Eternidade

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sábado, 8 de novembro de 2014

Experiências novas



Nunca desdenhes das provações e dos desafios que te surpreendem pelo caminho da evolução.
São eles os encarregados de facultar-te experiências novas mediante as quais adquirirá maior soma de conhecimentos e de iluminação.

As provas e expiações constituem valioso recurso da Vida para a reabilitação dos teus gravames cometidos ao longo da marcha ascensional. Muitas vezes se te apresentam como dores e solidão, amargura e dificuldade, mas que te ensejam avaliar a qualidade dos tesouros de que dispões e que a negligência ou a ignorância não te permitem identificar o valor real de que são portadores.

Todos os indivíduos possuidores de discernimento sabem do significado espiritual da existência terrestre, devendo cada um investir os melhores recursos, a fim de desenvolver as possibilidades na edificação de si mesmo. Para que os tentames sejam felizes, surgem os desafios, que se apresentam de maneira variada, ensejando a conquista de experiências enriquecedoras, antes que surjam os sofrimentos necessários para o despertamento da realidade.

As plantas enrijecem as fibras através dos ventos que as açoitam.

Os metais tornam-se mais resistentes graças às temperaturas elevadas.

As gemas preciosas adquirem brilho mediante a lapidação dilaceradora.

Assim também o caráter humano, que se aprimora cada vez mais, por meio dos sacrifícios e das lutas que são empreendidas, fortalecendo os sentimentos que se enobrecem, desenvolvendo as aspirações iluminativas que se encontram em germe.

Toda ascensão é realizada mediante os tributos de abnegação e de aflições que dizem respeito ao esforço aplicado durante o tentame.

Ninguém atinge as cumeadas sem passar pelos diferentes níveis que lhe dão acesso.

Por isso mesmo, a existência física é mais do que uma aventura, constituindo-se um aprendizado metódico e continuado que se realiza através da observância dos seus programas educativos.

Não cessam, desse modo, as oportunidades de crescimento interior e de aquisição de sabedoria.

Cada experiência nova, mesmo quando assinalada por sofrimentos, se devidamente considerada, transforma-se em conquista de alta magnitude.

O aguilhão da dor em muitos casos é o estímulo necessário para que o ser humano abandone o marasmo em que se demora, mudando de atitude perante os acontecimentos nos quais se encontra envolvido.

Nesse processo de evolução inevitável, é impossível a apatia que, na condição de reação psicológica resultante da rebeldia interior, deve ser vencida a qualquer preço.

Não te detenhas, pois, na contemplação dos territórios emocionais e culturais conquistados. Ainda dispões de muitas áreas que aguardam arroteamento, ensementação e cuidados.

Empreendida a batalha de auto-sublimação, todo ensejo é propício para o burilamento pessoal e o crescimento espiritual.

Movimentando-te entre pessoas que constituem o teu círculo familiar, social e humano, utiliza-te com sabedoria do ensejo e amplia os relacionamentos, auxiliando o organismo coletivo com as tuas palavras, os teus exemplos de amizade, de compaixão e de solidariedade. Há muito sofrimento escondido sob tecidos custosos e de aparência cuidada.

Nem todos têm coragem de assumir as próprias aflições e buscam disfarçá-las nos jogos da ilusão ou ocultá-las sob máscaras de prazer e agressividade.

Se souberes compreender o teu próximo e conceder-lhe as dádivas da compaixão e da amizade, ele se te acercará buscando apoio e esclarecimento, ajuda e forças para não desfalecer ou deter-se na rampa da alucinação que já o sitia.

Aquele que conquista a fé em Deus e compreende o significado existencial possui um tesouro de indiscutível qualidade.

O mundo encontra-se referto de indivíduos que se movimentam automaticamednte sem direção nem objetivo existencial.

Não se permitiram as experiências novas que os credenciassem à conquista de mais expressivos recursos de auto-iluminação.

Deixaram-se consumir pelo desencanto ou se permitiram desistir de tentativas desafiadoras.

A existência carnal tornou-se-lhes tediosa porque não alcançaram alguns dos objetivos que perseguiam e acreditavam ser essenciais à felicidade, sem que se dessem conta do sentido profundo da perda, que encerra ensinamento em torno dos legítimos valores. Não poucas vezes, aquilo que se apresenta como dádiva da vida pelo prazer que proporciona, após vivenciada a alegria, transforma-se em calvário de dor e desespero, à medida que se desveste da ilusão, apresentando a outra face, aquela que se encontra ignorada.

