Eternidade
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sábado, 6 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Aprendendo a Volitar
Levitação é o ato de levantar um corpo pelo simples poder da vontade; talvez possamos encontrar alguém que, por si mesmo, num fenômeno anímico, se eleve no espaço; mas, geralmente, a levitação é um fenômeno de efeito físico, produzido por Espíritos com a utilização do ectoplasma de um médium.
Volitação é a faculdade própria que permite ao espírito transportar-se, via aérea, de um lado para outro, pelo poder da vontade, sem o auxílio de qualquer veículo. É o próprio espírito, encarnado ou não, movimentando seu perispírito.
Não encontraremos os termos levitação ou volitação em O Livro dos Espíritos nem em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
Mas, sobre a levitação, poderemos consultar na Revista Espírita, de fevereiro de 1858, o artigo "O Isolamento dos Corpos Pesados", em que se relata o fato de uma mesa de cem quilos "librando-se no espaço sem nenhum apoio"; e nos meses de março e abril, do mesmo ano, sob o título Home, temos a explicação do modus operandi dos Espíritos para produzirem fenômenos assim; e, ainda, no mês de fevereiro de 1861, o artigo denominado "O Sr. Squire", sobre médium que produzia fenômenos similares ao de Home.
Quanto à volitação dos Espíritos, mesmo os inferiores, temos o capítulo 17 do livro de André Luiz, No Mundo Maior, psicografado por Francisco C. Xavier.
Recordadas estas noções, entremos na narrativa do que me ocorreu, certa vez, estando em desdobramento pelo sono, na condição, portanto, de espírito momentaneamente liberto do corpo físico, conquanto ainda ligado a ele por cordões fluídicos. Foi um sonho espírita, uma experiência vivida no campo espiritual, de que consegui guardar a recordação, por se tratar de um fato importante para mim.
Vi-me em residência modesta, inteiramente tomada por um grupo de pessoas em alegria comedida, parecendo uma dessas nossas festas familiares, como aqui na Terra.
Em dado momento, dois jovens se aproximaram de mim, me ladearam, e nos dirigimos os três para fora da casa. Ali, eles me apoiaram pelos cotovelos e levitamos, alçamos voo.
Eu já me sentira flutuar no espaço, outras vezes, mas em decúbito dorsal e seguida ou perseguida por pessoas que não volitavam e, estendendo suas mãos, tentavam me alcançar, sem no entanto o conseguirem nunca.
Agora, porém, amparada por aqueles dois amigos espirituais eu volitava em posição vertical, como normalmente caminhamos pelas ruas.
A certo omento, os meus amparadores me liberaram e eu me senti capaz de continuar volitando por mim mesma, o que me dava grande sensação de autonomia e bem-estar.
Assim que me vi liberada, veio-me a vontade de me dirigir a um local, que certamente eu conhecia e queria visitar em primeiro lugar, nessa minha excursão pelo espaço.
E vi-me sobrevoando uma casa térrea, com um longo quintal em que estava plantado um milharal já sem viço, restando apenas espigas fanadas.
Ao lado do milharal, duas crianças brincavam: uma menina loira, que parecia ter cerca de oito anos, e um menino moreno, menor do que ela. Eles me viram e ficaram alegres, mas logo a menina correu para o interior da casa, a fim de avisar os moradores da minha chegada, sendo seguida pelo menino.
E eu, então, me preocupei: Como é que se desce? É a primeira vez que volito assim... Que devo fazer? Porém, a chegada ao solo e o reequilíbrio do corpo perispiritual foi relativamente fácil.
Depois, de nada mais recordo. Tudo se apagou para a minha memória.
Sim, sem dúvida, foi um sonho espírita, a lembrança de uma vivência espiritual, enquanto o corpo dormia. Mas que importância teria o episódio? Que entender de todo o acontecido?
Ficou evidente que precisei de ajuda espiritual para aprender a volitar com equilíbrio e autonomia, ajuda que os dois amigos do Além me prestaram, ensinando-me o que fazer, como agir.
A casa que me apressei em visitar era, certamente, residência de familiares ou amigos, encarnados aqui em nosso mundo, que, naquele momento, estariam em condições de convivência espiritual comigo, por se encontrarem também em desdobramento pelo sono.
As crianças, porém, penso que se tratava de Espíritos queridos, que ainda se encontravam no Além, desencarnados, mas que tinham relação conosco, faziam parte de nossa família espiritual, como no futuro se comprovou.
Isto porque, alguns anos passados depois deste "sonho", meu irmão enviuvou e voltou a morar conosco. Era pai de uma menina loira e de um menino moreno, que chegaram até nós, na condição de sobrinhos e completaram nosso grupo familiar. Atualmente, já estão adultos e casados, cada qual com a pessoa escolhida pelo seu coração.
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Fonte: Therezinha de Oliveira. Coisas que Eu não Esqueci Porque me Ensinaram Muito. Págs. 91 - 95. Editora Allan Kardec.. 2010
quarta-feira, 5 de março de 2014
A intervenção dos Espíritos
O Homem é um pequeno mundo que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo.
O homem é formado por matéria e espírito.
O Espírito é o ser principal, a razão, a inteligência; o corpo é envoltório de matéria que reveste, temporariamente, o espírito para o cumprimento de sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário à sua evolução, ao seu adiantamento.
O corpo, usado, se destrói, o espírito sobrevive à sua destruição. O corpo sem o espírito não é senão matéria. O espírito sem corpo reentra no mundo espiritual de onde saiu para o reencarne.
Ensina o Espiritismo que os homens que viveram na Terra, ao deixarem o corpo físico através da morte, continuam a viver em um outro plano, chamado mundo espiritual. Quando passam para este plano da vida, levam consigo o que tiverem acumulado de virtudes e defeitos, todos, adquiridos durante a existência material, ou seja, a encarnação. Os homens bons trazem consigo a caridade que praticavam, a paz de espírito e a benevolência. Vivem em lugar feliz e trabalham constantemente pelo progresso do Planeta.
Já os homens que, quando encarnados viveram nas sendas do mal, levam para o plano espiritual as más tendências. Continuam suas atividades perniciosas, inspirando-nos todos os vícios e defeitos a que ainda estão apegados. Estes são os que podemos chamar de espíritos maus, nocivos, pois que são absolutamente perniciosos. Não podemos atribuir a Deus estas ações, pois que não se admitiria esta consciência da divindade. Uma concepção de divindade punitiva, carrasco, cruel, tende hoje a desaparecer por que todos, pelo menos os que já temos uma noção dos ensinamentos dos espíritos, sabemos que Deus é bom e justo. Assim, jamais ele estaria envolvido com ações más, perversas ou de qualquer meio ilícito e nocivo.
A maioria dos espíritos que povoam a terra, tanto no estado errante, desencarnados, quanto os encarnados, compõe-se de espíritos imperfeitos, que fazem mais o mal que o bem. Daí a predominância do mal na Terra.
Temos, portanto, o mundo corporal, composto de espíritos encarnados, e o mundo espiritual, composto de espíritos desencarnados.
O homem, por ser composto de matéria, está ligado a Terra; e o Espírito, por sua natureza fluídica, está em toda parte, percorre distâncias enormes com a rapidez do pensamento.
A morte do corpo é a ruptura dos laços que unem corpo a espírito.
Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas com aptidões para tudo conhecer e progredir, dependendo de seu livre arbítrio, de seu próprio trabalho, razão porque tantos somos diferentes uns dos outros. Em nossas reencarnações sucessivas, através do livre arbítrio, da própria vontade. Uns realizam mais rapidamente suas necessidades de progresso, cumprindo as leis naturais, as leis morais da vida, adquirindo uma maior gama de conhecimentos e aprendizado.Outros, também em razão de seu livre arbítrio, vivem “adiando” suas necessidades de trabalho e vivência de melhoramento espiritual-moral, deixando tudo para depois, o que lhes é permitido, entretanto não é recomendável. Desta forma, uns evoluem mais rapidamente e outros permanecem na ignorância por mais tempo.
