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quarta-feira, 27 de junho de 2018

A persistência da fascinação


Um grave tipo de obsessão

Ailton Barcelos

Allan Kardec diz que a mediunidade é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos maleável aos Espíritos em geral (Kardec, 2002). Por isso mesmo, os médiuns não devem se vangloriar de terem assumido suas responsabilidades morais na condição de trabalhadores da última hora, comprometidos com os benfeitores da humanidade que neles confiaram, deixando-se sucumbir aos tormentos da fascinação sutil ou extravagante (Franco, 2012a; Franco, 2015).

Novos missionários surgem de um para outro momento, a si mesmos atribuindo realizações superiores e mergulhando em tormentosas obsessões por fascinação, assim como se apresentam novidades estapafúrdias que levam o bom nome da doutrina ao ridículo, pela maneira como são expostas as teses infelizes, nascidas na vaidade daqueles que são médiuns ou não (Franco, 2012b).

A atividade mediúnica, para Manoel Philomeno de Miranda, constitui oportunidade abençoada para o aperfeiçoamento intelecto-moral do indivíduo, que se permitiu cometer equívocos em reencarnações anteriores, comprometendo-se em lamentáveis situações espirituais (Franco, 2012a). Para o autor, a mediunidade é uma oportunidade especial para a autorecuperação, devendo ser utilizada de maneira dignificante, em cujo ministério de amor e de caridade será encontrada a diretriz de segurança para o reequilíbrio do ser humano.

Tais indivíduos preservam comportamentos egotistas, comprazendo-se em vivenciar mecanismos de evasão da realidade, transferindo os conflitos para a aparência de superioridade, acreditando-se – ou fingem acreditar – portadores de vida irretocável (Franco, 2012a).

Para Kardec, em O Livro dos Médiuns, o perigo está na orgulhosa propensão de certos médiuns para, muito levianamente, se julgarem instrumentos exclusivos de Espíritos superiores, nessa espécie de fascinação que lhes não se permitem compreender as tolices de que são intérpretes.

A fascinação é um grave tipo de obsessão, e pode ser definida como uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações (Kardec, 2003). Dessa forma:

O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.” (Kardec, 2003, p. 156)

Suely Caldas Schubert diz que existem várias modalidades de fascinação. Assim como ocorre com os outros gêneros de obsessão, também a fascinação é exercida não somente por Espíritos desencarnados visando os encarnados, mas igualmente de encarnado para encarnado, de desencarnado para desencarnado, de encarnado para desencarnado, e ainda pode exercer-se de um encarnado sobre si próprio: a autofascinação (Schubert, 1981, p, 13). Para a autora, a fascinação pode ser encontrada em diferentes gradações, chegando-se a ser tão sutil que pode passar despercebida, assumindo caráter de verdadeira subjugação.

Na fascinação, para Hermínio Miranda, o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima, inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as ideias que expressa provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral (Miranda, 1984). Para o autor, seu engano é evidente a todos, menos a ele próprio, que segue fascinado e servil ao Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente. Para Manoel Philomeno de Miranda, a tomada na qual se encontra o plugue obsessivo está no egoísmo e no temperamento especial, que lhe constituem os grandes desafios a vencer durante a conjuntura reencarnacionista (Franco, 2012a).

A inferioridade e as dívidas do passado são fatores que tornam o indivíduo predisposto ao mecanismo da fascinação (Schubert, 1981). Ao iniciar-se o processo da reencarnação, o indivíduo tem impresso no seu código genético as deficiências defluentes de irresponsabilidades e dívidas do passado, que se apresentarão no futuro em momento próprio como descompensação nervosa, carência ou excesso de moléculas neurônicas (neuropeptídeos) responsáveis pelos correspondentes transtornos psicológicos ou de outra natureza.

Para M. P. Miranda, as vítimas são atraídas pela irradiação inferior do ódio ou do ressentimento, da ira ou da vingança que permeia o perispírito do seu antigo algoz, produzindo-lhe desarmonia vibratória, que resulta em perturbação dos sistemas nervosos central e endócrino, abrindo espaço para a consumação dos funestos planos de vingança (Franco, 2006). Simultaneamente, o Espírito fascinador atua na mente da vítima, direcionando à mente do hospedeiro físico induções hipnóticas carregadas de pessimismo e de desconfiança, de inquietação e de mal-estar, interrompendo o fluxo dos seus pensamentos e interferindo com a sua própria onda mental (Schubert, 1981; Franco, 2006). Para Schubert (1981), a pessoa visada passa a ter o seu pensamento controlado e cerceado, o que, de certa maneira lhe paralisa o raciocínio. Ainda para autora, o perseguidor utiliza então a repetição constante de suas ideias, configurando-se assim a hipnose, que leva o fascinado a agir teleguiado pelo ser invisível.

Nenhum médium se encontra livre da fascinação lançada por entidades obsessoras, já que a trilha da vivência mediúnica é cheia de perigos, impondo cuidado (Franco, 2000). Tal processo de fascinação é muito mais comum do que se pode imaginar (Schubert, 1981; Franco, 2006). Tais entidades acabam por ter o objetivo de criar dificuldades ao progresso da Doutrina Espírita, e nada melhor para alcançar esse intento do que utilizar os próprios espíritas, partindo do princípio que toda casa dividida desmorona (Schubert, 1981).

Kardec, citando o caso da fascinação, diz que esta pessoa é infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação, uma vez se encontra seduzida pelo Espírito que a domina, persistindo no que é conduzido e repelindo toda assistência (Kardec, 2003).

Para Schubert (1981), dificilmente o fascinado irá admitir que está sendo alvo de obsessores e que não precisa de tratamento espiritual, já que ele está convencido que não é igual a outras pessoas. Para a autora, o estudo da Doutrina Espírita, das obras básicas da codificação feita em grupo, seria o primeiro passo para o seu despertamento e conscientização, mas aquele que é alvo de Espíritos fascinadores foge a todo custo de qualquer tipo de estudo sério, afastando-se de todos aqueles que o passam esclarecer e ajudar. Além do mais, esse estudo, disciplinado e constante, de tal modo que possibilite a assimilação de seus postulares, o que, por certo, ocasionará a nossa transformação moral, princípio básico do espírita.

