Eternidade
quinta-feira, 21 de abril de 2022
sexta-feira, 25 de junho de 2021
O trabalhador espírita da Nova Era
O trabalhador espírita que não estiver atento a este fato, que continuar com os mesmos hábitos da época de provas e expiações necessita refletir sobre a necessidade de progresso para acompanhá-lo no rumo que conduz a um mundo melhor, regenerado.
Estar na transição e agir nos moldes da expiação e provas é estagnar-se e não perceber a necessidade de progresso que reclama hábitos e costumes diferentes dos até então praticados.
O mundo regenerado reclama atitudes diferentes do de provas e expiações; os herdeiros deste futuro serão aqueles renovados e em condições de usufruir a regeneração com espírito colaborativo; atitudes de respeito; entendimento ampliado sobre a vida do Espírito imortal; coração bondoso; responsabilidade coletiva; desprendimento das ideias não mais compatíveis com a realidade regenerada e ação caridosa em todas as circunstâncias.
Para isso, impõe-se a transição dos remanescentes do mundo de provas e expiações, porque as gerações novas já se compromissaram antes do nascer com as mudanças necessárias para que se faça a renovação da Humanidade.
O espírita da Nova Era realizará suas tarefas de maneira impessoal, portanto, coletivamente, para que surja a personalidade única, Jesus, que aguarda as consciências se iluminarem para reconhecê-lo como o único Pastor, Guia e Modelo, Governador da Mãe Terra.
O espírita dessa Nova Era terá o seu coração forjado à bondade; vivenciará a benevolência para com todos indistintamente, compartilhará suas tarefas para que a responsabilidade seja ampliada ao coletivo; deixará no abandono as ideias não compatíveis com as verdades luminíferas do Evangelho de Jesus, substituindo-as por tudo que é coerente com a Lei Divina ínsita nas consciências; pautará a vida com exemplos de amor, conforme Jesus elucidou e viveu, na demonstração ativa da prática da caridade.
Aquele que augurar ser espírita da Nova Era, encontra-se frente a frente com o grande desafio da renovação para melhor, de retirar as sombras acumuladas no passado sombrio e de fazer a escolha correta do caminho a seguir.
Ele, o Mestre Nazareno, já apontou a direção e a maneira de extirpar as sombras: Eu sou o caminho…. Aquele que me segue jamais estará em trevas.
Ave, Cristo!
Sigamo-lo, pois, intimoratos, no rumo da regeneração.
Fonte: O Reformador - FEB - junho/2021
domingo, 6 de dezembro de 2020
NAS VIBRAÇÕES DO ORGULHO
"Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." (Lucas, 14:11.)
Maria Emília sempre foi uma servidora dedicada da Casa Espírita. Com grande habilidade para organizar eventos e administrar recursos, ela foi se destacando como uma notável líder.
Em poucos anos, a colaboradora fiel se tornou presidente do Centro e, logo no início de sua gestão, já se percebia melhorias em alguns setores, especialmente na instituição que acolhia moradores de rua da comunidade. O prédio foi reformado e os atendidos puderam ter acesso a serviços médicos, refeição de qualidade, assim como mais conforto nas dependências da instituição.
O trabalho de Maria Emília perante a instituição, sem dúvida, é digno de mérito e beneficia centenas de pessoas. Mas, paralelo à sua brilhante atuação na senda do bem, os confrades mais próximos começaram a perceber nela traços de intolerância. Ocorrências infelizes em determinados eventos se tornaram mais frequentes: uma palavra ríspida aqui, a postura arrogante acolá, além do triste hábito de valorizar as fofocas e justificar suas decisões e atos como sendo instruções e atos como sendo instruções espirituais.
A conduta autoritária que a líder espírita passou a exibir é um exemplo claro da vaidade e do orgulho, ainda muito presentes nas casas espíritas. O médium vaidoso trabalha nas vibrações do ego e, não raro, é assediado por entidades enfermiças, puramente interessadas em colocar a perder as tarefas e a união de todo o grupo.
