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sábado, 26 de agosto de 2017

Purgatório


PURGATÓRIO
O Purgatório

1. - O Evangelho não faz menção alguma do purgatório, que só foi admitido pela Igreja no ano de 593. É incontestavelmente um dogma mais racional e mais conforme com a justiça de Deus que o inferno, porque estabelece penas menos rigorosas e resgatáveis para as faltas de gravidade mediana.

O princípio do purgatório é, pois, fundado na eqüidade, porque, comparado à justiça humana, é a detenção temporária a par da condenação perpétua. Que julgar de um país que só tivesse a pena de morte para os crimes e os simples delitos?

Sem o purgatório, só há para as almas duas alternativas extremas: a suprema felicidade ou o eterno suplício. E nessa hipótese, que seria das almas somente culpadas de ligeiras faltas? Ou compartilhariam da felicidade dos eleitos, ainda quando imperfeitas, ou sofreriam o castigo dos maiores criminosos, ainda quando não houvessem feito muito mal, o que não seria nem justo, nem racional.

2. - Mas, necessariamente, a noção do purgatório deveria ser incompleta, porque apenas conhecendo a penalidade do fogo fizeram dele um inferno menos tenebroso, visto que as almas aí também ardem, embora em fogo mais brando. Sendo o dogma das penas eternas incompatível com o progresso, as almas do purgatório não se livram dele por efeito do seu adiantamento, mas em virtude das preces que se dizem ou que se mandam dizer em sua intenção. E se foi bom o primeiro pensamento, outro tanto não acontece quanto às consequências dele decorrentes, pelos abusos que originaram. As preces pagas transformaram o purgatório em mina mais rendosa que o inferno. (1) 

(1) O purgatório originou o comércio escandaloso das indulgências, por intermédio das quais se vende a entrada no céu. Este abuso foi a causa primaria da Reforma, levando Lutero a rejeitar o purgatório.

3. Jamais foram determinados e definidos claramente o lugar do purgatório e a natureza das penas aí sofridas. A Nova Revelação estava reservado o preenchimento dessa lacuna, explicando-nos a causa das terrenas misérias da vida, das quais só a pluralidade das existências poderia mostrar-nos a justiça. 

Essas misérias decorrem necessariamente das imperfeições da alma, pois se esta fosse perfeita não cometeria faltas nem teria de sofrer-lhe as consequências. O homem que na Terra fosse em absoluto sóbrio e moderado, por exemplo, não padeceria enfermidades oriundas de excessos. 

O mais das vezes ele é desgraçado por sua própria culpa, porém, se é imperfeito, é porque já o era antes de vir à Terra, expiando não somente faltas atuais, mas faltas anteriores não resgatadas. Repara em uma vida de provações o que a outrem fez sofrer em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são, por sua vez, uma correção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar de si, a fim de evitar males e progredir para o bem. São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o futuro, quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes ocasionam incessantes lutas que lhe desenvolvem as forças e as faculdades intelectivas e morais. Por essas lutas a alma se retempera no bem, triunfando sempre que tiver denodo para mantê-las até ao fim.

O prêmio da vitória está na vida espiritual, onde a alma entra radiante e triunfadora como soldado que se destaca da refrega para receber a palma gloriosa.

4. - Em cada existência, uma ocasião se depara à alma para dar um passo avante; de sua vontade depende a maior ou menor extensão desse passo: franquear muitos degraus ou ficar no mesmo ponto. Neste último caso, e porque cedo ou tarde se impõe sempre o pagamento de suas dívidas, terá de recomeçar nova existência em condições ainda mais penosas, porque a uma nódoa não apagada ajunta outra nódoa. 

É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições, que se purga, em uma palavra, até que esteja bastante pura para deixar os mundos de expiação como a Terra, onde os homens expiam o passado e o presente, em proveito do futuro. Contrariamente, porém, à idéia que deles se faz, depende de cada um prolongar ou abreviar a sua permanência, segundo o grau de adiantamento e pureza atingido pelo próprio esforço sobre si mesmo. O livramento se dá, não por conclusão de tempo nem por alheios méritos, mas pelo próprio mérito de cada um, consoante estas palavras do Cristo: - A cada um, segundo as suas obras, palavras que resumem integralmente a justiça de Deus.

5. - Aquele, pois, que sofre nesta vida pode dizer-se que é porque não se purificou suficientemente em sua existência anterior, devendo, se o não fizer nesta, sofrer ainda na seguinte. Isto é ao mesmo tempo eqüitativo e lógico. Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, tanto mais tempo se sofre quanto mais imperfeito se for, da mesma forma por que tanto mais tempo persistirá uma enfermidade quanto maior a demora em tratá-la. Assim é que, enquanto o homem for orgulhoso, sofrerá as conseqüências do orgulho; enquanto egoísta, as do egoísmo.

6. - Devido às suas imperfeições, o Espírito culpado sofre primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois facultada a vida corporal como meio de reparação. É por isso que ele se acha nessa nova existência, quer com as pessoas a quem ofendeu, quer em meios análogos àqueles em que praticou o mal, quer ainda em situações opostas à sua vida precedente, como, por exemplo, na miséria, se foi mau rico, ou humilhado, se orgulhoso. 

A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não constitui duplo castigo para eles, porém um complemento, um desdobramento do trabalho efetivo a facilitar o progresso. Do Espírito depende aproveitá-lo. E não lhe será preferível voltar à Terra, com probabilidades de alcançar o céu, a ser condenado sem remissão, deixando-a definitivamente? A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem tudo deva aos seus esforços e seja o obreiro do seu futuro; que, infeliz por mais ou menos tempo, não se queixe senão de si mesmo, pois que a rota do progresso lhe está sempre franca.

7. - Considerando-se quão grande é o sofrimento de certos Espíritos culpados no mundo invisível, quanto é terrível a situação de outros, tanto mais penosa pela impotência de preverem o termo desses sofrimentos, poder-se-ia dizer que se acham no inferno, se tal vocábulo não implicasse a idéia de um castigo eterno e material. 

Mercê, porém, da revelação dos Espíritos e dos exemplos que nos oferecem, sabemos que o prazo da expiação esta subordinado ao melhoramento do culpado.

8. - O Espiritismo não nega, pois, antes confirma, a penalidade futura. O que ele destrói é o inferno localizado com suas fornalhas e penas irremissíveis. Não nega, outrossim, o purgatório, pois prova que nele nos achamos, e definindo-o precisamente, e explicando a causa das misérias terrestres, conduz à crença aqueles mesmos que o negam. Repele as preces pelos mortos? Ao contrário, visto que os Espíritos sofredores as solicitam; eleva-as a um dever de caridade e demonstra a sua eficácia para os conduzir ao bem e, por esse meio, abreviar-lhes os tormentos (1). Falando à inteligência, tem levado a fé a muito incrédulo, incutindo a prece no ânimo dos que a escarneciam. O que o Espiritismo afirma é que o valor da prece está no pensamento e não nas palavras, que as melhores preces são as do coração e não dos lábios, e, finalmente, as que cada qual murmura de si mesmo e não as que se mandam dizer por dinheiro. Quem, pois, ousaria censurá-lo?
(1) Vede O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII - "Ação da prece"

9. - Seja qual for a duração do castigo, na vida espiritual ou na Terra, onde quer que se verifique, tem sempre um termo, próximo ou remoto. Na realidade não há para o Espírito mais que duas alternativas, a saber: - punição temporária e proporcional à culpa, e recompensa graduada segundo o mérito. Repele o Espiritismo a terceira alternativa, da eterna condenação. O inferno reduz-se a figura simbólica dos maiores sofrimentos cujo termo é desconhecido. O purgatório, sim, é a realidade.

A palavra purgatório sugere a idéia de um lugar circunscrito: eis por que mais naturalmente se aplica à Terra do que ao Espaço infinito onde erram os Espíritos sofredores, e tanto mais quanto a natureza da expiação terrena tem os caracteres da verdadeira expiação.

Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons Espíritos; e estes, encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal elementos aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições. 

Aliás, por esta transformação, que neste momento se opera, a Terra se elevará na hierarquia dos mundos. (2)
(2) Idem, cap. III - "Progressão dos mundos".

10. - Mas, por que não teria o Cristo falado do purgatório? É que, não existindo a idéia, não havia palavra que a representasse.

O Cristo serviu-se da palavra inferno, a única usada, como termo genérico, para designar as penas futuras, sem distinção. Colocasse ele, ao lado da palavra inferno, uma equivalente a purgatório e não poderia precisar-lhe o verdadeiro sentido sem ferir uma questão reservada ao futuro; teria, enfim, de consagrar a existência de dois lugares especiais de castigo. O inferno em sua concepção genérica, revelando a idéia de punição, encerrava, implicitamente, a do purgatório, que não é senão um modo de penalidade.

Reservado ao futuro o esclarecimento sobre a natureza das penas, competia-lhe igualmente reduzir o inferno ao seu justo valor. Uma vez que a Igreja, após seis séculos, houve por bem suprir o silêncio de Jesus quanto ao purgatório, decretando-lhe a existência, é porque ela julgou que ele não havia dito tudo. E por que não havia de dar-se sobre outros pontos o que com este se deu?


02 - PURGATÓRIO
Como o Espiritismo explica o céu, o inferno e o purgatório? 

