Eternidade

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

União




ANTE o mundo moderno, em doloroso e acelerado processo de transição, procuremos em Cristo Jesus o clima de nossa reconstrução espiritual para a Vida Eterna.

Multipliquemos as assembléias cristãs, quais a desta noite, em que elevamos o coração ao altar da fé renovadora.

Em torno de nossas atividades religiosas, temos a paisagem de há quase dois mil anos...
Profundas transformações políticas assinalam o cominho das nações, asfixiantes dificuldades pesam sobre os interesses coletivos, em toda a comunidade planetária, e, cima de tudo, lavra a discórdia, em toda parte, desintegrando o idealismo santificante.

Este é o plano a que os nossos discípulos são chamados.
O momento, por isto mesmo, é de luz para as trevas, amor para o ódio, esclarecimento para a ignorância, bom ânimo para o desalento.

Não bastará, portanto, a movimentação verbalística.
Não prevalece a plataforma doutrinária tão somente.


Imprescindível renovar o coração, convertendo-o em vaso de graças divinas para a extensão das dádivas recebidas.
Espiritismo, na condição de mera fenomenologia, é simples indagação. Indispensável reconhecer, entretanto, que as respostas do Céu às perquirições da Terra nunca faltaram.
A Grandeza Divina absorve a pequenez humana em todos os ângulos de nossa jornada evolutiva.

Edificar um castelo teórico ou dogmático, onde a mente repouse à distância da luta constitui apenas fuga aos problemas – evasão delituosa de quem recebeu do Alto os dons sublimes do conhecimento para que a Benção do Senhor se comunique a todos os homens.

Esta, razão que nos compete ao chamamento novo.
A morte do corpo não nos desvenda os gozos do paraíso, nem nos arrebata aos tormentos do inferno.
Nós, os desencarnados, somos também criaturas humanas em diferentes círculos vibratórios, tão necessitados de aplicação do Evangelho Redentor, quanto os companheiros que marcham pelo roteiro carnal.

A sepultura não é milagroso acesso às zonas de luz integral ou da sombra completa. Somos defrontados por novas modalidades da Divina Sabedoria a se traduzirem por mistérios mais altos.
Transformemo-nos, meus amigos, naquelas “cartas vivas” do Mestre dos Mestres a que o Apóstolo Paulo se refere em suas advertências imortais.

Indaguemos, estudemos, movimentemo-nos na esfera científica e filosófica, todavia, não nos esquecemos do “amemo-nos uns aos outros” como o Senhor nos amou. Sem amor, os mais alucinantes oráculos são igualmente aquele “sino que tange” sem resultados práticos para as nossas necessidade espirituais.
Não valem divergências da interpretação nos setores da fé.
Estamos distantes da época em que os filhos da Terra se dirigirão ao Pai com idêntica linguagem, porquanto, para isto, seria indispensável a sintonia absoluta entre nós outros e o Celeste Embaixador das Boas Novas da Salvação.

Reveste-se a hora atual de nuvens ameaçadoras.
Não no iludamos . O amor ilumina a justiça, mas, a justiça é à base da Lei Misericordiosa.
O mundo atormentado atravessa angustioso período de aferição.
Irmanemo-nos, desse modo, em Jesus, para que a tormenta não nos colha, de surpresa, o coração.

Abracemos-nos na obra redentora a derrubar as fronteiras que separam os templos veneráveis uns aos outros.
Nossa época é de ascensão do homem à estratosfera, de intercâmbio fácil das nações e de avanço da medicina em todas as frentes, contudo, é também de lágrimas, reajustamento e luta.
Entrelacemos as mãos, no testemunho da luz e da paz que nos felicitam.
Lembremo-nos de que somos os herdeiros diretos da confiança e do amor daqueles que tombaram nos circos do martírio pro trezentos anos consecutivos.

Espiritismo sem Evangelho é apenas sistematização de idéias para transposição da atividade mental, sem maior eficiência na construção do porvir humano.
 


Trabalharemos, entretanto, quanto estiver ao nosso alcance, a fim de que o cristianismo redivivo prevaleça entre nós constitua patrimônio indesejável e inútil e para que, unidos fraternalmente, sejamos colaboradores sinceros do Mestre, sem esquecer-lhe as sagradas palavras: _ “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”


Obra: Doutrina e Aplicação, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Carta ao Leitor




Aprendemos com a Doutrina Espírita que o progresso dos seres é inevitável, pois que é estabelecido pela Lei Divina. Podemos postergar nossa evolução ou permanecer estagnados por longos períodos, mas jamais regredimos na escalada de aprimoramento espiritual.

