Eternidade

Eternidade
Mostrando postagens com marcador Mensagem Espírita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mensagem Espírita. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de agosto de 2024

ADVERTÊNCIA DA PAZ

 


Joanna de Ângelis (Espírito)

Agora, quando te resolveste por antecipar o desafio da evolução, sentes dificuldades estranhas a embaraçar-te as ações do bem.

Pequenos acontecimentos surgem sem lógica afligindo-te e adicionando irritabilidade no teu comportamento.

Sentes influências espirituais perniciosas que insistem em perturbar-te a casa mental, transmitindo-te mau humor.

Percebes que o teu rendimento de trabalho não é suficiente para harmonizar-te e ficas aturdido ante o volume de pequenos deveres que te exigem a atenção, roubando-te o tempo que utilizarias em mais graves cometimentos.

Observas outras pessoas, que são menos esclarecidas moral e espiritualmente e as vês alegres, joviais, aliviadas de cansaço e de tensões.

Enganas-te, no entanto, na tua observação, porquanto, a maioria é constituída por almas crucificadas nas traves de tormentos inimagináveis, e que buscam disfarçar com certa habilidade.

Os teus são compromissos especiais.

A tua história é única e estás escrevendo e reescrevendo em condições próprias conforme estabelecida.

Embora os desafios, estás desempenhando bem a tarefa na qual te encontras.

Foste preparado para este ministério de reabilitação e de construção do verdadeiro bem.

Assim, não esperes compreensão sempre, nem te acredites sempre com a razão.

Os desafios constituem fases, períodos que te cabe superar, sendo fiel à meta que deverás alcançar.

Estes são dias de redenção da Humanidade e estás inscrito a contribuir com os teus melhores recursos sem desânimo, nem amargura.

****

Nas páginas da tua história estão impressas páginas de descalabro e de aflição que impõem confronto com as suas consequências, a fim de que triunfes com mais refinamento e bênçãos.

A ignorância em torno da imortalidade responde pelo atraso espiritual do planeta neste severo período de desolação e sofrimento.

Amigos espirituais que auxiliam o progresso da sociedade utilizam-te nas realizações coletivas objetivando a paz e suas bênçãos.

Dulcifica o teu coração e mantém a tua conduta dentro das linhas austeras do pensamento cristão.

Sempre ativo, não deixes que a mente se perca em devaneios perniciosos e perturbadores!

Neste fogaréu de loucuras que tomou a Terra, há uma verdadeira multidão de servidores abnegados, que laboram em favor do futuro: são os obreiros do Senhor!

Ele prometeu estar sempre conosco e jamais nos deixa a sós.

Nenhum mal te aflija e o sabor da caridade adoce o teu espírito nos momentos mais difíceis e graves.

****

Há blasfêmia em quase toda parte, revolta e desespero.

Mas também além das nuvens carregadas brilha o Sol e o Infinito encanta.

Dá-me tua mão e avancemos com Jesus.


(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, em 4 de março de 2024, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador - BA)


Fonte: Revista Reformador - agosto/2024

domingo, 6 de dezembro de 2020

NAS VIBRAÇÕES DO ORGULHO

 

"Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." (Lucas, 14:11.)

 Maria Emília sempre foi uma servidora dedicada da Casa Espírita. Com grande habilidade para organizar eventos e administrar recursos, ela foi se destacando como uma notável líder.

Em poucos anos, a colaboradora fiel se tornou presidente do Centro e, logo no início de sua gestão, já se percebia melhorias em alguns setores, especialmente na instituição que acolhia moradores de rua da comunidade. O prédio foi reformado e os atendidos puderam ter acesso a serviços médicos, refeição de qualidade, assim como mais conforto nas dependências da instituição.

O trabalho de Maria Emília perante a instituição, sem dúvida, é digno de mérito e beneficia centenas de pessoas. Mas, paralelo à sua brilhante atuação na senda do bem, os confrades mais próximos começaram a perceber nela traços de intolerância. Ocorrências infelizes em determinados eventos se tornaram mais frequentes: uma palavra ríspida aqui, a postura arrogante acolá, além do triste hábito de valorizar as fofocas e justificar suas decisões e atos como sendo instruções e atos como sendo instruções espirituais.

