Eternidade

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domingo, 15 de julho de 2018

A Imortalidade da Alma no Novo Testamento


Prova irrefutável da imortalidade da alma foi dada a Pedro, Tiago e João pelo próprio Mestre, que os levou a um encontro que teve com Moisés e Elias: Seis dias depois, tomou Jesus consigo, a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; o seu rosto resplandesceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. (Mt, 17: 1 a 3) Estavam tão materializados, que Pedro se propôs a fazer tabernáculos (abrigos) para cada um deles: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. (Mt, 17: 4) Terminada a conversa, desapareceram Moisés e Elias, retornando ao Mundo Espiritual.

Jesus deixou lição clara sobre a imortalidade, que foi muito bem assimilada pelo Apóstolo Paulo, pois que este o vira vivo, depois da morte, na aparição que lhe fizera no caminho de Damasco. Com base nessa experiência pessoal, o Apóstolo explicitou, com profunda convicção a imortalidade da alma, conforme sua minuciosa explicação no capítulo 15 da sua Primeira Carta aos Coríntios:

Ora, se se prega que o Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos?  (v. 12)

E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e também é vã a vossa fé. (v. 14)

Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. (v. 16)

Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? (v. 35) E é ele mesmo quem responde:

Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. (v. 36)


E o Apóstolo prossegue, até em tom repetitivo, buscando deixar muito claro que a alma prossegue viva, com o seu corpo espiritual, tendo apenas deixado o corpo físico pelo fenômeno da morte:

E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. (v. 40)

Pedagogicamente, continua repetindo, agora fazendo comparação com a semente que morre, e, enterrada, liberta a planta que nela já existia, em estado latente:

 Assim também a ressurreição dos mortos: semeia-se corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. (v. 42)

Paulo chama de corpo incorruptível o corpo espiritual, opondo-o ao corpo corruptível, o físico, que pode ser corrompido pela doença, pela idade ou por um acidente. E, para que não ficasse dúvida quanto ao corpo da ressurreição:

E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção. (v. 50)

Entretanto, apesar dos ensinamentos do Apóstolo, foi criado o dogma da ressurreição da carne, que atenta contra o que se lê no Novo Testamento, contra a Ciência e contra o bom senso.

Exemplo claro de que a ressurreição se dá em corpo espiritual foi dado por Jesus, cujo corpo físico fora levado nu ao sepulcro, pois era costume dos romanos despirem os crucificados, o que é comprovado pelo relato contido no Evangelho de João: Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram os seus vestidos, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos as sortes (…) (Jo, 19: 23 e 24)


Atentemos ao que diz o Novo Testamento:

Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto, um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. Ali, pois, (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus. (Jo, 19: 40 a 42)

O corpo de Jesus ainda não havia sido preparado para o sepulcro, consoante o costume judaico, pois fora levado para lá no fim da tarde de sexta-feira, quando, para os judeus, começa o shabat, dia consagrado ao repouso semanal, que se estende até o pôr do sol de sábado. Como ninguém iria fazer a preparação do corpo no sábado à noite, Madalena foi ao sepulcro no domingo de madrugada, e encontrou-o aberto.

Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e a outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou. Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis. E que o lenço que tinha estado sobre sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.  (Jo, 20: 2 a 7)

Conforme se lê no relato de João, Pedro verificou minuciosamente a permanência dos panos no sepulcro, e depois retornaram. Madalena permaneceu.

Tornaram, pois, os discípulos para casa. E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro. E viu dois anjos vestidos de branco, assentados aonde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? E ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. E, tendo dito isso, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde foi que o puseste, e eu o levarei. (Jo, 20: 10 a 15)

Madalena certamente estava de costas quando conversou com Jesus, pensando fosse o hortelão, o que fica claro no versículo seguinte: Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Rabboni (que quer dizer, Mestre). (Jo, 20: 16)

