Eternidade

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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Com os joelhos desconjuntados

 

O serviço do Bem não pode cessar, seja qual for a justificativa.

Comprometidos com a Causa do Cristo, nada nos deve constituir motivo de impedimento para prosseguir atendendo ao programa elaborado.

Os benfeitores espirituais organizadores das atividades imortalistas que a todos dizem respeito estabelecem os roteiros de ação com as minudências indispensáveis, incluindo a cooperação da equipe reencarnada.

Certamente surgem imprevistos de vária ordem que têm o objetivo de perturbar ou mesmo impedir a realização dos compromissos firmados. Indispensável que a vigilância do membro do grupo permaneça alerta, a fim de não ser afastado do labor, ou mesmo quando se faça presente, em razão da sua indisciplina, não ser utilizado, em razão de não se encontrar nas condições necessárias ao êxito do cometimento.

As atividades mediúnicas movimentam-se em ambas as faixas da existência, física e espiritual.

Merece acrescentar que entidades perversas, habilitadas nos expedientes do mal, movimentam-se com afinco para interromper ou desestruturar o esforço que tem significado edificante e profundo.

Sempre ativas, provocam situações graves e geram perturbações envolvendo os membros humanos das reuniões mediúnicas, tornando-os indispostos para a sua luminosa execução.

Enfermidades inesperadas, visitas não programadas, confusões domésticas e afetivas entre influências doentias são, invariavelmente, recursos de que se utilizam para indispor aqueles que fazem parte dos magnos trabalhos com os quais estão comprometidos.

Mente clara e sentimentos calmos fazem parte da contribuição indispensável de cada cooperador, assim propiciando campo especial para as comunicações e terapias próprias e socorristas.

Busque-se observar se o fenômeno desafiador se manifesta com frequência nos dias reservados e constatar-se-á como é bem planejada a dificuldade, produzindo indisposição ou insatisfação durante as operações iluminativas.

Sem dúvida, os Espíritos que se comprazem nas lamentáveis obsessões e geram problemas são muito hábeis e agem conscientemente, utilizando-se dos pontos vulneráveis dos servidores, que são atacados e induzidos a pensamentos nefastos.

A reunião mediúnica é a porta de acesso à comunicação com os desencarnados, portanto, de alta importância nas programações do Espiritismo. Ao mesmo tempo é a caridade de iluminação, produzindo terapêuticas preventivas e curadoras naqueles que a constituem.

Admoestamos os voluntários e responsáveis pelos trabalhos mediúnicos para que se não descurem das responsabilidades especiais, respirando o clima psíquico que os precede, de forma que a psicosfera ambiental os facilite.

Em qualquer atividade, sempre se tem a preocupação de a programar, cuidar dos procedimentos que lhe dizem respeito, a fim de que o seu desempenho seja rigorosamente dentro dos parâmetros estabelecidos.

Aos médiuns cabe o dever de cuidar das paisagens mentais, evitando quanto possível intoxicações emocionais com os painéis habituais da insensatez e infantilidade.

O médium não o é apenas durante as reuniões, mas por todo o tempo, pois que é uma faculdade orgânica, funcionando em todos os momentos e sintonizando com as imagens interiores que lhe são habituais.

O resultado que se recolhe, quando há disciplina e harmonia entre os seus membros encarnados, é decorrência dessa perfeita identificação com o esforço dos benfeitores espirituais que elaboram a programação, e dos reencarnados que lhe são coprodutores.

Nas ocasiões em que o companheiro se encontre açodado pela interferência inferior, não deve desanimar nem buscar evitar a sua participação. Se isto acontecer e surgir a tentação para omitir-se, por considerar-se não estar em condições de auxiliar, deve-se ter cuidado porque pode ser o início de perigosa responsabilidade, conduzindo a futuro abandono do compromisso e até mesmo a transtorno obsessivo.

Quando tal ocorrer, e isso se dará diversas vezes, deve-se direcionar o pensamento ao Senhor Jesus e orar com sinceridade, solicitando amparo ao guia espiritual, a fim de ser auxiliado para conseguir a mudança mental, assim como o prazer de servir.

A assiduidade é fundamental ao bom êxito das atividades espirituais e ao exercício correto da mediunidade, mantendo-se a cooperação em favor do próximo, de modo a ser responsável pela sessão mediúnica séria.

Evitem-se a crítica negativa, os comentários desnecessários e desairosos, tendo-se em vista que os mentores lamentam as ocorrências censuráveis, mas compreendem que estão trabalhando com pessoas em diferentes estágios de evolução, portanto, ainda imperfeitas.

Será mediante o auxílio recíproco que haverá o progresso, constituindo-se bênção superior da vida, com que os céus socorrem a Terra aflita e necessitada.

Desse modo, mesmo que se esteja com os joelhos desconjuntados, como afirmava o Apóstolo Paulo, o serviço de amor nas reuniões mediúnicas tem prioridade, invitando o médium a que sirva, insista e invista no dever que lhe diz respeito.

