Eternidade

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sábado, 13 de setembro de 2014

Não basta apagar o fogo...


Os Espíritos vinculados à humanidade terrestre não pertencem mais aos mundos primitivos: adquiriram consciência de si, desenvolveram a inteligência, não são mais movidos exclusivamente pelos instintos, seus sentimentos despontaram e o uso de seu livre-arbítrio foi ampliado.

Estas características colocam os Espíritos num patamar evolutivo onde a responsabilidade individual aumenta sempre. Sua inferioridade espiritual já não é originada pela ignorância e simplicidade de almas recém criadas, mas pelas imperfeições morais que ainda mantém ao optar por contrariar a Lei do Amor.

O progresso dos Espíritos é estimulado pelos resultados que obtêm com suas escolhas. A Lei de Causa e Efeito oferta retorno daquilo que foi realizado, fazendo-os seguir rumo a perfeição, primeiro através do sofrimento, sentindo o que o outro sentiu com suas atitudes; e posteriormente, através do Amor que, oferecido, volta-lhes com ainda mais intensidade.

Mas, neste planeta de Expiações que é a Terra, nem todos são facilmente convencidos que o melhor caminho é o do Amor, e apenas quando o sofrimento se lhes apresenta, começam a cogitar uma mudança de comportamento. Isso provoca três possíveis estados condicionais das encarnações: as EXPIAÇÕES, as PROVAS e as MISSÕES.

EXPIAÇÃO
Expiar consiste em sentir aquilo que se fez outrem sentir. É indício de inferioridade do Espírito, pois somente expia aquele que errou. Emmanuel, em "O Consolador", afirma que a "EXPIAÇÃO" é uma pena imposta ao malfeitor que comete um crime". Ora, aquele que destrói algo que pertence a outra pessoa, somente perdendo o que lhe pertence compreenderá o mal que seu gesto destrutivo gerou. A EXPIAÇÃO, portanto, é o primeiro passo educativo da alma, que sem o sofrimento, não compreenderia que anda por caminhos equivocados. As EXPIAÇÕES são sempre dolorosas, e estão ligadas condicionalmente a uma falta, causando o despertamento através do sofrimento correspondente, como efeito educativo. 

PROVAS
Provar significa mostrar através de atitudes que já se absorveu um conteúdo. De certo modo, cada encarnação é uma PROVA. Como na vida escolar, faz-se prova daquilo que é preciso comprovar que foi aprendido. Ela causa um grau de esforço, o que pode gerar sofrimento. As expiações, se bem vivenciadas, podem servir ao mesmo tempo de PROVA, mas uma prova não significa necessariamente ser também expiação. Depois de expiar, a alma pode pedir uma experiência que lhe dê oportunidade de mostrar que não mais incorrerá no mesmo erro. O sucesso perante a PROVA faz concluir que o Espírito já adquiriu nova virtude. Segundo Emmanuel, ainda em "O Consolador", "a PROVA é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual". Ela não está vinculada a uma falta, representa antes luta pela evolução moral.

MISSÃO
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo V, item 9, diz-se que "um Espírito querendo avançar mais, solicita uma missão, uma tarefa, pela qual será tanto ou mais recompensado, se sair vitorioso". Significa que MISSÃO é a tarefa específica a que se propõe um Espírito, com objetivo de evoluir enquanto é útil aos outros. As MISSÕES podem ser pequenas - pais, educadores, por exemplo - ou grandes - fazer descobertas científicas, levar uma sociedade a desenvolver bons valores, etc. Elas pressupõem sempre uma certa evolução no sentido da missão, são específicas, e focam no progresso algo ou alguém.
As almas na Terra ainda erram por carregarem em si imperfeições morais. Mas não basta apagar o fogo, através da EXPIAÇÃO, apagar o fogo dos sofrimentos causados pelos enganos, ferimentos, intrigas, injustiças, crimes. É preciso também PROVAR que, uma vez colocadas em situações semelhantes, já não recairão nas armadilhas das antigas tentações.

