Eternidade

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domingo, 30 de outubro de 2016

IMORTALIDADE



A morte não é o fim.
Criado para a vida, o Espírito transfere-se constantemente
de um estado vibratório para outro, sem perder a imortalidade.
Repara nos exemplos da natureza.
A destruição da semente em contato com o solo
não passa de transformação da vida gerando mais vida.
O sol, que se oculta com a chegada da noite, 
ressurge a cada amanhecer, sem jamais deixar de brilhar.

Se te ressentes da ausência do afeto que a desencarnação
transferiu para a vida no Além,
não te revoltes nem te desesperes.
Corações amoráveis o acompanham, tanto quanto a ti,
a fim de que a vida de cada um siga em paz 
na direção do progresso.
Confia no Pai e prossegue vivendo, fazendo o melhor
ao teu alcance.

A felicidade de quem segue no Além muitas vezes
depende do equilíbrio de quem permanece na Terra.
Entrega-te ao trabalho construtivo,
orando e servindo, e contarás com os eflúvios 
de luz e paz que vertem do Alto,
favorecendo-te na jornada redentora, até que te
reencontres com os corações queridos,
em comunhão de amor nos domínios da eternidade.


Clayton Levy / Scheilla (espírito) 







 

 A morte não existe - somos espíritos imortais em aprendizado,
ora vestindo um corpo de carne, ora estagiando na Pátria Espiritual.
Encarnamos, sempre que necessário ao nosso aprendizado.
E passamos aqui na Terra um breve tempo, muito breve mesmo,
se comparado à nossa existência imortal.

Temos parentes e amigos a quem muito amamos - aqui e lá.
Porque nossa parentela não se limita a que ora conhecemos
no mundo carnal.

Nossa parentela espiritual é imensa - fruto
das várias encarnações que tivemos.
E, de lá, também eles torcem, vibram por nós.

Quando encarnamos, continuamos ligados a eles, pelos fios do amor.
E estes mesmos fios nos mantêm ligados aos que aqui permanecem,
quando desencarnamos.
Ou seja, o amor permanece nos unindo. 
Sempre.
Lá ou cá, continuamos juntos, em processo de crescimento.

Então, sabendo disso, que possamos enviar
para os nossos amores que nos antecederam
muita energia de amor, paz, alegria e certeza de que
um dia estaremos todos juntos, sem mais adeus.

Que sua semana seja de introspecção.
E, em agindo assim, você sinta expandir-se em amor,
amor este capaz de envolver com suavidade todos
os que lhe são caros,
deste e do Plano Maior.





Fonte: Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo
Núcleo Chico Xavier

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Flores de Saudade



Se pretendemos cultuar a memória de familiares queridos, transferidos para o Além, elejamos o local ideal: nossa casa.

Usemos muitas flores para enfeitar a Vida, no aconchego do lar; nunca para exaltar a morte, na frieza do cemitério.

Eles preferirão, invariavelmente, receber nossa mensagem de carinho, pelo correio da saudade, sem selagem fúnebre.

É bom sentir saudade. Significa que há amor em nossos corações, o sentimento supremo que empresta significado e objetivo à existência.

Quando amamos de verdade, com aquele afeto puro e despojado, que tem nas mães o exemplo maior, sentimo-nos fortes e resolutos, dispostos a enfrentar o Mundo.

E talvez Deus tenha inventado a ilusão da morte para que superemos a tendência milenar de aprisionar o amor em círculos fechados de egoísmo familiar, ensinando-nos a cultivá-lo em plenitude, no esforço da fraternidade, do trabalho em favor do semelhante, que nos conduz às realizações mais nobres.

Não permitamos, assim, que a saudade se converta em motivo de angústia e opressão. Usemos os filtros da confiança e da fé, dificultando-a com a compreensão de que as ligações afetivas não se encerram na sepultura. O Amor, essência da Vida, estende-se, indestrutível, às moradas do Infinito, ponte sublime que sustenta, indelével, a comunhão entre a Terra e o Céu...


Há, pois, dois motivos para não cultivarmos tristeza:

Sentimos saudade - não estamos mortos...
Nossos amados não estão mortos - sentem saudade ...


E se formos capazes de orar, contritos e serenos, nesses momentos de evocação, orvalhando as flores da saudade com a bênção da presença, sentiremos a presença deles entre nós, envolvendo suavemente nossos corações com cariciosos perfumes de alegria e paz.


por Richard Simonetti
livro: Quem tem medo da morte?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Morrer e Desencarnar



Há muita gente que morre sem poder desencarnar e por isso permanece sempre no mesmo lugar, preso ainda a este mundo, atarantado a vagar...

