Eternidade

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segunda-feira, 19 de maio de 2014

LUZ IMPERECÍVEL




... "o prêmio da evangelização da nossa própria alma é a abertura dos 
portões da Espiritualidade Superior. 

É a entrada nessa luz imperecível do Espírito Imortal. 
Todo o nosso esforço de renovação moral, de renovação íntima será 
recompensado pelo próprio governador do orbe com a sua assistência amorosa. 

A mediunidade no Evangelho, nos Evangelhos, no Novo Testamento, 
no próprio Cristianismo é a verdadeira mediunidade que nos torna livres, 
que nos conscientiza da nossa imortalidade, dos nossos potenciais espirituais 
e que nos coloca em contato com o Pai das luzes, com o Criador Eterno, 
que tem as mãos cheias de dádivas para o nosso coração."


Extraído de Seminário com Haroldo Dutra Dias.

domingo, 12 de janeiro de 2014

LUZ IMPERECÍVEL


Chaves  (82 )




Mt. 16:19
"E eu te darei as chaves do reino dos
céus; e tudo o que ligares na terra será
ligado nos céus, e tudo o que desligares
na terra será desligado nos céus."








"E eu te darei as chaves do reino dos céus;"   - Singular, porque será conquistado por cada um, mediante o seu empenho pessoal. Futuro, porque uns já conseguiram; outros estão obtendo; outros ainda farão por merecer. As "chaves" representam o livre-arbítrio, que se pode usar para o bem ou para o mal, mas que, ante o que aprendemos, deve ser utilizado somente para edificação, isto é, para a conquista do reino dos céus, que sabemos não vem com aparência exterior, já que se encontra no íntimo das criaturas, dependendo apenas de ser construído e resguardado. Consubstanciam, também, toda a gama de valores que, gradativamente, pelo novo direcionamento do campo mental rumo aos planos superiores, o aprendiz vai conseguindo reunir ao longo do caminho que elegeu para sua afirmação no Bem.








"E tudo o que ligares na Terra será ligado nos céus,"   - Os valores apreendidos e que se constituem nas "chaves" que nos foram conferidas por Jesus, agora na forma de entendimento maior, quando aplicados com discernimento, terão suas repercussões, indiscutivelmente, no Plano Maior. A utilização inadequada, no entanto, terá como consequência, a tempo certo e segundo as leis que nos regem, frustrações e desequilíbrios, pelo que não podemos descuidar da vigilância, amplamente recomendada pelo Cristo.








"E tudo o que desligares na Terra será desligado nos céus."   - Aqui vigora o mesmo princípio anterior. Os termos "ligar" e "desligar" expressam-se com toda clareza. O mal escraviza, prende, limita, reduz; o Bem liberta, expande, dinamiza. A luta no plano físico, quando desenvolvida de forma consciente, é uma esteira de vinculações e desvinculações, a partir da disposição de sequenciar, sem cansaço, o processo reeducativo. Só assim, o ser conseguirá eximir-se das amargas e dolorosas cirurgias de separações ou de aproximações, quer intimamente, quer no plano da convivência a que esteja sujeito sob o jugo da Lei de Causa e Efeito.

Se a Justiça impõe-se à revelia do ser, o Amor concede à criatura a faculdade de "ligar" e "desligar" em termos de pensamentos, palavras e ações, na busca de seus objetivos maiores com o Cristo.

As limitações, que o plano físico impõe, se transubstanciam em abençoada oportunidade de a criatura adotar, no alicerce da espontaneidade, constante ação renovadora, elegendo para seu espírito imortal a vida que Jesus reserva àqueles que conseguem perceber Nele a essência sublimada de Cristo, Filho do Deus vivo.










Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

FAMILIARES ( 65 )



FAMILIARES  ( 65 )


Mt. 12:46
"E, falando ele ainda à multidão, eis que
estavam fora sua mãe e seus irmãos,
pretendendo falar-lhe."




"E, falando ele ainda"  Ensinar foi uma constante na vida de Jesus, sendo a lição falada, tônica de sua mensagem, portadora da vantagem de ser adequada às circunstâncias, necessidades do momento e atender às reações dos presentes.