Uma vez eliminada em si a acomodação no mal, a alma distribuirá a seiva da vida em MISSÕES de Amor, e assim, como deve ser, o próximo progredirá com ela. 

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Fonte: GENESE - Grupo Espírita Nova Era, Semeando Esperança.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Razão espiritual das deficiências físicas




Razão espiritual das deficiências físicas


"Os desregramentos de qualquer expressão impõem necessidades reparadoras, que gravam nos recessos do Espírito as matrizes que organizarão as futuras engrenagens de que se utilizará a vida para realizar as suas altas finalidades."

(Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco)


Muito mais penosa pode ser a existência para aquele que traz uma deficiência física sem compreender-lhe as verdadeiras razões. Timidez e revolta, sem dúvida, pesam-lhe no coração. E é também para estes que as vozes dos espíritos superiores se dirigem, trazendo o verdadeiro sentido das palavras do Cristo:

"bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados".


Os espíritos superiores trazem no livro "Céu e Inferno", compilado por Allan Kardec, uma revelação esclarecedora sobre a causa de nossos sofrimentos: "O Espírito sofre a pena sobre a causa de nossos sofrimentos: "O Espírito sofre a pena das suas imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no mundo corporal. Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal, são consequências de nossas imperfeições, de expiações de faltas cometidas, seja na existência presente, seja nas precedentes".


Com tais esclarecimentos, começamos a entender que a pessoa nascida com uma deficiência física não é uma vítima da natureza ou do cego acaso. Pelo contrário, está recebendo a bendita oportunidade da misericórdia divina para ressarcir erros cometidos e corrigir deficiências morais arraigadas em sua alma.


Pela natureza dos sofrimentos pode-se deduzir a gravidade das faltas cometidas.


Os espíritos ainda esclarecem: 
"Pela natureza dos sofrimentos e das vicissitudes que se experimentam na vida corporal, pode-se julgar da natureza das faltas cometidas, em uma precedente existência, e das imperfeições que lhe são causa". O que significa dizer que não estamos sofrendo à toa, nem muito menos além do que, pelas irrevogáveis leis de compensação, merecemos.


Arrependimento, expiação e reparação.


Importante conceito sobre os mecanismos das leis divinas é o que os espíritos superiores nos transmitem, referindo-se às consequências de uma grave falta cometida:
 "O arrependimento é o primeiro passo para a melhoria; mas só ele não basta, é preciso, ainda, a expiação, a reparação. Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento abranda as dores da expiação, no que traz a esperança e prepara os caminhos da reabilitação. Mas unicamente a reparação pode anular o efeito, em destruindo a causa. O perdão seria uma graça e não uma anulação. O arrependimento pode ocorrer em qualquer parte e em qualquer tempo. Se é tardio, o culpado sofre por mais tempo. A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais, que são a consequência da falta cometida, seja desde a vida presente, seja, depois da morte, na vida espiritual, seja em nova existência corporal, até que os traços da falta tenham se apagado".


A necessidade de reparação do erro cometido.


Sobre essa questão de necessidade de reparação do erro cometido, por parte do espírito culpado, explica-nos Allan Kardec:

"A necessidade de reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar como sendo a verdadeira lei de reabilitação moral dos espíritos. É uma doutrina que nenhuma religião ainda proclamou. Entretanto, algumas pessoas a repelem, porque achariam mais cômodo poder apagar as suas faltas pelo simples arrependimento, que não custa senão palavras, e com a ajuda de algumas fórmulas. Permita-lhes se crerem quites: verão mais tarde, se isso lhes basta. Poder-se-ia perguntar se esse princípio não é consagrado pela lei humana, e se a justiça de Deus pode ser inferior à dos homens".

Quanto a este conceito de reparação das faltas, conclui o codificador:
"Quando essa perspectiva da reparação estiver inculcada na crença das massas, será um freio bem mais poderoso do que o do inferno e das penas eternas, porque diz respeito à atualidade da vida, e o homem compreenderá a razão de ser das circunstâncias penosas em que está colocado.


Por que algumas pessoas já nascem com deficiências físicas?


