Anunciada há muito tempo, mas com a publicação retardada em virtude de sua própria importância, esta obra aparecerá entre os dias 5 e 10 de janeiro, na livraria do Sr. Didier, nosso editor, localizada no Quai des Augustins, 351. Representa o complemento de O Livro dos Espíritos e encerra a parte experimental do Espiritismo, assim como este último contém a parte filosófica.
Fruto de longa experiência e de laboriosos
estudos, nesse trabalho procuramos esclarecer todas as questões que se ligam à
prática das manifestações. De acordo com os Espíritos, contém a explicação
teórica dos diversos fenômenos, bem como das condições em que os mesmos se
podem reproduzir. Não obstante, sobretudo a matéria relativa ao desenvolvimentoe ao exercício da mediunidade mereceu de nossa
parte uma atenção toda especial.
O Espiritismo experimental é cercado de muito
mais dificuldades do que geralmente se pensa, e os escolhos aí encontrados são
numerosos. É isso que ocasiona tantas decepções aos que dele se ocupam, sem a
experiência e os conhecimentos necessários. Nosso objetivo foi o de prevenir
contra esses escolhos, que nem sempre deixam de apresentar inconvenientes para
quem se aventure sem prudência por esse terreno novo. Não podíamos negligenciar
um ponto tão capital, e o tratamos com o cuidado que a sua importância reclama.
Os inconvenientes quase sempre se originam da
leviandade com que é tratado problema tão sério. Sejam quais forem, os Espíritos
são as almas dos que viveram, no meio das quais estaremos infalivelmente, de um
momento para outro. Todas as manifestações espíritas, inteligentes ou não, têm,
pois, por objeto, pôr-nos em contato com essas mesmas almas; se respeitamos os
seus restos mortais, com mais forte razão devemos respeitar o ser inteligente
que sobrevive e que constitui a sua verdadeira individualidade. Fazer das
manifestações uma brincadeira é faltar com o respeito que talvez amanhã
reclamaremos para nós mesmos, e que jamais é violado impunemente.
O primeiro momento de curiosidade causado por
esses estranhos fenômenos já passou. Hoje, que se lhes conhece a fonte,
guardemo-nos de profaná-la com brincadeiras descabidas e nos esforcemos por
nela haurir o ensinamento apropriado que nos assegurará a felicidade futura. O
campo é muito vasto e o objetivo por demais importante para cativar toda a
nossa atenção. Até hoje, todos os nossos esforços tenderam para fazer o
Espiritismo entrar neste caminho sério. Se esta nova obra, tornando-o ainda
mais bem conhecido, puder contribuir para impedir que o desviem de sua
destinação providencial, estaremos amplamente recompensados de nossos cuidados
e de nossas vigílias.
Não negamos que esse trabalho suscitará mais de
uma crítica da parte daqueles a quem incomoda a severidade dos princípios, bem
como dos que, vendo as coisas de um outro ponto de vista, já nos acusam de
querer fazer escola no Espiritismo. Se fazer escola é procurar nesta ciência um
fim útil e proveitoso para a Humanidade, teríamos o direito de nos sentir
envaidecidos com essa acusação. Mas uma tal escola não necessita de outro chefe
que não seja o bom-senso das massas e a sabedoria dos Espíritos bons, que a
teriam criado sem a nossa participação. Eis por que declinamos da honra de a ter
fundado, felizes de nos colocarmos sob a sua bandeira, não aspirando senão o
modesto título de propagador. Se for necessário um nome, inscreveremos em seu
frontispício: Escola de Espiritismo Moral e Filosófico, e para ela convidaremos
todos quantos têm necessidade de esperanças e de consolações.
(Sociedade de Paris, 28 de fevereiro – Médium: Sr. Morin)
Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Prestei atenção e, tendo reconhecido o ruído do riso dos encarnados e dos desencarnados, me disse: Sem dúvida a coisa é
interessante; vamos ver!… E eu não acreditava, senhores, ter o prazer de
vir passar a noite junto de vós. Contudo, estou feliz por isto, crede-o
bem, porque sei toda a simpatia que conservastes por vosso antigo
colega.
Assim, aproximei-me e os ruídos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! exclamavam; o fim do mundo!…
Oh! meu Deus, me disse eu, se é o fim do mundo, em que se vão tornar?… A
voz de vosso presidente e meu amigo, chegando até mim, compreendi que
vos lia algumas passagens de uma brochura na qual se anuncia o fim do
mundo como muito próximo. O assunto interessou-me; escutei atentamente
e, após ter refletido maduramente, venho, como o autor da brochura,
dizer-vos: Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!… Oh! não vos
assusteis, senhoras, porque é preciso estar bem perto para o tocar; e
quando o tocardes o vereis.
Esperando, se me permitis, vou dar-vos minha apreciação sobre esta
palavra, espantalho dos cérebros fracos e, também, dos Espíritos fracos;
porque, sabei-o, se o temor do fim do mundo aterroriza os seres
pusilânimes do vosso mundo, fere igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos os que
não estão desmaterializados, isto é, que, embora Espíritos, vivem mais
materialmente que espiritualmente, se apavoram à idéia do fim do mundo,
porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos
admireis, pois, de que essa idéia emocione certos Espíritos, que não
saberiam em que se tornar, se a Terra não existisse mais, porquanto a
Terra ainda é o seu mundo, o seu ponto de apoio.
Por mim, me disse: Sim, o fim do mundo está próximo; está aí, eu o vejo, o toco… está próximo para os que, mau grado seu, trabalham para precipitar o seu advento!… Sim, o fim do mundo está próximo; mas, o fim de que mundo?
Será o fim do mundo da superstição, do despotismo, dos abusos mantidos pela ignorância, pela malevolência e pela hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; numa palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos, que são o triste apanágio do vosso mundo.
Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Ao contrário, não se deve ver a realização dos altos destinos
da Humanidade? E se refletirmos em tudo o que se passa em torno de nós,
esses sinais precursores não serão o sinal do começo de um outro mundo,
isto é, de um outro mundo moral, em vez do da destruição do mundo
material?
Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar… Tudo concorre para o fim do velho mundo, e os que se esforçam por
sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para a sua
destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; pressentem-no e
se apavoram, crede bem, mais que do fim do mundo terrestre, porque é o
fim de sua dominação, de sua preponderância, a que se apegam mais do que
a qualquer outra coisa; e isto não será, em relação a eles, a vingança
de Deus, pois Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos.
Como vós, os Espíritos são filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o ser; se são maus, não é porque tenham trabalhado para o ser, mas porque não trabalharam para se tornarem bons.
Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência dAquele a quem nada escapa, quer que tudo se construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for
concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o
antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho
não haverá solução de continuidade.
