Eternidade

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Os dois caminhos



Podemos edificar os sentimentos da Divindade por dois meios: 
o primeiro pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida;
o segundo pelo estudo.


Fé: no sentido comum, a crença em algo constitui a fé. Normalmente inata, manifesta-se pelo seu caráter natural em aceitar as coisas e realidades conforme se apresentam, sem mais indagações.[1]

Quem dera eu tivesse nascido com a fé de Chico Xavier! Por qual razão não possuo a fé de Divaldo Franco, Madre Teresa, entre outros exemplos de fé inquebrantável? Como fizeram para agradar o Magnânimo que, em retribuição, os aquinhoou com esta preciosa dádiva?! Qual o poder desta virtude, capaz de modificar o presente e moldar o futuro? Nasci assim, sem fé; e agora?

Estas, entre outras, são indagações lançadas ao Alto, às vezes com um sentimento surdo de revolta por todos aqueles ainda não detentores desta primordial virtude, a qual, mesmo que seja do tamanho de um grão de uma mostarda, pode mover montanhas, conforme asseverou o Cristo.

Ó meu Senhor Misericordioso, o que eu não daria para deter uma parcela que fosse, pequenina, ínfima, uma bagatela de fé! Já me bastaria para realizar verdadeiros milagres, em favor meu e dos mais próximos.

A nossa imaturidade espiritual crê que a Divindade, ao nos encaminhar de volta à Terra pela reencarnação, por um passe de mágica, um desejo particular, uma predileção qualquer, comunica a este e não àquele as muitas virtudes que nos cabem conquistar com o nosso esforço e não simplesmente obtê-las por um capricho de Deus.

É da lei divina: seremos relativamente perfeitos, detendo as numerosas virtudes, inclusive a fé, mãe de todas, mas para alcançar esta meta é preciso empenho, dedicação, constância; agindo assim ao longo de várias existências, pouco a pouco, podemos construir em nós mesmos as seguras fundações para, sobre elas, erigir o majestoso edifício das virtudes que nos conduzirão à felicidade plena tão buscada e desejada.

A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo.

O desenrolar da existência sempre nos traz oportunidades de reflexão sobre a perfeição das leis do Incriado. Da observação dos fatos corriqueiros podemos retirar variadas lições, descortinando a sempre presente solicitude da providência invariavelmente a nosso favor. Recolhendo aqui e ali percepções acuradas, podemos consolidar um entendimento de estar Deus no comando, com tudo acontecendo para nos beneficiar, visando ao nosso progresso; mesmo as chamadas desgraças nos trazem alertas sobre o modo como procedemos na atual existência.

Há bom tempo temos o costume de, quando em situação de dúvida ou incerteza, ou uma fase mais delicada da vida, orar; e após esta oração, abrir ao “acaso” uma mensagem destes preciosos livros espíritas, que nos trazem instrutivas abordagens sobre os mais variados assuntos. É surpreendente a quantidade de vezes em que o texto oferecido à nossa reflexão, naquele peculiar momento, aborda exatamente a questão a nos preocupar, seja ela qual for. É uma experiência única e bem pessoal à nossa disposição, quando nos convencemos da presença de nosso particular guia espiritual permanentemente ao nosso lado, atento e prestimoso, cuidadoso e solícito, paciente e cordato, sempre nos oferecendo algumas palavras de esclarecimento ou de conforto, oriundas de sua avançada sabedoria. Esta prática é uma das mais simples ao alcance de todos, contudo, de imensa importância para Espíritos vacilantes como todos nós ainda o somos.

O caminho paralelo de aprendizado das virtudes ocorre pelo estudo continuado das leis eternas. Quando Allan Kardec registrou a inolvidável frase[2]: “Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”, deu a conhecer o lado racional e intelectivo desta nobre faculdade até então totalmente desconhecido, pois as religiões nada ensinavam neste sentido e algumas, com pesar, ainda o fazem. Basicamente, fé se possuía ou não, se nascia com ou sem ela.

