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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Orelhão Espiritual



É muito comum, pessoas procurarem as casas espíritas com o intento exclusivo de obter contato com parentes e amigos que desencarnaram, quase sempre há pouco tempo. Esse procedimento é muito comum entre aquelas criaturas que não possuem conhecimento sobre o Espiritismo.

Mas também acontece com pessoas que já deveriam ter uma noção maior da realidade espiritual. Muitas além do desejo de entrar em contato com seus desencarnados, o fazem por curiosidade, saudade, inconformidade, e muitos outros motivos. Uma pessoa me interpelou perguntando: “Perdi” meu pai há poucos meses. Seria possível me indicar um centro espírita onde eu tivesse a oportunidade de ver ou de falar com ele?


Esta pessoa não gostou muito da resposta quando eu disse que, embora não fosse impossível, isso seria muito difícil. Embora condenada por alguns, a evocação dos espíritos é possível, porém, está sujeita a uma série de circunstâncias que poderão impedi-la. Na questão 282 do “Livro dos Médiuns” estão enumeradas várias possibilidades de uma evocação não ser atendida. Esta é uma boa sugestão de leitura para maiores esclarecimentos sobre o assunto. Vejamos alguns obstáculos:

Nenhum espírito pode ser obrigado a satisfazer nossa vontade. Há quem pareça julgar que os espíritos são nossos serviçais, que devem atender prontamente ao nosso chamado. O espírito liberto da matéria é mais livre do que nunca, só se comunica se assim o desejar. Somente os sofredores e obsessores são algumas vezes, compelidos a comunicar-se, por misericórdia do Pai, para serem socorridos ou doutrinados.

Há ocasiões em que o espírito evocado já se encontra reencarnado (nesse caso, só poderia se comunicar através do sono) ou, pode também estar executando tarefas que não podem ser interrompidas. O local onde se encontra o espírito evocado, pode ser outro obstáculo ao atendimento do chamado. Estando em instituição espiritual, (como “Nosso Lar”), dificilmente será deslocado até a crosta terrestre apenas para atender a um pedido. O mesmo ocorre com aqueles que necessitam expiar suas faltas no umbral ou em região com fim semelhante.

Na novela recentemente apresentada em uma emissora de TV, o obsessor entrava e saía do umbral, à vontade, como se fosse uma hospedaria. É um equívoco pensar que na Espiritualidade não existe ordem e subordinação. A permissão da Espiritualidade Superior para a comunicação, também se faz necessária.

Embora muitos dirigentes materiais tomem atitudes de comando supremo, nós encarnados, não dirigimos os trabalhos espirituais, somos meros participantes. Se o trabalho é sério e organizado, tem um dirigente espiritual designado para a tarefa por altos mentores espirituais, que toma todas as atitudes referentes a seu campo, assim como compete ao dirigente material manter a ordem e as condições de trabalho no campo material. Os espíritos elevados não recebem ordens dos encarnados.

Assim a comunicação não depende só de nossa vontade ou a do evocado. O impedimento pode ser até uma espécie de punição, seja para o espírito, seja para quem o evoca. Outro fator a considerar é a finalidade com que é feita a evocação. É necessário motivo relevante e um ambiente saturado de bondade e simpatia. Espírito esclarecido só se comunica quando constata a utilidade da comunicação, jamais ocupa o tempo para satisfazer curiosidades ou manter diálogo sobre banalidades. Isso porque as reuniões mediúnicas devem ser destinadas ao aprendizado e a caridade junto aos espíritos necessitados.

Também há fatores emocionais que podem impedir o intercâmbio. Deve ser profundamente emocionante para o desencarnado falar com os entes queridos que ficaram. Todo desencarne provoca uma certa perturbação, mesmo que seja por poucos momentos. Poderá gerar um desequilíbrio no espírito desencarnado caso ele não se encontre em condições emocionais para a comunicação.

O Espírito Emmanuel, no livro “O Consolador”, na questão 380 nos ensina que não é justo provocar a comunicação com os desencarnados. Que o espírita sincero busca conforto moral na própria fé. Acrescenta que o homem pode desejar isto ou aquilo, mas há uma Providência e mérito a ser analisado, além da utilidade da permissão. A comunicação deve ser espontânea, que devemos colocar a fé acima do egoísmo e considerar a necessidade de repouso daqueles a quem amamos.

A melhor maneira de auxiliarmos um espírito desencarnado, é através da prece feita com sentimento, rogando aos espíritos amigos que prestem o devido socorro àqueles que já se foram, para que sejam orientados, amparados e guiados à pátria espiritual.

Compilado por Harmonia Espiritual da
Revista Visão Espirita nº 19 – artigo de Hélio Pinto

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Evocar ou não Espírito, uma breve reflexão espírita



Qual a importância da evocação dos Espíritos nos dias de hoje? Será inadmissível ou errada a evocação dos desencarnados? É incontestável não haver qualquer dispositivo que impeça a evocação (1) dos Espíritos na Codificação. Porém, Kardec faz ressalvas sobre o tema: “frequentemente as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas a questões circunstanciadas. Para isto, são necessários médiuns especiais, ao mesmo tempo flexíveis e positivos”. (2) Portanto, sem esse discernimento, se alguém evocar uma pedra ela responderá, pois “há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra sob qualquer pretexto.” (3)

Atualmente há cauteloso exercício da não evocação dos Espíritos. Como interpretar o empecilho evocatório nos grupos mediúnicos? Cremos que inexista qualquer proibição pelos dirigentes; o que acontece são apenas critérios de aconselhamentos para que tal prática seja evitada, em face das precipitações que proporciona. Em que pese não ser totalmente favorável à evocação dos Espíritos, não analisamos tal método como “coisa demoníaca”, desde que sejam aferidos os relevantes desígnios a que se propõem e, sobretudo, os valores morais dos evocadores.