A falta de vigilância, certamente, é um dos fatores mais sérios e que mais nos atrasam a caminhada, pois que na maior parte das vezes, esta invigilância é que nos faz permitir as influenciações negativas daqueles espíritos errantes que estão procurando apenas uma brecha, uma passagem, uma ação ou pensamento, para se utilizarem de nós e assim satisfazer suas necessidades maléficas.
A felicidade está na razão do progresso alcançado. Os que deixam para depois, adiando a prática do bem, da caridade, do trabalho, do amor ao próximo e as demais leis divinas ou naturais, estes, certamente são mais infelizes e se mantêm na ignorância por mais tempo.
Aí já podemos entender, perfeitamente, o porquê de embora criados simples e ignorantes, uns já se adiantaram no progresso e outros estão ainda muito atrasados.
A compreensão da influência que os Espíritos Desencarnados exercem sobre os Espíritos Encarnados, passa, inicialmente pelo entendimento de que há espíritos mais e menos evoluídos.
Sabemos que estamos constantemente rodeados por Espíritos que nos vêem, ouvem e conhecem nossos pensamentos e até nossos desejos mais íntimos. Quando nos acreditamos sós sempre estamos acompanhados por Espíritos e, com freqüência, somos influenciados por eles através de nosso pensamento.
A interação que existe entre encarnados e desencarnados, muito especialmente daqueles que praticam o mal, é nítida e não nos deixa dúvidas de sua existência.
Já na Bíblia, em Mt.16. 15-17, Jesus pergunta: -“Vós quem dizeis quem eu sou?”
Pedro responde:- “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”.
Para esta resposta Pedro entrou em sintonia com o mundo espiritual, mais precisamente com Deus, como esclarece Jesus no Vs. 17 quando diz:
-“Tu não revelaste a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus”.
Ainda em Mateus, 16.21-23, pouco tempo depois, o mesmo Pedro teve a influenciação espiritual dos maus espírito e Jesus o repreendeu dizendo “Para traz Satanás”. Pedro que recebera há pouco a influência de Deus, por não saber discernir a informação do bem ou do mal, tinha a propensão de ligar-se com o inimigo pois que ainda não havia sido treinado para discernir entre as influenciações boas ou más.
Kardec, ao perguntar para os Espíritos Superiores se poderíamos ser influenciados pelos espíritos, e se eles influem diretamente em nossos pensamentos lhe foi respondido[¹]:
-“A sua influência é muito maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.”
Estas orientações nos calreiam o porquê que tantas vezes temos pensamentos duplos e contraditórios, mistura entre o nosso próprio pensamento e o do Espírito que está junto a nós. Estas distorções de pensamentos não nos são aparentes. Não percebemos nem sabemos exatamente distingui-los, mas sempre nos deixamos influenciar por sugestões que vão de encontro aos nossos anseios mais profundos.
Todos temos, desde o nosso nascimento, a proteção de espíritos amigos que nos guardam e procuram nos influenciar de forma positiva, sempre levando à pratica das leis morais de Cristo. Em contrapartida os espíritos pouco evoluídos, malévolos, os que não estão ligados às boas ações, ficam sempre prontos a aproveitar nossas más tendências, nossas más inclinações, para nos incentivar mais, nos influenciando sempre e mais para o mal.
Está claro, portanto, que nossos pensamentos dirigidos para o bem, para o bom, geralmente nos remetem a níveis também bons de energia, o que nos faz sintonizar com espíritos de semelhantes, e, sempre que lhes acatamos as sugestões, temos uma vida equilibrada e feliz; assim como nossos maus pensamentos atraem espíritos menos evoluídos e que nos influenciarão de forma negativa.
Pensamentos e prática do mal, tristezas, angústias, egoísmo, malícia, maledicência, todas estas atitudes de comportamento e pensamento de pouco ou nenhum proveito moral, nos fazem atrair espíritos que nos instigam e sugerem ações e pensamentos piores, nos incentivam a pensamentos menos nobres, a ações ilegítimas, porque são eles Espíritos inferiores, levianos, plenos de inveja e ódio, resultado, justamente, de suas imperfeições, procurando sempre nos fazer assemelhar a eles, induzindo-nos a proferir palavras e a concretizar atos contrários às leis cristãs para que possamos ficar absolutamente sintonizados com eles e cada vez mais à sua mercê.