 A conduta autoritária que a líder espírita passou a exibir é um exemplo claro da vaidade e do orgulho, ainda muito presentes nas casas espíritas. O médium vaidoso trabalha nas vibrações do ego e, não raro, é assediado por entidades enfermiças, puramente interessadas em colocar a perder as tarefas e a união de todo o grupo.

O orgulhoso não aceita críticas, despreza o valor alheio e tiraniza a si próprio nos meandros da culpa, já que possui crenças baseadas no perfeccionismo que o oprime. Tornando-se arrogante, ele afasta as pessoas, pois em sua ilusão se crê autossuficiente e só consegue ouvir aquilo que lhe convém.

O livro dos médiuns alerta:

Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns [...].¹

E o Evangelho,² a seu turno, cita o princípio da reencarnação como fator aniquilante do orgulho e da vaidade, pois, aquele que ocupa elevada posição em uma existência, na outra poderá se curvar à condição mais humilhante.

Dessa forma, é imperioso que priorizemos o trabalho na Casa Espírita. Repudiemos as interferências do egoísmo e do orgulho, para que a palavra dos Espíritos Superiores nos chegue pura, isenta de qualquer alteração.  

 

¹ KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. cap. 20, it. 228.

² _________,  O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7, it. 6,11 e 12

Fonte: Reformador, junho/2016. 

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Com os joelhos desconjuntados

 

O serviço do Bem não pode cessar, seja qual for a justificativa.

Comprometidos com a Causa do Cristo, nada nos deve constituir motivo de impedimento para prosseguir atendendo ao programa elaborado.

Os benfeitores espirituais organizadores das atividades imortalistas que a todos dizem respeito estabelecem os roteiros de ação com as minudências indispensáveis, incluindo a cooperação da equipe reencarnada.

Certamente surgem imprevistos de vária ordem que têm o objetivo de perturbar ou mesmo impedir a realização dos compromissos firmados. Indispensável que a vigilância do membro do grupo permaneça alerta, a fim de não ser afastado do labor, ou mesmo quando se faça presente, em razão da sua indisciplina, não ser utilizado, em razão de não se encontrar nas condições necessárias ao êxito do cometimento.

As atividades mediúnicas movimentam-se em ambas as faixas da existência, física e espiritual.

Merece acrescentar que entidades perversas, habilitadas nos expedientes do mal, movimentam-se com afinco para interromper ou desestruturar o esforço que tem significado edificante e profundo.

Sempre ativas, provocam situações graves e geram perturbações envolvendo os membros humanos das reuniões mediúnicas, tornando-os indispostos para a sua luminosa execução.

Enfermidades inesperadas, visitas não programadas, confusões domésticas e afetivas entre influências doentias são, invariavelmente, recursos de que se utilizam para indispor aqueles que fazem parte dos magnos trabalhos com os quais estão comprometidos.

Mente clara e sentimentos calmos fazem parte da contribuição indispensável de cada cooperador, assim propiciando campo especial para as comunicações e terapias próprias e socorristas.

Busque-se observar se o fenômeno desafiador se manifesta com frequência nos dias reservados e constatar-se-á como é bem planejada a dificuldade, produzindo indisposição ou insatisfação durante as operações iluminativas.

Sem dúvida, os Espíritos que se comprazem nas lamentáveis obsessões e geram problemas são muito hábeis e agem conscientemente, utilizando-se dos pontos vulneráveis dos servidores, que são atacados e induzidos a pensamentos nefastos.

A reunião mediúnica é a porta de acesso à comunicação com os desencarnados, portanto, de alta importância nas programações do Espiritismo. Ao mesmo tempo é a caridade de iluminação, produzindo terapêuticas preventivas e curadoras naqueles que a constituem.

Admoestamos os voluntários e responsáveis pelos trabalhos mediúnicos para que se não descurem das responsabilidades especiais, respirando o clima psíquico que os precede, de forma que a psicosfera ambiental os facilite.

Em qualquer atividade, sempre se tem a preocupação de a programar, cuidar dos procedimentos que lhe dizem respeito, a fim de que o seu desempenho seja rigorosamente dentro dos parâmetros estabelecidos.

Aos médiuns cabe o dever de cuidar das paisagens mentais, evitando quanto possível intoxicações emocionais com os painéis habituais da insensatez e infantilidade.

