Eternidade

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sábado, 25 de fevereiro de 2023

A hora de ajudar

                                     

                                                                                  Divaldo Franco

                                                                             Professor, médium e conferencista espírita 


Estando em festa a formidanda Mansão dos Churchill na Escócia, muitas crianças vieram com seus pais para o grandioso evento de reinauguração dos edifícios há pouco restaurados.

Enquanto brincavam, uma delas caiu numa piscina e começou a afogar-se. Em desespero, as demais se puseram a gritar enquanto o garoto se debatia.

Estando próximo o filho do jardineiro, sem raciocinar quase, atirou-se às águas e, por ser também uma criança, conseguiu com sacrifício salvar o outro.

Logo os adultos tomaram conhecimento, e o pai, reconhecido, muito agradeceu ao menino.

De imediato, disse-lhe ao genitor: – Em gratidão por seu filho haver salvado a vida do meu, eu lhe darei refinada educação. Diga-me o que mais ele deseja para si mesmo no futuro.

O homem humilde pensou um pouco e respondeu: – Meu filho disse-me uma vez que, quando crescesse, desejava ser médico para ajudar as pessoas.

– Pois o levarei para Londres e o educarei atendendo o seu desejo.

Assim aconteceu.

Passaram-se os anos e em 1947, terminada a Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro da Inglaterra Winston Churchill participava da Conferência de Paz, em Teerã, no Irã, quando adoeceu gravemente de pneumonia.

A notícia consternou o mundo, mas o Dr. Alexander Fleming, o autor da descoberta da penicilina, viajou de Londres e cuidou do paciente, salvando-lhe a vida.

Posteriormente, quando Churchill referiu-se ao notável acontecimento, afirmou que por duas vezes a sua vida fora salva pela mesma pessoa.

Fleming era o pequeno que o salvara do afogamento na Escócia.

Na vida de todos nós jamais faltam oportunidades para ajudar o nosso próximo, e esse sentido existencial tem sido responsável por tudo de bom e belo que acontece na humanidade.

Quem não vive para servir ainda não aprendeu a viver.

A vida humana é um hino ao serviço constante, porquanto tudo serve em a Natureza.

Faz-se necessário somente descobrir-se a melhor maneira de servir, colocando-se na condição de edificador da felicidade na Terra.

O egoísmo tem sido responsável pela desgraça moral e espiritual das criaturas e somente o altruísmo é-lhe o oposto dignificador.

Quando compreendermos o sentido do serviço edificante entre todos e em toda parte, haverá uma sinfonia harmônica entre as massas, e o mal, que persiste nos corações, cederá lugar ao amor, que se enfloresce em bênçãos.

Nunca desperdices a oportunidade de ajudar no crescimento ético das criaturas e nas suas necessidades.

Ajudando, estarás auxiliando-te a entender que realmente feliz e abastado é todo aquele que auxilia.

Foi por esta razão psicológica e real que Allan Kardec estabeleceu no conteúdo do Espiritismo que “fora da caridade não há salvação”.

Expandir a caridade é dever nosso.

Artigo originalmente publicado no Jornal A Tarde, coluna Opinião, no dia 27 de janeiro de 2023.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Caridade é a alma do Espiritismo


Revista Espírita - Dezembro de 1868

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?

É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregá-la e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário.

O campo da caridade é muito vasto; compreende duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões caridade beneficente e caridade benevolente. Compreende-se facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos materiais de que se dispõe; mas a segunda está ao alcance de todos, do mais pobre como do mais rico. Se a beneficência é forçosamente limitada, nada além da vontade poderia estabelecer limites à benevolência.

O que é preciso, então, para praticar a caridade benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo. Ora, se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quererá nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos que no-lo fizessem.

Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho.

Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é palavra vã; é a caridade do verdadeiro espírita, como do verdadeiro cristão; aquela sem a qual aquele que diz: Fora da caridade não há salvação, pronuncia sua própria condenação, tanto neste quanto no outro mundo.

