Eternidade
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sexta-feira, 26 de julho de 2024
domingo, 16 de fevereiro de 2020
A chave da Reencarnação
O
princípio da reencarnação é a chave que nos abre
a compreensão para todos os problemas humanos. Sem ele tudo é
mistério e confusão em nossos destinos e a justiça de Deus
nos parece absurda.
Essa
chave foi perdida a partir do IV século da nossa era. As religiões
cristãs, adaptando-se aos formalismos pagãos e judaicos, perderam
a chave que Jesus lhes havia deixado em seus ensinos, como ainda hoje podemos
ver de maneira inegável nos Evangelhos.
O
Cristianismo aturdido não pôde encontrá-la nos caprichosos
labirintos da Teologia, formulada pelos novos doutores da lei.
Dezoito
séculos depois de Cristo os cristãos se veriam desarmados diante
do desafio da razão esclarecida pela evolução cultural.
O
mundo convertido ao Cristianismo voltaria então às fontes esquecidas
da cultura pagã. Essa apostasia, como a do Imperador Juliano, o lançaria
de novo nos dilemas insolúveis da razão desprovida de luz espiritual.
Há
dois séculos nos debatemos nesse torvelinho de loucuras, mas há
mais de um século o Espírito da Verdade, prometido por Jesus,
vem renovando na Terra o ensino do Mestre, graças ao restabelecimento
da comunicação mediúnica permanente e natural que nos devolve
a chave perdida da reencarnação.
A
liberdade para a vida afetiva, que procuramos nas ilusões do corpo carnal,
está na realidade do espírito, onde somos, como Jesus ensinou,
semeadores que saíram a semear.
A
semeadura que fizermos determinará a nossa colheita, pois as leis naturais
nos escravizam aos seus resultados inevitáveis.
Quem
planta joio não pode colher trigo. Se semeamos desequilíbrios
afetivos em nosso caminho, como queremos colher os frutos do equilíbrio?
Por
outro lado, se a semeadura do passado foi má, como corrigi-la, se continuarmos
a semear as mesmas sementes? A chave da reencarnação nos abre
as portas do entendimento.
Temos
de renovar as nossas sementeiras. Mas se dermos ouvido às teorias loucas
da razão pagã, desprovida de luz, que pretendem considerar como
normais as anomalias sexuais, justificando-as com a falsa plenitude dos gozos
materiais, não sairemos do círculo vicioso da escravidão
sensorial.
Irmão
Saulo - Na era do Espírito
domingo, 11 de agosto de 2019
Reencarnação
Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um
corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse
processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos,
auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.
O reencarne obedece a um princípio de identidade de freqüências, ou
seja, o espírito reencarna em um determinado continente, em um
determinado país, em uma determinada região desse país, em uma
determinada localidade dessa região, com determinadas características
culturais (idioma, usos, costumes, valores, tradições, história etc.),
bem como em uma determinada família, de acordo com a sintonia que a
freqüência do seu pensamento consiga estabelecer em relação a cada um
desses elementos.
O espírito realiza a reencarnação conscientemente, inclusive traçando
o seu próprio plano geral para a existência material que está se
iniciando. O espírito reencarnante, de acordo com suas limitações, será
mais ou menos auxiliado por espíritos com mais conhecimento e com os
quais tenha afinidade. No entanto, se não estiver suficientemente
equilibrado ou consciente, será orientado no planejamento de sua
passagem pelo polissistema material.
Todavia, reencarnado o espírito, inicia-se o processo de existência
corporal no polissistema material. É um processo aberto, pois a
trajetória pessoal do encarnado segue o exercício do seu livre-arbítrio.
Portanto, não há que se falar em destino, em caminhos previamente
traçados.
O espírito encarnado, fundamentando-se em seu existente (a bagagem de
conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de toda a sua
história, seja encarnado, seja desencarnado), passa a exercitar sua
capacidade, a constatar e desenvolver suas potencialidades, enfim, passa
a construir seu momento presente e seu momento futuro. Vai enfrentando
contradições, dificuldades, obstáculos, facilidades, administrando
encontros e desencontros, permanecendo no seu plano geral ou se
desviando em função de algumas variáveis do processo, mas sempre de
acordo com sua vontade.
No exercício do livre-arbítrio, o espírito encarnado vai construindo
seu equilíbrio ou seu desequilíbrio, de acordo com a maneira pela qual
enfrenta as situações e a vida. Vai, por assim dizer, determinando-se,
segundo a natureza de seus pensamentos e atos. Por menos que faça, ou
por mais que se desequilibre, o espírito sempre alcança progressos em um
ou outro aspecto do seu ser.
A evolução não está necessariamente vinculada ao tempo de vida
material, mas à intensidade com que ela é vivida. A quantidade de
experiências e o aproveitamento que é feito delas é fundamental para o
crescimento do espírito, não importando se as experiências estão sendo
vivenciadas no polissistema material ou espiritual.
É de se ressaltar que, entre uma encarnação e outra, o espírito
continua trabalhando, continua aprendendo, continua evoluindo, de modo
que ele não reencarna no mesmo estágio em que desencarnou.
A Doutrina Espírita trabalha, atualmente, com a hipótese de que o
processo reencarnatório envolve os conceitos de missão, provação,
expiação e carma.
Vale ressaltar que no entendimento atual da Doutrina, os processos
reeencarnatórios apresentam facetas desses quatro conceitos, mas que
algumas reencarnações podem apresentar o predomínio de algumas dessas
características. Eles não são conseqüência de uma interferência ou
controle externo ao espírito reencarnante, descartando-se portanto
qualquer idéia de castigo, punição ou recompensa. Eles são decorrentes
da lei de causa e efeito e das condições de equilíbrio e harmonia do
espírito.
Missão é a situação na qual o espírito reencarnante aplica
conhecimentos internalizados a favor de uma pessoa ou do grupo de sua
convivência.
Provação é a situação na qual o conhecimento em processo de
acomodação e internalização deve ser vivenciado; é a situação na qual o
espírito é desafiado ao limite de seu conhecimento.
Expiação não se refere à aplicação de conhecimento, mas, sim, a uma
conseqüência de um conhecimento aplicado, que provocou conseqüências
difíceis, desagradáveis, muitas vezes dolorosas, que o seu responsável
deverá enfrentar.
Carma ainda é um conceito útil dentro da concepção da Doutrina, desde
que se esteja atento para o seu significado, diverso do de outras
Doutrinas. Para o Espiritismo, carma caracteriza a situação na qual o
espírito está enfrentando as conseqüências de atos seus que lhe
provocaram um desequilíbrio muito intenso, tanto em qualidade como em
quantidade, e que, pela sua intensidade, o espírito poderá levar toda
uma encarnação, ou mais de uma, para recuperar seu equilíbrio.
A pessoa em desequilíbrio estará sempre em recuperação tanto pela sua
reação própria como pela ajuda de outras pessoas ( curar, aliviar,
consolar; conhecimento técnico, moral e afetivo). O que varia é apenas o
tempo necessário para que o equilíbrio seja novamente retomado. É
importante frisar que as dificuldades que o espírito encarnado encontra
em seu cotidiano muitas vezes não são explicadas pela reencarnação.
Reencarnação não explica tudo. Há muitas situações de desequilíbrio
causadas em sua encarnação atual.
Em resumo, rencarnação não serve para explicar tragédias e desgraças;
não serve para esconder a ignorância, não serve como desculpa ao
imobilismo; não serve como consolo para aquelas situações que deveriam
ser modificadas e não o são; não serve para destacar o passado e
paralisar o presente. Reencarnação é oportunidade de aprendizado, é
oportunidade de se aplicar o que se sabe e superar as limitações através
de vivências sucessivas no polissistema material. Reencarnação é
afirmação da unidade e da continuidade da vida.
Fonte: SBEE - Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas
Copyright: Todos os direitos reservados. A SBEE autoriza a reprodução
dos textos para fins não comerciais desde que seja mencionada a fonte"
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Miniaturização do Perispírito
Ao
nos referimos a esse fenômeno, cumpre-nos lembrar que nossa percepção
de encarnados está adstrita à vida tridimensional do nosso planeta.
Nossos raciocínios também se limitam, salvo ocasionais laivos de
percepção maior, às dimensões que podemos compreender.
Reencarnar significa, acima de tudo, como fenômeno, mergulhar na nossa dimensão física. Estabelecendo um parâmetro referencial conhecido, dizemos que o Espírito em seu corpo espiritual possui uma altura semelhante àquela atribuída ao homem encarnado, digamos: 1,70 m. Para não polemizar, vamos nos reportar aos espíritos materializados nas sessões ectoplasmáticas, e observar que suas alturas são as esperadas para um ser humano.