A propósito das manifestações mediúnicas espontâneas, será que são menos perigosas do que as evocações? O Codificador afiança que a evocação traça laços entre o evocador e o evocado, que impedem ou pelo menos limitam a interferência de um mistificador. Todavia, Kardec também assegura que “as comunicações espontâneas não apresentam inconveniente algum e que por esse método se podem obter coisas admiráveis.”. (4)

Em verdade, no transcurso dos anos adveio uma mudança no método de intercâmbio com o além. Entre os importantes pontos que avalizam a restrição da prática evocatória atual, consta a desconfiança da indução, do sugestionamento ou do animismo do médium, além do quê, este acabaria quase que na obrigação de “receber espírito tal ou qual”, sobretudo para atender ao dirigente e ao grupo.

Outros aspectos a considerar são a sujeição e a inibição que, via de regra, escoltam esse tipo de exercício mediúnico (evocação), originários da perspectiva quase sempre mística cultivada em torno do médium. Cremos que a modificação do processo evocatório nas reuniões mediúnicas ocorreu porque não surtiu, após a Codificação, os efeitos almejados. Ou o mais provável, por não se obterem médiuns “desenvolvidos” com qualidades adequadas ou, em última análise, ambas as condições.

Do exposto, e considerando as graduais etapas da programação espírita na Terra, será que atualmente deveríamos promover (como ocorreu durante a codificação), um diálogo escancarado e direto com os recém-desencarnados, visando obter notícias dos mesmos para seus familiares que aqui ficaram? Quantas pessoas procuram grupos espíritas querendo notícias dos entes que “partiram”? Será que a finalidade da mediunidade é essa?(5) Há pessoas (pasmem!) que “orientam” médiuns através de cursos “avançados”, ensinando algum tipo de “técnica” para “receberem recém-desencarnados”. Tais “mestres de Espiritismo” afirmam com bazófia que alguns jovens e outros “formandos” estarão dentro em breve prestando [através da evocatória mágica] os “serviços” de consolação para os parentes que por aqui ficaram!…(?!?!?) Acredite se quiser!!!!(6)

Reafirmamos a opinião de Emmanuel – “qualquer comunicação com o invisível deve ser espontânea, e o espírita cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno”. (7) O bom senso nos impõe a certeza nas lições aqui consignadas pelo Mentor de Chico Xavier. O lembrete não pode ser atribuído à opinião pessoal do Benfeitor, como soi apostilar alguns, até porque não há qualquer contradição doutrinária no seu discurso.

Um grupo espírita prudente trabalha com a espontaneidade das comunicações e recorre às evocações tão só nas situações extraordinárias. Até porque “no curso do trabalho mediúnico, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receber os desencarnados presentes, repetindo ordens ou sugestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade – fator essencial ao êxito do intercâmbio.”(8)

Notemos que não temos domínio sobre o mundo dos Espíritos que, para desagrado dos evocadores, têm suas próprias normas de conduta. Quanto aos principiantes na mediunidade, Kardec adverte energicamente “para que não se adote a evocação direta de um Espírito explicando as dificuldades do processo e aconselhando um apelo geral.”. (9)

Há circunstâncias reais que inibem ou obstam aos Espíritos atender os evocadores quando lhes são dirigidas as evocações. Observemos algumas situações que tornam a evocação impossível: quando o desencarnado está envolvido em missões ou ocupações de que não pode afastar-se; quando o Espírito não estiver mais no além, porém já (re)encarnado (só excepcionalmente pode acontecer evocação de um encarnado), mas isso é impossível se estiver reencarnado em planetas inferiores à Terra; quando o evocado etéreo se encontra em locais de punição e não tem permissão para dali se afastar; quando o médium evocador, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado.

Além disso, como pronunciou Kardec, “as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns.”.(10) Certa vez, alguém nos disse o seguinte: “os dirigentes que estão propondo atualizar suas casas espíritas necessitam abdicar o entendimento contrário às evocações, pois se não houver evocações o centro espírita ficará impedido de curar obsessões (!?…), deixando de realizar uma das mais importantes obras do Espiritismo: a libertação obsessiva” (!!!???). Expliquei ao distinto evocador que o tratamento de desobsessão não é a “obra” mais imperiosa da instituição espírita. A mais importante missão do centro espírita é difundir os conceitos doutrinários, visando colaborar na reforma moral do homem. Outra coisa: o Espiritismo jamais recomendará a propagação dos impróprios métodos de exorcismo batizados de desobsessão através de ingênuas evocações.

Para Leon Denis, não é indispensável fazer evocações definidas. No grupo que dirigiu, raramente ocorreram evocações, pois “preferia dirigir um apelo aos guias e protetores habituais, deixando a qualquer Espírito a liberdade de se manifestar sob sua vigilância.”. (11) Denis legou-nos modelos excelentes de reuniões onde se cultivava a reverência intensa aos mentores do além, em que a mediunidade era desempenhada com amor, sem que houvesse perda ao estudo e à investigação.
Ademais será que impedindo ou sugerindo a não evocação de Espíritos, o campo de pesquisa na instituição se fecha e tudo fica entregue ao “Deus dará”? Será que sem as evocações de Espíritos advirá a pobreza de revelações “avançadas” do além? Há opiniões extravagantes atestando que as manifestações espirituais espontâneas são fonte de improdutividades doutrinárias, o que torna o centro espírita inerme e de onde se faz necessário sair com urgência. (Pasmem!)
Evocar ou não um Espírito é assunto que necessita, assim, ser bem ponderado, tendo sempre em mente a intenção a que ela se presta. André Luiz reafirmou o parecer firmado por Emmanuel, aconselhando a supressão, em nosso meio, “da prática da evocação nominal dos Espíritos.”. (12)

A técnica evocativa dos Espíritos teve sua época, como tiveram as mesas girantes, as pranchetas, as tiptologias, as pneumatografias e pneumatofonias, as materializações etc. Como também teve sua época “o diálogo com os Espíritos através da psicografia. O retorno ao método da evocação, inclusive, não dinamizaria as atividades mediúnicas e nem propiciaria o surgimento de médiuns mais aptos e seguros. No caso destes é exatamente o contrário: o surgimento de médiuns mais adestrados é que possibilitaria (talvez) as condições para as evocações.”. (13)

Em síntese, a evocação pode ser empregada eventualmente, priorizando-se, porém, as comunicações espontâneas. Óbvio que nenhum dos dois métodos deve ser rejeitado radicalmente, até porque isso ocasionaria prejuízos nas atividades da mediunidade nos seus vários aspectos, seja na eventual terapêutica dos quadros obsessivos, na assistência aos espíritos sofredores ou nas investigações dos fenômenos extrafísicos.

