Eternidade

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sábado, 14 de dezembro de 2019

Pilares de sustentação do trabalho voluntário na Casa Espírita


Considerações iniciais

O trabalho voluntário na Casa Espírita, além de contribuir para o fortalecimento das forças do bem na humanidade, é uma oportunidade ímpar, disponibilizada à criatura humana para que, de forma consciente e mais constante, se encontre com nosso Pai celestial. Daí a importância de o voluntário, ao abraçar sua tarefa, estar plenamente cônscio da relevância de sua participação, certo de que, em sua atuação, contará com a companhia e assistência do Pai celestial através de sua corte de anjos.

Dessa forma o trabalhador voluntário da seara divina deve envidar todo seu esforço no sentido de honrar esses momentos, assentando sua força de trabalho em pilares que resistam às dificuldades naturais, existentes no terreno onde as sementes do Amor serão plantadas e regadas.

1º Pilar: Amor ao próximo, respeito humano

O trabalho voluntário na Casa Espírita exige contato permanente com criaturas humanas encarnadas e desencarnadas, situadas nas mais variadas faixas vibratórias de pensamento e comportamento, daí a necessidade de o voluntário ser portador de um aceitável grau de sensibilidade para que possa bem se relacionar com essas pessoas, a fim de não prejudicar os intentos divinos em favor delas. Ao lidar com criaturas humanas nunca esqueçamos que nem sempre estamos tratando com pessoas lógicas, mas sim, na maioria das vezes, com pessoas emocionais. 

É imprescindível que, no desempenho de sua tarefa, o voluntário guarde estrita vigilância ante as investidas provenientes do plano espiritual inferior, pois as mesmas encontram terreno fértil, para sua semeadura, no lodaçal do orgulho, da vaidade, do melindre, da sede de poder, da ignorância e da fragilidade emocional e moral das pessoas, bem como em outras imperfeições próprias da natureza humana.

Assim, tratar bem aqueles com quem nos relacionamos, estimulando-os para o trabalho que desempenham e/ou incentivando- os a superar as dificuldades da jornada, são exemplos que, sempre que possível, devem ser vivenciados pelo trabalhador espírita. Ademais, não custa nada lembrar que, sempre que a oportunidade apareça devemos habitualmente cumprimentar as pessoas, com naturalidade, ser compreensivos, ser solícitos, atenciosos, enfim, educados com o semelhante. Esses “pequenos” gestos muito contribuem para o ajuste da nossa sintonia com o plano espiritual superior que nos assiste.

2º Pilar: Fidelidade aos princípios espíritas

Em função da natureza do trabalho realizado na Casa Espírita, é fundamental que seu trabalhador voluntário não só tenha conhecimento doutrinário, mas também o abrace e nele tenha fé. Afirmamos que o trabalho espírita é diferente dos demais, porque não leva em consideração somente as necessidades de ordem material da criatura humana, mas, principalmente as mais imediatas. O trabalho sob a égide do Espiritismo também leva em consideração a vida espiritual das pessoas e seu retorno à carne em vidas futuras. Para que essa consciência se firme, de forma mais efetiva na conduta do voluntário, é necessário que saiba o que é reencarnação, quais os princípios que a regem e que a compreenda à luz do Espiritismo; que tenha conhecimento e acredite na comunicabilidade dos Espíritos, em como essa comunicação se processa e que efeitos provoca na vida da criatura humana; que tenha fé em Deus, em sua bondade, misericórdia e justiça, para melhor entender as desventuras com que se deparará ao longo do seu trabalho e que acredite na imortalidade da alma, para citar alguns requisitos básicos necessários a que se guarde fidelidade aos princípios doutrinários espíritas.

A falta de conhecimento do que seja o Espiritismo, dos recursos de que dispõe e dos princípios em que se assenta, indubitavelmente levará o voluntário espírita a desenvolver seu esforço de trabalho em direção contrária à que se recomenda a Doutrina Espírita, gerando assim sérios conflitos de identidade na Instituição. Um exemplo funesto dessa ausência de fé e fidelidade às recomendações do autêntico Espiritismo é a realização de práticas estranhas ou exóticas na Casa Espírita.

3º Pilar: Convivência fraterna e companheirismo

Jesus com seu exemplo nos ensinou que o trabalho na seara divina não dispensa a participação de ninguém que esteja imbuído de boa vontade e sintonizado com os propósitos divinos. Para cumprir sua missão entre nós, Ele se fez acompanhar de discípulos das mais variadas condições sociais e culturais, com destaque para os doze apóstolos que lhe eram mais próximos. Poderia, certamente, cumpri-la sozinho, mas em sua sabedoria optou por partilhá-la com seus irmãos de caminhada e de ideal. Assim deve ser na Casa Espírita, pois todos os que nela se encontram são irmãos que abraçam a mesma fé, dispostos a seguir as recomendações de vida eterna, trazidas pelo Cristo, uns espiritualmente mais amadurecidos que outros, mas todos desejosos de crescimento espiritual.

Diante dessa heterogeneidade evolutiva, é natural que em alguns momentos ocorram desencontros de opinião e comportamento, todavia, nesses momentos devemos nos lembrar de que viemos para unir pessoas e não para separá-las. Que o companheiro de espírito mais amadurecido na prática do bem se apresente junto ao mais fragilizado, não para confrontá-lo, mas para, juntos, trabalharem em favor da causa do Cristo, uma vez que os discípulos de Jesus são conhecidos por muito se amarem. Que nosso proceder no desempenho de nossa tarefa seja o de partilha, de companheirismo e de compreensão para com as limitações humanas. Dar asas ao destempero emocional, ao “disse me disse”, à soberba, à arrogância, à exaltação da personalidade, por exemplo, só serve para obstaculizar a efetivação dos propósitos do Espiritismo na humanidade. Os tempos são chegados e esse tempo é o da solidariedade e da fraternidade. Nós, os trabalhadores da última hora, já perdemos muito tempo com os braços cruzados, portanto, temos muito trabalho pela frente.