Desta forma, Deus não exige de nós o despertamento para as questões éticas, morais e espirituais, tampouco nos pressiona para que arregacemos as mangas e comecemos a trabalhar.

Isso não representa, contudo, uma postura de omissão do Criador. Somos constantemente convidados a ingressar nas boas obras, nos mais diversos segmentos, mas nem sempre prestamos atenção às oportunidades ou, se as percebemos, fingimos ignorância e continuamos na inércia.

Por que isso ocorre? “Estipulamos algo, um pagamento, mesmo de forma inconsciente, proporcional àquilo que estamos fazendo. Vivenciar, pois, o altruísmo é algo difícil de ser verificado.”[1]

E não satisfeitos em esperar uma retribuição pelos serviços prestados, ainda exigimos que esta seja proporcional ao tempo dedicado no serviço do bem.

“Aportamos numa instituição e nos candidatamos a realizar trabalhos, abraçando um após outro, e às vezes verificamos que outro companheiro espírita realiza somente um e é ovacionado. Tal fato pode causar descontentamento.”[1]

Ao apresentar os trabalhadores da última hora no seu rol de ensinamentos, Jesus teve por objetivo destacar que o importante não é quando começamos, mas se começamos – e com sinceridade e devoção. 

“Às vezes estamos há décadas na Doutrina Espírita, mas ela não completou um ano em nossas vidas, enquanto outros adentraram há pouco e já a incorporaram plenamente.”[1]

Portanto, não podemos pensar que somos especiais. Neste mundo de provas e expiações estamos todos no mesmo estágio e somos todos trabalhadores da última hora, sendo insistentemente chamados ao trabalho no bem. Basta saber se realmente aceitamos o trabalho e se a mensagem que aprendemos ficará internalizada no coração.


1. Trecho extraído da matéria de capa desta edição: Os trabalhadores da última hora.

sábado, 3 de novembro de 2018

As relações humanas no Centro Espírita



Você não pode entrar numa casa espírita e passar despercebido. Não pode ser um anônimo, um ilustre desconhecido.

A casa espírita, antes de ser um hospital que atenua nossos males e dores; antes de ser uma oficina, que ocupa seus participantes, tornando-os pessoas úteis e operantes no fazer; antes de ser uma legião de assistência, que estimula a ação no bem – o ato espontâneo e despretensioso – na relação com o outro; antes de ser uma escola de almas, ensinando a viver, transformando, fazendo profilaxia, propiciando crescimento, ensejando o autoconhecimento e a auto-estima, é, acima de qualquer coisa, um lar, onde nos expressamos de modo familiar e com respeito; um espaço de convivência em que partilhamos as horas amargas e ditosas do dia a dia, entre a consolação e a iluminação da consciência. Onde o amor de Jesus conduz, com suave serenidade e célere pacificação, a verdade de Kardec.

Por tudo isso, tenhamos a mais plena atenção para com os que adentram o portal do centro espírita, a fim de que sejam vistos, notados e recepcionados. Tudo isso de maneira discreta, mas emocionada, como se fossem pessoas de nosso bem querer. Podemos abordá-los, cumprimentá-los com um aceno ou um aperto de mão, um sorriso leve nos lábios, com simpatia e ternura. Podemos perguntar a eles se é a primeira vez que vêm à casa espírita, se trazem dúvidas, por que vieram e por intermédio de quem, se conhecem outra casa e, por meio desse prévio contato, perguntar-lhes o nome e nos apresentarmos.

Em seguida, muitas atitudes poderemos tomar: atender suas expectativas, dúvidas ou dificuldades, e encaminhá-los para esta ou aquela reunião; apresentar-lhes o programa semanal da casa; apresentar-lhes as dependências e os companheiros da casa; fornecer-lhes dados sobre a filosofia espírita e, ainda, sobre a filosofia de trabalho da casa. Podemos transmitir-lhes alegria e conforto, convidando-os a sentarem-se, e estabelecer com eles um vínculo de amizade. A iniciação nas hostes espíritas deve ser um momento significativo, marcante, caloroso, afetuoso, de profunda e capital importância, posto que encerra o avançar dos umbrais da felicidade. Dizia Antoine de Saint’Exupery: “Você se torna eternamente responsável por aquilo que você cativa”. Desse momento em diante, esses novos amigos devem ser acolhidos, acompanhados, estimulados e orientados sempre que possível, até que eles se firmem, se informem, desenvolvam outros vínculos, conheçam outros companheiros, abracem uma tarefa, até integrarem-se em definitivo na grande família espírita, que é o movimento espírita.