Referências Bibliográficas:

(1) A palavra “evocar” deriva do latim “evocare” que significa atrair “alguém” de algum lugar.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 25 item 272
(3) Idem, item 283a
(4) Idem , item 269
(5) Hessen, Jorge. Artigo “Técnicas para notícias de desencarnados”, publicado no site http://aluznamente.com.br/tecnicas-para ... a-para-ca/ acessado em 12/03/2013
(6) Idem , acessado em 13/03/2013
(7) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, Questão 380
(8) Xavier, Francisco Cândido: Desobsessão ditado pelo Espírito: André Luiz cap. Manifestação do enfermo espiritual III, RJ: Ed. FEB, 1980
(9) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 17 item 203
(10) Idem , item 272
(11) Denis, Leon, No invisível RJ: Ed FEB, 1990, disponível em http://vademecumespirita.com.br/goto/st ... mediunicas
(12) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap 25
(13) Shubert, Suely Caldas. Artigo – “Da evocação dos Espíritos nas reuniões mediúnicas”, Disponível em http://suelycaldasschubert.webnode.com.br/artigos/ acessado em 12/03/2013

sábado, 8 de junho de 2013

Sobre as Evocações


Estudo com base in O Livro dos Médiuns,
Segunda parte, Cap. XXV, Das Evocações, item 282.
Obra codificada por Allan Kardec.



Qualquer pessoa pode evocar (1) os Espíritos. Se os evocados não puderem manifestar-se, nem por isso deixam de se aproximar para de alguma forma atender o chamado do evocador.

O atendimento do Espírito evocado depende das suas condições, porque há circunstâncias em que ele não pode fazê-lo.

As causas que podem impedi-lo de atender ao chamado são: Primeiro, a sua própria vontade; depois, o seu estado corpóreo, se estiver encarnado, as missões de que estiver encarregado, ou ainda a falta de permissão para tanto, que lhe pode ser negada. Há também Espíritos que não podem jamais comunicar-se. São os que ainda pertencem, por sua natureza, a mundos inferiores à Terra. Os que se encontram em globos de punição também não podem comunicar-se, a menos que tenham permissão superior, só concedida em caso de utilidade geral. Para que um Espírito possa comunicar-se é necessário que tenha atingido o grau de evolução do mundo em que é chamado, pois do contrário será estranho à cultura desse mundo e não disporá de meios de comparação para exprimir-se. Não se dá o mesmo com os que são enviados em missão ou expiação aos mundos inferiores, pois esses possuem a cultura necessária para responder.

O motivo por que pode ser negada a um Espírito a permissão de se comunicar é que, também, pode ser uma prova ou uma punição para ele ou para quem o chama.

Nas evocações, os Espíritos dispersos no espaço ou em diversos mundos, frequentemente são prevenidos pelos Espíritos familiares que nos cercam e que vão procurá-los. Mas ocorre nesse caso um fenómeno que é difícil explicar, porque ainda não podemos compreender muito bem o modo de transmissão do pensamento entre os Espíritos. Mas podemos dizer que da mesma maneira que o ar é o veículo do som na Terra, inclusive, as ondas de rádio e tv, para transmitir sons e imagens num raio muito maior, o seu alcance é limitado. Já com os Espíritos, o fluido universal (2) estabelece entre eles uma comunicação constante e de alcance ilimitado, podendo ser captado em qualquer lugar do Universo (3) por todo aquele que consegue ou tem a capacidade de se sintonizar ou entender a mensagem do pensamento emitido. Assim, podemos dizer que os Espíritos se comunicam e se entendem pelo pensamento (4), como na Terra nos entendemos com a voz daquele (s) que nos fala (m). 

As distâncias nada são para os Espíritos, por isso, que muitas vezes respondem prontamente ao chamado como se estivessem muito próximos (5). Às vezes isso acontece, porque realmente estão, principalmente, quando a evocação foi premeditada, assim, o Espírito recebeu o aviso com antecedência e frequentemente se encontra no lugar antes que o chamem.

Conforme as circunstâncias, o pensamento do evocador será ouvido com maior ou menor facilidade. O Espírito chamado com um pensamento de simpatia e benevolência é mais vivamente tocado. É como se reconhecesse uma voz amiga. Sem isso, acontece muitas vezes que a evocação não avança. O pensamento desferido pela evocação toca o Espírito, mas se é mal dirigido se perde no vácuo. Isso acontece também com os homens: se quem os chama não interessa ou lhes é antipático, eles podem ouvi-lo, mas na maioria das vezes não o atendem.

O Espírito evocado obedece à vontade de Deus, o que quer dizer à lei geral que rege o Universo. Não obstante, ele também julga se é conveniente atender de acordo com o seu livre-arbítrio. Sempre que há um objectivo útil, os Espíritos superiores atendem as evocações prosperamente. Só se recusam a responder nas reuniões de pessoas pouco sérias e que tratam disso por divertimento.

O Espírito evocado pode, perfeitamente, negar-se a atender a evocação. Por isso, tem o seu livre-arbítrio. Não podemos imaginar que todos os seres do Universo estão às nossas ordens. Nós mesmos, não somos obrigados a responder a todos os que nos chamam. No caso de um Espírito inferior, este pode ser constrangido, por um superior a ele, em seu benefício, para se manifestar (6).