Para M. P. Miranda, a terapia de recuperação dessas pessoas se inicia pela vigilância, vivenciando a humildade e tendo a coragem de bloquear e interromper a interferência nefasta, descendo do palanque de sua superioridade que se acredita, para a planície das criaturas comuns e frágeis, onde ele se deve situar (Franco, 2000).

Para Schubert (1981), mais do que outros obsedados, o fascinado precisa receber por meio do diálogo todos os esclarecimentos imprescindíveis ao seu tratamento, e ser conscientizado de sua própria participação neste processo, sendo essencial que ele sinta que todos estamos em aprendizado constante.

Além disso, é fundamental nos conscientizarmos de nossa realidade espiritual, que somos aprendizes imperfeitos das primeiras letras do conhecimento universal (Schubert, 1981).

Por fim, como nos diz Manoel Philomeno de Miranda, Franco (2012a), a fascinação ainda é persistente nas casas espíritas pela falta de vigilância e humildade de todos nós, que ainda não compreendemos que a mediunidade é uma oportunidade especial para a autorrecuperação e equilíbrio, devendo ser utilizada de maneira dignificante, com amor e caridade.

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– Franco, D. Temas da Vida e da Morte. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: FEB, 1996.
– Franco, D. Fascinação Obsessiva. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. In: Reformador, ano 118, n. 2.051, fev. 2000, p. 37.
– Franco, D. Reencontro com a Vida. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2006.
– Franco, D. Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2012a.
– Franco, D. Amanhecer de Uma Nova Era. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2012b.
– Franco, D. Perturbações Espirituais. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2015.
– Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 120.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
– Kardec, A. O Livros dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 71.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003.
– Miranda, H. C. Diálogos com as Sombras: Teoria e Prática da Doutrinação. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
– Schubert, S. C. Os Perigos da Fascinação. In: Reformador, ano 99, n. 1.833, dez. 1981, p. 369-373.

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Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, abril/2018

domingo, 17 de dezembro de 2017

Estudando o Espiritismo...



Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis por persistirem no mal, pois escrevem frequentemente a sua própria condenação, e se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que os Espíritos se dirigem a eles mesmos. Mas, em vez de tomarem para eles as lições que escrevem, ou que vêem os outros escreverem, sua única preocupação é a de aplicá-las a outras pessoas, incidindo assim nestas palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do próximo, e não vedes a trave no vosso.” (Ver cap. X. nº 9).

Por estas palavras: “Se fosseis cegos, não teríeis culpa”, Jesus confirma que a culpabilidade está na razão do conhecimento que se possui. Ora, os fariseus, que tinham pretensão de ser, e que realmente eram, a parte mais esclarecida da nação, tornavam-se mais repreensíveis aos olhos de Deus que o povo ignorante. O mesmo acontece hoje.

Aos espíritas, portanto, muito será pedido, porque muito receberam, mas também aos que souberam aproveitar os ensinamentos, muito lhes será dado.

O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, alguma coisa que lhe diga respeito.

O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados, e pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.


– Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 18, item 12.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Batismo na Visão Espírita



BATISMO - do grego bapto e baptismos significa ablusão, imersão, banho. É o nome que designa os ritos de iniciação em diferentes religiões e crenças. O ritual do batismo era uma prática muito difundida na Palestina. Provinha dos antigos mistérios da Grécia, do Egito, dos Essênios etc. João Batista nada mais fazia do que usar esta prática para ajudar as pessoas a se modificarem. Usava a água em adultos, certo de que estes teriam compreensão para o arrependimento. Esse ato folclórico, simples e puro, foi transformado no culto cristão num processo mágico de purificação da alma, destinado a lavar a mancha do pecado original de Adão e Eva impregnada nas almas das crianças recém-nascidas.

Na época só se batizavam adultos, porque eles tinham do que se arrepender e podiam analisar o certo e o errado para se renovarem moralmente. A Igreja Romana, com a falsa justificativa de "não ir para o céu", adotou a prática de batizar a criança tão cedo quanto possível, ante a possibilidade de morrer prematuramente com a mácula do original pecado, o que seria desastroso para ela. Essa lamentável deturpação do batismo de João é uma grande injustiça. E mais: Imaginemos Chico Xavier, Gandhi, Buda etc., chegando no mundo espiritual e alguém os recebendo e dizendo: - Vocês fizeram muita caridade e seguiram a vontade de Deus, mas não poderão entrar no céu porque não foram batizados. Onde estaria a justiça de Deus? Segundo Jesus: "A cada um segundo suas obras" ou cada um prestará contas de si para Deus, ou seja, cada um é responsável pelos seus atos, cada um receberá por aquilo que fez... seja batizado ou não!

O batismo de fogo, pelo qual Jesus se mostrava ansioso, não era outra coisa senão a luta que os belos e nobres ideais do cristianismo precisou enfrentar, e continua enfrentando, para que os privilégios, a tirania e o fanatismo venham a desaparecer da face da Terra, cedendo lugar a uma ordem social fundada na justiça, na liberdade e na concórdia. Ainda, o batismo do Espírito Santo é a assistência, a inspiração dos Espíritos purificados, concedidos pelo Cristo, em nome do Senhor, aos homens, que então as recebem mediunicamente e mesmo se comunicam com aqueles Espíritos nas condições e na proporção dos tipos de mediunidade que lhe são outorgados. Os discípulos receberam o batismo do Espírito Santo no dia de Pentecostes, no Cenáculo de Jerusalém, onde, segundo os Atos dos Apóstolos, pela primeira vez, se registrou esse grandioso fato histórico do Cristianismo, em que houve derrame do Espírito na forma de línguas de fogo sobre os Apóstolos.

