Eternidade

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domingo, 17 de novembro de 2019

O Primado do Espírito



  A humanidade atual, tanto quanto a que anteriormente perlustrou os caminhos terrenos, ainda está infelizmente imbuída da falsa ideia de que é preciso enriquecer materialmente para poder desfrutar situações de abastança, e prosperidade, como única razão de sua existência.  
  Nada mais errado do que semelhante conceito, nada mais falso do que tal convicção, filha do desconhecimento das leis do amor e do progresso moral que regem a vida em todos os mundos do Universo.  
  Tivessem os seres humanos um pouco mais de conhecimento daquelas leis, dispusessem os homens e mulheres de um pouco do seu tempo para meditar nos verdadeiros motivos de sua vinda à Terra, uma, duas, dez, vinte e mais vezes no decorrer de sua existência como seres humanos, tivessem todos um pouquinho mais de tempo para isso, e muitas desgraças, muitos crimes, muitas infelicidades deixariam de existir ao longo da existência humana. 
  Exatamente porque uns e outros insistem em cuidar apenas dos interesses da matéria, visando exclusivamente à sua elevação entre os semelhantes à custa da posse da fortuna perecível, é que surgem os desentendimentos na sociedade humana, mercê de ambições que crescem de todos os lados, superpondo-se lamentavelmente ao primado do Espírito. 
  O primado do Espírito, que todos sabeis ser o predomínio dos interesses espirituais sobre os da matéria, significa para o ser humano a construção segura de sua verdadeira felicidade. É preciso esclarecer devidamente que o primado do Espírito é a única força a impulsionar a vida terrena dos encarnados, e é também a única que sobrevive, uma vez terminada a vida do corpo de cada um.
  Ora, bem. Explicado assim que o encarnado nada mais é que um Espírito revestido de carne e ossos em sua estrutura física, e que tudo isso voltará a se desagregar ao cabo de uma existência demasiado curta, pois que em média ainda não atinge sequer a meio século — por que esse empenho denodado da grande maioria dos homens e mulheres de hoje, como o foram inúmeros do passado, em querer a todo custo reunir fortuna para que esta por sua vez se desagregue após sua partida, de regresso ao mundo espiritual?  
   Irmãos meus, já compreendestes bem que eu me empenho em esclarecer vossa mente física acerca do vosso próprio objetivo neste mundo, que é exatamente a aquisição de luz para o vosso Espírito. Infelizmente porém, nem todos manifestam desejo de aprofundar o assunto, sob a alegação de lhes faltar tempo e disposição para isso. Como eu lamento, irmãos meus, que tal pensamento manifesteis! Gostaria de poder eu próprio penetrar em vosso coração e nele gravar esta grande verdade bíblica: Ninguém consegue servir a Deus e Mamon. Ninguém consegue viver para o dinheiro, para a fortuna, para a abastança, vivendo ao mesmo tempo para o seu verdadeiro interesse. Deus, no caso da parábola, é o próprio indivíduo espiritual, é o Espírito que na Terra construiu um organismo físico desde o ventre materno e o alimenta através do tempo, até ao fim de sua peregrinação por este mundo terreno. Ao passo que Mamon é o interesse pura e simplesmente material, ligado exclusivamente à matéria perecível até ao seu desagregamento. Ninguém, por conseguinte, poderá viver ao mesmo tempo para os dois senhores, porque seus desígnios se distanciam cada dia que passa. 
  Enquanto, porém, os que vivem para o Espírito, pensando, agindo, operando em termos do Espírito, se sentem cada dia mais integrados nas leis divinas, ou no próprio Deus, sentindo a paz no coração, a tranquilidade de consciência, a felicidade enfim, aqueles que cultivam as leis de Mamon que são as leis da matéria, perecível como essas mesmas leis, sentem no íntimo do ser a intranquilidade, o temor, o receio de que a roda de sua fortuna possa vir a desandar, reduzindo a nada os seus castelos de cartas ou de areia que não resistem ao mais leve vendaval.  
  Uma vez esclarecida a diferença, será o caso de se perguntar a cada um dos leitores destes conselhos: Qual dos dois caminhos prefere você: o de Deus ou o de Mamon?
   Bem certo estou de que nenhum dos meus leitores vacilará um só instante em sua resposta em favor do caminho de Deus. Em verdade, irmãos queridos, não pode haver dúvida na escolha. E bem felizes se encontrarão a partir de agora os que, desconhecendo certos princípios espirituais, levaram vida cem por cento terrena, por assim dizer, até ao momento presente.  
  Todo interesse puramente material entrou em declínio na face da Terra, uma vez que a Terra mesma converter-se-á, muito breve, num dos mundos espiritualizados. Notai que eu não digo Mundo Espiritual, por ser isto impossível; porém mundo espiritualizado, onde deverá começar a predominância do primado do Espírito.  
  E o que vem a ser o primado do Espírito? — perguntareis vós. Eu vos responderei pleno de satisfação que o primado do Espírito é a característica de todos os mundos evoluídos. Um mundo em que predomine o primado do Espírito, é um mundo onde a paz e o entendimento fraternal entre seus habitantes constitui a sua constante, onde as lutas fratrícidas, os apetrechos bélicos, as condições de domínio de uns sobre os outros, a discriminação racial, foram completamente banidos.O primado do Espírito é, numa palavra, o ideal na vida de todos os povos espiritualmente evoluídos.  
  Os mundos onde o primado do Espírito exerce completa predominância, permutam-se continuamente mensagens de amor e fraternidade, possuindo comunicações tão rápidas e perfeitas entre si, muito semelhantes ao vosso sistema radiotelegráfico.  
   Do Alto têm sido observados com muito carinho os esforços dos cientistas terrenos em suas tentativas de comunicação com outros planetas do sistema solar em que viveis. Embora isto já represente um certo adiantamento científico em vosso tempo, tais objetivos não serão concretizados antes das transformações por que está próxima de passar a humanidade de hoje, assim como as condições peculiares da própria Terra. Quando a massa de pensamentos bons, sadios, puros, elevados, sobrepujar a de pensamentos grosseiros, ambiciosos e maus, aí sim, poderemos esperar para breve a ligação interplanetária, independente de foguetes nem de satélites artificiais. Essa ligação se fará através de meios outros que surgirão na Terra aproximadamente dentro de meio século, e muito há de contribuir para o adiantamento da humanidade da época. 
   Isto tudo, irmãos queridos, só pode acontecer com o apoio e orientação das Forças do Bem que superintendem a vida desta humanidade de hoje. Vós todos que me ledes podeis começar a contribuir desde hoje para essa desejada era, reformando vossa própria maneira de viver, abandonando velhos hábitos incorretos ou malsãos que têm dificultado até agora a vossa iluminação espiritual, pelo desconhecimento dos princípios de que ora venho falar-vos.
  Se Nosso Senhor Jesus Cristo puder receber de cada um de vós, ao fim do vosso dia de trabalho, a prece de agradecimento com o pedido daquilo que vos falte, podeis ter então a certeza certa de estardes contribuindo seguramente para o advento da era de paz e de felicidade em que muito justamente desejareis viver
 Fazei isso meus queridos, e, sempre que alguma dúvida vos ocorrer neste caminho, chamai sinceramente por este vosso dedicado amigo que logo estará convosco, o vosso — Irmão Tomé.