No caso de o Espírito ser igual ou superior a ele em moralidade - dizemos em moralidade e não em inteligência - o evocador não dispõe de meios para constranger o Espírito a atendê-lo, porque então não tem nenhuma autoridade. Se for inferior, poderá fazê-lo para o seu próprio bem, porque então outros Espíritos o ajudarão. (7).

Os Espíritos inferiores só dominam os que se deixam dominar. Quem for assistido por Espíritos bons nada tem a temer, porque se impõe aos Espíritos inferiores e não estes a ele. Os médiuns quando sós, principalmente quando iniciantes, devem evitar essa espécie de evocações. (8)

A disposição principal para as evocações é a do recolhimento, quando se deseja a comunicação de Espíritos sérios. Com fé e o desejo do bem há maior capacidade para se evocar Espíritos superiores. Ao elevar a alma por alguns instantes de recolhimento, no momento da evocação, o evocador se identifica com os Espíritos bons e os dispõe a se manifestarem.

A fé em Deus é necessária para as evocações. No demais, a fé se desenvolverá naturalmente quando existir o desejo do bem e a intenção de instruir-se.

Reunidos pela unidade de pensamentos com o desejo de fazer o bem pela caridade, os evocadores conseguem grandes coisas. Nada é mais nocivo para o êxito das evocações do que a divergência de pensamentos.

O hábito de formar corrente, dando-se as mãos por alguns minutos no começo das reuniões é um meio material que não produz a união entre os participantes das evocações se ela não existir nos pensamentos. Mais eficaz que essas coisas é a união num pensamento comum, apelando cada qual para os Espíritos bons. Imaginemos o que de bom poderia se obter numa reunião séria, da qual não houvesse nenhum sentimento de orgulho e de personalismo, reinando assim, um perfeito sentimento de mútua cordialidade.

É preferível fazer as evocações em dias e horas determinados, e se possível no mesmo local. Os Espíritos então comparecem mais à vontade. A assiduidade, também, oferece óptimas condições para os Espíritos comunicarem-se através das evocações. Eles têm as suas ocupações, que não podem deixar de repente para a satisfação pessoal dos evocadores. Quando digo no mesmo local não me refiro a uma obrigação absoluta, pois os Espíritos vão a toda parte. Quero dizer que é preferível um local consagrado às reuniões, porque o recolhimento se torna mais perfeito.

Objetos, como medalhas e talismãs, não possuem a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos, como pretendem algumas pessoas, pois a matéria não exerce nenhuma ação sobre os Espíritos. Podemos ficar certos de que jamais um Espírito bom aconselha semelhantes absurdos. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza, só existe na imaginação das criaturas supersticiosas. (9)

Os Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres em horas inconvenientes são Espíritos que se divertem com aqueles que lhes dão ouvidos. É sempre inútil e frequentemente perigoso ceder a essas sugestões. Inútil, porque nada absolutamente se ganha além de ser mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam fazer, mas pela influência que isso pode exercer nos cérebros fracos. (10)

Para os Espíritos não existem dias e horas mais propícias para as evocações, isso é completamente indiferente, como tudo o que é material, e seria supersticioso acreditar na influência dos dias e das horas. Os momentos mais propícios são aqueles em que o evocador esteja menos absorvido pelas suas preocupações habituais, em que o seu corpo e o seu espírito estejam mais calmos. (10)

A evocação pode ser agradável ou não para os Espíritos, isso depende do seu carácter e do motivo porque são chamados. Quando o objectivo é louvável e o meio é simpático, a evocação se torna agradável e mesmo atractiva. Os Espíritos se sentem sempre felizes com os testemunhos de afeição. Há os que consideram uma grande felicidade poder comunicar-se com os homens e sofrem com o esquecimento destes. Mas isso, também depende do seu carácter. Entre os Espíritos existem também os misantropos que não gostam de ser incomodados, cujas respostas se ressentem do seu mau humor, sobretudo quando chamados por criaturas que lhes são indiferentes, pelas quais não se interessam. Um Espírito não tem, muitas vezes, nenhum motivo para atender o apelo de um desconhecido que lhe é indiferente e que age quase sempre movido pela curiosidade. Nesse caso, se ele atende é geralmente em rápidas passagens, a menos que exista um objectivo sério e instrutivo na evocação.

Existem pessoas que só evocam seus parentes para fazer perguntas sobre as coisas mais vulgares da vida material. Por exemplo: um para saber se alugará ou venderá a sua casa; outro, para indagar do lucro que obterá com sua mercadoria, qual o lugar onde há dinheiro escondido, se tal negócio será ou não vantajoso. Nossos parentes de além-túmulo só se interessam por nós em razão da afeição que lhes conservamos. Se todos os nossos pensamentos se limitam a julgá-los feiticeiros, se só pensamos neles pedindo informações, não podem ter grande simpatia por nós e não de vemos nos admirar de que nos demonstrem pouca benevolência.

Existem diferenças consideráveis entre os Espíritos bons e maus no tocante à solicitude com que atendem o chamado quando evocados. Os Espíritos maus só atendem de boa vontade quando esperam dominar e enganar; sentem viva contrariedade quando são forçados a se manifestar para confessar as suas faltas e procuram escapar, como o colegial que se chama para repreender. Podem ser constrangidos a manifestar-se por Espíritos superiores, como castigo e para instrução dos encarnados. A evocação é penosa para os Espíritos bons quando chamados inutilmente, por motivos fúteis. Então não atendem ou logo se retiram. Pode-se dizer que em geral os Espíritos, sejam quais forem, não gostam de servir de distração para curiosos. Se o objetivo do evocador é de o interrogar sobre particularidades da sua vida que ele não se interessa e não tem nenhum motivo para fazer tal confidência, com certeza, não irá se expor como se estivesse num banco dos réus para agradar. Não nos iludamos, pois o que ele não faria em vida, muito menos o fará como Espírito.

A experiência comprova que a evocação é sempre agradável para os Espíritos quando feita com um objetivo sério e útil. Os bons têm prazer em nos instruir. Os sofredores são aliviados com a simpatia que lhes demonstramos. Os nossos conhecidos ficam satisfeitos com a nossa lembrança. Os Espíritos levianos gostam de ser evocados por pessoas frívolas, porque têm a oportunidade de se divertirem à sua custa e não se sentem bem na companhia de pessoas sérias.

Os Espíritos não necessitam da evocação para se manifestarem. Frequentemente, eles se manifestam sem serem chamados, o que prova que o fazem de boa vontade.

Quando um Espírito se manifesta por si mesmo, de maneira alguma, podemos estar certos da sua identidade (11), pois os Espíritos mistificadores o fazem com frequência para melhor enganarem.

Quando evocamos um Espírito pelo pensamento e ele nos atende, a escrita é o meio material pelo qual o Espírito atesta a sua presença, contudo, é o pensamento que o atrai e não o ato de escrever.

Quando um Espírito inferior se manifesta podemos fazê-lo se retirar, não lhe dando ouvidos. Os Espíritos inferiores, geralmente, se apegam aos que gostam de ouvi-los.

A evocação em nome de Deus não é um freio para todos os Espíritos perversos, mas seguramente evita que muitos deles causem problemas nas reuniões. Por esse meio sempre se pode afastá-los quando o nome de Deus é pronunciado do fundo do coração e não como uma fórmula banal (12).

Não há nenhuma dificuldade em evocar nominalmente muitos Espíritos ao mesmo tempo quando se dispõe de um número de médiuns suficientes para escrever, assim, três, quatro ou mais Espíritos poderiam responder ao mesmo tempo.

Quando muitos Espíritos são evocados de uma vez, com um médium só, um deles responde por todos e exprime o pensamento coletivo.

O mesmo Espírito poderia comunicar-se ao mesmo tempo, na mesma sessão, por dois médiuns diferentes, tão facilmente, como certos homens ditam muitas cartas de uma vez. 

Allan Kardec conta que um Espírito foi visto responder ao mesmo tempo, por dois médiuns, as perguntas que lhe faziam, por um em francês e por outro em inglês, sendo idênticas as respostas quanto ao sentido, e algumas mesmo verdadeiras traduções literais. Dois Espíritos evocados simultaneamente por dois médiuns podem travar uma conversação. Não necessitando dessa forma de comunicação, desde que lêem reciprocamente seus pensamentos, assim o fazem para nossa instrução. Se forem Espíritos inferiores, estando ainda imbuídos das paixões terrenas e das ideias que tiveram na vida corpórea, pode acontecer que briguem e troquem palavrões, que se acusem mutuamente e até mesmo que atirem os lápis, as cestas, as pranchetas, etc. um no outro (13).

O Espírito que é evocado ao mesmo tempo em muitos lugares pode responder simultaneamente às perguntas que lhe fazem, isto é, se for um Espírito elevado. O Sol é um só e no entanto irradia a sua luz por todos os lados, projectando os seus raios à distância sem se subdividir. Dá-se o mesmo com os Espíritos. O pensamento do Espírito é como uma estrela que irradia a sua claridade no horizonte e pode ser vista de todos os pontos. Quanto mais puro é o Espírito mais o seu pensamento irradia e se difunde como a luz. Os Espíritos inferiores são mais materiais, não podem responder a mais de uma pessoa de cada vez e não podem tender à nossa evocação se já foram chamados em outro lugar.

Um Espírito superior, chamado ao mesmo tempo em dois lugares, atenderá às duas evocações se elas forem igualmente sérias e fervorosas. Em caso contrário, dará preferência à mais séria (14).

Dá-se o mesmo com o homem que, de um mesmo lugar, pode transmitir seu pensamento por meio de sinais que são visíveis de várias direcções. Numa sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em que a questão da ubiquidade estava em discussão, um Espírito ditou espontaneamente a comunicação seguinte:

"Discutíeis sobre a hierarquia dos Espíritos quanto a ubiquidade. Comparai-nos a um aeróstato que se eleva pouco a pouco no ar. Enquanto ainda rasteja na terra, só um pequeno círculo de pessoas pode vê-lo; a medida que se eleva o círculo se alarga e quando atinge certa altura é visto por uma infinidade de pessoas. O mesmo acontece connosco  Um Espírito mau, ainda apegado a terra, fica num círculo restrito de pessoas que o vêem  Eleve-se na graça, melhore-se e poderá conversar com muitas pessoas. Quando se tomar Espírito superior poderá irradiar como a luz solar, mostrar-se a muitas pessoas e em muitos lugares ao mesmo tempo.  - CHANNING".

Os Espíritos puros, que já terminaram a série de suas encarnações, podem ser evocados, mas muito raramente respondem as evocações, pois só se comunicam aos corações puros e sinceros, não aos orgulhosos e egoístas. Assim, é necessário desconfiar dos Espíritos inferiores que se arrogam essa qualidade para se fazerem mais importantes.

A explicação de que os Espíritos de homens mais eminentes atendam tão facilmente, e de maneira tão familiar, ao chamado dos homens mais obscuros é que os homens julgam os Espíritos por si mesmos, o que é errado. Após a morte corporal as posições terrenas desaparecem. A única distinção entre os Espíritos é a da bondade, e os que são bons vão a todos os lugares onde possam fazer o bem.

Existe a possibilidade de evocar um Espírito no próprio instante da morte, contudo como então ele ainda se encontra em perturbação, só imperfeitamente poderá responder. Sendo muito variável a duração da perturbação, não se pode fixar um prazo para a evocação. Não obstante, é raro que o Espírito, depois de oito dias, não esteja suficientemente cônscio do seu estado para poder responder. Às vezes pode fazê-lo muito bem, dois ou três dias após a morte. É possível, em todos os casos, experimentar de maneira prudente (15).

Algumas vezes, a evocação no instante da morte é mais penosa para o Espírito do que mais tarde. É como se fizessem alguém levantar em meio do sono, sem estar completamente acordado. Não obstante, há os que não se mostram de maneira alguma contrariados e aos quais a evocação até mesmo ajuda a saírem da perturbação. (16)

O Espírito de uma criança, morta em tenra idade pode responder conscientemente, mesmo que ainda não tinha consciência de si mesma. Se a alma da criança é um Espírito ainda envolto nas faixas da matéria (17), porém, liberto da matéria goza das suas faculdades de Espírito, porque os Espíritos não têm idade. Isso prova que o Espírito da criança já teve outras vidas como encarnado. Não obstante, até que esteja completamente liberto pode conservar na linguagem alguns traços do caráter da criança.

A influência corpórea, que perdura mais ou menos no Espírito da criança, as vezes também se nota no Espírito dos que morreram loucos. O Espírito em si mesmo não é louco, mas sabe-se que certos Espíritos acreditam, durante algum tempo, estar ainda neste mundo. Não é pois de admirar que o Espírito do louco ainda se ressinta dos entraves que, durante a vida, se opunham a sua livre manifestação, até que esteja completamente liberto. Esse efeito varia segundo as causas da loucura, porque há loucos que recobram toda a lucidez imediatamente após a morte.

NOTAS

(1) Invocação (do lat. in, em, e vocare, chamar) e evocação (do lat. vocare e e ou ex, de, fora de) – estas duas palavras não são sinónimos perfeitos, embora tenham a mesma raiz, vocare: chamar. É um erro empregá-las uma pela outra.  Evocar é chamar, fazer vir a si, fazer aparecer por cerimónias mágicas, por encantamentos. Evocar almas, Espíritos, sombras.  Os necromantes pretendiam evocar as almas dos mortos (acad.). Entre os antigos, evocar era fazer saírem as almas dos infernos para fazê-las vir aos viso. Invocar é chamar a si ou em seu socorro um poder superior ou sobrenatural. Invoca-se Deus pela prece.  Na religião católica invocam-se os Santos. Toda prece é uma invocação. A invocação está no pensamento; a evocação é um ato. Na invocação o ser ao qual nos dirigimos nos ouve; na evocação ele sai do lugar em que estava para vir a nós e manifestar sua presença. A invocação não é dirigida senão aos seres que supomos bastante elevados para nos assistir. Evocam-se tanto os Espíritos inferiores como os superiores. “Moisés proibiu, sob pena de morte, evocar as almas dos mortos, prática sacrílega em uso entre os cananeus. O 22º. capítulo do II Livro dos Reis fala daevocação da sombra de Samuel pela pitonisa”.

A arte das evocações, como se vê, remonta à mais alta antiguidade. É encontrada em todas as épocas e em todos os povos. Outrora a evocação era acompanhada de práticas místicas, ou porque os evocadores as julgassem necessárias ou, o que é mais provável, para se atribuírem o prestígio de um poder superior.  Hoje se sabe que o poder de evocar não é um privilégio, que ele pertence a toda gente e que as cerimonias mágicas, em geral, não passavam de um vão aparato.

Segundo os povos antigos, todas as almas evocadas ou eram errantes ou vinham dos infernos, que compreendiam, como se sabe, tanto os Campos Elíseos como o Tártaro; a essa ideia não se ligava nenhuma interpretação má. Na linguagem moderna, tendo-se restringido a significação da palavra inferno à morada dos réprobos, disso resultou que a ideia da invocação se ligou, para certas pessoas, à de maus Espíritos ou de demónios. Entretanto essa crença cai à medida que se adquire um conhecimento mais aprofundado dos fatos; também é ela a menos espalhada entre todos os que crêem na realidade das manifestações espíritas: ela não poderia prevalecer diante da experiência e de um raciocínio isento de preconceitos. (Ver Allan Kardec, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita.)

Fluido Universal - Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal. O espírito (Alma) é o princípio inteligente. Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira. É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. (Ver Allan Kardec, item 27 de O Livro dos Espíritos)

(3) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, item 282.

(4) A comunicação do pensamento à distância está hoje provada pelos próprios métodos das chamadas ciências positivas (ou materiais) graças às pesquisas e experiências parapsicológicas. Bastou um século de progresso científico para que este problema se tornasse mais acessível à compreensão dos homens. O pensamento não conhece limites no espaço e no tempo, o que dá plena validade cientifica a esse princípio espírita. (Nota de J. Herculano Pires)

(5) Os Espíritos gastam um determinado tempo para percorrer o espaço, porém, rápido como o pensamento. Também podemos dizer, que quando o pensamento está em algum lugar, a alma também está, uma vez que é a alma que pensa. O pensamento é um atributo da alma. Assim, para eles o pensamento é tudo. (Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, itens 89, 89a e 100.).

(6) O poder do Espírito superior se exerce em benefício do inferior, obrigando-o a se manifestar para o seu próprio bem. O livre-arbítrio é condicionado pela evolução. Quanto mais elevado o Espírito, maior a sua liberdade. É o mesmo que vemos na Terra: os criminosos estão sujeitos a restrições da liberdade que não devem atingir os homens de bem. Nas sessões de desobsessão os Espíritos inferiores são frequentemente obrigados a se manifestarem, para o seu próprio bem e em favor de suas vítimas. (Nota de J. Herculano Pires)

(7) Só pela superioridade moral se exerce ascendência sobre os Espíritos inferiores. Os Espíritos perversos reconhecem a superioridade dos homens de bem. Enfrentando alguém que lhes oponha a vontade enérgica, espécie de força bruta, reagem e muitas vezes são os mais fortes. Alguém tentava dominar assim um Espírito rebelde, aplicando a vontade, e este lhe respondeu: Deixa-me em paz com esses ares de matamouros, que não vales mais do que eu. Que se diria de um ladrão pregando moral a outro ladrão? (Ver Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte,cap. XXV, item 279 ). 

(8) Não há inconveniente quando se faz a evocação com um fim sério, instrutivo e tendo em vista melhorar-se. Pelo contrário, é muito grande o inconveniente quando se faz por mera curiosidade ou diversão, ou se a gente se coloca sob a sua dependência, pedindo-lhes algum serviço. Os Espíritos bons, nesse caso, podem muito bem lhes dar o poder de fazer o que lhes foi pedido, com a ressalva de punir severamente mais tarde o temerário que ousou invocar o seu auxílio, considerando-os mais poderosos que Deus. Será vã a intenção de aplicar no bem o pedido de despedir o servidor após o serviço prestado. Esse mesmo serviço solicitado, por menor que seja, representa um verdadeiro pacto firmado com os Espíritos maus, e estes não largam facilmente a presa.  (Ver Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte,cap. XXV, item 278 ).

Essa a razão porque o Espiritismo é contrário às relações interesseiras com os Espíritos. Só os inferiores atendem às nossas ambições e paixões, mas com isso nos submetemos a eles. Foi por isso também que Moisés condenou essas relações, no cap. VIII do Deuteronômio, injustamente citado contra o Espiritismo pelos que não conhecem a doutrina. (Nota de J. Herculano Pires)

(9) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros, item 554.

(10) Ver Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte,cap. IX, item 152 ).

(11) Ver Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte,cap. XXIV, Identidade dos Espíritos, do item 255 em diante).

(12) A palavra Deus, em si, não tem nenhum poder. A palavra é apenas um signo e sua carga emotiva está no conceito, na ideia que ela exprime e portanto no pensamento. Dizê-las em sentir o que ela representa é como articular sons sem sentido. Dizê-la com plena consciência do seu significado e sentindo-a fundamente é ligar-nos a Deus. No plano espiritual o que vale é a vibração psíquica e não a forma verbal, ou segundo Kardec, o fundo e não a forma. (Nota de J. Herculano Pires)

(13) A leitura recíproca do pensamento refere-se aos Espíritos mais adiantados. Os Espíritos inferiores, que brigam e se xingam, estão ainda em condições humanas. É o que se esclarece na resposta à pergunta 30, do cap. XXV em O Livro dos Médiuns.Kardec e os Espíritos que lhe revelaram a doutrina tomam sempre o Espírito de tipo médio, já liberto da materialidade grosseira, para base de suas respostas sobre a vida espírita. (Nota de J. Herculano Pires)

(14) A informação dos Espíritos sobre a irradiação do pensamento está hoje cientificamente provada pelas pesquisas parapsicológicas. No tocante à graduação do poder de irradiação, segundo a evolução espiritual, é problema referente ao mundo espírita. Não obstante, podemos verificá-lo na Terra através do alcance intelectual das criaturas, que varia de acordo com o grau evolutivo dos indivíduos na própria escala social. Assim, a imagem feita por Channing na sua comunicação corresponde a uma realidade espiritual que podemos constatar na existência terrena. (Nota de J. Herculano Pires)

(15) Nunca se faz a evocação no momento da morte. A pergunta colocou apenas uma possibilidade, que os Espíritos confirmaram. Aliás, o Espírito recém-desencarnado não atenderia se não estivesse em condições e não recebesse permissão dos Espíritos superiores. No caso de atender é porque isso lhe seria benéfico, segundo vemos na resposta à pergunta 34: ajudá-lo-ia a vencer a perturbação. (Nota de J. Herculano Pires)

(16) As evocações se processam, desde os tempos primitivos, entre todos os povos. Dessa maneira os Espíritos podem citar experiências muitas vezes ocorridas antes da prática espírita moderna. Os casos propriamente espíritas se limitaram a algumas experiências de pesquisa científica. (Nota de J. Herculano Pires)

(17) A expressão "faixas da matéria" é comparativa, lembrando a criança enfaixada após o nascimento. O Espírito da criança entra no mundo espírita envolvido pelas ligações materiais que o restringiam na condição infantil terrena. O Espírito se refere, nessa resposta, especialmente aos "traços de linguagem" porque trata nesse momento das comunicações orais e escritas (Nota de J. Herculano Pires)


por Ellio Mollo
Fonte: Portugal Espírita

sábado, 2 de março de 2013

 


As evocações espíritas
e suas desvantagens
 



Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou a nosso chamado 


1. Em “O Livro dos Médiuns”, Kardec faz acerca do tema evocações as considerações que se seguem.  

2. Os Espíritos – diz o Codificador – podem comunicar-se espontaneamente ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação. Há quem julgue não ser conveniente evocá-los, porque nem sempre há certeza de que o Espírito comunicante seja o que foi evocado. Os que assim pensam propõem que os Espíritos se comuniquem sempre espontaneamente, porque, agindo dessa forma, provariam melhor sua identidade, o que é um erro. O fato de se evocar ou deixar que a comunicação se faça espontaneamente nada tem a ver com a identificação do comunicante, porque pode ocorrer mistificação tanto num caso quanto noutro. 

3. A questão das evocações espíritas precisa, no entanto, ser analisada com critério e bom senso, porque há vantagens e desvantagens nas comunicações provenientes de evocações e nas ocorridas espontaneamente. Evidentemente, as comunicações espontâneas nenhum inconveniente apresentam quando se está senhor dos Espíritos e há certeza de que os maus não tomarão a dianteira. Nas reuniões dedicadas ao atendimento a Espíritos sofredores, a espontaneidade é uma prática regular. 

4. Quando se deseja comunicar com determinado Espírito, é de toda necessidade evocá-lo; pelo menos essa era a ideia do Codificador, que esclarece não haver, para esse fim, nenhuma fórmula sacramental. Quem pretender indicar alguma fórmula pode ser tachado, sem receio, de impostor, visto que para os Espíritos a forma nada vale. Uma condição, porém, indispensável é que a evocação seja feita em nome de Deus, ou seja, seriamente, não levianamente. 