Normalmente podemos ter a percepção do conselho íntimo de um Espírito. A isto chamamos de pressentimento. As advertências que sentimos ao estarmos prestes a praticar um ato desvairado, impróprio e inadequado à boa conduta, são avisos de nossos protetores para nos auxiliarem em nosso crescimento e evolução espiritual. Muitas e muitas vezes não damos atenção a estes avisos, sejam pressentimentos ou quando, obstados de acatar as orientações que nos querem passar, utilizam-se de outras pessoas, de amigos ou companheiros para poderem fazer chegar até nós a palavra de sua advertência.
Nas leis da vida observamos que os iguais se atraem, assim, os bons pensamentos atraem os bons Espíritos e os maus pensamentos, obviamente, atraem os espíritos imperfeitos.
Ao observarmos detidamente nossos sentimentos podemos observar que sempre que temos sentimentos de angústia, ansiedade indefinida ou mesmo satisfação ou insatisfação interior sem causa conhecida, estamos tendo a comunicação inconsciente de espíritos ou até mesmo entrando em contato com eles durante o sono.
É, no descanso do corpo físico, o Espírito desprende-se e aproveita para retomar parcialmente sua relativa liberdade, permanecendo ligado ao corpo físico por um cordão fluídico/energético. Dependendo de seus interesses e evolução poderá aproveitar estes momentos para visitar outras esferas espirituais onde terá oportunidade de aprender e trocar ideias com seres que, com ele, se afinizam. Pode, também, visitar amigos que estão no plano físico ou no plano espiritual. Se forem Espíritos excessivamente apegados a matéria, poderão buscar ambientes mundanos para se satisfazerem.
Se, ao despertar sentimos paz e alegria, é que estivemos em boas companhias, mas se acordamos de mau humor, cansados e oprimidos, é porque estivemos com Espíritos ignorantes.
Como escolher a companhia que teremos durante o sono? Seria possível evitar a ida a lugares sombrios ou juntar-se aos espíritos nocivos e viciosos?
Sim, a terapêutica é tão simples quanto difícil de ser seguida por todos.
Devemos ter como hábito, antes de dormir, orar a Deus e aos bons Espíritos para que, durante o sono, nossa Alma possa estar em sintonia com os planos elevados da Criação.
Mas como poderemos nos libertar da influência dos espíritos imperfeitos?
A prece é antídoto aos maus pensamentos, às más ações, às comunicações desastrosas.
Desta forma, a receita mais fácil de ser dada mas bastante difícil de ser seguida: é a execução de boas ações; a oração que nos eleva o padrão vibratório, rompendo a sintonia que temos com os espíritos imperfeitos, colocando-nos em harmonia com espíritos mais evoluídos; o constante bom pensamento evitando sempre, e até mesmo reprimindo, os pensamentos que nos sugerem o mal, a discórdia e que estimulem as paixões, sobretudo as que exaltem nosso orgulho. A humildade é um trunfo, a caridade uma arma.
Jesus sabiamente introduziu na oração que nos ensinou:
“Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.
São constante as “justificativas” que escutamos perante as intempéries da vida:
- “Não pratico o mal, não faço mal a ninguém”;
Estes deixam de praticar também, com frequência, o bem, não cumprindo com a caridade tão eficaz ao aprimoramento nesta existência. A inércia não justifica, pois sem fazer o mal também não praticam o bem. O egoísmo falando mais alto. A decadência, males, doenças, drogas etc., não fazem mal apenas a nós mesmos, mas envolvem todos os que nos querem bem, família e amigos, sendo necessária que seja exercida a caridade a nós mesmos para, só assim, dizer: “eu não pratico o mal a ninguém”, “eu nada fiz para merecer isto” pois quando nada se faz, faz-se muito, e mal, deixando os espíritos inferiores dominarem nossa vida.