Segundo o Espiritismo, as virtudes são eternas e os defeitos temporários. O objetivo da criatura é trabalhar incessantemente pela abolição das imperfeições e aquisição dos valores morais que eleva progressivamente o Espírito ao bem, ou à conquista do chamado "céu". Por acreditar que o mundo espiritual é a verdadeira morada, só aqueles que se elevam ao bem habitam as regiões celestiais ditas paraíso onde, diferente de outras religiões, o Espiritismo acredita habitarem Espíritos que trabalham na edificação do mundo novo. Na verdade, o céu não se trata de um lugar demarcado, mas de um estado de perfeição espiritual conquistado individualmente pelo Espírito, através de seu constante esforço. O que vale dizer que uns apressam e outros retardam seu próprio progresso. 

"Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras" - (Mateus 16.27). 

"A felicidade suprema é prêmio exclusivo dos Espíritos perfeitos ou puros. Eles a atingem só depois de haver progredido em inteligência e moralidade" - (Allan Kardec). 

Deus em sua perfeição suprema, sendo a concepção da bondade e da caridade, só pode ter criado os Espíritos para um dia usufruírem da sua glória, e não para condená-los a sofrimentos eternos. É lógico concluir que as penas eternas são incompatíveis com a justiça do Pai.

A criação do inferno cristão se origina das concepções pagãs das penas e gozos eternos, com uma grande dose de exagêro. Deus condenaria sem piedade seus filhos maus a expiarem para sempre em regiões de dores e sofrimentos terríveis. Entretanto, em sua doutrina, Jesus nos trouxe um ensinamento contrário a esse pensamento : 

"...Ou qual de vós, porventura, é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, porventura, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Pois se vós outros, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas dádivas aos que lhas pedirem" (Mateus - 7.11).

Portanto Deus, em sua infinita bondade e justiça, jamais condenaria seus filhos às penas eternas. Ao contrário, dá tantas oportunidades quantas precisamos para nosso crescimento espiritual.

O inferno, ou trevas segundo a Doutrina Espírita, é um estado de consciência compartilhado por aqueles cujos defeitos e sentimentos ruins predominam em suas personalidades, que se inclinam ao mau e nele se comprazem. São apenas irmãos imperfeitos e ignorantes, que têm o inferno dentro de suas próprias consciências e que, através de novas oportunidades dadas pelo Pai Celestial, através de sucessivas experiências encarnatórias também alcançarão a perfeição. 

"E Ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?
E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;
E, chegando a casa convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" - (Lucas 15.3-7).

"Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca" - (Mateus 18.14). 

O chamado purgatório, por sua vez, é uma condição de sofrimento temporário para as almas que necessitam da conscientização de seus erros e ali permanecem até o arrependimento destes. Esta idéia é defendida por várias religiões, inclusive o Espiritismo, com alusão ao fato de que a permanência neste estado espiritual é mais ou menos longa, de acordo com a necessidade individual de cada Espírito sofredor. Conhecido como umbral na Doutrina Espírita, o purgatório é também um estado de espírito e não um local definido ou circunscrito onde habitam eternamente os Espíritos sofredores.

Analisando a questão por outro aspecto e levando-se em consideração que somos seres imortais trabalhando constantemente pela depuração do Espírito, pode-se compreender que cada reencarnação em mundos de provas e expiações, como a Terra por exemplo, funciona como uma "purgação" para o Espírito que almeja sempre sua felicidade em condições melhores. 

"O purgatório não é, portanto, uma idéia vaga e incerta: é uma realidade material que vemos, tocamos e sofremos. Ele se encontra nos mundos de expiação e a Terra é um deles. Os homens expiam nela o seu passado e o seu presente em benefício do seu futuro" - (Allan Kardec). 

"Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.

O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tem por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, se não que todos venham a arrepender-se" - (II Pedro 3.8-9). 


03 - PURGATÓRIO

5 – qual a visão espírita sobre céu, o inferno e purgatório?

Segundo o Espiritismo, as virtudes são eternas e os defeitos temporários. O objetivo da criatura é trabalhar incessantemente pela abolição das imperfeições e aquisição dos valores morais que eleva progressivamente o Espírito ao bem, ou a conquista do chamado “céu”. Por acreditar que o mundo espiritual é a verdadeira morada, só aqueles que se elevam ao bem habitam as religiões celestiais ditas paraíso onde, diferente de outras religiões, o Espiritismo acredita habitarem Espíritos q eu trabalha na edificação do mundo movo. Na verdade, o céu não se trata de um lugar demarcado, mas de um estado de perfeição espiritual conquistado individualmente pelo Espírito, através de seu constante esforço. O q eu vale dizer que uns apressam e outros retardam seu próprio progresso.

Porque o filho do homem virá na glória de seu Pai, com seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. (Mateus-16.27).

A felicidade suprema é prêmio exclusivo dos Espíritos perfeitos ou puros. Eles a atingem só depois de haver progredido em inteligência e moralidade (Allan Kardec).

Deus em sua perfeição suprema, sendo a concepção da bondade e da caridade, só pode ter criado os Espíritos para um dia usufruírem da sua glória, e não para condená-los a sofrimentos eternos. É lógico concluir que as penas eternas são incompatíveis com a justiça do Pai. A criação do inferno cristão se origina das concepções pagãs das penas e gozos eternos ,com uma grande dose de exagero. Deus condenaria sem piedade seus filhos maus a expiarem para sempre em regiões de dores e sofrimentos terríveis. Entretanto, em sua doutrina, Jesus nos trouxe um ensinamento contrário a esse pensamento.

Ou qual de vós, porventura, é o home que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, porventura, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Pois se vós outros, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas dádivas aos que lhas pedirem (Mateus. 7.11).

Portanto Deus em sua infinita bondade e justiça, jamais condenaria seus filhos às penas eternas. Ao contrário, dá tantas oportunidades quantas precisamos para nosso crescimento espiritual. 

O inferno, ou trevas segundo a Doutrina Espírita, é um estado de consciência compartilhado por aqueles cujos defeitos e sentimentos ruins predominam em suas personalidades, que se inclinam ao mau e nele se comprazem. São apenas irmãos imperfeitos e ignorantes, que têm o inferno dentro de suas próprias consciências e que, através de novas oportunidades dadas pelo Pai Celestial, através de sucessivas experiências encarnatórias também alcançarão a perfeição.

E ele lhes propôs está parábola, dizendo: Que o homem dentro vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? 

E, achando-a apõe seus ombros, gostoso; E chegando a casa convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lucas-15.3.7).

Assim, também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca (Mateus-18.14).

O chamado purgatório, por sua vez é uma condição de sofrimento temporário para as almas que necessitam da conscientização de seus erros e ali permanecem até o arrependimento destes. Esta idéia é defendida por várias religiões, inclusive o Espiritismo, com alusão ao fato de que a permanência neste estado espiritual é mais ou menos longa, de acordo com a necessidade individual de cada Espírito sofredor. Conhecido como umbral na Doutrina Espírita, o purgatório é também um estado de espírito e não um local definido ou circunscrito onde habitam eternamente os Espíritos sofredores.

Analisando a questão por outro aspecto e levando-se em consideração que somos seres imortais trabalhando constantemente pela depuração do Espírito, pode-se compreender que cada reencarnação em mundos de provas e expiações, como a Terra, pro exemplo, funciona como uma purgação para o Espírito que almeja sempre sua felicidade em condições melhores.

O purgatório não é, portanto vaga incerta: é uma realidade material que vemos, tocamos e sofremos. Ele se encontra nos mundos de expiação e a terra é um deles.

“Os homens expiam nela o seu passado e o seu presente em benefício do seu futuro”(Allan Kardec).

Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos com um dia.
O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tem por tardia: mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam se não que todos venham a arrepender-se (II Pedro 3.8.9).

 
04 - PURGATÓRIO
a) O céu não é um lugar onde os bons espíritos se reúnem, sem outra preocupação que a de gozar uma felicidade passiva, por toda a eternidade. São os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os espíritos gozam plenamente suas faculdades, sem as tribulações da vida material nem as angústias peculiares à inferioridade.

b) Quando alguns espíritos falam em quarto, quinto ou sétimo céus exprimem seus diferentes graus de purificação e de felicidade.

Comentário de Allan Kardec:

" O mesmo ocorre com outras expressões análogas, tais como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda ou terceira esfera, etc., que apenas são alegorias usadas por alguns Espíritos, quer como figuras, quer, algumas vezes, por ignorância da realidade das coisas, e até das mais simples noções científicas. De acordo com a idéia restrita que se fazia outrora dos lugares das penas e das recompensas e, sobretudo, de acordo com a opinião de que a Terra era o centro do Universo, de que o firmamento formava uma abóbada e que havia uma região das estrelas, o céu era situado no alto e o inferno em baixo.

Daí as expressões: subir ao céu, estar no mais alto dos céus, ser precipitado nos infernos. Hoje, que a Ciência demonstrou ser a Terra apenas, entre tantos milhões de outros, uns dos menores mundos, sem importância especial; que traçou a história da sua formação e lhe descreveu a constituição; que provou ser infinito o espaço, não haver alto nem baixo no Universo, teve-se que renunciar a situar o céu acima das nuvens e o inferno nos lugares inferiores. Quanto ao purgatório, nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritismo dar de tudo isso a explicação mais racional, mais grandiosa e, ao mesmo tempo, mais consoladora para a humanidade. Pode-se assim dizer que trazemos em nós mesmos o nosso inferno e o nosso paraíso. O purgatório, achamo-lo na encarnação, nas vidas corporais ou físicas."

c) Quando o Cristo disse "meu reino não é deste mundo", quis dizer, em sentido figurado, que o seu reinado se exerce unicamente sobre os corações puros e desinteressados, onde quer que domine o amor do bem.

d) O bem reinará na Terra quando ela for habitada por espíritos predominantemente bons, que farão reine o amor e a justiça. O homem atrairá para a Terra os bons espíritos por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus. Os maus espíritos se afastarão da Terra, quando estiverem banidos o orgulho e o egoísmo.