O orgulhoso não aceita críticas, despreza o valor alheio e tiraniza a si próprio nos meandros da culpa, já que possui crenças baseadas no perfeccionismo que o oprime. Tornando-se arrogante, ele afasta as pessoas, pois em sua ilusão se crê autossuficiente e só consegue ouvir aquilo que lhe convém.
O livro dos médiuns alerta:
Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns [...].¹
E o Evangelho,² a seu turno, cita o princípio da reencarnação como fator aniquilante do orgulho e da vaidade, pois, aquele que ocupa elevada posição em uma existência, na outra poderá se curvar à condição mais humilhante.
Dessa forma, é imperioso que priorizemos o trabalho na Casa Espírita. Repudiemos as interferências do egoísmo e do orgulho, para que a palavra dos Espíritos Superiores nos chegue pura, isenta de qualquer alteração.
¹ KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. cap. 20, it. 228.
² _________, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7, it. 6,11 e 12
Fonte: Reformador, junho/2016.
quinta-feira, 5 de março de 2020
Ação e Reação
Como pondera o próprio Codificador, no mesmo capítulo e com o subtítulo Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas futuras, “(...) no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema: em tudo ele se apoia nas observações, e são estas que lhe dão plena autoridade. Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, assim, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto. Preciso é afirmar que se não trata neste caso das revelações de um só Espírito, o qual poderia ver as coisas do seu ponto de vista, sob um só aspecto, ainda dominado por terrenos prejuízos, Tampouco se trata de uma revelação feita exclusivamente a um indivíduo que pudesse deixar-se levar pelas aparências, ou de uma visão extática suscetível de ilusões, e não passando muitas vezes de reflexo de uma imaginação exaltada. Trata-se, sim, de inúmeros exemplos fornecidos por Espíritos de todas as categorias, desde os mais elevados aos mais inferiores da escala por intermédio de outros tantos auxiliares (médiuns) disseminados pelo mundo, de sorte que a revelação deixa de ser privilégio de alguém, pois todos podem prová-la, observando-a, sem obrigar-se à crença pela crença de outrem.”.
Esta transcrição inicial é importante para nos situarmos no universo de observações que se colocou o Codificador para elaboração da teoria espírita advinda toda das revelações que os próprios espíritos fizeram.
O próprio O Livro dos Espíritos, obra lançada em 18 de abril de 1857 com os fundamentos doutrinários do Espiritismo e organizado em forma de perguntas e respostas, teve sua parte. Quarta, com dois capítulos e exatas cem perguntas com suas respectivas respostas, totalmente dedicado ao tema das penas e gozos, terrenos e futuros.
No citado Código, que citamos no primeiro parágrafo acima, utilizaremos o 3º dos 33 itens, para orientar o desenvolvimento do tema. O texto original apresenta-se nos seguintes termos: Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis consequências, como não há uma só qualidade que não seja fonte de um gozo.
Ora, são as imperfeições ou as qualidades da alma humana que geram suas ações felizes ou equivocadas. E essas ações estão caracterizadas com o selo moral do estágio em que se situa o ser. Portanto, os pensamentos, os sentimentos, e as próprias ações executadas no transcorrer de uma existência geram reflexos na própria existência, na vida espiritual ou até mesmo na próxima ou futuras existências a depender é claro da extensão ou gravidade da ação promovida.
A lei de ação e reação, ou o a cada um segundo suas próprias obras, baseia-se num perfeito mecanismo de justiça e igualdade absoluta para todos. Não há qualquer favoritismo para quem quer que seja. Agindo bem, teremos o mérito do bem. Agindo mal, teremos as consequências. Não se trata de castigo em absoluto, mas de consequências.
Qualquer prejuízo que causarmos a nós mesmos ou a terceiros, ocasionarão consequências inevitáveis em nossa própria vida. Isto é da Lei Divina. E qualquer benefício que distribuamos gerará méritos e benefícios correspondentes em nosso próprio caminho, ainda que haja ingratidão dos beneficiados.
Passamos a entender, portanto, que fazer o mal a quem quer que seja nunca será compensador, pois sempre responderemos pelo mal que causemos, inclusive a nós próprios. E, do mesmo modo, toda felicidade ou tranquilidade que proporcionarmos ao próximo redundará, inevitavelmente, em bem para nós mesmos.