Quantas coisas haveria a dizer sobre este assunto! Que belas instruções não nos dão os Espíritos incessantemente! Não fosse o receio de alongar-me em demasia e de abusar de vossa paciência, senhores, seria fácil demonstrar que, em se colocando no ponto de vista do interesse pessoal, egoísta, se se quiser, porque nem todos os homens estão ainda maduros para uma completa abnegação, para fazer o bem unicamente por amor do bem, digo que seria fácil demonstrar que têm tudo a ganhar em agir deste modo, e tudo a perder agindo diversamente, mesmo em suas relações sociais; depois, o bem atrai o bem e a proteção dos Espíritos bons; o mal atrai o mal e abre a porta à malevolência dos maus.

Mais cedo ou mais tarde o orgulhoso será castigado pela humilhação, o ambicioso pelas decepções, o egoísta pela ruína de suas esperanças, o hipócrita pela vergonha de ser desmascarado; aquele que abandona os Espíritos bons por estes é abandonado e, de queda em queda, finalmente se vê no fundo do abismo, ao passo que os Espíritos bons erguem e amparam aquele que, nas maiores provações, não deixa de se confiar à Providência e jamais se desvia do reto caminho; aquele, enfim, cujos secretos sentimentos não dissimulam nenhum pensamento oculto de vaidade ou de interesse pessoal.

Assim, de um lado, ganho assegurado; do outro, perda certa; cada um, em virtude do seu livre-arbítrio, pode escolher a sorte que quer correr, mas não poderá queixar-se senão de si mesmo pelas consequências de sua escolha.

Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na equitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras;

na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;

considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo;

esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.

É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos cercam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos ao nos reunirmos, a fim de dar aos nossos pensamentos a força que nasce da união. Ofereçamos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor de nossa afeição, encorajamentos e consolações aos que deles necessitem.

Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar.


Allan Kardec.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Oração da Caridade




Oh! Meu Deus, dai-me o entendimento para que um dia eu possa compreender o que é caridade. Por mais que reflita sobre caridade ainda não tenho uma ideia a respeito. Faço parte de uma Casa Espírita, mas ainda tenho muitas dúvidas. Aprendi junto a Casa Espírita que frequento que, caridade é dar um pão, um prato de sopa, roupas usadas, um pacote de fubá, um quilo de farinha, mas imagino sempre, mato a fome do corpo dessas pessoas que chegam ao Centro. Mas, e a alma, Senhor, qual é o verdadeiro alimento?

Sempre imaginei meu Deus, que fosse doando o pão para o corpo que aí estava a verdadeira caridade. Hoje, Senhor, tenho dúvidas. Dar um pão, sopa, roupas, não será assistencialismo, meu Deus? A Casa Espírita a qual frequento pratica dessa forma. Mas, no teu Evangelho Jesus, está escrito: “Bebe dessa água e jamais sentirás sede”. Que água é essa, Senhor? Será o conhecimento, meu Pai? Adentrando a teus ensinamentos descobri que só através do conhecimento compreenderei a verdadeira Caridade e a Verdade que liberta.

Mas como fazer as pessoas que frequentam a nossa Casa Espírita, Senhor meu Deus, meu Pai amado, fazê-las compreender os teus ensinamentos?

A Direção da nossa Casa Espírita só acha que a distribuição de donativos é a verdadeira caridade, sem esse trabalho a Doutrina não faz sentido. Eu mato a fome do corpo que não deixa de ser louvável, mas é momentânea. E depois? Agora compreendo que através dos estudos dos teus ensinamentos, tive a oportunidade de entender melhor essa tal água que mata a sede para sempre.

É através dos estudos que vou entender meu Pai, tudo que me acontece neste momento de transição que vivo no corpo nessa existência. A Doutrina Espírita trouxe nesses conhecimentos o esclarecimento da vida que tenho vivido todo esse tempo. Se sofro é porque infringi Tua lei nessa ou em outras existências e tenho que ressarcir meus débitos.