O Mestre permanece falando, através das pessoas de boa vontade e bem intencionadas.

O advérbio "ainda" traz em seu íntimo o conteúdo da Misericórdia, assegurando a manutenção de Sua mensagem, atingindo os corações.





"À multidão,"  - A massa é, sem dúvida, o ponto de partida de todos aqueles que se dispõem ao caminho da redenção. Na medida em que a consciência se faz, torna-se natural a saída vibratória da multidão, ao lado do respeito e valorização da sua presença como instrumento operacional necessário ao crescimento.

Jesus trabalhava com a multidão, era seguido, reverenciado por ela, que o aplaudiu em sua entrada em Jerusalém e bradou irreverente, manifestando: "crucifica-O", poucos dias depois. Ciente desta volubilidade, recomendou Ele, como providência acauteladora: "Não ireis pelo caminho das gentes," (Mt. 10:5).

Qual tem sido a nossa posição? Integramos a multidão? Estamos saindo dela? O conhecimento que hoje nos felicita, nos conduz a reflexões capazes de estabelecerem conclusões claras, de que, se a luta é individual, a alienação quanto a própria real situação espiritual, só nos afastaria do objetivo: a vitória do "Eu Crístico".





"Eis que estavam fora"  - O povo aglomerado impedia seus familiares de se aproximarem. Do mesmo modo, nós mesmos, pertencentes à grande família de Deus e, em consequência de Jesus, também. Multidão que inclui vasta gama de valores externos e internos, na forma de obstáculos naturais, e de convenções, conceitos e condicionamentos milenares.

Frente a esta verdade, quando identificada com discernimento, o ser que deseja aproximar-se dos legítimos padrões que o Evangelho propõe, diligenciará recursos a fim de vencer os óbices, que passam a ser instrumentos de projeção, no rumo de novos degraus evolutivos.





"Sua Mãe"  - Maria de Nazaré, esposa de José, carpinteiro, profissão que ensinou a seu filho Jesus: "Não é este o Carpinteiro, filho de Maria..." (Mc. 6:3). Espírito de evolução extraordinária, tanto que o anjo Gabriel, enviado por Deus, a sua cidade, na Galiléia, para anunciar-lhe o nascimento de Jesus, falou assim: "Salve agraciada; o Senhor é contigo: bendita és tu entre as mulheres" (Lc. 1:28). Primou pela humildade e obediência. Nas "Bodas de Caná" nos advertiu ao dizer aos serventes: "Fazei tudo quanto Ele vos disser." (Jo. 2:5). Sobreviveu a seu esposo José. Desencarnou em Éfeso, onde morava em companhia de João, o apóstolo e evangelista.

Maria era prima de Isabel: "E eis que Isabel, tua prima, concebeu..." (Lc. 1:36), tinha irmã, também de nome Maria, casada com Cleofas ou Alfeu, mãe de Tiago (menor), Judas, Levi, José e Simão, e outra, de nome Salomé, casada com Zebedeu, cujos filhos eram João, o Evangelista, e Tiago (maior) um dos mais íntimos apóstolos de Jesus.

Tiago (maior) e João, ao lado de Pedro, presenciaram, praticamente, todos os fatos culminantes da vida de Jesus, como, por exemplo, a transfiguração.

Em sua obra escreve Emmanuel: "Geralmente, quando os filhos procuram a carinhosa intervenção da mãe é que se sentem órfãos de ânimo ou necessitados de alegria. Por isso mesmo, em todos os lugares do mundo, é comum observarmos filhos discutindo com os pais e chorando ante corações maternos. Interpretada com justiça por anjo tutelar do cristianismo, às vezes, é com imensas aflições que recorremos a Maria"(Caminho, Verdade e Vida - cap. 171)

A par desta referência, evidencia-se o sublime ensinamento que a expressão "mãe" sugere ao nosso entendimento. Aí reside, a sede inarredável dos mais valiosos sentimentos, que gerados nas fibras do coração serão capazes, ao lado da razão, de nortearem rotas, e promover os mais extraordinários lances na jornada empreendida.



