Eternidade

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Os dois caminhos



Podemos edificar os sentimentos da Divindade por dois meios: 
o primeiro pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida;
o segundo pelo estudo.


Fé: no sentido comum, a crença em algo constitui a fé. Normalmente inata, manifesta-se pelo seu caráter natural em aceitar as coisas e realidades conforme se apresentam, sem mais indagações.[1]

Quem dera eu tivesse nascido com a fé de Chico Xavier! Por qual razão não possuo a fé de Divaldo Franco, Madre Teresa, entre outros exemplos de fé inquebrantável? Como fizeram para agradar o Magnânimo que, em retribuição, os aquinhoou com esta preciosa dádiva?! Qual o poder desta virtude, capaz de modificar o presente e moldar o futuro? Nasci assim, sem fé; e agora?

Estas, entre outras, são indagações lançadas ao Alto, às vezes com um sentimento surdo de revolta por todos aqueles ainda não detentores desta primordial virtude, a qual, mesmo que seja do tamanho de um grão de uma mostarda, pode mover montanhas, conforme asseverou o Cristo.

Ó meu Senhor Misericordioso, o que eu não daria para deter uma parcela que fosse, pequenina, ínfima, uma bagatela de fé! Já me bastaria para realizar verdadeiros milagres, em favor meu e dos mais próximos.

A nossa imaturidade espiritual crê que a Divindade, ao nos encaminhar de volta à Terra pela reencarnação, por um passe de mágica, um desejo particular, uma predileção qualquer, comunica a este e não àquele as muitas virtudes que nos cabem conquistar com o nosso esforço e não simplesmente obtê-las por um capricho de Deus.

É da lei divina: seremos relativamente perfeitos, detendo as numerosas virtudes, inclusive a fé, mãe de todas, mas para alcançar esta meta é preciso empenho, dedicação, constância; agindo assim ao longo de várias existências, pouco a pouco, podemos construir em nós mesmos as seguras fundações para, sobre elas, erigir o majestoso edifício das virtudes que nos conduzirão à felicidade plena tão buscada e desejada.

A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo.

O desenrolar da existência sempre nos traz oportunidades de reflexão sobre a perfeição das leis do Incriado. Da observação dos fatos corriqueiros podemos retirar variadas lições, descortinando a sempre presente solicitude da providência invariavelmente a nosso favor. Recolhendo aqui e ali percepções acuradas, podemos consolidar um entendimento de estar Deus no comando, com tudo acontecendo para nos beneficiar, visando ao nosso progresso; mesmo as chamadas desgraças nos trazem alertas sobre o modo como procedemos na atual existência.

Há bom tempo temos o costume de, quando em situação de dúvida ou incerteza, ou uma fase mais delicada da vida, orar; e após esta oração, abrir ao “acaso” uma mensagem destes preciosos livros espíritas, que nos trazem instrutivas abordagens sobre os mais variados assuntos. É surpreendente a quantidade de vezes em que o texto oferecido à nossa reflexão, naquele peculiar momento, aborda exatamente a questão a nos preocupar, seja ela qual for. É uma experiência única e bem pessoal à nossa disposição, quando nos convencemos da presença de nosso particular guia espiritual permanentemente ao nosso lado, atento e prestimoso, cuidadoso e solícito, paciente e cordato, sempre nos oferecendo algumas palavras de esclarecimento ou de conforto, oriundas de sua avançada sabedoria. Esta prática é uma das mais simples ao alcance de todos, contudo, de imensa importância para Espíritos vacilantes como todos nós ainda o somos.

O caminho paralelo de aprendizado das virtudes ocorre pelo estudo continuado das leis eternas. Quando Allan Kardec registrou a inolvidável frase[2]: “Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”, deu a conhecer o lado racional e intelectivo desta nobre faculdade até então totalmente desconhecido, pois as religiões nada ensinavam neste sentido e algumas, com pesar, ainda o fazem. Basicamente, fé se possuía ou não, se nascia com ou sem ela.

O insigne lionês — através dos Espíritos superiores a acompanhá-lo em sua importantíssima missão — nos mostrou a possibilidade desta virtude ser desenvolvida, cultivada, trabalhada, estudada; isto através do correto conhecimento e justa percepção das leis divinas.