Dissertação de São Luís:

“Predita foi a transformação da Humanidade e vos avizinhais do momento em que se dará, momento cuja chegada apressam todos os homens que auxiliam o progresso. Essa transformação se verificará por meio da encarnação de Espíritos melhores, que constituirão na Terra uma geração nova. Então, os Espíritos dos maus, que a morte vai ceifando dia a dia, e todos os que tentem deter a marcha das coisas serão daí excluídos, pois que viriam a estar deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam. Irão para mundos novos, menos adiantados, desempenhar missões penosas, trabalhando pelo seu próprio adiantamento, ao mesmo tempo que trabalharão pelo de seus irmãos mais atrasados. Neste banimento de Espíritos da Terra transformada, não percebeis a sublime alegoria do Paraíso perdido e, na vinda do homem para a Terra em semelhantes condições, trazendo em si o gérmen de suas paixões e os vestígios da sua inferioridade primitiva, não descobris a não menos sublime alegoria do pecado original? Considerado deste ponto de vista, o pecado original se prende à natureza ainda imperfeita do homem que, assim, só é responsável por si mesmo, pelas suas próprias faltas e não pelas de seus pais. 

Todos vós, homens de fé e de boa-vontade, trabalhai, portanto, com ânimo e zelo na grande obra da regeneração, que colhereis pelo cêntuplo o grão que houverdes semeado. Ai dos que fecham os olhos à luz! Preparam para si mesmos longos séculos de trevas e decepções. Ai dos que fazem dos bens deste mundo a fonte de todas as suas alegrias! Terão que sofrer privações muito mais numerosas do que os gozos de que desfrutaram! Ai, sobretudo, dos egoístas! Não acharão quem os ajude a carregar o fardo de suas misérias.” 

QUESTÕES PARA ESTUDO:
1 - O que é o céu, segundo o Espiritismo?
2 - Como surgiu a concepção de céu adotada por alguns segmentos religiosos?
3 - Podemos entender ser possível a existência do céu aqui mesmo, na Terra?
4 - E o paraíso? Como conceituá-lo, segundo o ensinamento dos Espíritos?

Paraíso, inferno e purgatório (2a. parte) - Conclusão Voltar ao estudo

1 - O que é o céu, segundo o Espiritismo?
O Espiritismo nos ensina que, assim como o inferno e o purgatório, o céu não é um região previamente demarcada, criada por Deus para abrigar os bons espíritos. O céu é o estado consciencial a que o espírito chega após percorrer a senda evolutiva. Ao atingir a perfeição possível, o espírito goza, em toda a sua plenitude, das faculdades com que foi dotado pelo Criador. Pode estar situado em um planeta ou uma estrela que constituem os mundos superiores. É, enfim, o espaço universal, onde quer que se reunam, por afinidade, os espíritos superiores.

2 - Como surgiu a concepção de céu adotada por alguns segmentos religiosos?
Os antigos concebiam a Terra como sendo o centro do Universo. O céu era uma cobertura côncava, levantada no espaço, povoada de estrelas e que cobria a Terra. Juntamente com o inferno, que se situava na parte inferior do planeta, o céu era uma das regiões destinadas ao cumprimento das penas e das recompensas. Hoje, tendo a ciência demonstrado ser a Terra não mais que um dos incontáveis planetas que compõem o Universo, sem nenhuma importância especial, sabemos que o espaço é infinito e o que pensavam ser o céu nada mais é do que o espaço cósmico. A concepção antiga do termo continua sendo utilizada por alguns espíritos apenas no sentido alegórico, figurativo, para melhor se fazerem entender.

3 - Podemos entender ser possível a existência do céu aqui mesmo, na Terra?
Conforme disserta São Luís na resposta à questão 1.019, a humanidade terrena passa por um processo de transformação, que se opera através da encarnação de espíritos melhores em lugar de espíritos persistentes no mal. Estes serão excluídos do planeta, passando a reencarnar em mundos menos adiantados, onde lhes poderão ser atribuídas penosas missões que impulsionarão o progresso desses mundos. A Terra poderá ser transformada num céu quando a sua humanidade houver atingido a perfeição, quando o mal gerado pelo egoísmo dos espíritos que a habitam não mais existir.

4 - E o paraíso? Como conceituá-lo, segundo o ensinamento dos Espíritos?
O paraíso é uma alegoria criada para se referir à região de onde provieram os espíritos que formaram a raça adâmica, aqueles que vieram para a Terra impulsionar o seu progresso. Eram espíritos intelectualmente desenvolvidos, porém com o lado moral ainda pouco evoluído. Vieram para a Terra com suas paixões e os vestígios da inferioridade primitiva, que não mais comportavam no planeta de onde se originaram, que, por essa imagem figurativa, ficou conhecido como o paraíso perdido. Daí o surgimento de uma outra alegoria ainda hoje recepcionada por alguns segmentos religiosos: a do pecado original.


05 - PURGATÓRIO
Céu, Inferno, Purgatório e Paraíso Perdido
 
1. C É U
· DEFINIÇÃO: espaço ilimitado e indefinido onde se movem os astros; espaço acima de nossas cabeças. Vem do latim coelum, formada do grego coilos, côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade.
· SEGUNDO A RELIGIÃO: região para onde, de acordo com as crenças religiosas, vão as almas dos justos. (lugar circunscrito).
· SEGUNDO O ESPIRITISMO: a palavra céu indica o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores em que os Espíritos gozam de todas as suas faculdades, sem as tribulações da vida material nem as angústias inerentes à inferioridade.
· SEGUNDO A CIÊNCIA: a idéia que fazemos do Céu é fruto da concepção grega e babilônica (imutável, calmo, vida eterna). Copérnico, no Século XVI, quebra a tradição milenar e coloca o Sol no centro do Universo. Com isto a Terra entrou no Céu. Mais tarde, Galileu, com a descoberta do telescópio, corrobora tal afirmação. A Ciência parecia ir contra a Bíblia; mas a Bíblia ensina como ir ao Céu, não como ele foi feito.

2. I N F E R N O
· CONCEITO PAGÃO: o conhecimento do Inferno pagão nos é fornecido quase exclusivamente pela narrativa dos poetas. Citam-se Homero, Virgílio e Dante Alighiere. Dante Alighiere, por exemplo, na sua "Divina Comédia" descreve os aspectos lúgubres dos lugares, preocupando-se em realçar o gênero de sofrimento dos culpados.(1) cap. IV
· NA MITOLOGIA: lugar subterrâneo, onde estão as almas dos mortos.
· SEGUNDO O CRISTIANISMO: lugar ou situação pessoal em que se encontram os que morreram em estado de pecado. O Inferno perpetuado pela religião cristã dogmática foi elevado a um lugar de maiores suplícios do que aquele dos pagãos (caldeiras ferventes, tonéis de óleo, rochedo em brasa etc.).(1) cap. IV
· PARA O ESPIRITISMO: Céu e Inferno são figuras de linguagem e não lugares circunscritos. O Inferno não é lugar materializado (fogo, tridentes etc.), mas “uma vida de provas extremamente penosas” (revezes, doenças, dificuldades etc.), com a incerteza de melhoria.(2) perg. 1014a

3. P U R G A T Ó R I O
· PROVENIENTE DE PURGAR: tornar puro, purificar, limpar.
· PARA O CRISTIANISMO: lugar de purificação das almas dos justos, antes de admitidos na bem-aventurança. P. ext. qualquer lugar onde se sofre por algum tempo. O Evangelho não faz menção alguma do purgatório, que só foi admitido pela Igreja no ano de 593, como dogma: era o lugar menos doloroso para as almas, bastando preces ditas ou encomendadas (orações pagas), para que o interessado não fosse ao fogo, mas ao Céu. Isto deu origem à venda de indulgência, ou seja, a remissão do pecado pelo pagamento de uma determinada quantia em dinheiro. (1) cap. V
· SEGUNDO O ESPIRITISMO: entende-se como sofrimento físico e moral. É o tempo de expiação. Na Terra, como encarnado, o homem expia suas faltas, submetendo-se às provas e fazendo suas reparações. Não é, portanto, um lugar definido, fora da vida encarnada, mas o estado dos Espíritos imperfeitos que estão em busca do aperfeiçoamento moral e intelectual. (2) perg. 1013

4. D O U T R I N A D A S P E N A S E T E R N A S
· SEGUNDO O CRISTIANISMO: conseqüência da concepção do Inferno material. Principal argumento invocado a seu favor: "é doutrina sancionada entre os homens que a gravidade da ofensa é proporcionada à qualidade do ofendido. O crime de lesa-majestade, por exemplo, o atentado à pessoa de um soberano, sendo considerado mais grave do que o fora em relação a qualquer súdito, é, por isso mesmo, mais severamente punido. E sendo Deus muito mais que um soberano, pois é Infinito, deve ser infinita a ofensa a Ele, como infinito o respectivo castigo, isto é, eterno". (1) cap. VI item 10
· SEGUNDO O ESPIRITISMO: o prazo da expiação está subordinado ao melhoramento do culpado. Dos trinta e três itens do código da vida futura segundo o Espiritismo, resumem-se em: arrependimento, expiação e reparação, ou seja, apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. (1) cap. VII, pág. 93

5. P E C A D O O R I G I N A L
· SEGUNDO O CRISTIANISMO: Deus criou Adão e Eva que teriam ofendido a Deus por quererem assemelhar-se-lhe. É o pecado original, uma ofensa proporcional à grandeza do ofendido. Infinita, portanto. Por isso merecem castigo que se estendeu a toda sua descendência. Mas, infinitamente misericordioso que Ele é, Deus, na pessoa do Filho, Jesus, fez-se homem a fim de sofrer ele próprio a dor do resgate e, com isto, redimir a humanidade e proporcionar-lhe a salvação. Confunde-se Jesus com Deus. Cria-se, também, o ritual do batismo. (3) pág. 33
· SEGUNDO O ESPIRITISMO: para o Espiritismo o pecado original não existe. Contudo, a respeito do batismo, o Espírito Emmanuel, na pergunta 298 do livro O Consolador, comenta que o espiritista deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de misericórdia para a cristianização dos filhos , no apostolado do trabalho e da dedicação.

