Eternidade

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sábado, 18 de agosto de 2018

Veneração e amor a arte...


Quanto mais um ser, por sua vontade e por seus atos, se aproxima de Deus, mais ele está apto a sentir os eflúvios e as vibrações divinas. Segundo sua evolução, essas vibrações se traduzirão por criações de virtudes, com a palavra virtude sendo tomada em um sentido bastante geral.

Em minha consciência ela significa tudo o que é digno de ser amado. A arte, portanto, é um dos meios de se sentir a grandeza de Deus. Devemos agradecer ao Criador por nos deixar sempre em relação com ele, e temos que nos tornar cada vez mais dignos disso. É preciso venerar e amar a arte, porquanto, através da imensidão do espaço, ela é a mensageira da imortal irradiação e do movimento divino universal.

O Espiritismo na Arte, Léon Denis

O poder espiritualizador da música


"Visto que nos encontramos neste estado degradado de imperfeição moral, será melhor sermos práticos, harmonizarmos nossa música e, pelo mesmo processo, começarmos a compor uma nova e melhor forma de arte. Uma arte de acentuada sublimidade poderá, por si só, levar-nos de volta aos céus."
— Bach

"Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de harmonia provenientes do foco da inspiração. Procuro acompanhá-las e delas me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, torno a apreender com ardor a inspiração; arrebatado, vou multiplicando todas as modulações, e venho por fim a me apropriar do primeiro pensamento musical. Tenho necessidade de viver só comigo mesmo. Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência." — Beethoven


O presente estudo pretende refletir sobre a influência que a música, assim como as artes em geral, exerce sobre o comportamento espiritual do ser humano.


A música e sua origem divina
De acordo com escrituras e mitologias de todos os povos a música, assim como as demais expressões da arte, foram trazidas aos homens pelos deuses. Na remota antiguidade, a música era empregada com a sagrada finalidade de reverenciar o Ser Supremo. Sua finalidade era a de expressar as cosmogonias, elevar a alma humana às alturas das esferas espirituais. Todas as expressões artísticas desenvolveram-se á luz dos ritos iniciáticos, com a finalidade de expandir a consciência dos iniciados durante as cerimônias sagradas, abrindo-lhes a captação psíquica para experiências transcendentes.
Com o tempo a arte saiu do âmbito dos templos e do sagrado, vulgarizou-se, caiu na banalização das massas, passando a refletir seus instintos inferiorizados, anseios embrutecidos e a desmesurada ambição pelo lucro e a fama.

O poder oculto da música
Atualmente a ciência, sobretudo no campo da medicina e da psicologia, vêm redescobrindo verdades e conhecimentos que os antigos sábios detinham sobre o poder oculto da música.
Hoje sabemos que basta estarmos no campo audível da música para que sua influência atue constantemente sobre nós, acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração; relaxando ou irritando os nervos; influindo na pressão sanguínea, na digestão e no ritmo da respiração, exercendo alterações sobre os processos puramente intelectuais e mentais.
Modernos pesquisadores estão começando a descobrir que a música influi no caráter do indivíduo e, ao influir em seu caráter, significa alterar o átomo ou unidade básica — a pessoa — com a qual se constrói toda a sociedade.
Os grandes sábios da China antiga até o Egito, desde a Índia até a idade áurea da Grécia acreditavam que há algo imensamente fundamental na música que lhe dá o poder de fazer evoluir ou degradar completamente a alma do indivíduo e, desse modo, fazer ou desfazer civilizações inteiras.
Assim, "uma inovação no estilo musical tem sido invariavelmente seguida de uma inovação na política e na moral", conclui um estudioso moderno.