Não raro, alguns irmãos crêem que qualquer evento desagradável é punição divina ou pagamento de dívidas do passado. Esta não é uma verdade tão absoluta assim. Na generalidade, através de nosso livre arbítrio, “escolher agir contra as leis, contra a caridade o amor e ao bem” é-nos permitido, entretanto nos acarretam influenciações desastrosas pois que se nos aproximam de espíritos imperfeitos, sedentos do mal e as intempéries, não raro, são consequências destas nossas más ações e das influenciações que nos permitimos por nossos pensamentos ou atos. Caracterizando-se uma ação má, reverter-se-á, ao seu agente, acontecimentos tristes e desastrosos. Resultado de nossa invigilância.
Os espíritos adiantados podem receber a tarefa de estarem junto a nós para proteger-nos. A estes Espíritos denominamos de Espírito Protetor, Bom Espírito, Bom Gênio, Anjo Guardião.
Todos nós temos um Espírito protetor que procura guiar-nos para o bom caminho, sustentar nossa coragem e nos conduzir, ou tentar conduzir, nas provas da vida. Este Espírito protetor nos assiste deste o nosso nascimento e segue-nos até depois de nossa morte e mesmo em várias existências corpóreas a fim de que consigamos abstrairmo-nos do mal e prosseguir com nossa evolução espiritual. Ocorre que nem sempre o protegido aceita a ajuda. Reage e age de forma rebelde, não aceitando suas vibrações e sugestões positivas, provocando assim o afastamento do espírito protetor que, respeita o livre arbítrio, mas retorna tão logo seja chamado. Este Anjo Guardião alegra-se com os bons feitos de seu protegido, mas também se entristece quando o vê sem querer seguir-lhe os conselhos e introduz-se pelas veredas contrárias ao bem.
A influência que os Espíritos exercem sobre nós é bastante grande. Observe-se a própria vida sob o aspecto moral. São perceptíveis as interferências. Podemos ilustrar a ideia contando um caso de um homem que saca de um revólver e atira em outro que está seu próximo. Surpreendentemente e quase que incompreensivelmente o tiro passa de raspão, mas não pega, o que aconteceu, como explicar este erro podendo-se dizer impossível? No caso relatado acima podemos observar a interferência espiritual tanto de um espírito de pouca evolução, inferior, como também a interferência incisiva de um espírito superior, de grande valor moral que entendeu que não poderia deixar que acontecesse a execução daquele ato desvairado e contrário a Lei de Deus. O espírito inferior sugere o tiro, mas, ao lado dele, está também o espírito elevado que, desvia o projétil ou ofusca-lhe a visão, de forma que evita assim o assassinato. A interferência dos espíritos é sempre motivada pelo amor ou pelo ódio. Quando é movida pelo amor temos a ajuda, o auxílio, e quando movida pelo ódio temos a inveja e o prazer do mal pelo mal. Sempre que sentimos a presença de um espírito malévolo temos que orar, e orar muito, para que ele seja perdoado e afastado de nós e pedir sempre pela proteção de nossos Anjos Guardiões para que não nos deixem de auxiliar agradecendo a constante ajuda.
Há casos, ainda, que espíritos encarnados, por livre arbítrio pretendem fazer o mal e evocam o auxílio de espíritos inferiores para que lhes ajudem na tarefa, mas esquecem-se estes, que a prática da má ação tem reação imediata, pois aquele que pede ajuda para o mal é obrigado a fazer o mal para quem o ajudou, é obrigado a “servir” aquele que o ajudou, pois sempre precisam de alguém para executar o mal que eles pretendem cometer. Desta forma podemos entender o que na linguagem comum frequentemente chamamos de “pacto com o demônio”, que nada mais é que a ajuda recíproca entre espíritos encarnado e desencarnado para a execução de ações contrárias às Leis Morais.
