Eternidade

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sábado, 14 de janeiro de 2017

Educação e função dos médiuns


Nada verdadeiramente importante se adquire sem trabalho. Uma lenta e laboriosa iniciação se impõe aos que buscam os bens superiores. Como todas as coisas, a formação e o exercício da mediunidade encontram dificuldades, bastantes vezes já assinaladas; convém insistirmos nisso, a fim de prevenir os médiuns contra as falsas interpretações, contra as causas de erro e de desânimo.
Desde que, por um trabalho preparatório, as faculdades do médium adquirem certa flexibilidade, os resultados que se começam a obter são quase sempre devidos às relações estabelecidas com os elementos inferiores do mundo invisível.
Uma multidão de Espíritos nos cerca, sempre ávidos de se comunicarem com os homens. Essa multidão é sobretudo composta de almas pouco adiantadas, de Espíritos levianos, algumas vezes maus, que a densidade de seus próprios fluidos conserva presos à Terra. As inteligências elevadas, animadas de nobres aspirações, revestidas de fluidos sutis, não permanecem escravizadas à nossa atmosfera depois da separação carnal: remontam mais alto, a regiões que o seu grau de adiantamento lhes indica. Daí baixam muitas vezes - é certo - para velar pelos seres que lhes são caros; imiscuem-se conosco, mas unicamente para um fim útil e em casos importantes. Donde resulta que os principiantes quase nunca obtêm senão comunicações sem valor, respostas çhocarreiras, triviais, às vezes inconvenientes, que os impacientam e desanimam.
Noutros casos o médium inexperto recebe, pela mesinha ou pelo lápis, ditados subscritos por nomes célebres, contendo revelações apócrifas que lhe captam a confiança e o enchem de entusiasmo. O inspirador invisível, conhecendo-lhe os lados vulneráveis, lisonjeia-lhe o amor-próprio e as opiniões, superexcita-lhe a vaidade, cumulando-o de elogios e prometendo-lhe maravilhas. Pouco a pouco o vai desviando de qualquer outra influência, de todo exame esclarecido, e o leva a se insular em seus trabalhos. É o começo de uma obsessão, de um domínio exclusivista, que pode conduzir o médium a deploráveis resultados.
Esses perigos foram, desde os primórdios do Espiritismo, assinalados por Allan Kardec; todos os dias, estamos ainda vendo médiuns deixarem-se levar pelas sugestões de Espíritos embusteiros e serem vítimas de mistificações que os tornam ridículos e vêm a recair sobre a causa que eles julgam servir.
Muitas decepções e dissabores seriam evitados se compreendesse que a mediunidade percorre fases sucessivas, e que, no período inicial de desenvolvimento, o médium é sobretudo assistido por Espíritos de ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados de matéria, se adaptam melhor aos seus e são apropriados a esse trabalho de bosquejo, mais ou menos prolongado, a que toda faculdade está sujeita.
Só mais tarde, quando a faculdade mediúnica, suficientemente desenvolvida, adquiriu a necessária maleabilidade e se tornou dúctil o instrumento, é que os Espíritos elevados podem intervir e utilizá-la para um fim moral e intelectual.
O período de exercício, de trabalho preparatório, tão fértil muitas vezes em manifestações grosseiras e mistificações, é, pois, uma fase normal de desenvolvimento da mediunidade; é uma escola em que a nossa paciência e discernimento se exercitam, em que aprendemos a nos familiarizar com o modo de agir dos habitantes do Além.
Nessa fase de prova e de estudo elementar, deve sempre o médium estar de sobreaviso e nunca se afastar de uma prudente reserva. Cumpre-lhe evitar cuidadosamente as questões ociosas ou interesseiras, os gracejos, tudo, em suma, que reveste caráter frívolo e atrai os Espíritos levianos.
É preciso não se deixar esmorecer pela mediocridade dos primeiros resultados, pela abstenção e aparente indiferença dos nossos amigos do Espaço. Médiuns principiantes, ficai certos de que alguém vela por vós e de que a vossa perseverança é posta à prova. Quando houverdes chegado ao ponto requerido, influências mais altas baixarão a vós e hão de continuar a vossa educação psíquica.
Não procureis na mediunidade um objetivo de mera curiosidade ou de simples diversão; considerai-a de preferência um dom do Céu, uma coisa sagrada, que deveis utilizar com respeito, para o bem de vossos semelhantes. Elevai o pensamento às almas generosas que trabalham no progresso da Humanidade; elas virão a vós e vos hão de amparar e proteger. Graças a elas, as dificuldades do começo, as inevitáveis decepções que experimentareis não terão desagradáveis consequências; servirão para vos esclarecer a razão e vos desenvolver as forças fluídicas.
A boa mediunidade se forma lentamente, no estudo calmo, silencioso, recolhido, longe dos prazeres mundanos e do tumulto das paixões. Depois de um período de preparação e expectativa, o médium colhe o fruto de seus perseverantes esforços; recebe dos Espíritos elevados a consagração de suas faculdades, amadurecidas no santuário de sua alma, ao abrigo das sugestões do orgulho. Se guarda em seu coração a pureza de ato e de intenção, virá, com a assistência de seus guias, a se tornar cooperador utilíssimo na obra de regeneração que eles vêm realizando.

*

Terminada a primeira fase de desenvolvimento de suas faculdades, o importante para o médium é obter a proteção de um Espírito bom, adiantado, que o guie, inspire e preserve de qualquer perigo.
Na maior parte das vezes é um parente, um amigo desaparecido que desempenha ao pé dele essas funções. Um pai, uma mãe, uma esposa, um filho; se adquiriram a experiência e o adiantamento necessários, podem-nos dirigir no delicado exercício da mediunidade. Mas o seu poder é proporcional ao grau de elevação a que chegaram, e nem sempre a sua ternura e solicitude bastam para nos defender das investidas dos Espíritos inferiores.
Dignos de louvor são os médiuns que, por seu desinteresse e fé profunda, têm sabido atrair, como uma espécie de aliados, os Espíritos de escol, e participar de sua missão. Para fazer baixar das excelsas regiões esses Espíritos, para os decidir a mergulhar em nossa espessa atmosfera, é preciso oferecer-lhes aptidões, notáveis qualidades.
Seu ardente desejo de trabalhar na regeneração do gênero humano torna, entretanto, essa intervenção muito menos rara do que se poderia imaginar. Centenas de Espíritos superiores pairam acima de nós e dirigem o movimento espiritualista, inspirando os médiuns, projetando sobre os homens de ação as vibrações de sua vontade, a fulguração do seu próprio gênio.
Conheço vários grupos que possuem uma assistência dessa ordem. Pela pena, pelos lábios dos médiuns, os Espíritos-guia ditam instruções, fazem ouvir exortações; e não obstante as imperfeições do meio e as obscuridades que lhes amortecem e velam as irradiações do pensamento, é sempre um penetrante enlevo, um gozo da alma, um gratíssimo conforto saborear a beleza de seus pensamentos escritos, escutar as inflexões de sua palavra, que nos vem como longínquo e mavioso eco das regiões celestes.
A descida ao nosso mundo terrestre é um ato de abnegação e um motivo de sofrimento para o Espírito elevado. Nunca seriam demasiados a nossa admiração e reconhecimento à generosidade dessas almas, que não recuam diante do contacto dos fluidos grosseiros, à semelhança dessas nobres damas, delicadas, sensitivas, que, ao impulso da caridade, penetram em lugares repugnantes, para levar socorros e consolações.
Quantas vezes, em sessões de estudo, temos ouvido dizerem os nossos guias: "Quando, do seio dos Espaços, vimos até vós, tudo se restringe, se amesquinha e se vai pouco a pouco retraindo. Lá, nas alturas, possuímos meios de ação que nem podeis compreender, esses meios se enfraquecem logo que entramos em relação com o ambiente humano."
Tanto que um desses grandes Espíritos baixa ao nosso nível e se demora em nossas obscuras regiões, logo o invade uma impressão de tristeza; ele sente como que uma depressão, uma diminuição de seus poderes e percepções. Só por um constante exercício da vontade, com o auxílio das forças magnéticas hauridas no Espaço, é que se habitua ao nosso mundo e nele cumpre as missões de que é encarregado.
Porque, na obra providencial, tudo se acha regulado para o ensino gradual e o progresso da Humanidade. Os Espíritos missionários e instrutores vêm revelar, por meio das faculdades mediúnicas, as verdades que o nosso grau de evolução nos permite apreender e compreender. Desenvolvem, na esfera humana, as elevadas e puras concepções da divindade e nos vão, passo a passo, conduzindo a uma compreensão mais vasta do objetivo da existência e dos humanos destinos. Não se deve esperar de tais Espíritos as provas banais, os testemunhos de identidade que tantos experimentadores exigem; mas de nossos colóquios com eles se exala uma impressão de grandeza, de elevação moral, uma irradiação de pureza, de caridade, que sobre excederá todas as provas materiais e constituirá a melhor das demonstrações morais.
Os Espíritos superiores lêem o que em nosso íntimo se passa, conhecem as nossas intenções e dão muito pouco apreço às nossas fantasias e caprichos. Para atender aos nossos chamados e prestar-nos assistência, exigem de nossa parte uma vontade firme e perseverante, uma fé elevada, um veemente desejo de nos tornarmos úteis. Reunidas essas condiçõeos, aproximam-se de nós; começa então, muitas vezes sem o sabermos, um demorado trabalho de adaptação dos seus fluidos aos nossos. São as preliminares forças de toda relação consciente. À medida que se estabelece a harmonia das vibrações, a comunicação se acentua sob formas apropriadas às aptidões do sensitivo; audição, visão, escrita, incorporação.
Os Espíritos superiores, indiferentes às satisfações de opiniões materiais e interesseiras, comprazem-se ao pé dos homens que procuram no estudo um meio de aperfeiçoamento. A pureza de nossos sentimentos lhe facilita a ação e aumenta a influência.
Outros Espíritos de menor categoria, por um impulso de dedicação, ligam-se a nós e nos acompanham até ao termo de nossa peregrinação terrestre. São os gênios familiares ou Espíritos protetores. Cada pessoa tem o seu. Eles nos guiam, em meio das provações, com uma paciência e uma bondade admiráveis, sem jamais se cansarem. Os médiuns devem recorrer à proteção desses amigos invisíveis, quase sempre membros adiantados de nossa família espiritual, com quem outrora vivemos neste mundo. Aceitaram a missão, tantas vezes ingrata, de velar por nós; através de nossas alegrias e aflições, de nossas quedas e reabilitações, nos encaminham para uma vida melhor, em que nos acharemos de novo reunidos para uma mesma tarefa, identificados em um mesmo amor.