A mediunidade constitui bênção do processo da evolução, facultando a aquisição desse sentido superior, mediante o qual o Mundo Espiritual se comunicará com mais facilidade com a esfera física.

 Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 30
de dezembro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção,
Salvador, Bahia.
Em 24.7.2020.



 

sábado, 11 de agosto de 2018

Energia e Evolução - Transformadores de Energia


Exposto às radiações luminosas do Sol, o silício puro absorve fótons que removem os seus elétrons atômicos, os quais, liberados, produzem uma corrente elétrica. Esse processo de funcionamento das baterias solares faz lembrar, de algum modo, aspectos infinitamente superiores, mas até certo ponto tecnicamente assemelhados, da evolução.

Submetidos aos raios da experiência, os espíritos compostos, isto é, não puros, que se movem nas faixas da evolução terrestre, absorvem progressivamente quanta de luz, que vão removendo elementos da carga psíquica do ser, os quais, liberados, geram, através das correntes elétricas que produzem, campos magnéticos específicos.

Estruturando desse modo a própria aura, os espíritos criam a atmosfera psíquica que os envolve e penetra; atmosfera carregada de eletricidade e magnetismo, de raios, ondas e vibrações. Trata-se de efetivo e poderoso campo de forças, gerado por circuitos eletromagnéticos fechados, nos quais se fazem sentir os parâmetros de resistência, indutância e capacitância, asseguradores de compensação, equilíbrio e acúmulo de energias de sustentação.

É assim que o campo de forças da própria aura delimita o mundo individual de cada espírito; mas não somente o delimita, como também o caracteriza, porque possui peso específico determinado, densidade própria e condições peculiares de coloração, sonoridade, velocidade eletrônica e ritmo vibratório.

A mente espiritual é o seu fulcro, sua geratriz e seu núcleo de comando, através de todas as transformações que experimenta, inclusive as que decorrem das reciclagens biológicas provocadas pelos fenômenos da morte física, da reencarnação, da ovoidização, da regressão temporal e outros.

É, ainda, através de sua aura que o espírito assimila, armazena e exterioriza os princípios cósmicos de que fundamentalmente se alimenta, funcionando nisso como transformador por excelência de energia, para si e para os seus semelhantes, pois cada espírito respira e vive em faixas vibratórias comuns a todas as mentes a que se liga, no plano evolutivo que lhe é próprio.

Em verdade, cada espírito é qual complexa usina integrante de vasta rede de outras inúmeras usinas, cujo conjunto se auto--sustenta, como um sistema autônomo, a equilibrar-se no infinito mar da evolução.

Via das trocas incessantes que dinamicamente se processam nesses circuitos de energia viva, manifestam-se os fenômenos da afinidade e os da mediunidade espontânea, a produzirem estímulos de influenciação, fecundação ideológica e atração psíquica, responsáveis pela seqüência evolucionária dos sistemas anímicos, no seio da vida universal.

Ninguém, portanto, se prejudica a si mesmo sem lesar a todos quantos se lhe associam na grande economia da vida; e, do mesmo modo, todo aquele que se melhora, enriquece e ascende, beneficia direta e eficazmente a todos os seus companheiros de jornada espiritual.

O fenômeno do eco não se restringe à reflexão de um som; é também, na esfera dos pensamentos e dos sentimentos, repercussão de idéias e emoções, na geração infinita de recursos novos e de forças vivas, de efeitos certos, seja nas semeaduras de dor, seja nas plantações sublimes de alegria. 

(Áureo, Universo e vida, 5.ed., p. 71 e 72)
  • Fonte: Revista Auta de Souza
  • segunda-feira, 28 de setembro de 2015

    Testes da Vida



    O planeta Terra é uma escola com turmas variadas e com uma pedagogia especial e sutil. Nem todos aqueles que aqui estão encarnados perceberam que estão estudando e buscando sua formação espiritual. A maioria vive num sono profundo onde as ilusões materiais são os sonhos e pesadelos que perturbam a criatura. O ego inflado, o egoísmo, o orgulho e a vaidade são alguns dos soníferos que derrubam esses irmãos. Não podemos estacionar nesse sono profundo! É preciso acordar para a vida! Não podemos perder tempo, pois esse passa rápido e quando menos esperarmos chega ao fim a nossa jornada terrena.


    Se fizermos uma avaliação da nossa vida perceberemos que o tempo passou e não realizamos os nossos objetivos… Por sermos espíritos infantis passamos a maior parte da vida reclamando e achando que Deus não é justo. Achamos que somos tão importantes e especiais que não merecemos as provas e expiações pelas quais passamos. Somos o que somos, nem mais e nem menos. Nesse planeta o mal ainda prevalece, então ele ainda está dentro de nós. É preciso que sejamos testados para nos fortalecermos e deixarmos de ser fracos e desencorajados para a vida. Só há crescimento quando aprendemos a lição e não nos revoltamos com os testes da vida. Caso haja revolta a lição voltará a bater na nossa porta.