Neste nosso pequeno estudo sobre a interferência dos espíritos desencarnados aos encarnados, não poderemos deixar de citar, de fazer referência, às Bênçãos e maldições, se fazendo necessário entender seu alcance e sua valia, para bem compreender os ensinamentos dos Espíritos.
Desta forma podemos entender que sempre que proferimos ou temos um pensamento de benção é imperativo o benefício do abençoado que deles aproveitará, sempre segundo seu merecimento, razão porque tantas vezes não entendemos o tempo que leva para que consigamos obter êxito em nosso intento. Nosso pensamento é dignificante e abençoa. Mas a intensidade do aproveitamento depende do merecimento do favorecido, da aceitação deste e até mesmo do pensamento positivo para a, recepção da bênção. Já os pensamentos de maldição atingem ocasionalmente as pessoas que estão afastadas de seus protetores e isoladas em sua materialidade, ficando sujeitas às maldições que, aliás, sempre são prejudiciais, bem mais prejudiciais, a quem as formula.
Podemos observar que o esforço próprio é absolutamente necessário a todos os caminhos evolutivos e ninguém aprende ou evolui se não souber aproveitar o concurso dos Benfeitores Espirituais. Entretanto, como dependemos, e muito, do auxílio dos amigos espirituais, não podendo esquecer que a Providência Divina é de infinita bondade e extrema misericórdia e funciona através de sublimes mensageiros.
Sejamos, pois maleáveis e fiéis ao executarmos nossas idéias, abrindo nossa percepção aos espíritos elevados, para que lhes seja mais fácil o cumprimento de seu papel, no progresso e na felicidade das criaturas, perseguindo um só objetivo qual seja o de tornar-nos, hoje, um pouco melhor que ontem e, amanhã, menos imperfeitos que hoje.
Queiramos ou não, estamos numa batalha e nos tornamos vencedores na medida em que nos enchemos de Cristo, do Poder de Seu Espírito, do exercício do Evangelho de Jesus, cultivando amizades sadias, vigiando, orando e ajudando ao próximo para que possamos sempre mais e mais nos aperfeiçoar e receber as orientações de nossos Anjos da Guarda ou de outros espíritos que nosso Mestre nos tenha permitido pressentir, agindo com empenho em favor da retificação moral, no caminho do progresso e ficando alerta, para que espíritos impuros e pouco evoluídos não nos possam influenciar, mas sim e sempre, possamos entender e aceitar todas as que sejam de espíritos adiantados e que possa nos auxiliar na caminhada e no exercício do amor que Cristo nos veio ensinar.
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[¹] Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos, Perg. 459
Fonte: Fórum Entendimento Espírita
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Qual a percepção dos fluidos para os Espíritos?
[...] “esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.”
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Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem.
- Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas;
- mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.
- Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção;
- outras vezes, são produto de um pensamento inconsciente.
- Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.
É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista_psíquica,
sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o
conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações.
Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores - enfermidades,
cicatrizes, membros amputados, etc. - que tinha então. Um decapitado se
apresentará sem a cabeça. Não quer isso dizer que haja conservado
essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é
coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que,
retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito
lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo
que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido. Se, pois, de uma
vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou
negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento.
Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos que ele esteja habituado a usar.
- Um avarento manuseará ouro,
- um militar trará suas armas e seu uniforme,
- um fumante o seu cachimbo,
- um lavrador a sua charrua e seus bois,
- uma mulher velha a sua roca.
Para o Espírito, que é, também ele, fluídico,
esses objetos fluídicos são tão reais, como o eram, no estado material,
para o homem vivo; mas, pela razão de serem criações do pensamento, a
existência deles é tão fugitiva quanto a deste.