Frequentemente há quem pergunte:
Por que vemos tantas pessoas nascerem cegas, surdas, mudas ou afetadas de moléstias incuráveis, enquanto outras possuem todas as vantagens físicas? Será um efeito do acaso, ou um ato da Providência?

E o codificador do Espiritismo responde, embasado nas respostas dadas pelos espíritos superiores:
"Se fosse do acaso, a Providência não existiria. Admitida, porém, a Providência, perguntamos como se conciliam esses fatos com a sua bondade e justiça? É por falta de compreensão da causa de tais males que muitos se arrojam a acusar Deus. Compreende-se que quem se torna miserável ou enfermo, por suas imprudências ou por excessos, seja punido por onde pecou: porém, se a alma é criada ao mesmo tempo do corpo, que fez ela para merecer tais aflições, desde o seu nascimento, ou para ficar isenta delas? Se admitimos a justiça de Deus, não podemos deixar de admitir que esse efeito tem uma causa; e se esta causa não se encontra na vida presente, deve achar-se antes desta, porque em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito. Há, pois, necessidade de a alma já ter vivido, para que possa merecer uma expiação".


O Espiritismo nos dá força para suportarmos nossas vicissitudes e expiações.


Explica-nos ainda o codificador que "nem sempre uma vida penosa é expiação. Muitas vezes é prova escolhida pelo Espírito, que vê um meio de avançar mais rapidamente, conforme a coragem com que saiba suportá-la".

Os estudos espíritas nos mostram, portanto, que ao adquirirmos a convicção dessas verdades, teremos força para suportarmos as vicissitudes da vida e aceitaremos a nossa sorte, sem invejar a dos outros.


"Os contornos anatômicos da forma física, disformes ou perfeitos, longilíneos ou brevilíneos, belos ou feios, fazem parte dos estatutos educativos. Em geral, a reencarnação sistemática é sempre um curso laborioso de trabalho contra os defeitos morais preexistentes nas lições e conflitos presentes. Pormenores anatômicos imperfeitos, circunstâncias adversas, ambientes hostis, constituem, na maioria das vezes, os melhores lugares de aprendizado e redenção para aqueles que renascem."

(André Luiz / Francisco Cândido Xavier)


O raiar da compaixão
Embora ainda haja muita incompreensão e dores, afirma Liszt, estarmos próximos do que ele chama o "raiar da compaixão", em que aqueles que não se preocupam com os outros perceberão que é apenas mais prático cuidar dos menos afortunados. Qualquer parte de uma comunidade que sofre, ocasiona uma série de reações sobre a restante.

(Franz Liszt / Rosemary Brown)
Consciência Espírita


Fonte: Universo Espírita

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PROVAS VOLUNTÁRIAS. O VERDADEIRO CILÍCIO





       26.  Vós perguntais se é permitido diminuir o rigor das próprias provas. Essa questão faz lembrar estas outras: É permitido àquele que se afoga procurar se salvar? Àquele que se espetou num espinho, retirá-lo? Àquele que está doente, chamar um médico? As provas têm por finalidade exercitar a inteligência tanto quanto a paciência e a resignação; um homem pode nascer numa situação penosa e difícil, exatamente para obrigá-lo a procurar os meios de vencer as dificuldades. O mérito reside em suportar, sem lamentações, as conseqüências dos males que não se podem evitar, em perseverar na luta, em não se desesperar se não for bem-sucedido, mas não com negligência que mais seria preguiça do que virtude.

       Essa questão naturalmente nos leva a uma outra. Uma vez que Jesus disse: "Bem-aventurados os aflitos", há mérito em procurar as aflições agravando suas provas com sofrimentos voluntários? A isso responderei muito claramente: sim, há um grande mérito quando os sofrimentos e as privações têm por objetivo o bem do próximo, pois trata-se da caridade pelo sacrifício; não, quando têm por finalidade apenas o próprio bem, porque é egoísmo por fanatismo.