    Deus é um pai maravilhoso! Ele sabe o que cada um de seus filhos necessita para burilar o espírito e fazê-lo evoluir. Nada acontece por acaso ou por engano em nossa vida. Tudo esta em perfeita ordem! Deus nos deu a liberdade de escolher os nossos caminhos e as pessoas que seguem conosco. O que temos hoje na nossa trajetória de vida é o que desejamos em algum momento. Se não agrada está na hora de mudar. A mudança só ocorre quando amadurecemos e entendemos que somos os responsáveis pelo que plantamos. É preciso olhar para você e para sua vida! A alegria de viver depende da vontade e da coragem de mudar. O tempo voa, mas nunca é tarde para ser feliz!



    Revista SER Espírita, ed. 12

    sexta-feira, 24 de julho de 2015

    Expansão da Consciência direciona a evolução humana promovendo a Transição Planetária



    Nós estamos evoluindo. Sempre estivemos evoluindo. Quando olhamos para a história da Humanidade, percebemos claramente que nunca paramos, nunca estivemos estagnados.

    Do homem das cavernas do passado para o homem tecnológico de hoje, estivemos caminhando sempre rumo a novas etapas, descobrindo novas formas de organização social, buscando compreender cada vez melhor o meio ao nosso redor.

    Há em nós um enorme desejo de nos tornarmos mais perfeitos e de tornar a nossa estadia na Terra a mais harmoniosa possível. Há em nós uma eterna busca por conhecimento a fim de que possamos compreender tudo o que nos rodeia.

    Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?


    São perguntas que nos impulsionam!

    Ao longo do tempo, nós buscamos melhorar o ambiente em que vivemos, buscamos facilitar nossa sobrevivência como espécie e assim como as nossas ações, buscamos harmonizar as nossas relações, buscamos o conforto e o bem estar em todos os níveis. Nós sempre estivemos envolvidos em melhorar nossa qualidade de vida.

    Há em nós o instinto do crescimento e da evolução. Há em nós o impulso para seguir adiante, e para a conquista de novos desafios. Adentrar no desconhecido a fim de aperfeiçoar é para nós a grande aventura! Isto nos move e nos estimula!

    E ao longo da história da Humanidade, fizemos muitas modificações. Nós passamos por diversas fases até chegarmos ao que somos hoje. Nós modificamos o ambiente, modificamos a forma de nos agrupamos, modificamos as nossas relações, e modificamos especialmente a forma como nos relacionamos com o planeta.

    A cada nova aquisição, nós expandimos a nossa consciência, pois são momentos em que novos conhecimentos chegam ás nossas mentes.

    Nós nos abrimos para novos pensamentos e para novos paradigmas.

    A Expansão da Consciência como o “carro chefe” dos progressos planetários


    A meu ver, o grande impulsionador dos avanços da Humanidade é a nossa própria consciência.

    Inquieta e insatisfeita quer entender e dominar a realidade em que está inserida. Nossa consciência quer compreender o mundo, quer compreender o Universo, quer compreender a si mesma e quer crescer!

    A nossa consciência que não se conforma com as imperfeições e quer sempre aprimorar-se a fim de alcançar novos patamares. E alcançar novos patamares faz com que nossa consciência se expanda.

    Albert Einstein dizia: -“A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”!

    O que significa Expansão da Consciência?


    Expandir a consciência é algo que pertence a nós, é inerente a todo Ser Humano.

    Você pode chamar de expandir os horizontes, olhar além, ver por trás, desvendar uma verdade, trazer para a consciência, etc.

    O fato é que cada vez que a Humanidade se depara com novos conceitos, vê além, descobre uma nova verdade, amplia seus horizontes, está fazendo uma expansão de consciência.

    Lembre-se de que o mundo para os nossos antepassados não passava de alguns hectares de terra dentro dos quais plantavam e caçavam! Lembre-se de que, um pouco mais adiante no tempo, o mundo significava apenas um pequeno vilarejo. Há bem pouco tempo atrás pensávamos que a Terra era o centro do Universo, vivíamos a inquisição, a escravatura, as guerras mundiais.

    Perceba quantos problemas, quantas dores e quanto sofrimento nós já superamos!

    Se olharmos para a nossa história, perceberemos nitidamente que fomos tomando consciência de um espaço cada vez maior ao nosso redor.

    Eu costumo dizer que fomos “saindo do nosso próprio umbigo”!

    Estivemos fazendo sempre o movimento de olhar sempre um pouco mais além.

    E esse movimento acontece tanto no individual quanto no coletivo.

    Transição Planetária é um processo novo no planeta?


    Transição Planetária é algo que estivemos fazendo em cada avanço.

    Transição Planetária nada mais é que sairmos de uma fase, já velha, desnecessária, rançosa e muitas vezes sofrida, para entrarmos numa fase melhor, mais integrada com nossas capacidades disponíveis em cada momento, manifestando-nos num novo nível de consciência, conhecimento e aquisições.