CONSIDERAÇÕES DO ESPÍRITO EMMANUEL

Pergunta 298 do livro O Consolador - Considerando que as religiões invocam o Evangelho de Mateus para justificar a necessidade do batismo em seus característicos cerimoniais, como deverá proceder o espiritista em face desse assunto? "Os espiritistas sinceros, na sagrada missão de paternidade, devem compreender que ao batismo, aludido no Evangelho, é o da invocação das bênçãos divinas para quantos a eles se reúnem no instituto santificante da família. Longe de quaisquer cerimônias de natureza religiosa, que possam significar uma continuação dos fetichismos da Igreja Romana, que se aproveitou do símbolo evangélico para a chamada venda dos sacramentos, o espiritista deve entender o batismo como o apelo do seu coração ao Pai de Misericórdia, para que os seus esforços sejam santificados no instituto familiar, compreendendo, além do mais, que esse ato de amor e de compromisso divino deve ser continuado por toda a vida, na renúncia e no sacrifício, em favor da perfeita cristianização dos filhos, no apostolado do trabalho e da dedicação".

CONSIDERAÇÕES DE LÉON DENIS

LÉON DENIS, no livro Cristianismo e Espiritismo, atesta que "Os primeiros apóstolos limitavam-se a ensinar a paternidade de Deus e a fraternidade humana. Demonstravam a necessidade da penitência, isto é, da reparação das nossas faltas. Essa purificação era simbolizada no batismo, prática adotada pelos essênios, dos quais os apóstolos assimilavam ainda a crença na imortalidade e na ressurreição, isto é, na volta da alma à vida espiritual, à vida do espaço. Daí a moral e o ensino que atraíam numerosos prosélitos em torno dos discípulos do Cristo, porque nada continham que não se pudesse aliar a certas doutrinas pregadas no Templo e nas sinagogas.
Com Paulo e depois dele, novas correntes se formam e surgem doutrinas confusas no seio das comunidades cristãs. Sucessivamente, a predestinação e a graça, a diversidade do Cristo, a queda e a redenção, a crença em Satanás e no inferno, serão lançados nos espíritos e virão alterar a pureza e a simplicidade ao ensinamento do filho de Maria".




Fonte: Mensagem Espírita, por autor desconhecido

domingo, 5 de novembro de 2017

Jesus e a moral cristã



Jesus, vivendo o seu tempo, construiu valores universais únicos, que, pela profundidade e extensão, modificaram os aspectos culturais, sociais, políticos e econômicos da humanidade. Para o Espiritismo, esses valores são conceitos fundamentais, sendo a moral cristã o eixo de sua visão de mundo e interpretação da realidade.
O Espiritismo entende que o significado de Jesus encontra-se em seu exemplo de vida, fazendo e demonstrando a viabilidade de um padrão de comportamento. Foi a força de seu exemplo que deu significado à sua existência e não a série de mitos, interpretações e dogmas que foram agregados ao entendimento de sua mensagem. Portanto, é fundamental que o espírita possa fazer essas distinções.
Para a Doutrina Espírita, Jesus, como todo ser humano, nasceu da união entre um homem e uma mulher e não de uma forma sobrenatural. De origem humilde, não era descendente de Davi e não possuía nenhuma pretensão ao poder temporal.
O Espiritismo não recorre à idéia de milagre, que não existe para a Doutrina, para justificar algumas situações da existência de Jesus. Este, ao colocar em prática o seu conhecimento e a sua capacidade mediúnica, foi interpretado, pelo desconhecimento das pessoas ao seu redor, como o realizador de acontecimentos maravilhosos e fantásticos.
Para entender Jesus, o Espiritismo não precisa utilizar a idéia de messias, salvador ou cordeiro de Deus. Não é importante como Jesus nasceu ou morreu, mas, sim, como viveu. Seu significado não se encontra nas condições de sua morte — não há necessidade de entendê-la como um sacrifício para salvar a humanidade ou tentar transformá-la em exceção através da idéia de ressurreição.
Apesar de sua importância, Jesus não se confunde com Deus. Não é a Sua encarnação. Era filho de Deus como todas as criaturas o são. Deixar de confundir Jesus com Deus permite reconhecer o valor desse espírito que alcançou, pelo exercício de seu conhecimento, a compreensão do amor como lei fundamental do Universo, a que nenhum homem até então havia alcançado. Considerar Jesus como divino é retirar dele uma característica fundamental: a de um ideal possível de ser alcançado, uma referência exeqüível para a humanidade.
Jesus, para a Doutrina, é um espírito que tem uma história ao longo da qual foi construindo seu conhecimento, diferenciando-se do nível médio da cultura terrena. Na medida em que vivenciou, em que desenvolveu experiências de vida, foi se fazendo presente, através da força de seu exemplo, da intensidade de sua coerência, da inovação e clareza do conhecimento que alcançou. O significado da síntese que construiu a respeito da existência, do ser humano, da vida, pode ser avaliado em um pequeno resumo de suas idéias:
  • Deus único é o pai de todos (todos são iguais perante Deus)
  • Ame a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o espírito, e ame seu próximo como a si mesmo, essa é toda a lei e todos os profetas estão contidas nela.
  • Trate todos os homens da mesma forma que você gostaria de ser tratado
  • Ame seus inimigos e faça o bem àqueles que o odeiam e ore por aqueles que o perseguem e caluniam
  • Aquele dentre vocês que não tiver errado, que atire a primeira pedra
  • Eu não digo que deva perdoar ao seu irmão até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes
  • Reconcilie-se com seu adversário enquanto estiver com ele no caminho
  • Não julgue a fim de que não seja julgado
  • Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo
  • O homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela de muitos
  • Por que vê um cisco no olho de vosso irmão, você que não vê uma trave no seu olho?
  • Que a sua mão esquerda não saiba o que faz a sua mão direita
  • Não se acende uma candeia para colocá-la sob o alqueire, mas sobre o candeeiro a fim de que ela clareie todos aqueles que estão na casa
  • Não há nada de secreto que não deva ser descoberto, nem nada de oculto que não deva ser conhecido
  • Fora da caridade não há condições de se alcançar um conhecimento maior de si mesmo e da vida.
  • Bem aventurados os que choram, porque serão consolados; os que tem fome e sede de justiça porque serão saciados; os humildes porque deles é o reino dos céus; aqueles que tem o coração puro porque verão a Deus; aqueles que são brandos porque possuirão a Terra; os pacíficos, porque eles serão chamados de filhos de Deus; aqueles que são misericordiosos porque eles próprios obterão misericórdia
Jesus, em sua existência cósmica, é o caminho, a verdade, a vida em sua multiplicidade, diversidade, alteridade. Seus ensinamentos, seu comportamento e os exemplos de outras pessoas que se identificaram com sua proposta, foram desenhando, construindo, um código, um padrão de referência fundamentado na unidade da humanidade e na igualdade entre os seres, e, em decorrência, no amor ao próximo, na solidariedade, na tolerância, na responsabilidade pessoal, na liberdade de consciência e na moral como defesa, promoção da vida. Jesus é padrão de comportamento aberto para auxiliar as pessoas na construção de seu próprio futuro.
Jesus é exemplo claro de comportamento moral que reflete a identidade do ser com o Universo e com Deus.

Fonte: Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas

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domingo, 27 de agosto de 2017

Salvação segundo a Doutrina Espírita




Estudando a Doutrina Espírita, compreendemos que Jesus não morreu por ninguém ou para salvar alguém do Inferno. Sua morte não significa a nossa salvação, e nem o perdão “adiantado” dos erros que cometemos.  


Jesus, o Espírito mais evoluído que já esteve na Terra, encarnou e viveu neste Mundo por amor a nós, para exemplificar o amor, o perdão, a caridade, a fé, sendo “o modelo e guia, o tipo de perfeição moral a que se pode aspirar na Terra”, definição essa contida na questão 625 de O Livro dos Espíritos. 

“Pelas obras é que se reconhece o cristão”, pois se apenas a fé salvasse o indivíduo, de que valeria a caridade, a reforma íntima, o trabalho no bem? Qualquer um que se arrependesse de seus erros antes de morrer seria salvo e iria para o Céu, mesmo se tivesse sido um ladrão ou assassino? E onde estaria, nesse caso, a justiça de Deus, que oferece tempo para alguns se arrependerem, enquanto que a outros arrebata do corpo físico sem a oportunidade de repensarem suas atitudes?  

Quando tomamos consciência do cometimento de uma falta, o arrependimento é importante, porém, ele não necessita de um rótulo religioso, mas sim ser complementado pela expiação e pela reparação do erro cometido. 
 
Expiação são os sofrimentos físicos e morais consequentes do erro; e a reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal, apagando assim os traços da falta e suas consequências. 

A Doutrina Espírita elucida que a salvação de cada um – entendida como evolução espiritual, que é destino de todos os Espíritos criados por Deus - depende exclusivamente de si mesmo, e ocorre a partir da transformação moral, pois “fora da caridade não há salvação”. Assim, somente através da reforma íntima é possível salvar-se do comodismo, da indiferença, da omissão, da descrença, transformando a fé e a confiança em Deus em obras de amor e paz. 


Sendo o Céu um estado íntimo, construído pela consciência tranquila, e não um lugar de ociosidade e contemplação, o Céu de cada um só pode ser construído por ele mesmo, através de pensamentos, palavras e atitudes que revelem seu estado íntimo de constante aprimoramento espiritual, esforçando-se por tornar-se cada vez mais solidário, mais caridoso, mais parecido com Jesus.


Fonte: O Consolador, por Cláudia Schmidt.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Herança Espiritual e Hereditariedade Genética

Lei de Causa e Efeito determina os efeitos da hereditariedade 
usando os registros do perispírito


Há algum tempo, tivemos o anúncio histórico da conclusão do seqüenciamento do genoma humano, isto é, o mapeamento virtualmente completo do código genético humano, bombasticamente comemorado pela ciência bio-genética. 

Colossal será ainda o trabalho subsequente de identificação dos 80.000 genes existentes, do conhecimento das funções de cada gene e da estrutura de cada proteína que eles codificam, estimando-se entre cinco anos e um século a realização progressiva e integral de cada um desses objetivos. 

Inegavelmente, trará benefícios revolucionários na terapia das enfermidades humanas e em muitos outros campos da natureza, embora o entusiasmo resultante venha sendo naturalmente, ora magnificado por fantasias tecnológicas, ora enegrecido por presságios de manipulação e de discriminação potenciais assustadoras. 

Como sensatamente nos disse Kardec, referindo-se à evolução da nossa Doutrina Redentora, que "o Espiritismo seria aquilo que os homens dele fizessem", vale igualmente dizer-se que as novas descobertas da ciência serão o que os homens delas fizerem, se bombas atômicas devastadoras ou energia nuclear segura e construtiva, apenas para exemplificar. 

Surpreendente ainda mais, embora esperada, a persistência do enfoque materialista, agora ultra-exacerbado, das pesquisas dos fenômenos vitais, atribuídos à exclusiva ação mecânica da hereditariedade genética, no comando da montagem dos três bilhões de nucleotídeos que constituem os degraus do DNA humano. 

A ciência insiste em pensar a vida como uma complexa reação química, e nada mais do que isso, prestes a ser descoberta e viabilizada pelo homem, assim como até hoje crê ser o pensamento mera excreção do cérebro e que todas as funções psíquicas morrem com o corpo físico. 

Não há ainda lugar para o espírito na ciência pesquisacional acadêmica, empírico-indutiva, a qual, por isso, continua tomando como causa o que é efeito, fazendo das leis da hereditariedade genética as únicas presentes ao ato da vida, juízas exclusivas e inconscientes do futuro patrimônio apolíneo e saudável ou disforme e enfermiço do ser humano, apenas concedendo algumas influências aos efeitos ambientais e ao psicossomatismo, ainda que cerebral, calcadas nas predisposições genéticas.

A evolução de cada ser individualizado, criatura de Deus, não pode ficar à mercê da casualidade das combinações aleatórias entre as constituintes da matéria. Os aportes da física probabilística quântica relativos aos comportamentos na intimidade da micro-matéria poderão, quem sabe, um dia, explicar como a Lei de Causa e Efeito utiliza a probabilidade quântica para concretizar a causalidade contributiva do espírito encarnante. 

Só o reconhecimento, que um dia chegará, da primazia do espírito sobre a matéria -- associada esta primazia ao princípio reencarnacionista, isto é, a integração comandatária, pelo espírito, via perispírito, da herança espiritual à hereditariedade genética, regida esta integração pela Lei de Causa e Efeito --, permitirá que se identifiquem no espírito imortal as causas verdadeiras dos desequilíbrios que eclodem no corpo físico, mata-borrão e fio-terra que ele é, sob o nome de doenças, incluindo-se os distúrbios da psique humana. 

E, muito mais, porque o espírito, em evolução ao infinito, é a fonte única e inesgotável não só da saúde físico-psíquica, mas de todas as potencialidades da inteligência, da razão, da intuição, do comportamento, da moral, da beleza e do bem universais, partícula que ele é da essência de Deus-Pai, Criador da Vida e das leis que regem o Universo e os seres. 

A propósito, queremos retransmitir, em palavras nossas, as elucidações que um bondoso mentor espiritual do centro espírita que frequentamos nos trouxe sobre o tema da herança espiritual e da hereditariedade genética, num esclarecimento marcado por sábia singeleza e convincente racionalidade: 

Estamos submetidos pela misericordiosa Lei de Causa e Efeito a essas duas ordens de heranças, que acompanham providencial e amorosamente a nossa trajetória educativa reencarnacional, roteiro esse gerado por nós mesmos no exercício do livre-arbítrio aplicado nas livres escolhas que fazemos diante dos eventos e circunstâncias vivenciados por nós, tendo-se como régua de medida a Lei Suprema do Amor, revelada e praticada até as últimas conseqüências pelo Amado Mestre Jesus. 

A herança espiritual, súmula do nosso passado multimilenar, está gravada indelevelmente no nosso espírito, que tem, como seu instrumento de ação na matéria, o perispírito. Normalmente, sob a orientação dos Instrutores Espirituais e aquiescência do espírito encarnante, há um prévio programa de aprimoramento espiritual ajustado às suas necessidades de depuração. Assim, buscam-se os genitores que apresentem nos seus patrimônios genéticos características compatíveis com o programa acordado. 

Os patrimônios espirituais de genitores e familiares são também levados em alta conta, mesmo porque, embora não transmissíveis por via hereditária, o serão pela via da educação, dos exemplos e do ambiente familiar a serem recebidos pelo encarnante. 

E, então, a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, sob o comando da Lei, o espírito encarnante imprime, através da ação do seu perispírito, a integração da sua própria herança espiritual com a herança genética dos genitores, conduzido pelas sagradas leis das hereditariedades, provindas do Criador, na formação do respectivo DNA individualizado, composto de genes dominantes e recessivos que conformarão o novo corpo físico daquele particular espírito imortal, que "renascerá" conforme aquele programa acertado, subordinado inicialmente e voluntariamente a predeterminados fatores como família, raça, etnia, nacionalidade, predisposições para determinados estados de saúde ou doença física ou espiritual, e inúmeras outras particularidades individuais. 

Aí, então, surgirá uma nova criaturinha, com o dom divino da vida que, neste mundo de expiações e provas, onde ainda merecemos estar, a iniciará com um choro estridente ansiosamente esperado. 

Abre-se para o espírito uma nova romagem onde, no devido tempo, a razão e o livre-arbítrio comparecerão para moldar o seu novo viver em vontade e responsabilidade face os compromissos assumidos e os desafios oportunos e indispensáveis com que o mundo o defrontará, nunca superiores às próprias forças, sempre sob a proteção complacente da misericórdia divina. 

Raphael Rios - "Revista Internacional de Espiritismo" - Dezembro/2000 - Págs. 513/514.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Fotografia e a Telegrafia do Pensamento


Enviado em 12 de dezembro de 2016 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública |
 Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Vanessa Cavalcanti


Quando, na primeira parte do seu livro “Obras Póstumas”, Allan Kardec faz uma introdução ao estudo da  fotografia e telegrafia do pensamento pode parecer estranho porque desde os tempos de criança, na escola aprendemos que o pensamento, por ser invisível e intocável, seria uma coisa abstrata, em razão disso surge a seguinte pergunta: Se não pode ser visto nem tocado, como se consegue fotografá-lo? Essa era e continua sendo a incerteza para alguns, cuja dúvida tentaremos esclarecer.

Para melhor compreender como ocorre o procedimento fotográfico do pensamento, em primeiro lugar é imprescindível que se tenha a certeza da existência da alma, caso contrário será inútil tentar entendê-lo. De acordo com os ensinamentos da Doutrina Espírita, Deus criou os espíritos simples e ignorantes, mas, todos imortais. Vendo por esse ângulo, poderia parecer uma grande injustiça do Criador cria-los para viver eternamente na ignorância e na simplicidade, mas, isso não é verdade, essa aparente injustiça é apenas uma suposição, porque, na sua misericordiosa bondade, Ele concedeu a cada um a oportunidade de desenvolver a sua capacidade de conhecer e manipular as coisas por meio da inteligência, adquirir conhecimentos, e desse modo, gradativamente evoluir até alcançar a condição de espíritos puros.

Porém, como toda evolução exige sacrifícios, para poder alcançar essa pureza várias condições são impostas a cada espírito, e uma delas é ter que passar por uma experiência vivendo um determinado tempo no mundo material. Ocorre que, por não poder atuar diretamente sobre a matéria bruta em razão de sua natureza fluídica, ele necessita de um instrumento para lhe servir de intermediário. Para isso, retira uma porção do fluido universal e forma um corpo semimaterial e outro material, os quais o acompanharão por toda parte durante a sua passagem pela Terra, formando assim o que chamamos de ser humano.

Sendo assim, cada ser humano é formado por três elementos distintos e harmônicos, interligados entre si por laços fluídicos. O espírito, que é o ser sensível e pensante da criação, e sede de todos os sentimentos; o períspirito, corpo semimaterial, imponderável, invisível aos nossos olhos e que serve de ligação entre espírito e matéria; e corpo físico, o instrumento que o espírito utiliza para atuar no mundo material.

Esse corpo físico possui sete centros de força, também chamados de chacras, situados no corpo energético, que são responsáveis pela distribuição da energia vital, pelo equilíbrio do organismo físico, e tem como tarefa a absorção de energias do meio ambiente. Além disso, é dotado também de cinco órgãos físicos, cada um com a função específica de captar as sensações externas e, por meio do períspirito, envia-las para o espírito, e entre eles destacamos dois, que são os que mais interessam ao assunto que estamos tratando: os olhos e os ouvidos, que captam e transmitem, respectivamente, as imagens e os sons.

