Eternidade

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quarta-feira, 30 de abril de 2014

DESERTORES



Médiuns desertores não são apenas aqueles que deixam de transmitir com fidelidade sinais e palavras, avisos e observações da Esfera Espiritual para a Esfera Física. 
 
De criatura a criatura flui a corrente da vida e todos nós, encarnados e desencarnados de qualquer condição, estamos conclamados a lutar pela vitória do Bem Eterno. 
 
Desertores são igualmente: 
 
Os que armazenam o pão, sem proveito justo, convertendo cereais em cifrões vazios; 
Os que pregam virtudes religiosas e sociais, acolhendo-se em trincheiras de usura; 
Os que fecham escolas, escancarando prisões; 
Os que transformam as chaves da Ciência em gazuas douradas; 
Os que levantam casas de socorro, desviando recursos que deveriam ser aplicados para sanar as dores do próximo; 
Os que exterminam crianças em formação, garantindo a impunidade, no silêncio das próprias vítimas; 
As mães que, sem motivo, emudecem as trompas da vida no santuário do próprio corpo, embriagando-se de prazeres que vão estuar na loucura; 
Os que aviltam a inteligência, vendendo emoções na feira do vício; 
Os que se afogam lentamente no álcool; 
Os que matam o tempo para que o tempo não lhes dê responsabilidade; 
Os que passam as horas censurando atitudes de outrem, olvidando os deveres que lhes competem; 
Os que andam no mundo com todos os desejos satisfeitos; 
Os que não sentem necessidade de trabalhar; 
Os que clamam contra a ingratidão sem examinar os problemas dos supostos ingratos; 
Os que julgam comprar o céu, entregando um vintém ao serviço da caridade e reservando milhões para enlouquecer os próprios descendentes, nos inventários de sangue e ódio; 
Os que condenam e amaldiçoam, ao invés de compreender e abençoar; 
Os que perderam a simplicidade e precisam de uma torre de marfim para viver; 
Os que se fazem peso morto, dificultando o curso das boas obras... 
 
Deserção! Deserção! Se trazemos semelhante chaga, corrigenda para nós!... 
E se a vemos nos outros, compaixão para eles!...

Fonte: Seara dos Médiuns - Francisco Cândido Xavier - Ditado pelo Espírito Emmanuel
Reunião pública de 13/5/60 - Questão nº 220 - Parágrafos 1º, 2º e 3º

sábado, 26 de abril de 2014

Os fluidos na composição dos corpos



Tanto o perispírito como o corpo, sendo formados de um mesmo fluido, são extraídos das energias ambientais próprias de cada planeta.


Tanto o corpo físico como o perispiritual são formados de um mesmo fluido que tem o seu princípio no fluido cósmico universal. Este fluido, em suas infinitas combinações, se dispersa e se une sem cessar, dando forma a tudo o que existe.

Em mundos como a Terra, tal fluido torna-se demasiado grosseiro, opondo duros obstáculos aos Espíritos que nele habitam. Para que se faça presente como um ser encarnado na Terra, o Espírito precisa abrir mão de um profundo estado de sutileza, mesmo que ainda pertença a graus inferiores da escala evolutiva, sutileza essa que se compara à grosseira dos fluidos que formam o corpo físico. O corpo perispiritual, em relação ao corpo carnal, é sutil e rarefeito, não podendo se comparar à estrutura densa dos fluidos carnais.

Tanto o perispírito como o corpo, sendo formados de um mesmo fluido, são extraídos das energias ambientais próprias de cada planeta. É por este motivo que as estruturas físicas sempre se adaptam ao orbe do qual são retirados.

Para me fazer entender: se um Espírito deve encarnar na Terra, toma dos fluidos desta os elementos que deverão formar o seu novo corpo e também o seu perispírito absorve tais fluidos como a esponja absorve a água do recipiente onde foi jogada. Se, em nova existência, o Espírito parte para outro planeta, deixa na Terra os elementos correspondentes, para tomar-se dos fluidos referentes ao novo mundo onde é chamado a habitar. Como cada mundo é distinto, único, formado de energias distintas que se combinaram de forma a adaptar-se às necessidades específicas de cada planeta, equivale dizer que nenhum mundo é igual, fluídica e fisicamente, assim como os habitantes de cada mundo também são distintos, ou seja, sociedades com corpos físicos e perispirituais que se adequam às condições de cada globo.

A forma, embora sempre seja a humana, é infinitamente variada, existindo desde as mais grosseiras, que lhes causariam espanto nos sentidos, até as mais belas e suaves, das quais vossas percepções grosseiras são incapazes de conceber.