O médium não o é apenas durante as reuniões, mas por todo o tempo, pois que é uma faculdade orgânica, funcionando em todos os momentos e sintonizando com as imagens interiores que lhe são habituais.

O resultado que se recolhe, quando há disciplina e harmonia entre os seus membros encarnados, é decorrência dessa perfeita identificação com o esforço dos benfeitores espirituais que elaboram a programação, e dos reencarnados que lhe são coprodutores.

Nas ocasiões em que o companheiro se encontre açodado pela interferência inferior, não deve desanimar nem buscar evitar a sua participação. Se isto acontecer e surgir a tentação para omitir-se, por considerar-se não estar em condições de auxiliar, deve-se ter cuidado porque pode ser o início de perigosa responsabilidade, conduzindo a futuro abandono do compromisso e até mesmo a transtorno obsessivo.

Quando tal ocorrer, e isso se dará diversas vezes, deve-se direcionar o pensamento ao Senhor Jesus e orar com sinceridade, solicitando amparo ao guia espiritual, a fim de ser auxiliado para conseguir a mudança mental, assim como o prazer de servir.

A assiduidade é fundamental ao bom êxito das atividades espirituais e ao exercício correto da mediunidade, mantendo-se a cooperação em favor do próximo, de modo a ser responsável pela sessão mediúnica séria.

Evitem-se a crítica negativa, os comentários desnecessários e desairosos, tendo-se em vista que os mentores lamentam as ocorrências censuráveis, mas compreendem que estão trabalhando com pessoas em diferentes estágios de evolução, portanto, ainda imperfeitas.

Será mediante o auxílio recíproco que haverá o progresso, constituindo-se bênção superior da vida, com que os céus socorrem a Terra aflita e necessitada.

Desse modo, mesmo que se esteja com os joelhos desconjuntados, como afirmava o Apóstolo Paulo, o serviço de amor nas reuniões mediúnicas tem prioridade, invitando o médium a que sirva, insista e invista no dever que lhe diz respeito.

A mediunidade constitui bênção do processo da evolução, facultando a aquisição desse sentido superior, mediante o qual o Mundo Espiritual se comunicará com mais facilidade com a esfera física.

 Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 30
de dezembro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção,
Salvador, Bahia.
Em 24.7.2020.



 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Reflexões

 

 

Joanna de Ângelis (Espírito)

Antes de iniciar-se o processo de tua reencarnação, estabeleceste condições delicadas e de alta significação para o teu êxito na Terra, e, considerando-se as graves responsabilidades que te seriam outorgadas, desfrutas as bênçãos da anuência divina.

Reflexiona com cuidado, realizando comparações com outras experiências humanas de viandantes do mesmo caminho ao teu lado.

Desejaste um corpo saudável, harmônico, possuidor de campos vibratórios produtores de simpatia e o conseguiste.

Anelaste por um lar saudável para renascer, onde fossem possíveis a compreensão e a fraternidade, e conseguiste um ninho doméstico, no qual os deveres e os sentimentos emocionais poderiam exteriorizar-se com naturalidade.

Necessitaste de uma educação e uma instrução compatíveis com o processo de evolução da Humanidade, e foste aquinhoado com a bênção programada.

Chegaste à idade adulta, experienciando os favores juvenis e desfrutaste das alegrias compatíveis com as circunstâncias da época.

Pretendias construir uma família, na qual o equilíbrio se caracterizasse pelas concessões dos anjos protetores e foste beneficiado com “os rebentos” da carne que enfloram a família.

Atravessaste a floresta da convivência social com recursos e instrumentos próprios para uma existência feliz.

Foram equacionados desafios complexos e dificuldades que remanesciam no quadro da reencarnação; para tanto, encontraste solução própria sem deixar no passado um saldo de misérias de quaisquer denominações.

A fé religiosa chegou-te canora e instalou-se na harpa dos teus sentimentos e inteligência, por meio de almas abnegadas, mansas, que te fascinam, e aprendeste a conversar com Deus.

Toda vez, quando as preocupações se tornaram graves, no momento adequado recebeste o auxílio do Alto, quase inesperado, mantendo-te no ritmo do trabalho e no labor dignificante.

Pudeste superar armadilhas de inimigos que te não perdoam o progresso que conseguiste, sem maior soma de sacrifícios.

Encontraste abertas as portas da edificação da Humanidade e estás em campo, qual habilidoso lutador que não teme os combates.