Utilizando-nos como exemplo a água, diríamos que – em vapor, líquido ou gelo – continua sendo molécula de água. O que ocorre nesses três estados físicos é uma maior ou menor concentração das moléculas, que não perdem a sua característica básica, isto é, continuam sendo a mesma água.
Sabemos que um Espírito reencarnante terá de se fixar em um ovo, embrião e depois em um recém-nascido de, aproximadamente, cinquenta centímetros. Em termos relativos, e de nossa percepção dimensional, diremos que ele, em seu corpo espiritual de 1,70 m, terá de sofrer uma redução volumétrica. Seu perispírito passará por um processo de miniaturização, mas permenecendo com todas as suas caraterísticas essenciais e registros das vidas passadas.
No singelo exemplo das moléculas de água em três estados físicos, temos a figuração da conservação da identidade da água, apesar do maior ou menor volume com que se apresenta a substância mencionada.
Como fonte bibliográfica, lembramos Missionários da Luz*, em que o autor espiritual que dita a obra ao médium Chico Xavier detalha o processo reencarnatório do Espírito Segismundo. Em A Vida Continua...**, André Luiz, no capítulo 16, faz também referência ao fenômeno da miniaturização.
O embrião, à medida que vai se desenvolvendo, multiplica o número das células e aumenta a área de fixação do corpo espiritual, que se prende às moléculas do corpo físico em formação. Ao concluir a gestação, teremos um recém-nato constituído de um grande número de células que irão compor as malhas da rede que retém o corpo espiritual. No processo de redução volumétrica ou miniaturização, as moléculas perispirituais se aproximam, reduzindo os espaços intermoleculares.
A perda de atividade vibratória e a redução da energia cinética determinam a aproximação molecular (como do vapor d’água ao se esfriar, condensando em água líquida). A redução volumétrica acompanha-se de progressiva perda de consciência do Espírito, variando o grau dessa perda com o nível evolutivo da Entidade reencarnante. Há Espíritos que mantêm sua consciência até adiantadas fases de gestação, enquanto que outros a perdem logo no início do processo.
Existe um mecanismo de atração recíproca. De um lado, o corpo espiritual e Espírito como que polo penetrante ou positivo; do outro lado, a matéria receptora como polo negativo. O polo positivo assim é denominado por ser o elemento diretor, embora influenciado pela matéria. O princípio espiritual automaticamente coordena, molda e domina, completamente, toda a cadeia de reações que se desenvolvem no pocesso reencarnatório.
Durante a miniaturização, partes das vibrações mais periféricas do Espírito são absorvidas pelas zonas mais profundas, que passam a reter essas potencialidades energéticas. O conjunto espiritual fica, então, reduzido ao tamanho do útero, e nas zonas mais periféricas o perispírito passa a sofrer também modificações durante todo o período da gravidez. A reencarnação, como um fenômeno renovador, sempre se daria em posições mais avançadas que as anteriores; na atual, o Espírito expressará herança dos caracteres adquiridos anteriormente.
Nos Espíritos que vivem ainda nos limites da animalidade, a redução do conjunto espiritual atinge o seu máximo, não se limitando, em espaços, ao tamanho do útero, e sim às dimensões microscópicas da célula-ovo. Esses Espíritos, quando desencarnados, apresentam-se com uma postura fixa mental ou monoideísmo auto-hipnotizante de voltar à vida física. Sua ideia fixa neutraliza outras emoções, determinando a diminuição das energias espirituais até o ponto das moléculas se condensarem em nível microscópico de um núcleo de célula-ovo.
A redução volumétrica do corpo espiritual tem um papel muito importante na facilitação das tarefas do Espírito na nova encarnação. Além de propiciar a integração ao novo corpo biológico, determina a perda de consciência progressiva, com a importante consequência do esquecimento do passado, imprescindível para a estabilização psicológica frente às situações cármicas de reencontro familiar e outras necessárias à evolução do Espírito.
Livro: Temas Polêmicos do Século XXI, por Ricardo Di Bernardi
(*) – Obra Missionários da Luz. Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz. FEB – Federação Espírita Brasileira. Lançada em 1945, é o 3º livro da Série André Luiz.
(**) – Obra E a Vida Continua... Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz. FEB – Federação Espírita Brasileira. Lançada em 1968, é o 16º e último livro da Série André Luiz.
Reencarnar significa, acima de tudo, como fenômeno, mergulhar na nossa dimensão física. Estabelecendo um parâmetro referencial conhecido, dizemos que o Espírito em seu corpo espiritual possui uma altura semelhante àquela atribuída ao homem encarnado, digamos: 1,70 m. Para não polemizar, vamos nos reportar aos espíritos materializados nas sessões ectoplasmáticas, e observar que suas alturas são as esperadas para um ser humano.
Utilizando-nos como exemplo a água, diríamos que – em vapor, líquido ou gelo – continua sendo molécula de água. O que ocorre nesses três estados físicos é uma maior ou menor concentração das moléculas, que não perdem a sua característica básica, isto é, continuam sendo a mesma água.
Sabemos que um Espírito reencarnante terá de se fixar em um ovo, embrião e depois em um recém-nascido de, aproximadamente, cinquenta centímetros. Em termos relativos, e de nossa percepção dimensional, diremos que ele, em seu corpo espiritual de 1,70 m, terá de sofrer uma redução volumétrica. Seu perispírito passará por um processo de miniaturização, mas permenecendo com todas as suas caraterísticas essenciais e registros das vidas passadas.
No singelo exemplo das moléculas de água em três estados físicos, temos a figuração da conservação da identidade da água, apesar do maior ou menor volume com que se apresenta a substância mencionada.
Como fonte bibliográfica, lembramos Missionários da Luz*, em que o autor espiritual que dita a obra ao médium Chico Xavier detalha o processo reencarnatório do Espírito Segismundo. Em A Vida Continua...**, André Luiz, no capítulo 16, faz também referência ao fenômeno da miniaturização.
O embrião, à medida que vai se desenvolvendo, multiplica o número das células e aumenta a área de fixação do corpo espiritual, que se prende às moléculas do corpo físico em formação. Ao concluir a gestação, teremos um recém-nato constituído de um grande número de células que irão compor as malhas da rede que retém o corpo espiritual. No processo de redução volumétrica ou miniaturização, as moléculas perispirituais se aproximam, reduzindo os espaços intermoleculares.
A perda de atividade vibratória e a redução da energia cinética determinam a aproximação molecular (como do vapor d’água ao se esfriar, condensando em água líquida). A redução volumétrica acompanha-se de progressiva perda de consciência do Espírito, variando o grau dessa perda com o nível evolutivo da Entidade reencarnante. Há Espíritos que mantêm sua consciência até adiantadas fases de gestação, enquanto que outros a perdem logo no início do processo.
Existe um mecanismo de atração recíproca. De um lado, o corpo espiritual e Espírito como que polo penetrante ou positivo; do outro lado, a matéria receptora como polo negativo. O polo positivo assim é denominado por ser o elemento diretor, embora influenciado pela matéria. O princípio espiritual automaticamente coordena, molda e domina, completamente, toda a cadeia de reações que se desenvolvem no pocesso reencarnatório.
Durante a miniaturização, partes das vibrações mais periféricas do Espírito são absorvidas pelas zonas mais profundas, que passam a reter essas potencialidades energéticas. O conjunto espiritual fica, então, reduzido ao tamanho do útero, e nas zonas mais periféricas o perispírito passa a sofrer também modificações durante todo o período da gravidez. A reencarnação, como um fenômeno renovador, sempre se daria em posições mais avançadas que as anteriores; na atual, o Espírito expressará herança dos caracteres adquiridos anteriormente.
Nos Espíritos que vivem ainda nos limites da animalidade, a redução do conjunto espiritual atinge o seu máximo, não se limitando, em espaços, ao tamanho do útero, e sim às dimensões microscópicas da célula-ovo. Esses Espíritos, quando desencarnados, apresentam-se com uma postura fixa mental ou monoideísmo auto-hipnotizante de voltar à vida física. Sua ideia fixa neutraliza outras emoções, determinando a diminuição das energias espirituais até o ponto das moléculas se condensarem em nível microscópico de um núcleo de célula-ovo.