A morte vem quando acaba todo o fluido vital, é parte da Lei de Deus, já que ninguém é imortal, pois morrer é, para todos, um evento natural!

Desencarnar, todavia, é muito mais complicado, precisa desprendimento para ver-se libertado e desatar cada laço que aqui nos deixa atrelado!

Isso só se aprende em vinda, ao treinar o desapego das coisas que são do mundo, já que após não tem "arrego", porque depois que morremos é difícil ter sossego...

É triste você pensar que ainda trabalha e come no emprego que frequentava e ao meio-dia tem fome, querendo que todo mundo o chame pelo seu nome!

"Onde estiver teu tesouro aí estará teu coração!" ensinou-nos Jesus Cristo, ao falar à multidão, quando trouxe a este mundo a grande revelação. 

Portanto, você que é espírita e a verdade já conhece, faça muita caridade e se defenda com a prece, para depois que morrer poder ter o que merece.

Não fique vagando a esmo, igual a uma assombração, perdido e causando susto aos outros na escuridão e atrasando sua viagem na rota da evolução!

A vida aqui é provisória, é uma visita fugaz; Portanto, depois da morte, siga e sem olhar para trás, porque o que ficou na terra para nada serve mais, só assim terá sua alma, com a morte, desencarnada!

E bastante resoluto, seguirá sua caminhada, em busca do mundo novo, onde há uma nova alvorada!


por Octávio Caúmo Serrano, Revista Inernacional de Espiritismo.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Quando o cônjuge morre, o outro tem o direito de refazer a sua vida sentimental?


Dia desses recebi e-mail de um jovem, que assim dizia:

“Minha mãe morreu há 2 anos, meu pai, que ainda é jovem, está de paquera com uma moça... Mas e minha mãe? E o que eles viveram? Então ele não a amava?”
 
Respondi-lhe: Meu caro amigo, não se aflija por isso, o lugar de sua mãe no coração de seu pai é cativo. A história que viveram é deles, somente deles... O coração é elástico, quanto mais se ama mais cabe amor. Não é o fato de ele querer refazer a vida sentimental que o fará se esquecer de sua mãe.

 Não se preocupe com isso. Ademais, ele tem todo o direito de buscar a felicidade e não nos cabe podar as iniciativas dos outros que querem encontrar seu lugar ao sol. Sejamos benevolentes e apoiemos as pessoas em busca de sua felicidade. Abençoe seu pai e seu novo relacionamento. Vou lhe confessar algo: Também passei por isso. Minha mãe se foi e meu pai arrumou outra companheira. Foi a melhor coisa que aconteceu. Pessoa de ótimo caráter trouxe outra família para brindar a vida com a nossa. Pense nisso e seja feliz...

O Espiritismo trata com muita propriedade dos temas que inquietam o coração das pessoas. Basta que o estudemos para constatar que ele pode, realmente, responder a várias indagações da alma.

Ele nos mostra que ninguém é de ninguém, que somos Espíritos em evolução e em busca da felicidade. Sabedores de que o Espírito não morre e continua sua jornada na vida além-túmulo, naturalmente não morre o amor que sentimos pelos outros e os outros por nós. Em assim sendo, é razoável refletir que quando algum ente querido deixa este plano é perfeitamente aceitável que não cultivemos o sofrimento contínuo e nos abramos para um amor que poderá surgir.

Caso surja, vamos vivê-lo. Por que não?

Até porque a ideia de metade eterna é fantasia e não estamos fadados a viver com alguém pela eternidade.

Já tivemos, pelas inúmeras andanças, inúmeros companheiros e companheiras de jornada e o fato de termos nos relacionado com outros não apaga a nossa história com quem quer que seja.

Sim, somos seres que têm uma história!

E, por isso, quem nos ama deverá nos respeitar; respeitar nossas escolhas e querer nos ver bem e feliz.

Ilustrativa é a história do Espírito de André Luiz que, no plano dos Espíritos, ao saber que sua ex-companheira consumara matrimônio, sente uma ponta de ciúmes, mas depois reflete e percebe que o amor é sentimento que não pode conhecer exclusividade.

Reconhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. Foi o que fez André Luiz: controlou-se.

A vida na Terra já não é “bolinho”. Se formos nos preocupar em podar a felicidade dos outros e querer anular a vida alheia porque a morte do corpo físico visitou nossa família, iremos complicar ainda mais a situação.

Vida mais leve, mais tranquila, certeza na imortalidade, menos cobrança e fé no futuro...