O universo está mergulhado neste fluido, do qual a natureza extrai todas as coisas. Por mais sutil possa ser esse fluido, é, entretanto, sempre matéria. Suas combinações constantemente embaladas pela Lei de Afinidade, dão forma aos mundos e aos corpos (orgânicos e inorgânicos) e estão em perpétuo estado de dispersão, hora habitando este, hora habitando aquele corpo, ou retornando à fonte comum para que novamente sejam solicitados como eternos operários de Deus.

É assim que "tudo está em tudo" e é assim que um corpo que hoje se decompõe, amanhã se une para dar instrumentos à novos seres.

Texto enviado pelo amigo espiritual Lionel.
Psicografado por André Ariovaldo Santos Inácio.
Site: www.andreariovaldo.com.br
Extraído do Jornal SER - Sociedade Espírita Ramatis, setembro/2013

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Violência de "JESUS"




Alguns episódios da vida de Jesus, escritos nos Evangelhos, de forma sucinta, quando lidos de forma rápida, podem nos conduzir a entendimentos estranhos. 

Vejamos o caso dos vendilhões do Templo.

Comumente, narra-se que Jesus foi ao Templo de Jerusalém e, no átrio, encontrou homens vendendo bois, ovelhas e pombas. Também cambistas, sentados às suas mesas.

Indignado por ver assim profanada a casa de oração, fez um chicote de cordas e expulsou a todos, com suas mercadorias.

Espalhou pelo chão o dinheiro dos cambistas e lhes derrubou as mesas.

Considerando que o Senhor Jesus é o Espírito mais perfeito que a Terra já recebeu; lembrando que Ele é nosso modelo e guia, repugna à razão vê-lO transfigurado em um homem possuído pela ira.

Aquele que falou: Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra, como poderia dar mostras de impulsividade e agressão?

Jesus deixou impressas suas palavras e sua passagem pela Humanidade através do exemplo, virtude encarnada que era em um corpo de homem.

O que se deve entender é que, com certeza, entrando no Templo e observando o intenso comércio que ali se fazia, penetrou com Seu olhar os vendilhões.

Sua presença era temida, pois todos sabiam que Ele falava com a autoridade moral de que era portador.

Suas palavras soaram para aquelas consciências como chibata cortante: Que fizestes da casa de meu pai: um covil de ladrões?

Assim, com a consciência a lhes requeimar, desejaram fugir àquela presença serena, porém enérgica.

Por isso, começaram a se movimentar, buscando as saídas.

Na pressa, foram derrubando gaiolas, mesas, esbarrando nos animais e caindo.

Para quem os visse de fora, correndo apressados, deve ter parecido que o Cristo os expulsara.

E, para quem penetrasse o átrio do Templo, o local do comércio, e visse as mesas derrubadas, mercadorias espalhadas, fácil seria concluir que o Cristo é que promovera toda a desordem.

É sempre necessário extrair o espírito da letra, pois, como afirmava Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios: A letra mata, o Espírito vivifica.

Jesus, a mansuetude por excelência, jamais desceria ao plano humano da agressividade.

Da Sua boca somente brotaram palavras de condução ao bem. Enérgicas sim, mas nunca desprovidas de amor.

Extraia-se do episódio o ensino que é de não se praticar a simonia, isto é, não comercializar com as coisas sagradas.

O ensino a respeito de Deus, a prece, as bênçãos espirituais, são coisas sagradas, sobre as quais nada deve ser cobrado, jamais.

Dar de graça o que de graça se recebe – eis a norma e a conduta corretas, preconizadas pelo Mestre do amor, da mansuetude e da sabedoria.

* * *

Você sabia?
...que o Templo de Jerusalém era tão imponente que sua torre possuía cinquenta metros de altura, o equivalente a um edifício de quinze andares?

...que era recoberto de todos os lados por espessas placas de ouro, que refletiam a luz do sol com tal intensidade que obrigava as pessoas a retirar os olhos, como diante dos raios do sol?

Possuía nove portões. Cada portão, com duas portas de quinze metros de altura e sete metros e meio de largura cada uma.


Redação do Momento Espírita.
Em 24.4.2014.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Trabalho espiritual




Muitos fogem do trabalho espiritual e esperam encontrar a paz nos apelos do corpo.

Esquecem de que o Espírito também precisa de exercícios, de vivências, de aprendizagem.

Presenteiam o corpo com alimento, vestimenta, maquiagens, diversões, trabalho, massagens, caminhadas e outros mimos por dias seguidos.

No final de semana estão cansados e querem diversão; não são de ferro, dizem.