Cada companheiro que cativamos na recepção de entrada do centro é alguém que sempre divulgará uma imagem de excelência da Doutrina Espírita. Por isso, é de extrema relevância amparar, consolar, conviver, se emocionar, enternecer-se, ouvir com o fundo d’alma, olhar, perceber e se ater a cada pessoa.

O relacionamento e o atendimento fraternos, bem como a comunicação social espírita, começam na primeira vez que alguém chega à casa espírita. Devemos investir todos os nossos talentos no companheiro iniciante. Devemos, inclusive, encaminhá-lo às reuniões públicas, já que a Doutrina Espírita tem por base o amor. Devemos transmitir a Doutrina Espírita com esse amor, percebendo os interesses desse companheiro, suas possibilidades, sua história de vida, sua compreensão anterior, o seu desconhecimento do Espiritismo, entendendo as deturpações e deformações que sofre pelo leigo.

Quem deverá recepcionar, atender fraternalmente, comunicar-se, encaminhar, iniciar e acompanhar cada companheiro iniciante? Todos os tarefeiros integrados na casa e imbuídos da filosofia de trabalho. Devem ser conscientizados desses passos, e por eles sensibilizados, motivados e trabalhados em seus sentimentos para cumprir, com qualidade, essa magna tarefa. Devemos nos lembrar, também, que o companheiro mais antigo, vez por outra, traz uma dúvida ou uma dor. Não podemos dar as costas para o companheiro que trabalha na casa, e esquecê-lo; também ele merece nossa atenção, e dela precisa. Se a Doutrina é de amor, o amor é de todos para todos. Queremos encerrar firmando a baliza de Kardec: “trabalho, solidariedade e tolerância”. Trabalhar com senso de compromisso, comprometidos com a casa como um todo, com a filosofia espírita que deve engendrar a filosofia da casa. Devemos ser solidários nas possibilidades e nas dificuldades, usando a sensibilidade, a percepção, o bom senso, estabelecendo uma relação de ajuda com os companheiros, sem rótulos, sem preconceitos, sem hierarquias, onde um é o ajudante e o outro o ajudado. Sejamos tolerantes nas diferenças e nas semelhanças, fazendo cumprir os ditames doutrinários de amor e instrução, entendendo que a melhor disciplina é a da consciência, de dentro para fora, e não inversamente, e o melhor regulamento é um contrato feito com todos os interessados, e que não deve ser vestido com camisa de força, mas com flexibilidade, atendendo ao contexto da situação, das pessoas, da atualidade, do entendimento evangélico. Receber bem não é agradar, simplesmente; é servir, de coração e mente, irmanados no propósito do bem.


*Escrito por Mozart da Cunha Leite - O autor é Presidente do 17o CRE/USEERJ
(Publicado no Dirigente Espírita no 64 de março/abril de 2001)
Fonte: Portal do Espírito

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Os dois caminhos



Podemos edificar os sentimentos da Divindade por dois meios: 
o primeiro pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida;
o segundo pelo estudo.


Fé: no sentido comum, a crença em algo constitui a fé. Normalmente inata, manifesta-se pelo seu caráter natural em aceitar as coisas e realidades conforme se apresentam, sem mais indagações.[1]

Quem dera eu tivesse nascido com a fé de Chico Xavier! Por qual razão não possuo a fé de Divaldo Franco, Madre Teresa, entre outros exemplos de fé inquebrantável? Como fizeram para agradar o Magnânimo que, em retribuição, os aquinhoou com esta preciosa dádiva?! Qual o poder desta virtude, capaz de modificar o presente e moldar o futuro? Nasci assim, sem fé; e agora?

Estas, entre outras, são indagações lançadas ao Alto, às vezes com um sentimento surdo de revolta por todos aqueles ainda não detentores desta primordial virtude, a qual, mesmo que seja do tamanho de um grão de uma mostarda, pode mover montanhas, conforme asseverou o Cristo.

Ó meu Senhor Misericordioso, o que eu não daria para deter uma parcela que fosse, pequenina, ínfima, uma bagatela de fé! Já me bastaria para realizar verdadeiros milagres, em favor meu e dos mais próximos.