Isso o Espiritismo nos ensina, por isso é uma doutrina consoladora, e cabe-nos divulgá-la sempre...

Pensemos nisso.

WELLINGTON BALBO
Fonte: Espiritismo na Rede

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Morte em Família


O pai permanece em estado vegetativo há muitos anos. A família sofre com esta situação, principalmente a mãe. Então, quem estaria pagando por isso: o enfermo ou a família?
 
Todos estão envolvidos em resgate. O pai, numa prisão, o corpo. Os familiares, carcereiros no bom sentido, encarregados de dar-lhe assistência. Importante que o façam de boa-vontade, com dedicação, sem questionamentos do passado e construindo o futuro de bênçãos.

Pouco tempo após a morte do marido, a viúva arranjou um namorado. Familiares do falecido revoltaram-se, considerando falta de respeito. Como agir nessa situação?

Aurélian Scholl, famoso escritor francês, dizia: "o casamento tem sua lua-de-mel; a viuvez também". A duração da lua-de-mel depende da extensão da paixão. A viuvez, como estado de espírito, só é duradoura quando o relacionamento transcendeu da paixão para o amor, sustentado por legítima afinidade. Se isso não ocorre, é inútil impor prazo para alguém tirar o luto.

O que podem fazer os filhos diante o pai que, com setenta anos, após enviuvar, parece ter assumido uma segunda adolescência, interessado em festas, bebidas e namoricos?

Quando o espírito não aproveita as oportunidades de edificação da jornada humana, marcando passo no caminho da evolução, a adolescência e a velhice se confundem, em exercício da inconsequência. O adolescente deve ser disciplinado pelos pais. Quanto ao ancião, é esperar que a vida o faça, senão aqui, no Além, botando juízo em sua cabeça.

Quando um homem desencarna e a viúva casa-se novamente, o morto fica infeliz? Ele vê o que acontece?

Depende. Se for alguém compreensivo e amigo, preocupado com o bem-estar da família, certamente há de desejar que a esposa refaça sua vida afetiva com um companheiro que a ajude a enfrentar os desafios da existência. Se for do tipo egoísta e possessivo, vai aborrecer-se e até interferir, causando-lhe embaraços.

Enquanto encarnado ele dizia que voltaria para atormentar a esposa. Isso é possível?

Pouco provável que aconteça. Se essa era sua intenção legítima, certamente está fazendo estágio depurador no Umbral, o purgatório para onde são remetidos aqueles que cultivam más intenções.

Sou casada em segundas núpcias. Como ficaremos os três no mundo espiritual?

Prevalecerá a união com o cônjuge em relação ao qual teve maior afinidade, desde que ambos não se enrosquem em regiões umbralinas e se habilitem a viver em comunidades saudáveis no Plano Espiritual, tipo Nosso Lar, a cidade do Além descrita por André Luiz no livro Nosso Lar, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Sempre estarei com meus pais, irmãos, sobrinhos, cunhados, tios? Reencarnaremos juntos?

Acima da família humana, transitória, há a família espiritual. A primeira atende às convenções humanas e ao sangue; a segunda atende à afinidade. Membros da família humana que guardem afinidade entre si tenderão a perpetuar seu relacionamento, ajudando-se mutuamente nos caminhos da evolução, em sucessivas reencarnações, ainda que ocorra mudança de posição quanto ao sangue. O pai de hoje poderá ser o irmão ou filho de amanhã... 
As alternativas são numerosas, sempre atendendo às necessidades de cada grupo.

Mudei de cidade após a morte do marido. Será que ele conseguirá encontrar-me?

Depende de como foi o relacionamento. Se tumultuado por desentendimentos e brigas, talvez ele prefira manter distância. Se houve amor e legítimo entendimento, não se preocupe. Ele a encontrará, guiado pela infalível bússola do coração.


por Richard Simonetti.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Descrição da Morte (por A. Jackson Davis)

 

"De manhã, nada resolvas fazer contra, mas tudo faça pelo Reino dos Céus na Terra. À noite, retira-te em paz contigo mesmo - paz com todo o mundo. Contenta-te com o passado e com tudo que ele te trouxe. Agradece ao presente pelo que tens. Sê paciente com o futuro e com o que ele te promete trazer." (A. Jackson Davis)

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"De manhã, nada resolvas fazer contra, mas tudo faça pelo Reino dos Céus na Terra. À noite, retira-te em paz contigo mesmo - paz com todo o mundo. Contenta-te com o passado e com tudo que ele te trouxe. Agradece ao presente pelo que tens. Sê paciente com o futuro e com o que ele te promete trazer." (A. Jackson Davis)