O Messias de Handel
A influência da música sobre o nosso comportamento é algo que desperta cada vez mais o interesse dos estudiosos. Ela pode influenciar no comportamento de toda uma nação, como por exemplo ocorreu com o rei George III, na Abadia de Westminster, durante uma apresentação de Handel. A certa altura da apresentação da obra o Messias (o coro da Aleluia) o rei se pôs em pé, sinal para que todo o público se levantasse. Ele estava chorando. Nada jamais o comovera tão vigorosamente. Dir-se-ia um grande ato de assentimento nacional às verdades fundamentais da religião.
Os diferentes tipos de música levam-nos a manifestar comportamento mentais-emocionais específicos. Em certas circunstâncias, somos induzidos a alterar procedimentos em função dos diferentes estados de consciências que a música, involuntariamente, pode nos levar a alcançar. Assim, sob sua influência, podemos tomar a decisão impulsiva e decisiva para iniciar ou terminar um determinado relacionamento amoroso, ou ainda, quem sabe, aumentar ou diminuir a velocidade de nosso carro num lugar inapropriado.


Rossini fala a Kardec sobre a música espírita
Em contatos com Allan Kardec, nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito do músico e compositor clássico Gioachino Rossini, por solicitação do codificador, falou sobre alguns aspectos espirituais da música e sua influência no comportamento espiritual do homem.
Rossini fora um músico extremamente bem sucedido, tendo recebido do rei de França os cargos de Primeiro Compositor do Rei e Inspetor Geral de Canto, recebendo um salário invejável. Esbanjou talento — foi contratado exclusivo do Teatro de Milão durante vinte anos, autor de 30 óperas, reconhecido como a "personalidade mais brilhante que jamais dourou as páginas do livro musical do mundo contemporâneo".
Mas, no além, diante da solicitação de Allan Kardec, ele se julga incapacitado para discorrer a respeito da finalidade transcendente da música, prometendo estudar o assunto, lá, nos domínios espirituais para, numa outra oportunidade, voltar a falar aos membros da Sociedade.
Lembra Rossini ao codificador do espiritismo que a embriaguez do êxito, a complacência dos amigos e as lisonjas dos cortejadores muitas vezes lhe tiraram o meio de reconhecer suas fraquezas morais, turvando-lhe o discernimento sobre a sublime finalidade da arte musical.
Numa posterior comunicação ele volta para expor suas novas idéias. Começa redefinindo o conceito de harmonia, comparando-a com a luz. Assim ele se expressa: "Fora do mundo material, isto é, fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina. A posse de uma e outra está na razão dos esforços empregados para adquiri-las, elas que são duas sublimes alegrias da alma, filhas de Deus e, portanto, irmãs", querendo dizer com isso que um refinado executante ou ouvinte de música, do ponto de vista espiritual, é alguém que conquistou algo de luz e harmonia em si mesmo.

A harmonia é um sentido íntimo da alma
O espírito de Rossini inicia sua mensagem propondo um novo conceito sobre a expressão HARMONIA, comparando-a com a luz. Para ele, ambas são uma espécie de sentidos íntimos da alma, estados transcendentes do ser. Explica que a alma é apta a perceber a harmonia, mesmo sem o auxílio de qualquer instrumentação, como é apta a perceber a luz sem o concurso das combinações materiais.
"Quanto mais desenvolvidos são esses sentidos íntimos da alma, tanto melhor percebe ela a luz e a própria harmonia", ensina.

As diferentes harmonias do espaço
O espírito do grande maestro se diz espantado ao contemplar as diferentes harmonias do espaço. Diz serem constituídas por inúmeros e diferentes graus, conhecidos e desconhecidos, dispersos e ocultos no éter infinito. Essas diferentes harmonias, percebidas separadamente, constituem a harmonia particular de cada grau. 

A boa música transporta a alma às elevadas esferas do mundo moral
Explica que nos graus inferiores, essas harmonias são elementares e grosseiras. Nos graus superiores, levam ao êxtase. Revela que "quando é dado ao espírito inferior deleitar-se com os encantos das harmonias superiores, o êxtase o arrebata e a prece lhe penetra o íntimo". Informa que a música é um tipo de "encantamento que o transporta às elevadas esferas do mundo moral". Imerso nas vibrações de uma música superior, o espírito então "entra a viver uma vida superior à sua e assim deseja continuar a viver para sempre". Contudo, cessada a harmonia que o penetra, "ele desperta para a realidade da sua situação e, dos lamentos que lhe escapam por haver descido, nasce-lhe o desejo de adquirir forças para de novo elevar-se — e aí tem ele um grande motivo de emulação".
Concluímos, portanto, que a música superior contribui para a elevação espiritual do ouvinte — ou do executante — quando dela sabe-se tirar bom proveito.