A nossa imaturidade espiritual crê que a Divindade, ao nos encaminhar de volta à Terra pela reencarnação, por um passe de mágica, um desejo particular, uma predileção qualquer, comunica a este e não àquele as muitas virtudes que nos cabem conquistar com o nosso esforço e não simplesmente obtê-las por um capricho de Deus.

É da lei divina: seremos relativamente perfeitos, detendo as numerosas virtudes, inclusive a fé, mãe de todas, mas para alcançar esta meta é preciso empenho, dedicação, constância; agindo assim ao longo de várias existências, pouco a pouco, podemos construir em nós mesmos as seguras fundações para, sobre elas, erigir o majestoso edifício das virtudes que nos conduzirão à felicidade plena tão buscada e desejada.

A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo.

O desenrolar da existência sempre nos traz oportunidades de reflexão sobre a perfeição das leis do Incriado. Da observação dos fatos corriqueiros podemos retirar variadas lições, descortinando a sempre presente solicitude da providência invariavelmente a nosso favor. Recolhendo aqui e ali percepções acuradas, podemos consolidar um entendimento de estar Deus no comando, com tudo acontecendo para nos beneficiar, visando ao nosso progresso; mesmo as chamadas desgraças nos trazem alertas sobre o modo como procedemos na atual existência.

Há bom tempo temos o costume de, quando em situação de dúvida ou incerteza, ou uma fase mais delicada da vida, orar; e após esta oração, abrir ao “acaso” uma mensagem destes preciosos livros espíritas, que nos trazem instrutivas abordagens sobre os mais variados assuntos. É surpreendente a quantidade de vezes em que o texto oferecido à nossa reflexão, naquele peculiar momento, aborda exatamente a questão a nos preocupar, seja ela qual for. É uma experiência única e bem pessoal à nossa disposição, quando nos convencemos da presença de nosso particular guia espiritual permanentemente ao nosso lado, atento e prestimoso, cuidadoso e solícito, paciente e cordato, sempre nos oferecendo algumas palavras de esclarecimento ou de conforto, oriundas de sua avançada sabedoria. Esta prática é uma das mais simples ao alcance de todos, contudo, de imensa importância para Espíritos vacilantes como todos nós ainda o somos.

O caminho paralelo de aprendizado das virtudes ocorre pelo estudo continuado das leis eternas. Quando Allan Kardec registrou a inolvidável frase[2]: “Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”, deu a conhecer o lado racional e intelectivo desta nobre faculdade até então totalmente desconhecido, pois as religiões nada ensinavam neste sentido e algumas, com pesar, ainda o fazem. Basicamente, fé se possuía ou não, se nascia com ou sem ela.

O insigne lionês — através dos Espíritos superiores a acompanhá-lo em sua importantíssima missão — nos mostrou a possibilidade desta virtude ser desenvolvida, cultivada, trabalhada, estudada; isto através do correto conhecimento e justa percepção das leis divinas.

Para facilitar a aquisição deste entendimento, não há melhor indicação do que o estudo da literatura espírita, iniciando de preferência com os primeiros cinco livros de Allan Kardec, as conhecidas obras fundamentais ou básicas, dando prosseguimento à análise das obras subsidiárias.

Conjugando estas duas vertentes, é possível elaborar de maneira coerente a nossa fé, não mais desejando possuir a fé dos outros, pois cada qual vivencia as virtudes que fez por merecer, porquanto trabalhou no passado com afinco, dedicação, perseverança, sendo a fé exemplo inquestionável de um dos tesouros, que uma vez obtido a traça não rói, tampouco a ferrugem destrói, muito menos pode ser roubada pelos ladrões, permanecendo conosco pela eternidade.


1. FRANCO, Divaldo P. Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2.ed. cap. 14. Rio de Janeiro: FEB, 1982. 
2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2.ed. 1.imp. cap. 19, it. 7. Brasília: FEB, 2013. 


Fonte: Jornal O Clarim, outubro/2018, por Rogério Miguez.


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Desencarna o escritor espírita Richard Simonetti



Na manhã desta quarta-feira (3/10) desencarnou o escritor espírita Richard Simonetti. Nascido no dia 10 de outubro de 1935, em Bauru (SP), foi  funcionário do Banco do Brasil de 1956 a 1986, quando se aposentou. Passou, então, a dedicar-se inteiramente às atividades espíritas, particularmente no Centro Espírita Amor e Caridade, ao qual esteve ligado desde a infância. Expositor espírita, percorreu todos os Estados brasileiros, em centenas de cidades, e também outros países, como Estados Unidos, França, Suíça, Itália e Portugal. Articulou, em 1973, o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em centenas de cidades.