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"De manhã, nada resolvas fazer contra, mas tudo faça pelo Reino dos Céus na Terra. À noite, retira-te em paz contigo mesmo - paz com todo o mundo. Contenta-te com o passado e com tudo que ele te trouxe. Agradece ao presente pelo que tens. Sê paciente com o futuro e com o que ele te promete trazer." (A. Jackson Davis)

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"De manhã, nada resolvas fazer contra, mas tudo faça pelo Reino dos Céus na Terra.
À noite, retira-te em paz contigo mesmo - paz com todo o mundo.
Contenta-te com o passado e com tudo que ele te trouxe.
Agradece ao presente pelo que tens.
Sê paciente com o futuro e com o que ele te promete trazer."
(A. Jackson Davis)


Andrew Jackson Davis (1826-1910) foi um grande médium norte americano, considerado o "João Batista" do Espiritismo ¹. É dele que apresentamos abaixo um interessante texto ² em que narra o que viu em estado mediúnico durante o processo de desencarnação de uma pessoa. Essa descrição obviamente não se aplica a todos os tipos de morte ou de pessoas (ele mesmo explica no texto as condições) .


A morte é a palavra para significar "fim da vida", usada por aqueles que não conseguem ver que a morte é, na verdade, "o começo da vida" e a entrada do saguão sagrado da eternidade. Mas, penetremos em sua visão, no que há além do véu.

A pessoa agorfa agoniza no que é para ser uma morte rápida. Observe algo em sua temperatura. Os pés estão frios; as mãos quentes e macilentas; uma frieza pervarde seus dedos. Vejam. O que é aquilo que se acumula no ar, acima da cabeça sobre o travesseiro? É uma emanação etérea - um halo magnético dourado - uma atmosfera pulsante quase auto consciente.

A temperatura do corpo agora abaixa rapidamente. A frieza se estende algo acima, dos pés aos joelhos, das pontas dos dedos aos cotovelos, enquanto que, na mesma razão, a emanação ascende não mais elevada no ar, está um pouco mais expandida, é um centro compacto que se assemelha a um núcleo brilhante como um sol em miniatura. O foco central brilhante é bem em verdade o cérebro do novo organismo espiritual que se forma.

O frio da morte agora se estende aos peitos em torno do qual a temperatura se reduz bastante. Vejam agora! A emanação contém a mesma proporção de cada princípio que compõe a alma - movimento, sensação vital, éteres; essências, magnetismo vital, eletricidade vital, instintos - e, bastante aumentada pela ascensão, ela flutua como uma massa compacta a ocupar agora mais elevação próxima ao teto.

Agora os pulmões pararam de respirar, o pulso se foi, o coração não mais bate; enquanto isso, as células do cérebro, o corpus callosum, a medula, a coluna vertebral e os gânglios se iluminam em contrações e expansões que pulsam de leve e parecem governadas por si mesmas, como por um tipo de automatismo auto-consciente. Vejam! A substância cinzenta do cérebro pulsa em seu interior - uma pulsação lenta, discernível e profunda - não dolorosa - como pesada mas harmoniosa movimentação do mar.

Vejam! A emanação exaltada, obediente a suas próprias leis imutáveis agora se alongou e adquiriu posição em ângulo reto em relação ao corpo horizontal mais abaixo. Observem! Vejam como o perfil de uma bela figura humana se forma a partir da emanação. Ela prende o que está acima à medula e ao corpus callosum de dentro do cérebro por um cordão branco.

Você pode ver que um fio vital muito fino ainda conecta os vórtices e as fibras centrais ao cérebro moribundo com as extremidades inferiores da figura humana projetada na atmosfera. Não obstante esse fio vital, que age como um condutor telegráfico - transportando mensagens em direções opostas no mesmo instante - é possível ver que a sombra envolvida em emanação dourada continua quase que imperceptivelmente a ascender.

Lá, o que se vê agora? Uma cabeça humana simetricamente igual a outra, acima da massa e elevando-se lenta e admiravelmente da nuvem dourada de princípios substanciais. E agora surge o esboço de um semblante espiritual - face serena e cheia de beleza que desafia a capacidade de descrição das palavras. Vejam de novo! Emergem o pescoço e os belos ombros e mais! um após outro, em rápida sucessão, surgem todas as partes de um novo corpo, como que influenciados ou dirigidos por uma varinha mágica, uma imagem brilhante, totalmente natural, mas espiritual, uma perfeita cópia do corpo físico abandonado, um reencenamento  de pessoa nas vizinhanças do céu, preparada para acompanhar o grupo celestial de inteligências superintendentes do paraíso.