Concomitantemente, os instrumentos com que foste equipado para o triunfo existencial tornaram-se perigosos recursos que também atraíram presenças perigosas, semelhantes à flor fascinante e perfumada que, mediante esses tesouros é atacada ferozmente pelos inimigos naturais.

Titubeaste, vezes, sem conta, em razão da afetividade tumultuada pelo prazer superficial do novo e do diferente, tornando- -se necessária a interferência dos teus guias espirituais que ajudaram a deslindar-te da hipnose devastadora, que poderia destruir os belos planos transcendentais…

Felizmente estás desperto para os deveres mais elevados, a fim de os atender com todos esses recursos com que estás aquinhoado.

Saíste de situações embaraçosas que iriam tragar-te, lançando-te no abismo da sua perversa atração. Conseguiste perceber a tempo a cilada espiritual que te estava expondo à perda da oportunidade ímpar.

Mantém-te vigilante e cuidadoso, não permitindo que novas fascinações te arrebatem as emoções anunciando prazeres, que já conheces, mas que a vulgaridade do momento transforma em projeção social e alucinação nos relacionamentos sociais e morais.

A felicidade não ergue o seu edifício de paz sobre os escombros daqueles que foram derrubados.

Não se pode navegar com sorrisos, na barca da ilusão, sobre a torrente das lágrimas alheias de que se faz responsável.

A alegria somente é verdadeira, quando as suas nascentes não são as mesmas dos minadouros do sofrimento de outrem,

Quando as criaturas humanas compreenderem que a renúncia em benefício de alguém é conquista de alto preço, os rumos da sociedade serão muito diversos destes que vêm sendo percorridos.

Porque tal conduta ainda não foi conseguida, as enfermidades cruéis e dilaceradoras se encarregam de mudar as faces da beleza, da juventude e do encanto de um momento para o outro.

Não contes sempre com a aparência, que se altera a cada instante e joga para fora as aflições asfixiadas no oceano íntimo das necessidades reais ou imaginárias.

Sempre se considera a feiura, a dor, a ausência de recursos financeiros, a solidão, o abandono como provações ultrizes, com o que anuímos seguramente. Entretanto, é de considerar-se que tudo de bom que se recebe da Vida, na condição de empréstimo para a vitória, também é de caráter provacional, exatamente pelas facilidades que proporciona e os comprometimentos graves e infelizes a que dão lugar depois do seu mau uso.

O dinheiro, tão disputado, é um artefato muito perigoso, porque, se favorece a prática do bem, também empurra a comportamentos nos escusos campos da desgraça moral e de outros aspectos.

A beleza é uma concessão cheia de gravames, porque, se não se apoia em elementos interiores de expressões morais, torna-se portadora de tragédia como a da Medusa…

A saúde é patrimônio sublime que deve ser preservada, porque também é transitória, e quando escasseia torna-se um tormento sem nome.

Reflexiona, pois, em tudo com que tens sido aquinhoado e abençoa as tuas horas com respostas de amor e de caridade, assinalando a tua passagem no mundo com a gratidão e a ternura.

Se renasceste com deficiência desses recursos a que nos referimos, oh! agradece a Deus o corpo desfigurado, os problemas complexos e inibidores, as decepções sofridas e o descaso experimentado, porque lograrás ser um herói, vencendo- -te a ti mesmo pela glória da imortalidade em plenitude.

Reflexiona sempre, coração amigo, na alegria ou na dor, porque Deus está sempre contigo.

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 13 de maio de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.)

domingo, 16 de junho de 2019

O auxílio do Alto


O  AUXÍLIO DO ALTO

O Ser Humano evoca o auxílio da Espiritualidade Superior em seus momentos de dificuldade. Cada qual a seu modo e segundo a crença ora, buscando merecer a misericórdia divina para se livrar do mal e de suas próprias e assumidas tentações. Mas nem sempre, ou melhor dizendo, quase nunca, se apercebe auxiliado. Aquele que pretendia um resultado iminente não associa seu pedido ao atendimento que tardou. Outro nada faz por merecer ou insiste num pedido cuja satisfação lhe será prejudicial ao desenvolvimento espiritual, e quando recebe dádiva diferente não consegue associá-la às súplicas.