A redução volumétrica do corpo espiritual tem um papel muito importante na facilitação das tarefas do Espírito na nova encarnação. Além de propiciar a integração ao novo corpo biológico, determina a perda de consciência progressiva, com a importante consequência do esquecimento do passado, imprescindível para a estabilização psicológica frente às situações cármicas de reencontro familiar e outras necessárias à evolução do Espírito.
Livro: Temas Polêmicos do Século XXI, por Ricardo Di Bernardi
(*) – Obra Missionários da Luz. Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz. FEB – Federação Espírita Brasileira. Lançada em 1945, é o 3º livro da Série André Luiz.
(**) – Obra E a Vida Continua... Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz. FEB – Federação Espírita Brasileira. Lançada em 1968, é o 16º e último livro da Série André Luiz.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Doença: um tipo de gestação
Todos querem morrer de repente para não sofrer.
Será que assim é realmente melhor?
As
enfermidades que grassam no planeta são advertências que a natureza nos
oferece para verificação e controle de nossos excessos, extravagâncias
ou imprevidências. Corpo e alma devem formam perfeita sintonia, cada um
com suas regras e necessidades.
Nos assuntos do pensamento, o grande envolvido é o espírito, ou seja, nós, o princípio imortal. Desequilibrados, registramos no conjunto físico os ferimentos que criamos na alma. É assim que surgem as enfermidades que a cada dia se multiplicam. Por isso, a maioria das doenças é conhecida como psicossomática; do psiquismo e do soma, o corpo. Tratar de um sem levar em conta o outro é mais difícil do que equilibrar o conjunto ao mesmo tempo.
Observem que é comum sentirmos desconforto, dores, incômodos de variada natureza e ao consultar o doutor ele diagnostica que nada temos. Deve ser, argumenta ele, coisa da sua cabeça, resultado de preocupação ou mesmo hipocondria. O doutor não sabe que a doença já existe na alma e começa a instalar-se no corpo. Como são meros sintomas, não podem ser detectados pela aparelhagem convencional. Mas logo estarão materializadas no físico.
Recentemente um médico europeu disse ter revisto seus conceitos, porque também imaginava que a melhor maneira de morrer era ser fulminado, por exemplo, por um infarto. Sem tempo para sofrimento. Hoje ele mudou de ideia a ponto de dizer que o câncer é um aliado para quem vai desencarnar, porque lhe dá tempo de analisar seu passado, corrigir o que ainda é possível e mudar o comportamento e os valores durante o tempo que lhe sobra. Ou seja, o tempo de enfermidade é muitas vezes a essência da passagem pela Terra, como preparação para deixar o mundo.
Durante esta gestação para nascer de novo na espiritualidade, além do preparo que o doente experimenta ele vai convencendo seus parentes da importância do seu desencarne, porque o sofrimento aumenta a cada dia e aqueles que oravam para que sarasse passam a pedir a Deus que o liberte e tenha pena dele diante do sofrimento.
Nesse meio tempo, vai se adaptando ao que encontrará na volta para a verdadeira casa. Os amigos espirituais, inclusive ex-parentes, se aproximam, preparando-se para recebê-lo a fim de não se sentir totalmente estranho num ambiente em que chega meio de repente.
Aos poucos vamos entendendo que as dores do mundo são importantes. Servem para analisar onde estão os enganos a serem corrigidos. Como no futebol, são os cartões amarelos que antecedem os vermelhos quando tudo fica consumado. A dor é convincente professora. Será que entendemos e concordamos com isso?
A reencarnação, que é considerada por muitos como um castigo, é, na verdade, a maior misericórdia da lei divina porque dá oportunidade de reaprendizado naquilo que mais falhamos. Como o aluno que repete o ano para estudar novamente tudo o que já lhe foi passado, mas não soube reproduzir na prova de fim de ano. Ouviu, mas não entendeu. O pior é que trazemos equívocos, falhas, erros para serem consertados e em vez de saná-los adquirimos outros novos que passam a pesar na nossa consciência de maneira mais acentuada. Fazemos o inverso. Em vez de sair da vida aliviados, acabamos deixando o mundo material mais sobrecarregados. Daí a humanidade sentir a cada dia mais infeliz.
Já repetimos inúmeras vezes que só a popularização do Espiritismo poderá resolver a maioria dos problemas do mundo. A lei de ação e reação bem compreendida anulará grande parte dos flagelos humanos. Vamos nos convencer que os males estão em nós; do lado de dentro. E são esses que realmente devemos temer porque deixam grandes sequelas que só nós podemos curar. Ainda não é o tempo da massificação desta doutrina porque a humanidade ainda vive aquele período de incredulidade mencionado por Kardec no comentário à questão 798 de O Livro dos Espíritos. E é mais por interesses materiais do que por convicções religiosas. Mas com o tempo os gananciosos acabarão isolados e a verdade prevalecerá para o bem de toda a humanidade. É tudo uma questão de tempo.
Nos assuntos do pensamento, o grande envolvido é o espírito, ou seja, nós, o princípio imortal. Desequilibrados, registramos no conjunto físico os ferimentos que criamos na alma. É assim que surgem as enfermidades que a cada dia se multiplicam. Por isso, a maioria das doenças é conhecida como psicossomática; do psiquismo e do soma, o corpo. Tratar de um sem levar em conta o outro é mais difícil do que equilibrar o conjunto ao mesmo tempo.
Observem que é comum sentirmos desconforto, dores, incômodos de variada natureza e ao consultar o doutor ele diagnostica que nada temos. Deve ser, argumenta ele, coisa da sua cabeça, resultado de preocupação ou mesmo hipocondria. O doutor não sabe que a doença já existe na alma e começa a instalar-se no corpo. Como são meros sintomas, não podem ser detectados pela aparelhagem convencional. Mas logo estarão materializadas no físico.
Recentemente um médico europeu disse ter revisto seus conceitos, porque também imaginava que a melhor maneira de morrer era ser fulminado, por exemplo, por um infarto. Sem tempo para sofrimento. Hoje ele mudou de ideia a ponto de dizer que o câncer é um aliado para quem vai desencarnar, porque lhe dá tempo de analisar seu passado, corrigir o que ainda é possível e mudar o comportamento e os valores durante o tempo que lhe sobra. Ou seja, o tempo de enfermidade é muitas vezes a essência da passagem pela Terra, como preparação para deixar o mundo.
Durante esta gestação para nascer de novo na espiritualidade, além do preparo que o doente experimenta ele vai convencendo seus parentes da importância do seu desencarne, porque o sofrimento aumenta a cada dia e aqueles que oravam para que sarasse passam a pedir a Deus que o liberte e tenha pena dele diante do sofrimento.
Nesse meio tempo, vai se adaptando ao que encontrará na volta para a verdadeira casa. Os amigos espirituais, inclusive ex-parentes, se aproximam, preparando-se para recebê-lo a fim de não se sentir totalmente estranho num ambiente em que chega meio de repente.
Aos poucos vamos entendendo que as dores do mundo são importantes. Servem para analisar onde estão os enganos a serem corrigidos. Como no futebol, são os cartões amarelos que antecedem os vermelhos quando tudo fica consumado. A dor é convincente professora. Será que entendemos e concordamos com isso?
A reencarnação, que é considerada por muitos como um castigo, é, na verdade, a maior misericórdia da lei divina porque dá oportunidade de reaprendizado naquilo que mais falhamos. Como o aluno que repete o ano para estudar novamente tudo o que já lhe foi passado, mas não soube reproduzir na prova de fim de ano. Ouviu, mas não entendeu. O pior é que trazemos equívocos, falhas, erros para serem consertados e em vez de saná-los adquirimos outros novos que passam a pesar na nossa consciência de maneira mais acentuada. Fazemos o inverso. Em vez de sair da vida aliviados, acabamos deixando o mundo material mais sobrecarregados. Daí a humanidade sentir a cada dia mais infeliz.
Já repetimos inúmeras vezes que só a popularização do Espiritismo poderá resolver a maioria dos problemas do mundo. A lei de ação e reação bem compreendida anulará grande parte dos flagelos humanos. Vamos nos convencer que os males estão em nós; do lado de dentro. E são esses que realmente devemos temer porque deixam grandes sequelas que só nós podemos curar. Ainda não é o tempo da massificação desta doutrina porque a humanidade ainda vive aquele período de incredulidade mencionado por Kardec no comentário à questão 798 de O Livro dos Espíritos. E é mais por interesses materiais do que por convicções religiosas. Mas com o tempo os gananciosos acabarão isolados e a verdade prevalecerá para o bem de toda a humanidade. É tudo uma questão de tempo.