 
 
"E seus irmãos,"  - Nas línguas faladas na Palestina naquele tempo, não havia o termo "primo". Todos eram chamados irmãos. Mesmo no Brasil, em vários lugares, subsiste a designação primos-irmãos. Segundo consta, o vocábulo foi usado por São Jerônimo - sábio que dedicou sua vida ao estudo das Escrituras (347/420), quando realizou a tradução denominada "Vulgata Latina", para evitar dúvidas.

Em Lucas, temos o anjo Gabriel falando a Maria: "E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice, e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril." (Lc. 1:36).

Ainda hoje persistem as polêmicas sobre o fato de que Jesus tenha ou não tenha tido outros irmãos. A par disso o estudo visando retirar da letra o espírito que vivifica sugere que por primogênito não se considere apenas o primeiro de vários filhos mas, principalmente, de que Ele estará sempre à frente de quantos vão se elegendo conscientemente como filhos do mesmo Pai. "E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência." (Col. 1:17 e 18)

Para nós espíritas a questão da virgindade de Maria envolve o conhecimento e exemplificação do Evangelho. Todos nós precisamos "dar corpo" ao Cristo em nossas vidas. Só conseguiremos fazê-lo com o sentimento, o pensamento, a palavra e a ação "virgens" de tudo que for contrário ao Bem.

Legitimamente, o ser consciente de seu papel no contexto evolutivo reconhece sempre, em cada companheiro, o irmão em Cristo, constituindo isso na certeza de que há uma e única família no Universo, tendo o Criador por Pai de bondade e misericórdia.





"Pretendendo falar-lhe."  - Podemos ter o propósito de nos dirigir a Jesus, aos amigos espirituais. Os impedimentos, quando existem, não são da parte deles, mas da nossa, a expressarem deficiências e dificuldades que ainda nos são inerentes. O Evangelho é a fonte que nos ensina, através de exemplos, como superá-los. Zaqueu subiu a uma figueira brava, para vê-lo, já que a sua pequena estatura e a multidão constituíam empecilhos, quase que insuperáveis. Pequena estatura refletindo sua pequenez espiritual e a multidão, de caráter externo, na forma de obstáculos do caminho, e, interno, pela soma das próprias imperfeições. A mulher cananéia soube insistir e cultivar a humildade, o cego de Jericó vence a reação negativa da multidão e é chamado por Ele.

"Pretendendo falar-lhe convoca o espírito a refletir quanto às disposições íntimas em procurar, objetivamente, aquele que é a "Luz do Mundo" (Jo. 8:12). Movidos pela proposta sincera da mudança recorremos sempre a Ele, na certeza de que seremos atendidos.





Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

sábado, 30 de novembro de 2013

Hospedagem




Hospedagem  ( 48 )


Mt. 10:11
"E, em qualquer cidade ou aldeia em que
entrardes, procurai saber quem nela seja
digno, e hospedai-vos aí até que vos
retireis."






"E, em qualquer cidade ou aldeia"   - Sem preferência, sem levar em conta a preocupação da localização, o discípulo foi instruído a ir a todos os locais: pobres, prósperos, grandes ou não. Assim também, somos convocados quando identificados com a mensagem de Jesus, a agir sem discriminações, seguindo a determinação do Alto nas vias das circunstâncias.

Cidade lembra lugar organizado, com população e infra estrutura asseguradora da sobrevivência, dispondo de, pelo menos, o essencial para as facilidades dos habitantes. Aldeia recorda lugar primitivo, com pessoal geralmente simples, ligado à natureza. Espiritualmente focalizada a questão, encontramos homens-cidades e homens-aldeias. Tudo depende da condição íntima e evolutiva de cada um. Assim, convivemos com as mais diversificadas pessoas, ou grupo de pessoas, quanto aos valores que carreiam, ao longo do caminho...