De qualquer sorte, todos os que o fazem estão convictos a respeito da intervenção dos Espíritos porque, do contrário, seria assumir uma estultice. Essa convicção resulta do conhecimento, ainda que incipiente dos informes transmitidos pelos profetas, contidos na Bíblia, especialmente em o Novo Testamento. Alguns exemplos: 1 – a volta de Elias foi anunciada por um “anjo” que disse a Zacarias: “não temas, porque tua oração foi ouvida e Izabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. […] e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias” (Lucas, 1:11 a 13); 2 – outro “anjo” aconselhou o centurião Cornélio a mandar chamar a Pedro para um auxílio de urgência: “Agora, pois, envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro. Este está com um certo Simão, o curtidor, que tem a sua casa junto do mar. Ele te dirá o que deves fazer” (Atos, 10:20 e 21). Recordemos que neste caso, o beneficiado deixou claro que o mensageiro espiritual era “um varão com vestes resplandecentes”, de sorte que não poderia ser confundido com um encarnado; 3 – o apóstolo Pedro livrou-se das correntes e da prisão também graças a um “anjo”. O episódio é narrado em Atos, 12:7 e 8), com detalhes. “E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro no lado, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! E caíram-lhe das mãos as cadeias. E disse-lhe o anjo: cinge-te e ata as tuas sandálias. E ele o fez assim. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me”.

Inumeráveis foram as incursões de pesquisadores ao longo dos séculos para descortinar a verdade que se ocultava – e ainda se pretende manter obscurecida – acerca desses “anjos” e sobre suas atribuições junto aos que jazem prisioneiros do corpo físico. O Consolador prometido por Jesus abriu o leque do conhecimento, já no primeiro livro editado por Allan Kardec, em 18 de abril de 1857. Em O Livro dos Espíritos, de acesso fácil a todos os níveis de intelectualidade, encontram-se explicações irrefutáveis fornecidas pelas entidades espirituais que amorosa e pacientemente responderam às indagações do Codificador, qual se vê no Capítulo 9, primeira e segunda partes (perguntas 456 a 472).

Outras tantas fontes de conhecimento sobre o Mundo Espiritual espocaram em várias partes do Planeta, ratificando as experiências e as teorias. Mas foi com a colaboração do Espírito André Luiz, através da mediunidade do incansável Chico Xavier, que essa realidade despertou as mentes mais resistentes. Do conjunto de sua magnifica obra doutrinária complementar, prenhe de explicações científicas para cada caso examinado, extraímos exemplos marcantes que bem elucidam o presente estudo.

Em Os Mensageiros há referência expressa a serviços específicos para atendimento e encaminhamento de Espíritos necessitados, os quais contam com garantias institucionais e sistema hierárquico para cumprimento dos projetos divinos em face das criaturas. Também aponta uma ocorrência tipicamente humana, da qual os prestimosos socorristas extraíram essa preciosa lição: “…um homem jazia por terra, numa poça de sangue, ao lado de pequeno veículo sustentado por um muar impaciente, dando mostras de grande inquietação. Dois companheiros encarnados prestavam socorro ao ferido, apressadamente [..]. O número de desencarnados que auxiliava o pequeno grupo, todavia, era muito grande. Um amigo espiritual que me pareceu o chefe, naquela aglomeração, recebeu Aniceto e a nós com deferência e simpatia, explicou rapidamente a ocorrência. O carroceiro havia recebido a patada de um burro e era necessário socorrer o ferido. Serenada a situação, vi o referido superior hierárquico chamar um guarda do caminho, interpelando: – Glicério, como permitiu semelhante acontecimento? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade direta. O subordinado, respeitoso, considerou sensatamente: – Fiz o possível por salvar este homem, que, aliás, é um pobre pai de família. Meus esforços foram improfícuos, pela imprudência dele. Há muito procuro cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui; entretanto, o infeliz não tem o mínimo de respeito pelos dons naturais de Deus. É de uma grosseria inominável para com os animais que o auxiliam a ganhar o pão. Não sabe senão gritar, encolerizar-se, surrar e ferir. Tem a mente fechada às sugestões do agradecimento. Não estima senão a praga e o chicote. Hoje, tanto perturbou o pobre muar que o ajuda, tanto o castigou, que pareceu mais animalizado… Quando se tornou quase irracional, pelo excesso de fúria e ingratidão, meu auxílio espiritual se tornou ineficiente. Atormentado pelas descargas de cólera do condutor, o burro humilde o atacou com a pata. Que fazer? Minha obrigação foi cumprida…”