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, agosto/2016, por Caúmo Serrano
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Poema do senador Públio Lentulus Cornelius à sua esposa Lívia
http://slideplayer.com.br/slide/398167/
Alma gêmea da minhalma,
Flor de luz de minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.
Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!
_______________
Créditos: Texto Xavier, F. C. Há dois mil anos, [pelo Espírito de] Emmanuel. Rio de Janeiro,
Federação Espírita Brasileira, 2009, p.65-66 Música Bento e Marília e filhos. Almas Gêmeas[editada].
União Espírita Mineira, CD Harmonia Interior. Contatos: (31)3462-5278
Fotos Arte de Roma Antiga, Via Appia, papoulas e flores italianas diversas, obtidas através do Google Imagens. Produção Antonio Cesar Perri de Carvalho Gilmar da Cunha Trivelato Brasilia, abril de 2010
sábado, 15 de agosto de 2015
sábado, 2 de maio de 2015
Renovação e Reencarnação
A poda renova a planta.
O filtro depura a água.
O fogo retempera os metais.
A luta dignifica o homem.
O sofrimento purifica o espírito.
O filtro depura a água.
O fogo retempera os metais.
A luta dignifica o homem.
O sofrimento purifica o espírito.
A reencarnação é abençoado e valioso ensejo para sublimação, na longa jornada da imortalidade.
O atrito gasta arestas.
A atividade gasta as energias.
A reencarnação gasta as dívidas cármicas pela aplicação da atividade bem orientada que se deve imprimir ao labor da própria santificação.
O amor renova as expressões da coragem.
A dor mensura a fragilidade humana.
A esperança estimula nos embates renhidos.
A alegria espalha bênçãos.
A tristeza convida à meditação.
A reencarnação é expressiva doação divina para o enobrecimento do espírito em evolução.
A chuva abençoa com a abundância.
O Sol abençoa com a luz e o calor.
A noite abençoa com a oportunidade do repouso.
A reencarnação abençoa a vida com a renovação de propósitos, o mecanismo de "fazer" ou "deixar de fazer", na elaboração da felicidade intransferível e inalienável para todos nós...
Se os percalços se acumulam no teu caminho, levando-te à exaustão na luta;
se
as aflições te povoam a mente, aniquilando tua paz;
se os sofrimentos se
dilatam, impossibilitando-te a atividade ordeira;
se o cansaço invencível
te prende nas amarras do desânimo;
se as inquietações te ameaçam a estrutura do
equilíbrio quase em colapso;
se as dores morais se sucedem incessantes sem
te oferecerem trégua para a recuperação da paz,
agradece, assim mesmo, o favor
imerecido da reencarnação que fruis, coroando-te com as fortunas do céu para os
resgates da Terra, e renova-te, embora sejam duros os golpes da peleja.
Em momento algum te deixes mergulhar nos torpes estados da blasfêmia ou da irritabilidade, da impaciência ou da ira, do desespero ou da malversação do tempo e das possibilidades do corpo e da mente.
Em situação nenhuma te permitas a rebeldia ou o descoroçoamento na árdua viagem carnal.
Ora e ora, medita e medita.
Sucedendo à saúde, a enfermidade aflige, mas após ela a libertação faculta a plenitude do refazimento e da renovação de paisagens, e bendirás todas as dificuldades que te assinalaram a reencarnação benfeitora quando, tudo concluído, chegares, de volta, à vida verdadeira.
Joanna de Ângelis
Do Livro: Lampadário Espírita
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
sábado, 28 de março de 2015
Reencarnação e Espiritismo / Necessário vos é nascer de novo.
Não foram os espíritas que inventaram a Reencarnação - palavra que grafamos com inicial maiúscula, em homenagem de nossa Alma agradecida à lei sábia e misericordiosa que projetou luz sobre o até então incompreendido problema do Ser, do Destino e da Dor.
O ensino reencarnacionista vem de muito longe, de povos antigos e remotíssimas doutrinas.
Ao Espiritismo couberam, apenas, a honra e a glória de estudá-lo, sistematizando-o, para convertê-lo, afinal, num dos principais, senão no principal fundamento de sua granítica estrutura doutrinária.
Grandes vultos do passado, no campo da Religião, da Filosofia e da Ciência, aceitaram e difundiram a Reencarnação.
Orígenes (nascido em 185 e falecido em 254), considerado por São Jerônimo como a maior autoridade da Igreja de Roma, afirma, no livro "Dos Princípios", em abono da tese básica do Espiritismo: "As causas das variedades de condições humanas são devidas às existências anteriores."
São, ainda, do eminente e consagrado teólogo as seguintes palavras: "A maneira por que cada um de nós põe os pés na Terra, quando aqui aportamos, é a consequência fatal de como agiu anteriormente no Universo."
Ainda de Orígenes: "Elevando-se pouco a pouco, os Espíritos chegaram a este mundo e à ciência dele. Daí subirão a melhor mundo e chegarão a um estado tal que nada mais terão de ajuntar."
Krishna, no Bhagavad-Guitá (o Evangelho da Índia), predica, com absoluta e inegável clareza: "Eu e vós tivemos vários nascimentos. Os meus, só são conhecidos de mim; vós não conheceis os vossos."
Os Vedas, milhares de anos antes de Jesus-Cristo, difundiam largamente, a ideia reencarnacionista.
Buda aceitava e pregava a Reencarnação.
Os sacerdotes egípcios ensinavam que "as almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, e que as almas virtuosas sobem, voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas".
Na Grécia, berço admirável de legítimos condores do Pensamento e da Cultura, encontramos Sócrates, Platão e Pitágoras como fervorosos paladinos das vidas sucessivas.
Sócrates ensinava que "as almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos".
O ensino pitagórico era, como é notório, essencialmente reencarnacionista, dele advindo, por falsa interpretação de mentes pouco evoluídas, a errônea teoria da metempsicose.
Entre os romanos, Virgílio e Ovídio disseminavam os princípios reencarnacionistas.
Ovídio chegava a dizer: "quando minha alma for pura, irá habitar os astros que povoam o firmamento", admitindo, assim, semelhantemente aos espíritas, a sucessividade das vidas em outros planetas.
São Jerônimo afirmava, por sua vez, "que a transmigração das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados".
Deixemos, contudo, esses consagrados vultos, cuja opinião, embora respeitável e acatada, empalidece ante a opinião da figura máxima da Humanidde - Nosso Senhor Jesus-Cristo.
O Sublime Embaixador pregou a Reencarnação. Algumas vezes, de forma velada; outras, com objetividade e clareza.
Falando a respeito de Elias, o profeta falecido alguns séculos antes, diz o Mestre: - "Elias já veio e não o conhecestes", compreendendo então os discípulos que se referia a João Batista (Elias reencarnado).
No famoso diálogo com Nicodemos, afirma que ninguém alcançará o Reino de Deus "se não nascer de novo."
Nascer da água e do Espírito - o que completa a intenção, o pensamento reencarnacionista de Jesus.
Em outra oportunidade, externando por meio de simples alegoria sobre a Lei de Causa e Efeito - ou Carma -, sentencia: - "Ninguém sairá da Terra sem que pague até o último ceitil", isto é: até a completa remissão das faltas.
Como se vê, o Espiritismo não criou, não inventou a Reencarnação.
Aceitando-a como herança de eminentes filósofos e de respeitáveis doutrinas, de Jesus e de Seus discípulos, e confirmada, a seu tempo, pelos Espíritos do Senhor, o Espiritismo promoveu o seu estudo, a sua difusão, a sua exegese.
Ela é, contudo, antiquíssima, conhecida e professada antes do Cristo, na época do Cristo e em nossos dias.
Há mais de um século o Espiritismo apresenta-a por único meio de crermos num Pai justo e bom, que dá a cada um "segundo as suas obras" e como elemento explicativo da promessa de Jesus, de que "nenhuma de suas ovelhas se perderia".
A Reencarnação é a chave, a fórmula filosófica que explica, sem fugir ao bom-senso nem à lógica, as conhecidas desigualdades humanas - sociais, econômicas, raciais, físicas, morais e intelectuais.
Sem o esclarecimento palingenésico, tais diversidades deixariam um doloroso "ponto de interrogação" em nossa consciência, no que diz respeito à Justiça Divina.
Sem as suas claridades, seria a Justiça de Deus bem inferior à dos homens.
Teríamos um Deus parcial, injusto, caprichoso, cruel, impiedoso mesmo.
Um Deus que beneficiaria a uns e infelicitaria à maioria.