E o que foi aquilo? Em um piscar de olhos o fio telegráfico foi cortado - partículas e princípios foram imediatamente atraídos para cima e absorvidos pelo corpo espiritual - de forma que a nova organização está livre da gravitação terrestre, ela está instantânea e absolutamente independente dos pesos e cuidados que tão firmemente a prendiam à Terra. [Somente se libertam assim na morte aqueles que agiram de forma correta. Qualquer paixão cativante, último sentimento de dever não cumprido, de injustiça cometida, é suficiente para manter o  espírito preso à Terra, como um navio atado por grande âncora. Somente os puros tornam-se livres].

Eis aqui um corpo espiritual, substancial e imortal. Semeado na escuridão e na desonra, ele agora é colhido na beleza e na claridade. Vejam que constraste - uma diferença muito grande - entre um e outro. Percorram com os olhos a sala. Há muitos amigos, parentes idosos, crianças na câmera da morte, eles choram sem o conforto ainda que da fé cega; enlutam-se trocando sussurros de esperança entre ouvidos que duvidam; reúnem-se em torno do prostrado, corpo frio; pressionam as pálpebras daqueles olhos agora cegos; em silêncio e pesar deixam a cena; e agora outras mãos dão início às preparações com as quais os vivos consagram a morte.

Mas, abramos nossos olhos maiores que teremos um dia quando revestidos pelos paramentos da imortalidade. Vejam! O novo corpo espiritual formado - rodeado por grupos de anjos guardiões - move-se com graça em direção às praias celestiais. A personalidade emergida segue uma corrente vibratória de atração magnética que notamos penetrar no recinto e se ater ao cérebro do ressurreto enquanto agonizava o corpo. Ela desce a partir do sensorium das inteligências superiores - uma corrente fibrosa de luz telegráfica - enviadas de cima, para saudar com amor e guiar com sabedoria o recém ressuscitado. Essa corrente amorosa, alimentada por pensamento, guia tranquilamente o recém emergido para cima e mais além.

Por terras aveludadas e campos floridos do país celeste, um arco de promessa eterna torna-se visível e pende, preenchendo com beleza indescritível o oceano dos céus, a cobrir com amor infinito as zonas imensuráveis de Além-Túmulo. 


Referências:
1.  http://www.andrewjacksondavis.com/articles.htm
2. M. Tymn's blog (2014). The death process as described by Andrew Jackson Davis

http://eradoespirito.blogspot.com.br/2015/01-descricao-da-morte-por-jackson-davis.html



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O dia de Finados para o Espírita




A propósito do dia de finados, é interessante discorrer sobre questionamentos com os quais de vez em quando somos colhidos por parte de conhecidos, curiosos ou interessados em se iniciar nos assuntos relativos à espiritualidade.

De vez em quando alguém pergunta “por que o espírita não vai ao cemitério” (no dia de finados, mais especificamente). Cabe aqui, portanto, um esclarecimento útil.

Primeiro: nenhum espírita, em virtude de ideologia religiosa, ou limitação de qualquer tipo imposta pela doutrina, “não pode” ir ao cemitério em qualquer época. Efetivamente conheço muitos, simpatizantes, ou espiritualistas convictos, que narram de suas visitas a túmulos de parentes ou conhecidos.

Segundo: o que ocorre mais amiúde é que, em detendo o espírita a tranquila convicção de que seu ente querido não mais se demora por estas bandas, tendo demandado estâncias outras, mais ricas, de vida, guarda a consciência clara de que tudo o que ficou na sepultura foi a “roupagem gasta”, e não mais, portanto, a pessoa com quem compartilhou experiências e afeto.

Terceiro: isto não implica em que o espírita sincero condene ou critique o posicionamento dos demais semelhantes que, de todo o coração, prestam com sinceridade as suas homenagens aos seus afeiçoados que se anteciparam na viagem deste para o outro lado da vida. Aliás, reza no próprio conhecimento da doutrina que muitos desencarnados visitam, efetivamente, os cemitérios por ocasião da data, em consideração às demonstração de amor com que ali são distinguidos. E muitos outros ainda, afeitos aos costumes dentro dos quais desenvolveram suas experiências na matéria, conferem ainda subida importância a este gesto, ressentindo-se, de fato, daqueles que não o prestem nas datas de molde a serem lembrados.