6. P E R D A D O P A R A í S O
· RELATO BÍBLICO: Adão e Eva comem o fruto proibido, em virtude da tentação de Eva, pela serpente. São expulsos do paraíso.
· SEGUNDO O ESPIRITISMO: o paraíso terrestre, cujos vestígios tem sido inutilmente procurados na Terra, era, por conseguinte, a figura dum mundo ditoso, onde vivera Adão, ou, antes, a raça dos Espíritos que ele personifica. Para o Espiritismo os anjos decaídos e a perda do paraíso estão presos à progressão dos mundos. Os mundos progridem, fisicamente, pela elaboração da matéria e, moralmente, pela purificação dos Espíritos que os habitam. Logo que um mundo tem chegado a um de seus períodos de transformação, a fim de ascender na hierarquia dos mundos, operam-se mutações na sua população encarnada e desencarnada. É quando se dão as grandes emigrações e imigrações. (4) item 43

7. S I S T E M A D E C A P E L A
· CAPELA: uma grande estrela da Constelação de Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra. Quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente. Há muitos milênios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns Espíritos que não acompanharam essa evolução, foram, sob a anuência de Jesus, recambiados para o nosso Planeta, dando origem às RAÇAS ADÂMICAS.

8. A S R A Ç A S A D Â M I C A S
· GRUPO DOS ARIAS: dele descende a maioria dos povos brancos da família indo-européia.
· CIVILIZAÇÃO DO EGITO: foram os que mais se destacaram na prática do Bem e no culto da Verdade.
· POVO DE ISRAEL: a raça mais forte e mais homogênea, mostrando inalterados os seus caracteres através de todas as mutações.
· CASTAS DA ÍNDIA: foram os primeiros a formar os pródomos de uma sociedade organizada, cujos núcleos representariam a grande percentagem de ascendentes das coletividades do porvir. (5) cap. III


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
(1) KARDEC, A. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 22.ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
(2) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972.
(3) CURTI, R. Cristianismo (de Jesus a Kardec). São Paulo, FEESP.
(4) KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17.ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
(5) XAVIER, F. C. A Caminho da Luz (História da Civilização à Luz do Espiritismo). Rio de Janeiro, FEB, 1972.
(Org. por Sérgio Biagi Gregório)

Fonte: Casa do Espiritismo - http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/purgatorio.htm
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Depois de morrer...



O CÉU e o INFERNO, figuras simbólicas, estão dentro de nós.

Após a Morte, poderemos ser atraídos para planos superiores ou inferiores.

Tudo depende de nossa sintonia interior.

"A cada um segundo suas obras".


Para onde iremos após a morte?

Quantos fazem esta pergunta a si mesmos e nem sequer percebem que todas as noites, ao adormecerem, ensaiam a morte.

Os fenômenos ditos espíritas, que revelam a vida após a morte, não são uma exclusividade do Espiritismo, acontecem e aconteceram em todas as épocas no seio da humanidade. Encontramos seus vestígios desde os primeiros séculos da presença do homem na Terra.

Emanuel Swedenborg, nascido em Estocolmo em 1688, cientista e engenheiro de prestígio, publica em latim, no ano de 1758 - Londres - o livro: O Céu e suas maravilhas e o Inferno, contendo três partes O céu, O Mundo dos Espíritos e O inferno.

Neste livro, escrito quase cem anos antes da codificação do Espiritismo, narra suas experiências vividas periodicamente fora do corpo em desdobramento durante o sono e descreve com minúcias como vivem os espíritos depois da morte física.

Em uma das suas explicações sobre o que vira no mundo espiritual, ele afirma: "... aqueles que eram amigos ou se conheciam na Terra, novamente se encontram e conversam entre si, o quanto queiram, principalmente esposas e maridos, e também irmãos e irmãs. Vi um pai conversando com seus filhos após havê-los reconhecido, e muitos outros tratavam com parentes e amigos; porém, como possuíssem mentalidade diferentes em razão da experiência que traziam da Terra, eles se separaram algum tempo depois".

Muitos de nós, durante o sono, deixamos o corpo e assumimos temporariamente a vida espiritual. Revemos amigos, velhas afeições, visitamos entes queridos que residem perto ou distante, em outros países, e até em outros mundos. Por questões evolutivas, nem sempre conseguimos reter a lembrança de tais eventos, as quais, poderiam prejudicar o curso do nosso aprendizado na Terra. Entretanto, os desígnios de Deus, através dos infinitos recursos de que dispõe, constantemente envia-nos informações através dos meios mais diversos disseminados pelo mundo para que possamos nos aproximar da nossa verdadeira natureza.


Aqueles que morreram e voltaram para contar

Na antiguidade eram os profetas. Hoje, com a mediunidade esclarecida pela luz do Consolador, são os espíritos que, através dos médiuns, nos apontam o caminho a seguir. Faltam ouvidos para ouvir e olhos para ver!

Por isso ouvimos constantemente de lábios desprevenidos as seguintes frases: "Jamais alguém voltou para dizer como é lá". Ou ainda, "O que há após a morte, ninguém sabe".

Com certeza, entre tantos outros, Emanuel Swedenborg, foi um dos que estiveram lá e voltaram para dizer como é o mundo dos espíritos.

No livro, O Céu e o Inferno, um dos trabalhos mais importantes do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, consta valiosos depoimentos de espíritos desencarnados em circunstâncias das mais diversas, cujas narrativas esclarecedoras, nos dão uma ideia para onde iremos após a morte, segundo o nosso caráter e o nosso comportamento durante o período em que estivemos encarnados.

Enriquecendo ainda mais tais informações, através da psicografia de Chico Xavier, muitos retornaram para contar onde estão e como vivem.

Nas obras de André Luiz, colhemos valiosos esclarecimentos sobre como vivem os espíritos em suas coletividades, situadas no plano espiritual.

Entretanto, apesar do farto material informativo, existem pormenores que envolve o momento do desencarne que, para muitos, ainda é motivo de grande preocupação.

No livro, "Para Onde Iremos Após a Morte", onde relato minhas experiências em desdobramento, acompanhado pelo espírito Aulus, fui levado por ele em espírito a um hospital na zona central da cidade de São Paulo. Chegando lá, fomos direto para um dos apartamentos situado na ala dos convênios particulares.

Um homem que estava moribundo havia sido transferido da unidade de terapia intensiva a pedido dos familiares, pois os médicos nada mais poderiam fazer pelo paciente. Ali, no apartamento, pelo menos os entes queridos poderiam compartilhar dos seus últimos instantes no corpo físico. Estavam presentes três pessoas segundo Aulus, a esposa, sua única filha e o genro. Passados alguns instantes, chegaram cinco espíritos desencarnados, duas moças e três senhores. Pela vestimenta e pela aparência, percebi que eram espíritos esclarecidos, cumprimentaram Aulus e acenaram para mim, depois puseram-se em volta do leito onde o moribundo balbuciava algumas palavras que mais pareciam gemidos.

Aulus acercou-se de mim e passou a orientar-me sobre o que estava ocorrendo naquele momento:

- Esse espírito prepara-se para retornar ao mundo espiritual. É um homem de bem. Cultivou amizades sinceras conquistando um tesouro de afetividades. Na portaria do hospital muitos encarnados e desencarnados, animados pelo sentimento de gratidão, vieram prestar-lhe solidariedade neste momento importante da sua existência. As duas moças que estão ao lado do moribundo são suas filhas, desencarnaram quando mal saíam da infância física. Abalado com a morte prematura das filhas, buscou o reconforto, abraçando a caridade. Resignado, realizou obras meritórias em favor dos necessitados. Administrou seus bens como se fossem patrimônios da humanidade, gerou empregos e bem-estar para centenas de famílias.

Depois desses esclarecimentos, Aulus silenciou, ficamos observando o desenvolver dos acontecimentos.

A mulher segurava a mão do companheiro, esforçando-se para não se entregar ao pranto, mas naquele momento ele apertou sua mão e expirou. Mãe e filha não resistiram a emoção e entregaram-se finalmente ao pranto. O genro conduziu-as até o saguão do hospital onde foram acomodadas.

O médico de plantão foi acionado e, ao chegar, constatou a morte do paciente.


Os Espíritos, que já não possuem o corpo carnal, mas sim, um corpo mais sutil, o perispírito, estão por toda parte, no espaço ou ao nosso lado observando-nos sem cessar.


A Passagem

O espírito que acabara de perder o controle sobre o corpo, o qual jazia inerte na cama, começou a despertar. Naquele momento, as filhas desencarnadas foram se amoldando, assumindo assim a aparência que tinham ao desencarnarem. Ao vê-las, o pai gritou emocionado:

- Minhas filhas! Minhas filhas! Vocês não morreram! Graças a Deus! Estão vivas!

Enquanto se extasiava com a presença das filhas, os amigos espirituais que o assistiam, atuaram sobre ele induzindo-o através do magnetismo a mergulhar em sono profundo.

Logo depois, dois socorristas chegaram trazendo uma maca onde o acomodaram seguindo posteriormente para o plano espiritual ao qual destinava segundo seus merecimentos.