Com a Reencarnação, temos Justiça Incorruptível, equânime, refletindo a ilimitada Bondade do Criador.
Um Deus que perdoa sem tirar ao culpado a glória da remissão de seus próprios erros.
Um Deus que perdoa, concedendo ao culpado tantas oportunidades quantas ele necessite para reparar os males que praticou.
Com a Palingenesia, temos um Deus que se apresenta, no Altar de nossa consciência e no Templo do nosso coração, como Pai Misericordioso e Justo, um Pai carinhoso e Magnânimo, que oferece a todos os Seus filhos os mesmos ensejos de redenção, através das vidas sucessivas - neste e noutros mundos, mundos que são as "outras moradas" a que se refere Jesus no Evangelho.
Tantas vidas quantas forem necessárias, porque o essencial e o justo é que "nenhuma das ovelhas se perca"...
por Martins Peralva,
obra: Estudando o Evangelho.
segunda-feira, 23 de março de 2015
GRAVIDEZ - sublime ninho do amor.
A gestação é um período de
transformações físicas e emocionais muito importantes para a mulher,
constituindo um momento deveras transcendental, porquanto a futura mamãe
verifica, no seu cadinho uterino, a materialização na carne de um ser
que emerge da vida imortal. Que sublime e grandiosa missão outorgada a
um ser por Deus, concedendo a uma pessoa a tarefa de poder igualmente
gerar!
Cuidar do corpo e do espírito
Gravidez - Sublime Ninho do Amor
Gravidez - Sublime Ninho do Amor
O espírito, centelha divina aprimorada e
individualizada, necessita da arena física, com sua resistência própria,
para despertar e exteriorizar suas potencialidades (“O Reino de Deus
dentro de si”). A encarnação humana torna-se uma necessidade para a
individualidade extrafísica, porquanto “criada simples e ignorante se
instrui nas lutas e tribulações da vida corporal, dela sofrendo todas as
vicissitudes”. O ser espiritual precisa despojar-se de todas as
impurezas da matéria e, finalmente, conseguir predomínio sobre ela. A
Doutrina Espírita igualmente ensina que “para ganhar experiência é
preciso que o Espírito conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao
corpo”. (Questões 25, 132, 133, 113, 107, 634 de O Livro dos Espíritos).
Portanto, é na vibração mais densa que a individualidade extrafísica
escolhe o seu caminho: “Se não existissem montanhas, não compreenderia o
homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não
compreenderia que há corpos duros” (“OLE”, Q. 634).
O Espiritismo esclarece que o momento em que a alma se une ao corpo
começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento.
“Desde o momento da concepção, o espírito designado para tomar
determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai
encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o
grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou
para o número dos vivos e dos servos de Deus” (Q. 344 de “OLE”).
A Doutrina Espírita ensina também que a união entre o espírito e o
corpo não é definitiva desde o momento da concepção. “Durante esse
primeiro período, o Espírito pode renunciar a tomar o corpo que lhe foi
designado, desde que a união é definitiva no sentido de que outro
Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo; mas,
como os laços que o prendem são muito frágeis, fáceis de romper, podem
ser rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida.
Nesse caso, a criança não vinga” (Q. 345 de “OLE”).
Kardec perguntou aos benfeitores espirituais se, no intervalo da
concepção ao nascimento, o espírito goza de todas as suas faculdades? A
resposta, pronta e objetiva: “Mais ou menos, segundo a fase, porque não
está ainda encarnado, mas ligado ao corpo. Desde o instante da
concepção, a perturbação começa a envolver o Espírito, advertido, assim,
de que chegou o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação
vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é mais ou
menos o de um Espírito encarnado, durante o sono do corpo. À medida que o
momento do nascimento se aproxima, suas ideias se apagam, assim como a
lembrança do passado se apaga desde que entrou na vida. Mas essa
lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito”
(Q. 351 de “OLE”).
Na Q. 352 de “OLE”, o codificador inquire se, no momento do
nascimento, o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas
faculdades? “A Espiritualidade Superior esclarece que não: elas se
desenvolvem gradualmente com os órgãos. Ele se encontra numa nova
existência; é preciso que aprenda a se servir dos seus instrumentos; as
ideias lhe voltam pouco a pouco, como a um homem que acorda e se
encontra numa posição diferente da que ocupava antes de dormir”.
Na Q. 353, Kardec indaga se a união do espírito com o corpo não
estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento,
pode considerar-se o feto como tendo uma alma? “As Entidades respondem,
dizendo que o Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora
dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação
está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve
possuir”.
Sendo fundamental a reencarnação para o ser espiritual, é importante
que seja bem-recebido nas paragens físicas, devendo a mãe cuidar muito
bem de sua saúde no período gestacional para que o espírito possa
receber um corpinho sadio.
Muito importante que a gestante seja acompanhada, desde que seja
constatada a gravidez, por um profissional habilitado na área da
obstetrícia, evitando a orientação leiga.
Quanto à nutrição, a futura mãe deve alimentar-se bem, preferindo
alimentos com baixo teor de gorduras, fazendo bastante uso de frutas,
verduras e legumes, ricos em vitaminas, sais minerais e fibras.
Importante a ingestão de farelo de aveia ou gérmen de trigo, acompanhado
da linhaça para combater a constipação intestinal (prisão de ventre),
muito frequente no período da prenhez. A ingestão de água, em torno de 2
litros por dia, é primordial.
Evitar alimentos fritos, dando preferência aos cozidos ou grelhados.
Imprescindível a ingestão de proteínas, ferro e cálcio. A carne vermelha
é muito rica em proteínas e ferro, enquanto o leite de vaca e seus
derivados, como o queijo e requeijão, além de proteínas, contêm muito
cálcio. A soja é também necessária na alimentação da grávida, possuindo,
também, em boa concentração, proteínas e o cálcio.
Quanto às doenças, muitas vezes o diagnóstico de AIDS é feito no
período pré-natal, devendo a gestante HIV+ ser medicada com
antirretroviral durante a gestação e o parto, e, posteriormente, o
recém-nato, evitando o problema da transmissão mãe-filho, reduzindo
drasticamente as taxas de transmissão vertical. No período gestacional
podem ser observadas maiores incidências de asma, diabetes mellitus
gestacional, anemia, vulvovaginite, cistite, distúrbios da tireoide e
pré-eclâmpsia.
Existe intensa relação entre problemas emocionais, como a ansiedade e
estresse, e complicações obstétricas, como parto prematuro,
sangramentos, ruptura precoce das membranas e pré-eclâmpsia (quadro de
pressão alta, edemas e aumento da excreção de proteínas na urina, com
ausência de crises convulsivas e coma). A futura mamãe experimenta
muitas dúvidas em relação à gravidez, desde que muitas modificações
acontecem em seu corpo, como igualmente a preocupação com o feto, o medo
do parto e a amamentação futura. É essencial que, na assistência
pré-natal, a gestante seja estimulada e preparada para o aleitamento
materno, o qual deverá ser oferecido ao neném exclusivamente até o sexto
mês de vida. A depressão na gravidez também é muito grave, porquanto
pode gerar complicações obstétricas, principalmente pelo risco do uso de
drogas medicamentosas e a não adesão ao seguimento do pré-natal.
O consumo de bebidas alcoólicas é muito constatado, principalmente
nas prenhes portadoras de problemática emocional, podendo acarretar
lesão fetal, com problemas motores, físicos, mentais e comportamentais. A
deficiência mental nas crianças pode ser verificada nas mães que
ingeriram bebidas alcoólicas na gravidez. Na chamada síndrome alcoólica
fetal, os nenéns apresentam a cabeça reduzida e malformações na face
(lábio superior bem fino, nariz e maxilar de tamanho reduzido). Alguns
órgãos são acometidos, sendo observadas anormalidades cerebrais, das
mais leves, como mau aprendizado escolar, até o retardamento mental.
Estima-se que 12 mil crianças nasçam no mundo a cada ano com essa
síndrome.
A bebida alcoólica consumida na gravidez é rapidamente absorvida pelo
neném em formação, passando com facilidade pela placenta, podendo
causar aborto espontâneo, parto prematuro e outras complicações.
Fundamental frisar que a droga não deva ser ingerida igualmente durante a
fase de amamentação, pois o álcool pode ser veiculado para o bebê
através do leite materno.