*

Em todo o ser humano existem rudimentos de mediunidade, faculdades em gérmen, que se podem desenvolver pelo exercício. Para o maior número, um longo trabalho perseverante é necessário. Em alguns, essas faculdades se revelam desde a infância, e sem esforço vêm a atingir, com os anos, um alto grau de perfeição. Representam, em tal caso, o resultado das aquisições anteriores, o fruto dos labores efetuados na Terra ou no Espaço, fruto que conosco, ao renascer, trazemos.
Entre os sensitivos, muitos têm a intuição de um mundo superior, extraterrestre, em que existem, como em reserva, poderes que lhes é possível adquirir mediante íntima comunhão e elevadas aspirações, para em seguida os manifestarem sob diversas formas, apropriadas à sua natureza: adivinhação, ensinamentos, ação curativa, etc.
Aplicada em tal sentido, a mediunidade torna-se uma faculdade preciosa, por meio da qual podem ser liberalizados imensos benefícios e realizadas grandes obras.
À Humanidade seria facultado um poderoso elemento de renovação, se todos compreendessem que há, acima de nós, um inesgotável manancial de energia, de vida espiritual, que se pode atingir por gradativo adestramento, por constante orientação do pensamento e da vontade no sentido de assimilar as suas ondas e radiações, e com o seu auxílio desenvolver as faculdades que em nós jazem latentes.
A aquisição dessas forças nos bloqueia contra o mal, nos coloca acima dos conflitos materiais e nos torna mais firmes no cumprimento do dever. Nenhum dentre os bens terrenos é comparável à posse desses dons. Sublimados a seu mais alto grau, fazem os grandes missionários, os renovadores, os grandes inspirados.
Como podemos adquirir esses poderes, essas faculdades superiores? Descerrando nossa alma, pela vontade e pela prece, às influências do Alto. Do mesmo modo que abrimos as portas da nossa casa, para que nela penetrem os raios do Sol, assim também por nossos impulsos e aspirações podemos franquear aos eflúvios celestes o nosso ego interior.
É aí que se manifesta a ação benéfica e salutar da prece. Pela prece humilde, breve, fervorosa, a alma se dilata e dá acesso às irradiações do divino foco. A prece, para ser eficaz, não deve ser uma recitação banal, uma fórmula decorada, senão antes uma solicitação do coração, um ato da vontade, que atrai o fluido universal, as vibrações do dinamismo divino. Ou deve ainda a alma projetar-se, exteriorizar-se por um vigoroso surto e, consoante o impulso adquirido, entrar em comunicação com os mundos etéreos.
Assim, a prece rasga uma vereda fluídica pela qual sobem as almas humanas e baixam as almas superiores, de tal modo que uma íntima comunhão se estabeleça entre umas e outras, e o espírito do homem seja iluminado e fortalecido pelas centelhas e energias despedidas das celestiais esferas.

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Em Espiritismo, a questão de educação e adestramento dos médiuns é capital; os bons médiuns são raros - diz-se muitas vezes - e a ciência do invisível, privada de meios de ação, só com muita lentidão vem a progredir.
Quantas faculdades preciosas, todavia, não se perdem, à míngua de atenção e de cultura! Quantas mediunidades malbaratadas em frívolas experiências, ou que, utilizadas ao sabor do capricho, não atraem mais que perniciosas influências e só maus frutos produzem! Quantos médiuns inconscientes de seu ministério e do valor do dom que lhes é outorgado, deixam inutilizadas forças capazes de contribuir para a obra de renovação!
A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem fazê-la produzir frutos prematuros, e desde logo ela se estiola e fana ao contato dos Espíritos atrasados.
Na antiguidade, os jovens sensitivos que revelavam aptidões especiais eram retirados do mundo, segregados de toda influência degradante, em lugares consagrados ao culto, rodeados de tudo o que lhes pudesse elevar o sentido do belo. Tais eram as vestais, as druidesas, as sibilas, etc. O mesmo acontecia nas escolas de profetas e videntes da Judéia, situadas longe do ruído das cidades. No silêncio do deserto, na paz dos alterosos cimos, melhor podiam os iniciados atrair as influências superiores e interrogar o invisível. Graças a essa educação, obtinham-se resultados que a nós nos surpreendem.
Tais processos são hoje inaplicados. As exigências sociais nem sempre permitem ao médium dedicar-se, como conviria, ao cultivo de suas faculdades. Sua atenção é distraída pelas mil necessidades da vida de família, suas aspirações estorvadas pelo contato da sociedade mais ou menos corrompida ou frívola.
Muitas vezes é ele chamado a exercer suas aptidões em círculos impregnados de fluidos impuros, de inarmônicas vibrações, que reagem sobre o seu organismo tão impressionável e lhe produzem desordens e perturbações.
É preciso que, ao menos, o médium, compenetrado da utilidade e grandeza de sua função, se aplique a aumentar seus conhecimentos e procure espiritualizar-se o mais possível, que se reserve horas de recolhimento e tente então, pela visão interior, alçar-se até às coisas divinas, à eterna e perfeita beleza. Quanto mais desenvolvidos forem nele o saber, a inteligência, a moralidade, mais apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do Espaço. Uma organização prática do Espiritismo comportará, no futuro, a criação de asilos especiais, onde os médiuns encontrarão reunidas, com os meios materiais de existência, as satisfações do coração e do espírito, as inspirações da Arte e da Natureza, tudo o que às suas faculdades pode imprimir um caráter de pureza e elevação, fazendo em torno deles reinar uma atmosfera de paz e confiança.
Em tais meios, poderiam os estudos experimentais produzir muito melhores resultados que os que até agora se têm muitas vezes obtido em condições defeituosas. A intrusão dos Espíritos levianos, as tendências à fraude, os pensamentos egoísticos e os malévolos sentimentos se atenuariam pouco a pouco e terminariam por desaparecer. A mediunidade se tornaria mais regular, mais segura em suas aplicações. Não mais se havia de, com tanta frequência, observar esse mal-estar que experimenta o sensitivo, nem ocorreriam esses períodos de suspensão das faculdades psíquicas, culminando mesmo em seu completo desaparecimento em seguida ao mau uso delas feito.
Os espiritualistas de além-mar cogitam de fundar, em muitos dos grandes centros americanos, "homens" ou edifícios dotados de certo número de salas apropriadas aos diferentes gêneros de manifestações e munidas de aparelhos de experimentação e fiscalização. Cada sala, vindo, com o uso, a impregnar-se do magnetismo particular que convém a tais experiências, seria destinada a uma ordem especial de fenômenos: materializações, incorporações, escrita, tiptologia, etc. Um órgão, colocado no centro do edifício, propagaria a todas as suas partes, nas horas de sessão, enérgicas vibrações, a fim de estabelecer nos fluidos circulantes e no pensamento dos assistentes a unidade e harmonia tão necessárias. A música exerce, com efeito, uma soberana influência nas manifestações, facilitando-as e tornando-as mais intensas, como inúmeros experimentadores o têm reconhecido.
Merecem inteira aprovação esses projetos e devemos fazer votos pela sua realização em todos os países, porque viriam, por sua natureza, uma vez realizados, a dar vigoroso impulso aos estudos psíquicos e facilitar em larga escala essa comunhão dos vivos e dos mortos, mediante a qual se afirmam tantas verdades de valor incalculável, capazes de, em sua propagação pelo mundo, renovar a Fé e a Ciência.