Se o corpo de Jesus fora tirado nu da cruz, e assim levado ao sepulcro, e tendo os panos com que o envolveram ficado no chão, como pôde o Mestre aparecer vestido a ponto de não causar espanto? É claro que usava roupa compatível com a situação em que se encontrava: a de Espírito desencarnado. Assim vestidos apareceram a Madalena os seres espirituais, falando-lhe do corpo de Jesus: E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira, outro aos pés. (Jo, 20:12) Também assim vestido, apareceu um varão ordenando ao centurião Cornélio que mandasse chamar Pedro em Jope. (At, 10: 31-32)

Para mostrar que estava vivo, mas não mais encarnado, não mais limitado pela matéria, Jesus, durante os quarenta dias que precederam a Sua volta definitiva aos Planos Espirituais, fez o que não fizera quando ainda estava encarnado, mostrando que Seu corpo espiritual, como de todos os Espíritos desencarnados, podia deslocar-se com rapidez e atravessar obstáculos físicos.

Passou a aparecer e desaparecer subitamente, conforme relata o evangelista: Chegada, pois, a tarde daquele mesmo dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas, onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. (Jo, 20: 19)

Lucas relata que iam dois discípulos caminhando para Emaús – um lugarejo próximo a Jerusalém –, quando surgiu Jesus entre eles, sem se dar a conhecer. Jesus – dada a plasticidade do corpo espiritual – modificara Sua fisionomia, a fim de não ser reconhecido imediatamente. Depois de conversarem com o Mestre durante algum tempo, chegaram à aldeia aonde iam, e convidaram-no para uma refeição:

E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lhes deu. Abriram-se-lhes os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. (Lc, 24: 30 e 31)

Qual teria sido o objetivo desse encontro de Jesus com os dois discípulos? Certamente não seria para mostrar-lhes poder, pois já O tinham visto curar cegos, aleijados, leprosos, endemoninhados… Não estaria Jesus querendo mostrar que continuava vivo, mas que não estava mais encarnado, limitado pelas leis materiais?

Além disso, não há registro de que se tenha hospedado em casa de alguém, durante os quarenta dias que medeiam a ressurreição e a Sua volta definitiva aos Planos Espirituais, ou que tenha feito refeições regulares, como fazia enquanto encarnado, embora tenha comido um favo de mel e um pedaço de peixe, quando se apresentou aos onze, no cenáculo, onde estavam comentando o que acontecera durante a caminhada a Emaús: E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. (Lc, 24: 36)

Jesus causou muito espanto pelo estado emocional em que se encontravam os discípulos, ante os últimos acontecimentos. Deviam estar profundamente abalados, diante do fato de terem os sacerdotes tido o poder de prender, de flagelar e de matar o Messias, que era tão poderoso. Se fizeram isso com o Mestre, o que fariam com Seus seguidores? Jesus sentiu que deveria dar-lhes provas seguras da imortalidade, materializando-se ali diante deles: E, não crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então lhe apresentaram parte de um peixe assado, e um favo de mel. O que ele tomou e comeu diante deles. (Lc, 24: 41 a 43)
Um Espírito materializado, conforme verificaram vários estudiosos, dentre os quais se destacaram Cesare Lombroso, Alexander Aksakof, William Crookes, apresenta-se com todas as características de um Espírito encarnado, como se fosse uma encarnação temporária. O Espírito materializado apresenta todos os órgãos do corpo físico, conforme experiências levadas a efeito por William Crookes, relatadas em sua obra Fatos Espíritas. Na obra História do Espiritualismo, de Arthur Conan Doyle,1 lê-se, num relato a respeito de um Espírito materializado: Ao falar, essas figuras movem os lábios exatamente como faziam em vida. Também foi mostrado que a sua expiração em água de cal produz a reação característica de dióxido de carbono. 


Bibliografia:
1 CONAN DOYLE, Arthur. A História do Espiritualismo. Brasília: FEB, 2013.