Obra: As Forças do Bem,  ditada pelo Irmão Tomé, o Apóstolo do Senhor, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes, que foi a reencarnação do Espírito Thiago, também Apóstolo do Senhor. 

 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Reflexão... Codificação Espírita




O perispírito é um corpo sutil, que toma a forma humana e pode se apresentar em variados graus de densidade energética. É invisível aos olhos do corpo, mas através da clarividência podemos “vê-lo”.
  As energias que partem das camadas mais profundas do Ser até o corpo físico (e vice-versa) passam pelo perispírito.

Quando vemos um espírito, seja em sonhos ou em estado de vigília, é o perispírito dele que enxergamos.

Hoje, seu corpo mais denso de expressão é o corpo físico. Quando você desencarnar, será através do perispírito que você se manifestará, pois ele não desaparece com a morte do corpo carnal.

Vejamos o que diz O Livro dos Espíritos, obra básica para entendermos a codificação espírita:

“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais o mundo invisível ou espírita, quer dizer, dos espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente de tudo.

O mundo corporal não é senão secundário; poderia cessar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espírita.

Os espíritos revestem, temporariamente, um envoltório material perecível, cuja destruição, pela morte, os torna livres.

Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos espíritos que atingiram um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá a superioridade moral e Intelectual sobre os outros.

A alma é um espírito encarnado, do qual o corpo não é senão um envoltório.

Há no homem três coisas:
  1º – O corpo ou ser material análogo aos dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2º – A alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo; 3º – O laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito.”

Não tenha medo dos espíritos. Você é um espírito. Está encarnado neste corpo e esqueceu que a vida é eterna!

Amigos de outras existências estão te esperando no plano espiritual.
  Outros encarnaram com você. Não existe castigo eterno, pois Deus é a infinita Bondade.
Paz e Luz!

(por Victor Rebelo)

domingo, 4 de maio de 2014

Espírito, Perispírito e Mundo Espírita



O que é Espírito?
O Espírito é o princípio inteligente da Criação. São criados todos da mesma forma, simples e ignorantes, sujeitos à Lei da Evolução. Progridem em tempo que varia conforme as condições e necessidades de cada um, dentro de uma trajetória que vai das sensações à angelitude, passando pelos caminhos do instinto, inteligência e razão. Através de milhares de encarnações no plano físico, a evolução do Espírito se consolida no campo da sabedoria e da moralidade. Nos estágios inferiores, são conhecidos como demônios ou diabos. No estágio de pureza, que adquirem depois de inúmeras reencarnações, são os anjos, os arcanjos e os serafins.

O que é perispírito?
É o corpo astral do Espírito, para usarmos uma linguagem mais popular. É o elo que liga o Espírito (ser abstrato) à matéria. Deriva do fluido universal e sua textura varia de acordo com o ambiente do planeta onde o Espírito habita. É o intermediário entre o corpo e o Espírito. Morfologicamente seria como uma cópia do corpo físico, só que menos denso, pois feito de uma matéria diferente, imponderável e imperceptível aos nossos sentidos físicos normais. O apóstolo Paulo chamou-o "corpo espiritual". Quanto mais evoluído for o Espírito, mais etéreo será o corpo espiritual.

O que é um Espírito errante?
É o Espírito que permanece no mundo espiritual, no intervalo entre uma encarnação e outra, aprendendo e se preparando para novas experiências. O tempo de erraticidade depende do grau evolutivo do Espírito e de suas necessidades de aprendizado. Só os Espíritos puros não são errantes, pois não mais necessitam reencarnar.

Podemos ser influenciados pelos Espíritos?
Sim, podemos. A Doutrina Espírita nos instrui que somos guiados pelos Espíritos muito mais do que podemos supor. Uns nos inspiram a seguir o caminho do Bem e das boas realizações. Outros, nos influenciam sugestionando-nos para o mal. Pela nossa vontade e livre arbítrio podemos resistir ou ceder a essas influências. Entendendo a dinâmica da relação entre os fluidos espirituais e nosso corpo espiritual, podemos compreender como se dá essa influenciação.

O que é e como se procede uma lavagem do perispírito? O conceito desse procedimento está expresso no livro "Consciência" de Luiz Sérgio.
Conceitos estranhos podem ser encontrados em muitos livros psicografados, por isso torna-se necessário que se proceda ao estudo sério das obras de Allan Kardec, que traduziu os pensamentos dos Espíritos superiores, a fim de que não se absorvam ensinamentos falsos e fantasiosos. O perispírito é o corpo astral do Espírito e varia segundo a moralidade deste. Pode-se energizar o perispírito de alguém, derramando sobre ele fluidos salutares, o que o tornará mais limpo. Porém, tal procedimento é apenas passageiro. A única forma de "limpar" o perispírito definitivamente é moralizando o Espírito, tornando o seu envoltório mais leve e diáfano, à medida que atinge estágios mais avançados de evolução.

Como é a constituição do perispírito em função da moralidade do Espírito?
O perispírito é uma condensação do fluido cósmico universal em torno de um foco de inteligência ou alma. É formado pelos fluidos ambientais, sendo, portanto, diferentes de acordo com os mundos habitados. Nos mundos mais atrasados o perispírito é mais grosseiro e denso; nos mundos mais adiantados ele é mais leve e etéreo, pois habitam ali Espíritos mais evoluídos, favorecendo, evidentemente, ambiente energético melhor e mais purificado. Percebe-se, então, que a natureza do corpo espiritual está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito, sendo mais grosseiro nos atrasados e mais diáfano nos adiantados. Será tanto mais tênue quanto mais elevado for o Espírito.