    Nós já vivenciamos diversas Transições Planetárias! E nada há de misterioso nisso.

    A Transição Planetária acontece agora e também a todo momento!


    Se olharmos a nossa volta, veremos que estamos prontos para um novo salto. Estamos em plena Transição Planetária! Nossa consciência está se ampliando mais uma vez, impulsionada pelos avanços científicos, pela globalização, pela necessidade de recuperar e preservar a natureza.

    Estamos entendendo que precisamos nos unir em prol da coletividade e das gerações futuras, começamos a entender que estamos todos “num mesmo barco” – Somos Um.

    A Humanidade percebe que precisa modificar-se em diversos segmentos da sociedade
    Por um lado, estamos nos questionando. Estamos nos perguntando sobre nossas ações passadas. Estamos enxergando um pouco mais além, e com isso temos melhores condições de nos avaliarmos. Descobrimos que certas ações Humanas não trouxeram resultados positivos ao longo do caminho.

    Nem tudo está como gostaríamos!


    Estamos percebendo que precisamos realizar mudanças em alguns setores da Humanidade a fim de atingirmos outros níveis, rumo a mais um pouco de perfeição. E toda vez que questionamos a nossa maneira de ser ou estar no planeta, estamos buscando mudanças e nos preparando para elas.

    E estamos “a todo vapor” nesse movimento. Governos, escolas, empresas, famílias, enfim, todos os nossos segmentos estão se questionando e buscando reformulações. Não queremos mais vivenciar situações que no passado nos levaram a sofrer.

    No fundo nós sabemos que algo ainda não está em Perfeita Ordem. E quando não estamos satisfeitos, buscamos mudanças.

    Estamos vivendo um momento maravilhoso!


    As descobertas da ciência comprovam a espiritualidade, trazendo-nos mudanças de paradigmas. Estamos entendendo que ciência e espiritualidade caminham juntas, podemos todos falar a mesma linguagem.

    Estamos integrando o conhecimento do oriente com o ocidente. As diferenças entre os Povos estão diminuindo e nossa comunicação está tão rápida que encurtamos consideravelmente as distâncias.

    Com a Expansão da Consciência a Humanidade aprende a Amar


    Estamos aprendendo a nos Amar mutuamente, pois agora sabemos que dor e sofrimento de um, refletem no Todo!

    Guerras e disputas entre as Nações e Povos estão se dissolvendo, porque agora compreendemos que vidas Humanas devem estar acima dos interesses econômicos e políticos.

    Ao expandirmos a consciência não aceitamos mais certas situações e sabemos que podemos transformá-las. Ainda estamos aprendendo e a nossa atenção está em descobrir como podemos ser diferentes!

    Sabemos que precisamos nos unir a fim de resolvermos nossos problemas planetários e já percebemos que só através do Amor poderemos realizar essa União.
    Estamos olhando com mais Compaixão para todas as Nações e todos os Povos, nos envolvemos em causas planetárias, mesmo que distantes de nós.

    Estamos rumando para integração planetária.

    Uma integração que expande não só a consciência e como também o Amor.

    É isso que estamos fazendo agora!

    Mais uma vez, mais uma Transição!

    A Humanidade fazendo sua História!

    As mudanças que fazemos hoje estarão nos livros de história.

    E o conteúdo poderá ser:

    “No início do século XXI, a Humanidade redescobriu seu lugar no Universo e aprendeu a Amar”!


    Tania Resende
    Fonte: Manancial de Luz

    segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

    NA JORNADA EVOLUTIVA


    Na Jornada Evolutiva
      Prefácio de Emmanuel no livro 
    "Mundo Maior",
    de André Luiz e explicação de Haroldo Dutra Dias
    em vídeo

    Pedro Leopoldo, 25 de março de 1947.


    Dos quatro cantos da Terra diariamente partem viajores humanos, aos milhares, demandando o país da Morte. Vão-se de ilustres centros da cultura européia, de tumultuárias cidades americanas, de velhos círculos asiáticos, de ásperos climas africanos. Procedem das metrópoles, das vilas, dos campos...

    Raros viveram nos montes da sublimação, vinculados aos deveres nobilitantes. A maioria constitui-se de menores de espírito, em luta pela outorga de títulos que lhes exaltem a personalidade.

    Não chegaram a ser homens completos. Atravessaram o “mare magnum” da humanidade em contínua experimentação. Muita vez, acomodaram-se com os vícios de toda a sorte, demorando voluntariamente nos trilhos da insensatez.

    Apesar disso, porém, quase sempre se atribuíam a indébita condição de "eleitos da Providência"; e, cristalizados em tal suposição, aplicavam a justiça ao próximo, sem se compenetrarem das próprias faltas, esperando um paraíso de graças para si e um inferno de intérmino tormento para os outros.