Vistas estas considerações, é sensata a conclusão de que jamais cabe padrão algum de conduta no que toca ao sagrado universo íntimo humano. Cada agrupamento familiar terreno é único e peculiar, e ninguém melhor do que os seus componentes para estarem inteirados do que atinge ou não atinge mais de perto a cada um; o que convém ou o que não convém em matéria de sentimento e dedicação, cujos estágios e características se multiplicam ao infinito correspondente do número de habitantes do vasto universo humano.

Efetivamente, somos do lado de “lá” o que fomos aqui. É dever comezinho não só do espírita, quanto de qualquer pessoa que se diga civilizada, respeitar a diversidade dos caminhos escolhidos que, destarte, haverão de conduzir a cada ser, no tempo certo, ao mesmo ponto de encontro comum na intimidade das luzes divinas. Questão de temperamento, de agrupamento humano, de fé e de hábitos, o ir ou não ir ao cemitério, de vez que é na sinceridade do gesto, e não no gesto em si, que se vislumbra a verdadeira homenagem aos desencarnados, de forma que, amor pelos mesmos, podemos dirigir-lhes tanto do recesso abençoado do nosso recanto de meditação no lar, quanto do ambiente de qualquer templo religioso, ou ainda diariamente, no movimento tumultuado das ruas, ou também no cemitério, a qualquer dia do ano.

De forma que aqueles que partiram nos amando de todo o coração haverão de valorizar e entender a nossa melhor intenção ao seu respeito, seja de onde for que se irradie, colhendo-os de pronto, pela linguagem instantânea do coração e do pensamento. Os que foram afeitos aos hábitos costumeiros do dia de finados, na medida de suas possibilidades espirituais após a transição lá estarão, junto à sepultura física, colhendo com sincera afeição os votos de paz e as preces que lhes estejam sendo dirigidas. Os provenientes dos lares espiritualistas na Terra receberão as mesmas demonstrações de amor a qualquer tempo, em qualquer data que faça emergir naqueles que ficaram para trás no aprendizado físico as gratas lembranças com que são evocados.

O importante é que espíritas e não espíritas têm em comum, em relação aos seus amados que já se foram, à qualquer época, a linguagem inconfundível do amor entre as almas. Enxerguemos acima dos horizontes das limitações de visão humanas para alcançarmos com clareza a compreensão de que é assunto individual a forma como celebramos o nosso afeto para com os nossos entes queridos, e que o fator da sinceridade e da intenção é o que de fato conta, na hora da certeza de que nossas preces e votos de paz serão bem recebidos por aqueles que prosseguem nos amando de igual forma na continuidade pura e simples da vida, que a todos aguarda para além das portas da sepultura, sob as bênçãos de Jesus.


Com amor, Christina Nunes
Fonte: Mundo Maior

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Orelhão Espiritual



É muito comum, pessoas procurarem as casas espíritas com o intento exclusivo de obter contato com parentes e amigos que desencarnaram, quase sempre há pouco tempo. Esse procedimento é muito comum entre aquelas criaturas que não possuem conhecimento sobre o Espiritismo.

Mas também acontece com pessoas que já deveriam ter uma noção maior da realidade espiritual. Muitas além do desejo de entrar em contato com seus desencarnados, o fazem por curiosidade, saudade, inconformidade, e muitos outros motivos. Uma pessoa me interpelou perguntando: “Perdi” meu pai há poucos meses. Seria possível me indicar um centro espírita onde eu tivesse a oportunidade de ver ou de falar com ele?


Esta pessoa não gostou muito da resposta quando eu disse que, embora não fosse impossível, isso seria muito difícil. Embora condenada por alguns, a evocação dos espíritos é possível, porém, está sujeita a uma série de circunstâncias que poderão impedi-la. Na questão 282 do “Livro dos Médiuns” estão enumeradas várias possibilidades de uma evocação não ser atendida. Esta é uma boa sugestão de leitura para maiores esclarecimentos sobre o assunto. Vejamos alguns obstáculos:

Nenhum espírito pode ser obrigado a satisfazer nossa vontade. Há quem pareça julgar que os espíritos são nossos serviçais, que devem atender prontamente ao nosso chamado. O espírito liberto da matéria é mais livre do que nunca, só se comunica se assim o desejar. Somente os sofredores e obsessores são algumas vezes, compelidos a comunicar-se, por misericórdia do Pai, para serem socorridos ou doutrinados.

Há ocasiões em que o espírito evocado já se encontra reencarnado (nesse caso, só poderia se comunicar através do sono) ou, pode também estar executando tarefas que não podem ser interrompidas. O local onde se encontra o espírito evocado, pode ser outro obstáculo ao atendimento do chamado. Estando em instituição espiritual, (como “Nosso Lar”), dificilmente será deslocado até a crosta terrestre apenas para atender a um pedido. O mesmo ocorre com aqueles que necessitam expiar suas faltas no umbral ou em região com fim semelhante.