4º Pilar: Amor ao trabalho

No exercício de sua tarefa, o trabalhador voluntário da Casa Espírita deve estar imbuído do sentimento de amor ao que faz e não do da obrigação ou da prestação de um favor a alguém, seja encarnado, seja desencarnado. Não esqueçamos que Jesus espera de cada um de nós misericórdia (compaixão) para com a dor e o sofrimento alheio e gestos conscientes de amor ao próximo e não sacrifícios ou mesmo obrigações forçadas de qualquer ordem.

A alegria de poder contribuir para a felicidade daqueles que a Providência divina coloca em nosso caminho deve ser a motivação que nos leve a realizar o trabalho voluntário, principalmente na Casa Espírita. Isso exige que eduquemos nossos sentimentos e reavaliemos nossa postura ética (como estamos nos relacionando com nossos semelhantes, principalmente os mais próximos?), moral (que valores tomamos como referência para nossa conduta cotidiana?) e comportamental (nosso comportamento na vida está coerente com o que acreditamos e professamos, como espíritas que somos?). Meditar sobre esses três pontos e esforçar-se, o mais que possível, para vivenciar atitudes coerentes com a proposta divina, referente a cada um deles, é tarefa urgente e inadiável, haja vista a necessidade de adquirirmos o equilíbrio exigido para o trabalho na lida espírita. Sem esse equilíbrio, como enfrentaremos as dificuldades e incompreensões que fatalmente surgirão no decorrer da tarefa? É fundamental que saibamos, adequadamente, nos desviar das pedras que surgirem no caminho, contornando-as ou removendo-as, uma vez que, se elas ali permanecerem, poderão ser motivo de tropeço e até mesmo de queda daqueles que com elas se depararem.

5º Pilar: Presença

O trabalho espírita, devido às bases em que se assenta e coerente com os fins a que se propõe, em hipótese alguma deve promover a infelicidade de seus agentes. Por isso, quem se dispuser a trabalhar na seara espírita deve planejar bem seu tempo de modo a não se prejudicar na condução de suas outras atividades, fora do Centro, e também para que a tarefa da qual participa no Movimento Espírita não venha a sofrer nenhum tipo de prejuízo. É imperativo que haja tranquilidade e satisfação por parte do trabalhador voluntário, principalmente no desempenho de sua tarefa, e isso só será possível se, dentre outros fatores, houver, no mínimo, um equilíbrio razoável do binômio: trabalho assumido versus tempo disponível à sua realização. Para que esse equilíbrio se estabeleça e o encargo seja satisfatoriamente realizado, se faz necessário administrar bem a ocupação do tempo disponibilizado, uma vez que esse tempo, competentemente distribuído, mesmo sendo pouco, pode gerar frutos mais proveitosos do que os produzidos por alguém muito ocupado com realizações desnecessárias e assumindo atitudes incompatíveis com os propósitos da tarefa e com as finalidades do Espiritismo. Nesse quesito, a assiduidade e a responsabilidade são duas condições que não podem faltar. 

Conclusão

Aos que desejam participar do trabalho voluntário na Casa Espírita e aos que já estão nele integrados deixamos a seguinte mensagem de Francesco, il poverello de Assis:

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.

Fonte: Revista Reformador - FEB - 2014

sábado, 14 de setembro de 2019

Finados




Os Espíritos acodem nesse dia [finados] ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer (LE, 321).

De acordo com alguns historiadores, o dia consagrado aos mortos originou-se dos antigos povos da Gália (atual França), os quais, então conhecedores da indestrutibilidade do ser, honravam os Espíritos e não os cadáveres, como, infelizmente, se faz na atualidade.

Esse dia, popularmente chamado de “finados”, é uma tradição mundial, cuja origem se perde na noite dos tempos, e que revela a intuição do homem sobre a imortalidade da alma. Finado é o particípio passado do verbo “finar”, que significa o indivíduo que morreu, findou, faleceu.

Trata-se de uma cultura adotada por todos os povos e quase todas as religiões. Esteve inicialmente muito ligada, na Antiguidade, aos cultos agrários ou da fertilidade. Acreditava-se que os mortos, como as sementes, eram enterrados com vistas à ressurreição. Em vista disso, o primitivo dia de finados era festejado com banquetes e orgias perto dos túmulos, costume disseminado em várias civilizações do passado.

Após a morte do tirano Mausolo, rei de Cária, antiga região da Ásia Menor (377 a 353 a.C.), sua esposa Artemísia determinou a construção de um enorme edifício, ricamente enfeitado, para abrigar o corpo do soberano. Esta construção ou monumento funerário é considerado uma das maravilhas do mundo antigo, dentre as quais despontam as Pirâmides do Egito, que até hoje constituem morada dos restos mortais dos antigos faraós.

Daí surgiu a palavra mausoléu para identificar os sepulcros de grandes proporções.

Entretanto, somente no final do século X é que foi oficializado pela Igreja de Roma o “culto aos mortos”, com o nome de “finados”, destinado precisamente aos Espíritos que estariam no “purgatório”.

Para o Espiritismo, este é um dia como qualquer outro, uma vez que a ida ao cemitério é a representação exterior de um fato íntimo. As pessoas que visitam um túmulo manifestam, por esse costume, que pensam no Espírito ausente, embora muitas o façam apenas para se desincumbir de mais uma “obrigação social” no calendário humano.

Para homenagear o ente querido que partiu antes de nós, não é preciso, necessariamente, ir a cemitérios, via de regra repleto de túmulos caiados, tétricos e poídos, porque lá repousa apenas o envoltório do Espírito (corpo físico).

O que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar. Por isso, o dia de finados não é mais importante, para os desencarnados, do que outros dias. A diferença entre o dia de finados e os demais dias é que, naquele, mais pessoas chamam os Espíritos pelos pensamentos.

O costume de as famílias sepultarem os restos mortais de seus membros em um mesmo lugar é útil do ponto de vista material, entretanto, para as Leis Divinas, essa cultura nenhum valor tem, do ponto de vista moral, a não ser tornar mais concentradas as recordações dos parentes.