Em relação ao fumo, as prenhes devem evitá-lo ao extremo, inclusive
não permanecendo em locais onde haja pessoas fumando, desde que o
tabagismo passivo proporciona a entrada das toxinas do tabaco na
corrente sanguínea. Importante essa informação científica de evitar a
aspiração da fumaça pela gestante, pois o bebê pode nascer ostentando
peso baixo, com riscos até, nos casos de contato prolongado com o fumo,
de apresentar paralisia cerebral. Há relatos de trabalhos científicos
relacionando o tabagismo passivo com dificuldades de aprendizado, como
igualmente com o risco muito acentuado de sofrer o neném de morte
súbita, aparentemente sem causa plausível. Portanto, é imprescindível, a
prenhe pedir ao fumante ao seu redor que apague o cigarro ou se retire
do local, já que poderá haver prejuízo para o feto. Caso a gestante seja
viciada, que deixe de fumar, porque motivos não lhe faltam, sendo o
mais importante deles o amor que já vivencia pelo ser espiritual que
Deus lhe outorga, formando-se seu corpinho dentro de si, em uma simbiose
deveras transcendental e sublime.
Quanto ao sexo na gestação, é essencial dizer que, tanto a mulher
pejada, como o seu companheiro, sentem enfaticamente que novos rumos
estão se delineando no horizonte do lar. No primeiro trimestre, a
mulher, submetida às transformações hormonais, constata diminuição da
libido e considera provável que o ato sexual possa prejudicar o neném.
Ao mesmo tempo, os vômitos, o cansaço e os seios doloridos favorecem
ainda mais o processo de rejeição do contato sexual. O futuro papai, ao
mesmo tempo, sente a necessidade de proteger a companheira e o seu filho
em formação no cadinho uterino, equivocadamente evitando a prática
sexual. Importa nesses momentos que o casal esteja ligado por laços
amorosos tenazes, onde o carinho e a atenção estejam presentes, e saiba
que o intercâmbio sexual é saudável e importante nesta fase da vida,
porquanto o acasalamento de esplendorosas energias é também
compartilhado pelo ser espiritual, agasalhado no sublime domicílio de
carne que lhe serve de morada.
No alvorecer do 2º trimestre da gestação, tudo se modifica, as
náuseas e os vômitos não mais acometem a gestante, a libido retorna e o
casal pode usufruir o sexo na gravidez em paz. Chegando o último
trimestre, o desejo sexual volta a diminuir; contudo, a futura mamãe
experimenta desconforto com sua imensa barriga, acreditando que seu
companheiro não a acha mais encantadora. O homem se sente inseguro,
acreditando que o ato sexual possa molestar o neném. Nesse momento tão
difícil para o casal, é essencial ouvir os conselhos do obstetra, o qual
certamente orientará o par a respeito das melhores posições para fazer
sexo, bem como o ensino de que o ato sexual não machuca o feto, que está
muito bem abrigado no útero, com suas camadas de músculos e pelo saco
gestacional, sem contar a presença do tampão mucoso, protegendo a
entrada uterina. Ao mesmo tempo, o facultativo dirá que as contrações
uterinas, desencadeadas pelo orgasmo, não têm capacidade de acelerar o
trabalho de parto, pelo contrário contribui para fortalecer os músculos
do períneo, ajudando, no futuro, o parto normal. Pode, igualmente, o
médico afirmar da importância do orgasmo, liberando substâncias
geradoras de bem-estar, como a endorfina, a qual, certamente, será
sentida pelo neném. A restrição do sexo se dará em caso de algumas
situações patológicas, como sangramento, risco de aborto, etc.
A gestação é um período de transformações físicas e emocionais muito
importantes para a mulher, constituindo um momento deveras
transcendental, porquanto a futura mamãe verifica, no seu cadinho
uterino, a materialização na carne de um ser que emerge da vida imortal.
Que sublime e grandiosa missão outorgada a um ser por Deus, concedendo a
uma pessoa a tarefa de poder igualmente gerar!
Que o Senhor da Vida, Supremo Arquiteto do Universo, Causa primária
de todas as coisas, Amor por Excelência, derrame suas bênçãos sobre
todas as mulheres que cumprem, com destemor e alegria, a santa missão de
se constituir em um ninho inundado de luz, abrigando, em seu íntimo,
uma alma necessitada de galgar mais um degrau evolutivo diante do
Infinito. No casulo uterino, o ser reencarnante e sua genitora
vivenciam, juntos e unidos, um momento expressivo e inesquecível,
amalgamando suas vibrações espirituais, em completo êxtase, sentindo, de
acordo com suas faixas evolutivas, a presença da Divindade, Suprema
Inteligência do Universo. Em verdade, constatam nesse instante, um
acontecimento divinal: O MILAGRE DO AMOR.
Dr. Americo Domingos Nunes Filho.
Associação Médico-Espírita do Estado do Rio de Janeiro
quinta-feira, 5 de março de 2015
A Índia
Dissemos que a doutrina secreta
achava-se no fundo de todas as religiões e nos livros sagrados de todos os
povos. De onde veio ela? Qual a sua origem? Quais os homens que a conceberam e
fizeram depois a sua descrição? As mais antigas escrituras são
as que resplandecem nos céus. Esses mundos estelares que, através das noites
calmas, deixam cair serenas claridades, constituem as escrituras eternas e
divinas de que fala Dupuis. Os homens têm-nas, sem dúvida, consultado
antes de escrever; mas os primeiros livros em que se encontra exposta a grande
doutrina são os Vedas.
É o molde em que se formou a
religião primitiva da Índia, religião inteiramente patriarcal, simples
e pura, com uma existência desprovida de paixões, passando vida tranquila e
forte ao contacto da natureza esplêndida do Oriente. Os
hinos védicos igualam em grandeza e elevação moral a tudo o que, no decorrer
dos tempos, o sentimento poético engendrou de mais belo. Celebram Agni, o fogo,
símbolo do Eterno Masculino ou Espírito Criador; Sorna, o licor do sacrifício,
símbolo do Eterno Feminino, Alma do Mundo, substância etérea.
Em sua união perfeita, esses
dois princípios essenciais do Universo constituem o Ser Supremo, Zians ou Deus.
O Ser Supremo imola-se a si próprio e divide-se para produzir a
vida universal. Assim, o mundo e os seres saídos de Deus voltam a Deus por uma
evolução constante. Daí a teoria da queda e da reascensão das almas que se encontra
no Oriente.
Ao sacrifício do fogo resume-se
todo o culto védico. Ao levantar do dia, o chefe de família, pai e
sacerdote ao mesmo tempo, acendia a chama sagrada no altar da Terra, e, assim,
para o céu azul, subia alegre a prece, a invocação de todos à Força
Única e viva, que está coberta pelo véu transparente da Natureza.
Enquanto se cumpre o
sacrifício, dizem os Vedas, os Assuras ou Espíritos superiores e os
Pitris ou almas dos antepassados cercam os assistentes e se associam às suas
preces. Portanto, a crença nos Espíritos remonta às primeiras idades do
mundo. Os Vedas afirmam a Imortalidade da alma e a reencarnação: “Há uma parte
Imortal do homem que é aquela, o Agni, que cumpre aquecer com teus raios,
inflamar com teus fogos.
De onde nasceu a alma? Umas
vêm para nós e daqui partem, outras partem e tornam a voltar.” Os
Vedas são monoteístas; as alegorias que se encontram em cada página apenas
dissimulam a imagem da grande Causa primária, cujo nome, cercado de santo
respeito, não podia, sob pena de morte, ser pronunciado. As
divindades secundárias ou devas personificam os auxiliares inferiores do Ser
Supremo, as forças vivas da Natureza e as qualidades morais.
Do ensino dos Vedas decorria
toda a organização da sociedade primitiva, o respeito à mulher, o culto
dos antepassados, o poder eletivo e patriarcal. Os homens viviam felizes, livres
e em paz. Durante a época védica, na vasta solidão dos bosques, nas margens dos
rios e lagos, anacoretas ou rishis passavam os dias no retiro. Intérpretes
da ciência oculta, da doutrina secreta dos Vedas, eles possuíam já esses
misteriosos poderes, transmitidos de século em século, de que gozam ainda os
faquires e os jogues. Dessa confraria de solitários saiu o pensamento inovador,
o primeiro impulso que fez do Bramanlsmo a mais colossal das teocracias.
Krishna, educado pelos ascetas
no seio das florestas de cedros que coroam os píncaros nevoentos do Himalaia,
foi o inspirador das crenças dos hindus. Essa grande figura aparece na
História como o primeiro dos reformadores religiosos, dos missionários divinos.