"Em que entrardes,"  - Quanto aos locais, durante a peregrinação do ser pela Terra, vai ele registrando os mais simples e os mais significativos no encaminhamento de sua aprendizagem e de suas possibilidades de cooperação. Ainda que ficasse, como raramente acontece, em um só lugar, toda uma existência, ver-se-ia obrigado a entrar em contato, em sintonia com todo o tipo de criaturas. Relacionamo-nos, desse modo, com as mais diversas modalidades de vibrações, de interesses, de influências, penetrando, pelas vias da simpatia, que naturalmente nos aproxima uns dos outros, no coração de muitos seres. Sejam eles esposos, filhos, pais, amigos, irmãos... Se, na distribuição e dinamização dos recursos espirituais, somos convocados a sair de nós mesmos, na solução e superação dos problemas que nos são inerentes, necessitamos "entrar" território a dentro da aldeia íntima, selecionando conceitos, pensamentos e tendências para o que não podemos prescindir da vigilância.




"Procurai saber quem nela seja digno,"   - Compete a cada um a iniciativa de saber, pois, os padrões morais variam de criatura para criatura. O que é justo para uma deixa de ser para outra. Agora, para saber, devemos olhar, observar, nos aproximar, atentos às reações que são elementos grandemente reveladores. A orientação não implica na seleção de privilegiados, mas na identificação daquele que se dispõe em reeducar-se. Não se deve esquecer que o próprio discípulo, apesar de seguidor do Mestre, ele o faz como portador de numerosas fraquezas e imperfeições. Seja no trato com os semelhantes ou no exame de seus valores, é imperioso distinguir o que seja digno. Digno é aquele que se afirma no Bem, ou aquilo que, eticamente, revela Bondade.

No entanto, ante a filosofia do Cristo, faz-se digno até mesmo o celerado ou o delinquente que quer se libertar, bem como o vício, ou a paixão que em nós identificamos e cujas energias, sentimos, podem ser revertidas ou canalizadas para ângulos positivos.





"E hospedai-vos aí"   - Hospedar um viajante era um dever, um hábito de todos os judeus. Muito louvável, porque representava um ato de caridade, numa época em que eram raras as pensões.

Hospedar implica em acomodar, estabelecer. Espiritualmente, expressa a permanência na pauta da cooperação. É abrigar-se sob o teto dos pensamentos e atitudes dignas, com discernimento, perseverança e bom ânimo, a fim de que os objetivos sejam alcançados.





"Até que vos retireis."   - Uma vez atingidos os objetivos de auxílio no campo de relação ou vencida a luta de superação dos problemas que nos são afetos, é lícito e mesmo imperioso que se parta para novas experiências. O apego, a ausência de capacidade de desvincular-se têm sido fatores de escravização milênios afora. Se somos convocados ao ajuste, a nos hospedar, a conviver, somos também convidados aos processos da separação ou da retirada no momento justo. Quando não o fazemos somos levados, às vezes, a verdadeiras cirurgias, portadoras de apreensões e sofrimentos. São as mudanças, ou afastamentos bruscos, as desencarnações.




Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Limitações Humanas




Limitações Humanas  ( 34 )



Mt. 6:27
"E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados,
acrescentar um côvado à sua estatura?"






"E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados,"  - A pergunta formulada pelo Cristo nos leva, sem dúvida, a reflexões capazes de nos favorecerem no levantamento de nossas limitações. Se de um lado os recursos de que somos dotados podem e nos têm projetado para faixas a se ampliarem cada vez mais, de outro lado é imperioso estarmos conscientes da existência de componentes, cuja presença está inteiramente à mercê dos desígnios celestes. Ajudando-nos a compreender este fato, o texto evangélico registra com sabedoria, "com todos os seus cuidados".

Esclarece, também, quanto ao imperativo de discernirmos, quanto ao que nos cabe fazer, e quanto ao que é de atribuição exclusiva da vontade e da Misericórdia do Criador.