O espírito do músico atua sobre o fluido universal (ou energia cósmica) através de seu sentimento
O maestro Rossini ressalta que o espírito produz os sons que é capaz de saber e não consegue querer o que não sabe. "Assim, aquele que compreende muito, que tem em si a harmonia, que se acha dela saturado, que goza do seu sentido íntimo, desse nada impalpável, dessa abstração que é a concepção da harmonia, atua quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que ele concebe e deseja. O éter vibra sob a ação da vontade do espírito. A harmonia que o espírito traz em si concretiza-se, por assim dizer, evola-se, doce e suave, como o perfume da violeta, ou ruge como a tempestade, ou estala como o raio, ou solta queixumes como a brisa. É rápida como o relâmpago, ou lenta como a neblina; tem os despedaçamentos de um soluço, ou é contínua como a relva; é precipitada qual catarata, ou calma como um lago; murmura como um regato, ou ronca como uma torrente. Ora apresenta a rudeza agreste das montanhas, ora a frescura de um oásis; é alternativamente triste e melancólica como a noite, leda e jovial como o dia; caprichosa como a criança, consoladora como uma paixão, límpida como o amor e grandiosa como a Natureza. Quando chega a este último terreno, confunde-se com a prece, glorifica a Deus e leva ao arroubamento aquele mesmo que a produz, ou a concebe", esclarece poeticamente o maestro.

Pela música, o espírito faz ressoar no éter a harmonia que traz em si
Rossini explica que o sentimento da harmonia é como o espírito que tem a riqueza intelectual: um e outro possuem constantemente da propriedade inalienável que conquistaram pelo esforço esforço.
"Pela música, o espírito faz ressoar no éter a harmonia que traz em si", define o maestro.
Assim como o espírito inteligente, que ensina a sua ciência aos que ignoram, experimenta a ventura de ensinar, porque sabe que torna felizes aqueles a quem instrui, também o espírito que faz ressoar no éter os acordes da harmonia que traz em si experimenta a felicidade de ver satisfeitos os que o escutam.
Para ele, "a harmonia, a ciência e a virtude são as três grande concepções do espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em toda a plenitude, elas se confundem e constituem a pureza".

A música é o médium da harmonia
Explica o maestro que "o compositor que concebe a harmonia a traduz na grosseira linguagem chamada música, concretiza a sua ideia e a escreve e, embora desvirtuada pelos agentes da instrumentação e da percepção, a música sempre causa impressões nos que a ouvem traduzida. Essas sensações são a harmonia. A música as produz. As sensações são efeito da música. Esta é posta a serviço do sentimento para ocasionar a sensação. O sentimento, na composição, é a harmonia; a sensação. No ouvinte, é também a harmonia, com a diferença de que é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia. Ela a recebe e a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos espíritos. É concebida pela alma e transmitida à alma".

A música espiritualizada é essencialmente moralizadora
Extraordinária diferença há na concepção e apreciação da música entre homens e espíritos: enquanto na terra tudo é grosseiro, os espíritos, contudo, possuem a percepção direta.
"É possível expor os fatos que os sentimentos íntimos provocam, defini-los, descrevê-los, mas, os sentimentos, esses se conservam inexplicados. A música pode provocar sentimentos diferentes em cada pessoa porque as mesmas causas geram efeitos contrários. Em física isto não existe, mas em metafísica existe. Existe, porque o sentimento é propriedade da alma e as almas diferem de sensibilidade entre si, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta a um, deixando frio e indiferente a outro. É que o primeiro se acha em estado de receber a impressão que a harmonia produz, ao passo que o segundo se acha em estado oposto: ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a idéia que lhe traz. Este chega a entediar-se e a adormecer, enquanto que aquele outro se entusiasma e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é muito mais elevado, mais depurado, do que aquele em quem ela não logra penetrar. Sua alma, mais apta a sentir, desprende-se mais facilmente e a harmonia lhe auxilia o desprendimento, transporta-a e lhe permite ver melhor o mundo moral. Deve-se concluir daí que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece".