O insigne lionês — através dos Espíritos superiores a acompanhá-lo em sua importantíssima missão — nos mostrou a possibilidade desta virtude ser desenvolvida, cultivada, trabalhada, estudada; isto através do correto conhecimento e justa percepção das leis divinas.

Para facilitar a aquisição deste entendimento, não há melhor indicação do que o estudo da literatura espírita, iniciando de preferência com os primeiros cinco livros de Allan Kardec, as conhecidas obras fundamentais ou básicas, dando prosseguimento à análise das obras subsidiárias.

Conjugando estas duas vertentes, é possível elaborar de maneira coerente a nossa fé, não mais desejando possuir a fé dos outros, pois cada qual vivencia as virtudes que fez por merecer, porquanto trabalhou no passado com afinco, dedicação, perseverança, sendo a fé exemplo inquestionável de um dos tesouros, que uma vez obtido a traça não rói, tampouco a ferrugem destrói, muito menos pode ser roubada pelos ladrões, permanecendo conosco pela eternidade.


1. FRANCO, Divaldo P. Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2.ed. cap. 14. Rio de Janeiro: FEB, 1982. 
2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. 1.imp. cap. 19, it. 7. Brasília: FEB, 2013. 


Fonte: Jornal O Clarim, outubro/2018, por Rogério Miguez.


sábado, 28 de julho de 2018

Fé e Razão


É Possível Conciliar Fé e Razão?

É possível conciliar fé e razão? Para responder esse dilema que aflige tantas pessoas, a Doutrina Espírita apresenta em seu tríplice aspecto alicerçado pela ciência, filosofia e religião, firmes argumentos para o desenvolvimento da fé e da razão que fazem parte da essência humana.

O capítulo dezenove de O Evangelho Segundo o Espiritismo ressalta: “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Enquanto a fé verdadeira nos conecta diretamente a força de Deus e alimenta a alma de confiança diante dos combates, a razão nos leva a compreender os fatos que ultrapassam o campo da crença religiosa, encontrando explicações lógicas.

Um Diálogo entre a Fé e a Razão

Buscando um diálogo entre a fé e a razão, encontramos pesquisas interessantes sobre a relação da fé com o grau de felicidade, o que quer dizer que é capaz de fortalecer e trazer boas energias à vida. Estudos mostram que os benefícios da fé à saúde têm embasamento científico, o que cria uma comunhão entre o físico e o espiritual.

O apóstolo do Cristo, Paulo de Tarso destaca entre os pontos fundamentais sobre a fé e a razão que é preciso aprender analisar os fatos para escolher o caminho a seguir:“Examinai tudo. Retende o bem.”

Reflexões que mostram o sentido da fé, capaz de nos direcionar para a conquista do amor e da sabedoria. “A fé é o sentimento inato, no homem, da sua destinação. É a consciência das prodigiosas faculdades que traz em germe no íntimo, a princípio em estado latente, mas que ele deve fazer germinar e crescer, através da sua vontade ativa”(Evangelho Segundo o Espiritismo -A Fé Divina e a Fé Humana).

Buscando um sentido mais profundo para a fé e seu poder de iluminar e dar um significado diferente para a vida, acrescenta Allan Kardec: “A fé precisa de uma base e essa base é a perfeita compreensão no que se deve crer. E, para crer, não basta ver: é preciso, sobretudo, compreender”.

A partir da compreensão dessa profunda relação entre fé e razão que o Espiritismo propõe, baseada
na fé raciocinada, que convida ao aprofundamento constante das ideias e a busca ao esclarecimento, novas possibilidades se abrem.

Que a fé possa oferecer a esperança em todos os momentos da vida, sustentada pela razão que dá discernimento necessário de forma coerente à renovação interior.

Sobre o crer e o sentir, o conhecimento e o amor se fortalecem quando o despertar dessa consciência é acompanhado de ações práticas. É o que nos ensina Jesus a respeito do reconhecimento do verdadeiro Cristão: “A fé se não tiver obras, é morta em si mesma”.



Fonte: Portal do Espírito, enviado em 18/07/2018