Na novela recentemente apresentada em uma emissora de TV, o obsessor entrava e saía do umbral, à vontade, como se fosse uma hospedaria. É um equívoco pensar que na Espiritualidade não existe ordem e subordinação. A permissão da Espiritualidade Superior para a comunicação, também se faz necessária.

Embora muitos dirigentes materiais tomem atitudes de comando supremo, nós encarnados, não dirigimos os trabalhos espirituais, somos meros participantes. Se o trabalho é sério e organizado, tem um dirigente espiritual designado para a tarefa por altos mentores espirituais, que toma todas as atitudes referentes a seu campo, assim como compete ao dirigente material manter a ordem e as condições de trabalho no campo material. Os espíritos elevados não recebem ordens dos encarnados.

Assim a comunicação não depende só de nossa vontade ou a do evocado. O impedimento pode ser até uma espécie de punição, seja para o espírito, seja para quem o evoca. Outro fator a considerar é a finalidade com que é feita a evocação. É necessário motivo relevante e um ambiente saturado de bondade e simpatia. Espírito esclarecido só se comunica quando constata a utilidade da comunicação, jamais ocupa o tempo para satisfazer curiosidades ou manter diálogo sobre banalidades. Isso porque as reuniões mediúnicas devem ser destinadas ao aprendizado e a caridade junto aos espíritos necessitados.

Também há fatores emocionais que podem impedir o intercâmbio. Deve ser profundamente emocionante para o desencarnado falar com os entes queridos que ficaram. Todo desencarne provoca uma certa perturbação, mesmo que seja por poucos momentos. Poderá gerar um desequilíbrio no espírito desencarnado caso ele não se encontre em condições emocionais para a comunicação.

O Espírito Emmanuel, no livro “O Consolador”, na questão 380 nos ensina que não é justo provocar a comunicação com os desencarnados. Que o espírita sincero busca conforto moral na própria fé. Acrescenta que o homem pode desejar isto ou aquilo, mas há uma Providência e mérito a ser analisado, além da utilidade da permissão. A comunicação deve ser espontânea, que devemos colocar a fé acima do egoísmo e considerar a necessidade de repouso daqueles a quem amamos.

A melhor maneira de auxiliarmos um espírito desencarnado, é através da prece feita com sentimento, rogando aos espíritos amigos que prestem o devido socorro àqueles que já se foram, para que sejam orientados, amparados e guiados à pátria espiritual.

Compilado por Harmonia Espiritual da
Revista Visão Espirita nº 19 – artigo de Hélio Pinto

domingo, 26 de outubro de 2014

Treino para a Morte




A cessação dos fenômenos biológicos é inevitável.

Máquina sofisticada e completa, que se vem aprimorando através dos séculos, gasta-se o corpo à medida que funciona, emperrando sob as ações e condições variadas, desajustando-se por interferência de agentes perturbadores e enfermiços, por fim, transformando-se pela morte.

Essa é uma fatalidade irrecorrível, por mais se pretenda escapar-se.

Como a vida, porém, não são apenas os implementos admiráveis da constituição células, e o ser que a vitaliza seja-lhe pré-existente, compreende-se que, morrer não é extinguir-se, antes é libertar-se da temporária prisão onde se esteve, sobrevivendo-lhe à argamassa material.

Em razão da impregnação da energia espiritual pelas vibrações do campo físico, o seu apega-se ao corpo e teme perdê-lo. O adormecido da consciência profunda, na maquinaria cerebral, faz que ele esqueça com as sensações, nesse período, da sua procedência, iludindo-se mais com as sensações a que se encontra acostumado do que com as emoções transcendentes do seu estado real.

A morte assemelha-se-lhe, então, a uma interrupção definitiva da vida, ao seu aniquilamento, o que se lhe torna terrível e devastador.

Surgem, em razão disso, reações de rebeldia, de pavor ou de desinteresse, de desprezo pelo fenômeno transformador.

A expressiva massa humana, todavia, apegada às experiências fisiológicas, não se dispõe a meditar a respeito da morte, a preparar-se para ela, a entender-lhe a ocorrência.

Vivendo em uma espécie de sonho, não se propõe a despertar, transferindo mentalmente essa reflexão para um momento que, talvez, não alcance.