A cada instante, relacionamentos afetivos que se iniciaram sob juras de fidelidade e constância, transformam-se em labirintos escuros de sofrimento e de desar ou fogueiras abrasadoras de revolta e de crime.

Funções de destaque na sociedade, que exaltam o personalismo e a vaidade, subitamente se convertem em cárceres de dor e desastre moral.

Riquezas invejáveis que adornam o ser com projeção no mundo e ambições crescentes, escondem conflitos íntimos e medos não dimensionados que o aturdem continuamente.

No sentido oposto, situações difíceis e afligentes, passados os períodos iniciais de provas rudes e testemunhos necessários, transformam-se em harmonia e bem-estar, auxiliando na consolidação do equilíbrio e da alegria de viver durante todo o transcurso da existência física.

Resignação, portanto, ante às dores e decepções, não constitui submissão masoquista ou acomodação irresponsável, porém mecanismo de sabedoria para melhor enfrentar futuras ocorrências que se encontram programadas em todas as vidas.

A reencarnação tem finalidade superior. Não apenas oferece ensejo para reparação dos males que foram praticados, mas sobretudo para a conquista de novas experiências que se incorporarão ao patrimônio do Espírito para seguir Jesus por todo o sempre.

Quem se recusa a empreendimentos novos permanece na estagnação do já conquistado.

Sê tu que avança, confiante e responsável, aprendendo mais e produzindo melhor.

O Espírito é um conquistador do infinito. Não te bastem as realizações conseguidas, segue além.

Toma Jesus por Modelo e apoia-te nEle, seguindo a trilha que te deixou, convidando-te para alcançar o reino de Deus.

A existência na Terra é um contínuo convite ao aprimoramento moral e incessante proposta de desenvolvimento interior.



Pensamentos extraídos da mensagem Experiências Novas, recebida em Hoorn, Holanda, 15 de maio de 2001.

por Joanna de Ângelis e Divaldo P. Franco
Obra: Nascente de Bênçãos.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

As Provas e Expiações como mecanismos evolutivos



Um dos princípios da Doutrina Espírita é a reencarnação, entendida pelos orientadores espirituais como  necessária à evolução humana, pois  “uma só existência corpórea é claramente insuficiente para que o Espírito possa adquirir todo o bem que lhe falta e de desfazer de todo o mal que traz em si.”[1]

Para nos auxiliar no processo ascensional, Deus nos concede o livre arbítrio, uma vez que,  se o homem  “(…) tem liberdade de pensar, tem também a de agir. (…).”[2] Podemos, então, afirmar que o ser humano é o árbitro do seu destino e que cada escolha, independentemente das suas motivações ou justificativas, acionam a lei de causa e efeito em qualquer plano de vida que se situe: o físico ou o espiritual.

 O uso do livre arbítrio são ações que provocam reações, no tempo e no espaço. As boas escolhas produzem progresso evolutivo, enquanto as escolhas infelizes geram provações  ou  expiações que se configuram como mecanismos evolutivos, moduladores da lei de causa e efeito,  claramente consubstanciada no planejamento reencarnatório de cada indivíduo. Daí Emmanuel afirmar: “A lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos.”[3]

Para melhor compreensão do assunto, Emmanuel especifica também a diferença que há entre  prova (ou provação)  e  expiação: “A provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. A expiação é pena imposta ao malfeitor que comete um crime.”[4]

Percebe-se, portanto, que a prova assemelha-se a uma corrida de obstáculos que tem o poder de impulsionar o progresso humano. As provas sempre existirão, mesmo para Espíritos superiores,  por se tratarem de desafios evolutivos.   A expiação, contudo, representa uma contenção  temporária da liberdade individual, necessária à reeducação do Espírito que, melhor utilizando o livre arbítrio, reajusta-se  às determinações das leis divinas.

As provações podem ser difíceis, não resta dúvida,  mas,  por seu intermédio, o Espírito é colocado em situações que o afasta do estado de inércia em que ora permanece ou se compraz, proporcionando-lhe, ao mesmo tempo,  oportunidades para  que ele possa trabalhar a melhoria das suas atuais condições de vida.