Renovou as doutrinas védicas, apoiando se sobre as idéias da Trindade, da
imortalidade da alma e de seus renascimentos sucessivos. Selada
a obra com o seu próprio sangue, deixou a Terra, legando à Índia essa concepção
do Universo e da Vida, esse ideal superior em que ela tem vivido durante
milhares de anos.
Sob nomes diversos, pelo mundo
espalhou-se essa doutrina com todas as migrações de homens, de que foi origem a
região da Índia. Essa terra sagrada não é somente a mãe dos povos e das
civilizações, é também o foco das maiores inspirações religiosas.
Krishna, rodeado por um certo número de discípulos, ia de cidade em cidade
espalhar os seus ensinos:
“O corpo, dizia ele, envoltório da alma que ai
faz sua morada, é uma coisa finita; porém, a alma que o habita é invisível,
imponderável e eterna. O destino da alma depois da morte constitui o mistério
dos renascimentos. Assim como as profundezas do céu se abrem aos raios dos
astros, assim também os recônditos da vida se esclarecem à luz desta verdade. Quando
o corpo entra em dissolução, se a pureza é que o domina, a alma voa para as
regiões desses seres puros que têm o conhecimento do Altíssimo. Mas, se é dominado
pela paixão, a alma vem de novo habitar entre aqueles que estão presos às
coisas da Terra”.
Quando os sofistas pediam que
explicasse a natureza de Deus, respondia-lhes: “Só o infinito e o espaço podem
compreender o infinito. Somente Deus pode compreender a Deus.” Dizia ainda:
“Nada do que existe pode perecer, porque tudo está contido em Deus. Visto isso,
não é alvitre sábio chorarem-se os vivos ou os mortos, pois
nunca todos nós cessaremos de subsistir além da vida presente.”
O fim elevado da vida é
arrancar a alma aos turbilhões do desejo. Consegue-se isso pela
reflexão, austeridade, pelo desprendimento de todas as coisas terrenas, pelo
sacrifício do eu, pela isenção do cativeiro egoísta da personalidade. A
Ignorância é o mal soberano de que decorrem o sofrimento e a miséria; o
principal meio para se melhorar a vida no presente e no futuro é adquirir-se o “Conhecimento”.
O Budismo esotérico ou vulgar,
repelido de todos os lados da Índia no século 6º, após lutas sangrentas
provocadas pelos brâmanes, sofreu vicissitudes diversas e numerosas
transformações. Um dos seus ramos ou Igreja, a do Sul, em algumas das suas
interpretações, parece inclinar-se para o ateísmo e materialismo. A do
Tibé conservou-se deísta e espiritualista. O Budismo também se tornou a
religião do império mais vasto do mundo: a China.
Entretanto, os
principais ensinamentos do Buddha foram conservados nos Sutras. Sábios,
herdeiros da ciência e dos poderes dos antigos ascetas, possuem também, dizem,
a doutrina secreta na sua integridade. Esses estabeleceram suas
moradas longe das multidões humanas, sobre os planaltos das montanhas, de onde
os campos da Índia apenas se divisam vagos e longínquos como num sonho. É na
atmosfera pura e calma das solidões que habitam os Mãhãtmas.
Compilado
do livro Depois da Morte de Leon Denis
Fonte: Harmonia Espiritual
“Assim, a alma,
obscurecida pela matéria e pela ignorância, é novamente atraída para o corpo de
seres Irracionais. Todo renascimento, feliz ou desgraçado, é conseqüência das
obras praticadas nas vidas anteriores. Há, porém, um mistério maior ainda. Para
atingir a perfeição, cumpre conquistar a ciência da Unidade, que está acima de todos
os conhecimentos; é preciso elevar-se ao Ser divino, que
está acima da alma e da Inteligência”.
“Esse Ser divino está também em
cada um de nós: Trazes em ti próprio um amigo sublime que não conheces, pois
Deus reside no interior de todo homem, porém poucos sabem achá-lo. Aquele
que faz o sacrifício de seus desejos e de suas obras ao Ser de que procedem os
princípios de todas as coisas, obtém por tal sacrifício a perfeição,
porque, quem acha em si mesmo sua felicidade, sua alegria, e também sua luz, é
um com Deus. Ora, fica sabendo, a alma que encontrou Deus está livre do
renascimento e da morte, da velhice e da dor, e bebe a água da imortalidade.”
Krishna falava na sua missão e
da sua própria natureza em termos sobre os quais convém meditar. Dirigindo-se
aos seus discípulos, dizia: “Tanto eu como vós temos tido vários
nascimentos. Os meus só de mim são conhecidos, porém vós nem mesmo os vossos
conheceis. Posto que, por minha natureza, eu não esteja sujeito a nascer e
a morrer, todas as vezes que no mundo declina a virtude, e que o vício e a
injustiça a superam, torno-me então visível; assim me mostro, de idade em idade, para
salvação do justo, para castigo do mau, e para restabelecimento da verdade. Revelei-vos
os grandes segredos. Não os digais senão àqueles que os podem compreender. Sois
os meus eleitos: vedes o alvo, a multidão só descortina uma ponta do caminho.”
Por essas palavras a doutrina
secreta estava fundada. Apesar das alterações sucessivas que teve de suportar, ela
ficará sendo a fonte da vida em que, na sombra e no silêncio, se inspiram todos
os grandes pensadores da antigüidade. A moral de Krishna também era muito pura:
“Os males com que afligimos o próximo perseguem-nos, assim como a sombra segue
o corpo. — As obras Inspiradas pelo amor dos nossos semelhantes são as
que mais pesarão na balança celeste.
Se convives com os bons, teus
exemplos serão Inúteis; não receeis habitar entre os maus para os reconduzir ao
bem. O homem virtuoso é semelhante a uma árvore gigantesca, cuja sombra
benéfica permite frescura e vida às plantas que a cercam.” Sua linguagem
elevava-se ao sublime quando falava da abnegação e do sacrifício: “O
homem de bem deve cair aos golpes dos maus como o sândalo que, ao ser abatido,
perfuma o machado que o fere.”
Sobre a comunicação dos
Espíritos: “Muito tempo antes de se despojarem de seu envoltório mortal, as
almas que só praticaram o bem adquirem a faculdade de conversar com as almas
que as precederam na vida espiritual.” É isto o que, ainda em nossos
dias, afirmam os brâmanes pela doutrina dos Pitris, mesmo porque, em
todos os tempos, a evocação dos mortos tem sido uma das formas da sua liturgia. Tais
são os principais pontos dos ensinos de Krishna, que se encontram nos livros
sagrados conservados ainda nos santuários do sul do Indostão.
A princípio, a organização
social da Índia foi calcada pelos brâmanes sobre suas concepções religiosas. Dividiram
a sociedade em três classes, segundo o sistema ternário; mas, pouco a pouco,
tal organização degenerou em privilégios sacerdotais e aristocráticos. A
hereditariedade Impôs os seus limites estreitos e rígidos às aspirações de
todos. A mulher, livre e honrada nos tempos védicos, tornou-se escrava, e dos
filhos só soube fazer escravos, igualmente. A sociedade condensou-se num molde
implacável, a decadência da Índia foi a sua conseqüência inevitável.
Petrificado em suas castas e
seus dogmas, esse país teve um sono letárgico, imagem da morte, que nem mesmo
foi perturbado pelo tumulto das invasões estrangeiras!
Acordará ainda? Só o futuro poderá dizê-lo. Os brâmanes, depois de terem
estabelecido a ordem e constituído a sociedade, perderam a Índia por excesso de
compressão. Assim também, despiram toda a autoridade moral da doutrina de
Krishna, envolvendo-a em formas grosseiras e materiais.
Se considerarmos o Bramanismo
somente pelo lado exterior e vulgar, por suas prescrições pueris, cerimonial
pomposo, ritos complicados, tábulas e imagens de que é tão pródigo, seremos
levados a nele não ver mais que um acervo de superstições. Seria, porém, erro
julgá-lo unicamente pelas suas aparências exteriores. No
Bramanismo, como em todas as religiões antigas, cumpre distinguir duas coisas.
Uma é o culto e o ensino
vulgar, repletos de ficções que cativam o povo, auxiliando a conduzi-lo pelas
vias da submissão. A esta ordem de idéias liga-se o dogma da metempsicose ou
renascimento das almas culpadas em Corpos de animais, Insetos ou plantas,
espantalho destinado a atemorizar os fracos, sistema hábil Imitado pelo
Catolicismo quando concebeu os mitos de Satanás, do inferno e dos suplícios
eternos.