Pensei que nós íamos acompanhar o desfecho final daqueles acontecimentos, acompanhando a comitiva espiritual que cuidava do caso, entretanto, naquele momento, retornei ao corpo.

Passados alguns meses, Aulus conduziu-me a uma cidade no mundo espiritual que se igualava em beleza àquela descrita no romance que ele escreveu através das minhas aptidões mediúnicas, intitulado Quando o Amor é Eterno.


A Colônia Espiritual

Um lugar maravilhoso! As estrelas pareciam roçar as colinas com seus raios de luz; as casas iluminadas por dentro e por fora, pareciam construídas de material luminoso. Estávamos caminhando por entre as árvores e as flores que margeavam a calçada quando Aulus, diante da minha perplexidade, esclareceu:

- Esta é uma das moradas destinadas aos bem-aventurados! Aqui habitam os espíritos evangelizados que, à custa de muito esforço e experiências acumuladas a cada encarnação, aprenderam a amar o próximo como a si mesmos. Ainda não possuem a ciência, mas por suas atitudes fraternas tornaram-se benfeitores da humanidade. Residem em grupos familiares que estagiam na mesma faixa evolutiva. Libertaram-se dos vínculos que os mantinham presos ao processo de expiação e provas. Aguardam o início do mundo de regeneração para retornarem às encarnações na Terra, em busca de maiores conhecimentos. Enquanto isso, servem aos propósitos divinos socorrendo os espíritos em sofrimentos, retardatários da evolução.

Paramos em frente a uma das casas. Alguém, pressentindo a nossa presença abriu a porta. Uma jovem, sorrindo, nos fez perceber que estávamos sendo esperados. Convidou-nos a entrar.

No interior da casa, na sala, estava sentado em um sofá, um senhor que pareceu-me conhecido. Sorriu e com um gesto convidou-nos para sentar. Sentamos, Aulus apresentou-o:

- Este é o espírito cujo desenlace acompanhamos no hospital. Está lembrado?

Sim! Percebo que sofreu uma grande transformação. Sua aparência agora é de um jovem senhor, porém os seus traços fisionômicos lembram o velho moribundo que conheci no hospital.

Diante das minhas afirmações, sorriu e acrescentou:

- A forma e a aparência são reflexos do que sentimos. A felicidade que sinto neste momento justifica a transformação que observou.

- Quando encarnado, imaginou que um dia estaria em um lugar como este?

- Em um dos momentos mais aflitivos das minhas experiências na Terra, minhas filhas apareceram-me em sonho e pegaram-me pela mão, uma de cada lado, e trouxeram-me até aqui. Caminhamos pelas alamedas e conversamos muito, mas lembro-me apenas quando disseram-me: "Persevera e confia papai, um dia, todos nos reuniremos aqui". Aquilo para mim foi como uma injeção de ânimo. No dia seguinte, acordei com o coração cheio de esperança! Convicto de que todas as dificuldades que enfrentava naquele momento iriam passar. Para mim tinha sido apenas um sonho bom. Jamais imaginei que um dia realmente estaria aqui com as minhas filhas.

- E elas? Como se sentem com o seu retorno?

- Minhas filhas são dois anjos que Deus colocou em minha vida. Vibram com a minha felicidade! Agora mesmo estão em trabalho, provavelmente socorrendo e enxugando lágrimas.

- Sei que a condição de parentesco somente existe enquanto estamos encarnados e que, na verdade, somos todos irmãos. Qual a sua ligação com elas na condição de espíritos eternos?

- Ainda não recobrei as lembranças do pretérito, mas segundo elas, eu, minha esposa, minha outra filha, meu genro e a Nádia, que está aqui presente, fazemos parte de um grupo de espíritos cujas afinidades nos reúnem em experiências e trabalho. Ainda segundo minhas filhas, nesta encarnação recente, equilibramos as nossas contas com as leis de causa e efeito. Com certeza, ao recobrar a lembrança plena de minhas vidas passadas, estarei aliviado em minha consciência.

- Quer dizer que entre outras provações, a morte prematura das suas filhas fazia parte de uma programação de vida?

- Sim! Por força das nossas necessidades evolutivas.

- O senhor se recorda do que sentiu naqueles últimos momentos que viveu no hospital?

- Foi um momento interessante! Assisti a um retrospecto de toda a minha vida. Passaram pela minha mente lembranças desde o tempo em que eu ainda era uma criança.

Curioso diante da declaração do nosso irmão, perguntei ao Aulus:

- Quase todos, senão todos, passam por uma situação semelhante no momento que antecede à desencarnação. O que acontece realmente nesse momento? Por que ocorrem essas lembranças?

- Nesse momento, o espírito transfere para o subconsciente todas as informações colhidas durante as experiências vividas no corpo, enriquecendo o acervo de conhecimentos. Ao retornar ao plano espiritual, essas lembranças são retomadas pelo consciente imediatamente. É um processo natural do qual, muitas vezes os benfeitores da eternidade se utilizam para ajudar os espíritos em dificuldades, retardando-as por algum tempo. Existem espíritos que, enquanto encarnados, fizeram sofrer em demasia os que com ele conviveram, ultrapassando os limites que lhe eram facultados pela lei de causa e efeito, nesses casos, suas lembranças são controladas e fragmentadas para que não possam continuar prejudicando os que permaneceram encarnados. Geralmente os déspotas domésticos, retornam ao mundo espiritual desmemoriados.


O Espiritismo, que tem sua base doutrinária codificada por Allan Kardec, 

pesquisa, explica e demonstra através de provas irrecusáveis, 

a vida após a morte. 


O Pressentimento da Morte

- E nos casos onde o espírito é acometido de uma morte súbita ou violenta, em que momento faz essas transferências?

- Horas, ou até dias antes, o espírito pressente a sua partida, inconscientemente começa a fazer a transferência de tais informações.

- Então é por isso que ouvimos certos comentários dos entes mais próximos dos que tiveram uma morte brusca, os quais afirmam o seguinte: "Parece que ele sabia, ultimamente se comportava de forma estranha, falava de coisas ocorridas há tanto tempo, vivia introspectivo".

- Sim! O espírito traz gravado no subconsciente a hora da sua morte física, intuitivamente prepara-se pra o momento da sua partida.

Satisfeito com os esclarecimentos de Aulus, voltei-me para o anfitrião e perguntei-lhe:

- Quais serão suas atividades aqui no mundo espiritual?

- Em breve devo estar dividindo meu tempo entre as responsabilidades que aqui me serão atribuídas e o trabalho em torno dos meus familiares que herdaram de mim algumas responsabilidades. Devo orientá-los e protegê-los para que possam dar prosseguimento aos projetos que deixei em curso, dos quais, eles dependem diretamente para que sejam bem sucedidos nas conquistas do espírito.

Pudemos perceber que o que determina para onde vamos são as nossas realizações, e não apenas o título religioso que ostentamos enquanto encarnados.


As Crianças no Mundo Espiritual

Outra dúvida comum é saber como ficam as crianças no mundo espiritual após o desencarne. Para esclarecer esse ponto, Aulus conduziu-me a uma colônia espiritual muito interessante. De beleza ímpar! As flores e as árvores bem cuidadas demonstravam o carinho dos habitantes ela mãe natureza. Algo aguçou minha curiosidade, vi vários playgrounds sobre uma área gramada, onde crianças de três a nove anos mais ou menos, brincavam descontraídas sob a vigilância de alguns espíritos revestidos da forma feminina. Antes que eu perguntasse qualquer coisa, Aulus afirmou:

- Esta é uma colônia berçário.
- São espíritos que vivem nas condições de criança?
- Sim! durante um período transitório. Venha, vamos observar, depois farei os comentários necessários.

Entramos em um dos edifícios distribuídos ao longo de uma das avenidas arborizadas. Era um imenso berçário. Dezenas de mulheres percorriam os corredores entre berços, zelando pelo bem-estar daqueles espíritos que, de longe, pareceram-me estar nas condições de recém-nascidos. Andei com Aulus por entre os berços. Realmente, naquela ala, todos pareciam recém-natos, mas na verdade, mantinham a forma de quando foram ligados às mães no período anterior ao da concepção. Já estava me afogando na curiosidade, quando Aulus esclareceu:

- Alguns desses espíritos, ao tentarem reencarnar atendendo a um planejamento de vida adrede preparado, foram abortados. Como são espíritos relativamente bons e ligados às candidatas a maternidade pelos laços de afetividade, a providência divina os mantêm nessa condição para que não sofram desnecessariamente até que seja dado às candidatas, pelo menos mais uma oportunidade de recebê-los. Embora seus perispíritos minimizados, mantêm-se mentalmente ligados às mães, aguardando o momento em que estejam receptivas para concebê-los.

- E se elas voltarem a fracassar praticando novamente o aborto?

- Nesse caso, o espírito será resgatado dessa condição. Consequentemente, reassumirá a consciência plena, retomando a condição anterior ao projeto da reencarnação.

- Como se sentem esses espíritos ao recobrarem a consciência depois de passarem por essas experiências?

- Frustrados nos seus anseios evolutivos e entristecidos por verem que os espíritos que amam permanecem insensíveis absorvidos pelas desilusões do mundo. Mas apesar disso, continuarão ajudando-os espiritualmente ou poderão até optar por renascerem como parentes próximos o que permitirá a eles uma convivência útil.


Aborto e Resgate

- E quando o aborto é um resgate para o espírito, que tipo de sofrimento experimenta?