O Espírito que atingiu um determinado grau de perfeição, despojado que se encontra das vaidades terrenas, compreende a inutilidade dos funerais pomposos, que servem mais aos que ficam do que aos que partiram.

Muitas vezes, o Espírito assiste ao seu próprio velório, não sendo raro as decepções que experimenta, ao se defrontar com alguns visitantes falando mal do “extinto”, contando piadas ou em conversas sobre negócios regadas a bebida alcoólica, sem qualquer respeito pela memória do recém-desencarnado. Mais decepcionado este fica, ainda, quando assiste às reuniões dos herdeiros, disputando, em brigas acirradas, a divisão dos bens do espólio.

As imagens e evocações das palestras dos presentes incidem sobre a mente do recém-desencarnado, o qual, na maioria das vezes, por ausência de preparo espiritual e desconhecimento das Leis Naturais, embora morto biologicamente, ainda não se desligou, mentalmente, dos despojos, o que lhe traz muito sofrimento, inclusive sensações desagradáveis, perturbações e pesadelos, dificultando ainda mais o seu desenlace (ver, no it. 7.4.7, a diferença entre desencarnação e morte biológica). O fato é que a menção do nome do próprio falecido e de outros mortos transforma-se em verdadeira invocação, atraindo-os ao ambiente em que nos encontramos (consultar cap. 14, da obra Obreiros da vida eterna, do autor espiritual

André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, um caso prático de evocação inconsciente ocorrido num velório).

Qual, então, deve ser a nossa conduta, nessas ocasiões? A mesma postura de respeito que devemos ter para com qualquer pessoa encarnada. Uma prece sincera, um pensamento simples, mas bondoso, endereçado aos entes que partiram, valem mais do que mil coroas de flores e solenidades fúnebres.

Todavia, não nos esqueçamos de que mais importante não é o comportamento nosso na hora da desencarnação de um ente querido, ou no momento de nossa própria morte física, mas sobretudo a conduta que devemos ter durante toda a nossa existência física, pois que, sendo Espíritos imortais, nossa vida é uma constante preparação para a morte, razão pela qual é preciso viver bem para morrer bem.

Autor: Christiano Torchi
Fonte: Federação Espírita Brasileira - FEB

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Desencarna o escritor espírita Richard Simonetti



Na manhã desta quarta-feira (3/10) desencarnou o escritor espírita Richard Simonetti. Nascido no dia 10 de outubro de 1935, em Bauru (SP), foi  funcionário do Banco do Brasil de 1956 a 1986, quando se aposentou. Passou, então, a dedicar-se inteiramente às atividades espíritas, particularmente no Centro Espírita Amor e Caridade, ao qual esteve ligado desde a infância. Expositor espírita, percorreu todos os Estados brasileiros, em centenas de cidades, e também outros países, como Estados Unidos, França, Suíça, Itália e Portugal. Articulou, em 1973, o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em centenas de cidades.

De 1964 a 1994, participou da União das Sociedades Espíritas de Bauru, em seus Departamentos de Doutrina e de Divulgação. Foi responsável pela instalação do Clube do Livro Espírita de Bauru e pela manutenção da Livraria Espírita. Sustentou expressivo movimento de venda de livros que proporcionou recursos para a construção da sede da USE. Empenhou-se em passar sua experiência a outras cidades, ao demonstrar como se pode dinamizar a divulgação espírita a partir dessas iniciativas e, ao mesmo tempo, arrecadar recursos para outros serviços. Colaborou assiduamente em jornais e revistas espíritas. Escreveu regularmente para periódicos espíritas de projeção nacional – Reformador, Revista Internacional de Espiritismo, Folha Espírita. Membro da Academia Bauruense de Letras. É autor de quarenta e oito obras publicadas, com uma tiragem aproximadamente de dois milhões e duzentos mil exemplares, entre os quais estão: Conheça o EspiritismoPara Viver uma Grande MensagemA Bênção da Gratidão e A Voz do Monte editados pela Federação Espírita Brasileira.


Fonte: FEB - Federação Espírita Brasileira

sábado, 6 de janeiro de 2018

Acertos Genéticos


 Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br


Após examinar ao microscópio o embrião fecundado em laboratório, o médico informou aos pais:

– Ele possui componentes genéticos que favorecerão a ocorrência futura de grave deficiência respiratória. Peço sua autorização para interferir, substituindo os genes comprometidos por outros saudáveis, doados pelos senhores.

Solicitação atendida, a substituição genética foi realizada, eliminando possível problema futuro.

Ações dessa natureza já são executadas com sucesso em experiências com cobaias. Nas próximas décadas constituirão rotina em seres humanos.

E mais: com o avanço do conhecimento sobre o comportamento das células-tronco, coringas celulares, futuramente será possível reconstituir órgãos comprometidos por doenças graves e até mesmo substituir membros amputados.

Diante desses avanços da ciência médica, a grande dúvida:

Como fica a Lei de Causa e Efeito, que dá a cada um segundo suas obras, conforme ensinava Jesus, atendendo a objetivos educativos?

Aprendemos com o Espiritismo que Deus não joga dados com seus filhos. Atendendo a planejamento ou dentro do automatismo reencarnatório, a combinação de elementos hereditários atende aos nossos compromissos de resgate.

Não é por mera falha genética que o Espírito reencarna com tendência a graves problemas respiratórios ou outro qualquer.

A Medicina jamais alcançará o prodígio de neutralizar os princípios de ação e reação que regem nossa evolução.

O que sempre fará, agente da Misericórdia Divina, será amenizar os males decorrentes de nosso comprometimento com vícios, maldades, desregramentos…

Os registros cármicos residem no Espírito. O corpo é apenas o reflexo, e as enfermidades mais graves funcionam como válvulas de escoamento das impurezas espirituais adquiridas quando enveredamos por caminhos tortuosos, contrariando as Leis Divinas.