*

O importante para o médium, dissemos mais acima, é assegurar-se uma proteção eficaz. O auxílio do Alto é sempre proporcionado para o fim a que nos propomos, aos esforços que empregamos para o merecer. Somos auxiliados, amparados, conforme a importância das missões que nos incumbem, tendo-se em vista o interesse geral. Essas missões são acompanhadas de provas, de dificuldades inevitáveis, mas sempre reguladas conforme as nossas forças e aptidões.
Desempenhadas com dedicação, com abnegação, as nossas tarefas nos elevam na hierarquia das almas. Negligenciadas, esquecidas, não realizadas, nos fazem retrotrair a escala de progresso. Todas acarretam responsabilidades. Desde o pai de família que incute em seus filhinhos as noções elementares do bem, o preceptor da mocidade, o escritor moralista, até o orador que procura arrebatar as multidões às culminâncias do pensamento, cada um tem sua missão a preencher.
Não há mais nobre, mais elevado cargo que ser chamado a propagar, sob a inspiração das potências invisíveis, a verdade pelo mundo, a fazer ouvir aos homens o atenuado eco dos divinos convites, incitando-os à luz e à perfeição. Tal é o papel da alta mediunidade.
Falamos de responsabilidade. É necessário insistir sobre esse ponto. Muitos médiuns procuram, no exercício de suas faculdades, satisfações de amor-próprio ou de interesse. Descuram de fazer intervir em sua obra esse sentimento grave, refletido, quase religioso, que é uma das condições de êxito. Esquecem muitas vezes que a mediunidade é um dos meios de ação pelos quais se executa o plano divino, e que ele não tem o direito de utilizá-la ao sabor de sua fantasia.
Enquanto se não tiverem compenetrado os médiuns da importância de sua função e da extensão de seus deveres, haverá no exercício de suas faculdades uma fonte de abusos e de males. Os dons psíquicos, desviados de seu eminente objetivo, utilizados para fins de interesses medíocres, pessoais e fúteis, revertem contra os seus possuidores, atraindo-lhes, em lugar dos gênios tutelares, as potências malfazejas do Além.
Fora das condições de elevação de pensamento, de moralidade e desinteresse, pode a mediunidade constituir-se um perigo; ao passo que tendo por fim firme propósito no bem, por suas aspirações ao ideal divino, o médium se impregna de fluidos purificados; uma atmosfera protetora se forma em torno dele, o envolve, o preserva dos erros e das ciladas do invisível.
E se, por sua fé e comprovado zelo, pela pureza da alma em que nenhum cálculo interesseiro se insinue, obtém ele a assistência de um desses Espíritos de luz, depositários dos segredos do Espaço, que pairam acima de nós e projetam sobre a nossa fraqueza as suas irradiações; se esse Espírito se constitui seu protetor, seu guia, seu amigo, graças a ele sentirá o médium uma força desconhecida penetrar-lhe todo o ser, uma chama lhe iluminar a fronte. Todos quantos tomarem parte em seus trabalhos e colherem os seus resultados sentirão reanimar-se-lhes o coração e a inteligência às fulgurações dessa alma superior; um sopro de vida lhes transportará o pensamento às regiões sublimes do Infinito.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Médiuns de toda parte



Os médiuns são intérpretes dos espíritos.

Representam para eles os órgãos materiais que lhes transmitem as instruções.

Daí serem dotados de faculdades para esse efeito.

Nos tempos modernos de renovação social, cabe-lhes missão especialíssima: são árvores destinadas a fornecer alimento espiritual a seus irmãos.

Multiplicam-se em número para que haja alimento farto.

Existem, por toda parte, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que, em nenhum ponto faltem, para que todos os homens se reconheçam chamados à verdade.


Se, porém, desviam do objetivo providencial a preciosa faculdade que lhes foi concedida; se a empregam em cousas fúteis ou prejudiciais; se a colocam em serviço dos interesses mundanos; se, ao invés de frutos sazonados dão maus frutos; se, se recusam a utilizá-la em, benefício dos outros; ou se nenhum proveito tiram dela, no sentido de se aperfeiçoarem, são comparáveis à figueira estéril.

Estas considerações tão ricas de oportunidade, à frente da extensão constante das tarefas espíritas na atualidade, não são nossas.

São conceitos textuais de Allan Kardec, no item 10, do capítulo 19 de “0 Evangelho, Segundo o Espiritismo”, escritos há quase um século.

Os médiuns são legiões.

Funcionam aos milhares, em todos os pontos do globo terrestre.
Seja na administração ou na colaboração, na beneficência ou no estudo, na tribuna ou na pena, no consolo ou na cura, no trabalho informativo ou na operação de fenômenos, todos são convocados a servir com sinceridade e desinteresse, na construção do bem, com base no burilamento de si próprios.

Acima de todos, representando a escola sábia e imaculada, que não pode responsabilizar-se pelos erros ou defecções dos alunos, brilha a Doutrina Espírita, na condição de Evangelho Redivivo, traçando orientação clara e segura.

Fácil concluir, desse modo, que situar a mediunidade na formação do bem de todos ou gastar-lhe os talentos em movimentações infelizes é escolha de cada um.




Emmanuel
Do livro da Esperança
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A Educação Mediúnica e a Evangelização do Médium




1. Que fatores influenciam a prática da mediunidade?
2. Há um fato praticamente geral que ocorre no processo de formação e iniciação dos médiuns. Qual é esse fato?

3. Que é que o instrutor Alexandre recomenda aos médiuns que aspiram ao desenvolvimento superior e ao intercâmbio com os sábios desencarnados?

4. É certo dizer que a mediunidade em si mesma é neutra?

5. Qual é, no dizer de Emmanuel, a primeira necessidade do médium?


 

Texto para leitura

 

A educação mediúnica é fruto de uma lenta e laboriosa iniciação
 

1. A prática mediúnica, além de subordinada a leis que regem o relacionamento e o comportamento dos seres que habitam este e o outro mundo, envolve uma série de fatores inerentes à personalidade do médium, do Espírito comunicante e dos demais participantes da sessão mediúnica. É por isso que tudo o que diga respeito ao mundo físico, ao mundo espiritual e ao mundo íntimo dos participantes de uma sessão exerce influência na atividade mediúnica.

2. Faz-se necessário, por isso, não apenas compreender o fenômeno mediúnico, mas promover a educação do aprendiz da mediunidade, o qual, admitido a construções de ordem superior, é convidado ao discernimento e à disciplina, para que se lhe aclarem e aprimorem as faculdades. Para tanto, é indispensável que ele se esclareça nos princípios salutares e libertadores da Doutrina Espírita.

3. Médiuns para a produção de fenômenos surgem de toda a parte e de todas as posições. Médiuns para edificação do aprimoramento e da felicidade entre as criaturas são apenas aqueles que se fazem autênticos servidores da Humanidade.

4. Nada de importante, como sabemos, se adquire sem trabalho. Uma lenta e laboriosa iniciação impõe-se aos que buscam os bens superiores. Um fato, porém, que todos devem ter presente é que a formação e o exercício da mediunidade encontrarão sempre dificuldades, o que não é difícil de entender, visto que uma multidão de Espíritos pouco adiantados nos cerca, ávidos de se comunicarem com os homens, o que explica a sucessão de comunicações mediúnicas sem valor, triviais e às vezes inconvenientes, que impacientem e desanimam os principiantes.

 

Mediunidade não é disposição da carne transitória, mas expressão do Espírito
 

5. Decepções e dissabores inúmeros seriam evitados se compreendêssemos que a mediunidade percorre fases sucessivas e que, no período inicial do seu desenvolvimento, é o médium envolvido sobretudo por Espíritos de ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados da matéria terrestre, se adaptam melhor aos fluidos do medianeiro encarnado.