A Doutrina Espírita diz e os grandes pensadores do Espiritismo que caridade é um ato de desprendimento no momento da ação, tem até um trecho no Evangelho que fala disso e mais ainda:  “quando deres uma esmola a alguém, te coloca no lugar do outro, para que o outro não se sinta envergonhado ou humilhado”, isso é empatia meu Deus, tão difícil ainda para eu botar em prática essa atitude.  Se me colocar no lugar de alguém, der ao outro o que quero para mim, como disseste meu Jesus, meu irmão maior.

As minhas carências Senhor, afetivas e materiais ainda são muito grandes. Ainda sinto necessidades de ter, bem antes do ser. Ainda vivo muito apegado a tudo que me cerca e às vezes, esqueço-me da minha própria alma que precisa do alimento para me sustentar, o alimento do esclarecimento. Precisamos meu Deus, passar esses esclarecimentos para as pessoas que frequentam nossa Casa. Tentar explicar os teus ensinamentos para que possam compreender as suas dificuldades e conviver com elas e se tornarem pessoas mais equilibradas, pessoas mais felizes, Senhor Jesus.

Ainda vamos sofrer muito para compreender isso, meu Deus. Tenho que me esforçar bastante para podermos implantar em nossa Casa Espírita um trabalho que faça além de distribuir o pão material ajude as pessoas a receber também o pão para a alma, que é os teus ensinamentos, porque através dos ensinamentos do Consolador Prometido, todos nós um dia poderemos compreender as nossas mazelas e tentar conviver melhor com nossas adversidades.

Meu coração ainda chora e fico triste de não podermos ajudar aqueles que buscam a nossa Casa meu Deus, os nossos companheiros de seara não entendem, mas com luta e perseverança e através do diálogo um dia todas as Casas Espíritas aprenderão a distribuir o alimento para alma, as tuas sublimes orientações, Senhor Jesus.

A caridade, o amor, a indulgência são comportamentos difíceis ainda de compreendermos, até para amar é difícil Senhor Jesus. Não sabemos ainda amar, quando amamos o sentimento é mais egoísmo do que amor. Imagino o que é “Fora da Caridade não há Salvação”. Fora da caridade não há salvação, para mim significa: força do amor maior, o amor sem restrições, sem discriminações. O desprendimento total. É quando nos entregamos de corpo e alma aquilo que fazemos e acreditamos. Às vezes meu Deus, confundimos responsabilidade com o trabalho na Casa Espírita, com atitude de faze-lo com amor. Realizar algo com amor é faze-lo com alegria no coração, traz satisfação para alma, nos faz flutuar nas nuvens, é amar o que fazemos, Senhor.

Caridade é como um espelho que ficamos na sua frente e o que vemos é o reflexo de nossa imagem. Caridade é ver no outro, o reflexo de nossa própria imagem. Somos feito da mesma essência, saímos das mãos do mesmo Pai, só muda a aparência. Se somos filhos do mesmo Pai, então, somos todos irmãos. Somos um só rebanho, trilhamos vários caminhos em busca de um mesmo objetivo, a compreensão da vida e o entendimento do planejamento que Deus criou para todos nós.

Meu Deus! Sei que não podemos ser perdoados pelas nossas falhas, mas sei também meu Pai que Tuas leis e Teu amor atenuam e aliviam as minhas dívidas e o meu sofrimento. Vós, meu Senhor, é sempre brando, faça com que eu possa pagar as minhas dividas com resignação e compreensão porque sempre senti e sinto que Vós é a própria caridade é a essência do verdadeiro amor.

Obrigado Senhor meu Deus, por existir e por mais essa oportunidade de estar vivo para tentar entender os Teus ensinamentos através das reflexões constantes desses conhecimentos maravilhosos trazidos pelos Teus mensageiros através da Doutrina dos Espíritos. 
Assim seja.

Alcioli Santos
Fonte: Lampadário Espírita