É assim que se deve entender o fim do mundo, que já pressagiam tantos sinais precursores. E quais serão os poderosos obreiros para esta grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós
senhoritas, com o auxílio da dupla alavanca da instrução e
do Espiritismo. Na mulher na qual o Espiritismo penetrou, há mais que
uma mulher, há um trabalhador espiritual; nesse estado, tudo trabalhando
por ela, a mulher trabalha ainda muito mais que o homem na edificação
do monumento, porque, quando ela conhecer todos os recursos do
Espiritismo e dele souber servir-se, a maior parte da obra por ela
estará feita. Amamentando o corpo de seu filho, também poderá alimentar o
seu espírito; e que melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro,
aprendiz de seu pai? Assim o menino sugará, ao crescer, o leite da
espiritualidade, e quando tiverdes espíritas, filhos de espíritas e pais
de espíritas, o fim do mundo, tal qual o compreendemos, não estará
realizado? Depois disto, admirai-vos de que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o
que se prende ao velho mundo, e do encarniçamento com que procuram
sufocá-lo em seu berço?
Jobard. Revista Espírita 1868, publicada por Allan Kardec
(Sociedade Espírita de Paris. Médium, senhorita A. C.)
Publicado na Revista Espírita – Jornal de Estudos Psiclógicos –
7º ano – Nº 1 – Janeiro de 1864
1ª Edição – 1995 – Instituto de Difusão Espírita
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I – Limites da reencarnação.
A reencarnação é necessária enquanto a matéria domina o Espírito; mas
do momento em que o Espírito encarnado chegou a dominar a matéria e
anular os efeitos de sua reação sobre o moral, a reencarnação não tem
mais nenhuma utilidade nem razão de ser. Com efeito, o corpo é
necessário ao Espírito para o trabalho progressivo até que, tendo
chegado a manejar esse instrumento à sua maneira, a lhe imprimir a sua
vontade, o trabalho está realizado. É-lhe preciso, então, um outro campo
para a sua caminhada, para o seu adiantamento no infinito; lhe é
preciso um outro círculo de estudos onde a matéria grosseira das esferas
inferiores seja desconhecida. Tendo sobre a Terra, ou em globos
análogos, depurado e experimentado suas sensações, está maduro para a
vida espiritual e seus estudos. Tendo se elevado acima de todas as
sensações corpóreas, não tem mais nenhum desses desejos ou necessidades
inerentes à corporeidade: ele é Espírito e vive pelas sensações
espirituais que são infinitamente mais deliciosas do que as mais
agradáveis sensações corpóreas.
II – A reencarnação e as aspirações do homem.
As aspirações da alma ocasionam a sua realização, e esta realização
se cumpre na reencarnação enquanto o Espírito está no trabalho material;
eu me explico. Tomemos o Espírito em seu início na carreira humana;
estúpido e bruto, sente, no entanto, a centelha divina nele, uma vez que
adora um Deus, que ele materializa segundo a sua materialidade. Nesse
ser, ainda vizinho do animal, há uma aspiração instintiva, quase
inconsciente, rumo a um estado menos inferior. Começa por desejar
satisfazer seus apetites materiais, e inveja aqueles que vê num estado
melhor do que o seu; também, numa encarnação seguinte, ele mesmo
escolhe, ou antes, é arrastado a um corpo mais aperfeiçoado; e sempre,
em cada uma de suas existências, deseja uma melhoria material; não se
achando jamais feliz, quer sempre subir, porque a aspiração à felicidade
é a grande alavanca do progresso.
À medida que suas sensações corpóreas se tornam maiores, mais
refinadas, suas sensações espirituais despertam e crescem também. Então o
trabalho moral começa, e a depuração da alma se une à aspiração do
corpo para chegar ao estado superior.
Esse estado de igualdade das aspirações materiais e espirituais não é
de longa duração; logo o Espírito se eleva acima da matéria, e suas
sensações não podem ser satisfeitas por ela; é-lhe preciso mais; lhe é
preciso o melhor; mas aí o corpo, tendo sido levado à sua perfeição
sensitiva, não pode seguir o Espírito, que então o domina e dele se
desliga cada vez mais, como um instrumento inútil. Volta todos os seus
desejos, todas as suas aspirações, para um estado superior; sente que as
necessidades corpóreas, que lhe eram um objeto de felicidade em suas
satisfações, não são mais do que uma tortura, um rebaixamento, do que
uma triste necessidade da qual aspira se libertar para gozar, sem
entraves, de todas as felicidades espirituais que ele pressente.
III – Ação dos fluidos na reencarnação.
Sendo os fluidos os agentes que colocam em movimento o nosso aparelho
corpóreo, são eles também que são os elementos de nossas aspirações,
porque há fluidos corpóreos e fluidos espirituais, que todos tendem a se
elevarem e se unirem aos fluidos da mesma natureza. Esses fluidos
compõem o corpo espiritual do Espírito que, no estado encarnado, age por
eles sobre a máquina humana que está encarregado de aperfeiçoar, porque
tudo é trabalho na criação, tudo concorre para o adiantamento geral.
O Espírito tem seu livre arbítrio, e procura sempre o que lhe é
agradável e o satisfaz. Se é um Espírito inferior e material, procura
suas satisfações na materialidade, e então dará um impulso aos seus
fluidos corpóreos que dominarão, mas tenderão sempre a crescer e a se
elevar materialmente; portanto, as aspirações desse encarnado são
materiais, e, retornado ao estado de Espírito, procurará uma nova
encarnação onde satisfará as suas necessidades e seus desejos materiais;
porque, notai bem, a aspiração corpórea não pode pedir, como
realização, senão uma nova corporeidade, ao passo que a aspiração
espiritual não se prende senão às sensações do Espírito. Ela será
solicitada por seus fluidos que deixou se materializarem; e como no ato
da reencarnação os fluidos agem para atrair o Espírito ao corpo que foi
formado, houve, pois, atração e união dos fluidos, a reencarnação se
opera em condições que darão satisfação às aspirações de sua existência
precedente.
Ocorre o mesmo com os fluidos espirituais com os fluidos materiais,
se são eles que dominam; mas então, quando o espiritual se sobrepôs
sobre o material, o Espírito, que julga diferentemente, escolhe ou é
atraído por simpatias diferentes; como lhe é necessária a depuração, e
que não é senão pelo trabalho que a alcança, as encarnações escolhidas
são mais penosas para ele, porque, depois de haver dado a supremacia à
matéria e aos seus fluidos, lhe é necessário constrangê-la, lutar com
ela e dominá-la. Daí essas existências tão dolorosas e que parecem,
frequentemente, tão injustas, infligidas a Espíritos bons e
inteligentes. Aqueles fazem sua última etapa corpórea e entram, saindo
deste mundo, nas esferas superiores onde suas aspirações superiores
acharão a sua realização.
IV – As afeições terrestres e a reencarnação.
O dogma da reencarnação indefinida encontra oposições no coração do
encarnado que ama, porque em presença dessa infinidade de existências,
produzindo cada uma delas novos laços, pergunta-se com medo o que se
tornam as afeições particulares, e se elas não se fundem num único amor
geral, o que destruiria a persistência da afeição individual.