Fonte: Mundo Espírita, por José Passini

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Entre a mansidão e a prudência


Um dos discursos de Zaratustra, personagem criado pelo filósofo Nietzsche, refere-se, de forma muito interessante, às transformações experimentadas pelo ser humano, durante sua trajetória de vida.
Esse texto, inclusive, serviu de inspiração para Carl Gustav Jung ao desenvolver seu conceito de individuação, entendido como o processo pelo qual o ser humano busca desenvolver a consciência de si mesmo, integrando seus aspectos sombrios, diferenciando-se do coletivo e tornando-se, então, o ser que é.

Nietzsche sugere que o espírito humano comumente vivencia, ao longo de sua vida, três diferentes etapas de transformação, nas quais desenvolverá o autoconhecimento, além de se apropriar de sua força, para, ao final, tornar-se quem realmente é. Como símbolos das três metamorfoses, o filósofo utilizou:

  • o camelo, para representar o ser que desenvolve o papel de carregar o peso do mundo, dispondo-se a servir, de forma submissa, por ainda não ter vontade própria e consciência para tomar decisões. Ao carregar o peso das cobranças, dos problemas alheios, aprende que sofre justamente por tentar carregar o que não deveria, o que não lhe pertence. Nessa fase, tem a oportunidade de desenvolver humildade, caso aproveite o aprendizado. Mas pode, igualmente, manter-se na acomodação e na subserviência, adotando postura escrava e de vítima, indefinidamente;
  • o leão, para exemplificar o momento em que a consciência desperta, tornando-se crítica e permitindo ao indivíduo discernir e fazer escolhas por si mesmo. A pessoa assume, então, a responsabildiade pela própria existência, e experimenta uma nova forma de relação com o mundo, considerando, agora, suas próprias concepções e valores. Ao leão é dada a chance de experimentar o Sim, sim; Não, não do Evangelho1. Ao se posicionar de acordo com seus valores, deixa de carregar valores alheios, que não lhe fazem sentido. Torna-se corajoso e leal aos seus princípios, mas precisa cuidar para não exagerar nessa postura, desenvolvendo arrogância, orgulho e acreditando-se dono da verdade, superior e distante dos outros;
  • a criança, para simbolizar o renascimento, o recomeço, como se a vida, de fato, iniciasse a partir desse ponto, ou seja, somente depois de haver desenvolvido a humildade de servir do camelo e a coragem de ser livre do leão, numa sociedade prisioneira de valores passageiros, é que o ser humano está pronto para viver realmente. É o momento em que podemos afirmar: Vivemos no mundo conscientes de que não somos do mundo.2

Interessante notar que o filósofo, crítico da religião, acabou utilizando a criança como representação de verdadeira sabedoria, de evolução, emprestando, de forma inconsciente, provavelmente, o símbolo empregado por Jesus:

Quem é o maior no reino dos céus? – Jesus, chamando a si um menino, o colocou no meio deles e respondeu: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos converterdes e tornardes quais crianças, não entrareis no reino dos céus. – Aquele, portanto, que se humilhar e se tornar pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus3.

O Espiritismo explica que a finalidade da vida na Terra é o progresso espiritual e, para isso, conforme vivemos, é natural que passemos realmente por transformações, provenientes da reforma íntima que nos cabe.

Nietzsche chama a atenção, na voz de Zaratustra, para algumas faces que devemos desenvolver em nossas metamorfoses durante a vida: a de sermos servidores, humildes suficientes para nos envolvermos com as histórias dos outros, propondo-nos a ajudá-los a carregar seus fardos, sem, no entanto, tornarmo-nos subservientes; a de sermos firmes e corajosos, a ponto de não nos deixarmos levar pelos modismos ou valores predominantes, mas capazes de seguir os próprios princípios, cuidando, porém, de não cairmos na armadilha de nos sentirmos superiores, tornando-nos arrogantes e, por fim, a de sermos alegres, espontâneos e confiantes, como são as crianças, esperançosas do futuro, livres de preconceitos e com energia para viver, aprender, crescer.

Mas observamos que Jesus novamente antecipou o filósofo, quando nos recomendou que, ao viver entre lobos, que podem, atualmente, simbolizar os valores distorcidos predominantes, nos conservássemos mansos como as pombas, mas prudentes como as serpentes4. A recomendação do Mestre de Nazaré é a de buscarmos internalizar esses dois aspectos que parecem paradoxais, sendo, no entanto, complementares: a humildade e mansidão da pomba e a prudência e firmeza da serpente.

Ao observarmos as normas, culturas e comportamentos predominantes nas sociedades modernas, verificamos o quanto esse ensinamento – de preservarmos o aspecto pacífico, aliando-o à coragem – proposto por Jesus e relembrado por Zaratustra, é atual e de grande relevância. Observamos em nossa vida social, que poucas pessoas são capazes de transitar por esses dois caminhos de forma saudável. A maioria tomba na vitimização, deixando-se explorar ou na prepotência, colocando os outros a serviço de si.

É preciso, então, plena atenção para a conquista desse caminho do meio, da medida certa, entre a humildade/mansidão e a firmeza/prudência. Ao nos propormos a essas transformações, que nos preparam para a vivência pacífica, mas, ao mesmo tempo, resoluta, certamente nos encontraremos, ao final, mais próximos da pureza de alma, simbolizada pela criança.


Referências:
1 BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 5, vers. 37.

2 Op. cit. João. cap. 17, vers. 16.
3 Op. cit. Mateus. cap. 18, vers. 1-5.
4 Op. cit. Mateus. cap. 10, vers. 16.

Fonte: Jornal Mundo Espírita, por Cristiane Maria Lenzi Beira

domingo, 4 de maio de 2014

Espírito, Perispírito e Mundo Espírita



O que é Espírito?
O Espírito é o princípio inteligente da Criação. São criados todos da mesma forma, simples e ignorantes, sujeitos à Lei da Evolução. Progridem em tempo que varia conforme as condições e necessidades de cada um, dentro de uma trajetória que vai das sensações à angelitude, passando pelos caminhos do instinto, inteligência e razão. Através de milhares de encarnações no plano físico, a evolução do Espírito se consolida no campo da sabedoria e da moralidade. Nos estágios inferiores, são conhecidos como demônios ou diabos. No estágio de pureza, que adquirem depois de inúmeras reencarnações, são os anjos, os arcanjos e os serafins.

O que é perispírito?
É o corpo astral do Espírito, para usarmos uma linguagem mais popular. É o elo que liga o Espírito (ser abstrato) à matéria. Deriva do fluido universal e sua textura varia de acordo com o ambiente do planeta onde o Espírito habita. É o intermediário entre o corpo e o Espírito. Morfologicamente seria como uma cópia do corpo físico, só que menos denso, pois feito de uma matéria diferente, imponderável e imperceptível aos nossos sentidos físicos normais. O apóstolo Paulo chamou-o "corpo espiritual". Quanto mais evoluído for o Espírito, mais etéreo será o corpo espiritual.

O que é um Espírito errante?
É o Espírito que permanece no mundo espiritual, no intervalo entre uma encarnação e outra, aprendendo e se preparando para novas experiências. O tempo de erraticidade depende do grau evolutivo do Espírito e de suas necessidades de aprendizado. Só os Espíritos puros não são errantes, pois não mais necessitam reencarnar.

Podemos ser influenciados pelos Espíritos?
Sim, podemos. A Doutrina Espírita nos instrui que somos guiados pelos Espíritos muito mais do que podemos supor. Uns nos inspiram a seguir o caminho do Bem e das boas realizações. Outros, nos influenciam sugestionando-nos para o mal. Pela nossa vontade e livre arbítrio podemos resistir ou ceder a essas influências. Entendendo a dinâmica da relação entre os fluidos espirituais e nosso corpo espiritual, podemos compreender como se dá essa influenciação.

O que é e como se procede uma lavagem do perispírito? O conceito desse procedimento está expresso no livro "Consciência" de Luiz Sérgio.
Conceitos estranhos podem ser encontrados em muitos livros psicografados, por isso torna-se necessário que se proceda ao estudo sério das obras de Allan Kardec, que traduziu os pensamentos dos Espíritos superiores, a fim de que não se absorvam ensinamentos falsos e fantasiosos. O perispírito é o corpo astral do Espírito e varia segundo a moralidade deste. Pode-se energizar o perispírito de alguém, derramando sobre ele fluidos salutares, o que o tornará mais limpo. Porém, tal procedimento é apenas passageiro. A única forma de "limpar" o perispírito definitivamente é moralizando o Espírito, tornando o seu envoltório mais leve e diáfano, à medida que atinge estágios mais avançados de evolução.

Como é a constituição do perispírito em função da moralidade do Espírito?
O perispírito é uma condensação do fluido cósmico universal em torno de um foco de inteligência ou alma. É formado pelos fluidos ambientais, sendo, portanto, diferentes de acordo com os mundos habitados. Nos mundos mais atrasados o perispírito é mais grosseiro e denso; nos mundos mais adiantados ele é mais leve e etéreo, pois habitam ali Espíritos mais evoluídos, favorecendo, evidentemente, ambiente energético melhor e mais purificado. Percebe-se, então, que a natureza do corpo espiritual está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito, sendo mais grosseiro nos atrasados e mais diáfano nos adiantados. Será tanto mais tênue quanto mais elevado for o Espírito.

Uma alma que atingiu a perfeição não volta a reencarnar? Nesse estado tem perispírito?
Os Espíritos que atingem a perfeição são os chamados Espíritos Puros. Eles reencarnam apenas em missão, com o objetivo de fazer progredir a humanidade. Segundo Allan Kardec, são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam, para a manutenção da harmonia universal. O perispírito, como sabemos, é o envoltório da alma. É a forma de manifestação do Espírito e sua natureza fluídica está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Portanto, os Espíritos puros possuem perispírito, mas de uma matéria tão etérea que, para nós que habitamos os planos mais próximo da matéria, é como se não existisse.

Onde está a memória do Espírito? Alguns livros dizem que é no perispírito. O que diz a Codificação?
A sede da memória, ou seja o patrimônio adquirido pela individualidade, não pode estar no perispírito e sim na Alma ou Espírito. O perispírito também é matéria, embora de uma natureza diferente da que conhecemos. É o corpo do Espírito e por onde ele se manifesta em plenitude. Cada perispírito é formada das substâncias fluídicas do ambiente onde o indivíduo habita. Portanto, o Espírito ao mudar de mundo também muda de perispírito, como se trocasse de roupa. Se admitíssemos que a sede da memória estivesse no perispírito, neste ato toda experiência acumulada ficaria no mundo anterior, o que certamente a razão repudia. Portanto, a sede da memória, ou seja, toda a história e patrimônio moral e intelectual do ser encontra-se no "sensorium comune" do Espírito, como um arquivo de onde o indivíduo retira de lá os dotes acumulados durante toda a sua trajetória evolutiva.

Relata o espírito "André Luiz" em um dos livros psicografados por Chico Xavier, que após período de trabalho na Terra, retorna à colônia Nosso Lar e, em repouso deixa seu corpo (perispiritual), indo ao encontro de sua Genitora. Pergunto: Com que corpo? O Espírito tem mais de um perispírito?
É necessário levar em consideração que a tese abordada pelo Espírito André Luiz não recebeu a chancela do Controle Universal dos Espíritos, mecanismo que, segundo Allan Kardec, deveria aferir as novas revelações vindas da Espiritualidade. Por alguns equívocos dos espíritas, tal mecanismo nunca foi criado. A projeção astral de André Luiz a um plano superior ao que se encontrava, durante o repouso, fundamenta-se na hipótese de que o corpo de manifestação do Espírito no mundo exterior se divide em sete camadas. A mais interior seria o próprio Espírito e a exterior, o corpo carnal. Desse modo, estando estacionado nas regiões onde os Espíritos estariam de posse do seu sexto veículo fluídico, André teria se projetado num plano onde as entidades espirituais (mais desmaterializadas) usariam seu quinto corpo astral. Ambas as revelações, no entanto, só devem ser admitidas como hipóteses de estudos, até que possam se submetida ao Controle Universal dos Espíritos, se é que ele um dia vai ser criado.