Como regra geral, todos os Espíritos podem ser evocados 

5. É essencial, quando se queira chamar determinados Espíritos, que o médium comece por dirigir-se somente aos que ele sabe serem bons e simpáticos e que podem ter motivo real para atender ao apelo, como os parentes e amigos.  

6. Frequentemente, observa Kardec, as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se objetiva obter dos Espíritos respostas precisas a questões circunstanciadas. 

7. Os médiuns – lembra ainda Kardec – são geralmente mais procurados para evocações de caráter particular do que para comunicações de interesse geral. Eles não deveriam, porém, aceder a tais pedidos, senão com muita reserva, quando feitos por pessoas de cuja sinceridade não estiverem seguros. Além disso, é preciso evitar sua participação nas evocações movidas por simples curiosidade ou interesse, sem intenção séria por parte do evocador, afastando-se de tudo o que possa transformá-los em agentes de consultas, em ledores da buena dicha.  

8. Como regra geral, todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espírita, podem ser evocados, tanto os bons quanto os maus, tanto os que desencarnaram faz pouco tempo quanto os que viveram em épocas mais remotas, tanto os vultos ilustres quanto os indivíduos obscuros. Isso não significa, porém, que eles possam ou queiram responder ao nosso chamado. Independentemente de sua vontade, a permissão para se comunicarem pode lhes ser recusada por uma potência superior, havendo mesmo situações em que se achem impedidos de fazê-lo, por motivos que nem sempre nos é dado conhecer.  

Emmanuel não aconselha a evocação direta em caso algum 

9. As principais causas que impedem ou dificultam aos Espíritos atender às evocações que lhes são dirigidas são estas: (a) quando o Espírito evocado está envolvido em missões ou ocupações de que não pode afastar-se; (b) se o Espírito estiver encarnado, especialmente quando isso se dá em planetas inferiores à Terra; (c) quando o Espírito se encontra em locais de punição e não tem permissão para daí se ausentar; (d) quando o médium, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado.  

10. Evocar ou não um Espírito é questão que precisa, portanto, ser bem avaliada, tendo sempre em mente a finalidade a que ela se presta. Toda evocação, bem como toda manifestação espontânea, deve visar a um fim útil. Quando um Espírito é evocado pela primeira vez, convém designá-lo com alguma precisão e evitar, nas perguntas que lhe sejam feitas, as fórmulas secas e imperativas, fato que poderá afastá-lo. As fórmulas de tratamento devem ser afetuosas ou respeitosas, conforme o Espírito evocado. Importante também, em todos os casos, que o evocador lhe dê prova da sua benevolência.  

11. No trato com os Espíritos, especialmente com relação aos evocados, as perguntas devem ser formuladas com clareza, precisão e sem ideia preconcebida, se o evocador pretende obter respostas categóricas. É importante ainda que o evocador especifique franca e abertamente o ponto visado, sem subterfúgios. 

12. Quase 80 anos depois da publicação d´O Livro dos Médiuns, Emmanuel examinou o tema das evocações na questão 369 do seu livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier, na qual asseverou: “Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum”, expressando o ponto de vista de que, no trato da mediunidade, devemos ser espontâneos. Na mesma questão ele explica por que Allan Kardec a utilizou largamente, embora se saiba que o Codificador também admitiu as comunicações dadas espontaneamente nas reuniões por ele presididas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. No livro Conduta Espírita, cap. 25, obra psicografada pelo médium Waldo Vieira, André Luiz reafirmou a proposta feita por Emmanuel, recomendando-nos seja abolida, em nosso meio, a prática da evocação nominal das entidades.

Questões propostas:

1. Para evocar os Espíritos existe uma fórmula sacramental? 
R.: Não. Uma condição, porém, indispensável é que a evocação seja feita em nome de Deus, isto é, seriamente, não levianamente. 

2. Que Espíritos, segundo Kardec, podemos evocar? 
R.: Como regra geral, todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espírita, podem ser evocados, tanto os bons quanto os maus, tanto os que desencarnaram faz pouco tempo quanto os que viveram em épocas mais remotas, tanto os vultos ilustres quanto os indivíduos obscuros. 

3. Quais as principais causas que impedem ou dificultam ao Espírito atender à evocação? 
R.: As principais causas são estas: (a) quando o Espírito evocado está envolvido em missões ou ocupações de que não pode afastar-se; (b) se o Espírito estiver encarnado, especialmente quando isso se dá em planetas inferiores à Terra; (c) quando o Espírito se encontra em locais de punição e não tem permissão para daí se ausentar; (d) quando o médium, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado.  

4. No tocante à finalidade, que norma devemos observar nas evocações diretas? 
R.: Toda evocação, bem como toda manifestação espontânea, deve visar a um fim útil. Quando um Espírito é evocado pela primeira vez, convém designá-lo com alguma precisão e evitar, nas perguntas que lhe sejam feitas, as fórmulas secas e imperativas, fato que poderá afastá-lo. As fórmulas de tratamento devem ser afetuosas ou respeitosas, conforme o Espírito evocado.  

5. Que recomenda Emmanuel a respeito das evocações espíritas? 
R.: Emmanuel, na questão 369 do seu livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier, disse o seguinte: “Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum”, expressando o ponto de vista de que, no trato da mediunidade, devemos ser espontâneos, proposta reafirmada por André Luiz no cap. 25 de seu livro Conduta Espírita, psicografado pelo médium Waldo Vieira. 

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Bibliografia: 
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, FEB, 46a ed., itens 203, 282, 269 a 274.
O Consolador, de Emmanuel, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, questão no 369.
Conduta Espírita, de André Luiz, obra psicografada por Waldo Vieira, cap. 25.


Fonte: O Consolador