Pergunta-se se essa afeição individual não é somente um meio de
adiantamento, e então o desencorajamento se insinua em sua alma, porque a
verdadeira afeição sente a necessidade de um amor eterno, sentindo que
não se deixará jamais de amar. O pensamento de milhares dessas afeições
idênticas lhe parece uma impossibilidade, mesmo admitindo faculdades
maiores para o amor.
O encarnado que estuda seriamente o Espiritismo, sem tomar partido
por um sistema antes que por um outro, se encontra arrastado para a
reencarnação pela justiça que decorre do progresso e do adiantamento do
Espírito em cada nova existência; mas quando o estuda do ponto de vista
das afeições do coração, duvida e se atemoriza apesar dele. Não podendo
colocar de acordo esses dois sentimentos, se diz que ali ainda tem um
véu a levantar, e seu pensamento nesse trabalho atrai as luzes dos
Espíritos para concordar seu coração e sua razão.
Eu disse precedentemente: a encarnação se detém lá onde a
materialidade é anulada. Mostrei como o progresso material havia de
início refinado as sensações corpóreas do Espírito encarnado; como o
progresso espiritual, tendo vindo em seguida, havia contrabalançado a
influência da matéria, depois a havia, enfim, subordinado à sua vontade,
e, que chegado a esse grau de domínio espiritual, a corporeidade não
tinha mais razão de ser, o trabalho estando realizado.
Examinemos agora a questão da afeição sob esses dois aspectos, material e espiritual.
De início, o que é a afeição, o amor? Ainda a atração fluídica
atraindo dois seres um para o outro, e unindo-os num mesmo sentimento.
Essa atração pode ser de duas naturezas diferentes, uma vez que os
fluidos são de duas naturezas. Mas para que a afeição persista
eternamente, é preciso que ela seja espiritual e desinteressada; é
preciso a abnegação, o devotamento, e que nenhum sentimento pessoal seja
o móvel desse arrastamento simpático. Do momento em que haja, nesse
sentimento, personalidade, há materialidade; ora, nenhuma afeição
material persiste nos domínios do Espírito. Portanto, toda afeição que
não seja senão o resultado do instinto animal ou do egoísmo, se destrói à
morte terrestre. Também, que seres supostamente amados são esquecidos
depois de pouco tempo de separação! Vós os haveis amado por vós e não
por eles, aqueles que não são mais, uma vez que os esquecestes e
substituístes; procurastes a consolação no esquecimento; eles se vos
tornam indiferentes, porque não tendes mais amor.
Contemplai a Humanidade, e vede o quanto há pouca afeição verdadeira
sobre a Terra! Também não se deve tanto se amedrontar com a
multiplicidade das afeições contraídas nesse mundo; elas são em minoria
relativa, mas existem, e as que são reais persistem e se perpetuam sob
todas as formas, sobre a Terra, de início, depois continuam no estado de
Espírito numa amizade ou um amor inalterável, que não faz senão crescer
em se elevando mais.
Vamos estudar esta verdadeira afeição: a afeição espiritual.
A afeição espiritual tem por base a afinidade fluídica espiritual,
que, agindo sozinha, determina a simpatia. Quando ocorre assim, é a alma
que ama a alma, e essa afeição não toma força senão pela manifestação
dos sentimentos da alma. Dois Espíritos unidos espiritualmente se
procuram e tendem sempre a se aproximarem; seus fluidos são atrativos.
Que estejam num mesmo globo, serão levados um para o outro; que estejam
separados pela morte terrestre, seus pensamentos se unirão na lembrança,
e a união se fará na liberdade do sono; e quando a hora de uma nova
encarnação soar para um deles, procurará se aproximar de seu amigo
entrando nisso que é sua filiação material, e fá-lo-á com tanto mais
facilidade quanto seus fluidos perispirituais materiais encontrarem
afinidade na matéria corpórea dos encarnados que deram a luz ao novo
ser. Dai um novo aumento da afeição, uma nova manifestação do amor. Tal
Espírito amigo vos amou como pai, vos amará como filho, como irmão ou
como amigo, e cada um desses laços aumentará de encarnação em
encarnação, e se perpetuará de maneira inalterável quando, vosso
trabalho estando feito, vivereis da vida do Espírito.
Mas essa verdadeira afeição não é comum sobre a Terra, e a matéria
vem retardá-la, anulando-lhe os efeitos, segundo ela domine o Espírito. A
verdadeira amizade, o verdadeiro amor sendo espiritual, tudo o que se
relaciona com a matéria não é de sua natureza, nem concorre em nada para
a identificação espiritual. A afinidade persiste, mas fica no estado
latente até que o fluido espiritual se sobrepondo, o progresso simpático
se efetue de novo. Para me resumir, a afeição espiritual é a única
resistência no domínio do Espírito; sobre a Terra e nas esferas de
trabalho corpóreo, ela concorre para o adiantamento moral do Espírito
encarnado que, sob a influência simpática, cumpre milagres de abnegação e
de devotamento pelos seres amados. Aqui, nas moradas celestes, ela é a
satisfação completa de todas as aspirações, e a maior felicidade que o
Espírito possa sentir.
V – O progresso entravado pela reencarnação indefinida.
Até aqui a reencarnação foi admitida de um modo muito prolongado; não
se pensou senão nessa prolongação da corporeidade, embora cada vez
menos material, ocasionando, no entanto, necessidades que deviam
entravar o vôo do Espírito. Com efeito, admitindo a persistência da
geração nos mundos superiores, atribui-se ao Espírito encarnado
necessidades corpóreas, dão-lhe deveres e ocupações ainda materiais que
constrangem e detêm o impulso dos estudos espirituais. Que necessidade
desses entraves? O Espírito não pode gozar as felicidades do amor sem
sofrer as enfermidades corpóreas? Sobre a própria Terra, esse sentimento
existe por si mesmo, independente da parte material de nosso ser; os
exemplos, embora sejam raros, estão aí, suficientes para provar que deve
ser sentido mais geralmente entre os seres mais espiritualizados.
A reencarnação ocasiona a união dos corpos, o amor puro somente a
união das almas. Os Espíritos se unem segundo suas afeições começadas
nos mundos inferiores, e trabalham juntos para o seu adiantamento
espiritual. Eles têm uma organização fluídica muito diferente daquela
que era a consequência de seu aparelho corpóreo, e seus trabalhos se
exercem sobre os fluidos e não sobre os objetos materiais. Vão em
esferas que, também elas, cumpriram seu período material, em esferas
cujo trabalho humano levou a desmaterialização, e que, chegados ao
apogeu de seu aperfeiçoamento, também passaram por uma transformação
superior, que os torna próprios para sofrer outras modificações, mas num
sentido todo fluídico.
Compreendeis, desde hoje a força imensa do fluido, força que não
podeis senão constatar, mas que não vedes nem apalpais. Num estado menos
pesado do que aquele em que estais, teríeis outros meios de ver, de
tocar, de trabalhar esse fluido que é o grande agente da vida universal.
Porque, pois, o Espírito teria ainda necessidade de um corpo que está
fora das apreciações corpóreas? Dir-me-eis que esse corpo está em
relação com os novos trabalhos que o Espírito terá que cumprir; mas uma
vez que esses trabalhos serão todo fluídicos e espirituais nas esferas
superiores, por que dar-lhe o embaraço das necessidades corpóreas,
porque a reencarnação ocasiona sempre, como eu o disse, geração e
alimentação, quer dizer, necessidade da matéria a satisfazer, e, em
compensação, entraves para o Espírito. Compreendeis que o Espírito deve
ser livre em seu vôo para o infinito; compreendeis que tendo saído dos
cueiros da matéria, ele aspira, como a criança, a caminhar e correr sem
ser contido pelas andadeiras maternas, e que essas primeiras
necessidades da primeira educação da criança são supérfluas para a
criança crescida, e insuportáveis ao adolescente. Não desejeis, pois,
permanecer na infância; considerai-vos como alunos fazendo seus últimos
estudos escolares, e se dispondo a entrar no mundo, e a ter nele seu
lugar, e a começar os trabalhos de um outro gênero que seus estudos
preliminares terão facilitado.
O Espiritismo é a alavanca que levantará de um pulo ao estado
espiritual todo encarnado que, querendo bem compreendê-lo e pô-lo em
prática, se ligará em dominar a matéria, a dela se tornar senhor, a
aniquilá-la; todo Espírito de boa vontade pode se colocar em estado de
passar, deixando este mundo, ao estado espiritual sem retorno terrestre;
somente, lhe é preciso a fé ou vontade ativa. O Espiritismo a dá a
todos aqueles que querem compreendê-lo em seu sentido moralizador.
Um espírito protetor do médium.
Nota.
- Esta comunicação não leva outra assinatura senão esta acima, o que
prova que não há necessidade de haver tido um nome célebre sobre a Terra
para ditar boas coisas.
Resumo:
A vida do Espírito, considerada do ponto de vista do progresso, apresenta três períodos principais, a saber:
1º- O período material onde a influência da matéria domina a do
Espírito; é o estado dos homens dados às paixões brutais e carnais, à
sensualidade; cujas aspirações são exclusivamente terrestres, que são
apegados aos bens temporais, ou refratários às ideias espiritualistas.
2º – O período de equilíbrio; aquele em que as influências da matéria
e do Espírito se exercem simultaneamente; onde o homem, embora
submetido às necessidades materiais, pressente e compreende o estado
espiritual; onde ele trabalha para sair do estado corpóreo.
Nesses dois períodos o Espírito está submetido à reencarnação, que se cumpre nos mundos inferiores e medianos.
3º – O período espiritual aquele em que o Espírito, tendo dominado
completamente a matéria, não tem mais necessidade da encarnação nem do
trabalho material, seu trabalho é todo espiritual; é o estado dos
Espíritos nos mundos superiores.
A facilidade com a qual certas pessoas aceitam as ideias espíritas,
das quais parecem ter a intuição, indica que pertencem ao segundo
período; mas entre estas e as outras há uma multidão de graus que o
Espírito atravessa tanto mais rapidamente quanto mais próximo estiver do
período espiritual; é assim que, de um mundo material como a Terra, ele
pode ir habitar um mundo superior, como Júpiter, por exemplo, se seu
adiantamento moral e espiritual for suficiente para dispensá-lo de
passar pelos graus intermediários. Depende, pois, do homem deixar a
Terra sem retorno, como mundo de expiação e de prova para ele, ou não
retornar a ela senão em missão.
De
todos os planetas, o mais adiantado sob todos os aspectos é Júpiter. É o
reino exclusivo do bem e da justiça, porquanto só tem Espíritos bons. Pode
fazer-se uma ideia do estado feliz de seus habitantes pelo quadro que demos de
um mundo habitado apenas por Espíritos da segunda ordem.
A superioridade de Júpiter não
está somente no estado moral de seus habitantes; está também na sua
constituição física. Eis a descrição que nos foi dada desse mundo privilegiado, onde
encontramos a maior parte dos homens de bem que honraram nossa Terra por
suas virtudes e talentos.
A conformação do corpo é mais
ou menos a mesma daqui, porém é menos material, menos denso e de uma maior
leveza específica. Enquanto rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter
transporta-se de um a outro lugar, deslizando sobre a superfície do solo,
quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água.
Sendo mais depurada a matéria
de que é formado o corpo, dispersa-se após a morte sem ser submetida à
decomposição pútrida. Ali não se conhece a maioria das moléstias que nos afligem,
sobretudo as que se originam dos excessos de todo gênero e da devastação das
paixões.
A alimentação está em relação
com essa organização etérea; não seria suficientemente substancial para os
nossos estômagos grosseiros, sendo a nossa por demais pesada para eles; compõe-se
de frutos e plantas; de alguma sorte, aliás, a maior parte eles a haurem no
meio ambiente, cujas emanações nutritivas aspiram.
A duração da vida é,
proporcionalmente, muito maior que na Terra; a média equivale a
cerca de cinco dos nossos séculos; o desenvolvimento é também muito mais rápido
e a infância dura apenas alguns de nossos meses. Sob esse leve
envoltório, os Espíritos se desprendem facilmente e entram em comunicação
recíproca apenas pelo pensamento, sem, todavia, excluir a linguagem articulada;
para a maior parte deles, também, a segunda vista é uma
faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao de nossos sonâmbulos
lúcidos; eis por que se nos manifestam mais facilmente do que os
encarnados nos mundos mais grosseiros e mais materiais. A intuição que têm do
seu futuro, a segurança dada por uma consciência isenta de remorsos fazem com
que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; veem-na chegar sem
temor e como simples transformação.
Os animais não estão
excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, contudo, daquele do
homem; seu corpo, mais material, prende-se à terra, como os nossos. Sua
inteligência é mais desenvolvida que a dos nossos animais; a estrutura de seus
membros presta-se a todas as exigências do trabalho; são encarregados da
execução de obras manuais: são os serviçais e os operários; as
ocupações dos homens são puramente intelectuais. Para os animais o homem é uma
divindade tutelar que jamais abusa do poder para os oprimir.
Quando se comunicam conosco,
os Espíritos que habitam Júpiter geralmente sentem prazer em descrever o seu
planeta; ao se lhes pedir a razão, respondem que o fazem com o
fito de nos inspirarem o amor do bem, com a esperança de lá chegarmos um dia. Foi
com essa intenção que um deles, que viveu na Terra com o nome de Bernard
Palissy, célebre oleiro (que lida com objetos de barro (louças, telhas,
tijolos, etc.) do século XVI, ofereceu-se espontaneamente, sem que
ninguém lhe pedisse, para elaborar uma série de desenhos, tão notáveis por sua
singularidade quanto pelo talento de execução, destinados a dar-nos a
conhecer, até nos menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para
nós.
Alguns retratam personagens,
animais, cenas da vida privada; os mais impressionantes, porém, são
os que representam habitações, verdadeiras obras-primas de que coisa alguma na
Terra nos poderia dar uma ideia, porque em nada se assemelham
ao que conhecemos; é um gênero de arquitetura indescritível, tão original e,
entretanto, tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa que
desafia a mais fecunda imaginação.
O Sr. Victorien Sardou, jovem
literato de nossas relações, cheio de talento e de futuro, mas de forma alguma
desenhista, serviu-lhe de intermediário. Palissy prometeu-nos uma
série de desenhos que, de certo modo, será a monografia ilustrada desse mundo
maravilhoso. Esperamos que essa curiosa e interessante coletânea, sobre a
qual voltaremos em artigo especial consagrado aos médiuns desenhistas, possa um
dia ser liberada ao público.
O planeta Júpiter, apesar do
quadro sedutor que nos foi dado, não é, absolutamente, o mais
perfeito dos mundos. Outros há, desconhecidos para nós, que lhe são muito
superiores, do ponto de vista físico e moral, e cujos habitantes
gozam de felicidade ainda mais perfeita; são a morada dos Espíritos mais
elevados, cujo etéreo envoltório nada mais tem das propriedades conhecidas da
matéria.
Já nos perguntaram diversas
vezes se pensamos que a condição do homem terreno seria um obstáculo absoluto à
sua passagem, sem intermediário, da Terra para Júpiter. A
todas as perguntas que dizem respeito à Doutrina Espírita, jamais respondemos
conforme nossas próprias ideias, contra as quais estamos
sempre em guarda. Limitamo-nos a transmitir o ensino que nos é dado pelos
Espíritos, não os aceitando de forma leviana e com irrefletido entusiasmo.
À pergunta acima respondemos
claramente, porque tal é o sentido formal de nossas instruções e o resultado de
nossas próprias observações: Sim; deixando a Terra, pode o homem ir
imediatamente a Júpiter, ou a outro mundo análogo, pois que não é o único dessa
categoria. Pode-se ter certeza disso? Não. Contudo poderá ele ir, visto
haver na Terra, embora em pequeno número, Espíritos muito bons e
suficientemente desmaterializados para não se sentirem deslocados num mundo
onde o mal não tem acesso.
Não há certeza, porque
o homem pode iludir-se sobre o seu mérito pessoal ou tem que cumprir, alhures,
outra missão. Seguramente, os que podem esperar esse favor não são os
egoístas, nem os ambiciosos, nem os avarentos, nem os ingratos, nem os
ciumentos, nem os orgulhosos, nem os vaidosos, nem os hipócritas, nem os
sensuais ou qualquer daqueles que se deixaram dominar pelo apego aos bens
terrestres; a esses, serão necessárias, talvez, longas e rudes provas. Isso
depende da sua vontade.
Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita :: julho/2006
O Sr. M... havia comprado em segunda mão uma medalha que lhe pareceu
notável por sua singularidade. Era do tamanho de um escudo de seis
libras; tinha o aspecto da prata, embora um pouco acinzentada. Sobre
ambas as faces estão gravadas, em baixo-relevo, uma porção de sinais,
entre os quais se nota planetas, círculos entrelaçados, um triângulo,
palavras ininteligíveis e iniciais em caracteres vulgares; depois,
outros em caracteres bizarros, lembrando o árabe, tudo disposto de modo
cabalístico, conforme o gênero utilizado pelos mágicos.
Tendo
o Sr. M... interrogado a senhorita J..., médium-sonâmbula, a respeito
dessa medalha, foi-lhe respondido que era composta de sete metais, havia
pertencido a Cazotte e tinha o poder especial de atrair os Espíritos e
facilitar as evocações. O sr. de Caudemberg, autor de uma série de
comunicações que, como médium, dizia ter recebido da Virgem Maria,
disse-lhe que era uma coisa maléfica, destinada a atrair os demônios. A
senhorita Guldenstubé, médium, irmã do Barão de Guldenstubé, autor de
uma obra sobre pneumatografia, ou escrita direta, garantiu que a medalha
possuía uma virtude magnética e poderia provocar o sonambulismo.
Pouco
satisfeito com essas respostas contraditórias, o sr. M...
apresentou-nos a medalha, pedindo nossa opinião pessoal a respeito e, ao
mesmo tempo, solicitando interrogássemos um Espírito superior a
propósito de seu real valor, do ponto de vista da influência que pudesse
ter.
Eis a nossa resposta:
Os
Espíritos são atraídos ou repelidos pelo pensamento, e não pelos
objetos materiais, que nenhum poder exercem sobre eles. Em todos os
tempos os Espíritos superiores têm condenado o emprego de sinais e de
formas cabalísticas, de modo que todo Espírito que lhes atribuir uma
virtude qualquer, ou que pretender oferecer talismãs como objeto da
magia, por isso mesmo revelará a sua inferioridade, quer quando age de
boa-fé e por ignorância, em conseqüência de antigos preconceitos
terrestres de que ainda se acha imbuído, quer quando, como Espírito
zombeteiro, se diverte conscientemente com a credulidade alheia. Quando
não traduzem pura fantasia, os sinais cabalísticos são símbolos que
lembram crenças supersticiosas na virtude de certas coisas, como os
números, os planetas e sua concordância com os metais, crenças que foram
geradas nos tempos da ignorância e que repousam sobre erros manifestos,
aos quais a ciência fez justiça, ao revelar o que existe sobre os
pretensos sete planetas, os sete metais, etc.
A
forma mística e ininteligível desses emblemas tinha por objetivo a sua
imposição ao vulgo, sempre inclinado a considerar maravilhoso tudo
aquilo que é incapaz de compreender. Quem quer que tenha estudado
racionalmente a natureza dos Espíritos não poderá admitir que, sobre
eles, se exerça a influência de formas convencionais, nem de substâncias
misturadas em certas proporções; seria renovar as práticas do caldeirão
das feiticeiras, dos gatos pretos, das galinhas pretas e de outros
sortilégios. Não podemos dizer a mesma coisa de um objeto magnetizado
que, como se sabe, tem o poder de provocar o sonambulismo ou certos
fenômenos nervosos sobre o organismo. Nesse caso, porém, a virtude do
objeto reside unicamente no fluido de que se acha momentaneamente
impregnado e que assim se transmite, por via mediata, e não em sua
forma, em sua cor e nem, sobretudo, nos sinais de que possa estar
sobrecarregado.
Um
Espírito pode dizer: "Traçai tal sinal e, à vista dele, reconhecerei que
me chamais, e virei"; nesse caso, todavia, o sinal traçado é apenas a
expressão do pensamento; é uma evocação traduzida de modo material. Ora,
os Espíritos, seja qual for a sua natureza, não necessitam de
semelhantes artifícios para se comunicarem; os Espíritos superiores
jamais os empregam; os inferiores podem fazê-lo visando fascinar a
imaginação das pessoas crédulas que querem manter sob dependência. Regra
geral: para os Espíritos superiores a forma nada é; o pensamento é
tudo. Todo Espírito que liga mais importância à forma do que ao fundo, é
inferior e não merece nenhuma confiança, mesmo quando, vez por outra,
diga algumas coisas boas, porquanto essas boas coisas freqüentemente são
um meio de sedução.
Tal
era, de maneira geral, o nosso pensamento a respeito dos talismãs, como
meio de entrar em relação com os Espíritos. Evidentemente que se aplica
também àqueles que a superstição emprega como preservativos de moléstias
ou acidentes.
Entretanto,
para edificação do proprietário da medalha, e para um melhor
aprofundamento da questão, na sessão de 17 de julho de 1858 pedimos a
São Luís, que conosco se comunica de bom grado sempre que se trata de
nossa instrução, que nos desse sua opinião a respeito. Interrogado sobre
o valor da medalha, eis qual foi sua resposta:
"Fazeis
bem em não admitir que objetos materiais possam exercer qualquer
influência sobre as manifestações, quer para as provocar, quer para as
impedir. Temos dito com bastante freqüência que as manifestações são
espontâneas e que, além disso, jamais nos recusamos a atender ao vosso
apelo. Por que pensais que sejamos obrigados a obedecer a uma coisa
fabricada pelos seres humanos?
P. - Com que finalidade foi feita essa medalha?
Resp.
- Foi fabricada com o objetivo de chamar a atenção das pessoas que nela
gostariam de crer; porém, apenas por magnetizadores poderá ter sido
feita, com a intenção de magnetizar e adormecer um sensitivo. Os sinais
nada mais são que fantasia.
P. - Dizem que pertenceu a Cazotte; poderíamos evocá-lo, a fim de obtermos alguns ensinamentos a esse respeito?
Resp. - Não é necessário; ocupai-vos preferentemente de coisas mais sérias."
A "bala perdida" está atormentando a vida
do carioca, sem que haja, das autoridades competentes, iniciativas eficazes,
saneadoras ou preventivas, a esse ato de violência em nossa cidade. As próprias
religiões tradicionais também não vêm a público trazer uma palavra de alento,
muito menos de esclarecimento do porquê da "bala perdida". Restringem-se a
medidas paliativas, ou seja, aquelas atuantes nos eleitos, não nas causas.
Malgrado toda cultura acumulada, o homem, apesar de já ter enfrentado tantos
desafios - ir à Lua, daqui a pouco vai a Marte, além de outros feitos notáveis
nos vários setores da vida -, não consegue explicação para porfia bem menor,
ocorrências comezinhas, se encaradas dentro de um entendimento espírita.
A dor e o sofrimento das pessoas envolvidas em tais eventos são mais do que
respeitáveis, são importantes para nós, tocam-nos profundamente a sensibilidade,
porque a dor do próximo já não é só dele, é do espírita também. Dói muito vermos
pessoas, irmãs queridas em humanidade, sofrerem tanto por ignorância espiritual.
Resulta daí sabermos, pelo fato de buscarmos a verdade, que todo desespero é
resultado da falta de conhecimento, da ausência de uma estruturação religiosa
capacitada a trazer conforto, consolação e resignação nessas horas,
principalmente. Esses assuntos, como suas explicações lógicas, acham-se na
Doutrina Espírita, só nela, e são oferecidas aos seus profitentes. Quanto a
serem compreendidas e praticadas, é outra coisa.
Para o homem sem melhor conhecimento espiritual, a "bala perdida" decorre da
atuação de forças cegas como o acaso, o azar, a má sorte ou então "coisas da
fatalidade". Falta a essas pessoas uma concepção firme e racional de suas
próprias condições de vida, apesar de alimentarem, muitas vezes, convicções
espiritualistas e crença na imortalidade.
Elas não sabem por que vivem, qual o objetivo, o sentido da vida, como se
deve viver, que tipo de fé alimentar em Deus, e o que Dele aguardar.
Fosse a vida uma só, entre o berço e o túmulo, e sendo a Justiça Divina
perfeita e iniludível, a "bala perdida" ficaria incompreendida, seria ilógica,
porque existe um vazio muito grande em se desejando conciliar "uma só
existência" e a "Justiça de Deus" lacuna perfeitamente preenchida pelo
Espiritismo e a reencarnação, esta, base fundamental de suas estruturas
postulares.
Explicações para fatos como "bala perdida", sem respaldo na Justiça Divina, é
cair naquilo que disse Jesus: "...cego guiando cego, ambos cairão no fosso". Não
há como desvincular a Justiça Divina de todos os acontecimentos aqui na Terra,
como em toda a vida universal. Deus não desconhece o que se passou, passa-se e
passará com suas criaturas no transcurso de suas existências, aqui ou lá. Assim
sendo, o infrator da Lei de Amor experienciará sempre o resultado de suas ações,
hoje ou amanhã, nesta vida ou noutra, pelos canais reencarnatórios.
O que para os olhos e juízo do homem da Terra são terríveis coincidências,
ainda mais quando o fato o atinge dolorosamente, na realidade vemos aí a
dinâmica da Justiça Divina, cobrando o que se lhe é devido. Sem essa compreensão
os atributos de Deus seriam um engodo... e não são.
Colocasse o homem as vistas na vida espiritual, soubesse racionalmente da sua
condição de espírito. imortal em processo de aperfeiçoamento moral, e cuja meta
finalista é a perfeição, fatos como os da "bala perdida" não causariam tantos
males nas pessoas envolvidas com ela, não provocariam tantas emoções em tantas
pessoas.
Não olvidemos onde se encontra o verdadeiro mal. Para a maioria absoluta, no
fato em si, quando na verdade se encontra nas conseqüências. Se estas forem
boas, o fato, apesar de toda aparência má, será bom. O inverso também é
verdadeiro. O fato bom oferece, muitas vezes, conseqüências dolorosas, trágicas.
Toda a aparência boa dele era enganosa. Quem não conhece casamentos suntuosos,
por exemplo, com toda aparência de felicidade, que acabaram em tragédias
lamentáveis? Jesus precisa ser muito estudado em suas anunciações. Duas delas,
que se encaixam perfeitamente no evento "bala-perdida", são as seguintes: "Há
necessidade do escândalo, mas ai do homem por quem o escândalo venha". (Mateus
5:29/ 30) e "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 11:15). Quem compreende
tais citações, correlacioná-las, compreenderá esta síndrome do carioca.
Se Deus, que é todo previdência, providência e presciência além de todo
poderoso em graus infinitos. permite que tais acontecimentos prevaleçam, é
porque eles são necessários, visam o nosso progresso, o ajuste do faltoso com a
Lei, e, conseqüentemente, a nossa felicidade, afirma-nos a lógica.
André Luiz, no livro "O Espírito da Verdade", edição FEB, diz-nos que, "Antes
de sermos bons ou maus para com os outros, somos bons ou maus para nós mesmos";
os Espíritos Nobres nos asseveram que. "colheremos de conformidade com o nosso
plantio"; a voz popular fala na "lei do retorno" e também "aqui se faz aqui se
paga"; Jesus assinalou, em Mateus 16:27 "(...) dará a cada um segundo as suas
obras". Raciocinemos; não deterão essas afirmações uma verdade?
Resumindo: a dor que fizemos, deliberadamente, o outro sofrer, é a dor que
vamos suportar, na mesma intensidade, sem necessariamente ser dentro das mesmas
circunstâncias. Nesta reencarnação ou noutra, não há como fugir, esquivar-se
deste mecanismo da Lei de Ação e Reação, sempre acionada por Deus, e só Ele.
Ter fé, acreditar, efetivamente, é uma carência nossa, entretanto, mais
imprescindível é Saber. Nesses acontecimentos, pois, de "bala perdida", de
perdidas elas não têm nada. Vão ao endereço certo, "nunca batem na porta
errada". Se isto acontecesse, ter-se-ia a negação dos atributos divinos, Deus
não seria o que é, "Inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas
Quando o homem aprender essas verdades, será feliz, porque deixar-se-á conduzir
pela Lei de Amor e Perdão vivenciada por Jesus.
Revista Espírita Allan Kardec, nº 39.
Fonte: Portal do Espírito, por Adésio Alves Machado
Sendo delineada mais graciosamente que o homem, a mulher denota, naturalmente, uma alma mais delicada; é assim que nos meios semelhantes, em todos os mundos, a mãe será mais bonita que o pai, porquanto é a ela que a criança vê primeiro; é para o semblante angelical de uma jovem mulher que a criança volta incessantemente o olhar; é para a mãe que a criança enxuga as lágrimas e fixa o olhar ainda fraco e incerto. A criança tem, pois, uma intuição natural do belo.
A mulher, sobretudo, sabe fazer-se notar pela delicadeza de seus pensamentos, pela graça de seus gestos, pela pureza de suas palavras; tudo que dela vem deve harmonizar-se com sua pessoa, que Deus fez bela.
Seus longos cabelos, derramando-se em ondas sobre o colo, são a imagem da doçura e da facilidade com que sua cabeça, diante das provações, dobra-se sem se partir. Refletem a luz dos sóis, como a alma feminina deve refletir a mais pura luz de Deus. Jovens mulheres, deixai flutuar vossos cabelos, pois que Deus para isso os criou. Parecereis, ao mesmo tempo, mais naturais e graciosas.
A mulher deve ser simples no vestir: já saiu bela demais das mãos do Criador para ter necessidade de adereços. Que o branco e o azul se confundam sobre vossos ombros. Deixai também flutuar vossos vestidos; que se veja vossa roupagem estendendo-se para trás qual se fora extenso tapete de gaze, qual nuvem discreta a assinalar vossa presença.
Entretanto, para que servem os adereços, os vestidos, a beleza, os cabelos ondulantes ou flutuantes, amarrados ou presos, se o sorriso tão doce das mães e das amantes não brilharem em vossos lábios? Se vossos olhos não semearem a bondade, a caridade, a esperança nas lágrimas de alegria que deixam correr, nos lampejos a jorrarem desse braseiro de amor desconhecido?
Mulheres, não temais deslumbrar os homens pela beleza, pela graça e pela superioridade; mas que saibam eles, a fim de se vos tornarem dignos, que devem ser tão ricos de caráter quanto sois belas, tão sábios quanto sois boas, tão instruídos quanto sois ingênuas e simples. É necessário saberem que os devem merecer, que sois o prêmio da virtude e da honra, não dessa honra que se recobre de capa e de escudo, que brilh nas lutas e torneios, que pisa a fronte do inimigo que caiu. Não; mas da honra segundo Deus.
Homens, sede úteis; e quando os pobres abençoarem vosso nome, as mulheres serão em tudo semelhants a vós; então formareis um todo: sereis a cabeça e elas o coração; sereis o pensamento benfazejo e elas as mãos liberais. Uni-vos, pois, não apenas pelo amor, mas para o bem que podeis fazer a dois. Que esses bons pensamentos e ações, realizados por dois corações que se amam, sejam os elos dessa corrente de ouro e diamantes que chamamos casamento. Então, quando tais elos forem bastante numerosos, Deus vos chamará para junto dele e continuareis a reunir ainda novos elos, que se juntarão aos precedentes. Mas não se trata, como na Terra, de elos de metal pesado: no Céu eles serão de fogo e luz.
Nos primórdios do Espiritismo muitos
foram os questionamentos relativos a seu aspecto religioso, mormente por
se apresentar sob a égide de Restaurador do Cristianismo. Por
ocasião da publicação da pequena obra subsidiária intitulada O Que é o
Espiritismo, editada pela primeira vez em 1859, Kardec, nas linhas
introdutórias, definiria: "O Espiritismo é uma ciência que trata da
natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o
mundo corporal." Mais a frente, respondendo à indagação formulada por
uma autoridade eclesiástica, aduziria: "...Seu verdadeiro caráter é,
pois, o de uma ciência e não o de uma religião." Certamente desejou o
Codificador garantir que o Espiritismo nascente não seria confundido
com mais uma corrente religiosa ortodoxa, com sua hierarquia, rituais e
dogmas inflexíveis. Observemos, a propósito, que o Espiritismo se
apresentou ao mundo através da publicação de O Livro dos Espíritos,
contendo na página de apresentação o seu teor: FILOSOFIA
ESPIRITUALISTA;evidenciando o caráter filosófico doutrinário. Em
seguida, viria a lume o segundo livro da Codificação, intitulado O Livro
dos Médiuns; tratava-se de ESPIRITISMO EXPERIMENTAL; ressaltando o
caráter científico da Terceira Revelação. Somente em 1864, data da
edição primeira de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os mentores nos
traziam as principais máximas do Cristo, analisadas sob a ótica
espírita, permitindo-nos visualizar mais cristalinamente o aspecto
religioso da Doutrina. Alguns anos após, Kardec, sentindo a
necessidade de uma definição a respeito da questão, proferiu discurso
bastante elucidativo em reunião pública realizada na noite de
01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em que
declarou: "...sem dúvida, no sentido filosófico o Espiritismo é uma
religião, e nós nos ufanamos disso". Conclui-se, pelo exposto, que a
Doutrina Espírita é uma religião por consequência de seus fundamentos
filosóficos e científicos, conduzindo o homem pelos caminhos da fé
raciocinada, que o levarão ao inevitável reencontro com o
Criador—finalidade precípua de qualquer sistema religioso legítimo.
Bibliografia: O Que é o Espiritismo, FEB, Departamento Editorial, RJ, 37a. edição, 1944, 217 páginas; páginas citadas: preâmbulo e pg. 130. Revista Espírita—dezembro de 1868.