A par da lição sobre o desequilíbrio humano diante dos fatos da vida, em prejuízo do auxílio espiritual, avulta a convicção de que todas as criaturas são assistidas em suas necessidades, por obreiros espirituais que cumprem os deveres que lhe estão afetos, não importa onde. Se numa estrada erma de um lugar distante, em condições precárias de atendimento médico há Espíritos encarregados de assistir aos poucos encarnados que por ali passavam, é intuitivo que em logradouros de maior movimento haja grupos socorristas mais amplos fazendo o que esteja ao seu alcance para atender a todas as ocorrências e mesmo para evitá-las, quando possível.

Sim, evitar é possível, tanto que as condições sejam favoráveis. Há incontáveis situações concretas em que alguém se viu impedido, em virtude de incidentes muitas vezes inexplicáveis, de embarcar num avião que findou por se acidentar, matando todos os ocupantes, ou num navio que foi a pique, levando para o fundo do mar centenas de corpos de passageiros e tripulantes. Em No Mundo Maior, o mesmo autor espiritual revela a intervenção do Espírito Calderaro para impedir o suicídio de uma jovem chamada Antonina (Cap. 13), ocorrência essa semelhante àquela que se dá na ambiência física quando alguém interfere com ascendência moral diante da tortura íntima de outrem. Certo é que ninguém é órfão do amparo divino, o qual se efetiva em benefício da criatura através das entidades espirituais, hoje e sempre, em toda parte.

As questões acima têm a ver com a sintonia que se estabelece entre as entidades espirituais – sempre atentas – e o assistido encarnado; com o grau de necessidade da experiência para o desenvolvimento espiritual do encarnado, segundo seja o seu plano de vida adrede traçado; e também com os méritos adquiridos nessa romagem. O carroceiro do exemplo acima não foi capaz de sintonizar mentalmente o auxiliar espiritual e merecia a corrigenda para passar a valorizar o colaborador irracional, enquanto Antonina, que muito fez em benefício da genitora e de sua irmã, registrou plenamente os conselhos do instrutor Calderaro e de outros que acompanharam esse atendimento durante seu sono noturno.
A prece e a disciplina em busca do equilíbrio individual constituem os melhores meios para se obter essa sintonia. Mas haveremos de nos vigiar para que nossos pensamentos e obras sejam dignos dessa sintonia.

Marcus Vinicius

FONTES:
O Reformador – janeiro 2014.
Kardec, Allan – O Livro dos espíritos – Trad. Herculano Pires – Lake, 66ª edição, págs. 182/185.
André Luiz – psicografia de Chico Xavier – OS Mensageiros – FEB – 35ª edição, págs. 214/218.
Idem, No mundo maior – FEB – 23ª edição, págs. 219/232.

Fonte: Centro Espírita Caminho da Paz

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Espinheiros



O cristão é um combatente ativo.
Despertando no campo do Senhor, aturde-se-lhe a visão com a amplitude e complexidade do trabalho.
Dificuldades, tropeços, cipoais, ervas daninhas…
E o Evangelho, com propriedades de conceituação, elucida que não se pode vindimar nos espinheiros.
Entretanto, teria Jesus assumido a paternidade de semelhante afirmativa para que cruzemos os braços em falsa beatitude?
Se o terreno permanece absorvido pelos abrolhos, o discípulo recebeu inúmeras ferramentas do Mestre dos mestres.
Indispensável, pois, enfrentar o serviço.
O Cristo encarou, face a face, o sacrifício pela Humanidade inteira.
Será a existência de alguns espinheiros a causa de nossos obstáculos insuperáveis?
Não. Se hoje é impossível a vindima, ataquemos o chão duro. Lavremos o solo árido. Adubemos com suor e lágrimas.
Haverá sempre chuvas fecundantes do Céu ou generosos mananciais da Terra, abençoando-nos o esforço.
A Divina Providência reside em toda parte.
Não olvidemos o imperativo do trabalho e, depois, em lugar dos abrolhos, colheremos o fruto suave e doce da videira.