"Acrescentar um côvado à sua estatura?"  - A imagem didática de Jesus é incisiva, capaz de separar com nitidez a diligência ou cuidados de nossa competência, com a medida sábia das fontes que nos dirigem. Se de nossa parte emerge a necessidade de cultivar, cuidar e provisionar para que os fatos se encadeiem, de outro lado não podemos esquecer que o mecanismo do crescimento extrapola totalmente nossas acanhadas possibilidades de realização.

No cerne de todos os fatos e acontecimentos está presente a providência d'Aquele que nos conduz, enquanto em nossas mãos, como elaboradores, segundo os sistemas da Evolução, estão entregues instrumentos, tempo, condições, ambiente e materiais suficientes a que a evolução possa ter seu curso, garantindo a cada qual a cota de participação nas engrenagens da vida.

Auxiliando-nos no entendimento deste tema, Paulo já afirmava: Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento." (I Cor. 3:6).







Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Luz Imperecível



Atitude Vigilante  (172)

Lc. 22:40
"E, quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai,
para que não entreis em tentação."




"E, quando chegou àquele lugar, disse-lhes:"  - As atitudes do Mestre sempre visam um fim delineado. No versículo anterior, vimo-Lo saindo, para agora percebê-lo chegando ao ambiente determinado.

A proposta da Boa Nova, neste particular, aponta-nos a necessidade de constante objetivação seja nas menores ou nas mais expressivas atividades. Encaminha-se o Mestre, para um plano mais elevado mas que trazia em sua volta indiscutíveis possibilidades de trabalho e testemunhos.

"Àquele lugar", sugere hoje aos nossos Espíritos, estado de alma peculiar em que o aprendiz, apesar das lutas e apreensões, pode cultivar condições mínimas de ligação com Deus e cooperação com os circunstantes.





"Orai, para que não entreis em tentação."  - O imperativo da prece faz-se presente mais uma vez. Como valioso instrumento de relação direta com as fontes mais sublimadas do Universo, a oração evidencia-se na mente do discípulo como atitude indispensável ao reajuste e crescimento.

O ato de "não entrar em tentação" toca, sem dúvida, os terrenos da vigilância. No entanto, insinuações rondam os campos da segurança ameaçando sistemas e estratégias de defesa. Nesta hora, à cautela, une-se o ato da oração a favorecer a identificação de recursos que, extrapolando os limites das mais nítidas concepções, poderá assegurar o êxito da determinação de vencer-se a si próprio, conquistando estabilidade e paz.

Orando, a criatura movimenta os mais recônditos valores. Quando sua prece é realimentada por ações compatíveis com o conteúdo que direciona, entra em relação direta com as sinceras manifestações da fé consciente. Suas vibrações avançam para o infinito na busca da Fonte Suprema do Amor, já que a Divindade, não é apenas a Criadora mas, distribuidora diligente de recursos a se estenderem em nome de Sua misericórdia, por todo o Universo.





Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

JESUS: FILHO DE DAVI



JESUS:  FILHO DE DAVI  (118)


Mc. 10:47
"E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a
clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi! tem
misericórdia de mim."






"E, OUVINDO" - Bartimeu só danificara a faculdade de ver. Era, ainda, capaz de ouvir. Se algum sentido nos falta, principalmente, se voltados para a Espiritualidade, acabamos por avivar os demais, que se encontram capacitados. E ouviu porque estava atento. Ao nos interessar por algo, nossos sentidos têm possibilidades de selecionar. Pode haver muito barulho, mas, se alguém abordar uma questão que nos interesse, acabamos ouvindo só o que ela fala. É o que se dá conosco, ainda deficientes para uma visão mais ampla das realidades do Espírito, quando somos convocados pela atitude deste cego a aguçar a capacidade de ouvir. Em meio aos alaridos de um mundo conturbado, é preciso detectar os chamamentos para os terrenos vibratórios da imprescindível reeducação moral.