Se o nosso arquivo desta vida e das vidas passadas se encontram gravadas em nosso perispírito e ele tende a desaparecer com a nossa evolução, como e onde ficam estes arquivos?
Já dissemos em perguntas anteriores que a memória do Espírito não se encontra no perispírito. Este é um conceito retirado de livros psicografados (que não foram submetidos ao Controle Universal - inexistente) e não do pensamento dos Espíritos superiores responsáveis pela Codificação. A teoria contraria as Obras Básicas e evidentemente não encontra fundamento lógico que possa explicá-lo. A memória da individualidade se encontra na intimidade do Espírito, em seu arquivo permanente, no que se chama "sensorium comune". O perispírito é matéria. Seria uma incoerência acreditar que a coisa mais importante para Espírito, que são suas experiências vividas, pudesse estar atrelada e confinada à matéria. Veja mais sobre o assunto em perguntas anteriores, nesta mesma página.

Há inferno, céu e purgatório?
O céu ou o inferno, como lugar circunscrito, não existe. Allan Kardec, em "O Céu e o Inferno", nos diz que o céu, o purgatório e o inferno são estados de consciências e não um lugar físico. Evidente que através das afinidades de pensamentos, os Espíritos agrupam-se em determinadas regiões do mundo astral, dando origem a ambientes agradáveis, de sofrimento ou conturbados, que caracterizaram e deram origem aos termos usados no catolicismo.

Existem anjos e demônios?
Deus que é soberanamente justo e bom, não poderia ter criado criaturas destinadas infinitamente a permanecer no mal, como também ter criado Espíritos perfeitos desde sua origem, sem que eles fizessem nenhum esforço para isso. Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes e, através das experiências, vai adquirindo saber e moralidade até atingir a perfeição. Em sua trajetória evolutiva permanece na ignorância por algum tempo, vivendo as experiências do bem e do mal, dependendo de seu livre arbítrio. Os demônios é a denominação que foi dada para Espíritos que ainda não evoluíram moralmente, e que se comprazem no mal, mas que um dia perceberão seus erros. Os anjos são Espíritos puros, que já evoluíram moral e intelectualmente, através de seus esforços desde a sua criação. Só assim se explica a bondade e a justiça de Deus.

Os Espíritos, que não necessitam mais da matéria continuam com o perispírito no plano espiritual?
Sim, continuam a necessitar dele. Aprendemos com a Doutrina Espírita que o corpo espiritual se eteriza na medida em que o Espírito evolui na senda do progresso. O perispírito é necessário à manifestação da individualidade no mundo espiritual. Na encarnação é elo entre o Espírito e matéria. Quando desencarnados podemos dizer que é o próprio Espírito se manifestando plenamente. Mais subsídios podem ser encontrados em A Gênese, capítulo XIV, itens 7 a 12.

Como os Espíritos se locomovem?
Os Espíritos esclarecidos se locomovem através do pensamento. Movimentam-se mais ou menos rápido dependendo da evolução de cada um. Os Espíritos pouco adiantados se movem no mundo invisível, como o fazem os homens na Terra.

Os Espíritos podem nos visitar?
Frequentemente o fazem. Nunca estamos sozinhos. Os bons Espíritos procuram nos ajudar através da intuição, e os maus nos trazem influências que nos perturbam o equilíbrio (obsessões). O hábito da oração e vigilância constantes nos faz menos sujeitos às más influências.

Todos os Espíritos podem se comunicar logo após sua morte?
Sim, pelo menos teoricamente, todos os Espíritos podem se comunicar após a morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito sofre uma espécie de perturbação (que nada tem ver com desequilíbrio) que pode demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e do gênero de sua morte. Os Espíritos que são desprendidos da matéria desde a vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espírita bem cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material permanecem no estado de ignorância por longo tempo. Dado o pouco adiantamento espiritual dos habitantes do planeta, pode-se concluir que as mensagens mediúnicas creditadas a pessoas famosas que desencarnam precocemente, não merecem credibilidade.