Não é por outra razão que Jesus ensinou a perdoar. O ódio alimentado, a vingança executada ou a perseguição contumaz a qualquer pessoa redundarão em estágios de sofrimento e dor a seu próprio autor. Perdoando, libertamo-nos.
Também é pela mesma razão que a recomendação sempre constante é para que promovamos o bem, ainda que este não nos seja espontâneo (estamos aprendendo a incorporá-lo em nós mesmos), pois todo bem gera o bem. O mal sempre gerará consequências desagradáveis.
Fácil perceber', portanto, que muitos sofrimentos existentes hoje na vida individual, social e coletiva, inclusive a nível de planeta, poderiam ser evitados se houvesse o conhecimento dessa realidade das consequências geradas por nossos atos. Quantos equívocos pelo desconhecimento dessa lei que simplesmente usa a justiça e a igualdade como parâmetros...
Não temos o direito de ferir, de denegrir, de caluniar, de espliar... Não temos igualmente o direito de matar, de roubar (bens, dignidade, oportunidades, paz, etc), de interferir na vida alheia, de impor idéias ou padrões que julgamos corretos. Entendamos que as criaturas são livres, desejam ser respeitadas, assim como queremos ser...
Este é o detalhe: as tentativas de dominação, imposição, de cerceamento da liberdade individual, sempre ocasionarão sofrimentos, pois todos somos seres pensantes, com vontade própria, responsáveis pelo próprio caminho. Poderemos, é claro, sugerir, aconselhar (se formos solicitados), auxiliar no que for possível, mas jamais violentar as consciências. Todas merecem respeito.
O tema suscita muitos debates, abre perspectivas imensas de estudo. Observa-se que as próprias leis humanas, refletindo as imperfeições do estágio evolutivo do planeta, muitas vezes são equivocadas, gerando também consequências para o futuro. O que se observa atualmente é fruto de toda essa inconsciência coletiva dos mecanismos que nos dirigem a vida.
Há que se pensar no que estamos fazendo. Já não somos mais seres tão ingênuos que desconhecem as Leis Morais. Estamos todos num caminho evolutivo, onde os direitos são iguais. Tais direitos, abrangentes, devem ser respeitados pela igualdade e pela justiça.
E é justamente pelo desrespeito a tais princípios de igualdade e justiça que se observam os efeitos na vida material e na vida espiritual, com os depoimentos que os próprios espíritos trazem do estado em que se encontram, em virtude do padrão moral que adotaram no relacionamento uns com os outros ou consigo mesmos.
O próprio O Céu e o Inferno traz depoimentos, em sua segunda parte, de diferentes espíritos que descrevem a situação em que se encontraram após a morte. Mas a questão não é apenas para depois da morte. Há que se considerar a própria existência física, atual ou futura (s), onde os mesmos reflexos se fazem sentir.
Será de muita utilidade que possamos estudar e debater os itens do Código Penal da Vida Futura, constante do livro em referência, para espalhar tais esclarecimentos. Mesmo os depoimentos constantes da mesma obra, são de grande utilidade para estudos e reflexões.
São princípios desconhecidos da maioria dos espíritos encarnados no planeta, embora a consciência, onde está escrita a Lei de Deus (1), os avise de seus equívocos. Sufocados pelas imperfeições morais do orgulho, do egoísmo, da vaidade, ainda nos permitimos sufocar a própria consciência e agimos em detrimento uns dos outros. Daí as consequências inevitáveis e os sofrimentos...
Em tudo, porém, é preciso sempre considerar a misericórdia de Deus, que nunca abandona seus filhos e lhes abre sem cessar novas oportunidades de progresso. O tema é extenso, pois poderemos adentrar os domínios do arrependimento, expiação e reparação, mas desejamos mesmo é sugerir ao leitor a leitura atenta do Código constante em O Céu e o Inferno. Os itens enumerados, todos eles, abrem perspectivas imensas de entendimento e esclarecimento, o que seria impossível num artigo de poucas linhas. Melhor mesmo é buscar na fonte original a lucidez e clareza da própria Doutrina.