6. Só mais tarde, quando a faculdade mediúnica se encontra suficientemente desenvolvida, é que os Espíritos elevados podem intervir e utilizá-la para um fim mais nobre. Obviamente, não se deve concluir que todos os médiuns, no início do seu trabalho, transmitam obrigatoriamente mensagens de Espíritos inferiores. Essa constitui, segundo Léon Denis, a regra, mas evidentemente existem as exceções.

7. O fato sugere que, paralelamente ao estudo do Espiritismo, deve o médium empenhar-se para que ocorra a sua reforma moral e se esforce pela vivência dos ensinamentos evangélicos. Esse é o sentido das seguintes palavras ditas pelo instrutor Alexandre, conforme podemos ler no cap. 9, p. 103, do livro “Missionários da Luz”, de André Luiz: “Mediunidade não é disposição da carne transitória e sim expressão do Espírito imortal”. “Se aspirais ao desenvolvimento superior, abandonai os planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios, crescei no conhecimento, valorizai as experiências, intensificai as luzes do raciocínio! Se aguardais a companhia sublime dos santos, santificai-vos na luta de cada dia, porque as entidades angélicas não se mantêm insuladas nos júbilos celestes e trabalham também pelo aperfeiçoamento do mundo, esperando a vossa angelização! Se desejais a presença dos bons, tornai-vos bondosos por vossa vez!”

8. Esclarecem os instrutores espirituais que a perseverança no compromisso assumido e o recolhimento íntimo, com desapego natural das paixões inferiores e dos artifícios secundários da vida social, produzem uma liberação das matrizes dos registros psíquicos, aos quais se adaptam as tomadas mentais dos Benfeitores espirituais, estabelecendo-se com isso um seguro intercâmbio.

 

A mediunidade é coisa santa e deve ser praticada santamente

9. Como a mediunidade em si mesma é neutra e reflete o nível moral de quem a pratica, é justo concluir que a atividade mediúnica exercida pelo espírita deve refletir a moral espírita. E sendo a moral espírita a expressão do Evangelho, a prática mediúnica espírita deve ser a vivência plena e consciente dos ensinamentos cristãos. O candidato ao mediunato espírita deve ter, portanto, entre os seus primeiros deveres, o estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita.

10. Adverte Emmanuel, na questão 387 do seu livro “O Consolador”, que a primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, porque, se não o fizer, poderá esbarrar com o fantasma do personalismo em detrimento de sua missão. A mediunidade colocada a serviço de Jesus torna o medianeiro dócil e submisso ao trabalho superior.

11. Quem deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, fazer o que for preciso para granjear a benevolência dos bons Espíritos, ou seja, cultivar as virtudes que os atraem, tais como a humildade, o devotamento, a abnegação e o mais absoluto desinteresse moral e material.

12. O médium precisa evangelizar-se para tornar-se instrumento de melhoria espiritual que beneficiará não apenas a si mesmo, mas também todos os que se encontrem à sua volta. A mediunidade – ensina o Codificador do Espiritismo – é coisa santa e deve ser praticada santamente, o que significa exercitá-la com assiduidade, pontualidade e fidelidade a Jesus e a Kardec.



Respostas às questões propostas
 


1. Que fatores influenciam a prática da mediunidade?
R.: Esses fatores estão ligados à personalidade do médium, do Espírito comunicante e dos demais participantes da sessão mediúnica. Eis por que tudo o que diga respeito ao mundo físico, ao mundo espiritual e ao mundo íntimo dos participantes de uma sessão exerce influência na atividade mediúnica.

 

2. Há um fato praticamente geral que ocorre no processo de formação e iniciação dos médiuns. Qual é esse fato?
R.: O fato, que todos devem ter presente, é que a formação e o exercício da mediunidade encontrarão sempre dificuldades, o que não é difícil de entender, visto que uma multidão de Espíritos pouco adiantados nos cerca, ávidos de se comunicarem com os homens, o que explica a sucessão de comunicações mediúnicas sem valor, triviais e às vezes inconvenientes, que impacientem e desanimam os principiantes.


 

3. Que é que o instrutor Alexandre recomenda aos médiuns que aspiram ao desenvolvimento superior e ao intercâmbio com os sábios desencarnados?
R.: A recomendação do instrutor é clara e objetiva: “Se aspirais ao desenvolvimento superior, abandonai os planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios, crescei no conhecimento, valorizai as experiências, intensificai as luzes do raciocínio! Se aguardais a companhia sublime dos santos, santificai-vos na luta de cada dia, porque as entidades angélicas não se mantêm insuladas nos júbilos celestes e trabalham também pelo aperfeiçoamento do mundo, esperando a vossa angelização! Se desejais a presença dos bons, tornai-vos bondosos por vossa vez!”


 

4. É certo dizer que a mediunidade em si mesma é neutra? 
R.: Sim.

 

5. Qual é, no dizer de Emmanuel, a primeira necessidade do médium?
R.: Diz Emmanuel que a primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, porque, se não o fizer, poderá esbarrar com o fantasma do personalismo em detrimento de sua missão.


Bibliografia:


  • O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo XXVI, itens 8 a 10.
  • No Invisível, de Léon Denis, pp. 60 e 61.
  • O Consolador, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, questões 387 e 392.
  • Missionários da Luz, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, cap. 9.
  • Estude e Viva, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, p. 211.
  • Mediunidade e Evolução, de Martins Peralva, p. 17.
  • Terapêutica de Emergência, por Espíritos diversos, psicografado por Divaldo P. Franco, pp. 50 e 51.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Características do Médium



Não é o médium que nasce da mediunidade, mas, sim, o contrário. A faculdade mediúnica procede do médium, coo o fruto procede da árvore que o produziu.

Médium e mediunidade necessitam, pois, trabalhar de maneira ajustada. Se os espíritos distorcerem as faculdades do medianeiro, elas se manifestarão de forma anômala, fugindo às características com que devem operar com proveito; se o médium abdicar de seu perfil psicológico para adotar um que lhe seja estranho, copiando atitudes e, sobretudo, incorporando ideias e palavras que não lhe são habituais à maneira de expressar-se, a mediunidade se lhe comparará à imagem distorcida de um espelho...

Em mediunidade, convem que se observe especialmente a questão do regionalismo... Quanto mais abrangente em seu raio de ação, mais universais as caracteristicas da mediunidade. Por exemplo, o que Jesus falou na Galiléia soa inequívoco em todos os idiomas; a sua é uma palavra perfeitamente assimilável por todos os povos, em todas as épocas... A Codificação Espírita, traduzida hoje para diversas nações, veicula a verdade como se, em um novo fenômeno de Pentecostes, possibilitasse a cada nação recebe-la em sua própria língua...

O médium, na medida do possível, deve ter a preocupação de universalizar as suas faculdades, tornando-as acessíveis a todo e qualquer entendimento. Em mediunidade, o elitismo do pensamento necessita ser combatido com determinação. A forma com que a mediunidade se expressa, pode torná-la ao alcance de apenas um pequeno número de pessoas, limitando a sua benéfica influência espiritual. E o que se deseja não é isto (...)

No médium, mediunidde deve ser uma espécie de lago que, aos poucos, vai aumentando as suas margens e, conseqüentemente, crescendo em profundidade. O medianeiro que sempre tiver esta preocupação consigo possibilitará que a espiritualidade realize excelente trabalho por seu intermédio.

Regionalizar a mediunidade, significa limitá-la, fugir às características naturais com que ela se apresente ao médium, forçando-a por um caminho que não é o seu. O mundo do médium disposto a cooperar com Jesus, na obra de espiritualização das criaturas, não pode ter fronteiras estabelecidas pelo egoísmo. Quanto mais aberto o espírito do medianeiro, maior a abertura do leque de suas possibilidades mediúnicas.

Portanto, conservando as suas características, que o sensitivo se universalize. Se o médium cresce com a mediunidade, a mediunidade cresce com o médium. Se o médium não cresce, mesmo tendo nascido grande, a mediunidade se apequena!...



por Odilon Fernandes
psicografia: Carlos A. Baccelli
Livro: Conversando com os Médiuns


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Médiuns Irresponsáveis



Associou-se indevidamente à pessoa portadora de mediunidade ostensiva à qualidade de Espírito elevado.


O desconhecimento do Espiritismo ou a informação superficial sobre a sua estrutura deu lugar a pessoas insensatas considerarem que, o fato de alguém ser possuidor de amplas faculdades medianímicas, caracteriza-se como um ser privilegiado, digno de encômios e projeção, ao mesmo tempo possuidor de um caráter diamantino, merecendo relevante consideração e destaque social.