Mas e o Espírito? Não é ele que preside o corpo?

Não foi ele que durante toda a semana realmente trabalhou e precisa de um tempo para ele?

Não estará faminto, sedento, cansado das coisas materiais, a exigir um pouco de paz através da meditação, da oração, do conforto espiritual?

Por que somente o corpo necessita de atenção, sendo ele o cavalo? Deve o cavaleiro ficar à deriva?

Ao final da viagem quem prestará contas do desempenho de ambos? O cavalo ou o cavaleiro?

Cuida do corpo, mas reverencia a alma, dando-lhe o alimento diário e o trabalho que a exercita.

Lembra-te da tua outra face que é imortal, e que após a morte é tudo quanto terás.

Dedica, pois, algumas horas de tua semana, ao trabalho espiritual, verdadeiro revigorante da alma.

Esse investimento é que garantirá a paz nas grandes tormentas que, às vezes, a surpreende a meio do caminho.

Recorda que tua existência de lazer pode até ser sincera, mas tua necessidade de trabalho é urgente.

Tua alegria em estar com os amigos, ouvir suas histórias, certamente é um prazer, mas o trabalho espiritual é uma obrigação.

Atender aos apelos do corpo te dará aparente vantagem, mas obedecer aos anseios da alma te trará lucros reais.

Talvez até argumentes para ti mesmo: essas necessidades um dia irão parar. Mas o tempo não para.

A decisão de caminhar com o corpo saciado e a alma faminta será sempre tua.

Se não tomares esta decisão por ti mesmo, o tempo, mestre dos sábios, a imporá através de decreto irrevogável.



(Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Alma, Espíritos e espírito: qual a diferença para Allan Kardec?



Um dos temas que costumam causar polêmica na obra de Kardec é a dupla definição de espírito/Espírito que ele faz em “O livro dos espíritos”.

Na questão 23 ele define espírito (com e minúsculo) como o “princípio inteligente do universo”. Esta definição não constava da primeira edição do livro, bem como a discussão sobre Deus, espírito e matéria (questão 27), na qual Kardec tenta distinguir “o princípio de tudo o que existe, a trindade universal”.

Essa trindade assemelha-se à de um dos autores espirituais de “O livro dos espíritos” quando encarnado: Platão. Ele propõe como trindade o demiurgo (o criador do mundo), a matéria e as ideias puras.  

Observa-se que neste início do livro, Kardec define espírito “em princípio” ou como princípio, não como ente.  Este “princípio inteligente do universo” não existe separado da matéria, embora possa estar ligado a uma forma material tão sutil, que para nós “é como se não existisse” (questão 186)

Prosseguindo , ele faz uma nova definição na questão 76, mas agora está falando dos Espíritos, com a letra “e” maiúscula. Estes, sim, são entes, seres que se encontram na natureza, no mundo espiritual, como define Kardec.  Ele define, portanto, como “seres inteligentes da criação” e ainda redige uma nota que os leitores desavisados costumam não dar muita atenção: “A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos, e não mais o elemento inteligente do universo”.

Neste momento, Kardec passa a tratar dos seres humanos desencarnados, que existem no mundo espiritual com um períspirito que os delimita à percepção dos demais e dos médiuns. Perceba o leitor que, a partir da questão 76, ele passa a usar a palavra Espírito com maiúscula, mesmo quando ela aparece no meio da frase, para deixar claro que não está se referindo ao princípio inteligente, mas aos seres inteligentes.

Uma curiosidade: na primeira edição de O Livro dos Espíritos, Kardec usa sempre a palavra francesa esprit ou esprits com letra minúscula. Na segunda edição é que encontramos a distinção de esprit e Esprit ou Esprits. Confiram no site do IPEAK:



Por fim resta-nos distinguir Espíritos de almas. Kardec emprega a palavra Espírito para tratar dos desencarnados e alma  (questão 184) para tratar do Espírito dos encarnados.

Concluindo:

O espírito é um elemento universal, de essência distinta da matéria (e de Deus, obviamente)

Os Espíritos são seres inteligentes, desencarnados, que só existem ligados a um envoltório semimaterial denominado períspirito.


As almas são os Espíritos encarnados.


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Fonte: Espiritismo Comentado

Kardec e os talismãs


Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita :: julho/2006


O Sr. M... havia comprado em segunda mão uma medalha que lhe pareceu notável por sua singularidade. Era do tamanho de um escudo de seis libras; tinha o aspecto da prata, embora um pouco acinzentada. Sobre ambas as faces estão gravadas, em baixo-relevo, uma porção de sinais, entre os quais se nota planetas, círculos entrelaçados, um triângulo, palavras ininteligíveis e iniciais em caracteres vulgares; depois, outros em caracteres bizarros, lembrando o árabe, tudo disposto de modo cabalístico, conforme o gênero utilizado pelos mágicos.