Nas expiações, o Espírito vê-se colocado  prisioneiro das más ações cometidas, pelo uso indevido do livre arbítrio.  Para que não se prejudique mais, renasce sob processos de contenção que, obviamente, produzem sofrimentos, sobretudo se o ser espiritual ainda não consegue apreender o valor da dor como instrumento de educação e  cura espirituais.

Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec lança outras luzes a respeito do tema, quando explica que o arrependimento das faltas cometidas é o elemento chave para liberar o Espírito das provações dolorosas e das expiações. O Codificador, assim se expressa:

 Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza as dores da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa.(Grifos no original)[1]

 Nesses termos, a libertação do Espírito, ou reparação, indica ser a etapa final da expiação porque, perante os códigos divinos, não nos é suficiente expiar uma falta, é preciso anulá-la, definitivamente, da vida do Espírito imortal, pela prática do bem:

 A reparação consiste em fazer o bem a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros nesta vida por fraqueza ou má vontade, achar-se-á  numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes o seu devotamento, e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.[2]


Referências
  1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2009.
  2. __________. O Livro dos Espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2ª ed. 1ª reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2011.
  3. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28ª ed. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2008
[1] Allan Kardec. O Céu e o Inferno. Pt. 1, cap. III, it. 9, pág. 49.
[2] Idem. O Livro dos Espíritos. Q. 843, pág. 507.
[3] Francisco Cândido Xavier. O Consolador. Q. 245, pág. 201.
[4] Ibid., q. 24, pág. 201.
[5] Allan Kardec. O Céu e o Inferno. Pt. 1, cap. VII – Código penal da vida futura -, q.16ª, pág. 126.
[6] Ibid., q. 17ª, p. 12.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mundo de Provas e Expiações



As épocas de transição na Humanidade. (Sociedade Espírita de Paris, 19 de junho de 1863. - Médium, Sr. Alfred Didier.)
 

Os séculos de transição na história da Humanidade se assemelham a vastas planícies semeadas de monumentos misturados confusamente sem harmonia, e a harmonia mais pura, a mais justa, existe no detalhe e não no conjunto. 

Os séculos abandonados pela fé, pela esperança, são sombrias páginas em que a Humanidade, trabalhada pela dúvida, se mina surdamente nas civilizações aperfeiçoadas, para chegar a uma reação que, o mais freqüentemente, as levaria, para substituí-las por outras civilizações.

 
Os pesquisadores do pensamento, mais do que os sábios, aprofundam na nossa época, no ecletismo racional, esses misteriosos encadeamentos da história, essas trevas, essa uniformidade lançada como nevoeiros e nuvens espessas sobre civilizações há pouco tempo vivazes e férteis.

 
Estranho destino dos povos! É quase no nascimento do Cristianismo, é nas mais opulentas cidades, sedes dos maiores bispados do Oriente e do Ocidente, que os estragos da decadência começam; é no próprio meio da civilização, do esplendor inteligente das artes, das ciências, da literatura e dos ensinos sublimes do Cristo, que começa a confusão das idéias, as dissensões religiosas; é no próprio berço da Igreja romana, orgulhosa e soberba do sangue dos mártires, que a heresia, gerada pelos dogmas supersticiosos e as hierarquias eclesiásticas, se insinuam como uma serpente iminente para morder no coração a Humanidade e lhe infiltrar nas veias, no meio de desordens políticas e sociais, o mais terrível e o mais profundo de todos os flagelos: a dúvida.

 
Esta vez a queda é imensa, a apatia religiosa dos padres, unida aos fanáticos heresiarcas, tira toda a força à política, todo amor ao país, e a Igreja do Cristo se torna humana, mas não mais humanitária.

 
E inútil aqui, creio, apoiar sobre as relações assustadoras dessa época com a nossa; vivendo ao mesmo tempo com as tradições do Cristianismo e com a esperança do futuro, os mesmos abalos sacodem nossa velha civilização, as mesmas idéias são partilhadas, e a mesma dúvida atormenta a Humanidade, sinais precursores da renovação social e moral que se prepara. Ah! orai, Espíritas, vossa época atormentada e blasfematória e uma rude época, que os Espíritos vêm instruir e encorajar.

 
Ditado por LAMENNAIS.
Fonte: História do Espiritismo, Luciano Dudu