Se uma “válvula” é substituída, outras surgirão, ante a pressão interna da culpa. A Medicina, portanto, por maiores sejam seus avanços, estará sempre cuidando de efeitos, males que se sucederão até que o Espírito se purifique por inteiro, livrando- se de mazelas e imperfeições.
O ponto de partida para essa depuração definitiva começa quando o indivíduo atinge a maturidade necessária, a favorecer um comportamento disciplinado, disposto a exercitar o bem, sem aberturas para o mal, sob inspiração dos valores cristãos.

Quando o Evangelho, o Código do Amor Divino, for observado em plenitude em todas as latitudes e longitudes, chegará o momento em que a Humanidade estará depurada e ajustada aos desígnios celestes.

Nesse futuro longínquo, porém inexorável, desaparecerão as doenças e as pessoas viverão na Terra cumprindo a programação biológica para a raça humana, de oitenta a cem anos.

A morte não ocorrerá por doença degenerativa ou desgaste prematuro do corpo. Virá suavemente pelo esgotamento das energias vitais, desencarne tranquilo e retorno feliz à vida espiritual.

Sem dúvida, há longa caminhada até essa gloriosa realização, mas todos chegaremos lá, porquanto essa é a vontade de Deus, que não falha jamais em seus objetivos.



sábado, 27 de maio de 2017

Fenômenos assombrosos em Watervliet


A variedade envolvendo a fenomenologia mediúnica tem sido motivo de assombro para todos os que se interessam pelo intercâmbio entre o mundo material e o espiritual. A diversidade dos talentos mediúnicos pode ser verificada mediante consulta aos mais diferentes relatos que compõem a literatura voltada para o tema, seja ou não de origem espírita.

Surpreendem-nos as levitações de religiosos católicos durante a Idade Média. Espantam-nos os relatos da execução de instrumentos musicais em pleno ar, distantes das mãos dos médiuns ou de qualquer pessoa, durante a fase experimental do Espiritualismo Moderno, na primeira metade do século XIX. Assombram-nos as materializações espirituais, realizadas em ambientes controlados, acompanhadas por cientistas, quando estes se interessaram pela investigação dos fenômenos mediúnicos, no século XIX e início do século XX. Enfim, o sem-número de médiuns e mediunidades, já catalogados ou não, instiga nossa sede de entender os mecanismos pelos quais se processam as relações interdimensionais.

Os acontecimentos envolvendo as irmãs Fox, ocorridos em Hydesville, localidade situada no estado de Nova Iorque, em solo norte-americano, constam entre os mais famosos de toda a literatura voltada para a mediunidade, não só pela forma como o intercâmbio mediúnico se deu, mas também pelo fato de ter envolvido expressivo número de pessoas, testemunhas oculares e auditivas de todo o processo. Aquele episódio foi para nós outros, os espíritas.

Aliás, é interessante notar que os registros históricos dão conta de que o estado de Nova Iorque, em meados do século XIX, experimentou significativo número de manifestações mediúnicas, em diversas pequenas cidades ali localizadas. A médium inglesa Emma Hardinge Britten (1823–1899), tendo vivido na época de tais fenômenos, aproveitou suas viagens e realizou um meticuloso trabalho de pesquisa que resultou na publicação, em 1870, do livro Modern american spiritualism. Nesse trabalho, ela reporta eventos anteriores aos ocorridos em Hydesville, mas que foram relativamente ofuscados em virtude da grandeza do ocorrido no seio da família Fox. Dentre os episódios parcialmente obscurecidos, um em especial desperta a nossa atenção: o que se deu no distrito de Watervliet, perto de Albany, vizinha de New Lebanon.

Em Watervliet, vivia um grupo que sofrera perseguições na Inglaterra por conta de suas crenças religiosas, em mais um dos diversos embates envolvendo religião naquela nação, a exemplo da Revolução Puritana de Oliver Cromwell (1599–1658). Esse grupo tinha conexões com os quakers, e eram conhecidos como shakers.  Assim que a perseguição se intensificou, os shakers migraram para a colônia inglesa Province of New York, que mais tarde originaria o estado de Nova Iorque. Foram para lá atraídos pela promessa de oportunidades e de relativa tolerância. Ali se instalaram e progrediram.

Apesar da imprecisão de datas, considerando a reserva com que o grupo tratava do assunto, procurando evitar excessiva exposição, sugerem os relatos que os primeiros fenômenos mediúnicos envolvendo os shakers se iniciaram em meados de 1837, ou seja, 11 anos antes do fato histórico ocorrido em Hydesville.

Ao que tudo indica, a mediunidade era pródiga entre os shakers, pois que, em vez de um ou outro médium manifestar a presença de um Espírito, durante os trabalhos religiosos era significativo o número de membros que entrava em transe mediúnico. O número relevante de médiuns em transe guardava relação direta com o número não menos significativo de Espíritos comunicantes. Os Espíritos manifestantes haviam pertencido a um grupo de nativos que habitavam aquela região à época da chegada dos conquistadores europeus.
A partir do relato da médium e escritora Emma Hardinge, o médico e escritor escocês Arthur Conan Doyle (1859–1930) nos apresenta fragmentos da história dos shakers, fornecendo-nos informações interessantíssimas. No relato de Conan Doyle, um detalhe se torna digno de nossa atenção: a forma como os Espíritos se anunciavam, quando pretendiam manifestar-se.

Contudo, para conhecer melhor tal detalhe, vale a pena recorrer ao texto fascinante do famoso escritor e pesquisador da mediunidade e do Espiritualismo, que nos fornecerá uma ideia mais exata sobre os acontecimentos envolvendo a mediunidade coletiva dos shakers.
Escreve Conan Doyle, no cap. 2 – Eward Irving: os shakers, p. 54:

[…] Os principais visitantes eram Espíritos de Peles Vermelhas, que vinham em grupos, como uma tribo. Um ou dois presbíteros deveriam estar na sala de baixo, aí batiam à porta e os índios pediam licença para entrar. Dada a licença, toda a tribo de Espíritos de índios invadia a casa e em poucos minutos por toda a parte ouvia-se o seu “Whoop! Whoop!” Os gritos de “whoop”, aliás, emanavam dos órgãos vocais dos próprios “shakers”. Mas, quando sob o controle dos índios, conversavam na língua destes, dançavam as suas danças e em tudo mostravam que estavam realmente tomados por Espíritos de Peles Vermelhas. (Grifo nosso.)