       Aqui há uma grande distinção a fazer, para vós, pessoalmente: contentai-vos com as provas que Deus vos envia, não aumenteis a sua carga, às vezes já tão pesada; aceitai-as sem lamentações e com fé, é tudo o que ele vos pede. Não debiliteis o vosso corpo com privações inúteis e mortificações sem objetivo, porque tendes necessidade de todas as vossas forças para realizar a vossa missão de trabalho na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente vosso corpo é transgredir a lei de Deus, que vos dá os meios de sustentá-lo e fortificá-lo; enfraquece-lo sem necessidade, é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis: essa é a lei; o abuso das melhores coisas acarreta punição por suas conseqüências inevitáveis.

       Bem diferente é o que acontece quando alguém se impõe sofrimentos para o benefício de seu próximo. Se suportais o frio e a fome para aquecer e alimentar aquele que precisa, e se o vosso corpo padece por isso, eis o sacrifício que é abençoado por Deus. Vós que deixais vossos aposentos perfumados para ir a um casebre miserável levar consolação; vós que deixais de dormir para ficar junto a um doente que apenas é vosso irmão diante de Deus; vós, enfim, que usais vossa saúde na prática das boas obras, esse é o vosso sacrifício, verdadeiro cilício abençoado, porquanto as alegrias do mundo não ressecaram o vosso coração; não vos deixastes levar pelos prazeres ilusórios da fortuna, mas vos transformastes em anjos consoladores dos pobres desvalidos.

       Mas vós, que vos retirais do mundo para evitar as suas seduções e viver no isolamento, qual a vossa utilidade na Terra? Já que fugis da luta e abandonastes o combate, onde está a vossa coragem diante das provas? Se desejais um cilício, aplicai-o em vossa alma e não em vosso corpo; mortificai o vosso espírito e não a vossa carne; castigai o vosso orgulho; recebei as humilhações sem vos lastimardes; esmagai vosso amor-próprio; tornai-vos insensíveis contra a dor da injúria e da calúnia, mais pungente que a dor corporal. Eis o verdadeiro cilício cujas feridas vos serão contadas, porque elas serão a prova da vossa coragem e da vossa submissão à vontade de Deus. (Um anjo guardião. Paris, 1863.)


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Fonte: Evangelho Segundo o Espiritismo, V. Bem-Aventurados os Aflitos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cruz de Provações


Cruz de Provações
Livro: Momentos de Felicidade
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

Anotas angustiado, as ocorrências afligentes da existência e não podes sopitar as exclamações de pessimismo, considerando-te desditoso.
Referes-te a enfermidades dilaceradoras que te alcançaram durante a existência física e arrolas os sofrimentos morais que te surpreenderam, inúmeras vezes, aturdindo-te e desencorajando-te.
Registras soledade nos momentos ásperos, como se tua vida não tivesse qualquer significado para aqueles que te cercam no grupo familiar ou social no qual te demoras.
Consideras as ingratidões que te feriram a alma, reiteradas vezes, partidas de pessoas às quais brindaste afeto, enriquecendo-lhes as horas de devotamento, de bondade e de alegria.
Muitas vezes, foste surpreendido pela calúnia infeliz que te azucrinou as horas, recebendo a bofetada do descrédito que te não poupou os valores morais íntimos.
Em outras ocasiões, foste surpreendido pela ironia de pessoas simpáticas em quem confiavas, relatando-lhes os limites e problemas, de que então se utilizaram para levar-te à praça da zombaria.
Sentes cansaço; agora acalentas o tédio, a desconfiança, entregando-te à decepção.
Reage e reflexiona com isenção de ânimo.
Esta é a tua cruz de provação.
Todas as criaturas transitam no mundo sob madeiros pesados, que lhes arrebentam as resistências, afligindo-as, amedrontando-as. Todavia, não é esta a finalidade deles, alguns invisíveis, portanto, mais dilaceradores.
Ignoras as dores ocultas do teu próximo, que se encontras atirado sobre catres misérrimos ou imobilizado por paralisias insidiosas, irrecuperáveis.
Não sabes das decepções que asfixiam os portadores do mal de Hansen, da AIDS, da decomposição orgânica em vida, nem das macerações da alma, que empurraram para os pélagos da loucura verdadeiras multidões. . .
A dor, na Terra, ainda é processo expurgador de mil delitos que não foram justiçados e de vícios hediondos que permaneceram ocultos.
A Misericórdia de Deus faculta ao Espírito calceta recuperar-se pelo sofrimento, depurar-se mediante a cruz de provações, em cujas traves reconsidera atitudes, programa atividades dignificantes, alça-se ao bem.
Assim mesmo, não são poucos aqueles que, ao invés de retemperarem o ânimo na forja da agonia, deixam-se consumir pelas chamas da revolta, que somente piora a própria situação.
Aberto à Vida está o amor. Todavia, hei-lo vilipendiado no chão da mesquinhez e na promiscuidade do primitivismo.
Possuidor dos recursos de edificação, é posto nos desvãos da delinqüência, permanecendo nos porões do vício. . .
O amor, no entanto, é o hífen de ligação do homem com seu irmão e com Deus, quando logra permear de vida aquele que se lhe permite penetrar.
Deste modo, se te sentes atado à cruz das provações dolorosas, adorna-a com as flores do amor fraterno, transformando as tuas dores em fontes de esperança em relação ao futuro.
Com resignação dinâmica, supera os momentos mais graves e alegra-te, tendo em mente que dos braços dessa cruz te alçarás mais rapidamente às elevadas esferas da libertação.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