Tendo o Sr. M... interrogado a senhorita J..., médium-sonâmbula, a respeito dessa medalha, foi-lhe respondido que era composta de sete metais, havia pertencido a Cazotte e tinha o poder especial de atrair os Espíritos e facilitar as evocações. O sr. de Caudemberg, autor de uma série de comunicações que, como médium, dizia ter recebido da Virgem Maria, disse-lhe que era uma coisa maléfica, destinada a atrair os demônios. A senhorita Guldenstubé, médium, irmã do Barão de Guldenstubé, autor de uma obra sobre pneumatografia, ou escrita direta, garantiu que a medalha possuía uma virtude magnética e poderia provocar o sonambulismo.

Pouco satisfeito com essas respostas contraditórias, o sr. M... apresentou-nos a medalha, pedindo nossa opinião pessoal a respeito e, ao mesmo tempo, solicitando interrogássemos um Espírito superior a propósito de seu real valor, do ponto de vista da influência que pudesse ter.

Eis a nossa resposta:

Os Espíritos são atraídos ou repelidos pelo pensamento, e não pelos objetos materiais, que nenhum poder exercem sobre eles. Em todos os tempos os Espíritos superiores têm condenado o emprego de sinais e de formas cabalísticas, de modo que todo Espírito que lhes atribuir uma virtude qualquer, ou que pretender oferecer talismãs como objeto da magia, por isso mesmo revelará a sua inferioridade, quer quando age de boa-fé e por ignorância, em conseqüência de antigos preconceitos terrestres de que ainda se acha imbuído, quer quando, como Espírito zombeteiro, se diverte conscientemente com a credulidade alheia. Quando não traduzem pura fantasia, os sinais cabalísticos são símbolos que lembram crenças supersticiosas na virtude de certas coisas, como os números, os planetas e sua concordância com os metais, crenças que foram geradas nos tempos da ignorância e que repousam sobre erros manifestos, aos quais a ciência fez justiça, ao revelar o que existe sobre os pretensos sete planetas, os sete metais, etc.

A forma mística e ininteligível desses emblemas tinha por objetivo a sua imposição ao vulgo, sempre inclinado a considerar maravilhoso tudo aquilo que é incapaz de compreender. Quem quer que tenha estudado racionalmente a natureza dos Espíritos não poderá admitir que, sobre eles, se exerça a influência de formas convencionais, nem de substâncias misturadas em certas proporções; seria renovar as práticas do caldeirão das feiticeiras, dos gatos pretos, das galinhas pretas e de outros sortilégios. Não podemos dizer a mesma coisa de um objeto magnetizado que, como se sabe, tem o poder de provocar o sonambulismo ou certos fenômenos nervosos sobre o organismo. Nesse caso, porém, a virtude do objeto reside unicamente no fluido de que se acha momentaneamente impregnado e que assim se transmite, por via mediata, e não em sua forma, em sua cor e nem, sobretudo, nos sinais de que possa estar sobrecarregado.

Um Espírito pode dizer: "Traçai tal sinal e, à vista dele, reconhecerei que me chamais, e virei"; nesse caso, todavia, o sinal traçado é apenas a expressão do pensamento; é uma evocação traduzida de modo material. Ora, os Espíritos, seja qual for a sua natureza, não necessitam de semelhantes artifícios para se comunicarem; os Espíritos superiores jamais os empregam; os inferiores podem fazê-lo visando fascinar a imaginação das pessoas crédulas que querem manter sob dependência. Regra geral: para os Espíritos superiores a forma nada é; o pensamento é tudo. Todo Espírito que liga mais importância à forma do que ao fundo, é inferior e não merece nenhuma confiança, mesmo quando, vez por outra, diga algumas coisas boas, porquanto essas boas coisas freqüentemente são um meio de sedução.

Tal era, de maneira geral, o nosso pensamento a respeito dos talismãs, como meio de entrar em relação com os Espíritos. Evidentemente que se aplica também àqueles que a superstição emprega como preservativos de moléstias ou acidentes.

Entretanto, para edificação do proprietário da medalha, e para um melhor aprofundamento da questão, na sessão de 17 de julho de 1858 pedimos a São Luís, que conosco se comunica de bom grado sempre que se trata de nossa instrução, que nos desse sua opinião a respeito. Interrogado sobre o valor da medalha, eis qual foi sua resposta:

"Fazeis bem em não admitir que objetos materiais possam exercer qualquer influência sobre as manifestações, quer para as provocar, quer para as impedir. Temos dito com bastante freqüência que as manifestações são espontâneas e que, além disso, jamais nos recusamos a atender ao vosso apelo. Por que pensais que sejamos obrigados a obedecer a uma coisa fabricada pelos seres humanos?