Pelo que pudemos observar, os Espíritos dos nativos pediam licença para adentrar o culto religioso shaker. Concedida a autorização, eles se aproximavam dos médiuns e os influenciavam de tal forma que os religiosos se comportavam à maneira dos nativos quando realizavam seus rituais religiosos.

Esse contato durou cerca de sete anos, até que a experiência mediúnica cessou, tendo os Espíritos, antecipadamente, anunciado o fim daqueles trabalhos.

Quatro anos depois do encerramento dos assombrosos fenômenos ocorridos em Watervliet, iniciaram-se os emblemáticos eventos em Hydesville, envolvendo a família Fox.  Ao saber do fato, o shaker Elder Evans organizou um grupo de correligionários e foram visitar as irmãs Fox. Segundo Conan Doyle, quando se reuniram com as meninas médiuns, os visitantes foram saudados por Espíritos, e surpresa: alguns desses Espíritos eram os nativos que haviam estado em Watervliet alguns anos antes.

Esses relatos são, de fato, instigantes, e nos convidam a aprofundar na pesquisa acerca da história da mediunidade. Principalmente, nos dão a oportunidade de relembrar os fenômenos coletivos de mediunidade que, embora raros, têm como acontecimento maior os episódios ocorridos no dia de Pentecostes, quando os apóstolos do Mestre Jesus começaram a falar em outras línguas. Obviamente, não se pode fazer um paralelo entre o ocorrido com os apóstolos e o que se deu entre os shakers, sobretudo no que se refere à mensagem decorrente dos fenômenos. Mas é inegável que a fenomenologia é a mesma: um transe mediúnico coletivo.

Enfim, quem quer que se interesse pelo estudo da mediunidade e do Espiritismo constatará pela simples observação que, com o passar do tempo, a manifestação mediúnica perdeu muito de suas características físicas, assumindo, cada vez mais, qualidades intelectuais. Assim, não é de se admirar que fenômenos semelhantes aos apresentados pelos shakers sejam cada vez menos comuns. Aliás, a “intelectualização” da mediunidade guarda sintonia com o desenvolvimento intelectual da Humanidade e, por consequência, dos médiuns. Apesar disto, não podemos deixar de nos surpreender com os acontecimentos daquele início de século, por nos terem permitido entrar em contato com  outras dimensões da vida, provando que o Espírito não somente sobrevive à morte do corpo físico, mas também é capaz de manifestar-se aos que ainda permanecem na retaguarda, encarnados na Terra.


FONTES:
DOYLE, Arthur Conan. História do espiritismo. São Paulo: Editora Pensamento.
OS ESPÍRITOS E OS SHAKERS. Mistérios do Desconhecido. Evocação dos Espíritos. Rio de Janeiro: Abril Livros Ltda, 1993.
DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.). O novo testamento. 1. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2016.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Os dez mandamentos e o fenômeno da Pneumatografia


Há mais de 3500 anos, Moisés recebeu no Monte Sinai os dez mandamentos.

O Monte Sinai é uma região considerada sagrada pelo Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, localizada ao Sul da península do Sinai, no Egito. É também conhecido como Monte Horeb ou Jebel Musa, que, em árabe, significa “Monte de Moisés”.

Embora exista vasta literatura sobre o decálogo, a forma pela qual se deu o processo de recepção dos ensinos, considerados de origem divina, é desconhecida ou raramente comentada. Poucos estudiosos trataram do assunto especificamente.

Pelos registros bíblicos, em Deuteronômio (5:6-21), após conduzir os israelitas que haviam sido escravizados no Egito, atravessar o Mar Vermelho e se dirigir ao Monte Horeb, na Península do Sinai, ali, no sopé do Monte, as Tábuas da Lei teriam sido escritas diretamente por Deus e entregues a Moisés. Como as duas tábuas originais foram quebradas, – em reação colérica do legislador hebreu diante da observação de que o povo havia construído um Bezerro de Ouro e o adorava – Deus reescreveu outro conjunto de leis, conforme registrado em Êxodo (34:1).

Curiosamente, o decálogo em sua língua original, o hebraico, é constituído de 613 letras, o mesmo número que integra a Torá, o conjunto dos demais ensinos recebidos e registrados por Moisés em pergaminho.

*

Qual seria a explicação espírita sobre a inscrição do decálogo nas duas tábuas de pedra?

A Bíblia é um conjunto de livros que constitui o Velho e o Novo Testamento, repletos de fenômenos mediúnicos. Partamos do princípio de que Moisés era médium. Um intermediário entre a Vontade Divina e a liderança daquele povo de Israel, ainda de costumes rudimentares e, às vezes, até bárbaros. O profeta da primeira revelação no Ocidente estava só, no monte, sem a companhia de seus seguidores ou de qualquer outra pessoa. Um “fogo”, resultado de fenômeno mediúnico de efeitos físicos, separava Moisés do povo que teve medo de atravessar as labaredas. Sabemos que, espiritualmente, ele não se encontrava sozinho, pois certamente recebia a influência direta dos planos superiores da vida naquele momento ímpar de concentração individual, que resultaria em algo absolutamente definitivo e transformador para a história religiosa das civilizações ocidentais: a revelação de um Deus único, em oposição à crença pagã comum no politeísmo.

Uma possível interpretação espírita do ocorrido conduziria ao entendimento de que o médium Moisés recebeu pela escrita direta, em tábuas de pedra, o decálogo, um conjunto de dez ensinos sobre o comportamento do ser humano em relação a Deus e a seu próximo.

A pneumatografia (do grego pneuma – sopro ou espírito + graphein – escrever) é termo criado pelo Codificador do Espiritismo para denominar o tipo de fenômeno mediúnico em que um espírito se comunica por via escrita sem o auxílio de um médium escrevente ou psicógrafo. É, também, conhecida por escrita direta.