EXPIAÇÕES E PROVAS



Sem dúvida, existem diferenças marcantes nos fatos da vida, que concernem às expiações e às provas a que estão sujeitos os encarnados na Terra.


Os pungentes sofrimentos e as profundas dores que poneiam os caminhos das criaturas, constituindo-se fatos inevitáveis, são as expiações. Eles são o processo de que se utiliza o automatismo da Lei de Justiça para promover os resgates inevitáveis dos delitos praticados por elas, contra o direito dos semelhantes, quando no pleno uso da razão e do livre-arbítrio que lhes foi concedido pela Divina Sabedoria. 

Consoante a gravidade do mal causado será a intensidade do sofrimento correspondente. Geram expiações tanto os delitos causados individualmente, como pelas coletividades, e a reincidência no crime praticado sempre agravará a intensidade da dor.

A variedade de maneiras com que são expiadas as faltas é infinita, impossível de serem enumeradas, já pela complexidade dos fatores envolvidos, já pela impossibilidade de penetrar-se a intimidade do calceta, a cujo íntimo apenas a Justiça Divina tem acesso total.

Desses sofrimentos pungentes, são exemplos a paraplegia, o mongolismo, a cegueira, a surdez, a mudez, a macrocefalia e a microcefalia, a idiotia, a hanseníase, lesões de nascença, além de outros muitos, numerosos e imperceptíveis à observação humana.

Expiar é, pois, sofrer conseqüências que permitem ao Espírito sentir, para avaliar com exatidão, a dor que infligiu aos semelhantes no passado, quando se desviou do caminho do bem, ignorando os apelos do bom senso, da lógica e da razão, para a prática da fraternidade e do amor; é a maneira de escoimar do próprio acervo os gravames que lhe impedem a felicidade, a paz e a ascensão às Esferas de Luz!

Não se trata de vingança por parte da Justiça Divina, mas de promover a sedimentação de experiências, passando pelos sofrimentos idênticos aos que provocou!

As expiações em geral são irreversíveis, e inscritas na natureza intrínseca do perispírito, para eclodirem no momento oportuno, com o surgimento da maturação conveniente.

Quando se demora entregue aos embalos das paixões, prazeres e gozos da vida material, o homem, por sua fraqueza, se deixa dominar, escravizando-se aos vícios, em suas infinitamente variadas modalidades; por isso, através das reencarnações sucessivas, deverá aplicar-se ao trabalho de dominá-los, solicitando por vezes, no estágio pré-encarnatório, durante o período da erraticidade, quando do planejamento do programa reencarnatório, limitações que lhe facilitem combater e vencer aquelas dependências.