P. - Com que finalidade foi feita essa medalha?

Resp. - Foi fabricada com o objetivo de chamar a atenção das pessoas que nela gostariam de crer; porém, apenas por magnetizadores poderá ter sido feita, com a intenção de magnetizar e adormecer um sensitivo. Os sinais nada mais são que fantasia.

P. - Dizem que pertenceu a Cazotte; poderíamos evocá-lo, a fim de obtermos alguns ensinamentos a esse respeito?

Resp. - Não é necessário; ocupai-vos preferentemente de coisas mais sérias."

Allan Kardec

Revista Espírita, setembro de 1858, ed. Feb.

Ser Espírita


terça-feira, 22 de abril de 2014

Somos carteiros peregrinos


Somos carteiros peregrinos


"Eu plantei, Apolo regou, mas quem deu crescimento foi Deus.
Por isso, o que vale não é quem planta, nem quem rega, mas, sim,
aquele que faz crescer, que é Deus."
(Primeira Espístola de Paulo aos Coríntios, 3: 6 e 7).


 

Ainda me lembro bem daquela conversa. O relógio já marcava umas onze horas e trinta minutos da noite. Entretanto, o diálogo, pelo telefone, entre mim e o querido amigo Alberto Almeida, parecia não querer parar.

Contava-lhe, na ocasião, das dificuldades que eu ia encontrando pelo caminho, enquanto ele ia falando-me das alegrias do trabalho. E, nesta prosa boa, fruto da sinceridade que brota d'alma, ele teve a oportunidade de me dizer algo, tanto singelo, quanto profundo.


- Leo, no trabalho do bem, nós somos peregrinos a entregar cartas do Mestre Jesus. Não somos a mensagem, somos somente os carteiros.


Confesso que não somente àquela hora, mas igualmente agora, a fala do Alberto me encantou. Não que eu nunca houvesse pensado sobre o conteúdo dela. Contudo, a forma clara com a qual ele me falava, além disso o modo amoroso e humilde, calou profundamente nos refolhos do meu íntimo.

Por isso mesmo, colega jovem, hoje quero compartilhar contigo estas lições.

Se tu desejas candidatar-te às fileiras dos trabalhadores do amor, transmitido pelas variadas formas o Evangelho que Deus enviou ao mundo por meio de Jesus, lembra-te das palavras de Paulo, pois, por mais que plantemos e reguemos, só a fecundidade do Pai pode fazer crescer.

Em nossa imensa pequenez, no trabalho cristão-espírita, devemos ter a consciência de que somos - o que deve ser motivo de inaudita alegria e paz - somente carteiros peregrinos, como me falou o querido amigo, que entregam cartas do Cristo à humanidade, ao mesmo tempo em que aprendem o conteúdo das mesmas - acrescento de minha parte.

Em diversos setores do mundo e da vida pode-se até querer glórias mil. No labor do bem, contudo, a única "glória" que se deve procurar ter é aquela que advém da paz de consciência do dever cumprido. Por isso mesmo, tudo quanto fizermos, devemos fazer de boa mente, "pois é para o Senhor, e não para os homens". (Epístola de Paulo aos Colossenses, 3:23.)

Dessa forma, juventude amiga, em nome do bem, inspirados na mensagem do Mestre maior, trabalhemos com a paciência e a humildade de um carteiro peregrino.




por Leonardo Machado, Recife/PE, informativo Espiritismo Estudado.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Visita inconveniente

Carmine Mirabelli, Médium de Efeitos Físicos


Carlos Imbassahy e sua esposa D. Maria recebiam a visita de Carmine Mirabelli, conhecido médium de efeitos físicos, que se encontrava no Rio em casa de confrades espíritas.

Em lá chegando, certos efeitos psicocinéticos logo se esboçaram, como de hábito. Em outras casas, quebravam-se objetos, sendo os mais visados aqueles na cristaleira. E foi o que ocorreu; começaram as louças por chocarem-se espontaneamente. Três litros de vidro, contendo água, que estavam sobre a mesa da sala de jantar, ergueram-se e tocaram-se no ar. E as louças voltaram a ser alvo do próximo fenômeno.

Mirabelli, a sala ao lado, anunciava:

- Acaba de chegar uma falange de Espíritos poderosos. Eles estão dizendo que vão quebrar tudo.