    Quando perdidos nos intrincados meandros do materialismo cego, fiavam, sem justificativa, que no túmulo se lhes encerraria a memória; e, se filiados a escolas religiosas, raros excetuados, contavam, levianos e inconsequentes, com privilégios que jamais nada fizeram por merecer.

    Onde albergar a estranha e infinita caravana? Como designar a mesma estação de destino a viajantes de cultura, posição e bagagem tão diversas?

    Perante a Suprema Justiça, o malgache e o inglês fruem dos mesmos direitos. Provavelmente, porém, estarão distanciados entre si, pela conduta individual, diante da Lei Divina, que distingue, invariavelmente, a virtude e o crime, o trabalho e a ociosidade, a verdade e a simulação, a boa vontade e a indiferença. Da contínua peregrinação do sepulcro, participam, todavia, santos e malfeitores, homens diligentes e homens preguiçosos.

    Como avaliar por bitola única recipientes heterogêneos? Considerando, porém, nossa origem comum, não somos todos filhos do mesmo Pai? E por que motivo fulminar com inapelável condenação os delinquentes, se o dicionário divino inscreve a letras de logo as palavras "regeneração", "amor" e "misericórdia"? Determinaria o Senhor o cultivo compulsório da esperança entre as criaturas, ao passo que Ele mesmo, de Sua parte, desesperaria? Glorificaria a boa vontade, entre os homens, e conservar-se-ia no cárcere escuro da negação? O selvagem que haja eliminado os semelhantes, a flechadas, teria recebido no mundo as mesmas oportunidades de aprender que felicitam o europeu supercivilizado, que extermina o próximo à metralhadora? Estariam ambos preparados ao ingresso definitivo no paraíso de bem-aventurança infindável tão somente pelo batismo simbólico ou graças a tardio arrependimento no leito de morte?

    A lógica e o bom-senso nem sempre se compadecem com argumentos teológicos imutáveis. A vida nunca interrompe atividades naturais, por imposição de dogmas estatuídos de artifício. E, se mera obra de arte humana, cujo termo é a bolorenta placidez dos museus, exige a paciência de anos para ser empreendida e realizada, que dizer da obra sublime do aperfeiçoamento da alma, destinada a glórias imarcescíveis?

    Vários companheiros de ideal estranham a cooperação de André Luiz, que nos tece informações sobre alguns setores das esferas mais próximas ao comum dos mortais.

    Iludidos na teoria do menor esforço, inexistente nos círculos elevados, contavam com preeminência pessoal, sem nenhum testemunho de serviço e distantes do trabalho digno, em um céu de gozos contemplativos, exuberante de conforto melífico. Prefeririam a despreocupação das galerias, em beatitude permanente, onde a grandeza divina se limitaria a prodigiosos espetáculos, cujos números mais surpreendentes estariam a cargo dos Espíritos Superiores, convertidos em jograis de vestidura brilhante.

    A missão de André Luiz é, porém, a de revelar os tesouros de que somos herdeiros felizes na Eternidade, riquezas imperecíveis; em cuja posse jamais entraremos sem a indispensável aquisição de Sabedoria e de Amor.

    Para isto, não lidamos em milagrosos laboratórios de felicidade improvisada, onde se adquiram dotes de vil preço e ordinárias asas de cera. Somos filhos de Deus, em crescimento. Seja nos campos de forças condensadas, quais os da luta física, seja nas esferas de energias sutis, quais as do plano superior, os ascendentes que nos presidem os destinos são de ordem evolutiva, pura e simples, com indefectível justiça a seguirmos de perto, à claridade gloriosa e compassiva do Divino Amor.

    A morte a ninguém propiciará passaporte gratuito para a ventura celeste. Nunca promoverá compulsoriamente homens a anjos. Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do que houver semeado e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são característicos imutáveis da Lei, em toda parte.

    Ninguém, depois do sepulcro, gozará de um descanso a que não tenha feito jus, porque "o Reino do Senhor não vem com aparências externas".

    Os companheiros que compreendem, na experiência humana, a escada sublime, cujos degraus há que vencer a preço de suor, com o proveito das bênçãos celestiais, dentro da prática incessante do bem, não se surpreenderão com as narrativas do mensageiro interessado no servir por amor. Sabem eles que não teriam recebido o dom da vida para matar o tempo, nem a dádiva da fé para confundir os semelhantes, absorvidos, que se acham, na execução dos Divinos Desígnios. Todavia, aos crentes do favoritismo, presos à teia de velhas ilusões, ainda quando se apresentem com os mais respeitáveis títulos, as afirmativas do emissário fraternal provocarão descontentamento e perplexidade.

    É natural; porém, cada lavrador respira o ar do campo que escolheu.

    Para todos, contudo, exoramos a bênção do Eterno: tanto para eles, quanto para nós.


    pelo Espírito André Luiz,
    psicografia Francisco C. Xavier
    obra: No Mundo Maior


     




    quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

    A espada e o processo evolutivo



    A apreensão que muitos ficam ao ler alguns ensinamentos e declarações de Jesus, onde Ele aparentemente afirma a necessidade das discórdias entre amigos, companheiros de trabalho, de doutrina e principalmente com os familiares, sendo Ele a personificação da doçura e da bondade, cabe uma análise mais profunda.

    O que Jesus quis dizer com divisão, separação, era a possibilidade de assimilar e entender o processo evolutivo do ser humano, o que até hoje muitos não entendem ainda. O Mestre trouxe a doutrina da purificação, a finalidade era e ainda é, combater o abuso, preconceitos e plantar a paz.

    No cotidiano, as opções de vida são diferentes entre os seres humanos, devemos respeitá-las como fez Jesus, sem impor. Mas a diferença de entendimento provocará a discórdia, a divisão. “Vim separar de seu pai o filho… Não vim trazer a paz, mas a espada”. Mateus – Cap. X; 34 a 36.

    A ideia quando é nova, e quanto maior for a importância do conceito, mais discórdia ela provocará, a polêmica acontecerá, e é ai que Jesus queria que nós chegássemos. Ele previu com toda a sua sabedoria o futuro de debates e dissensões. A guerra de opiniões entre familiares, seitas e continentes, contribuiria para o expurgo do orgulho, da vaidade, do egoísmo, encarcerada no espírito individualizado. A doutrina espírita veio para fechar este ciclo da fase evolutiva dos habitantes do planeta Terra. Então quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o espírito de verdade, que virá restabelecer todas as coisas. A aqueles que compreenderem as suas palavras porá fim ao sofrimento.

    Ao analisar a situação atual do mundo, deparamos com as discórdias, a falta de compreensão, muita luta íntima, procurando, às vezes, em desespero, a resposta para tudo o que acontece ao nosso redor. Vamos atrás de conforto material, achando que ele vai saciar as nossas aflições, grandes conquistas financeiras povoam os nossos sonhos e desejos, sem nunca trazer as respostas. Até que um dia, cansados de sofrer, resolvemos aceitar os “antigos” conceitos de Jesus.

    O crescimento espiritual da humanidade, por seus diferentes níveis, causa a separação e a divisão dita por Jesus, é a proporcionalidade do crescimento de cada um. Mas o dia de união chegará, e está próximo, as lutas atuais não são mais sanguinolentas, mas de ordem moral, que todos nós dentro da razão, não nos preocupemos mais, pois todos compreenderão um dia a imortalidade do espírito e sua constante evolução, teremos a fé raciocinada e não fanatizada, usaremos com mais eficácia o nosso livre arbítrio. As primeiras lutas duraram séculos, estas durarão apenas alguns anos e construiremos a felicidade e a paz.

    Na desenfreada corrida pelas conquistas íntimas, desde há muito séculos, a humanidade confunde o conceito. No entender comum, a conquista de momentos felizes e tranquilidade duradoura, estão atreladas a garantias materiais. A ociosidade, a curtição, a vida desregrada, contribui para que muitos fiquem afastados da realidade da vida. Essa tranquilidade enganosa não poderia ser avalizada por Jesus.

    Vivendo erroneamente nesses conceitos, o homem adquiriu débitos morais, durante muitos séculos, o que o obrigou a lutas regeneradoras por várias encarnações. A espada, que simboliza a luta, mostrou ao homem a necessidade da mudança, do aprimoramento moral e cognitivo. A luta não tem sangue, o combate é individual e o caminho é rumo à perfeição do espírito; regrado a sacrifícios e testemunhos, impulsionando a renovação e a verdadeira paz.

    Que a nossa busca não seja enganosa, fugindo da realidade, ao qual o processo evolutivo determina e que estamos vinculados. A vida espiritual é uma verdade incontestável, não permitindo que ignoremos o processo santificante. O homem segue equivocado em suas tarefas diárias, os interesses imediatos predominam na corrida desenfreada das posses exteriores.

    Em suas explanações incontestáveis, Emmanuel nos alerta sobre a necessidade do aproveitamento do “tempo” em favor do nosso aprimoramento. Descreve-o sobre o tema dizendo: “É lógico que todo o homem conte com o tempo, mas se esse tempo tiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho? Não obstante a oportunidade da indagação importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda a parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma… Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida”.

    Que o trabalho seja a nossa tarefa, e que Jesus nos inspire nas escolhas diárias.


    Fonte: Seareiros de Jesus

    segunda-feira, 22 de julho de 2013

    Vontade - Ferramenta da Evolução



    VONTADE: FERRAMENTA DA EVOLUÇÃO
     
    Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez; 
    e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que
     nem ainda o mundo todo poderia conter os livros 
     que se escrevessem.   Amém.   (João, 21:25)

     
    Jesus não perdia a menor oportunidade para ensinar; qualquer situação, qualquer momento, aparentemente insignificante, suscitava para Ele lições de extremada importância para a Humanidade. O tempo urgia, não podia tergiversar. Cada momento tinha o seu valor. 

    Uma dentre tantas lições de profundeza moral merece destaque especial (Marcos, 11:12 a 14; 19 a 26): 

    "E no dia seguinte, quando saíram de Betânia teve fome. E vendo de longe numa figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa: e chegando a ela não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
    E Jesus falando, disse à figueira: nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. (...)
    E sendo já tarde saiu fora da cidade. E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira que tu amaldiçoaste secou. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque, em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhes será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis; E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas; Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas."
     
    É interessante observar que, nessa belíssima passagem evangélica, de profunda significação, Pedro não compreendeu de imediato a lição do Mestre, ele sentiu apenas o que seus sentidos registraram, e assim entendeu a atitude de Jesus como se fosse uma maldição. 

    O divino Amigo, todavia, não tinha tempo a perder, não tentou sequer justificar-se. Ele, a personificação do Amor, jamais prejudicaria quem quer que fosse; quanto mais uma inofensiva árvore, por não ter frutos fora de época. Ele tinha conhecimento de todas as leis da Natureza e em instante algum as transgrediria. 

    A atitude de Jesus descortinou, como em tantos outros momentos, a sabedoria do Grande Mestre: demonstrar na prática o poder que o homem carrega dentro de si; poder esse que, usado à revelia, pode causar malefícios irreversíveis não só contra a Natureza, mas também contra si e os semelhantes. 

    (Sabe-se hoje, através de estudos e também pela revelação dos Espíritos, o poder que o pensamento armazena e se expressa pelas palavras. E, de acordo com a emoção, o vigor veiculado, emite jatos de energia magnética na direção do sujeito ou objeto focalizado.) 

    Primeiro a lição prática: Jesus usou a vontade, através das palavras, para secar a figueira. Deu um tempo suficiente e retornou para completar a lição por meio da teoria. 

    É então que ressalta o poder da palavra quando pronunciada com somada ao poder da oração: "Tende fé em Deus (...), tudo que pedirdes orando crede que o recebereis e tê-lo-eis..."
     
    Mas não deixa de alertar sobre a importância do perdão: "(...) e quando estiverdes orando perdoai se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas."
     
    Neste alerta está nitidamente expressa a força poderosa da Vontade. Jesus usou-a. Os homens podem também usá-la. A tarefa que aguardava os Seus discípulos exigia um grande esforço interior, muita vontade, e bem dirigida, para prosseguirem até o fim. 

    Logo em seguida, completando o alerta, o Mestre conclui: (...) mas se vós não perdoardes, também vosso Pai que está nos céus vos não perdoará as vossas ofensas."
     
    Nessa conclusão, Jesus esclarece que os atos oriundos de qualquer ofensa não serão perdoados. Portanto, cada ação é da responsabilidade de seu autor perante as divinas leis. 

    O Homem encarnado, em sua tríplice composição - corpo, perispírito, Espírito -, ainda desconhece o potente manancial fluídico que possui. Assim sendo, usa-o às cegas, como a criança que não avalia o perigo que representam certos elementos e objetos nas próprias mãos. 

    O perispírito, corpo fluídico do Espírito, está intimamente ligado ao corpo físico e ao Espírito; assim sendo, conduz o pensamento que se exterioriza sob o comando poderoso e autoritário da vontade. 

    A atividade constante, dinâmica, ininterrupta do pensamento, sob esse comando, age vigorosamente sobre a atmosfera do ambiente em que atua; sobre as pessoas com as quais convive; sobre o próprio corpo espiritual, que, por sua vez, reflete no corpo físico e no Espírito. A reação se apresenta de acordo com a qualidade da emissão - boa ou má, superior ou inferior, construtiva ou destrutiva, viciosa ou edificante - que será multiplicada pelo tipo de companhia espiritual que possa atrair. 

    Assim, pensamentos, palavras de amor, ternura, piedade projetam energias salutares que impregnam a atmosfera em que se respira: 

    Deus te abençoe! Tenha um bom dia! Tudo vai dar certo! Esse procedimento atrai os bons Espíritos que, por sua vez, colaboram na emissão de energias enriquecedoras. 

    Todavia, pensamentos e palavras de ódio, raiva, deboche, revolta, projetam energias deletérias: 

    Maldição! Vá pro inferno! Nada dá certo comigo! Todo tipo de obscenidade e palavrões. E os Espíritos infelizes são atraídos pelo magnetismo emitido, aproximam-se e colaboram na ampliação dos fluidos saturados, bem como na concretização dos pensamentos infelizes. 

    Por isso, frases otimistas, cheias de fé, de esperança, reanimam. Frases pessimistas abatem o ânimo. Portanto, o estado de ânimo depende da vontade, do querer.