Para facilitar a aquisição deste entendimento, não há melhor indicação do que o estudo da literatura espírita, iniciando de preferência com os primeiros cinco livros de Allan Kardec, as conhecidas obras fundamentais ou básicas, dando prosseguimento à análise das obras subsidiárias.

Conjugando estas duas vertentes, é possível elaborar de maneira coerente a nossa fé, não mais desejando possuir a fé dos outros, pois cada qual vivencia as virtudes que fez por merecer, porquanto trabalhou no passado com afinco, dedicação, perseverança, sendo a fé exemplo inquestionável de um dos tesouros, que uma vez obtido a traça não rói, tampouco a ferrugem destrói, muito menos pode ser roubada pelos ladrões, permanecendo conosco pela eternidade.


1. FRANCO, Divaldo P. Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2.ed. cap. 14. Rio de Janeiro: FEB, 1982. 
2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. 1.imp. cap. 19, it. 7. Brasília: FEB, 2013. 


Fonte: Jornal O Clarim, outubro/2018, por Rogério Miguez.


sábado, 28 de julho de 2018

Fé e Razão


É Possível Conciliar Fé e Razão?

É possível conciliar fé e razão? Para responder esse dilema que aflige tantas pessoas, a Doutrina Espírita apresenta em seu tríplice aspecto alicerçado pela ciência, filosofia e religião, firmes argumentos para o desenvolvimento da fé e da razão que fazem parte da essência humana.

O capítulo dezenove de O Evangelho Segundo o Espiritismo ressalta: “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Enquanto a fé verdadeira nos conecta diretamente a força de Deus e alimenta a alma de confiança diante dos combates, a razão nos leva a compreender os fatos que ultrapassam o campo da crença religiosa, encontrando explicações lógicas.

Um Diálogo entre a Fé e a Razão

Buscando um diálogo entre a fé e a razão, encontramos pesquisas interessantes sobre a relação da fé com o grau de felicidade, o que quer dizer que é capaz de fortalecer e trazer boas energias à vida. Estudos mostram que os benefícios da fé à saúde têm embasamento científico, o que cria uma comunhão entre o físico e o espiritual.

O apóstolo do Cristo, Paulo de Tarso destaca entre os pontos fundamentais sobre a fé e a razão que é preciso aprender analisar os fatos para escolher o caminho a seguir:“Examinai tudo. Retende o bem.”

Reflexões que mostram o sentido da fé, capaz de nos direcionar para a conquista do amor e da sabedoria. “A fé é o sentimento inato, no homem, da sua destinação. É a consciência das prodigiosas faculdades que traz em germe no íntimo, a princípio em estado latente, mas que ele deve fazer germinar e crescer, através da sua vontade ativa”(Evangelho Segundo o Espiritismo -A Fé Divina e a Fé Humana).

Buscando um sentido mais profundo para a fé e seu poder de iluminar e dar um significado diferente para a vida, acrescenta Allan Kardec: “A fé precisa de uma base e essa base é a perfeita compreensão no que se deve crer. E, para crer, não basta ver: é preciso, sobretudo, compreender”.

A partir da compreensão dessa profunda relação entre fé e razão que o Espiritismo propõe, baseada
na fé raciocinada, que convida ao aprofundamento constante das ideias e a busca ao esclarecimento, novas possibilidades se abrem.

Que a fé possa oferecer a esperança em todos os momentos da vida, sustentada pela razão que dá discernimento necessário de forma coerente à renovação interior.

Sobre o crer e o sentir, o conhecimento e o amor se fortalecem quando o despertar dessa consciência é acompanhado de ações práticas. É o que nos ensina Jesus a respeito do reconhecimento do verdadeiro Cristão: “A fé se não tiver obras, é morta em si mesma”.



Fonte: Portal do Espírito, enviado em 18/07/2018


sábado, 31 de outubro de 2015

Considerando a Fé






A fé é uma necessidade espiritual da qual não pode o espírito humano prescindir.

Da mesma forma que o corpo haure no ar e no pão os recursos de manutenção e preservação do patrimônio celular, o espírito necessita da fé que vitaliza e renova, dinamizando forças de difícil classificação que encorajam tonificando a organização física e psíquica na tarefa valorosa de progredir.