Uma alma que atingiu a perfeição não volta a reencarnar? Nesse estado tem perispírito?
Os Espíritos que atingem a perfeição são os chamados Espíritos Puros. Eles reencarnam apenas em missão, com o objetivo de fazer progredir a humanidade. Segundo Allan Kardec, são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam, para a manutenção da harmonia universal. O perispírito, como sabemos, é o envoltório da alma. É a forma de manifestação do Espírito e sua natureza fluídica está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Portanto, os Espíritos puros possuem perispírito, mas de uma matéria tão etérea que, para nós que habitamos os planos mais próximo da matéria, é como se não existisse.

Onde está a memória do Espírito? Alguns livros dizem que é no perispírito. O que diz a Codificação?
A sede da memória, ou seja o patrimônio adquirido pela individualidade, não pode estar no perispírito e sim na Alma ou Espírito. O perispírito também é matéria, embora de uma natureza diferente da que conhecemos. É o corpo do Espírito e por onde ele se manifesta em plenitude. Cada perispírito é formada das substâncias fluídicas do ambiente onde o indivíduo habita. Portanto, o Espírito ao mudar de mundo também muda de perispírito, como se trocasse de roupa. Se admitíssemos que a sede da memória estivesse no perispírito, neste ato toda experiência acumulada ficaria no mundo anterior, o que certamente a razão repudia. Portanto, a sede da memória, ou seja, toda a história e patrimônio moral e intelectual do ser encontra-se no "sensorium comune" do Espírito, como um arquivo de onde o indivíduo retira de lá os dotes acumulados durante toda a sua trajetória evolutiva.

Relata o espírito "André Luiz" em um dos livros psicografados por Chico Xavier, que após período de trabalho na Terra, retorna à colônia Nosso Lar e, em repouso deixa seu corpo (perispiritual), indo ao encontro de sua Genitora. Pergunto: Com que corpo? O Espírito tem mais de um perispírito?
É necessário levar em consideração que a tese abordada pelo Espírito André Luiz não recebeu a chancela do Controle Universal dos Espíritos, mecanismo que, segundo Allan Kardec, deveria aferir as novas revelações vindas da Espiritualidade. Por alguns equívocos dos espíritas, tal mecanismo nunca foi criado. A projeção astral de André Luiz a um plano superior ao que se encontrava, durante o repouso, fundamenta-se na hipótese de que o corpo de manifestação do Espírito no mundo exterior se divide em sete camadas. A mais interior seria o próprio Espírito e a exterior, o corpo carnal. Desse modo, estando estacionado nas regiões onde os Espíritos estariam de posse do seu sexto veículo fluídico, André teria se projetado num plano onde as entidades espirituais (mais desmaterializadas) usariam seu quinto corpo astral. Ambas as revelações, no entanto, só devem ser admitidas como hipóteses de estudos, até que possam se submetida ao Controle Universal dos Espíritos, se é que ele um dia vai ser criado.

Se o nosso arquivo desta vida e das vidas passadas se encontram gravadas em nosso perispírito e ele tende a desaparecer com a nossa evolução, como e onde ficam estes arquivos?
Já dissemos em perguntas anteriores que a memória do Espírito não se encontra no perispírito. Este é um conceito retirado de livros psicografados (que não foram submetidos ao Controle Universal - inexistente) e não do pensamento dos Espíritos superiores responsáveis pela Codificação. A teoria contraria as Obras Básicas e evidentemente não encontra fundamento lógico que possa explicá-lo. A memória da individualidade se encontra na intimidade do Espírito, em seu arquivo permanente, no que se chama "sensorium comune". O perispírito é matéria. Seria uma incoerência acreditar que a coisa mais importante para Espírito, que são suas experiências vividas, pudesse estar atrelada e confinada à matéria. Veja mais sobre o assunto em perguntas anteriores, nesta mesma página.

Há inferno, céu e purgatório?
O céu ou o inferno, como lugar circunscrito, não existe. Allan Kardec, em "O Céu e o Inferno", nos diz que o céu, o purgatório e o inferno são estados de consciências e não um lugar físico. Evidente que através das afinidades de pensamentos, os Espíritos agrupam-se em determinadas regiões do mundo astral, dando origem a ambientes agradáveis, de sofrimento ou conturbados, que caracterizaram e deram origem aos termos usados no catolicismo.