A música exerce influência sobre a alma e seu progresso
O grande músico traz a Allan Kardec um interessante conceito sobre o poder espiritualizador da música: "A harmonia (expressa pela música) coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa". Isto sigfnifica que a harmonia, expressa pela boa música, acelera nossas vibrações, permitindo-nos sentimentos de acesso espiritual a dimensões que não conseguimos alcançar comumente.
"Este sentimento existe em certo grau, mas desenvolve-se sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que esteja desprovido de tal sentimento é conduzido gradativamente a adquiri-lo, acaba deixando-se penetrar por ele e arrastar ao mundo ideal, onde esquece, por instantes, os prazeres inferiores que prefere à divina harmonia".
Podemos refletir aqui o poder e a responsabilidade que possui um artista espiritualizado e consciente, pois que lhe é dado arrebatar, pela emoção superior, as almas dos homens às alturas das esferas transcendentes, assim como ele próprio pela mesma música é arrebatado.

A música reflete a alma do compositor
Rossini lembra que se considerarmos que a harmonia sai do concerto do espírito, podemos deduzir que a música exerce salutar influência sobre a alma (que é, em verdade, o espírito encarnado) e a alma que a concebe também exerce influência sobre a música. Há uma simbiose entre o artista e sua obra, uma vez que eles se confundem no resultado final. "A alma virtuosa, que nutre a paixão do bem, do belo, do grandioso e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas e de comovê-las. Se o compositor é terra-a-terra, como poderá exprimir a virtude de que desdenha, o belo que ignora e o grandioso que não compreende? Suas composições refletirão seus gostos sensuais, sua leviandade, sua negligência. Serão, ora licenciosas, ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas, comunicando aos ouvintes os sentimentos que exprimem e os perverterão, em vez de melhorá-los".
Essa dissertação nos faz meditar que é melhor termos mais cuidado com o nosso cardápio musical, muitas vezes digerido, involuntariamente, por coação dos meios de comunicação alienadores. É bom perguntar: em que tipo de música andamos refletindo os nossos gostos íntimos?

A educação espiritual aprimorará o gosto das pessoas pela música
Rossini esclarece que o Espiritismo, ao moralizar os homens, exercerá uma grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que transfundirão suas virtudes ao fazerem ouvidas suas composições. "Rir-se-á menos; chorar-se-á mais; a hilaridade cederá lugar à emoção, a fealdade à beleza e o cômico à grandiosidade".
Por outro lado, "os ouvintes que o espiritismo dispuser a receber facilmente a harmonia se elevarão, ouvindo a música séria, de verdadeiro encanto; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as massas".
Sobre a sublimação da arte musical, o autor ainda revela a Allan Kardec: "Quando o grotesco e o obsceno forem varridos pelo belo e pelo bem, desaparecerão os compositores daquela ordem, porquanto, sem ouvintes, nada ganharão, e é para ganhar que eles se emporcalham".

O espiritismo exercerá influência sobre as artes
O espiritismo terá influência sobre a música, prossegue. "Seu advento transformará a arte, depurando-a. Sua origem é divina, sua força o levará a toda parte onde haja homens para amar, para elevar-se e para compreender. Ele se tornará o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas irão buscar nele suas inspirações e ele lhas fornecerá, porque é rico, é inesgotável".
E sobre si mesmo, faz uma interessante revelação: "O espírito do maestro Rossini voltará, numa nova existência, a continuar a arte que ele considera a primeira de todas. O espiritismo será seu símbolo e o inspirador de suas composições".
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FONTE:
Estudo elaborado sobre comunicações do espírito do maestro e compositor Gioachino Rossini, ocorridas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo tema é "Música Espírita", contido no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec.

Fonte: Universo Espírita.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Arte Musical




É na comunhão frequente e consciente com o mundo dos espíritos que os gênios do futuro irão haurir os elementos de suas obras. Presentemente a penetração dos segredos da sua dupla vida vem oferecer ao homem a ajuda e os esclarecimentos que as religiões enfraquecidas não poderiam mais lhe proporcionar. Em todos os âmbitos, a ideia espírita vai fecundar o pensamento que trabalha.