- Muitos dos que solicitaram a oportunidade do resgate, ao retornarem para o mundo espiritual, recobraram a consciência imediatamente trazendo horríveis sensações de dor. Outros, mergulham em um profundo sono durante algum tempo e, quando despertam, reassumem a consciência registrando uma sensação de mal estar muito grande que os levam às lágrimas durante um bom tempo. Entretanto, nem todos se assemelham nas suas reações aos sofrimentos a que são conduzidos pelas circunstâncias que criaram com suas atitudes.

- Em que condições tentaram reencarnar alguns espíritos que, ao sofrerem o aborto, depois de retornarem à consciência no mundo espiritual, acabaram se revoltando contra aqueles que deveriam ser seus pais, passando a persegui-los implacavelmente?

- Em alguns casos pode tratar-se de um resgate imposto compulsoriamente ao espírito que ainda não tem o discernimento para optar pelo melhor para si. Por isso, acaba se revoltando contra os encarnados envolvidos. Estes, geralmente, são espíritos reincidentes na prática do aborto que, ao sofrerem a perseguição desse espírito revoltado, acabam dando início a um processo reparador há muito planejado pelos benfeitores que os auxiliam nas suas necessidades evolutivas. Entretanto, existe um outro motivo que muitas vezes leva um espírito a assumir uma atitude semelhante. Ao programarem uma nova reencarnação, alguns espíritos, se comprometer a receber como filho, um determinado espírito com o qual contraíram dívidas morais em um relacionamento infeliz no passado. Porém, no momento de cumprirem o compromisso firmado na espiritualidade, acabam optando pelo aborto. Nesse caso, se o espírito abortado ainda não alcançou um grau de compreensão maior, poderá se revoltar e persegui-los indefinidamente, até que conquistem uma oportunidade de se reunirem novamente em uma convivência reparadora, a fim de se reabilitarem perante às leis de causa e efeito.

Seguimos por entre os berços, agora em outra ala onde observei que os espíritos que ali estavam, aparentavam desde alguns meses até um pouco mais de um ano. Antes de formular qualquer pergunta, Aulus esclareceu-me:


Os Bebês do Além

- Estes espíritos desencarnaram com as respectivas idades que aparentam. Segundo as próprias necessidades, requisitaram da providência divina duas encarnações consecutivas e quase imediatas, daqui partirão para completá-las.

- Por que não reassumiram a consciência?

- O tempo entre uma e outra encarnação é muito curto, seria um constrangimento desnecessário ao espírito. Estando aqui, atendem a um propósito divino que faculta a esses espíritos que cuidam deles, a oportunidade de valorizar a maternidade, que tantas vezes desprezaram. Zelando por eles, acabam desenvolvendo o amor maternal que um dia nutrirão pelos seus rebentos.

- Renascerão na mesma família?

- Uma grande maioria retornará aos braços da mesma mãe. Muitos porém, migrarão para outros lares com os quais estão compromissados.

Saímos do prédio em que estávamos e caminhamos em direção a um outro próximo dali. À nossa frente, acompanhadas por algumas mulheres, quase uma centena de meninas aparentando entre sete e nove anos de idade, caminhavam em formação como nos desfiles escolares.

Cantavam um hino de esperança. Ávido de conhecimentos perguntei:

- Estão conscientes que são espíritos desencarnados?

- Não. Esses espíritos desencarnaram há muito pouco tempo. Em breve estarão reencarnados novamente. Os espíritos só permanecem nas condições da infância quando o intervalo entre as encarnações consecutivas programadas são de um curto período, caso contrário, se o intervalo entre elas for muito longo, retomam a consciência e reassumem a forma de adultos que possuíam anteriormente.

Entramos em um outro edifício. No saguão de entrada havia várias dezenas de meninas, uma delas aproximou-se de mim e perguntou-me:

- Quem é você?

Embaraçado, olhei para o Aulus e ele fez um sinal para que eu respondesse. Então eu respondi:

- Eu sou um amigo que veio visitá-las.
- Você conhece a minha mãe?
- Não! Não conheço. Ela é bonita?
- Muito bonita! Amanhã eu vou voltar para casa, estou com muita saudade dela, do meu pai, do meu irmão e do meu cachorrinho.

As lágrimas umedeceram meus olhos, fiz um grande esforço para não chorar. Naquele instante, frente à porta do edifício, parou um veículo muito grande e semelhante aos ônibus que conhecemos. Aulus aproximou-se de mim e esclareceu-me:

- Esse veículo, em função da utilidade a que se presta, é chamado de Cegonha pelos companheiros que trabalham na colônia. Está aqui para transportar os espíritos que vão reencarnar nas próximas semanas, os quais, serão conduzidos aos lares a que se destinam, onde os benfeitores da reencarnação os aguardam para auxiliá-los.


De volta ao Lar

Enquanto Aulus me esclarecia, vi quando a menina que conversou comigo entrou no veículo. Então perguntei:

- O que ela me disse é verdade? Ela vai voltar para casa junto aos entes queridos que deixou? Renascerá no mesmo lar?

- No caso dela sim! Mas nem todas, esse é o argumento que as mães temporárias daqui usam para acalmá-las e facilitar seus encaminhamentos no processo reencarnatório, o que não deixa de ser verdade, pois todas retornarão para o ambiente de um lar.

Senti um certo reconforto. Aquela menina havia tocado fundo meu coração.

Percebi que ainda havia tempo para explorar um pouco mais os conhecimentos de Aulus:

- No prédio onde ficam os espíritos na condição de recém-nascidos, percebi que haviam meninos e meninas, porque aqui só vejo espíritos nas condições de meninas?

- Os meninos que estão na mesma faixa etária das meninas, são conduzidos para uma outra colônia que atende às mesmas necessidades.

- Quer dizer que só em casos especiais como estes justifica a um espírito desencarnado permanecer na condição infantil?

- Sim! Entretanto, os espíritos podem revestir-se da aparência infantil que tinham quando desencarnaram, porém raciocinam como adultos.

Naquele momento, uma das mulheres que parecia fazer parte da direção da colônia, segurando pela mão uma das meninas, chamou-nos.

Aulus fez-me um sinal e nós fomos até ela. Ao nos aproximar, comunicou-nos:

- Vou conduzir a Taninha para visitar a mãe. Querem acompanhar-nos?

Aulus aceitou o convite. Entramos em um veículo pequeno, à semelhança de um automóvel, em poucos instantes fomos transportados até o lar terrestre onde a mãe de Taninha se encontrava. Estava fora do corpo, sentada na beira da cama, chorava muito. Taninha aproximou-se e disse-lhe:

- Não chore mamãe! Eu estou num lugar muito bonito. Em breve vou voltar para casa.


O Reencontro

A mãe abraçou-a por alguns instantes, e logo depois foi reconduzida ao corpo pelo amigo espiritual que a assistia, nós retornamos a colônia. Estava ansioso por esclarecimentos.

- O que motivou a realização dessa visita à mãe de Taninha?

- Esse é um procedimento rotineiro realizado pelos espíritos responsáveis pela colônia. Vez ou outra, algumas crianças são conduzidas a presença dos pais a fim de amenizar o sofrimento causado pela separação. Pela manhã, quando acordar, a mãe de Taninha se sentirá um tanto mais reconfortada.

- Compreendi que a condição dos espíritos abrigados nesta colônia é uma condição excepcional. Mas de um modo geral, como ficam os espíritos que desencarnaram na infância física?

- Dependendo da evolução alcançada, reassumem quase que imediatamente a consciência plena. Consequentemente, retomam a aparência com que se revestiam no período anterior ao da reencarnação. Muitos retornam em espírito para junto dos pais para ajudá-los enquanto permanecem reencarnados. Outros são socorridos até que se recomponham novamente. Não existe uma regra absoluta e determinante, estamos sujeitos às leis naturais que, segundo o progresso alcançado, nos favorecem ou nos dificultam qualquer transição que tenhamos de realizar, seja qual for o plano da nossa manifestação.

- Vejo que se aproxima o momento do meu retorno ao corpo, mas gostaria de mais um esclarecimento. Por que tivemos de utilizar um veículo para nos conduzir à casa da mãe de Taninha?

- A colônia prima por manter as características do plano terrestre a fim de não confundir a mente desses espíritos que ignoram que se ausentaram do corpo.


A Felicidade

Pudemos ver que Deus está presente com a sua misericórdia em qualquer circunstância em que estejamos envolvidos, por isso, recomendo aos pais, cujos filhos partiram na tenra idade: continuem amando-os como espíritos eternos que são, e que, a semelhança do que aprendemos com a comunicação descrita anteriormente, essas crianças que durante por algum tempo agasalharam vossos corações, proporcionando a vocês a oportunidade de exercitar o amor e a resignação, colocando-os na via da Felicidade Eterna, poderão neste momento, estar ao vosso lado com as atribuições de um Guia Protetor, velando para que não se entreguem a revolta e ao desespero. Confiem! Para que amanhã, nos Planos da Vida Eterna, abraçados, desfrutem da felicidade que vos aguarda.


Extraído de rcespiritismo, por Nelson Moraes. 


sábado, 10 de agosto de 2013

As penas futuras segundo o Espiritismo



As penas futuras segundo o Espiritismo 

 

A Carne é Fraca


Há tendências viciosas que são evidentemente próprias do Espírito, porque se apegam mais ao moral do que ao físico; outras, parecem antes dependentes do organismo, e, por esse motivo, menos responsáveis são julgados os que as possuem: consideram-se como tais as disposições à cólera, à preguiça, à sensualidade, etc.

Hoje, está plenamente reconhecido pelos filósofos espiritualistas que os órgãos cerebrais correspondentes a diversas aptidões devem o seu desenvolvimento à atividade do Espírito. Assim, esse desenvolvimento é um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tenha a bossa da música, mas possui essa tendência porque o seu Espírito é musical. Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, deve também reagir sobre as outras partes do organismo.