Dona Maria, que se achava acamada, levantou-se e veio para sala, falando e em bom som, com autoridade moral toda própria:

- Em nome de Deus, nesta casa não se quebra nada. Parem com tudo isso porque não somos ricos para arcar com tais prejuízos nem precisamos de tais demonstrações para provar o que já sabemos.

Tudo cessou num instante e nenhum outro fenômeno acorreu mais naquele lugar, apesar da presença do médium.

Para nossa casa convidamos as pessoas que desejamos. Pessoas inconvenientes, desagradáveis ou maldosas não são bem vindas em nossa residência. Assim também se dá com os seres da dimensão espiritual. Podemos escolher as companhias espirituais que desejamos.

Há, todavia, uma diferença. A seleção dos Espíritos que vêm a nossa casa não se dá por um convite formal, mas por atitudes de vida. Pensamentos elevados, boa intenção e desejo de ser melhor são posturas que definem os Espíritos que dividem conosco o espaço de nossas casas.

Conviver com seres desencarnados é uma fatalidade em nossas vidas, não podemos nos furtar a isso, no entanto, escolher as nossas amizades e cultivá-las é algo que depende de nós.

Na pequena cidade de Guarani, na zona da Mata Mineira, uma menina de cinco anos passou a vivenciar emoções estranhas. No cair da tarde, quando o pai retornava para casa, a pequena entrava em pânico, irritadiça, apontava para o genitor e punha-se a chorar copiosamente. Como o processo se prolongasse há semanas, a família buscou socorro no Centro Espírita da localidade. A orientação foi essa: oração em conjunto, culto no lar e vigilância nos atos e pensamentos. Em poucas semanas a situação voltou ao normal.

A explicação veio depois. O pai, ao sair da agência bancária onde trabalhava, passava em um boteco para tomar cerveja com os amigos e então se dirigia para sua residência. Levava consigo alguns Espíritos vinculados àquele ambiente. A menina via e registrava àquelas companhias e entrava em pânico.

As modificações operadas naquele lar criaram defesas espirituais e o fato nunca mais se repetiu.

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Fonte: Espiritismo Estudado, informativo do Centro Espírita "Humberto de Campos".

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Velha Casa




Fomos ver a casa anunciada.
E nos demos conta
de que as casas, como as pessoas,
morrem.
Logo à entrada,
a cerâmica, arcaica,
mostrava como uns poucos anos
podem acumular o pó dos séculos.
Dentro, tapetes bordados a mão,
tipo casa-grande,
talvez portugueses,
bronzes antigos,
faianças,
vasos de plantas,
peças avulsas
de mobiliário nobre.
Tudo com a pátina,
a ronha,
a ferrugem,
o fungo,
o cuspo,
o vômito do tempo.
E, contudo,
podia-se sentir
—ainda! ainda!—
o amor que presidira
à feitura, à escolha,
à disposição
de tudo aquilo
em composições plásticas
de que emanava calor.
E no conjunto se multiplicava
da soma das peças o valor,
mercê da mais-valia
da poesia
e do amor.
Na parede da sala um retrato
lindo de mulher,
no escritório fotografias
de juventude,
contrastantes
com o bafio e o bolor.
Na casa abandonada
fizeram ninho vespas,
aranhas, mofo, enfim
a fauniflora do esquecimento,
solfejando morte, inferno e dor.
Ah! melancolia
de ver que nada somos,
nada valemos,
nada! Mas a lição
de que,
de tudo,
sobrevive,
só,
o que a alma tocou.

Anderson Braga Horta
In Pulso (2000)

sábado, 12 de abril de 2014

Fluido Cósmico


Fluído Cósmico

 
Plasma divino

O fluído cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.


Co-criação em plano maior

Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indestrutível, os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-criação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa.

Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo a leis predeterminadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só. Deus é o Criador de Toda a Eternidade.


Impérios estelares

Devido à atuação desses Arquitetos Maiores, surgem nas galáxias as organizações estelares como vastos continentes do Universo em evolução e as nebulosas intragalácticas como imensos domínios do Universo, encerrando a evolução em estado potencial, todas gravitando ao redor de pontos atrativos, com admirável uniformidade coordenadora.

É aí, no seio dessas formações assombrosas, que se estruturam, inter-relacionados, a matéria, o espaço e o tempo, a se renovarem constantes, oferecendo campos gigantescos ao progresso do Espírito.

Cada galáxia quanto cada constelação guardam no cerne a força centrífuga própria, controlando a força gravítica, com determinado teor energético, apropriado a certos fins.