O fenômeno está classificado pelos Espíritos, em O livro dos médiuns, como mediunidade de efeitos físicos, mesmo contra a opinião de Allan Kardec que o preferiria na classe dos fenômenos de efeitos inteligentes. A explicação é a seguinte:

Os efeitos inteligentes são aqueles para cuja produção o Espírito se serve dos materiais existentes no cérebro do médium, o que não se dá na escrita direta. A ação do médium é aqui toda material, ao passo que no médium escrevente, ainda que completamente mecânico, o cérebro desempenha sempre um papel ativo.

Na pneumatografia, dispensa-se o uso do lápis, como adotado na psicografia, ou do teclado, como mais recentemente empregado na “psicodigitação”.  Então, o Espírito escreveria diretamente, sem intermediário, dispensando a “mão” de um médium.

Todavia, não se prescinde da figura do médium, indispensável para a realização de qualquer fenômeno mediúnico, seja de efeitos inteligentes ou físicos. Nestes últimos, o médium doa o ectoplasma, o fluido animalizado, para que o Espírito possa atuar na realidade material.

É o próprio Kardec quem explica na Revista Espírita como o fenômeno se dá:

Para escrever dessa maneira, o Espírito não se serve das nossas substâncias, nem dos nossos instrumentos. Ele próprio fabrica a matéria e os instrumentos de que há mister, tirando, para isso, os materiais preciosos, do elemento primitivo universal que, pela ação da sua vontade, sofre as modificações necessárias à produção do efeito desejado. Possível lhe é, portanto, fabricar tanto o lápis vermelho, a tinta de imprimir, a tinta comum, como o lápis preto, ou, até, caracteres tipográficos bastante resistentes para darem relevo à escrita.

A principal razão para a ocorrência do fenômeno é a comprovação da intervenção de um poder oculto, uma inteligência externa que se manifesta e transmite sua vontade.

*

Nada mais adequado para registrar, há cerca de 3,5 milênios, o início da história religiosa monoteísta do que o acontecimento marcante da inscrição direta em tábuas de pedras das leis fundamentais, que continuam até hoje a reger as relações dos homens entre si e com Deus.

Um fenômeno natural, raro certamente, mas especial em sua essência, que contou com a presença dos Espíritos Superiores, segundo a Vontade do Criador e a supervisão do Governador Espiritual da Terra, Jesus.

Ali, naquele momento crucial para a trajetória evolutiva da Humanidade, já se assinalavam os primeiros passos, prenunciando os novos tempos que haveriam de vir, atualmente confirmados pelas luzes do Consolador Prometido.

Referências:
BÍBLIA online.com.br. Disponível em: <http://www.bibliaonline.com.br/acf/dt/5>. Acesso em: 22 ago. 2016.
DEZ mandamentos. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Dez_Mandamentos>. Acesso em: 21 ago. 2016.
KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 81. ed., 5. imp. Brasília: FEB, 2016. it. 189.
______. Pneumatografia ou escrita direta. Revista Espírita, v. 2, n. 8, ago. 1859. Tradução de Evandro Noleto. 3. ed., 2. imp. Brasília: FEB, 2009.


Fonte: FEB, autor Geraldo Campetti Sobrinho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Poema do senador Públio Lentulus Cornelius à sua esposa Lívia


http://slideplayer.com.br/slide/398167/


Alma gêmea da minhalma, 
Flor de luz de minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!... 

Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração. 

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!... 

És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor! 

_______________

Créditos: Texto Xavier, F. C. Há dois mil anos, [pelo Espírito de] Emmanuel. Rio de Janeiro, 
Federação Espírita Brasileira, 2009, p.65-66 Música Bento e Marília e filhos. Almas Gêmeas[editada]. 
União Espírita Mineira, CD Harmonia Interior. Contatos: (31)3462-5278 
Fotos Arte de Roma Antiga, Via Appia, papoulas e flores italianas diversas, obtidas através do Google Imagens. Produção Antonio Cesar Perri de Carvalho Gilmar da Cunha Trivelato Brasilia, abril de 2010

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Bases da Regeneração


Duas siglas nos chamam a atenção: VQVSCJ e SOS. Ficamos curiosos em saber os seus significados.1 De fato, são bem significativas, pois representam orientações seguras para todos os que nos esforçamos em trilhar o caminho do bem, buscando fazer o melhor ao nosso alcance, em consonância com os ensinos do Evangelho.

Vamos que vamos sempre com Jesus (VQVSCJ) pode ser definido como o lema do otimista.
Silêncio, oração e serviço (SOS) é um roteiro seguro para a felicidade plena.

Ante qualquer problema ou dificuldade, obstáculo ou desafio, se nos predispusermos à ação firme e serena no rumo certo, contaremos com o apoio da Espiritualidade superior.

Alinhadas às duas assertivas, registramos as breves e impactantes palavras do presidente da FEB ao Movimento Espírita, quando de sua posse, em 21 de março pp.:

[…]
Neste momento em que somos convocados a novos desafios, convido a todos os espíritas brasileiros para, unidos e unificados, colocarmos o Evangelho como roteiro; mantermos a consciência tranquila como consolo; esquecermos o mal como estratégia; e utilizarmos a prece como fortaleza.2

[…]
Após ouvir, ler e refletir sobre as quatro expressões mencionadas no rápido discurso presidencial, podemos adotá-las como bases para o mundo de regeneração, que manifesta o limiar de sua presença na atualidade da Terra em transição.


Evangelho como roteiro  
Todos somos aprendizes do Evangelho de Jesus, que nos serve de bússola orientadora de decisões em consonância com os desígnios de Deus. As bases do Evangelho são o substantivo amor e o verbo amar. “Amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso entendimento, coração e alma, e amar ao próximo como a nós mesmos” (Mateus, 22:37 a 39). Nesses mandamentos, extraímos a compreensão do conceito de Deus como Pai e, do próximo, como irmão. Sob a bandeira dos ensinos morais do Cristo, falaremos a mesma linguagem da união e da unificação, da fraternidade e da solidariedade universais, estabelecendo o amor como condição inabalável nas relações entre pessoas e equipes, povos e nações, na conquista do entendimento e na construção da paz em todos os rincões planetários.