O Espírito é, deste modo, o artista do próprio corpo, por ele talhado, por assim dizer, à feição das suas necessidades e à manifestação das suas tendências.

Desta forma a perfeição corporal das raças adiantadas deixa de ser produto de criações distintas para ser o resultado do trabalho espiritual, que aperfeiçoa o invólucro material à medida que as faculdades aumentam.

Por uma conseqüência natural deste principio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe maior ou menor atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bílis ou de quaisquer outros fluidos. É assim, por exemplo, que ao glutão enche-se-lhe a boca de saliva diante dum prato apetitoso.

Certo é que a iguaria não pode excitar o órgão do paladar, uma vez que com ele não tem contacto; é, pois, o Espírito, cuja sensibilidade é despertada, que atua sobre aquele órgão pelo pensamento, enquanto que outra pessoa permanecerá indiferente à vista do mesmo acepipe. É ainda por este motivo que a pessoa sensível facilmente verte lágrimas. Não é, porém, a abundância destas que dá sensibilidade ao Espírito, mas precisamente a sensibilidade deste que provoca a secreção abundante das lágrimas. Sob o império da sensibilidade, o organismo condiciona-se (1) à disposição normal do Espírito, do mesmo modo por que se condiciona à disposição do Espírito glutão.
    (1) O autor escreveu s'est approprié (p. 93, 4ª edição, Paris, 1869), à falta, na época, de verbo mais específico à perfeita tradução da idéia. Nota da Editora (FEB), em 1973.
Seguindo esta ordem de ideias, compreende-se que um Espírito irascível deve encaminhar-se para estimular um temperamento bilioso, do que resulta não ser um homem colérico por bilioso, mas bilioso por colérico. O mesmo se dá em relação a todas as outras disposições instintivas: um Espírito indolente e fraco deixará o organismo em estado de atonia relativo ao seu caráter, ao passo que, ativo e enérgico, dará ao sangue como aos nervos qualidades perfeitamente opostas. A ação do Espírito sobre o físico é tão evidente que não raro vemos graves desordens orgânicas sobrevirem a violentas comoções morais. 

A expressão vulgar: - A emoção transtornou-lhe o sangue - não é tão destituída de sentido quanto se poderia supor. Ora, que poderia transtornar o sangue senão as disposições morais do Espírito?

Pode admitir-se por conseguinte, ao menos em parte, que o temperamento é determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito.

E nós dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral, tais como quando um estado mórbido ou anormal é determinado por causa externa, acidental, independente do Espírito, como sejam a temperatura, o clima, os defeitos físicos congênitos, uma doença passageira, etc. 

O moral do Espírito pode, nesses casos, ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada. Escusar-se de seus erros por fraqueza da carne não passa de sofisma para escapar a responsabilidades. 

A carne só é fraca porque o Espírito é fraco, o que inverte a questão deixando àquele a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, destituída de pensamento e vontade, não pode prevalecer jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria. 

O Espírito é quem dá à carne as qualidades correspondentes ao seu instinto, tal como o artista que imprime à obra material o cunho do seu gênio. Libertado dos instintos da bestialidade, elabora um corpo que não é mais um tirano de sua aspiração, para espiritualidade do seu ser, e é quando o homem passa a comer para viver e não mais vive para comer. 

A responsabilidade moral dos atos da vida fica, portanto, intacta; mas a razão nos diz que as conseqüências dessa responsabilidade devem ser proporcionais ao desenvolvimento intelectual do Espírito. Assim, quanto mais esclarecido for este, menos desculpável se torna, uma vez que com a inteligência e o senso moral nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto. 

Esta lei explica o insucesso da Medicina em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito e não uma causa, todo o esforço para modificá-lo se nulifica ante disposições morais do Espírito, opondo-lhe uma resistência inconsciente que neutraliza a ação terapêutica. Por conseguinte, sobre a causa primordial é que se deve atuar. 

Dai, se puderdes, coragem ao poltrão, e vereis para logo cessados os efeitos fisiológicos do medo. Isto prova ainda uma vez a necessidade, para a arte de curar, de levar em conta a influência espiritual sobre os organismos. (Revue Spirite, março de 1869, pág. 65.)



Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas futuras


A Doutrina Espírita, no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema: em tudo ela se apóia nas observações, e são estas que lhe dão plena autoridade. Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto.

Preciso é afirmar que se não trata neste caso das revelações de um só Espírito, o qual poderia ver as coisas do seu ponto de vista, sob um só aspecto, ainda dominado por terrenos prejuízos. Tampouco se trata de uma revelação feita exclusivamente a um indivíduo que pudesse deixar-se levar pelas aparências, ou de uma visão extática suscetível de ilusões, e não passando muitas vezes de reflexo de uma imaginação exaltada. (1) 

Trata-se, sim, de inúmeros exemplos fornecidos por Espíritos de todas as categorias, desde os mais elevados aos mais inferiores da escala, por intermédio de outros tantos auxiliares (médiuns) disseminados pelo mundo, de sorte que a revelação deixa de ser privilégio de alguém, pois todos podem prová-la, observando-a, sem obrigar-se à crença pela crença de outrem.
    (1) Vede cap. VI, nº 7, e O Livro dos Espíritos nºs 443 e 444.


    Código Penal da Vida Futura

O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei, no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:

1º - A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.

2º A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos. 

3º - Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis consequências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo. 
A soma das penas é, assim, proporcionada à soma das imperfeições, como a dos gozos à das qualidades.

 A alma que tem dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que a que tem três ou quatro; e quando dessas dez imperfeições não lhe restar mais que metade ou um quarto, menos sofrerá.
 
De todo extintas, então a alma será perfeitamente feliz. Também na Terra, quem tem muitas moléstias, sofre mais do que quem tenha apenas uma ou nenhuma. Pela mesma razão, a alma que possui dez perfeições, tem mais gozos do que outra menos rica de boas qualidades.

4º - Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu seio à medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras.

5º - Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem necessidade de lugar circunscrito.

O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes.

6º - O bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos e, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre.

7º - O Espírito sofre pelo mal que fez, de maneira que, sendo a sua atenção constantemente dirigida para as consequências desse mal, melhor compreende os seus inconvenientes e trata de corrigir-se.

8º - Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha consequências fatais, como não na uma única ação meritória. um só bom movimento da alma que se perca, mesmo para os mais perversos, por isso que constituem tais ações um começo de progresso.

9º - Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em urna existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez.

10º - O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a consequência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências.
Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea, pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anterior existência, e das imperfeições que as originaram.

11º - A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.

12º - Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: - a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.

13º - A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado.

Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimentos é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao bem. 

Deste modo o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem.

Uma condenação por tempo predeterminado teria o duplo inconveniente de continuar o martírio do Espírito renegado, ou de libertá-lo do sofrimento quando ainda permanecesse no mal. Ora, Deus, que é justo, só pune o mal enquanto existe, e deixa de o punir quando não existe mais (1); por outra, o mal moral, sendo por si mesmo causa de sofrimento, fará este durar enquanto subsistir aquele, ou diminuirá de intensidade à medida que ele decresça.
    (1) Vede cap. VI, nº 25, citação de Ezequiel.
14º - Dependendo da melhoria do Espírito a duração do castigo, o culpado que jamais melhorasse sofreria sempre, e, para ele, a pena seria eterna.

15º - Uma condição inerente à inferioridade dos Espíritos é não lobrigarem o termo da provação, acreditando-a eterna, como eterno lhes parece deva ser um tal castigo. (2)
    (2) Perpétuo é sinônimo de eterno. Diz-se o limite das neves perpétuas; o eterno gelo dos pólos; também se diz o secretário perpétuo da Academia, o que não significa que o seja ad perpetuam, mas unicamente por tempo ilimitado. Eterno e perpétuo se empregam, pois, no sentido de indeterminado. Nesta acepção pode dizer-se que as penas são eternas, para exprimir que não têm duração limitada; eternas, portanto, para o Espírito que lhes não vê o termo.
16º - O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. 

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.

17º - O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. 

Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são consequentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.

A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contacto com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se se tem sido orgulhoso, amável se se foi austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se tem sido perverso, laborioso se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem sido intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado. (1)
    (1) A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça. que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação morai dos Espíritos. Entretanto, essa doutrina religião alguma ainda a proclamou. Algumas pessoas repelem-na porque acham mais cômodo o poder quitarem-se das más ações por um simples arrependimento, que não custa mais que palavras, por meio de algumas fórmulas; contudo, crendo-se, assim, quites, verão mais tarde se isso lhes bastava. Nós poderíamos perguntar se esse principio não é consagrado pela lei humana, e se a justiça divina pode ser inferior à dos homens? E mais, se essas leis se dariam por desafrontadas desde que o indivíduo que as transgredisse, por abuso de confiança, se limitasse a dizer que as respeita infinitamente.
    Por que hão de vacilar tais pessoas perante uma obrigação que todo homem honesto se impõe como dever, segundo o grau de suas forças?
    Quando esta perspectiva de reparação for inculcada na crença das massas, será um outro freio aos seus desmandos, e bem mais poderoso que o inferno e respectivas penas eternas, visto como interessa a vida em sua plena atualidade, podendo o homem compreender a procedência das circunstâncias que a tornam penosa, ou a sua verdadeira situação.
18º - Os Espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam. Ficam nos mundos inferiores a expiarem as suas faltas pelas tribulações da vida, e purificando-se das suas imperfeições até que mereçam a encarnação em mundos mais elevados, mais adiantados moral e fisicamente. Se se pode conceber um lugar circunscrito de castigo, tal lugar é, sem dúvida, nesses mundos de expiação, em torno dos quais pululam Espíritos imperfeitos, desencarnados à espera de novas existências que lhes permitam reparar o mal, auxiliando-os no progresso.