A Engenharia Celeste equilibra rotação e massa, harmonizando energia e movimento, e mantem-se, desse modo, na vastidão sideral, magnificentes florestas de estrelas, cada qual transportando consigo os planetas constituídos e em formação, que se lhes vinculam magneticamente ao fulcro central, como os elétrons se conjugam ao núcleo atômico, em trajetos perfeitamente ordenados na órbita que se lhes assinala de início.


Nossa Galáxia

Para idearmos, de algum modo, a grandeza inconcebível da Criação, comparemos a nossa galáxia a grande cidade, perdida entre incontáveis grandes cidades de um país cuja extensão não conseguimos prever.

Tomando o Sol e os mundos nossos vizinhos como apartamentos de nosso edifício, reconheceremos que em derredor repontam outros edifícios em todas as direções.

Assestando instrumentos de longo alcance da nossa sala de estudo, perceberemos que nossa casa não é a mais humilde, mas que inúmeras outras lhe superam as expressões de magnitude e beleza.

Aprendemos que, além de nossa edificação, salientam-se palácios e arranha-céus como Betelgeuze, no distrito de Órion, Canópus, na região do Navio, Arctúrus, no conjunto do Boieiro, Antares, o centro do Escorpião, e outras muitas residências senhoriais, imponentes e belas, exibindo uma glória perante a qual todos os nossos valores se apagariam.

Por processos ópticos, verificamos que a nossa cidade apresenta uma forma espiralada e que a onda de rádio, avançando com a velocidade da luz, gasta mil séculos terrenos para percorrer-lhe o diâmetro. Nela surpreenderemos milhões de lares, nas mais diversas dimensões e feitios, instituídos de há muito, recém-organizados, envelhecidos ou e vias de instalação, nos quais a vida e a experiência enxameiam vitoriosas.


Forças atômicas

Toda essa riqueza de plasmagem, nas linhas da Criação, ergue-se à base de corpúsculos sob irradiações da mente, corpúsculos e irradiações que, o estado atual dos nossos conhecimentos, embora estejamos fora do plano físico, não podemos definir em sua multiplicidade e configuração, porquanto a morte apenas dilata as nossas concepções e nos aclara a introspecção, iluminando-nos o senso moral, sem resolver, de maneira absoluta, os problemas que o Universo nos propõe a cada passo, com os seus espetáculos de grandeza.

Sob a orientação das Inteligências Superiores, congregam-se os átomos em colméias imensas e, sob a pressão, espiritualmente dirigida, de ondas eletromagnéticas, são controladamente reduzidas as áreas espaciais intra-atômicas, sem perda de movimento, para que se transformem na massa nuclear adensada, de que se esculpem os planetas, em cujo seio as mônadas celestes encontrarão adequado berço ao desenvolvimento.

Semelhantes mundos servem à finalidade a que se destinam, por longas eras consagradas à evolução do Espírito, até que, pela sobrepressão sistemática, sofram o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo, volvem a novas diretrizes dos Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejoo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória ativa.


Luz e Calor

Os mundos ou campos de desenvolvimento da alma, com as suas diversas faixas de matéria em variada expressão vibratória, ao influxo ainda dos Tutores Espirituais, são acalentados por irradiações luminosas e caloríficas, sem nos referirmos às forças de outra espécie que são arrojadas do Espaço Cósmico sobre a Terra e o homem, garantindo-lhes a estabilidade e a existência.

Temos, assim, a luz e o calor, que teoricamente classificamos entre as irradiações nascidas dos átomos supridos de energia. São estes que, excitados na íntima estrutura, despedem as ondas eletromagnéticas.

Todavia, não obstante tatearmos com relativa segurança as realidades da matéria, definindo a natureza corpuscular do calor e da luz, e embora saibamos que outras oscilações eletromagnéticas se associam, insuspeitadas por nós, na vastidão universal, aquém do infravermelho e além do ultravioleta, completamente fora da zona de nossas percepções, confessamos com humildade que não sabemos ainda, principalmente no que se refere à elaboração da luz, qual seja a força que provoca a agitação inteligente dos átomos, compelindo-os a produzir irradiações capazes de lançar ondas no Universo com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, preferindo reconhecer, em toda a parte, com a obrigação de estudarmos e progredirmos sempre, o hálito divino do Criador.