O fenômeno sonoro se desenvolve de círculos em círculos, de esferas em esferas e se dilata até o infinito. Ele conduz a alma, em suas grandes ondas, sempre mais longe, sempre mais alto no mundo do ideal e nela desperta sensações tão delicadas quanto profundas, que a dispõem às alegrias e aos êxtases da vida superior.

Seu poder misterioso e soberano se estende sobre todos os seres, sobre toda a natureza. Efetivamente, a lei das vibrações harmônicas rege toda a vida universal, todas as formas de arte, todas as criações do pensamento. Ela introduz equilíbrio e ritmo em todas as coisas. Ela influi até sobre a saúde física por sua ação sobre os fluidos humanos. Sabe-se que Saul, em suas crises nervosas, mandava chamar Davi, que, com os sons de sua harpa, acalmava a irritação do monarca. Em todos os tempos, e ainda em nossos dias, a arte musical foi aplicada à terapêutica, e com resultados positivos.


por Léon Denis 

sábado, 1 de julho de 2017

A Educação pela Arte e para a Arte


A Arte, deusa ferida, vagueia pálida e fria pelas nações do planeta, à procura de devotos que a socorram, ensaiando despertar as sensibilidades adormecidas... Quem haverá de vir lhe prestar novamente o culto que merece, para que ela se recomponha e brilhe no altar da Beleza, do Bem e da Perfeição?

É preciso que seus seguidores se despeçam dos lauréis, que aceitem servi-la desinteressadamente, que busquem se revestir da pureza moral, para não manchar sua divindade, que enverguem o heroísmo da virtude para se entregarem à posse dessa deusa...

Mas como esperar que as sensibilidades, capazes de incorporar os eflúvios invisíveis do infinito, possam fazê-lo fielmente, sem que se enredem nas ilusões do corpo, sem que cedam aos apelos da vaidade, se não as educais para isso?


Educados pela Arte - todos os seres humanos devem ser. Pois que outro componente melhor e mais propício a fazer florescer a divindade interior do homem, que o de colocá-lo desde cedo sob a inspiração da Beleza e da Harmonia? Toda criança pode crescer sob o signo do equilíbrio se ao lado do pão, da ideia, da experiência e do brinquedo, lhe derdes o alimento da Beleza... e se ela própria puder dar seus primeiros ensaios de criação livre e espontânea, percebendo e intuindo diretamente a sua infinita capacidade de criar e produzir. Não lhe imponhais modelos e padrões, deixai-a experimentar e achar a própria expressão.

Mas também não lhe negueis acesso ao que a cultura humana já compôs através do tempo. Deixai que as crianças bebam nas fontes mais puras da Arte terrestre... Que elas possam exercitar a sua sensibilidade, ouvindo as melodias mais doces jamais feitas; olhando as cores e as luzes mais sutis já tecidas; declamando os poemas mais elevados jamais compostos; sentindo as produções mais próximas da divindade que o homem já atingiu. Fazei isso com todas elas e se não tiverdes no futuro todos os homens literalmente artistas, tê-los-ei moralmente melhores e mais criativos.

Mas se perceberdes nessas almas, que tendes sob vossa tutela, um grande talento despontando, um germe latente de genialidade, então não deveis mais apenas educar pela Arte, mas para a Arte!

Não lhe estimuleis apenas a aprendizagem da técnica artística, como se o dom de compor, tocar, representar, pintar, escrever, fosse mero instrumento morto, código pronto de uso... Desenvolvei-lhe sobretudo o sentimento do Belo e do Bom, para que coloque seu talento a serviço dos homens e de Deus e não a serviço de si próprio.

Que esses gênios precoces não sejam cultuados como flores exóticas a que se deve admiração, mas não familiaridade. Que eles sejam amados como seres pertencentes à mesma humanidade de que todos fazeis parte...