Enganam-se aqueles que assim procedem, e agem perigosamente, porquanto, a mediunidade é faculdade orgânica, de que quase todos os indivíduos são portadores, variando de intensidade e de recursos que facultem o intercâmbio com os Espíritos, encarnados ou não.


Neutra, do ponto de vista moral, em si mesma, a mediunidade apresenta-se como oportunidade de serviço edificante, que enseja ao seu portador os meios de auto-iluminar-se, de crescer moral e intelectualmente, de ampliar os dons espirituais, sobretudo, preparando-se para enfrentar a consciência após a desencarnação.


Às vezes, Espíritos broncos e rudes apresentam admiráveis possibilidades mediúnicas, que não sabem ou não querem aproveitar devidamente, enquanto outros que se dedicam ao Bem, que estudam as técnicas da educação das faculdades psíquicas, não conseguem mais do que simples manifestações, fragmentárias, irregulares, quase decepcionantes.


Não se devem entristecer aqueles que gostariam de cooperar com a mediunidade ostensiva, porquanto a seara do amor possui campo livre para todos os tipos de serviço que se possa imaginar. Ser médium da vida, ajudando, no lar e fora dele, exercitando as virtudes conhecidas, constitui forma elevada de contribuir para o progresso e desenvolvimento da Humanidade.


Através da palavra, oral e escrita, quantos socorros podem ser dispensados, educando-se as criaturas, orientando-as, levando-as à edificação pessoal, na condição de médium do esclarecimento?!

Contribuindo, nas atividades espirituais da Casa Espírita, pela oração e concentração durante as reuniões especializadas de doutrinação, qualquer um se torna médium de apoio.

Da mesma forma, através da aplicação dos passes, da fluidificação da água, brindando a bioenérgia, logra-se a posição de médium da saúde.

Na visita aos enfermos, mantendo diálogos confortadores, ouvindo-os com paciência e interesse, amplia-se o campo da mediunidade de esperança.

Mediante o dialogo com os aturdidos e perversos, de um ou do outro plano da vida, exerce-se a mediunidade fraternal da iluminação de consciência. Neste mister, aguça-se a percepção espiritual e desenvolvem-se os pródromos das faculdades adormecidas, que se irão tornando mais lúcidas, a fim de serem usadas dignamente em futuros cometimentos das próximas reencarnações.

Ser médium é tornar-se instrumento; e, de alguma forma, como todos nos encontramos entre dois pontos distantes, eis-nos incursos na posição de intermediários. Ter facilidade, porém, para sentir os Espíritos é compromisso que vai além da simples aptidão de contatá-los. Desse modo, à semelhança da inteligência que se pode apresentar em indivíduos de péssimo caráter, que a usam egoística, perversamente, ou como a memória, que brota em criaturas desprovidas de lucidez intelectual, e perde-se, pela falta de uso, também a mediunidade não é sintoma de evolução espiritual.

Allan Kardec, que veio em nobre missão, Espírito evoluído que é, viveu sem apresentar qualquer faculdade mediúnica ostensiva, enquanto outros indivíduos do seu tempo, que exerceram a faculdade medianímica, por inferioridade moral, venderam os seus serviços, enxovalharam-na, criaram graves empecilhos à divulgação da Doutrina Espírita que, indevidamente, foi confundida com os maus exemplos desses médiuns inescrupulosos e irresponsáveis.

Certamente, o médium ostensivo, aquele que facilmente se comunica com os Espíritos, quando é dotado de sentimentos nobres e possui elevação, torna-se missionário do Bem nas tarefas a que vai convocado, ampliando os horizontes do pensamento para a imortalidade, para a vitória do ser libertado de todas as paixões primitivas.

Normalmente, e as exceções são subentendidas, os portadores de mediunidade ostensivas, porque se encontram em provações reparadoras, falham no desiderato, após o deslumbramento que provocam e a auto-fascinação a que se entregam por invigilância e presunção. Toda e qualquer expressão de mediunidade exige disciplina, educação, correspondente conduta moral e social do seu portador, a fim de facultar-lhe a sintonia com Espíritos Superiores, embora o convívio com os infelizes, que lhe cumpre socorrer.

O médium irresponsável, porém, não é apenas aquele que, ignorando os recursos de que se encontra investido, gera embaraços e perturbações, tombando nas malhas da própria pusilanimidade, mas também, aqueloutros que, esclarecidos da gravidade do compromisso, se permitem deslizes morais, veleidades típicas do caráter doentio, terminando vitimados pelas obsessões cruéis.

Todo aquele, portanto, que deseje entregar-se ao Bem, na seara dos médiuns, conscientize-se da responsabilidade que lhe diz respeito, e, educando a faculdade, torne-se apto para o ministério, servindo sempre e crescendo intimamente com os olhos postos no próprio e no futuro feliz da sociedade.
 



Manuel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MÉDIUNS (2ª Parte)



Por Orson Peter Carrara


Os médiuns são instrumentos da faculdade humana de comunicação com os Espíritos

No opúsculo Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas (IDE, 2ª edição, 1988, página 24, tradução de Salvador Gentile), Allan Kardec faz importante consideração que deverá nortear nosso raciocínio no entendimento da velha questão. Está no item 33: O médium não possui senão a faculdade de se comunicar; a comunicação efetiva depende da vontade dos Espíritos. Se os Espíritos não querem se manifestar, o médium nada obtém; é como um instrumento sem músico.

Note o leitor que essa frase curta responde à pergunta-título do capítulo, numa simplicidade admirável. Os médiuns são pessoas que possuem a faculdade de se comunicar com os Espíritos. Essa faculdade é fruto do estágio em que se encontra o médium e resultado de suas experiências acumuladas. A comunicação, ou o fenômeno mediúnico, depende, porém, da vontade do Espírito, que pode acioná-lo em sua faculdade, ou responder a uma iniciativa do médium. Contudo, diante da ausência de iniciativa dos Espíritos ou de respostas a um estímulo originário do médium, nada se obtém.

Os médiuns são, pois, instrumentos da faculdade humana de comunicação com os Espíritos. Sabendo disso, não há razão para posturas chamadas de sobrenaturais, endeusamentos ou dependência.

Situados, pois, nessa compreensão, outros desdobramentos e perspectivas surgem para nossa reflexão e que também podem ser encontradas na magistral obra. Qual a finalidade da mediunidade? Qual a razão de sua existência? Como pode apresentar-se tão variada? Como administrar tão variados graus de percepção, educar seu uso e usá-la para o próprio bem e o da coletividade? Tudo isso pode ser respondido através do estudo e da reflexão.

Tais questionamentos desdobram-se numa infinidade de outros subtemas, todos muito atuais e pertinentes, como por exemplo: mediunidade na infância, sintonia, concentração, grupos mediúnicos, interrupções na atividade, prece, diretrizes morais, método nas tarefas, curas, fraudes, mistificações, aptidões, análise das comunicações, entre outros... É um mundo inesgotável de cogitações, debates e estudos.

Os livros de Yvonne A. Pereira, ricos em conteúdo doutrinário, merecem ser conhecidos e divulgados

Para bem situar tudo isso, será interessante observar o que se encontra em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXVI. Na transcrição parcial do item 7 do citado capítulo, podemos ler: Os médiuns modernos – porque os apóstolos também tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos para a instrução dos homens, para mostrar-lhes o caminho do bem e conduzi-los à fé. (...) Deus quer que a luz alcance a todos (...).

A rápida transcrição traduz todo um programa de entendimento e trabalho, não deixando dúvidas quanto à finalidade e importância da faculdade. Os três itens devem estar permanentemente em nossas cogitações:

a) Instrução dos homens;

b) Mostrar-lhes o caminho do bem;

c) Conduzi-los à fé.

Note-se, pois, a abrangência envolvendo trabalho, renovação moral – inclusive do próprio médium – e construção racional da fé, onde se inclui, claro, a caridade em toda a sua extensão.

Tais considerações, saturadas de gratidão ao trabalho do Codificador, levam-nos a lembrar numerosos estudiosos, encarnados e desencarnados, que se debruçaram sobre a citada obra básica – referencial no estudo da mediunidade e que estamos homenageando em 2011 – para estudá-la, ampliá-la para o entendimento popular, desdobrando seus conceitos e estudos. Valiosas obras estão publicadas nesse sentido, vindas de vários autores encarnados e principalmente pela mediunidade de Chico Xavier, Yvonne do Amaral Pereira, Raul Teixeira e Divaldo Franco. Yvonne, para nos referir a apenas um dos médiuns citados, traduz especial significação no estudo específico. Seus livros, ricos em conteúdo doutrinário e na experiência pessoal da médium, merecem ser conhecidos e divulgados amplamente entre os médiuns.