Existem anjos e demônios?
Deus que é soberanamente justo e bom, não poderia ter criado criaturas destinadas infinitamente a permanecer no mal, como também ter criado Espíritos perfeitos desde sua origem, sem que eles fizessem nenhum esforço para isso. Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes e, através das experiências, vai adquirindo saber e moralidade até atingir a perfeição. Em sua trajetória evolutiva permanece na ignorância por algum tempo, vivendo as experiências do bem e do mal, dependendo de seu livre arbítrio. Os demônios é a denominação que foi dada para Espíritos que ainda não evoluíram moralmente, e que se comprazem no mal, mas que um dia perceberão seus erros. Os anjos são Espíritos puros, que já evoluíram moral e intelectualmente, através de seus esforços desde a sua criação. Só assim se explica a bondade e a justiça de Deus.

Os Espíritos, que não necessitam mais da matéria continuam com o perispírito no plano espiritual?
Sim, continuam a necessitar dele. Aprendemos com a Doutrina Espírita que o corpo espiritual se eteriza na medida em que o Espírito evolui na senda do progresso. O perispírito é necessário à manifestação da individualidade no mundo espiritual. Na encarnação é elo entre o Espírito e matéria. Quando desencarnados podemos dizer que é o próprio Espírito se manifestando plenamente. Mais subsídios podem ser encontrados em A Gênese, capítulo XIV, itens 7 a 12.

Como os Espíritos se locomovem?
Os Espíritos esclarecidos se locomovem através do pensamento. Movimentam-se mais ou menos rápido dependendo da evolução de cada um. Os Espíritos pouco adiantados se movem no mundo invisível, como o fazem os homens na Terra.

Os Espíritos podem nos visitar?
Frequentemente o fazem. Nunca estamos sozinhos. Os bons Espíritos procuram nos ajudar através da intuição, e os maus nos trazem influências que nos perturbam o equilíbrio (obsessões). O hábito da oração e vigilância constantes nos faz menos sujeitos às más influências.

Todos os Espíritos podem se comunicar logo após sua morte?
Sim, pelo menos teoricamente, todos os Espíritos podem se comunicar após a morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o Espírito sofre uma espécie de perturbação (que nada tem ver com desequilíbrio) que pode demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e do gênero de sua morte. Os Espíritos que são desprendidos da matéria desde a vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espírita bem cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material permanecem no estado de ignorância por longo tempo. Dado o pouco adiantamento espiritual dos habitantes do planeta, pode-se concluir que as mensagens mediúnicas creditadas a pessoas famosas que desencarnam precocemente, não merecem credibilidade.

O que acontece com o nosso Espírito quando dormimos?
No descanso do corpo físico, o Espírito desprende-se e aproveita para retomar parcialmente sua relativa liberdade, permanecendo ligado ao corpo físico por um cordão fluídico/energético. Dependendo de seus interesses e evolução poderá aproveitar estes momentos para visitar outras esferas espirituais onde terá oportunidade de aprender e trocar idéias com seres que com ele se afinizam. Pode também visitar amigos que estão no plano físico ou no plano espiritual. Se são Espíritos excessivamente apegados a matéria, poderão buscar ambientes mundanos para se satisfazerem. Se ao despertar sentimos paz e alegria, é que estivemos em boas companhias, mas se acordamos de mau humor, cansados e oprimidos, é porque estivemos com Espíritos ignorantes. Portanto devemos ter como hábito, antes de dormir, orar a Deus e aos bons Espíritos para que, durante o sono, nossa Alma possa estar em sintonia com os planos elevados da Criação.

Os Espíritos fazem sexo após a morte? Eles conservam suas vontades sexuais?
Normalmente não há relação sexual após a morte, pois este é um ato ligado à experiência no plano carnal. O que pode acontecer no mundo invisível, é que o Espírito desencarnado ainda obcecado pelo sexo, envolva-se com outros da sua mesma natureza e se mantenham alimentando-se mentalmente dos hábitos e costumes que cultivaram em vida. É comum ligarem-se a pessoas encarnadas, cujas tendências lhes são afins, para satisfazerem suas necessidades sexuais. Nos planos espirituais onde habitam os Espíritos esclarecidos não há qualquer atividade no campo da sexualidade.

Existem almas gêmeas?
Não existem almas gêmeas no sentido que normalmente se dá a esse termo. Não há um homem criado especialmente para uma mulher ou vice-versa. Essa ideia, usada para justificar paixões transitórias, é puramente humana e nada tem a ver com as informações dadas pelos Espíritos superiores que revelaram a Doutrina Espírita. O objetivo de todos os Espíritos é atingir a perfeição e nesse estado todos se reconhecerão como verdadeiros irmãos.