Que lhes dê o exemplo vigoroso da virtude moral, que lhes possa garantir a segurança de fazer de seus talentos um presente de Deus aos homens e não um elemento de perturbação social e de queda para si mesmos. Sobretudo, não percais com eles nem os laços de carinho nem o vínculo de uma autoridade moral, que os guie em seus primeiros passos, para que não se sintam isolados num mundo adverso, que os idolatra e os usa; que os explora e os denigre depois...

Se assim educardes vossos gênios - e eles virão em grande massa habitar entre vós - tê-lo-eis como irmãos em vosso benefício e os vereis realizados e felizes, a salvo de todas as tragédias que têm sido o destino de muitas almas sensíveis, mas ególatras; generosas, mas vaidosas, que carregam entre vós o nome de artistas!

E então, a deusa da Arte, soerguida da lama em que a lançaram neste século, se levantará luminosa, para conduzir a humanidade a outras esferas!


Schiller
23/6/1991


(Dora Incontri. A Educação Segundo o Espiritismo. Editora Comenius.)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Mozart: a melodia da inspiração


A presença espiritual em suas criações


Mariana Sartor



Longe de seu público, o enterro do músico austríaco Wolfgang Amadeus Mozart nada teve do "glamour" que suas composições alcançam pelo mundo todo. Assistido apenas por seu cachorro vira-lata, o compositor e instrumentista partia para Júpiter, um plano mais melodioso, segundo ele mesmo afirma em questões respondidas, publicadas na Revista Espírita1, após sua morte, aos 35 anos.


Por coincidência, para os que gostam do acaso, ou não, uma das composições mais famosas de Mozart, a Sinfonia n.º 40, é também conhecida como Júpiter e considerada auge da música do século XVIII.


O garoto que aos 4 anos de idade tocava, de cor, composições ao cravo, e aos 5 já compunha um minueto, tinha seu talento disputado pelos nobres europeus da época. A criança prodígio – prova da evolução da alma nos processos de reencarnação – uma vez que a inteligência é patrimônio do espírito – encantava especialmente por sua capacidade de improvisação, criando, inspirado por sua fantasia.


Tal inspiração, sabe-se, é a sensibilidade que lhe possibilitava o intercâmbio mais intenso entre os Dois Mundos – material e espiritual, lei natural da sintonia mental.


Em resposta a Kardec a respeito deste intercâmbio, os Espíritos da Verdade explicam que freqüentemente, as idéias "são sugeridas por outros Espíritos que os julgam capazes de as compreender e dignos de as transmitir. Quando eles não as encontram em si apelam à inspiração; é uma evocação que fazem sem suspeitarem."2

Na obra Vida de Mozart3, existe a transcrição de uma carta do músico austríaco, filho de artesãos, na qual ele próprio esclarece a questão de sua inspiração.

"Dizes que desejarias saber qual o meu modo de compor e que método sigo. Não te posso verdadeiramente dizer a esse respeito senão o que se segue, porque eu mesmo nada sei e não me posso explicar.

Quando estou em boas disposições e inteiramente só, durante o meu passeio, os pensamentos musicais me vêm com abundância. Ignoro donde procedem esses pensamentos e como me chegam; nisso não tem a minha vontade a menor intervenção."

Tanto talento e sintonia mental se converteram em uma vasta e variada produção artística, composta por 49 sinfonias, 23 óperas, 20 missas, 45 sonatas para piano e violino, 27 concertos para piano, 29 quartetos de cordas, 17 sonatas para piano, 66 árias e outras produções musicais.

Do "além-Terra", ainda possibilitou comunicação respondendo à entrevista, evocado por Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e, também, ditando um fragmento de sonata ao médium Bryon Dorgeval.

O intelectual, que nos presenteou com sublimidades melódicas, nasceu em 27 de janeiro de 1756, e há 217 anos, segundo ele mesmo informa nas respostas recebidas por um médium e enviadas a Kardec, partiu para o planeta "onde há melodia em toda parte: no murmúrio das águas, no ciciar das folhas, no canto do vento: as flores rumorejam e cantam; tudo produz sons melodiosos." "Aqui em Júpiter não temos instrumentos. São as plantas e os pássaros os coristas. Os pensamentos compõem e os ouvidos gozam sem audição material."


1- Allan Kardec, edição de maio de 1858.

2- Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, IDE, questão 462.

3- Holmes (completar)


Por que a música nos sensibiliza

Quem nunca ouviu dizer que "quem canta seus males espanta"? E quem nunca sentiu o coração acelerar com uma música especial?

O ritmo, a intensidade, o intervalo entre notas nos sincroniza com determinados instrumentos e músicas, influenciando batidas cardíacas e emoções.

A música é uma onda que vibra em determinada freqüência e faz vibrar não só o ar, mas tudo ao seu alcance. Tudo e todos possuem uma freqüência de vibração de acordo com densidade, composição, volume, forma e está em constante vibração, podendo entrar em ressonância com outros seres e objetos.

Antiga ferramenta transcendental, a música está muito ligada, ao longo da história, às religiões e às manifestações de busca pelo divino. Os egípcios, por exemplo, dominava o uso da ressonância como forma de acelerar moléculas e atingir outros níveis de consciência. Assim como a música, a espiritualidade também pode agir por vibrações.


Texto publicado na edição 420 (mar/abr de 2008)

Fonte: Correio Fraterno

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Escola de Atenas



A "Escola de Atenas", pintada em 1511, na sala della Segnatura (sala da assinatura) do Vaticano, não é apenas um monumento no campo das artes, é praticamente o resumo de toda a filosofia antiga, demonstrando que seu criador, Rafael, era exímio conhecedor das tradições filosóficas.


O Pintor

Raffaello Santi ou Sanzio, "O Príncipe dos Pintores" nasceu em Urbino a 6 de abril de 1483 e morreu em Roma a 6 de abril de 1520, aos 37 anos. Começou a pintar ainda menino, revelando grande sensibilidade espacial e delicadeza no traço. Em Perugia estudou com Perugino. Aperfeiçoou seu desenho adquirindo o domínio técnico que marca sua obra.
Chamado a Roma pelo papa Júlio II em 1508, incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil, trabalhando nas salas do Vaticano por 12 anos.


A obra: "Escola de Atenas"

 O afresco traz duas figuras especiais ao centro. O da esquerda apontando o dedo para cima é Platão, o da direita apontando com a mão para a natureza física é Aristóteles. Todo o grupo do lado de Platão representa as ideias transcendentais, os pensamentos sobre o mundo espiritual, a imortalidade da alma e a reencarnação. Os que estão ao lado de Aristóteles simbolizam as pesquisas no campo da natureza física, a ciência material.
Rafael pretendeu expressar o seguinte: "O supremo ideal filosófico está em uma síntese capaz de unificar a metafísica da transcendência, a filosofia da natureza e a teologia", em outras palavras: a união entre Ciência e Religião.

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Para saber mais, consulte:
1) Reale, Giovanni. História da Filosofia, vol. II, pág. 14-42--60-86, Ed. Paulus.
2) Enciclopédia Barsa 2000.
3) Enciclopédia Mirador.

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Fonte: Revista Fidelidade Espírita

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Perante a Arte

 

 

 Perante a Arte



“Colaborar na Cristianização da Arte, sempre que se lhe apresentar ocasião.
A Arte deve ser o Belo criando o Bem.

Repelir, sem crítica azeda, as expressões artísticas, torturadas que exaltem 
a animalidade ou a extravagância.

O trabalho artístico que trai a Natureza nega a si próprio.

Burilar incansavelmente as obras artísticas de qualquer gênero.

Melhoria buscada, perfeição entrevista.

Preferir as composições artísticas de feitura espírita integral, preservando-se 
a pureza doutrinária.

A arte enobrecida estende o poder do amor.

Examinar com antecedência as apresentações artísticas para as reuniões festivas 
 nos arraias espíritas, dosando-as e localizando-as segundo as condições 
das assembléias a que se destinem.

A apresentação artística é como o ensinamento: deve observar condições e lugar.

“E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações 
e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” – Paulo.

(Filipenses, 4:7)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Arte Espírita




"Sim, certamente, o Espiritismo abre à arte um campo novo,
imenso e ainda inexplorado;


e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção,
haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações [...]."



Allan Kardec  -  Obras Póstumas