19º - Como o Espírito tem sempre o livre-arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado pode persistir anos e séculos, vindo por fim um momento em que a sua contumácia se modifica pelo sofrimento, e, a despeito da sua jactância, reconhece o poder superior que o domina. 

Então, desde que se manifestam os primeiros vislumbres de arrependimento, Deus lhe faz entrever a esperança. Nem há Espírito incapaz de nunca progredir, votado a eterna inferioridade, o que seria a negação da lei de progresso, que providencialmente rege todas as criaturas.

20º - Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (guia) que por eles vela, na persuasão de suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e, bem assim, de espreitar-lhes os movimentos da alma, com o que se esforçam por reparar em uma nova existência o mal que praticaram. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição.

O bem e o mal são praticados em virtude do livre-arbítrio, e, conseguintemente, sem que o Espírito seja fatalmente impelido para um ou outro sentido. 

Persistindo no mal, sofrerá as consequências por tanto tempo quanto durar a persistência, do mesmo modo que, dando um passo para o bem, sente imediatamente benéficos efeitos.

OBSERVAÇÃO - Erro seria supor que, por efeito da lei de progresso, a certeza de atingir cedo ou tarde a perfeição e a felicidade pode estimular a perseverança no mal, sob a condição do ulterior arrependimento: primeiro porque o Espírito inferior não se apercebe do termo da sua situação; e segundo porque, sendo ele o autor da própria infelicidade, acaba por compreender que de si depende o fazê-la cessar; que por tanto tempo quanto perseverar no mal será infeliz; finalmente, que o sofrimento será intérmino se ele próprio não lhe der fim. Seria, pois, um cálculo negativo, cujas consequências o Espírito seria o primeiro a reconhecer. Com o dogma das penas irremissíveis é que se verifica, precisamente, tal hipótese, visto como é para sempre interdita qualquer ideia de esperança, não tendo pois o homem interesse em converter-se ao bem, para ele sem proveito.

Diante dessa lei, cai também a objeção extraída da presciência divina, pois Deus, criando uma alma, sabe efetivamente se, em virtude do seu livre-arbítrio, ela tomará a boa ou a má estrada; sabe que ela será punida se fizer o mal; mas sabe também que tal castigo temporário é um meio de fazê-la compreender o erro, cedo ou tarde entrando no bom caminho. Pela doutrina das penas eternas conclui-se que Deus sabe que essa alma falirá e, portanto, que está previamente condenada a torturas infinitas.

21º - A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles deu origem, quer provocando-os pelo exemplo, quer não os impedindo quando poderia fazê-lo.

Assim, o suicida é sempre punido; mas aquele que por maldade impele outro a cometê-lo, esse sofre ainda maior pena.

22º - Conquanto infinita a diversidade de punições, algumas há inerentes à inferioridade dos Espíritos, e cujas consequências, salvo pormenores, são pouco mais ou menos idênticas.
A punição mais imediata, sobretudo entre os que se acham ligados à vida material em detrimento do progresso espiritual, faz-se sentir pela lentidão do desprendimento da alma; nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na consequente perturbação que pode dilatar-se por meses e anos.

Naqueles que, ao contrário, têm pura a consciência e na vida material já se acham identificados com a vida espiritual, o trespasse é rápido, sem abalos, quase nula a turbação de um pacífico despertar.

23º - Um fenômeno mui frequente entre os Espíritos de certa inferioridade moral é o acreditarem-se ainda vivos, podendo esta ilusão prolongar-se por muitos anos, durante os quais eles experimentarão todas as necessidades, todos os tormentos e perplexidades da vida.

24º - Para o criminoso, a presença incessante das vitimas e das circunstâncias do crime é um suplício cruel.

25º - Espíritos há mergulhados em densa treva; outros se encontram em absoluto insulamento no Espaço, atormentados pela ignorância da própria posição, como da sorte que os aguarda. Os mais culpados padecem torturas muito mais pungentes por não lhes entreverem um termo.

Alguns são privados de ver os seres queridos, e todos, geralmente, passam com intensidade relativa pelos males, pelas dores e privações que a outrem ocasionaram. Esta situação perdura até que o desejo de reparação pelo arrependimento lhes traga a calma para entrever a possibilidade de, por eles mesmos, pôr um termo à sua situação.

26º - Para o orgulhoso relegado às classes inferiores. é suplício ver acima dele colocados, cheios de glória e bem-estar, os que na Terra desprezara. O hipócrita vê desvendados, penetrados e lidos por todo o mundo os seus mais secretos pensamentos, sem que os possa ocultar ou dissimular; o sátiro, na impotência de os saciar, tem na exaltação dos bestiais desejos o mais atroz tormento; vê o avaro o esbanjamento inevitável do seu tesouro, enquanto que o egoísta, desamparado de todos, sofre as conseqüências da sua atitude terrena; nem a sede nem a fome lhe serão mitigadas, nem amigas mãos se lhe estenderão às suas mãos súplices; e pois que em vida só de si cuidara, ninguém dele se compadecerá na morte.

27º - O único meio de evitar ou atenuar as consequências futuras de uma falta, está no repará-la, desfazendo-a no presente. Quanto mais nos demorarmos na reparação de uma falta, tanto mais penosas e rigorosas serão, no futuro, as suas consequências.

28º - A situação do Espírito, no mundo espiritual, não é outra senão a por si mesmo preparada na vida corpórea. 

Mais tarde, outra encarnação se lhe faculta para novas provas de expiação e reparação, com maior ou menor proveito, dependentes do seu livre-arbítrio; e se ele não se corrige, terá sempre uma missão a recomeçar, sempre e sempre mais acerba, de sorte que pode dizer-se que aquele que muito sofre na Terra, muito tinha a expiar; e os que gozam uma felicidade aparente, em que pesem aos seus vícios e inutilidades, paga-la-ão mui caro em ulterior existência. Nesse sentido foi que Jesus disse: - "Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados," (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V.)

29º - Certo, a misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega. O culpado que ela atinge não fica exonerado, e, enquanto não houver satisfeito à justiça, sofre a consequência dos seus erros. Por infinita misericórdia, devemos ter que Deus não é inexorável, deixando sempre viável o caminho da redenção.

30º - Subordinadas ao arrependimento e reparação dependentes da vontade humana, as penas, por temporárias, constituem concomitantemente castigos e remédios auxiliares à cura do mal. Os Espíritos, em prova, não são, pois, quais galés por certo tempo condenados, mas como doentes de hospital sofrendo de moléstias resultantes da própria incúria, a compadecerem-se com meios curativos mais ou menos dolorosos que a moléstia reclama, esperando alta tanto mais pronta quanto mais estritamente observadas as prescrições do solícito médico assistente. Se os doentes, pelo próprio descuido de si mesmos, prolongam a enfermidade, o médico nada tem que ver com isso.

31º - As penas que o Espírito experimenta na vida espiritual ajuntam-se as da vida corpórea, que são consequentes às imperfeições do homem, às suas paixões, ao mau uso das suas faculdades e à expiação de presentes e passadas faltas. z na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências, pondo em prática resoluções tomadas na vida espiritual. Assim se explicam as misérias e vicissitudes mundanas que, à primeira vista, parecem não ter razão de ser. Justas são elas, no entanto, como espólio do passado - herança que serve à nossa romagem para a perfectibilidade. (1)
    (1) Vede 1ª' Parte, cap. V, "O purgatório", nº 3 e seguintes; e, após, 2ª Parte, cap. VIII, "Expiações terrestres". Vede, também, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, "Bem-aventurados os aflitos".
32º - Deus, diz-se, não daria prova maior de amor às suas criaturas, criando-as infalíveis e, por conseguinte, isentas dos vícios inerentes à imperfeição? Para tanto fora preciso que Ele criasse seres perfeitos, nada mais tendo a adquirir, quer em conhecimentos, quer em moralidade. Certo, porém, Deus poderia fazê-lo, e se o não fez é que em sua sabedoria quis que o progresso constituísse lei geral. Os homens são imperfeitos, e, como tais, sujeitos a vicissitudes mais ou menos penosas. E pois que o fato existe, devemos aceitá-lo.

Inferir dele que Deus não é bom nem justo, fora insensata revolta contra a lei.

Injustiça haveria, sim, na criação de seres privilegiados, mais ou menos favorecidos, fruindo gozos que outros porventura não atingem senão pelo trabalho, ou que jamais pudessem atingir. Ao contrário, a justiça divina patenteia-se na igualdade absoluta que preside à criação dos Espíritos; todos têm o mesmo ponto de partida e nenhum se distingue em sua formação por melhor aquinhoado; nenhum cuja marcha progressiva se facilite por exceção: os que chegam ao fim, têm passado, como quaisquer outros, pelas fases de inferioridade e respectivas provas.

Isto posto, nada mais justo que a liberdade de ação a cada qual concedida. O caminho da felicidade a todos se abre amplo, como a todos as mesmas condições para atingi-la. A lei, gravada em todas as consciências, a todos é ensinada. Deus fez da felicidade o prêmio do trabalho e não do favoritismo, para que cada qual tivesse seu mérito.

Todos somos livres no trabalho do próprio progresso, e o que muito e depressa trabalha, mais cedo recebe a recompensa. O romeiro que se desgarra, ou em caminho perde tempo, retarda a marcha e não pode queixar-se senão de si mesmo. 

O bem como o mal são voluntários e facultativos: livre, o homem não é fatalmente impelido para um nem para outro.

33º - Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:

1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.

2º - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas consequências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.

3º - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.

A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: - tal é a lei da Justiça Divina.