"QUE ERA JESUS DE NAZARÉ," - Jesus nasceu em Belém. Residiu muito tempo em Nazaré, onde moraram seus pais, onde José exerceu a função de carpinteiro e Ele também. "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele." (Mc. 6:3). A informação "Jesus de Nazaré" define, mais uma vez, o acréscimo da misericórdia divina, permitindo a presença ostensiva, física do Cristo em nosso campo de ação. Sem ela, dificilmente, poderia nossa audição, ainda incipiente, captar os convites inadiáveis para um novo posicionamento espiritual. Ainda hoje, a Revelação Espírita, como o Consolador, com todas as suas orientações sábias e claras, direciona a atenção para Ele, que aqui esteve em corpo, há quase 2000 anos atrás, para que possamos empreender, com êxito, a luta de afirmação no Bem.






"COMEÇOU A CLAMAR, E A DIZER:" - Clamar é o grito que parte da profundidade do ser, saturado de sentimento. O cego não ficou apenas na manifestação desse sentimento. Disse alguma coisa. Quando utilizamos da palavra, devemos falar algo de proveito, já que, por sua natureza, é sempre um valioso instrumento, não só de manifestação, mas também de indução.






"JESUS,  FILHO DE DAVI!" - De acordo com as profecias, Jesus era da descendência de Davi. "Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a Justiça na Terra." (Jer. 23:5).

A ligação de Jesus ao tronco genealógico de "Davi", à época constituía fato da maior importância. Tal vínculo expressava autoridade, principalmente nos terrenos da fé, por parte daqueles que se dirigiam ao Mestre. Se criaturas de grandes conhecimentos e muita experiência, viam Jesus como "o Filho de Deus", ou o "Filho de Deus Altíssimo", outras, acionando padrões de confiança e de muita humildade, imploravam o Seu auxílio, dentro dos parâmetros que a sua percepção podia abranger:  "Filho de Davi".






"TEM MISERICÓRDIA DE MIM." - Bartimeu se reconhece como necessitado. Qualquer enfermo só se coloca a caminho da cura, do restabelecimento, quando admite a própria doença, a própria carência. Nisso revela humildade. Assim se torna receptivo. 







Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Colheita


Colheita  (75)



Mt. 13:30
"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa;
e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos
para o queimar; mas o trigo ajuntai-o no
meu celeiro."







"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa;"- O Bem ao lado do mal. Assim o Bem se torna melhor; e o mal deixa de ser mal, ou, se continua sendo elaborado, tem o Bem ao seu lado. O Bom, junto do mau, adquire virtudes. O mau junto do Bom, terá abreviado o tempo para reconhecer o erro em que se encontra, e renovar-se.

Tal fato nós o detectamos em face da Lei de Dualidade que vige no Universo, garantindo o equilíbrio da criação. Percebemo-lo no campo exterior, como podemos identificá-lo no Espírito. É assim que a treva cede um dia à evidência da luz, e, a luz dissipando as trevas, se capacita a mais amplas possibilidades de manifestação.

As circunstâncias, quer para o campo individual ou para o plano coletivo, são cíclicas, trazendo em seu bojo sugestões, valores, oportunidades, complementações.

A ceifa expressa o momento da avaliação, do fim de etapa, em que cada criatura colherá os elementos cultivados na faixa de tempo e de espaço que lhe foi outorgada. Gratificados seremos quando os frutos positivos puderem superar na colheita, os valores menos felizes que a invigilância permitiu crescessem no transcurso das experiências.






"E, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio,"  - Se até então Jesus falava de servos, agora, em se tratando da colheita, vamos encontrar "os ceifeiros" como trabalhadores, portadores de responsabilidades mais definidas, mais específicas. Surge portanto, o papel do cooperador consciente na faixa de responsabilidade que lhe cabe adotar na área de ação a que se ajusta.

Temos no restante do versículo, todo um programa de trabalho a ser executado pelos ceifeiros. O verbo dizer está no futuro: O Pai de Família não diz agora, mas na hora precisa, exata.

A ceifa está delineada pelo próprio ato de semear. No entanto o momento de sua execução é de competência exclusiva do Criador. Ela virá, tenha sido positiva ou não, a semeadura. É dentro dessa flexibilidade que atuam os processos da Misericórdia Divina, estendendo o tempo para melhoria da safra ou encurtando-o para evitar-se situações mais difíceis.