O que acontece com o nosso Espírito quando dormimos?
No descanso do corpo físico, o Espírito desprende-se e aproveita para retomar parcialmente sua relativa liberdade, permanecendo ligado ao corpo físico por um cordão fluídico/energético. Dependendo de seus interesses e evolução poderá aproveitar estes momentos para visitar outras esferas espirituais onde terá oportunidade de aprender e trocar idéias com seres que com ele se afinizam. Pode também visitar amigos que estão no plano físico ou no plano espiritual. Se são Espíritos excessivamente apegados a matéria, poderão buscar ambientes mundanos para se satisfazerem. Se ao despertar sentimos paz e alegria, é que estivemos em boas companhias, mas se acordamos de mau humor, cansados e oprimidos, é porque estivemos com Espíritos ignorantes. Portanto devemos ter como hábito, antes de dormir, orar a Deus e aos bons Espíritos para que, durante o sono, nossa Alma possa estar em sintonia com os planos elevados da Criação.

Os Espíritos fazem sexo após a morte? Eles conservam suas vontades sexuais?
Normalmente não há relação sexual após a morte, pois este é um ato ligado à experiência no plano carnal. O que pode acontecer no mundo invisível, é que o Espírito desencarnado ainda obcecado pelo sexo, envolva-se com outros da sua mesma natureza e se mantenham alimentando-se mentalmente dos hábitos e costumes que cultivaram em vida. É comum ligarem-se a pessoas encarnadas, cujas tendências lhes são afins, para satisfazerem suas necessidades sexuais. Nos planos espirituais onde habitam os Espíritos esclarecidos não há qualquer atividade no campo da sexualidade.

Existem almas gêmeas?
Não existem almas gêmeas no sentido que normalmente se dá a esse termo. Não há um homem criado especialmente para uma mulher ou vice-versa. Essa ideia, usada para justificar paixões transitórias, é puramente humana e nada tem a ver com as informações dadas pelos Espíritos superiores que revelaram a Doutrina Espírita. O objetivo de todos os Espíritos é atingir a perfeição e nesse estado todos se reconhecerão como verdadeiros irmãos.

Os Espíritos podem ler nossos pensamentos? É certo dizer que deve-se orar sempre com a mente, e nunca com os lábios, falando?
Os Espíritos podem ler nossos pensamentos sim, dependendo de seu grau de afinidade para conosco ou de sua condição evolutiva. Quanto à prece, você pode fazer com o pensamento, mas acima de tudo com o sentimento sincero de respeito e gratidão a Deus. As preces altas e longas são feitas mais para serem vistas pelos homens do que para serem ouvidas por Deus.

Gostaria de saber, no que diz respeito ao estado de perturbação espiritual, o que se passa com Espíritos que quando encarnados não tiveram a oportunidade de se esclarecerem quanto ao seu estado futuro nos seguintes casos: por ocasião de seu enterro; em caso de cremação de seu corpo; em caso de doação de órgãos?
Em todos os casos referidos, o Espírito que não tenha a compreensão da vida após a morte sofre muito. Pode ver seu enterro e se angustia. Pode ver seus órgãos sendo retirados e é um desespero por sentir-se ainda vivo. Pode sentir-se queimando, pela mesma razão. Mas o seu sofrimento depende do nível moral dele, da forma como encarou a vida, da sua condição evolutiva. Mesmo que ele não tenha a compreensão da vida verdadeira (espiritual) se ele foi uma pessoa digna, justa e se preocupou com o outro, será atendido mais prontamente e poderá compreender rapidamente o que se passa com ele. Neste caso, não passará por essas provações acima ditas. O que importa não é conhecimento que ele tem da vida espiritual, mas o que ele tem no coração. Tem pessoas que tinham um grande conhecimento da Doutrina Espírita e depois que desencarnam sofreram grandes decepções e sofrimentos.

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Fonte: Portal do Espírito, extraido do Grupo Espírita Bezerra de Menezes