De 1964 a 1994, participou da União das Sociedades Espíritas de Bauru, em seus Departamentos de Doutrina e de Divulgação. Foi responsável pela instalação do Clube do Livro Espírita de Bauru e pela manutenção da Livraria Espírita. Sustentou expressivo movimento de venda de livros que proporcionou recursos para a construção da sede da USE. Empenhou-se em passar sua experiência a outras cidades, ao demonstrar como se pode dinamizar a divulgação espírita a partir dessas iniciativas e, ao mesmo tempo, arrecadar recursos para outros serviços. Colaborou assiduamente em jornais e revistas espíritas. Escreveu regularmente para periódicos espíritas de projeção nacional – Reformador, Revista Internacional de Espiritismo, Folha Espírita. Membro da Academia Bauruense de Letras. É autor de quarenta e oito obras publicadas, com uma tiragem aproximadamente de dois milhões e duzentos mil exemplares, entre os quais estão: Conheça o Espiritismo, Para Viver uma Grande Mensagem, A Bênção da Gratidão e A Voz do Monte editados pela Federação Espírita Brasileira.


Fonte: FEB - Federação Espírita Brasileira

domingo, 30 de setembro de 2018

Tudo em Deus



Nos tempos atuais, Deus está “fora de moda”: nos meios acadêmicos, Deus é considerado como um fenômeno antropológico, criação dos homens, frágeis e necessitados de amparo e proteção; desde os movimentos existencialistas europeus a partir de Kierkegaard, tendo o seu ápice com Nietzsche através da fala de seu personagem Zaratustra, “Deus está morto”, o deus da cruz que não salvou a si mesmo, segundo o filósofo. O pensamento nietzscheniano, contudo, é um dos efeitos e não a causa em si mesma do drama humano atual, pois grande parte dessa responsabilidade coube às religiões, que não souberam aceitar a Deus em Espírito e verdade, conforme seu maior representante entre nós, Jesus de Nazaré, no-lo apresentou, bem como divulgá-lo nem tampouco vivenciá-lo como tal, pois se perderam no misticismo, nos mitos reconstruídos, e nas dissenções e venalidades.

Triste verificar as consequências atuais desse desvirtuamento – porém, o Espiritismo trouxe Jesus e Deus de volta aos corações e à razão, pois decodificou a Sua mensagem e cumpriu a sua promessa feita no Evangelho de João.

Deus está em tudo? Sim, está na Natureza e nos seres por Ele criados, e hoje, quando as aflições humanas atingem culminâncias, podemos dizer com Jesus: Não se turbe o vosso coração, crede em Deus, crede também em Mim…

Jesus cumpriu a sua promessa, voltou no Espiritismo, e é com ele que atravessaremos essa fase, confiemos, portanto.

 
SONIA THEODORO DA SILVA, FILÓSOFA.
Publicado Jornal SPS, Londres, Inglaterra – 2017 (em 6 idiomas)
Fonte: Filosofia Espírita

sábado, 15 de setembro de 2018

Trabalho no Mundo Espiritual



É natural que nós, trabalhadores da seara espírita, esperemos ser admitidos em alguma tarefa, depois da inexorável viagem de volta ao Mundo Espiritual. Muito justo acalentemos doces esperanças de cooperação ativa no Mundo Maior, diante dos relatos de Benfeitores, que nos mostram atividades constantes e nobres exemplos de dedicação ao Bem. Entretanto, devemos meditar profundamente sobre a qualificação exigida dos trabalhadores no Além. Aqui na Crosta, em nome da fraternidade, da tolerância, ou mesmo por pieguice, são aceitos até cooperadores com pouca noção de responsabilidade, muitos dos quais não têm coragem para abandonar de vez as tarefas, mas também não a têm para se esforçarem, no sentido de se capacitarem a fim de darem melhor conta delas.
 
No livro “Nosso Lar”, podemos ver algumas situações vivenciadas por André Luiz, quando candidatou-se ao trabalho. Quem observa atentamente as suas experiências, verificará que não basta apenas querer participar de alguma atividade no Mundo Espiritual, pois além do conhecimento específico da tarefa em que pretenda colaborar, o Espírito deve ter uma profunda consciência da necessidade de vivenciar os ensinamentos do Evangelho, através do esforço no cultivo da humildade, da benevolência, da tolerância e da disciplina. Na obra “Os Mensageiros”, ele anota as instruções do nobre instrutor Aniceto, que passa-lhe algumas noções do regulamento a ser observado por aqueles que se candidatavam a trabalhar com ele.
 