Alimento sutil, a fé é o tesouro de inapreciado valor que caracteriza os homens nobres a serviço da coletividade.

Graças a ela renova-se a face da Terra, consomem-se os abismos na voragem do realizar, modificam-se paisagens, alteram-se feições... com ela cessam agonias, retemperam-se ânimos, multiplicam-se luzeiros, erradicam-se males...

Estrela, clareia noites da alma.
Chama, aquece corações.
Pão, nutre esperanças.
Roteiro, conduz vidas...
Conhecê-la, guardando-a no íntimo, é tarefa que a todos nos devemos impor, no abençoado desiderato de nossa imortalidade intransferível.
"Se tivésseis fé" - disse o Senhor.






Seguro da existência de terras do horizonte do mar, Colombo avançou, intimorato, e descobriu a América, apesar de todos os opositores.

Cônscio do dever, Damião de Vesteur, jovem sacerdote belga, abandonou sua pátria e demandou Molokai, onde a lepra fizera seu reduto, e abriu novos horizontes à fraternidade, malgrado o cepticismo de todos.

Fascinada pelo amor fraternal, Florência Nightingale deixou as fantasias feminis e demandou a Crimeia, elaborando com a sua filantropia invulgar as bases a futura Cruz Vermelha Internacional, lutando contra todos...

Alexandre Yersin, pesquisando, entre sarcasmos e ironias, identificou o bacilo específico da preste, apesar das dificuldades enfrentadas.

Denis Papin, em Mundern, acompanhou desolado a destruição do seu barco, por todos considerarem impossível a aplicação da máquina a vapor de pistão para a navegação, mas não desistiu.

Jesus, ante a mulher sírio-fenícia, lecionou a grandeza da fé. E ante o cepticismo dos que o seguiam, levantou da sepultura Lázaro que dormia, para atender ao confiante apelo de Maria, irmã do cataléptico...





 
Não esperes que a fé te busque o país da alma, qual hóspede inesperado que chega, após viagem bem sucedida.

Examina a aflição que te alcança o domicílio mental e lança-te no intrincado meandro do estudo das causas, do culto da oração, meditando para discernir e discernindo para acertar.

A fé não se doa, não se transmite.

Chama divina arde em todas as almas, aguardando o combustível do esforço de cada um para agigantar-se e clarear por dentro como mensagem de Deus.

Mediante as lições do Espiritismo aprendes, através dos impositivos do raciocínio, que "fé legítima só o é aquela que pode enfrentar face a face a razão..."

Raciocina crendo, e, se te faltarem os tesouros do discernimento ideal, crê por amor e dá-te ao amor de nosso Pai que tudo nos dá, deixando-te arrastar pelos rios da bondade e do bem em favor de todos, transformando-te em lume e calor para as horas de sombra e frio, no imenso caminho por onde segues, até que duas alvas mãos, como asas angelicais, tomem as tuas mãos e pela libertação desencarnatória te conduzam aos infinitos limites de consciência livre, onde, feliz, constatarás em paz a resposta da fé, virtude libertadora.
 
 
 

por Joanna de Ângelis, livro: Lampadário Espírita
Médium: Divaldo Franco


sábado, 3 de maio de 2014

CONVITE À FÉ


 "Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda..."  (Mateus, 17:20.)
 
Para que a chama arda é indispensável a sustentação pelo combustível.
A fim de que o rio se agigante, a nascente prossegue sustentando-lhe o curso.
A mesa enriquecida pelo pão sacrifica o grão de trigo generoso.


No ministério da vida espiritual, a fim de que o homem sobreviva ao clima de desespero que irrompe de todo lado, com as altas cargas da aflição, do medo, da dúvida, que se generalizam, a fé é imprescindível para a aquisição do equilíbrio.
Seu milagre, todavia, depende do esforço despendido em prol da sua própria manutenção.

À fé inata devem ser adicionados os valores da reflexão e da prece de modo a canalizar a inspiração superior que passa a constituir fonte geradora de preservação do necessário capital da confiança.

Às vezes, para que as sementes que jazem no solo das almas, em latência, se desdobrem em embriões de vida, torna-se imperioso condicionamentos psíquicos, somente possíveis mediante a busca sistemática pela razão, pelos fatos, através da investigação.