Por exemplo, quando olhamos para um objeto, ou assistimos uma cena qualquer, as imagens são captadas pelo nosso sentido da visão, e depois, por meio de ondas, transmitidas para o perispirito que as fotografa e arquiva no cérebro. Quando queremos lembrar daquele objeto, ou daquela cena, o arquivo se abre e reproduz aquelas fotografias que nele estão gravadas e arquivadas, exibindo-as para o nosso espírito. Por isso, o Codificador do Espiritismo, comparou a mente humana com um álbum que pode ser manuseado para reviver cenas passadas.

Quando estamos falando com alguém, o ar que sai dos pulmões passa pelas cordas vocais que vibram e produzem um som articulando as palavras. Aquele som, por nós emitido, se propaga pelo espaço por meio de ondas sonoras que obedecem a um padrão chamado frequência, é captado pelo órgão auditivo da pessoa com quem conversamos e, em seguida, transmitido ao seu períspirito que o recebe quase instantaneamente, grava e armazena.

Quando a pessoa quer lembrar daquelas palavras o períspirito abre o seu arquivo e, por meio de ondas pensantes, as repete. Foi, também, por esse motivo que o cientista e neurocirurgião Wilder Penfield, da Universidade Mc Gill em Montreal no Canadá, assim como Kardec, definiu a mente como sendo um gravador de máxima fidelidade que grava as experiências vividas, como se fosse uma fita magnética as quais, futuramente poderão ser reproduzidas, bastando, para isso, um leve toque no cérebro com um eletrodo.

Da mesma forma que as imagens e os sons podem ser recebidos, fotografados e gravados pelo perispírito, com o que pensamos ocorre o mesmo. Como o pensamento é atributo do espírito, e tem força criadora, ele consegue impor a sua vontade e atuar sobre os fluidos dando-lhes forma ou modificando-os. Desse modo, tudo o que pensamos cria imagens fluídicas que, semelhante a um espelho, reflete no nosso perispírito, onde também são fotografadas e armazenadas, podendo, igualmente, serem reproduzidas posteriormente. Portanto, nada há de estranho em se falar em fotografia e telegrafia do pensamento, já que se trata de um mecanismo de grande utilidade, que serve de advertência e nos orienta a procurar reciclar as nossas ideias.

Essa reciclagem é imprescindível porque, como espíritos encarnados que somos, vivemos aqui na Terra mergulhados nessa atmosfera fluídica que envolve todo o universo, onde cada um possui sua característica fluídica particular, dita aura, ou seja, um campo energético resultante de emanações de natureza eletromagnética, que irradia em torno do corpo. Em razão disso, estamos sempre numa constante troca de energias com aquelas vindas do cosmo, e as individuais, provenientes das outras pessoas, as quais poderão ser positivas ou negativas, e entre elas existe uma tendência a unirem-se ou afastarem-se, uma atração ou repulsão.

Em um ambiente saudável, por exemplo, onde a maioria dos pensamentos são bons, pelo processo de irradiação ocorrerá um fluxo daquelas energias positivas que se dirigirão às pessoas presentes, e aquelas que estiverem receptivas as atrairão e consequentemente, serão influenciadas ao bem. Nesse caso, mesmo que haja uma pequena parcela de pensamentos malévolos, eles não poderão impedir que as boas influências se produzam, pois, por estar em posição de minoria, serão paralisadas e repudiadas.

Portanto, quando estamos no mesmo padrão vibratório de pessoas que estejam pensando no bem, se os nossos pensamentos também forem bons, pelo processo telepático atraímos e emitimos energias salutares, melhor dizendo, haverá uma troca daquelas positivas. Porém, se o ambiente estiver infestado de pensamentos maus, (carregado), saturado de fluidos negativos e forem a maioria, enfraquecerão as boas irradiações impedindo-as de penetrar naquele meio, e, as pessoas que também estiverem sob influências maléficas, receberão cargas de energias deletérias, que irão alojar-se no períspirito de cada uma, influenciando-a ao mal. Desse modo, se a nossa sintonia for com alguém que esteja emitindo energias malévolas e estivemos pensando no mal, elas se unirão e, obviamente, a permuta será de fluidos deletérios.

O ser humano é regido por duas espécies de normas comportamentais: As leis humanas, feitas pelo homem para regular a relação material entre eles, e as Divinas, elaboradas pelo Criador, para harmoniza-los espiritualmente. Embora ambas tenham o mesmo objetivo, a diferença entre uma e outra é que, de acordo com as primeiras, somente haverá infração quando o indivíduo as desrespeitar por meio de atos ou de palavras.

Se um indivíduo pratica o mal contra o seu semelhante com ações concretas ou palavras ofensivas, desrespeita as leis humanas e terá que responder perante à Justiça reparando o dano por ele causado; enquanto as segundas, além de poderem ser infringidas por obras e palavras, poderão também pelo pensamento. Quando alguém apenas pensa em praticar o mal contra o seu próximo, mas, por um motivo qualquer, até mesmo pelo emprego do livre arbítrio, não concretiza o seu intento, permanecendo apenas na vontade, mesmo assim ocorre a infração, porque o pensamento se materializa intimamente, a cena é fotografada e arquivada no seu períspirito.

Nesse caso, em razão de ainda não conhecer a Lei de Causa e Efeito, e ignorar as consequências das normas que regem a ação dos fluidos entre as pessoas, ele acredita estar impune, o que é um grande equívoco, pois, muito embora o seu desejo não tenha se realizado, não havendo, portanto, efeito material, mesmo assim não deixa de ser uma infração, pois a causa foi plasmada, fotografada e arquivada, e, como não há um só pensamento – criminoso ou virtuoso – que não tenha ação real sobre a massa humana, e sobre cada indivíduo, terá que responder perante a Lei Divina.