Os Espíritos podem ler nossos pensamentos? É certo dizer que deve-se orar sempre com a mente, e nunca com os lábios, falando?
Os Espíritos podem ler nossos pensamentos sim, dependendo de seu grau de afinidade para conosco ou de sua condição evolutiva. Quanto à prece, você pode fazer com o pensamento, mas acima de tudo com o sentimento sincero de respeito e gratidão a Deus. As preces altas e longas são feitas mais para serem vistas pelos homens do que para serem ouvidas por Deus.

Gostaria de saber, no que diz respeito ao estado de perturbação espiritual, o que se passa com Espíritos que quando encarnados não tiveram a oportunidade de se esclarecerem quanto ao seu estado futuro nos seguintes casos: por ocasião de seu enterro; em caso de cremação de seu corpo; em caso de doação de órgãos?
Em todos os casos referidos, o Espírito que não tenha a compreensão da vida após a morte sofre muito. Pode ver seu enterro e se angustia. Pode ver seus órgãos sendo retirados e é um desespero por sentir-se ainda vivo. Pode sentir-se queimando, pela mesma razão. Mas o seu sofrimento depende do nível moral dele, da forma como encarou a vida, da sua condição evolutiva. Mesmo que ele não tenha a compreensão da vida verdadeira (espiritual) se ele foi uma pessoa digna, justa e se preocupou com o outro, será atendido mais prontamente e poderá compreender rapidamente o que se passa com ele. Neste caso, não passará por essas provações acima ditas. O que importa não é conhecimento que ele tem da vida espiritual, mas o que ele tem no coração. Tem pessoas que tinham um grande conhecimento da Doutrina Espírita e depois que desencarnam sofreram grandes decepções e sofrimentos.

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Fonte: Portal do Espírito, extraido do Grupo Espírita Bezerra de Menezes

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Alma, Espíritos e espírito: qual a diferença para Allan Kardec?



Um dos temas que costumam causar polêmica na obra de Kardec é a dupla definição de espírito/Espírito que ele faz em “O livro dos espíritos”.

Na questão 23 ele define espírito (com e minúsculo) como o “princípio inteligente do universo”. Esta definição não constava da primeira edição do livro, bem como a discussão sobre Deus, espírito e matéria (questão 27), na qual Kardec tenta distinguir “o princípio de tudo o que existe, a trindade universal”.

Essa trindade assemelha-se à de um dos autores espirituais de “O livro dos espíritos” quando encarnado: Platão. Ele propõe como trindade o demiurgo (o criador do mundo), a matéria e as ideias puras.  

Observa-se que neste início do livro, Kardec define espírito “em princípio” ou como princípio, não como ente.  Este “princípio inteligente do universo” não existe separado da matéria, embora possa estar ligado a uma forma material tão sutil, que para nós “é como se não existisse” (questão 186)

Prosseguindo , ele faz uma nova definição na questão 76, mas agora está falando dos Espíritos, com a letra “e” maiúscula. Estes, sim, são entes, seres que se encontram na natureza, no mundo espiritual, como define Kardec.  Ele define, portanto, como “seres inteligentes da criação” e ainda redige uma nota que os leitores desavisados costumam não dar muita atenção: “A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos, e não mais o elemento inteligente do universo”.

Neste momento, Kardec passa a tratar dos seres humanos desencarnados, que existem no mundo espiritual com um períspirito que os delimita à percepção dos demais e dos médiuns. Perceba o leitor que, a partir da questão 76, ele passa a usar a palavra Espírito com maiúscula, mesmo quando ela aparece no meio da frase, para deixar claro que não está se referindo ao princípio inteligente, mas aos seres inteligentes.

Uma curiosidade: na primeira edição de O Livro dos Espíritos, Kardec usa sempre a palavra francesa esprit ou esprits com letra minúscula. Na segunda edição é que encontramos a distinção de esprit e Esprit ou Esprits. Confiram no site do IPEAK:



Por fim resta-nos distinguir Espíritos de almas. Kardec emprega a palavra Espírito para tratar dos desencarnados e alma  (questão 184) para tratar do Espírito dos encarnados.

Concluindo:

O espírito é um elemento universal, de essência distinta da matéria (e de Deus, obviamente)

Os Espíritos são seres inteligentes, desencarnados, que só existem ligados a um envoltório semimaterial denominado períspirito.


As almas são os Espíritos encarnados.


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Fonte: Espiritismo Comentado