Seja, porém, como seja, o homem não pode prescindir do valioso contributo da fé, a fim de colimar os objetivos da reencarnação.

Apressado, ante a infeliz aplicação do avião nos jogos da guerra, Alberto Santos Dumont preferiu a fuga, através do autocídio nefário...
Porque a dinamite fora usada para extermínio de povos Alfredo Nobel amargurou-se até a desencarnação..

Se tivessem fé, poderiam acompanhar a marcha do progresso, ensejada pelos seus inventos, colocados a serviço mesmo da Humanidade.

Não obstante houvessem perseverado confiantes no êxito dos seus empreendimentos, faltou-lhes a fé religiosa para sustentá-los nos momentos terríveis que tiveram de considerar, em face da vida física que se extingue e da espiritual que é indestrutível.

A fé é a flama divina que aquece o espírito e dá-lhe forças para superar tudo: mágoas, desaires, revoltas, traições e até mesmo a morte.
Alimentá-la para a própria paz é indeclinável dever que não podes postergar.


( “Convites da Vida” , de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

sábado, 18 de janeiro de 2014

O Credo de Eurípedes



Profissão de Fé
O Credo de Eurípedes


Foi ao ensejo da memorável vitória sobre o famoso orador¹ sacro de Campinas, Estado de São Paulo, que ele lançou aos quatro ventos do Brasil notável publicação de alto valor histórico - o CREDO que Eurípedes subscreveu (e cumpriu).

Trata-se do CREDO de Emanuel Darcey, incondicionalmente subscrito por Eurípedes, em noite de 31 de outubro de 1913 [...]


"CREIO que não temos nossa causa em nós mesmos; que existe acima do homem e superior à natureza um Ser Pensante, Infinito, Eterno, Imutável, um Supremo Legislador; que a existência de um Criador, de uma Razão primitiva, é um fato adquirido pela evidência material dos fatos, que o Universo não é nem surdo, nem cego; que a vida não é uma confusão sem fim, um caos informe; que tudo tem a sua razão de ser, seu alvo, seu fim.


CREIO que o Nada é uma palavra vã; que a Morte não existe; que nada morre; que o ser sobrevive ao seu invólucro; que a morte não existe; que a morte não é um termo, mas, uma metamorfose, uma transformação necessária, um renovamento; que somos eternos pela base do nosso ser; que nada do que existe pode ser aniquilado; que existiremos, porque existimos.


CREIO que, saindo desta vida, não entramos em estado definitivo; que nada se acaba neste mundo; que enquanto um destino humano tem alguma coisa a cumprir, isto é, um progresso a realizar, nada está para ele acabado; que a morte não deve ser tomada senão como um descanso em nossa viagem; que a morte é feixe de caminhos, que irradiam em todas as direções do universo e nos quais efetuamos nosso destino infinito.



   


CREIO que não há aniquilamento, mas sempre estados sucedendo a outros estados, a eterna transmissão de outra ordem de coisas a outra, de uma economia a outra, de um serviço a outro; que tudo renasce; que tudo volta a sua hora, melhorado, aperfeiçoado pelo labor; que o nascimento não é o verdadeiro começo; que nascer não é principiar, mas mudar de figura; que nossas existências não são mais do que continuações, séries, consequências; que sono ou despertar, morte ou nascimento, são uma e a mesma coisa; transição semelhante, acidente previsto.


CREIO que tudo evolui e tende para um estado superior; que tudo se transforma e aperfeiçoa; que o homem marcha sempre e sempre se engrandece; que tudo rola, prolonga-se e renova-se; que a morte não é o único teatro de nossas lutas e de nossos progressos; que o universo é sem lacuna; que há mundos infinitos nesse universo infinito; que o mundo é um ponto que conduz a outro e que os há para todos os graus de crescimento.


CREIO que DEUS não criou almas civilizadas; que a alma humana é o resultado do trabalho da vida; que todos os homens são cidadãos da mesma pátria, membros da mesma família, ramos da mesma árvore; que a todos têm origem, destino e aspiração comuns, que todos começaram a ascensão e que estão somente mais ou menos altos; que os mais vis têm por lei alcançar os mais elevados.