“O primeiro inimigo do médium – ensina Emmanuel – reside dentro dele mesmo.”

Igualmente a escritora Lucy Dias Ramos, de Juiz de Fora-MG, conhecida articulista da revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, e autora de outros livros, apresenta agora valiosa obra: A mediunidade e nós, publicada pela Editora Solidum. São depoimentos de sua experiência pessoal como médium – desde as primeiras percepções na infância até as décadas de atuação espírita no mesmo grupo –, em primorosa obra que tivemos a satisfação de prefaciar. Entusiasmamo-nos com o conteúdo da obra, seja pelas experiências, seja pelo referencial doutrinário apresentado. O texto de Lucy é norteador para médiuns veteranos e novatos e significa valiosa homenagem aos 150 anos de O Livro dos Médiuns, como aqui também comentado.

No exato instante que grafamos as presentes linhas a obra ainda se encontra no prelo e agora que o leitor está de posse da presente edição desta revista, a citada obra deve estar muito próxima de sua disponibilidade para o público, se ela já não estiver. Contatos com a editora podem ser feitos pelo 0800 770 2200 ou pelo site www.solidumeditora.com.br

O fato final é que a obra é preciosa. Quase no final da obra, a autora teve a felicidade de construir notável descrição sobre o significado do atendimento nas reuniões mediúnicas no socorro aos Espíritos em dificuldades. Que imagem perfeita construiu a autora!

Em face disso, vale relembrar aqui o que nos disse o sábio Espírito Emmanuel no livro O Consolador, edição FEB, questão 410: “O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo. Freqüentemente é o personalismo, é a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral, que não raro o conduzem à invigilância (...). O segundo inimigo mais poderoso do apostolado mediúnico não reside no campo das atividades contrárias à expansão da Doutrina, mas no próprio seio das organizações espíritas, constituindo-se daquele que se convenceu quanto aos fenômenos, sem se converter ao Evangelho pelo coração.”

Estudemos, pois, a mediunidade. Sua existência tem nobre finalidade. Cabe-nos o dever de educá-la e direcioná-la para o bem.

Nossa gratidão, pois, a Allan Kardec. Nosso louvor ao O Livro dos Médiuns!



Fonte: O Consolador, ano 5, nr.224.

Orson Peter Carrara é editor, palestrante e escritor espírita. Possui dez livros publicados. Seu trabalho pode ser conhecido por meio do site: www.orsonpcarrara.com.br e do blog orsonpetercarrara.blogspot.com

MÉDIUNS (1ª Parte)


Por Orson Peter Carrara

"A existência da mediunidade tem nobre finalidade; eis por que nos compete o dever de educá-la e direcioná-la para o bem."


Vivemos o expressivo ano dos 150 anos de O Livro dos Médiuns, a incomparável obra que é considerada o maior tratado sobre a mediunidade já publicado no planeta. A mediunidade, como se sabe, é faculdade humana. Não é invenção do Espiritismo, nem tampouco de seu uso exclusivo, como igualmente não é privilégio de ninguém, de qualquer grupo, religião, raça, sexo ou condição social, uma vez que, sendo de origem orgânica, apresenta-se em todas as classes sociais, independente da cultura, crença, nacionalidade e mesmo em diferentes idades e, claro, em variados estágios de percepção.

Essa variação nos estágios de percepção e atuação dos médiuns é característica própria na citada faculdade, propiciando resultados diferentes em razão das bagagens, experiências vivenciadas, moralidade, ambiente onde atuam e, claro, conhecimento sobre o assunto. Referido conhecimento convida à disciplina, ao uso adequado e responsável para que ela cumpra sua função de ponte entre o mundo dos encarnados e o plano da pátria verdadeira, o mundo dos Espíritos.

É aí que surge, pois, O Livro dos Médiuns, obra magistral de Allan Kardec, cujo texto integral e conteúdo dos capítulos norteiam no sentido do bom uso da faculdade para atender à sua finalidade.

É natural, portanto, o júbilo nesses 150 anos da obra e a importância do estímulo para seu estudo e divulgação. Os capítulos, questões, temas, reflexões e a orientação clara oferecida pela obra não podem ser desconsiderados diante do estudo que o tema requer, por si só inesgotável.

Seria o caso de perguntar: o que pensamos sobre médiuns? Encaramos seus portadores como adivinhos, reveladores, pessoas a quem podemos recorrer a qualquer hora para fazer perguntas, resolver problemas do cotidiano? Seriam eles aqueles que detêm respostas? Seriam, ainda melhor, os solucionadores de nossas angústias?

Não, nada disso!

A faculdade mediúnica é variável e depende naturalmente do estágio em que se situa o médium

Os médiuns são homens e mulheres comuns que, devido a uma faculdade orgânica e mental, são instrumentos de comunicação com o Mundo Espiritual, morada dos seres extracorpóreos ou Mundo dos Espíritos. Essa faculdade é conhecida pelo nome de mediunidade. Ela só existe quando há a permuta de experiências ou uso do intercâmbio entre os Espíritos e os chamados médiuns. Pode ser acionada pelos Espíritos ou por iniciativa dos médiuns que os buscam.

Como já se sabe, Espíritos são igualmente homens e mulheres habitantes da Pátria Espiritual, mundo normal primitivo (no sentido de origem) de onde viemos e para onde voltaremos num processo contínuo de aperfeiçoamento intelecto-moral, através das existências sucessivas, até atingirmos um estágio que nos dispensará a necessidade da encarnação em corpos físicos.

Essa faculdade, no entanto, é tão imensamente variável – a depender naturalmente do estágio intelecto-moral em que se situa o médium – que inevitavelmente produzirá uma imensa variedade de fenômenos que conhecemos com o nome de fenômenos mediúnicos.

Alguns a trazem espontânea – podendo manifestar-se desde a infância ou mais adiante –, outros a educam devidamente na madureza e muitos a detêm de maneira intuitiva, consciente ou inconscientemente.

Recomenda-se, para conhecimento dessa variedade com que se apresenta, o estudo dos capítulos XIV, XV e XVI de O Livro dos Médiuns, em sua segunda parte, em que o Codificador Allan Kardec aborda a questão dos médiuns mecânicos, semimecânicos, intuitivos, inspirados ou involuntários, além de um Quadro sinótico das diferentes variedades de médiuns, trazendo ainda abordagens sobre médiuns audientes, videntes, entre outros.

O que se encontra, todavia, no estudo dos fundamentos do Espiritismo é que não há nada de extraordinário ou misterioso na faculdade mediúnica. Ela é inerente ao ser humano, pois que também somos Espíritos (com a diferença de estarmos encarnados). Estamos muito ligados uns aos outros e o que varia é apenas o grau de intensidade da citada faculdade humana.


Fonte: O Consolador, ano 5, nr.224

sábado, 20 de outubro de 2012

EMERSÃO DO PASSADO

Esta orientação de André Luiz nos desperta para a necessidade de tratarmos com bastante atenção e cuidado, os irmãos médiuns vivenciando processos anímicos, para que não venhamos a menosprezar esta fase do desenvolvimento mediúnico.



Sob o título acima, André Luiz traz em sua obra "Nos Domínios da Mediunidade", Capítulo 22, a história de uma irmã que, ante a simples aproximação de antigo desafeto, mas sem qualquer influência direta deste, relembrava anterior encarnação quando havia sido vítima deste desafeto, e iniciava o processo de animismo, manifestando-se como se outra entidade fosse, a bradar contra o agressor que lhe roubara a vida em passada existência. 

A infeliz mulher é atendida como se fosse um caso de comunicação mediúnica, pois, nesses casos, apesar de não ser um espírito desencarnado se comunicando com o plano material, e sim o espírito do próprio médium a trazer à tona reminiscências do passado cristalizadas no campo mental de tal forma que supera o "choque biológico do renascimento no corpo físico", estamos diante de uma irmã enferma, necessitada de carinho, amor e orientação a fim de se desvencilhar do trauma que a mantém vinculada ao passado. 

Esta orientação de André Luiz nos desperta para a necessidade de tratarmos com bastante atenção e cuidado, os irmãos médiuns vivenciando processos anímicos, para que não venhamos a menosprezar esta fase do desenvolvimento mediúnico e não incutirmos receio no candidato à mediunidade com Jesus, pois, sobretudo no início do desenvolvimento mediúnico, para muitos médiuns é difícil reconhecer o que vem de sua mente com o que procede de uma inteligência exterior, habilidade esta só conseguida após algum tempo de prática.

Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, capítulo 19, item 223, 2ª pergunta, nos traz: "As comunicações escritas ou verbais também podem emanar do próprio Espírito encarnado no médium?" Resposta: "A alma do médium pode comunicar-se, como a de qualquer outro..."

Acrescenta os espíritos que o médium pode, inclusive, se goza de certo grau de liberdade, recobrar suas qualidades de Espírito, ou seja, acessar um cabedal de conhecimento maior do que aquele que dispõe na atual existência. Assim, um médium de pouco estudo na atual existência pode, em uma comunicação anímica, trazer conhecimentos profundos de um determinado seguimento científico ou filosófico, se já construiu este conhecimento em existências anteriores.

Não há que se confundir animismo com mistificação. Neste último caso há a intenção de enganar, mentir, falsificar, seja por parte do médium que finge estar dando uma comunicação mediúnica quando fala por si mesmo, conscientemente, seja por parte do espírito comunicante que se faz passar por alguém que não é. No caso do animismo o médium acessa seus arquivos inconscientes e julga estar sendo influenciado por entidade estranha a si mesmo.

No caso descrito no início desta matéria vemos, na base do problema a questão do desamor aturdindo a vida de nossa irmã. Ela fora a vítima do passado e, por não perdoar, trazia consigo o trauma deixado pelo antigo algoz a lhe complicar a vida no presente. Para evitar dificuldades dessa ordem já nos ensinou o Mestre Jesus há dois mil anos: "Entra logo em acordo com o teu adversário enquanto vais com ele a caminho do foro, para não suceder que ele te entregue ao juiz, e o juiz ao oficial de justiça e sejas posto na cadeia. Pois em verdade te digo: dali não sairás até teres pago o último centavo." (Mateus, cap. V, 25 e 26)

Que procuremos aprender com o Meigo Rabi da Galiléia a perdoar e nos perdoar, buscando fazer o melhor ao nosso alcance, a fim de não entrarmos na cadeia do remorso e procurarmos viver a liberdade espiritual de fazermos o bem. 

Marcos Vianna
Caminheiros do Bem - http://www.caminheirosdobem.org

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mediunidade - Conceitos e Tipos



Mediunidade - Conceito: 
Lamartine Palhano Jr. em seu "Dicionário de Filosofia Espírita", conceitua mediunidade como sendo uma faculdade inerente ao homem que permite a ele a percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, depende de um organismo mais ou menos sensitivo. 
 
Mediunismo: 
Alexander Aksakof, em 1.890, empregou o termo mediunismo para designar o uso das faculdades mediúnicas. A prática do mediunismo não significa que haja prática de Espiritismo propriamente dito, visto que a mediunidade não é propriedade do Espiritismo. 

(veja ao final, pequena biografia de Alexander Aksakof). 
 
Mediunato: 
Missão mediúnica da qual está investido um médium. Esta expressão foi criada pelos próprios Espíritos: "Deus me encarregou de desempenhar uma missão junto aos crentes a quem ele favorece com o mediunato" - Joana d’Arc (Capítulo XXXI, comunicação XII, em "O Livro dos Médiuns" de Allan Kardec. 
 
Médium: 
(Do latim: medium = meio; intermediário; medianeiro). Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens; aquele que em um grau qualquer sente a influência dos Espíritos de modo ostensivo. 

Como já foi mencionado, todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos, é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, privilégio exclusivo, donde se segue que poucos são os que não possuem um rudimento dessa faculdade. Pode-se, pois, dizer que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.
 
A Predisposição Mediúnica: 
A predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento, bem como da condição social, da raça, da cultura, da religião, da inteligência e até mesmo das qualidades morais. Todavia, quanto mais elevado for moralmente o médium, melhor instrumento este se tornará à Espiritualidade.
 

O Desenvolvimento da Faculdade Mediúnica: 
O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansiva do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o princípio; não podendo, consequentemente, quando o princípio não existe. 

As relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos respectivos perispíritos, dependendo a facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos. Alguns há que se combinam facilmente, enquanto outros se repelem, donde se segue que não basta ser médium para que uma pessoa se comunique indistintamente com todos os Espíritos. 

Combinando os fluidos perispiríticos os Espíritos não só transmitem aos médiuns seus pensamentos, como também chegam a exercer sobre eles uma influência física, fazem-nos agir e falar à sua vontade. Todavia, a elevação moral do médium e seu controle sobre a faculdade que possuí impedirá que os Espíritos inferiorizados se adonem da sua faculdade e paralisem-lhe o livre arbítrio. 

Podem os espíritos manifestar-se de uma infinidade de maneiras, mas não o podem senão com a condição de acharem uma pessoa apta a receber e transmitir impressões deste ou daquele gênero, segundo as aptidões que possua. Da diversidade de aptidões decorre que há diferentes espécies de médiuns. 
 
 
Mediunidade – Classificação segundo seus Efeitos: 

Os fenômenos dos efeitos mediúnicos podem ser de duas ordens:
 
1. Fenômenos de Efeitos Materiais, Físicos ou Objetivos:
São os que sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Podem se apresentar sob variadas formas, tais como: 

Materialização – de objetos, de Espíritos, etc.
Transfiguração – modificação dos traços fisionômicos do próprio médium.
Levitação – erguimento de objetos e/ou pessoas, contrariando a Lei da Gravidade.
Transporte – entrada e saída de objetos de recintos hermeticamente fechados.
Bilocação ou Bicorporiedade – aparecimento do Espírito do médium desdobrado sob forma materializada, em lugar diferente ao do corpo.
Voz Direta – vozes dos Espíritos que soam pelo ambiente, independentemente do médium (em termos), através de uma garganta ectoplasmática. Vide ao final significado de ectoplasma.
Escrita Direta – Palavras, frases, mensagens, escritas sem a utilização da mão do médium.
Tiptologia – Sinais por pancadas formando palavras e frases inteligentes.
Sematologia – Movimento de objetos sem contato físico, traduzindo uma vontade, um sentimento, etc. 
2. Fenômenos de Efeitos Intelectuais ou Subjetivos:
São os que ocorrem na esfera subjetiva, não ferindo os cinco sentidos, senão a racionalidade e o intelecto. Podem se apresentar das seguintes formas:

Intuição – Uma modalidade de telepatia, quando a transmissão do pensamento se dá por meio do Espírito do médium, ou melhor de sua alma. Ela recebe o pensamento do Espírito que se manifesta e o transmite. Nessa situação o médium tem consciência do que fala ou escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento.
Vidência – Faculdade anímica ou mediúnica que permite a uma pessoa perceber imagens da vida espiritual, e mesmo da vida corpórea, independentemente do tempo e da distância.
Audiência – Da mesma forma, faculdade anímica ou mediúnica que permite a uma pessoa escutar os sons do mundo espiritual.
Desdobramento – Estado no qual o Espírito do percipiente desloca-se e vai até outros lugares, distantes ou não, fora da dimensão tempo/espaço, e descreve o que vê e o que faz.
Psicometria – Faculdade que tem o médium de estabelecer contato com toda a vida psíquica de alguém, coisa ou ambiente, podendo perscrutar o passado, o presente e o futuro, bastando para isso que entre em contato com o nome ou um objeto relacionado.
Psicografia – É a escrita sob a influência dos Espíritos. Os Espíritos escrevem, impulsionando a mão do médium, seja por uma forte intuição, por um controle parcial do centro motor e com ciência do médium ou por uma ação mecânica absoluta.
Psicofonia – Fenômeno mediúnico que, associado ou não a outras modalidades da mediunidade, possibilita a um Espírito falar através do aparelho fonador do médium
À generalidade destes dois últimos tipos de fenômenos intelectuais (psicografia e psicofonia) tem-se denominado vulgarmente de "Incorporação Mediúnica". Ressalte-se, todavia, que não ocorre a "introdução" do Espírito no corpo do médium, mas, sim, uma associação de seus fluidos com os do médium, resultantes das faixas vibratórias em que se encontrem e que pela lei de sintonia e da assimilação se identificam formando um complexo - Emissor - (Espírito – desencarnado) e Receptor (médium). 
 

Classificação dos Médiuns: 
Inicialmente, podemos classificar os médiuns em:
Médiuns Facultativos ou Voluntários
Médiuns Naturais ou Involuntários

1. – Médiuns Facultativos ou Voluntários:

Só se encontram entre pessoas que tem conhecimento mais ou menos completo dos meios de comunicação com os Espíritos, o que lhes possibilita servir-se, por vontade própria, de suas faculdades. Não que realizem quando queiram os fenômenos, pois sem a vontade do Espírito que se irá comunicar nada conseguirão, porém, são senhores da faculdade que possuem, não permitindo que se dêem comunicações extemporâneas e em momentos impróprios. Sabem que possuem a faculdade e se predispõem ao intercâmbio com o mundo dos Espíritos. 