O Evangelho de Jesus é roteiro de caminhada rumo à plenitude espiritual.


Consciência tranquila como consolo  

A sabedoria do Espírito de Verdade registrou como resposta à inteligente pergunta de Kardec que a Lei de Deus está escrita na consciência.3 Essa valiosa informação permite-nos entender que, quando estivermos em dúvida sobre uma decisão, devemos buscar a resposta dentro de nós, pois em nossa intimidade sempre encontraremos a melhor solução. Isso exige um natural e gradativo esforço de autoconhecimento. Ter escrita a Lei de Deus na consciência é garantir condições para distinguir o bem do mal, o certo do errado. A consciência tranquila é fruto do dever bem cumprido. Assim, o consolo virá como consequência do cumprimento rigoroso de nossos deveres e assunção das responsabilidades que nos cabem perante nós mesmos e ante o próximo, que se nos converte em caminho para Deus à medida que pautamos as relações interpessoais no código divino da justiça, do amor e da verdade.


Esquecimento do mal como estratégia  

Quanto peso desnecessário carregamos em nossos ombros, apegando-nos ao passado infeliz, guardando mágoa, alimentando ressentimentos?! Tornamo-nos carrancudos, mal-humorados, infelizes… Vemos o lado ruim das situações e das pessoas, não conseguindo nos desvencilhar das amarras do pretérito faltoso e aflitivo. Esquecer o mal é a melhor estratégia de libertação, educação, crescimento espiritual. É a superação de comportamentos viciosos, a renovação do homem velho, a disposição para a mudança efetiva fundamentada nos paradigmas revolucionários do Evangelho, que recomenda vejamos a trave em nossos olhos e não nos incomodemos com o cisco no olho do próximo.4 O perdão verdadeiro implica no esquecimento do mal, em não produzirmos e acumularmos lixos emocionais e psíquicos, portas à influência perniciosa geradora de intrincadas obsessões, que só a firmeza no bem erradicará.


Prece como fortaleza  

Ensina André Luiz que “orar constitui a fórmula básica da renovação íntima pela qual divino entendimento desce do coração da Vida para a vida do coração”.5 Como é importante o hábito de orar! Assim como nos alimentamos materialmente várias vezes ao dia, também devemos cuidar de nossa saúde espiritual pelo alimento da oração. A prece é um meio de comunicação com a Espiritualidade superior, um jeito de conversar com Deus, de nos aproximarmos dele. Por isso, a prece torna melhor o homem, por fazê-lo sensível à necessidade de se reformar intimamente, adquirindo virtudes e superando vícios. A oração nos coloca seguros ante as provas e expiações da caminhada, fortalecendo a félúcida e ativa que não permite esmorecimento. A recomendação evangélica é no sentido do “olhai, vigiai e orai”,6 a fim de não cairmos em tentação. A prece é escudo ante as investidas do mal.


Referências:
1 Ambas as siglas foram mencionadas no artigo Tons de liderança, publicado em Reformador, ano 133, n. 2.234, p. 18(272)-19(273), mai. 2015.
2 ELEIÇÕES na FEB. Reformador, ano 133, n. 2.234, p. 58(312), mai. 2015. 3 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB, 2014. q. 621.
4 Mateus, 7:1 a 5.
5 XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 25.
6 Marcos, 13:33.
Geraldo Campetti Sobrinho
geraldocampetti@gmail.com

domingo, 24 de maio de 2015

Escola da Bênção


Sofres cansaço da vida, dissabores domésticos, deserção de amigos, falta de alguém...

Por isso, acordaste sem paciência, tentando esquecer.

Procuraste espetáculos públicos que te não distraíram e usaste comprimidos repousantes que não te anestesia­ram o coração.

Entretanto, para teu reconforto, pelo menos uma vez por semana, sai de ti mesmo e busca na caridade a escola da bênção.

Em cada compartimento aprenderás diversas lições ao contacto daqueles que lêem na cartilha das dores que desconheces.

Surpreenderás o filme real da angústia no martírio silencioso dos que jazem num catre de espinhos, sem se queixarem, e a emocionante novela das mães sozinhas que ofertam, gemendo, aos filhos nascituros a concha do próprio seio como prato de lágrimas.

Fitarás homens tristes, suando penosamente por singela fatia de pão, como atletas perfeitos do sofrimento, e os que disputam valorosamente com os animais um lugar de repouso ao pé de ruínas em abandono.

Observarás, ainda mais, os paralíticos que sonham com a alegria de se arrastarem, os que se vestem de chagas esfogueantes, suplicando um momento de alivio, os que choram mutilações trazidas do berço e os que vacilam, desorientados, na noite total da loucura...

Ver-te-ás, então, consolado, estendendo consolo, e, ajustado a ti mesmo, volverás ao conforto da própria casa, murmurando, feliz:

— Obrigado, meu Deus! 


pelo Espírito Meimei, psicografia de Chico Xavier

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Diálogos inter-religiosos



Reformador: O que você entende por diálogo inter-religioso?

Haroldo: A experiência nos tem demonstrado que o diálogo inter-religioso é o aprimoramento da capacidade individual de escuta. Representa um incremento da nossa habilidade de ouvir, já que possibilita a rara oportunidade de tomar contato com as crenças de nossos semelhantes sem as deturpações decorrentes de uma exposição crítica, tendenciosa ou maliciosa. Ao estabelecermos uma relação de respeito, de acolhimento e de livre expressão temos a chance de avaliar ideias, sistemas de crenças de maneira mais imparcial, seguindo os ditames da fé raciocinada e do bom senso preconizados pelo Espiritismo.


O momento atual favorece tais diálogos?