O balanço implica em aferição de todos os elementos. Chegada esta hora inevitável, o joio, na forma de lágrima, dores e amarguras, decepções e conturbações, é reunido e expurgado, pela natural engrenagem de quitação dos débitos, ante as leis que nos governam.






"E atai-o em molhos para o queimar;"- A Lei de Causa e Efeito, agindo inderrogável, encaminha o ser a novos ângulos de percepção e conhecimentos. Se a semeadura do mal gerou sofrimentos, são esses sofrimentos, o fogo purificador capaz de deixar gravado no psiquismo a essência da experiência vivenciada. E tem sido sobre estas bases do joio colhido em molhos e em "primeiro"lugar, que temos conseguido visualizar a necessidade, pelo menos, de zelar para que o trigo, pela dinamização do Bem maior, possa ter preferência na busca da realização espiritual que nos cabe empreender. O joio, reunido em feixes para a queima, demonstra o fato de que, nos momentos de aferição, as dificuldades não vêm isoladas, formando, quase sempre, um corolário de apreensões e dificuldades que nos cabe superar nos fundamentos da paciência, da humildade e da confiança em Deus.

O remorso queima como fogo na consciência, e aparece quando a inclemência do erro se evidencia. Apanha-se, ata-se e queima-se o mal, e, quem a ele está imantado vive o mesmo processo; sofre até experimentar a necessidade de reabilitar-se. Quando queimamos algum material, os detritos servem de adubo. Uma pessoa que ajuda por vaidade, à medida que se esclarece, deixa de agir assim. O que não ajuda, passa a faze-lo por ostentação, mas já está fazendo algo. Nada há perdido!






"Mas o trigo ajuntai-o no meu celeiro."  - No Celeiro Divino só há o Bem, o trigo. Fazendo o Bem estamos dando expansão ao que há de Divino em nós, e, em consequência, experimentando a felicidade no coração.








Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

LUZ IMPERECÍVEL - Clamores da Consciência


Clamores da Consciência


Mt. 3:1
"E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no
deserto da Judéia,"


"E, naqueles dias, apareceu João Batista" - Aqueles dias a que se refere o Evangelista expressa o momento favorável da manifestação dos episódios, cuja figura do Precursor seria chamada para consecução das tarefas programadas. Há hora para tudo.

João Batista "apareceu" para o cumprimento de sua missão e, em decorrência das peculiaridades de sua ação e notórias atitudes, pode ser percebido de forma ostensiva no seio da sociedade de então.

Historicamente, foi ele primo de Jesus, filho de Zacarias e Izabel, nascido em circunstâncias extraordinárias, já que sua mãe, a representar, figuradamente, a extensão dos milênios vividos, necessários para se alcançar o ápice das conquistas básicas da evolução, era avançada em idade.

Convocados na atualidade ao trabalho da reeducação com vistas a sentir Jesus no coração, "aqueles dias" visitam-nos a intimidade, elegendo-nos verdadeiros precursores, em luta íntima, no preparo do caminho do Senhor. João Batista surge, então, como o exemplo vivo do esforço pessoal, no rumo da nova vida com o Cristo.


"Pregando no Deserto da Judéia," - Trazendo a responsabilidade de despertar corações para os conceitos a serem erguidos por Jesus, a pregação realizada pelo Batista no "deserto da Judéia", evidencia a verdade dos clamores da consciência, frente a um vasto terreno vazio e árido, a exigir sólidas construções nos fundamentos do Amor, capazes de assegurarem segurança e reconforto ao espírito, na rota da imortalidade. Sob este prisma nos é possível entender que toda pregação se faz no "deserto". Num clima de edificações espirituais, quando a aridez dos corações for trabalhada e transformar-se na terra fértil à frutificação, já não há mais pregação, mas sim exemplificação.


Obra: Luz Imperecível, estudo interpretativo do Evangelho à Luz da Doutrina Espírita
Coordenação: Honório Onofre de Abreu
União Espírita Mineira.