Fonte: Allan Kardec. A Gênese, cap. XIV, itens 3 e 14.
sábado, 31 de agosto de 2013
Espíritos do Senhor (Lacordaire)
"Acordai, meus irmãos, meus amigos! Que a voz dos espíritos comova os vossos corações. Praticai a generosidade e a caridade, sem-ostentação, isto é, fazei o bem com humildade; que cada um de vós destrua, pouco a pouco, os altares que erguestes ao orgulho; em uma palavra, sede verdadeiros cristãos e alcançareis o reino da verdade. Não duvideis mais da vontade de Deus, agora que o Senhor dela vos oferece tantas provas. Vimos preparar os caminhos para que as profecias se realizem. Quando o Senhor vos der uma satisfação mais evidente da sua bondade, que o enviado celeste encontre em vós uma grande família; que os vossos corações, brandos e humildes, sejam dignos de ouvir a palavra divina que ele virá vos trazer; que o eleito só encontre em seu caminho as palmas deixadas pelo vosso retorno ao bem e à caridade, então vosso mundo se tornará o paraíso terrestre."
(Lacordaire, Constantine, 1863) em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VII, item 11.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Natureza
e
identidade
dos Espíritos
dos Espíritos
“A
melhor
de todas
as
provas
de
identidade
dos
Espíritos
está na
linguagem
e nas
circunstâncias
fortuitas”
(Allan
Kardec).
(1)
Disse Jesus que uma árvore se deixa conhecer pelos seus frutos, não podendo uma árvore má dar bons frutos nem uma árvore boa dar maus frutos...
O
“discípulo
amado”
recomendou
–
explicitamente
– que
não
podemos
jamais
descurar
de
“experimentar
se os
Espíritos
são de
Deus”,
numa
clara
alusão
ao
cuidado
que
devemos
ter
quando
caminhamos
portas
adentro
do
Espiritismo
prático.
Nessa
delicada
e
especialíssima
área, a
mistificação,
o engodo
e os
alçapões
armados
pelos
inimigos
da luz
são
terríveis,
porém,
evitáveis
escolhos.
Aprendemos
com o
Mestre
Lionês
que: (2)
“se a
fidelidade
absoluta
dos
Espíritos
é, em
muitos
casos,
uma
questão
acessória
e sem
importância,
o mesmo
já não
se dá
com a
distinção
a ser
feita
entre
bons e
maus
Espíritos.
Pode
ser-nos
indiferente
a
individualidade
deles;
suas
qualidades,
nunca.
Já
dissemos
que os
Espíritos
devem
ser
julgados,
como os
homens,
pela
linguagem
de que
se
utilizam.
Suponhamos
que um
homem
receba
vinte
cartas
de
pessoas
que lhe
são
desconhecidas.
Pelo
estilo,
pelas
idéias,
por uma
imensidade
de
indícios,
enfim,
verificará
se
aquelas
pessoas
são
instruídas
ou
ignorantes,
polidas
ou
mal-educadas,
superficiais,
profundas,
frívolas,
orgulhosas,
levianas,
sentimentais
etc.
Assim,
também,
com os
Espíritos.
Devemos
considerá-los
correspondentes
que
nunca
vimos e
procurar
conhecer
o que
pensaríamos
do saber
e do
caráter
de um
homem
que
dissesse
ou
escrevesse
tais
coisas.
Pode
estabelecer-se
como
regra
invariável
e sem
exceção
que: a
linguagem
dos
Espíritos
está
sempre
em
relação
com o
grau de
elevação
a que já
tenham
chegado.
Os
Espíritos
realmente
superiores
não só
dizem
unicamente
coisas
boas,
como
também
as dizem
em
termos
isentos,
de modo
absoluto,
de toda
trivialidade.
(...)
Mesmo
entre os
adeptos
do
Espiritismo,
a
questão
da
identidade
dos
Espíritos
é uma
das mais
controvertidas.
Os
Espíritos
não têm
“R.G.”
ou
“C.P.F.”
e
sabe-se
com que
facilidade
alguns
dentre
eles
tomaram
nomes
que não
lhes
pertenciam.
Esta,
por isso
mesmo,
é,
depois
da
obsessão,
uma das
maiores
dificuldades
do
Espiritismo
prático.
Há uma
distinção
que
importa
fazer: à
medida
que os
Espíritos
se
purificam
e se
elevam
na
hierarquia,
os
caracteres
distintivos
de suas
personalidades
se
apagam,
de certo
modo, na
uniformidade
da
perfeição;
nem por
isso,
entretanto,
conservam
eles
menos
suas
individualidades.