   



CREIO que o homem não é o último anel que une a criatura ao Criador; que não somos os primeiros depois de DEUS; que temos ao menos tantos degraus sobre nossa cabeça como abaixo dos pés; que a vida está em toda parte, que a alma está em toda coisa, que o corpo envolve um espírito; que o homem não é o único; que é seguido de uma sombra; que todos, o próprio calhau miserável, tem atrás de si uma sombra, uma sombra diante deles; que todos são a alma que vive, que viveu, que deve viver.


CREIO que a harmonia do Universo se resume em uma só lei; que o progresso por toda parte é para todos, para o animal como para a planta, para a planta como para o mineral; que tudo segue a mesma rotação, que tudo morre da mesma maneira e morre ultimamente; que a vida sorve todos os seus elementos da própria morte; que cresce por série contínua de transformações infinitas, que parte do infinitamente pequeno e marcha para o infinitamente grande.


CREIO que tudo que vive é encarnação; que toda evolução, toda transformação é encarnação; que as criaturas sobem no crescimento d'alma como no dos invólucros; que o homem é o espírito encarnado; que a alma não é criada ao mesmo tempo que o corpo, que ela é apenas incorporada; que a encarnação é uma lei da natureza, uma necessidade absoluta, consequência lógica da lei do progresso; que todo o homem é um resumo de existências anteriores, que se compõem de numerosos personagens, formando um só.




   



CREIO na pluralidade dos mundos, na multiplicidade das existências, na universal ascensão dos seres, na progressão contínua da alma, com os seus transportes, seus recuos, suas crises e as sanções que daí decorrem.


CREIO que neste Universo, obra da Infinita Sabedoria, nada acontece pelo jogo do acaso; que nada se faz sem uma Soberana Justiça; que toda desordem não existe senão em aparência; que não há acaso nem fatalidade; que há forças, leis, que ninguém pode derrogar; que todas as coisas do mundo têm ligação entre si; que nada é isolado; que o mundo material é solidário com o mundo espiritual e que ambos se penetram reciprocamente; que tudo se mantém, tudo se concorda, tudo se encadeia, e se liga, sobre o ponto de vista moral, como físico; que na ordem dos fatos, dos mais simples aos mais complexos, tudo é regulado por uma lei.


CREIO que a lei moral é uma verdade absoluta; que a Justiça, a Sabedoria, a Virtude, existem na marcha do mundo, tanto quanto a realidade física; que não se pode transpor, sem trabalho e sem mérito, um grau na iniciação humana; que o espírito deve chegar só, por si, à verdade, e que tem de tornar-se merecedor de sua felicidade, que a felicidade para ter tido o seu preço, deve ser adquirida e não concedida.




   



CREIO que a vida não é um jogo, uma ilusão, que a verdadeira vida não é a que multiplica os gozos; que a felicidade tal qual a entendemos não pode existir; que é preciso que o esforço subsista neste mundo; que não estamos aqui para gozar, mas para lutar, trabalhar, combater; que a luta é necessária ao desenvolvimento do espírito; que o verdadeiro fim da vida consiste no dever que incumbe a todo ser humano de subjugar a matéria ao espírito.


CREIO que o homem é justificado não por sua fé, mas por suas obras, que a prática do bem é a lei superior, a condição sine qua non de nosso futuro; que a santidade é o alvo a que devemos chegar; que não se pode fazer tudo impunemente, que a felicidade e a desgraça dos homens dependem absolutamente da observação da lei universal, que rege a ordem em a natureza.


CREIO que existem um Inferno e um Paraíso filosóficos, isto é, um sistema natural que liga entre si, intimamente, as causas além e aquém do tempo; que sempre nos sucedemos a nós mesmos; que sempre determinamos, por nossa marcha presente a marcha que seguiremos mais tarde.




   
 

CREIO que o presente determina o futuro; que cada homem tece em volta de si o seu destino; que se torna sem cessar o que mereceu ser; que nenhum desvio do caminho reto fica impune; que os que dele se afastam serão a ele levados fatalmente; que o progresso é uma lei soberana a qual ninguém resiste; que não há um defeito, uma imperfeição moral, uma ação má que não tenha a sua contradita e suas consequências naturais; que não há ato útil sem proveito, falta sem sanção; que não há ação que possa sonegar-se.