Diríamos que o momento atual clama pelo diálogo inter-religioso, tendo em vista as recentes manifestações de fundamentalismo, com amplos prejuízos para a sociedade, inclusive ceifando vidas inocentes. Acreditamos que o diálogo maduro, honesto e respeitoso é a única via para mitigar o ódio, o sectarismo e a intolerância.


Em recente Congresso da Federação Espírita do Estado de Goiás (Feego) você coordenou um evento dessa natureza. Poderia falar algo a respeito?

No último Congresso da Feego tivemos a oportunidade de conduzir uma mesa de diálogo envolvendo um padre, uma freira, um pastor evangélico, um espírita e o presidente da Federação Espírita Brasileira. Foram momentos de profunda reflexão, interação humana que nos reforçou a ideia da extrema urgência e necessidade de iniciativas como esta. É significativo o fato de tais iniciativas partirem de segmentos do Movimento Espírita, levando-se em conta que o lema do Espiritismo é “Fora da Caridade não há Salvação”.


Você tem participado de eventos semelhantes?

Participamos de outro evento semelhante, promovido pela Federação Espírita Paraibana, mas o primeiro evento do gênero, de que participamos, foi organizado pelo Instituto SER,1 contando com a participação do pastor Enéas e da irmã Aíla, o qual acabou se transformando em DVD.


Há algum preparo ou condição para tal atuação?

O diálogo deve ser pautado na mais absoluta liberdade de expressão, todavia, sem perda do respeito mútuo, do decoro, e da caridade. É preciso deixar claro aos participantes que não se trata de uma arena, de uma esgrima intelectual, mas de um encontro de seres humanos que buscam compreender melhor as crenças alheias de modo a estabelecer vínculos de fraternidade legítima.


O estudo do Evangelho à luz do Espiritismo favorece este entendimento?

O estudo e a prática do Evangelho, à luz do Espiritismo, nos auxiliam a compreender que Jesus não fazia distinção de pessoas, nem jamais estabeleceu como pré-requisito a adoção desta ou daquela crença, que servisse de parâmetro para sua aproximação. Pelo contrário, buscou a todos indistintamente, esclarecendo que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor que devotassem uns aos outros.


Quais os cuidados que devem ser considerados?

É preciso compreender, inicialmente, que o diálogo inter-religioso exige de quem dele participa um conhecimento sólido das suas próprias crenças, alicerçado na prática dos valores morais. No caso do espírita, é necessário que conheça e estude em profundidade a Doutrina Espírita, esforçando-se para colocar em prática seus postulados morais, além de estar engajado em atividades no grupo espírita, a fim de que possa dialogar com conhecimento de causa. Por outro lado, é necessário que estude, com senso crítico, outras filosofias, teologias e sistemas de crenças, para que o seu diálogo não seja pautado pela ingenuidade, dando mostras de ignorância. Não basta a boa vontade, o diálogo inter-religioso exige preparo, estudo, bom senso. É indispensável, também, precaver-se do atavismo, ou seja, daquela tendência que todos trazemos de repetir práticas que já não condizem com nosso grau de percepção atual. Finalmente, é preciso estar imbuído do amor ao próximo e da caridade genuína, sem os quais o diálogo se transforma em exibicionismo e disputa tola, comprometendo os padrões da fraternidade legítima que devem nortear nossas ações.


Referências:
1 N. R.: SER – Sócio Organização de Espiritualidade e Religiosidade. Acesso pelo link: <http://www.portalser.org/o-ser/quemsomos/>.

Fonte: Revista Reformador

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Bênção Divina



Não te consideres livre, num mundo de expiações e provas, num planeta conturbado, onde imperam o ódio, a ambição, o orgulho, a vaidade...

Entretanto, se encontraste Jesus, se és um outro discípulo em demanda de Emaús, seguindo estrada a fora, atônito com os sucessos mundiais, se és possuidor da Boa Nova da redenção - busca entender o sentido legítimo da Fraternidade e, afeiçoando-te a ela, como companheira inseparável, trabalha amorosamente, abrigando o Cristo no coração.

Certamente encontrarás obstáculos sem conta. Ironias e sarcasmos serão óbices tremendos para conseguires a vitória final.

No entanto, com a Fraternidade em tua existência, em tua mente, terás contigo o Senhor e Mestre, e, não obstante viveres num mundo de aflições e provas, serás livre em ti mesmo, pois conhecerás o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não te prendas às coisas transitórias, que são ofertadas ao mundo apenas como meio de aperfeiçoamento e ascensão.

Ergue-te do pó da estrada e, à luz da Fraternidade, bênção divina ao teu dispor, prossegue em busca dos irmãos sofredores, tornando-te o samaritano de Jesus, em tarefa nobilitante na crosta planetária.

Constrói em ti mesmo o templo sagrado da Fraternidade, único sentimento capaz de transpor, incólume, os umbrais da morte. Avança, na certeza absoluta de que a tua moeda divina será - hoje, aqui e além - a do trabalho fraterno em seus lídimos postulados.

Imita o Pai Poderoso, que serve, incessantemente, abraçando os filhos de seu amor para conduzi-los às áureas trilhas da Eternidade. Segue o teu Pastor Divino, auxiliando-o a trazer para o redil as ovelhas tresmalhadas. Procura nos exemplos nobres, que te cercam o coração, a força precisa para a caminhada.

Fraternidade em ação, bênção divina, coroa que te iluminará a vida, perenemente.

Segue, Irmão, não te detenhas!

O Plano Espiritual Superior é todo um autêntico laboratório de fraternidade, guiando, orientando as coletividades para o Infinito Amor.

Segue, Irmão!

Toma para ti o título real, aquele que verdadeiramente deves conquistar: o de Irmão. Irmão legítimo de toda a Humanidade.

Imola-te como o Cordeiro, amando, fraternalmente, para seres um com Ele na vida imortal.



pelo Espírito Augusto Paiva
(Página psicografada pela médium Maria Cecília Paiva,
na reunião pública da noite de 11 de maio de 1976, na
Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro, RJ.)