Nesse
passo,
os nomes
que
tiveram
na
Terra,
em suas
inumeráveis
reencarnações,
passam a
ser
coisa de
absoluta
insignificância.
Dado,
porém,
que de
nomes
precisamos
para
fixarmos
as
nossas
idéias,
podem
eles
tomarem
o de uma
personagem
conhecida,
cuja
natureza
mais
identificada
seja com
a deles.
É assim
que os
nossos
Amigos
Espirituais
se dão,
às
vezes, a
se
conhecer
pelos
nomes
que nos
são
familiares,
e
geralmente
pelo
daquele
que nos
inspire
mais
simpatia.
Segue-se
daí que
se um
Espírito
se dá a
conhecer
pelo
nome de
S.
Pedro,
por
exemplo,
na
verdade,
nenhuma
garantia
podemos
ter que
realmente
trata-se
desse
Santo.
Tanto
pode ser
ele,
como um
Espírito
inteiramente
desconhecido,
mas
pertencente
à
família
dos
Espíritos
de que
faz
parte S.
Pedro;
e,
assim,
estar
autorizado
a falar
em seu
nome.
Agora, o
caso
muda,
completamente,
de
figura,
quando
um
Espírito
de ordem
inferior
se
adorna
com um
nome
respeitável,
para que
suas
palavras
mereçam
crédito
e este
caso é
de tal
modo
frequente
que toda
precaução
não será
demasiada
contra
semelhantes
substituições.
Graças a
esses
nomes de
empréstimo,
e
sobretudo
com o
auxílio
da
fascinação,
que
alguns
Espíritos
sistemáticos,
mais
orgulhosos
do que
sábios,
procuram
tornar
aceitas
as mais
ridículas
idéias.
A
questão
da
identidade
é, como
dissemos,
quase
indiferente
quando
se trata
de
instruções
gerais,
uma vez
que os
melhores
Espíritos
podem
substituir-se
mutuamente,
sem
maiores
consequências.
Ora,
desde
que o
ensino
seja
bom,
pouco
importa
que
aquele
que o
deu se
chame
Pedro ou
Paulo.
O
julgamento
deve
sempre
ter por
base a
qualidade
e não as
insígnias
do
Espírito.
Para que
nosso
trânsito
pelo
Espiritismo
prático
não se
torne
mera
aventura
de
consequências
imprevisíveis,
faz-se
mister
conscientizarmo-nos
da
seriedade
desse
assunto,
e, por
assim
considerá-lo,
Allan
Kardec
desenvolveu
em
cinquenta
e sete
parágrafos,
no
capítulo
vinte e
quatro,
de “O
Livro
dos
Médiuns”,
itens
267 e
268,
importantíssimas
questões
que,
ignoradas,
certamente
nos
envolverão
em
verdadeiros
e
caudalosos
desastres
no
mister
mediúnico.
Finalizemos
com uma
importante
observação
de São
Luís
(3):
“Qualquer
que seja
a
confiança
legítima
que vos
inspirem
os
Espíritos
que
presidem
aos
vossos
trabalhos,
uma
recomendação
há que
nunca
será
demais
repetir
e que
deveríeis
ter
presente
sempre
na vossa
lembrança,
quando
vos
entregais
aos
vossos
estudos:
é a de
meditar,
é a de
submeter
ao
cadinho
da razão
mais
severa
todas as
comunicações
que
receberdes;
é a de
não
deixardes
de pedir
explicações
necessárias
a
formardes
opinião
segura,
desde
que um
ponto
vos
pareça
suspeito,
duvidoso
ou
obscuro”.
Referências:
(1)
Kardec,
A. in
O Livro
dos
Médiuns.
Capítulo
XXIV,
item
260.
(2)
Kardec,
A. in
O Livro
dos
Médiuns.
Capítulo
XXIV,
itens
255,
256, 262
e 263.
(3)
Kardec,
A. in
O Livro
dos
Médiuns.
Capítulo
XXIV,
item
266.
Fonte: O Consolador
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