    Existe um axioma popular que diz: "Querer é poder!" Realmente, o querer, a vontade, são poderosos. Quando se quer com vigor, consegue-se, pois a emissão das energias é impulsionada pela vontade e dá força para reverter qualquer estado negativo, depressivo em que se encontra. Com fé, se atraem amigos espirituais e, através da oração, estabelece-se sintonia com os Planos Superiores. Por isso, Jesus afirmou: (...) qualquer que disser a este monte ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito."
     
    A vontade se manifesta através dos pensamentos, palavras, gestos, atos, nos momentos mais simples da vida, quando se quer, ou não se quer: falar, andar, comer, sorrir, chorar... até os atos mais complexos: pensar, refletir, progredir, amar, obedecer, estudar, criar, prejudicar, mentir, acusar, e assim por diante.
    A vontade pode ser direcionada a favor do próprio indivíduo ou contra ele, os semelhantes, a Natureza, um ideal. Para o bem, para o mal. Para construir, para destruir. 

    Léon Denis define muito bem a vontade: "A Vontade é força suprema; é a própria alma que exerce o seu império sobre as potências inferiores: o uso que dela façamos determinará nosso adiantamento preparando o nosso futuro, fortificando-nos ou deprimindo-nos." ("Depois da Morte", pág. 212). 

    Num outro momento, o grande estudioso da Doutrina dos Espíritos afirma:
    O poder da vontade sobre os fluidos é ilimitado e aumenta com a elevação do Espírito. No ambiente terrestre, seu poder sobre a matéria é limitado, visto que o homem não se conhece e não sabe utilizar as forças que estão nele..." (Idem, pág. 209). 

    O poder da vontade se compara ao da água e do fogo: Quando bem direcionados, controlados, são os maiores indutores do progresso; porém, sem controle, sem limites, causam tragédias e destruições. 

    No episódio da figueira, Jesus demonstrou o poder de destruição da vontade, e a necessidade de usá-la para o bem. Para tanto, acrescentou a fé, a oração e o perdão, para que seus efeitos se ampliassem. 

    Na breve existência sobre a Terra, Seus feitos exaltaram não apenas o poder da vontade, mas também os seus benefícios: curou cegos, paralíticos, leprosos, obsidiados, acalmou tempestades, caminhou sobre as águas, suportou dores físicas e morais superlativas. Jesus manipulava os fluidos com conhecimento de causa. Assim, usou a figueira para que Seus discípulos testemunhassem a força, o manancial de energia que cada um possuía e, ao mesmo tempo, aprendessem a manipular corretamente essas energias. É preciso conhecer a ferramenta para utilizá-la com proveito. 

    O mal não é criação divina. É o produto da inferioridade do homem. Deus deu-lhe as ferramentas para serem bem usadas. Quando mal utilizadas, produzem malefícios, tanto para si quanto para os semelhantes, afetando a ambiência em que vive. Assim, ao observar detalhadamente as múltiplas utilidades que uma lâmina apresenta, em suas diferentes versões, perceber-se-á que abre caminhos ásperos; facilita a vida doméstica; salva vidas e as prolonga em salas de cirurgia. Tornou-se, portanto, instrumento de sobrevivência da Humanidade. No entanto, nem sempre se imagina quanto mal, quanta desgraça acarreta quando mal empregada. Todavia, nos bastidores de toda essa dinâmica progressiva ou destrutiva a vontade se faz presente.

    A vontade, mal direcionada pelo homem, é hoje a principal causadora dos despautérios em que a Terra se debate. É necessário reverter o direcionamento de seus desejos para o bem comum, para o amor, para a fraternidade. Ninguém vive feliz projetando destruição... Pois, destruindo a seara alheia se destrói as próprias fontes de vida em que se respira. 

    A demonstração do Divino Amigo para Seus discípulos foi também para a Humanidade de todos os tempos: "Nunca mais coma alguém fruto de ti."
     
    Nessa breve demonstração, iluminou consciências inexperientes: tudo que se destrói no presente, com certeza faltará no futuro. 

    Sem vontade não se constrói, não se evolui. A vida se compõe de desafios constantes. A cada desafio vencido, uma vitória alcançada. Se a cada desafio forem somados a força da fé, o poder da oração e a plenitude do perdão, não há o que temer. A vontade bem direcionada conduzirá a alma pelos caminhos do Amor. 

    Nos momentos cruciais em que as asperezas das provas enfraquecerem a vontade, é importante recordar: 

    Num momento de ira, Moisés destruiu as tábuas da lei; mas, de vontade firme, armou-se de humildade, retornou à áspera tarefa e recuperou os Dez Mandamentos. 

    Num momento de inferioridade, Judas traiu Jesus. 

    Num instante de medo, a vontade de Pedro vacilou, e ele negou Jesus. 

    Num momento de autoridade, Paulo perseguiu Jesus; todavia, num arroubo de coragem, abandonou tudo e seguiu Jesus. 

    Com a vontade centrada no Divino Mestre Jesus, todos se redimiram. 


    A. Merci Spada Borges - "O Reformador" - Novembro/2000 - Págs. 336/337.