Assim, em cada estágio na crosta planetária, viverá as condições que lhe facultem a vitória, as quais se repetirão, até que possa demonstrar amplamente haver superado aquele obstáculo à própria felicidade: isto constitui a provação. Seu objetivo é "provar" a capacidade de superação. A provação não se constitui, por essa razão, um resgate por crime, delito ou pecado praticado contra o semelhante, mas uma falta praticada contra si próprio, um desrespeito à cidadania divina outorgada ao ser pelo Criador.

O alcoolismo, a toxicomania, a gula, a cleptomania, a sensualidade degenerada, o suicídio e mais outras inúmeras modalidades de criarmos hábitos nocivos, que entenebrecem a natureza espiritual, e que nos podem escravizar, até que consigamos superá-los, constituem razões de provação nas reencarnações dos Espíritos. Outras vezes, nas provações, o que se objetiva é vencer o personalismo e a egolatria pelo exercício dos elevados atributos da alma, combatendo a vaidade e o orgulho, com a reencarnação em condição humilde na vida social da Terra.

Seria tarefa dificílima, talvez impossível, estabelecer rígidos limites, separando provações e expiações, mesmo porque, muitas vezes, numa mesma existência, a criatura concentra, em seu programa reencarnatório, as duas condições, quando se acha suficientemente fortalecida para o tentame de vencê-las ao mesmo tempo. 

A razão das expiações e das provações é sempre o estado de rebeldia, intolerância, ignorância, revolta, indiferença, negligência, má-vontade, ociosidade, comodismo etc., em que se conserva o ser humano, não compreendendo as leis que governam a vida nem a realidade que o aguarda além-túmulo.



 Oh! Insensato que reclamas por teres de caminhar sobre as urzes que tu próprio plantaste, tentando fazer da revolta e rebeldia direitos legítimos, quando nada nelas poderá mudar o destino que criaste com o livre-arbítrio, quando negligenciaste os deveres do Espírito. Os acontecimentos do destino têm todos uma razão justa e lógica, pois estão rigidamente atrelados às leis que nos governam a vida!

Quando irás abandonar os folguedos da vida material para assumires a origem divina, apanágio da natureza espiritual? Os esforços que recusas empreender agora serão exigidos mais adiante, quiçá em circunstâncias muito piores!

Perquire os refolhos da consciência com serena humildade, e ela responderá que a dor nada mais é que a alavanca do progresso! É a nossa aliada na batalha contra a inferioridade que nos oprime. Culpá-la pela desdita será o mesmo que acusar de maligno o remédio amargo que nos poderá curar as mazelas da natureza física! Olha e analisa sem complacência a intimidade da consciência, e procura descobrir as chagar purulentas da alma, que precisam ser curadas.

Aprende que na renúncia aos prazeres, paixões e gozos da vida material está a chave do céu! Silencia os impulsos inferiores do coração, entendendo que eles são o remanescente da natureza animal que ainda carregas, e que devem ser superados. Não te deixes atingir pelas farpas agudas da inconformação, da revolta e do desespero; aceita com coragem e resignação as inevitáveis conseqüências dos erros do passado.

Não te desculpes acsando o semelhante que atravessa teu caminho, por tua desdita; ele é um irmão, e, como tu, cheio de limitações e vilezas; por isso, o Criador Supremo, algumas vezes o utiliza como instrumento do teu progresso, para que exercites, à custa das suas imperfeições, os elevados atributos morais do Espírito que são: humildade, caridade, resignação, paciência, complacência, tolerância e perdão...

Homem do Mundo, por que retardas o inevitável? Não entendes que a lei do progresso é compulsória? Aperta o passo; urge sacudir a indolência! Crê, a ventura é o prêmio do esforço!

O acaso é uma palavra inventada pelos desesperançados e descrentes, para ocultar a incapacidade de compreender e a falta de humildade para aceitar o domíno exercido pelas Leis do Criador sobre todos nós. Avida é um encadeamento contínuo de causas e conseqüências. Vivamos intensamente, mas com as vistas voltadas para o Espírito, natureza eterna que anima todos nós!


(autoria de Mauro Paiva Fonseca - Revista Reformador nº 2.089, abril/2003.)