Allan Kardec
Um jornal de Nova York publica um fato bastante curioso, do qual certo
número de pessoas já tinha conhecimento, e sobre o qual, desde alguns
dias, eram feitos comentários assaz divertidos. Os espiritualistas vêem
nele um exemplo a mais das manifestações do outro mundo. As pessoas
sensatas não vão procurar tão longe a explicação, reconhecendo
claramente os sintomas característicos de uma alucinação. É também a
opinião do próprio Dr. Cogswell, o herói da aventura.
O Dr. Cogswell é o bibliotecário chefe da Astor Library. O devotamento
que se permite ao acabamento de um catálogo completo da biblioteca,
muitas vezes o leva a consagrar a esse trabalho as horas que deveria
destinar ao sono. É assim que tem oportunidade de visitar sozinho, à
noite, as salas onde tantos volumes se acham arrumados nas estantes.
Há cerca de quinze dias, pelas onze horas da noite, ele passava, com o
castiçal na mão, diante de um dos recantos cheios de livros, quando,
para sua grande surpresa, percebeu um homem bem-posto, que parecia
examinar com cuidado os títulos dos volumes. A princípio, imaginando que
se tratasse de um ladrão, recuou e observou atentamente o desconhecido.
Sua surpresa tornou-se ainda mais viva quando reconheceu, no visitante
noturno, o doutor ***, que tinha vivido na vizinhança de
Lafayette-Place, mas que estava morto e enterrado havia seis meses.
O Dr. Cogswell não acredita muito em aparições e as teme menos ainda.
Não obstante, resolveu tratar o fantasma com atenção e, levantando a
voz, disse-lhe: Doutor, como se explica que em vida provavelmente jamais
tenhais vindo a esta biblioteca, e agora a visitais depois de morto?
Perturbado em sua contemplação, o fantasma olhou o bibliotecário
ternamente e desapareceu sem responder.
– Singular alucinação, disse o Sr. Cogswell de si para si. Sem dúvida terei comido algo indigesto ao jantar.
Retornou ao trabalho; depois foi deitar-se e dormiu tranqüilamente. No
dia seguinte, à mesma hora, teve vontade de visitar a biblioteca. No
mesmo local da véspera encontrou o mesmo fantasma, dirigiu-lhe as mesmas
palavras e obteve o mesmo resultado.
Eis uma coisa curiosa, pensou ele; é preciso que eu volte amanhã.
Antes de voltar, porém, o Dr. Cogswell examinou as estantes que pareciam
interessar vivamente ao fantasma e, por uma singular coincidência,
reconheceu que estavam repletas de obras antigas e modernas de
necromancia. No dia seguinte, ao encontrar pela terceira vez o doutor
morto, variou a pergunta e lhe disse:
“É a terceira vez que vos encontro, doutor. Dizei-me se algum desses
livros perturba vosso repouso, a fim de que eu o mande retirar da
coleção.” O fantasma não respondeu desta, como das outras vezes, mas
desapareceu definitivamente, e o perseverante bibliotecário pôde voltar à
mesma hora e ao mesmo lugar, noites seguidas, sem o encontrar.
Entretanto, aconselhado por amigos, aos quais havia contado a história, e
pelos médicos a quem consultou, decidiu repousar um pouco e fazer uma
viagem de algumas semanas até Charlestown, antes de retomar a tarefa
longa e paciente que se havia imposto, e cuja fadiga, sem dúvida, havia
causado a alucinação que acabamos de narrar.
Observação – Sobre o artigo, faremos uma primeira observação: é a falta
de cerimônia com que os negadores dos Espíritos se atribuem o monopólio
do bom-senso. “Os espiritualistas – diz o autor – vêem no fato um
exemplo a mais das manifestações do outro mundo; as pessoas sensatas não
vão procurar tão longe a explicação, reconhecendo claramente os
sintomas de uma alucinação.” Assim, de acordo com esse autor, somente
são sensatas as pessoas que pensam como ele; as demais não têm senso
comum, mesmo que fossem doutores, e o Espiritismo os conta aos milhares.
Estranha modéstia, na verdade, a que tem por máxima: Ninguém tem razão,
exceto nós e nossos amigos!
Ainda estamos para ter uma definição clara e precisa, uma explicação
fisiológica da alucinação. Mas, em falta de explicação, há um sentido
ligado a esta palavra; no pensamento dos que a empregam, significa
ilusão. Ora, quem diz ilusão diz ausência de realidade; segundo eles, é
uma imagem puramente fantástica, produzida pela imaginação, sob o
império de uma superexcitação cerebral. Não negamos que assim possa ser
em certos casos; a questão é saber se todos os fatos do mesmo gênero
estão em condições idênticas. Examinando o que foi relatado acima,
parece que o Dr. Cogswell estava perfeitamente calmo, como ele próprio
declara, e que nenhuma causa fisiológica ou moral teria vindo
perturbar-lhe o cérebro. Por outro lado, mesmo admitindo nele uma ilusão
momentânea, restaria ainda explicar como essa ilusão se produziu vários
dias seguidos, à mesma hora, e com as mesmas circunstâncias; isso não é
o caráter da alucinação propriamente dita. Se uma causa material
desconhecida impressionou seu cérebro no primeiro dia, é evidente que
essa causa cessou ao cabo de alguns instantes, quando o fantasma
desapareceu. Como, então, ela se reproduziu identicamente três dias
seguidos, com vinte e quatro horas de intervalo? É lamentável que o
autor do artigo tenha negligenciado de o fazer, porquanto deve, sem
dúvida, ter excelentes razões, visto pertencer ao grupo das pessoas
sensatas.
Contudo, reconhecemos que, no fato acima mencionado, não há nenhuma
prova positiva da realidade e que, a rigor, poder-se-ia admitir que a
mesma aberração dos sentidos tenha podido repetir-se. Mas dar-se-á o
mesmo quando as aparições são acompanhadas de circunstâncias, de certo
modo, materiais? Por exemplo, quando pessoas, não em sonho, mas
perfeitamente despertas, vêem parentes ou amigos ausentes, nos quais
absolutamente não pensavam, aparecer-lhes no momento da morte, que vêm
anunciar, pode-se dizer que seja um efeito da imaginação? Se o fato da
morte não fosse real, haveria incontestavelmente ilusão; mas quando o
acontecimento vem confirmar a previsão – e o caso é muito freqüente –
como não admitir outra coisa, senão simples fantasmagoria? Ainda que o
fato fosse único, ou mesmo raro, poder-se-ia crer num jogo do acaso;
mas, como dissemos, os exemplos são inumeráveis e perfeitamente
provados. Que os alucinacionistas se disponham a nos dar uma explicação
categórica e, então, veremos se suas razões são mais probantes que as
nossas. Gostaríamos, sobretudo, que nos provassem a impossibilidade
material que a alma – principalmente eles, que se julgam sensatos por
excelência, e admitem que temos uma alma que sobrevive ao corpo – que
nos provassem, dizíamos, que essa alma, que deve estar em toda parte,
não possa estar à nossa volta, ver-nos, ouvir-nos e, desde então,
comunicar-se conosco.
> (Texto de Allan Kardec, transcrito de Revue Spirite, maio de 1860).