2. – Médiuns Naturais ou Involuntários:

Também denominados "Inconscientes", pelo Codificador, por não terem consciência da faculdade que possuem. São aqueles cuja influência se exerce a seu mau grado. Existem entre as pessoas que nenhuma idéia fazem do Espiritismo, e nem dos Espíritos, até mesmo entre as mais incrédulas e que servem de instrumento, sem o saberem e sem o quererem. . 

Os fenômenos espíritas de todos os gêneros podem operar-se por influência destes últimos, que sempre existiram, em todas as épocas e no seio de todos os povos. A ignorância e a credulidade lhe atribuíram um poder sobrenatural e, conforme os tempos e os lugares, fizeram deles santos, feiticeiros, loucos ou visionários. O Espiritismo mostra que com eles, apenas se dá a manifestação espontânea de uma faculdade natural. 
 
Classificação Geral dos Médiuns: 
Médiuns de Efeito Físicos - São os mais aptos, especialmente, à produção de fenômenos materiais, como movimentos de corpos inertes, os ruídos, a deslocação, o levantamento e a translação de objetos, etc. Sempre neste fenômenos há o concurso voluntário ou involuntário de médiuns dotados de faculdades especiais. 
 
Médiuns Sensitivos ou Impressivos - São pessoas suscetíveis de pressentir a presença dos Espíritos, por impressão vaga, como ligeiro atrito em todos os membros, fato que não logram explicar. Tal sutileza pode essa faculdade adquirir; que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do Espírito que lhe está ao lado, mas também a sua individualidade.
 
Médiuns Audientes - São médiuns que ouvem os Espíritos. Algumas vezes é como se escutassem uma voz interna que lhes ressoasse no foro íntimo; doutras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva.
 
Médiuns Psicofônicos ou Falantes - É a faculdade que permite aos Espíritos, utilizando os órgãos vocais do encarnado, transmitirem a palavra audível a todos que presentes se encontrem.
É a faculdade mais freqüente em nosso movimento e possibilita o intercâmbio com o mundo extracorpóreo. 
É através dela que os desencarnados narram, quando podem/desejam, os seus aflitivos problemas, recebendo dos orientadores, em nome da fraternidade cristã, a palavra do esclarecimento e da consolação.
O pensamento do Espírito antes de chegar ao cérebro físico do médium, passa pelo cérebro perispirítico, resultando disso a propriedade que tem o medianeiro, "em tese" de fazer ou não fazer o que a entidade pretende. 
Também os Mentores Espirituais, Espíritos trabalhadores da grande Seara do Pai, utilizam esta possibilidade de intercâmbio para esclarecerem, orientarem, confirmando a continuidade do labor nas duas esferas da vida. 
Obs: - Os médiuns falantes, de maneira geral são intuitivos ou conscientes, sendo o intérprete ou mensageiro. O estilo, o vocabulário, a construção das frases são suas, mas a idéia é do Espirito. 
Os médiuns psicofônicos semiconscientes conservam o estilo e a idéia do Espírito que se comunica e nos, psicofônicos inconscientes, geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembrança do que diz. 

Médiuns Videntes - São dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. É raro esta faculdade permanecer por muito tempo; quase sempre é efeito de uma crise passageira.

Médiuns Sonambúlicos - Nesta ordem, são duas as categorias de fenômenos que freqüentemente se acham reunidos: 

a) Quando o sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; é sua alma que, nos momentos e emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O que ele externa tira-o de si mesmo; são idéias suas, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos estão mais dilatados, porque tem livre a alma. 

b) Como médium, ao contrário, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e o que diz não vem de si. O médium sonambúlico, em estado de emancipação da alma pode facultar a comunicação. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-nos seus pensamentos. O que dizem, fora do âmbito de seus conhecimentos pessoais, lhes é com freqüência sugerido por outros Espíritos. 

Médiuns Curadores - Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Exemplo maior Jesus. Geralmente a faculdade é espontânea e, embora haja a utilização do fluido magnético, alguns médiuns curadores jamais ouviram falar do magnetismo. Ex: - benzedeiras.

Médiuns Pneumatógrafos - Dá-se este nome aos médiuns que têm aptidão para obter a escrita direta. Esta faculdade é bastante rara. Desenvolve-se pelo exercício; mas sem utilidade prática. Se limita a uma comprovação patente da intervenção de uma força oculta nas manifestações.

Médiuns Escreventes ou Psicógrafos – São os médiuns aptos a receber a comunicação dos Espíritos através da escrita. Como afirma Allan Kardec, "de todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, o mais cômodo e, sobretudo o mais completo". Para eles devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Deve ser desenvolvido com muita responsabilidade pois é através dessa faculdade que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou a sua inferioridade. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício e proporciona a todos um exame acurado e minucioso da mensagem recebida.
 
Os médiuns psicógrafos podem ser classificados em: 
a) Médiuns Mecânicos – O Espírito atua diretamente sobre a mão do médium, impulsionando-a. O que caracteriza este gênero de mediunidade é a inconsciência absoluta, por parte do médium, do que sua mão escreve. Ela se move sem interrupção, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e para, assim que ele acaba. Neste tipo de mensagem, a escrita vem antes do pensamento. 

b) Médiuns Intuitivos – Neste caso, o Espírito não atua sobre a mão para movê-la, mas, atua sobre a alma do médium, identificando-se com ela e imprimindo-lhe sua vontade e suas idéias. A alma recebe o pensamento do Espírito comunicante e o transcreve. Nesta situação, o médium escreve voluntariamente e tem consciência do que escreve, embora não grafe seus próprios pensamentos. Podemos dizer, que nestes casos, o pensamento vem antes da escrita. 

C) Médiuns Semimecânicos – Também denominados Semi-intuitivos. Eles sentem que, à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, têm consciência do que escrevem, à medida que as palavras se formam. Neste casos, o pensamento acompanha as palavras. 

Médiuns Polígrafos – São aqueles cuja escrita se modifica em decorrência do Espírito que se comunica, ou que são aptos a reproduzir a escrita que o Espírito tinha em vida.

Médiuns Iletrados – Os que escrevem como médiuns, sem saber ler, nem escrever, no estado ordinário. Muito raros; mais que os anteriores.

Médiuns Poliglotas ou Xenoglotas – São aqueles que escreve ou falam, sob a influência dos Espíritos, em idiomas que lhe são desconhecidos.


Biografia/definições:
Alexander N. Aksakof –
Nascido em Repievka (Rússia) em 27 de maio de 1.832, desencarnou em S. Petersburgo (Leningrado), a 04 de janeiro de 1.903.
Foi membro da nobreza russa, doutor em Filosofia e Conselheiro de Alexandre III, Czar de todas as Rússias.
Doutor, foi lente da Academia de Leipzig, na Alemanha.
Empenhou-se no campo da investigação psíquica, foi diretor do jornal "Psychische Studien", de Leipzig (Alemanha).
Publicou a sua obra mais significativa "Animismo e Espiritismo".
Participou da investigação mediúnica junto a diversos médiuns do século passado e de muitos outros pesquisadores de renome.
Sua contribuição ao Movimento Espírita Mundial foi enorme e, até hoje, seus trabalhos são citados pelos muitos pesquisadores que se aventuram pelo campo do psiquismo.
Ectoplasma –
(do grego: ektós – movimento para fora; plasma – obra modelável). Substância que emana do corpo de um médium capaz de produzir fenômenos de efeitos físicos ou materializações. Trata-se de uma exalação fluídica, sensível ao pensamento, visível ou invisível, plástica, inodora, insípida, originalmente incolor.

Bibliografia:
O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Segunda Parte, capítulos II, III, IV, V, IX, X, XI, XII, XIII e XV.
No Invisível – Léon Denis – capítulos XVI à XVIII.
O Fenômeno Espírita – Gabriel Delanne – Segunda parte, capítulo I.
Estudando a Mediunidade - Martins Peralva.
Apostila do COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica – do Centro Espírita Luz Eterna – Primeira, Segunda e Quarta Sessões Teóricas – Mediunidade – Conceito – Classificação e Dos Médiuns.
Dicionário de Filosofia Espírita – Lamartine Palhano Jr.

FONTE: http://sef.feparana.com.br/apost/unid18.htm