Para concluir, gostaríamos de oferecer à reflexão do leitor a frase de Joanna de Ângelis, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, constante do capítulo 38 – A glória do trabalho –, do livro Lampadário Espírita (2): No lugar em que te encontras, sempre poderás semear a luz da esperança e do amor. Eis um programação de ação para modificar os panoramas da vida humana. Basta nos situarmos no esforço do bem, para gerar efeitos salutares de felicidade e saúde.
Se usarmos este roteiro nas atitudes de cada dia, pronto! Estaremos sintonizados com o bem, gerando efeitos de amor e alegria. Simples consequência da lei de ação e reação.
*Utilizamo-nos da 32ª edição da FEB, de 09/84, com tradução de Manuel Quintão.
(1) questão 621 de O Livro dos Espíritos, edição FEB.
(2) 3ª edição da Federação Espírita Brasileira, maio de 1978.
Matéria publicada originariamente na revista REFORMADOR, edição de novembro/04.
sábado, 14 de dezembro de 2019
Pilares de sustentação do trabalho voluntário na Casa Espírita
Considerações iniciais
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Sublime investimento
O MUNDO conturbado suplica paz.
A sociedade em desalinho pede equilíbrio moral.
O lar clama por defensivas da harmonia.
O homem necessita das diretrizes da educação.
Comunidades religiosas definham à falta de fé.
Berçários da instrução se estiolam baldos de idealismo.
Oficinas do progresso transformam-se a uma Babel de dimensões agigantadas.
Generalizam-se quadros de sombra e dor, tormento e fel, sofrimento e angústia.
Busca-se a paz e fomenta-se a guerra.
Exalta-se o amor e estimula-se o ódio.
Louva-se o trabalho e serve-se à preguiça.
Fala-se em ordem e abraça-se a desordem.
Busca-se a luz e multiplica-se a treva.
Enaltece-se a Fé e caminha-se em descrença.
Investe-se no progresso material e olvida-se o plantio moral.
Prosseguimos, de fato, entre paradoxos de aflitivas consequências.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Aprendizado Incessante
¹ Wantuil, Zêus; Thiesen, Francisco. Allan Kardec: o educador e o codificador. v. 2. 2. ed. 2. reimp. Brasília: FEB, 2010.
sábado, 6 de janeiro de 2018
Acertos Genéticos
richardsimonetti@uol.com.br
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
A força da psicologia pré-natal
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Suicídio, uma visão médica e espírita
REFERÊNCIAS:
[1]PIMENTA, Danilo. A postura camu-siana perante o suicídio físico. Fragmentos de Cultura, Goiânia, v. 22, n. 3, p. 281-288, jul./set. 2012.
[2]Preventing suicide: a global imperative. 2014
[3]KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. Introdução, it. IV, Resumo da doutrina de Sócrates e Platão, subit. 9.
[4]____. Cap. 5, it. 16.
[5]O céu e o inferno. Trad. Guillon Ribeiro. 61. ed. 2. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. pt. 2, cap. 5.
[6]KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 2. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2016. Q. 621.
[7] PEREIRA, Yvonne A. Memórias de um suicida. Pelo Espírito Camilo Cândido Botelho. 27. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2016. Cap. Vale dos suicidas, p. 27.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
A Terra espera; Arai!
A Terra Espera; Arai!
José Carlos da Silva Silveira
Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!
Erasto
No capítulo XX de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec - Os Trabalhadores da Última Hora -, destacamos uma mensagem, assinada pelo Espírito Erasto, de alto significado para o Movimento Espírita. Trata-se do texto intitulado Missão dos espíritas, que trazemos a estas páginas, para reflexão.
A mensagem em referência traça o programa a ser desenvolvido pelos espíritas, com vistas à divulgação do Espiritismo, ressaltando o momento presente de transformação moral do Planeta como oportunidade inigualável para a realização dessa tarefa. Erasto sintetiza-o usando de magnífica imagem, que expressa vibrante convocação: Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!
Esse programa de ação se desdobra em três aspectos. O primeiro deles se patenteia na expressão o arado está pronto.
O arado é aparelho usado para arar a terra, a fim de prepará-la para receber a semente. Em nossa tarefa de divulgação da Doutrina Espírita, o arado pode ser entendido como os instrumentos que possuímos, ou detemos, para agir. São os nossos conhecimentos, as nossas experiências, as nossas disponibilidades, às nossas aquisições intelectuais e morais, as nossas possibilidades materiais e sociais, enfim, todos os talentos de que dispomos, convidando-nos, incessantemente a servir.
O arado está pronto. Assim é porque a Doutrina Espírita vem, ao longo do tempo, educando-nos para compreender a vida sob um novo prisma: o do espírito. Sob esse enfoque, possuímos já condições de usar os nossos talentos tendo em vista o bem geral e não apenas os nossos interesses pessoais, enquadrando-nos, assim, dentro dos parâmetros definidos por Karde para o verdadeiro espírita - aquele que se reconhece pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Dessa forma, para a ação que nos compete, falta-nos tão-somente um elemento: o exercício da nossa vontade. Daí apressar-se Erasto a concitar: Mãos à obra!, recordando Jesus, quando afirmou: Ni8nguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus. (Kycasm 9:62.)
Com efeito, é preciso pôr mãos à obra:
Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o conjunto das iniquidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.
Não vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. (Erasto, Missão dos Espíritas.)
O segundo aspecto do programa vem descrito pela expressão a terra espera.
De fato, a terra espera a semente, pois é nela que esta deve germinar. Consoante ensina Jesus, na Parábola do semeador, mesmo a terra improdutiva pode receber a semente. Compete, porém, ao agricultor, quando necessário, preparar previamente a terra, para que a semente aí lançada tenha condições de germinar e dar frutos. De igual sorte, a Humanidade anseia por ensinamentos que a despertem ou estimulem para o progresso moral. Principalmente nos dias atuais, em que o Planeta está prestes a entrar em novo estágio evolutivo, vê-se uma carência generalizada de espiritualidade. Os homens desejam novos rumos para a sua vida, embora muitas vezes não saibam o que fazer para descobri-los. Assemelham-se, em tudo, à terra, segundo descrito na Parábola do semeador, encontram-se na expectativa de algo novo que os possa guiar por caminhos menos íngremes na busca de horizontes espirituais mais amplos; entretanto, enfrentam dificuldades para a recepção dos ensinos superiores, por não serem, ainda, em grande parte, maduros para compreendê-los. Como proceder, então, para preparar a terra dos corações humanos de modo que se torne, de alguma forma, receptiva aos ensinos do Espiritismo? Erasto aponta o caminho a seguir, descerrando-nos o terceiro aspecto do seu programa de ação: "arai!". A propósito, explica:
Ide e pregai. (...) Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!
.........................................................................................................
A fé é a virtude que desloca montanhas (...). Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de coragem, para removerdes essa montanha de iniquidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lenda (...).
Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé.
Assim, é preciso [i]ir e pregar,[/i] não medindo esforços para que a Doutrina Espírita seja devidamente compreendida por todos.
A tarefa não é fácil. Mas, se o arado está pronto, e se a terra espera, o que nos compete é arar, pois, só assim, colheremos:
Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos. (Emmanuel, Pão Nosso, ed. FEB, cap. 3)
Torna-se necessário, contudo, tomarmos as devidas precauções, a fim de que o trabalho atinja dos resultados propostos pelos Espíritos Superiores. Nesse contexto, urge atentar para o real sentido das palavras de Erasto, quando comanda: Ide e pregai.
Em verdade, esse chamamento não se circunscreve à tarefa da divulgação do Espiritismo por meio da palavra, sob quaisquer das suas modalidades. Esse ponto Erasto apresenta, com extrema nitidez, na parte final da sua mensagem, in verbis:
Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, o vosso caminho e segui a verdade.
Pergunta. - Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho?
Resposta. - Reconhecê-lo-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-lo-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-lo-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-lo-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de Sua lei, os que seguem Sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição.
Vê-se, claramente, nas palavras acima reproduzidas, que a exemplificação dos ensinos espíritas é a real garantia da correta divulgação do Espiritismo. E isso se torna perfeitamente lógico quando se compreende o valor da força do exemplo no processo de atração dos Espíritos, em quaisquer graus evolutivos em que estagiem.
