Eternidade

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domingo, 19 de abril de 2015

O advento do Consolador



O mundo passava por momentos decisivos, transformadores, oferecendo condições para o surgimento de uma nova humanidade. Ao mesmo tempo, ocorria o rompimento com idéias cristalizadas do passado no campo da religião e da cultura.

No século imediatamente anterior à Codificação foram lançados os alicerces da renovação do pensamento ocidental com os chamados iluministas que definiram uma arena de fermentação de ideais arrojados, apontando para um futuro glorioso no qual o homem assumiria o comando de si mesmo, aprendendo a valorizar a liberdade de pensar, falar e agir.

O século dezoito apresentou o início de uma nova era, propriamente dita. O homem foi sacudido pelo vendaval das mudanças ocorridas nos diferentes campos do saber humano. Discutiu-se muito, surgiram as ciências diversificadas tanto na área das relações humanas como nas voltadas para o estudo das conexões nervosas, com o objetivo de melhor compreender a mente. A religião, anteriormente abalada em seus fundamentos, encontrava-se oscilante; de um lado, entre católicos fielmente vinculados aos ditames da igreja de Roma ou aos renovadores da contra reforma protestante, os jesuítas, e, de outro, aos adeptos da igreja Reformada que, então, se auto intitulavam reformadores.

O Cristo era, então, o centro para onde convergiam todas as discussões, os debates, as disputas e as intrigas. Homens de fé, teólogos respeitáveis, ou simples sacerdotes eram tomados por um frenesi, uma agitação febril, muitas vezes doentia, sempre com o intuito de demonstrar a grandeza e a superioridade das interpretações teologais.

Entre estes, poucos se deixavam manter-se no silêncio e na oração, buscando Jesus no íntimo do ser. Angustiados, vezes sem conta se viam jogados de um lado para outro, como frágil barco na tempestade.

O século seguinte, o dezenove, nasceu desse caldo de idéias revolucionárias. Muitas rebeliões e revoluções surgiram, em consequência, no velho continente europeu para, ao final, delinear e organizar as nações do mundo atual. O século dezenove, o século das revoluções liberais, passou à história como uma época de construção civil, política, sobretudo religiosa.

Foi quando Jesus saiu dos altares e dos púlpitos, reuniu seus servos fieis e estabeleceu que era chegado o momento de materializar o Consolador, por Ele prometido, no mundo das formas. A Humanidade encontrava-se mais lúcida, já detinha valores morais e conhecimentos suficientes para começar a exercitar a lei de amor, explicitada no seu Evangelho de luz e amor.

Sob os sons vibrantes de novas clarinadas, uma etérea e argêntea luz espalhou-se pelo Planeta, e, um exército de servidores, constituídos por soldados devotados e compromissados com o Bem Maior, organizou uma invasão em todos os recantos, convidando a Humanidade para receber o Cristo no coração, servindo ao próximo, amando e protegendo-o.

Médiuns surgiram aos borbotões para trazer à Terra a mensagem Sublime do Céu. Em 18 de abril de 1857 um coro de Espíritos peregrinos, uniram-se em cântico celestial para fazer o mundo conhecer O Livro dos Espíritos. Livro imortal, gravado no infinito com chispas de luzes do coração amoroso do Senhor.

A Verdade chegou por meio do zelo, cuidado, amor e muito senso de responsabilidade do Sr. Hippolite Léon Denizard Rivail que, sob o impacto da luz e do amor de Jesus abstraiu-se de si mesmo, livrando-se daquela sua personalidade de mestre lionês para, então, se converter no humilde servidor, denominado Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos foi forjado, assim, nas oficinas divinas e continua representando o legado espiritual do Cristo para Humanidade.


Cairbar Schutel.

Mensagem psicográfica recebida no dia 16.04.15, na FEB, por Marta Antunes.

domingo, 21 de outubro de 2012

O CONSOLADOR PROMETIDO - E.S.E.



O consolador prometido

Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: — O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. — Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)

Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.

Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

 
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, itens 3 e 4.)