Sendo assim, a conclusão que se tem é que, no dia em que o homem, que ainda não tem consciência dos efeitos que seus maus pensamentos irão produzir sobre os demais, conhecer e perceber claramente a influência que poderão exercer sobre os seus semelhantes, já que nenhum corpo serve de obstáculo ao fluido perispiritual que a todos atravessa, e constatar que aquelas más energias vindas de outras pessoas, da mesma forma poderão lhe causar grandes males, considerando que elas poderão ser alteradas, pois o controle das energias é feito através do pensamento, perceberá, também, a necessidade de não mais mantê-los, e assim, com toda certeza procurará corrigir-se e não mais pensará em fazer o mal.

Por isso, quando o Mestre Jesus nos aconselhou a orar e vigiar, foi para que mantivéssemos uma vigilância constante, não somente sobre os nossos atos e palavras, mas, também, e principalmente naquilo que pensamos. Portanto quando presenciarmos uma cena de violência, como por exemplo um processo de linchamento, onde algumas pessoas, recapitulando vivências animalescas adormecidas no seu íntimo, atuam como feras, o que devemos fazer é nos afastar dali o mais depressa possível para não nos deixar influenciar pelas energias negativas emanadas daquela turba e, consequentemente, também participar daquela chacina.

Se estivermos com intenção de praticar o mal contra alguém, devemos, de imediato, procurar substituir aquelas más energias – nocivas ao próximo – por pensamentos benevolentes, a fim de impedir que aquela ideia malévola seja plasmada, fotografada e arquivada na nossa mente, podendo a qualquer momento se exteriorizar.


 Fonte: Rádio Boa Nova

sábado, 8 de outubro de 2016

Respeitar sim, repetir não...


Sabemos que os textos evangélicos sofreram muitas alterações ao longo dos séculos, para atender a interesses do mundo, ditados pelo culto do poder e da ambição, ou até pela fé ingênua e cega que pretendia converter, fazendo concessões. Nesse processo, incorporaram-se rituais e crenças mágicas, muito anteriores a Jesus, dando-se-lhes estatuto cristão.

A fé raciocinada encara sem medo esses fatos, já constatados pela História, e busca a essência dos ensinamentos do Mestre. Aliás, já nos advertia Kardec, no primeiro parágrafo da introdução a “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável”.

O ensino moral do Evangelho é inatacável, sem dúvida. É o evangelho propriamente dito. O mais pode até ser lenda, ou é, pelo menos, questionável, passível de investigação histórica e científica. Portanto, não há por que se repetirem, em nosso meio, velhas abordagens fantasiosas que vestem Jesus de magia e ilusão. O Mestre se basta, dispensa enfeites que não concorrem para amadurecer o Espírito, como é o caso das festas marcadas no calendário oficial.

Tais festas representam uma tradição dos católicos e, embora merecendo nosso respeito, não fazem o menor sentido para a Doutrina Espírita. Portanto, não se justifica nas escolinhas de evangelização a comemoração de datas como a Páscoa, nos moldes do convencionalismo cristão.

É certo, porém, que as crianças trazem informações veiculadas pelos meios de comunicação, pela família, pela escola e que não devemos agredi-las com doutrinações radicais, negando tudo o que conhecem e vivenciam no mundo. Mas podemos aproveitar esses saberes, para construir o novo ou resgatar, adequadamente, o ponto de vista histórico e cultural.

No caso da Páscoa, é preciso situá-la entre as  festas ligadas a rituais de fertilidade e seus símbolos, dissociando-a da figura de Jesus, com o cuidado de não repetir a crença de que Ele a instituiu ou de que lhe deu outro sentido, assumindo a posição do cordeiro sacrificado nessa época pelos judeus, para justificar a ressurreição e dar ao corpo do Deus a função de alimento.

O mito do deus morto e do deus ressurrecto é comum a muitas culturas da antiguidade. Quando Jesus encarnou entre nós, essa crença já era conhecida e os judeus, de sua parte, haviam conferido a ela características próprias, associando-a a episódio que remonta ao tempo de  sua submissão ao Egito. 

Jesus insere-se naquele contexto, é verdade, e participa dos eventos da época, mas frisa: “Meu reino não é deste mundo”. E mais: “Não quero sacrifício, mas misericórdia.”

Recuperemos a formação da palavra sacrifício: sacro + ofício. Na realidade, o Mestre da Galileia rompe o ciclo de repetição dos velhos rituais e propõe o mandamento do amor. Misericórdia é expressão do amor. Não cobrava Jesus oferendas nos templos, nem rituais mágicos, como aquele que se realizava na Páscoa. Não pretendia que se lhe oferecessem ofícios sagrados, mas sim que praticássemos a caridade.

A Terceira Revelação nos convida, através do Espírito de Verdade: “Amai-vos e instruí-vos”. Portanto, o conhecimento que nos traz a própria Doutrina assinala um compromisso com o estudo, ensejando a oportunidade de superar uma mentalidade mágica para alcançar o direcionamento da fé, pela razão. Assim, a evangelização espírita não precisa comemorar as festas da tradição cristã, mas deve constituir a festa de todo dia, porque oferece roteiro seguro para a vida e suas surpresas.

Este terceiro milênio do calendário ocidental está marcado, ao que parece, por descobertas científicas arrojadas e por inquietantes constatações da História, provocando a derrubada de velhas crenças. Se, inadvertidamente, repetimos tais crenças na Casa Espírita, estaremos entravando o progresso e perdendo a chance de esclarecimento que o próprio Espiritismo nos oferece.

A criança e o jovem precisam desenvolver uma fé robusta e vigorosa que resista não só aos ventos das novidades – com as quais são alvejados pela escola, pela mídia, pela comunicação virtual – mas também aos embates da vida. Educar-se pelo Evangelho à luz do Espiritismo é abrir uma janela para o futuro, é atravessar a linha do horizonte da acomodação, é libertar-se do velho círculo das ilusões.

       Respeitar sim, repetir não. Essa deveria ser a postura dos evangelizadores na casa espírita, diante dos atavismos da tradição cristã. 


Extraído de O Consolador, Crônicas e Artigos, por Rita Côre

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sintomas da Mediunidade


A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.



Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.


Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.


Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.


Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas. Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.


Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de  faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.


Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.


Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.


Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.


Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium  a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.


O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.


Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.


A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.


A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.


Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.


Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.


A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.


É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranqüila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.


Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.


Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.