Isto posto, poderíamos, com base na mensagem sob estudo, relacionar algumas qualidades morais necessárias aos espíritas para o bom êxito do seu trabalho na divulgação do Espiritismo. São as seguintes: ter fé, ensinar e praticar a caridade; consolar os aflitos; amar o próximo; ter perseverança, abnegação e desinteresse pessoal; ser capaz de conquistar para o bem.
Evidentemente, a aquisição dessas qualidades não é trabalho de um dia, constituindo-se, de fato, em meta sublime a atingir, em nossas lutas evolutivas. Nada obstante, não se pode negar que, à medida que as vamos adquirindo, mais se nos enriquece a ação doutrinária, e mais se amplia a nossa convicção de que não estamos incluídos dentre aqueles que, chamados para o Espiritismo (...) se transviaram.
Por outro lado, a busca das qualidades em apreço fortalecerá a união dos espíritas, ampliando, pelos esforços de uma ação conjunta, as possibilidades de expansão do Espiritismo. É o que deflui das seguintes palavras do Espírito de Verdade, constantes na mensagem Os obreiros do Senhor, também inserida no capítulo XX de O Evangelho segundo o Espiritismo:
Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: "Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra", porquanto o Senhor lhes dirá: "Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra."
A precariedade, por ora, das nossas qualidades morais diante do grave compromisso assumido junto à Doutrina Espírita não afasta a possibilidade de sentirmos, desde já, a alegria e a paz advindas do cumprimento do nosso dever. Nesse sentido, encontramos belíssima página de Emmanuel - intitulada No Paraíso -, inserida na obra Pão Nosso, cap. 81. Na referida página, o abnegado benfeitor espiritual situa todo aquele que desperta para as verdades do espírito na posição do chamado bom ladrão, a quem Jesus promete a entrada imediata no paraíso. São dele as palavras seguintes:
Podemos apresentar-nos com volumosa bagagem de débitos do passado escuro, ante a verdade; mas desde o instante em que nos rendemos aos desígnios do Senhor, aceitando sinceramente o dever da própria regeneração, avançamos para região espiritual diferente, onde tudo jugo é suave e todo fardo é leve. Chegado a essa altura, o espírito endividado não permanecerá em falsa atitude beatífica, reconhecendo, acima de tudo, que, com Jesus, o sofrimento é retificação e as cruzes são claridades imortais.
Ainda, para finalizar esta reflexão em torno das considerações de Erasto, a respeito da missão dos espíritas, trazemos a lume outra instrução de Emmanuel bastante significativa para o entendimento deste assunto. Trata-se da mensagem Crê e Segue, contida também no livro Pão Nosso, cap. 180. Com toda a delicadeza do seu espírito de escol, leciona Emmanuel:
Se abraçaste, meu amigo, a tarefa espírita-cristã, em nome da fé sublimada, sedento de vida superior, recorda que o Mestre te enviou o coração renovado ao vasto campo do mundo para servi-Lo.
Não só ensinarás o bom caminho. Agirás de acordo com os princípios elevados que apregoas.
Ditarás diretrizes nobres para os outros, contudo, marcharás dentro delas, por tua vez.
Proclamarás a necessidade de bom ânimo, mas seguindo, estrada a fora, semeando alegrias e bênçãos, ainda mesmo quando incompreendido de todos.
................................................................................................
Ora e vigia.
Ama e espera.
Serve e renuncia.
Se não te dispões a aproveitar a lição do Mestre Divino, afeiçoando a própria vida aos seus ensinamentos a tua fé terá sido vã.
Ante o exposto, forçoso é convir na permanência do cumprimento do programa de ação delineado por Erasto, e que se alicerça na exemplificação da vivência espírita. Arai! - exorta o benfeitor espiritual -, porque a terra espera. Urge fazê-lo sem detença, porque o arado está pronto.
É pela perseverança no bem que atrairemos os nossos irmãos em humanidade para a excelência da proposta de vida que o Espiritismo descerra, preparando os seus corações para a germinação dos ensinos superiores, que frutificarão em alegria e paz, proporcionando, para eles e para nós, a colheita farta da felicidade sem mescla.
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Extraído da Revista Reformador nº 2072, novembro/2001