A outra é o ensino secreto, a
grande tradição esotérica que fornece sobre a alma e seus destinos, e sobre a
causa Universal, as mais puras e elevadas reflexões. Para
conseguir isso, é necessário penetrar-se nos mistérios dos pagodes, folhear os
manuscritos que estes encerram e interrogar os brâmanes sábios.
Cerca de seiscentos anos antes
da era Cristã, um filho de rei, Çãkyamuni ou o Buddha, foi acometido de
profunda tristeza e Imensa piedade pelos sofrimentos dos homens. A
corrupção invadira a Índia, logo depois de alteradas as tradições religiosas,
e, em seguida, vieram os abusos da teocracia ávida do poder.
Renunciando às grandezas, à vida
faustosa o Buddha deixa o seu palácio e embrenha-se na floresta silenciosa. Após
longos anos de meditação, reaparece para levar ao mundo asiático senão uma crença
nova, ao menos uma outra expressão da Lei. Segundo o Budismo, está no
desejo a causa do mal, da dor, da morte e do renascimento. É o desejo, é a
paixão que nos prende às formas materiais, e que desperta em nós mil
necessidades sem cessar reverdecentes e nunca saciadas tornando-se assim,
outros tantos tiranos.
O Conhecimento compreende
a ciência da natureza visível e invisível, o estudo do homem e dos princípios
das coisas. Estes são absolutos e eternos. O mundo, saído por sua própria
atividade de um estado uniforme, está numa evolução continua. Os seres,
descidos do Grande-Todo a fim de operarem o problema da Perfeição, Inseparável
do estado de liberdade e, por conseguinte, do movimento e do progresso, tendem
sempre a voltar ao Bem perfeito. Não penetram no mundo da forma
senão para trabalharem no complemento da sua obra de aperfeiçoamento e
elevação.
Podem realizar isso pela
Ciência, ou Upanishad, e completá-lo pelo Amor, ou Purana. A
Ciência e o Amor são dois fatores essenciais do Universo. Enquanto não adquire
o amor, o ser está condenado a prosseguir na série das reencarnações
terrestres. Sob a Influência de tal doutrina, o instinto egoísta vê
estreitar-se pouco a pouco o seu círculo de ação.
O ser aprende a abraçar num
mesmo amor tudo o que vive e respira; e isto nada mais é que um dos degraus da
sua evolução, pois esta deve conduzi-lo a só amar o eterno princípio de
que emana todo o amor, e para onde todo ele deve necessariamente voltar. Esse
estado é o do Nirvana.
Essa expressão, diversamente
comentada, tem causado muitos equívocos. Em conformidade com a doutrina secreta
do Budismo, o Nirvana não é, como ensina a Igreja do Sul e o Grã-Sacerdote
do Ceilão, a perda da individualidade e o esvaecimento do ser no nada, mas sim
a conquista, pela alma, da perfeição, e a libertação definitiva das
transmigrações e dos renascimentos no seio das humanidades.
Cada qual executa o seu próprio
destino. A vida presente, com suas alegrias e dores, não é senão a
conseqüência das boas ou más ações operadas livremente pelo ser nas existências
anteriores. O presente explica-se pelo passado, não só para o mundo tomado
em seu conjunto, como também para cada um dos seres que o compõem. Designa-se
por Carma toda a soma de méritos ou de deméritos adquiridos pelo ser. O
Carma é para este, em todos os Instantes da sua evolução, o ponto de partida do
futuro, o motor de toda a justiça distributiva.
“Em Buddha, uno-me à dor de
todos os meus irmãos, e entretanto sorrio e sinto-me contente porque vejo que a
liberdade existe. Sabei, ó vós que sofreis; mostro-vos a verdade; tudo o que
somos é resultante do que fomos no passado. Tudo é fundado sobre nossos
pensamentos; tudo é obra dos próprios pensamentos. Se as palavras e ações de um
homem obedecem a um pensamento puro, a liberdade segue-o como uma sombra. O ódio
jamais foi apaziguado pelo ódio, pois não é vencido senão pelo amor. Assim como
a chuva passa através de uma casa mal coberta, assim a paixão atravessa um
espírito pouco refletido. Pela reflexão, moderação e domínio de si
próprio, o homem transforma-se numa rocha que nenhuma tempestade pode abater. O
homem colhe aquilo que semeou. Eis a doutrina do Carma.”
A maior parte das religiões
recomenda-nos fazer o bem em vista de uma recompensa de além-túmulo. Está aí
um móbil egoísta e mercenário que não se encontra do mesmo modo no Budismo. É
necessário praticar o bem, diz Léon de Rosny, porque o bem é o fim supremo da
Natureza. É conformando-se às exigências dessa lei que se adquire a única
satisfação verdadeira, a mais bela que pode apreciar o ser desprendido dos
entraves da forma e das atrações do desejo, causas contínuas de decepção e de
sofrimento.
A compaixão do Budismo, sua
caridade, estende-se a todos os seres. Segundo ele, todos são destinados ao
Nirvana. E, por seres, devem entender-se os animais, os vegetais e mesmo
os corpos inorgânicos. Todas as formas da vida se encadeiam, de acordo com a lei
grandiosa da evolução e do transformismo.
Em parte alguma do Universo
deixa de existir vida. A morte não é senão uma ilusão, um dos agentes da vida que exige
um renovamento continuo e transformações incessantes. O
inferno, para os iniciados na doutrina, não é outra coisa senão o remorso e a
ausência do amor. O purgatório está em toda parte onde se encontra a forma e
onde evoluciona a matéria. Está em nosso globo, ao mesmo tempo que nas
profundezas do firmamento estrelado. O Buddha e seus discípulos praticavam o
Diana, ou a contemplação, o êxtase. Durante esse estado, o Espírito
destaca-se e comunica-se com as almas que deixaram a Terra.
Seus fiéis adeptos compõem,
hoje, a terça parte da população do globo; mas, em todos os meios onde ele se
espalhou, do Ural ao Japão, foram veladas e alteradas as tradições primitivas. Nele, como
em qualquer outra doutrina, as formas materiais do culto abafaram as altas
aspirações do pensamento. Os ritos, as cerimônias supersticiosas, as fórmulas vãs, as oferendas,
as preces sonoras, substituíram o ensino moral e a prática das virtudes.
Possuindo segredos que lhes
permitem desafiar a dor e a morte, passam os dias na meditação, esperando
a hora problemática em que o estado moral da Humanidade torne possível a
divulgação dos seus poderes extraordinários. Como, porém, nenhum fato
bastante autêntico tem vindo até hoje confirmar essas citações, ainda fica por
provar a existência dos Mãhãtmas.
Há vinte anos que grandes
esforços foram empregados para espalhar a doutrina búdica no Ocidente. A raça
latina, porém, ávida de movimento, de luz e liberdade, parece pouco disposta a
assimilar-se a essa religião de renunciamento, de que os povos orientais
fizeram uma doutrina de aniquilamento voluntário e de prostração intelectual. O
Budismo, na Europa, apenas tem permanecido no domínio de alguns homens de
letras, que honram o esoterismo tibetano. Este, em certos pontos, abre ao
Espírito humano, perspectivas estranhas.
A teoria dos dias e das noites
de Brahma — Manvantara e Pralaya — que é uma renovação das antigas religiões da
Índia, parece que está em muita contradição com a idéia do Nirvana. De qualquer
modo, esses períodos imensos de difusão e concentração, durante
os quais a grande causa primordial absorve todos os seres, permanece só,
imóvel, adormecida sobre os mundos dissolvidos, atraem o pensamento
numa espécie de vertigem.
A teoria dos sete princípios
constitutivos do homem e dos sete planetas, sobre os quais corre a roda da vida
num movimento ascensional, também constitui pontos originais e sujeitos a
exame. Uma coisa domina este ensino: é a lei de caridade proclamada
pelo Buddha — um dos mais poderosos apelos ao bem que tem ecoado neste mundo;
mas, segundo a expressão de Léon de Rosny, “essa lei calma e pura, porque
nada traz em seu apoio, ficou Ininteligível para a maioria dos homens, visto
lhes revoltar os apetites e não prometer a espécie de salário que querem
ganhar”.
O Budismo, apesar das suas
manchas e sombras, nem por Isso deixa de ser uma das maiores concepções
religiosas das que têm aparecido neste mundo, uma doutrina toda de
amor e igualdade, uma reação poderosa contra a distinção de castas que foi
estabelecida pelos brâmanes, doutrina que, em certos pontos, oferece
analogias importantes com o Evangelho de Jesus de Nazaré.
Fonte: Harmonia Espiritual
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