CREIO que cada um deve a si mesmo a sua sorte; que cada um cria as suas alegrias como as suas penas; que o homem é o seu próprio algoz; que se remunera e se pune a si mesmo; que colhe o que semeia e nutre-se do que colhe, debilitado ou fortificado pelos alimentos que ele próprio produziu; que a alma transporta em si mesma o seu próprio castigo, em todo o lugar em que se possa encontrar; que o inferno não é um lugar, mas uma condição de ser, um estado da alma; que pertence a cada um de nós sair dele ou aí nos manter.


CREIO que a pena não está senão na falta; que é impossível que essas coisas possam separar-se; que o sofrimento não é o resultado do acaso; que toda lágrima lava alguma coisa; que dor e culpabilidade são sinônimos; que o homem em evolução é tributário de seus erros e de seus maus pensamentos; que somos nós os instrumentos de nosso próprio suplício.




   



CREIO que toda vida culposa deve ser resgatada; que toda falta cometida, todo mal causado é uma dívida contraída, que deve ser paga no momento ou noutro, quer em uma existência quer na outra; que a fatalidade aparente, que semeia de males o caminho da vida, não é senão a consequência do nosso passado, o efeito produzido pela causa; que a vida terrestre é ao mesmo tempo reparação e preparação; que nenhum de nós é o que deve ser e que é preciso que a razão se cumpra, que a justiça se faça e o em seja.


CREIO que cada nova existência é um novo ponto de partida, em que o homem é aquilo que se fez; que renasce com seu débito e com o seu crédito; que nada perde do que adquiriu; que o esquecimento temporário do passado é condição indispensável de toda provação e de todo o progresso; que é preciso que o esforço seja livre e voluntário; que o conhecimento dos fatos anteriores e das sanções inevitáveis embaraçaria o homem, em lugar de ajudá-lo; que é justo e necessário que, em seu estado atual, o passado e o futuro lhe sejam ocultos.


CREIO, enfim, que a revelação é progressiva, que a verdade se desvenda sempre, segundo os tempos e os lugares; que estamos na aurora da vida consciente e que marchamos, todos, na solidariedade universal, através de vidas sucessivas para a infinita perfeição; que o futuro encerra e que tudo foi criado, tendo em vista um bem final; que o Bem e a lei do Universo e o Mal um estado transitório, sempre reparável, uma das fases inferiores da evolução dos seres para o bem; que nada de irremediável pesa sobre nós; que tudo se apaga; tudo se dissolve; que a dor é libertadora, que nada é negro, nada é triste; que tudo acaba bem e que não se tem senão de esperar a sua hora em um mundo ou em outro".




   


Fonte: Corina Novelino - Eurípedes - o Homem e a Missão.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

FÉ INABALÁVEL





"Allan Kardec afirmou: Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.


Acreditar em Deus, na imortalidade do Espírito, na excelência dos postulados da reencarnação e permitir-se abater quando convidado á demonstração da capacidade de resistência, é lamentável queda na leviandade ou clara demonstração de que a fé não é real...


Permitir-se depressão porque aconteceram fenômenos desagradáveis e até mesmo desestruturadores do comportamento, significa não somente debilidade emocional que apenas tem fortaleza quando não há luta, mas também total falta de confiança em Deus.


Quando a fé é raciocinada, estribada nas reflexões profundas em torno dos significados existenciais, tem capacidade para enfrentar os problemas e solucioná-los sem amargura nem conflito, para atender as situações penosas com tranquilidade, porque identifica em todas essas situações as oportunidades de crescimento interior para o encontro com a VERDADE.


O conhecimento do Espiritismo liberta a consciência da culpa, o indivíduo de qualquer temor, facultando-lhe uma existência risonha com esperança e realizações edificantes pelos atos. Não apenas enseja as perspectivas ditosas do porvir, mas sobretudo ajuda a trabalhar o momento em que se vive, preparando aquele que virá".


Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Atitudes Renovadas

sábado, 1 de dezembro de 2012

Fé, Esperança, Consolações




A fé é a confiança da criatura em seus destinos, é o sentimento que a eleva à infinita Potestade, é a certeza de estar no caminho que vai ter à verdade. A fé cega é como farol cujo vermelho clarão não pode traspassar o nevoeiro; a fé esclarecida é foco elétrico que ilumina com brilhante luz a estrada a percorrer.

Ninguém adquire essa fé sem ter passado pelas tribulações da dúvida, sem ter padecido as angústias que embaraçam o caminho dos investigadores. Muitos param em esmorecida indecisão e flutuam longo tempo entre opostas correntezas. Feliz quem crê, sabe, vê e caminha firme. A fé então é profunda, inabalável, e habilita-o a superar os maiores obstáculos. Foi neste sentido que se disse que a fé transporta montanhas, pois, como tais, podem ser consideradas as dificuldades que os inovadores encontram no seu caminho, ou seja, as paixões, a ignorância, os preconceitos e o interesse material.

Geralmente se considera a fé como mera crença em certos dogmas religiosos, aceitos sem exame. Mas a verdadeira fé está na convicção que nos anima e nos arrebata para os ideais elevados. Há a fé em si próprio, em uma obra material qualquer, a fé política, a fé na pátria. Para o artista, para o pensador, a fé é o sentimento do ideal, é a visão do sublime fanal aceso pela mão divina nos alcantis eternos, a fim de guiar a Humanidade ao Bem e à Verdade.

É cega a fé religiosa que anula a razão e se submete ao juízo dos outros, que aceita um corpo de doutrina verdadeiro ou falso, e dele se torna totalmente cativa. Na sua Impaciência e nos seus excessos, a fé cega recorre facilmente à perfídia, à subjugação, conduzindo ao fanatismo. Ainda sob este aspecto, é a fé um poderoso incentivo, pois tem ensinado os homens a se humilharem e a sofrerem. Pervertida pelo espírito de domínio, tem sido a causa de muitos crimes, mas, em suas conseqüências funestas, também deixa transparecer suas grandes vantagens.

Ora, se a fé cega pôde produzir tais efeitos, que não realizará a fé esclarecida pela razão, a fé que julga, discerne e compreende? Certos teólogos exortam-nos a desprezar a razão, a renegá-la, a rebatê-la. Deveremos por isso repudiá-la, mesmo quando ela nos mostra o bem e o belo? Esses teólogos alegam os erros em que a razão caiu e parecem, lamentavelmente, esquecer que foi a razão que descobriu esses erros e ajudou-nos a corrigi-los.

A razão é uma faculdade superior, destinada a esclarecer-nos sobre todas as coisas. Como todas as outras faculdades, desenvolve-se e engrandece pelo exercício. A razão humana é um reflexo da Razão eterna. É Deus em nós, disse São Paulo. Desconhecer-lhe o valor e a utilidade é menosprezar a natureza humana, é ultrajar a própria Divindade. Querer substituir a razão pela fé é ignorar que ambas são solidárias e inseparáveis, que se consolidam e vivificam uma à outra. A união de ambas abre ao pensamento um campo mais vasto: harmoniza as nossas faculdades e traz-nos a paz interna.

A fé é mãe dos nobres sentimentos e dos grandes feitos. O homem profundamente firme e convicto é Imperturbável diante do perigo, do mesmo modo que nas tribulações. Superior às lisonjas, às seduções, às ameaças, ao bramir das paixões, ele ouve uma voz ressoar nas profundezas da sua consciência, instigando-o à luta, encorajando-o nos momentos perigosos.
Para produzir tais resultados, necessita a fé repousar na base sólida que lhe oferecem o livre exame e a liberdade de pensamento. Em vez de dogmas e mistérios, cumpre-lhe reconhecer tão-somente princípios decorrentes da observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé espírita.

A filosofia dos Espíritos vem oferecer-nos uma fé racional e, por isso mesmo, robusta, O conhecimento do mundo invisível, a confiança numa lei superior de justiça e progresso imprime a essa fé um duplo caráter de calma e segurança.

Efetivamente, que poderemos temer, quando sabemos que a alma é imortal e quando, após os cuidados e consumições da vida, além da noite sombria em que tudo parece afundar-se, vemos despontar a suave claridade dos dias infindáveis?

Essencializados da idéia de que esta vida não é mais que um instante no conjunto da existência integral, suportaremos, com paciência, os males inevitáveis que ela engendra. A perspectiva dos tempos que se nos abrem dar-nos-á o poder de dominar as mesquinharias presentes e de nos colocarmos acima dos vaivéns da fortuna. Assim, sentir-nos-emos mais livres e mais bem armados para a luta.

O espírita conhece e compreende a causa de seus males; sabe que todo sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar; sabe que a morte nada aniquila, que os nossos sentimentos perduram na vida de além-túmulo e que todos os que se amaram na Terra tornam a encontrar-se, libertos de todas as misérias, longe desta lutuosa morada; conhece que só há separação para os maus. Dessas crenças resultam-lhe consolações que os indiferentes e os cépticos ignoram. Se, de uma extremidade a outra do mundo, todas as almas comungassem nessa fé poderosa, assistiríamos à maior transformação moral que a História jamais registrou.

Mas essa fé, poucos ainda a possuem, O Espírito de Verdade tem falado à Terra, mas insignificante número o tem ouvido atentamente. Entre os filhos dos homens, não são os poderosos os que o escutam, e, sim, os humildes, os pequenos, os deserdados, todos os que têm sede de esperança. Os grandes e os afortunados têm rejeitado os seus ensinos, como há dezenove séculos repeliram o próprio Cristo. Os membros do clero e as associações sábias coligaram-se contra esse “desmancha-prazeres”, que vinha comprometer os interesses, o repouso e derruir-lhes as afirmações. Poucos homens têm a coragem de se desdizerem e de confessarem que se enganaram. O orgulho escraviza-os totalmente! Preferem combater toda a vida esta verdade ameaçadora que vai arrasar suas obras efêmeras. Outros, muito secretamente, reconhecem a beleza, a magnitude desta doutrina, mas se atemorizam ante suas exigências morais. Agarrados aos prazeres, almejando viver a seu gosto, Indiferentes à existência futura, afastam de seus pensamentos tudo quanto poderia induzi-los a repudiar hábitos que, embora reconheçam como perniciosos, não deixam de ser afagados. Que amargas decepções irão colher por causa dessas loucas evasivas!

A nossa sociedade, absorvida completamente pelas especulações, pouco se preocupa com o ensino moral. Inúmeras opiniões contraditórias chocam-se; no meio desse confuso turbilhão da vida, o homem poucas vezes se detém para refletir.

Mas todo ânimo sincero, que procura a fé e a verdade, há de encontrá-la na revelação nova. Um influxo celeste estender-se-á sobre ele a fim de guiá-lo para esse sol nascente, que um dia Iluminará a Humanidade Inteira. 


(Leon Denis, Depois da Morte, Quinta Parte, cap. 44.)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

TER FÉ...


A árvore da fé viva não cresce no coração, miraculosamente.
Qual acontece na vida comum, o Criador dá tudo, mas não prescinde do esforço da criatura.
Qualquer planta útil reclama especial atenção no desenvolvimento.
Indispensável cogitar-se do trabalho de proteção, auxílio e defesa.
Estacadas, adubos, vigilância, todos os fatores de preservação devem ser postos em movimento, a fim de que o vegetal precioso atinja os fins a que se destina.
A conquista da crença edificante não é serviço de menor esforço.
A maioria das pessoas admite que a fé constitua milagrosa auréola doada a alguns espíritos privilegiados pelo favor divino.
Isso, contudo, é um equívoco de lamentáveis consequências.
A sublime virtude é construção do mundo interior, em cujo desdobramento cada aprendiz funciona como orientador, engenheiro e operário de si mesmo.
Não se faz possível a realização, quando excessivas ansiedades terrestres, de parceria com enganos e ambições inferiores, torturam o campo íntimo, à maneira de vermes e malfeitores, atacando a obra.
A lição do Evangelho é semente viva.
O coração humano é receptivo, tanto quanto a terra.
É imprescindível tratar a planta divina com desvelada ternura e instinto enérgico de defesa.
Há muitos perigos sutis contra ela, quais sejam os tóxicos dos maus livros, as opiniões ociosas, as discussões excitantes, o hábito de analisar os outros antes do autoexame.
Ninguém pode, pois, em sã consciência, transferir, de modo integral, a vibração da fé ao espírito alheio, porque, realmente, isso é tarefa que compete a cada um.
Emmanuel 
Obra: 'Vinha de Luz' - Francisco Cândido Xavier