Aniceto, o instrutor espiritual, revela-se, ao longo da obra, Espírito que alia bondade imensa a conhecimento profundo. Trata-se de verdadeiro modelo de virtudes, entre as quais se destaca a disciplina, tanto para si, quanto para aqueles que trabalham com ele. Aqui na Terra, se chefiando alguma equipe na seara espírita, por certo encontraria forte resistência entre alguns trabalhadores, que o julgariam excessivamente exigente.
 
André Luiz registra, nos capítulos 2 e 3, algumas recomendações dele aos candidatos. Nos capítulos de 9 a 12, lê-se o relato de vários Espíritos que, embora bem preparados antes da encarnação, falharam no desempenho das tarefas a que se propuseram, talvez porque não tenham tido os alertamentos que temos agora!
 
Eis alguns tópicos dos capítulos 2 e 3:
 
Nosso serviço é variado e rigoroso. O departamento de trabalho, afeto à nossa responsabilidade, aceita somente os cooperadores interessados na descoberta da felicidade de servir. Comprometemo-nos, mutuamente, a calar toda espécie de reclamação. Ninguém exige expressão nominal nas obras úteis realizadas, e todos respondem por qualquer erro cometido. Achamo-nos, aqui, num curso de extinção das velhas vaidades pessoais, trazidas do mundo carnal. Dentro do mecanismo hierárquico de nossas obrigações, interessamo-nos tão somente pelo bem divino. Consideramos que toda possibilidade construtiva vem de nosso Pai e esta convicção nos auxilia a esquecer as exigências descabidas de nossa personalidade inferior.
 
Mais adiante, Tobias comenta a função do Centro de Mensageiros:
 
Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros.
 
Diante do que diz Tobias, não seria prudente examinarmos a possibilidade de termos sido preparados para alguma tarefa relacionada à difusão do Espiritismo? Não seria, por certo, a consulta a um médium o meio de nos certificarmos se temos algum compromisso firmado antes da nossa atual encarnação. Bastaria que observássemos quais as oportunidades de trabalho que nos são oferecidas, buscando na oração a lucidez necessária para nos esclarecermos, mesmo porque, as referências aos que fogem dos compromissos é preocupante:
 
Saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam. Alguns conseguem execução parcial da tarefa, outros fracassam de todo. O serviço legítimo não é fantasia. É esforço sem o qual a obra não pode aparecer nem prevalecer.
 
Aqui na Terra, quantas vezes não são ouvidas reclamações quanto às exigências de um companheiro guindado à posição de dirigente de um grupo de trabalho? Ao solicitar observância de horário, assiduidade, seriedade na execução da tarefa aos companheiros, quantas vezes recebe demonstrações de desagrado, não raro via comentários descaridosos? Aniceto, se encarnado, dificilmente escaparia de ser tachado de “mandão”, ao expressar-se assim:
 
Esclareça ao novo candidato os nossos regulamentos e venham juntos para as instruções após o meio-dia.
 
André Luiz, que já assimilara as normas de trabalho, pondera:
 
Notei que o trabalho no Posto se desenvolvia em ambiente da mais bela camaradagem, não obstante o respeito natural às noções de hierarquia.
 
Diante do que acabamos de ver, ao ser-nos atribuída uma tarefa, podemos sentir-nos na posse de belíssima oportunidade de serviço no Bem, porta a dentro da nossa própria individualidade. Assim, pois, animados desse entendimento de reforma íntima, aproveitemos as oportunidades que nos são concedidas, aqui na Terra, onde as exigências são menores. Se as aproveitarmos convenientemente agora, estaremos nos capacitando a integrar, desde já, equipes de trabalho no Mundo Espiritual durante o sono físico, conforme nos revela André Luiz no livro “Missionários da Luz”, capítulo 8. Integrados nas tarefas espirituais desde agora, teremos maiores chances de nelas permanecermos quando desencarnarmos. Caso contrário, teremos – na melhor das hipóteses – longo período de reeducação espiritual antes de sermos admitidos no trabalho efetivo sob a égide de Jesus.
 
José Passini
Juiz de Fora (MG)