Texto de autoria de Manoel Philomeno de Miranda

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Os dez mandamentos e o fenômeno da Pneumatografia


Há mais de 3500 anos, Moisés recebeu no Monte Sinai os dez mandamentos.

O Monte Sinai é uma região considerada sagrada pelo Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, localizada ao Sul da península do Sinai, no Egito. É também conhecido como Monte Horeb ou Jebel Musa, que, em árabe, significa “Monte de Moisés”.

Embora exista vasta literatura sobre o decálogo, a forma pela qual se deu o processo de recepção dos ensinos, considerados de origem divina, é desconhecida ou raramente comentada. Poucos estudiosos trataram do assunto especificamente.

Pelos registros bíblicos, em Deuteronômio (5:6-21), após conduzir os israelitas que haviam sido escravizados no Egito, atravessar o Mar Vermelho e se dirigir ao Monte Horeb, na Península do Sinai, ali, no sopé do Monte, as Tábuas da Lei teriam sido escritas diretamente por Deus e entregues a Moisés. Como as duas tábuas originais foram quebradas, – em reação colérica do legislador hebreu diante da observação de que o povo havia construído um Bezerro de Ouro e o adorava – Deus reescreveu outro conjunto de leis, conforme registrado em Êxodo (34:1).

Curiosamente, o decálogo em sua língua original, o hebraico, é constituído de 613 letras, o mesmo número que integra a Torá, o conjunto dos demais ensinos recebidos e registrados por Moisés em pergaminho.

*

Qual seria a explicação espírita sobre a inscrição do decálogo nas duas tábuas de pedra?

A Bíblia é um conjunto de livros que constitui o Velho e o Novo Testamento, repletos de fenômenos mediúnicos. Partamos do princípio de que Moisés era médium. Um intermediário entre a Vontade Divina e a liderança daquele povo de Israel, ainda de costumes rudimentares e, às vezes, até bárbaros. O profeta da primeira revelação no Ocidente estava só, no monte, sem a companhia de seus seguidores ou de qualquer outra pessoa. Um “fogo”, resultado de fenômeno mediúnico de efeitos físicos, separava Moisés do povo que teve medo de atravessar as labaredas. Sabemos que, espiritualmente, ele não se encontrava sozinho, pois certamente recebia a influência direta dos planos superiores da vida naquele momento ímpar de concentração individual, que resultaria em algo absolutamente definitivo e transformador para a história religiosa das civilizações ocidentais: a revelação de um Deus único, em oposição à crença pagã comum no politeísmo.

Uma possível interpretação espírita do ocorrido conduziria ao entendimento de que o médium Moisés recebeu pela escrita direta, em tábuas de pedra, o decálogo, um conjunto de dez ensinos sobre o comportamento do ser humano em relação a Deus e a seu próximo.

A pneumatografia (do grego pneuma – sopro ou espírito + graphein – escrever) é termo criado pelo Codificador do Espiritismo para denominar o tipo de fenômeno mediúnico em que um espírito se comunica por via escrita sem o auxílio de um médium escrevente ou psicógrafo. É, também, conhecida por escrita direta.

O fenômeno está classificado pelos Espíritos, em O livro dos médiuns, como mediunidade de efeitos físicos, mesmo contra a opinião de Allan Kardec que o preferiria na classe dos fenômenos de efeitos inteligentes. A explicação é a seguinte:

Os efeitos inteligentes são aqueles para cuja produção o Espírito se serve dos materiais existentes no cérebro do médium, o que não se dá na escrita direta. A ação do médium é aqui toda material, ao passo que no médium escrevente, ainda que completamente mecânico, o cérebro desempenha sempre um papel ativo.

Na pneumatografia, dispensa-se o uso do lápis, como adotado na psicografia, ou do teclado, como mais recentemente empregado na “psicodigitação”.  Então, o Espírito escreveria diretamente, sem intermediário, dispensando a “mão” de um médium.

Todavia, não se prescinde da figura do médium, indispensável para a realização de qualquer fenômeno mediúnico, seja de efeitos inteligentes ou físicos. Nestes últimos, o médium doa o ectoplasma, o fluido animalizado, para que o Espírito possa atuar na realidade material.

É o próprio Kardec quem explica na Revista Espírita como o fenômeno se dá:

Para escrever dessa maneira, o Espírito não se serve das nossas substâncias, nem dos nossos instrumentos. Ele próprio fabrica a matéria e os instrumentos de que há mister, tirando, para isso, os materiais preciosos, do elemento primitivo universal que, pela ação da sua vontade, sofre as modificações necessárias à produção do efeito desejado. Possível lhe é, portanto, fabricar tanto o lápis vermelho, a tinta de imprimir, a tinta comum, como o lápis preto, ou, até, caracteres tipográficos bastante resistentes para darem relevo à escrita.

A principal razão para a ocorrência do fenômeno é a comprovação da intervenção de um poder oculto, uma inteligência externa que se manifesta e transmite sua vontade.

*

Nada mais adequado para registrar, há cerca de 3,5 milênios, o início da história religiosa monoteísta do que o acontecimento marcante da inscrição direta em tábuas de pedras das leis fundamentais, que continuam até hoje a reger as relações dos homens entre si e com Deus.

Um fenômeno natural, raro certamente, mas especial em sua essência, que contou com a presença dos Espíritos Superiores, segundo a Vontade do Criador e a supervisão do Governador Espiritual da Terra, Jesus.

Ali, naquele momento crucial para a trajetória evolutiva da Humanidade, já se assinalavam os primeiros passos, prenunciando os novos tempos que haveriam de vir, atualmente confirmados pelas luzes do Consolador Prometido.

Referências:
BÍBLIA online.com.br. Disponível em: <http://www.bibliaonline.com.br/acf/dt/5>. Acesso em: 22 ago. 2016.
DEZ mandamentos. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Dez_Mandamentos>. Acesso em: 21 ago. 2016.
KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 81. ed., 5. imp. Brasília: FEB, 2016. it. 189.
______. Pneumatografia ou escrita direta. Revista Espírita, v. 2, n. 8, ago. 1859. Tradução de Evandro Noleto. 3. ed., 2. imp. Brasília: FEB, 2009.


Fonte: FEB, autor Geraldo Campetti Sobrinho.