Fonte: XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 1. ed. 11. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 121.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

União




ANTE o mundo moderno, em doloroso e acelerado processo de transição, procuremos em Cristo Jesus o clima de nossa reconstrução espiritual para a Vida Eterna.

Multipliquemos as assembléias cristãs, quais a desta noite, em que elevamos o coração ao altar da fé renovadora.

Em torno de nossas atividades religiosas, temos a paisagem de há quase dois mil anos...
Profundas transformações políticas assinalam o cominho das nações, asfixiantes dificuldades pesam sobre os interesses coletivos, em toda a comunidade planetária, e, cima de tudo, lavra a discórdia, em toda parte, desintegrando o idealismo santificante.

Este é o plano a que os nossos discípulos são chamados.
O momento, por isto mesmo, é de luz para as trevas, amor para o ódio, esclarecimento para a ignorância, bom ânimo para o desalento.

Não bastará, portanto, a movimentação verbalística.
Não prevalece a plataforma doutrinária tão somente.


Imprescindível renovar o coração, convertendo-o em vaso de graças divinas para a extensão das dádivas recebidas.
Espiritismo, na condição de mera fenomenologia, é simples indagação. Indispensável reconhecer, entretanto, que as respostas do Céu às perquirições da Terra nunca faltaram.
A Grandeza Divina absorve a pequenez humana em todos os ângulos de nossa jornada evolutiva.

Edificar um castelo teórico ou dogmático, onde a mente repouse à distância da luta constitui apenas fuga aos problemas – evasão delituosa de quem recebeu do Alto os dons sublimes do conhecimento para que a Benção do Senhor se comunique a todos os homens.

Esta, razão que nos compete ao chamamento novo.
A morte do corpo não nos desvenda os gozos do paraíso, nem nos arrebata aos tormentos do inferno.
Nós, os desencarnados, somos também criaturas humanas em diferentes círculos vibratórios, tão necessitados de aplicação do Evangelho Redentor, quanto os companheiros que marcham pelo roteiro carnal.

A sepultura não é milagroso acesso às zonas de luz integral ou da sombra completa. Somos defrontados por novas modalidades da Divina Sabedoria a se traduzirem por mistérios mais altos.
Transformemo-nos, meus amigos, naquelas “cartas vivas” do Mestre dos Mestres a que o Apóstolo Paulo se refere em suas advertências imortais.

Indaguemos, estudemos, movimentemo-nos na esfera científica e filosófica, todavia, não nos esquecemos do “amemo-nos uns aos outros” como o Senhor nos amou. Sem amor, os mais alucinantes oráculos são igualmente aquele “sino que tange” sem resultados práticos para as nossas necessidade espirituais.
Não valem divergências da interpretação nos setores da fé.
Estamos distantes da época em que os filhos da Terra se dirigirão ao Pai com idêntica linguagem, porquanto, para isto, seria indispensável a sintonia absoluta entre nós outros e o Celeste Embaixador das Boas Novas da Salvação.

Reveste-se a hora atual de nuvens ameaçadoras.
Não no iludamos . O amor ilumina a justiça, mas, a justiça é à base da Lei Misericordiosa.
O mundo atormentado atravessa angustioso período de aferição.
Irmanemo-nos, desse modo, em Jesus, para que a tormenta não nos colha, de surpresa, o coração.

Abracemos-nos na obra redentora a derrubar as fronteiras que separam os templos veneráveis uns aos outros.
Nossa época é de ascensão do homem à estratosfera, de intercâmbio fácil das nações e de avanço da medicina em todas as frentes, contudo, é também de lágrimas, reajustamento e luta.
Entrelacemos as mãos, no testemunho da luz e da paz que nos felicitam.
Lembremo-nos de que somos os herdeiros diretos da confiança e do amor daqueles que tombaram nos circos do martírio pro trezentos anos consecutivos.

Espiritismo sem Evangelho é apenas sistematização de idéias para transposição da atividade mental, sem maior eficiência na construção do porvir humano.
 


Trabalharemos, entretanto, quanto estiver ao nosso alcance, a fim de que o cristianismo redivivo prevaleça entre nós constitua patrimônio indesejável e inútil e para que, unidos fraternalmente, sejamos colaboradores sinceros do Mestre, sem esquecer-lhe as sagradas palavras: _ “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”


Obra: Doutrina e Aplicação, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier