

“Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim.
Ou são ramos da mesma árvore majestosa. Portanto, são todas verdadeiras”.
A frase que você acabou de ler foi dita por uma das mais importantes personalidades do século vinte: o Mahatma Gandhi.
Veja quanta sabedoria nas palavras do homem que liderou a independência da Índia sem jamais recorrer à violência!
Nos tempos atuais, são raros os que realmente têm uma posição como a de Gandhi, que manifestava um profundo respeito pela opção religiosa dos outros.
Muitas pessoas acreditam que sua religião é superior às demais. Acreditam firmemente que somente elas estão salvas, enquanto todos os demais estão condenados.
Pouquíssimas pensam na essência da mensagem que abraçam, já que estão muito preocupadas em converter almas que consideram perdidas.
E, no entanto, Deus é Pai da Humanidade inteira. Todos nós temos a felicidade de trazer, em nossa consciência, o sol da Lei Divina. Ninguém está desamparado.
De onde vem, então, essa atitude preconceituosa, exclusivista, que nos afasta de nossos irmãos?
Vem de nosso pensamento limitado e ainda egoísta. Quase sempre o homem acredita que tem razão.
Imagina que suas opiniões, crenças e opções são as melhores. Você já notou que a maior parte das pessoas acha que tem muito a ensinar aos outros?
É que, em geral, as pessoas quase não se dispõem a ouvir o outro: falam sem parar, dão opiniões sobre tudo, impõem sua opinião.
São almas por vezes muito alegres, expansivas, que adoram brincar. Chamam a atenção pela vivacidade, pelos modos espalhafatosos, pelas risadas contagiantes e pelas conversas em voz alta.
Mas são raras as vezes em que param para escutar o que o outro tem a dizer.
São como crianças um tanto egoístas, para quem o Mundo está centrado em si ou na satisfação de seus interesses.
É uma atitude muito semelhante a que temos quando acreditamos que o outro está errado, simplesmente por ser de uma religião diferente. É que não conseguimos parar de pensar em nossas próprias escolhas.
Não estudamos a religião alheia, não nos informamos sobre o que aquela religião ensina, que benefícios traz, quanta consolação espalha.
Se estivéssemos envolvidos pelo sentimento de amor incondicional pelo próximo, seríamos mais complacentes e mais atentos às necessidades do outro.
E então veríamos que, na maioria dos casos, as pessoas estão muito felizes com sua opção religiosa. A nossa religião é a melhor? Sim, é a melhor. Mas é a melhor para nós.
É óbvio que gostamos de compartilhar o que nos faz bem. Ofertar aos outros a nossa experiência positiva é uma atitude louvável e natural.
Mas esse gesto de generosidade pode se tornar inconveniente quando exageramos.
Uma coisa é ofertar algo com espírito fraternal, visando o bem. Mas diferente quando desejamos impor aos demais a nossa convicção particular.
Se o outro pensa diferente, respeite-o! Ele tem todo o direito de fazer escolhas. Quem de nós lhe conhece a alma? Ou a bagagem espiritual, moral e intelectual que carrega?
Deus nos deu nosso livre arbítrio e o respeita. Por que não imitá-lo?
Enquanto não soubermos amar profundamente o próximo, respeitando-lhe as escolhas, não teremos a atitude de amor ensinada por todas as religiões e pelos grandes Mestres da Humanidade.
Texto da Redação do Momento Espírita, www.momento.com.br
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