Vive-se no corpo, acompanhando-se-lhe a incessante, a automática transformação molecular. Morrem células aos bilhões com frequência, que são substituídas por outras; os órgãos sofrem alterações contínuas, que não são percebidas imediatamente, e somente quando o desgaste se acentua é que se notam as mudanças, a insuficiência de forças, o enfraquecimento da visão, da audição, da memória, da bomba cardíaca e de outros equipamentos vitais...

A inexorabilidade da morte está, portanto, presente na vida, e torna-se medida saudável e racional pensar-se sempre nela, no momento terminal. Equipando-se de energias morais para o enfrentamento, a liberação.

A morte não produz dor, por ser um suave deslindamento de vínculos, quando o fenômeno é natural.

Cada morte é decorrência de cada experiência de vida, sendo, então, especial e particular para cada indivíduo.

No processo biológico final, normal, morrer é uma forma de adormecer, para um consequente despertar com as mesmas características e disposições anteriores ao processo terminal fisiológico.

 

Ao acordar, nem coro de anjos, nem presenças satânicas aguardando, exceto para aqueles que vinculados ao que viveram, aqueles que assim se comportaram, com os Espíritos perversos e obsessores. Aqueles outros, que se iluminaram pelo bem e ascenderam aos paramos do amor, defrontam os seus amigos diletos, que os precederam e ali estão para recebe-los de volta ao lar.

Cada qual desperta com a posse da bagagem que acumulou na Terra e conduziu na mente como no sentimento. Ela dispensa os objetos, os recursos amoedados e títulos, os valores materiais que ficaram e agora se tornam motivos de lutas e usuras, de animosidade e rixas cruéis.

A verdadeira posse permanece com o seu cultivador, que deixa de ser aquele que tem para tornar-se o que é. Nesse momento, dá-se conta do que é verdadeiro ao lado daquilo que é falso; do que tem permanência e do que sofre transitoriedade; do que se transforma em asas de libertação, em detrimento do que sucumbe ao peso das paixões primitivas...

Essa avaliação é automática, rápida ou prolongada, conforme os comprometimentos morais de cada ser.

A consciência, sem anestesia, passa a comandar a razão com vigor, não mais podendo ser camuflada a verdade, ou postergado o momento de auto-análise, de autodescobrimento.

Muitas vezes, a memória, desatrelando-se dos neurônios cerebrais, recorda toda a existência, em forma regressiva, desde a desencarnação ao nascimento, fixando as lembranças infelizes, que se fazem acompanhar de dolorosos arrependimentos e mágoas, ou alegrias inefáveis, quando são ditosas essas recordações. Nesse instante, o que está feito não pode ser alterado até que se renovem os compromissos de reparação, quando negativos, ou prolongando as emoções de felicidade, quando ditoso.




A reencarnação tem como objetivo imediato facultar o desenvolvimento intelecto moral do espírito, e, ao ser ela concluída, a imediata avaliação de resultados estabelecerá os futuros empreendimentos, ficando esse período intermediário, entre o túmulo atual e o futuro berço, como preparatórios, em esfera de paz ou campo de luta.

É necessário pensar-se na morte enquanto se está no corpo; fazer-se uma análise de como se encontra e qual seria o seu estado emocional ao despertar, caso a mesma lhe chegasse nesse momento.

Valeriam a pena os apegos exorbitantes a pessoas e a coisas; as disputas por heranças perturbadoras e complicadas que ficarão; por terras e propriedades que passarão de mãos? E o cultivo do amor-próprio ferido, das vaidades enganosas, dos ódios angustiantes, dos caprichos pessoais, das exigências extravagantes, das dores desnecessárias que o egoísmo e o orgulho ocasionam?

Ver-se-á, com essas reflexões, que há muito acúmulo de entulho a que se dá valor descabido nos depósitos dos interesses pessoais da existência terrestre.

Quanto maior for a soma das paixões, das fixações fortes, dos jogos dominadores nos painéis mentais e nas emoções, mais largo será o período de aflição ante a morte e de perturbação íntima, que leva a estados infelizes de obsessão os que ficaram no corpo como legatários, os adversários, os amores desequilibrados, os disputadores das coisas e posses.

É necessário um treino moral para libertar-se do que não se pode conduzir, doando-se, transferindo-se com alegria para outrem, ou deixando-se sem saudades nem amarguras todas as coisas.

Uma reflexão diária sobre a morte ajuda a partida de todos que, inevitavelmente, viajarão para o país de sua origem, de onde volverão de retorno ao mundo, no futuro, em algemas ou inteiramente livres para a preparação de sua plenitude.



Manoel Philomeno de Miranda
(Sob a Proteção de Deus)