Co-criação em plano menor

Em análogo alicerce, as Inteligências humanas que ombreiam conosco utilizam o mesmo fluido cósmico, em permanente circulação no Universo, para a Co-criação em plano menor, assimilando os corpúsculos da matéria com a energia espiritual que lhes é própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou cunhando as civilizações que abrangem no mundo a humanidade Encarnada e a Humanidade Desencarnada. Dentro das mesmas bases, plasmam também os lugares entenebrecidos pela purgação infernal, gerados pelas mentes desequilibradas ou criminosas nos círculos inferiores e abismais, e que valem por aglutinações de duração breve, no microcosmo em que estagiam, sob o mesmo princípio de comando mental com que as Inteligências Maiores modelam as edificações macrocósmicas, que desafiam a passagem dos milênios.

Cabe-nos assinalar, desse modo, que, na essência, toda a matéria é energia tornada visível e que toda a energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação, cujas leis nos conservam e prestigiam o bem praticado, constrangendo-nos a transformar o mal de nossa autoria no bem que devemos realizar, porque o Bem de Todos é o seu Eterno Princípio.

Compete-nos, pois, anotar que o fluído cósmico ou plasma divino é a força em que todos vivemos, nos ângulos variados da Natureza, motivo pelo qual já se afirmou, e com toda a razão, que "em Deus nos movemos e existimos".³

Uberaba, 15/1/58.

_________________________
³  Paulo de Tarso, em Atos, capítulo 17º, versículo 28. (Nota do Autor espiritual)


por André Luiz (Espírito) / Chico Xavier e Waldo Vieira
obra: Evolução em Dois Mundos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reflexões


MEDIUNIDADE - Diretrizes de Segurança


07. Quais são os requisitos necessários aos médiuns que militam na tarefa mediúnica?

Raul - Percebendo que a mediunidade é uma faculdade mental, ela independe de o indivíduo ser nobre ou devasso. Sendo a mediunidade essa luz do espírito que se projeta através da carne, admitiremos também poder encontrá-la representando a treva do espírito que escorre através do soma. E exatamente por isso, percebemos que o médium deverá ajustar-se, quando deseje servir com o Cristo. Atrelado às forças do bem, ajustar-se ao esforço de vivenciar as lições evangélicas, renovando, gradativamente, os panoramas da própria existência, domando as inclinações infelizes, inferiores, elevando o padrão mental para que sua mentalização se dirija para o sentido nobre, fazendo-o cada vez mais vibrátil nas mãos das Entidades Felizes. Logo, os requisitos para o exercício da mediunidade no enfoque espírita serão o exercício da humildade, da humildade que não se converte em subserviência, mas que é a atitude de reconhecimento da grandeza da vida em face da nossa pequenez pessoal; o espírito de estudo, de apercebimento continuado das leis que nos regem, que nos governam. O médium espírita deverá estar sempre voltado para aumentar o seu patrimônio de conhecimento das coisas, dando-nos conta de que o Espírito da Verdade nos disse ser necessário o amor que assiste, que guarda, que renuncia, que serve, e, ao mesmo tempo, a instrução que de maneira alguma representará apenas o diploma acadêmico, mas que é esse engrandecimento do caráter, da inteligência, esse amadurecimento que, muitas vezes, o diploma não confere. Exatamente aí o médium deverá ater-se ao estudo, ao trabalho, à abnegação ao semelhante e nesse esforço estará logrando também subir a ladeira para conquistar a humildade.

Numa colocação feita pelo espírito Albino Teixeira, através de Chico Xavier, no livro Paz e Renovação¹, diz ele que o melhor médium para o mundo espiritual não é o que seja portador de múltiplas faculdades, mas é aquele que esteja sempre disposto a aprender e sempre pronto a servir.


08. O médium é responsável por toda e qualquer comunicação mediúnica?

Divaldo - Deve sê-lo, porque não é um autômato. Quaisquer comunicações que lhe ocorram são através do seu psicossoma ou perispírito. A conduta do médium é de sua responsabilidade e, graças a essa conduta, ele responde pela aplicação de suas forças mediúnicas.

É muito comum a pessoa assumir comportamentos contrários ao bom-tom e depois dizer que foram as entidades perniciosas que agiram dessa forma. Isso é uma evasão da responsabilidade, porque os espíritos somente atuam pelo médium, nele encontrando receptividade para as suas induções. É importante saber que o médium é responsável pela manifestação que ocorra através dele. Para que se torne um médium seguro, um instrumento confiável, é necessário que evolua moral e intelectualmente, na razão em que exercita a faculdade.

Gostaria de dar uma informação que nos transmitem os Amigos Espirituais: referem-se à seriedade com que as entidades que aqui trabalham estão encarando esse encontro ². Um dos fatores mais importantes para a divulgação da Doutrina Espírita, além do estudo sério, é a mediunidade na vivência, no comportamento dos médiuns. Porque os neófitos atraídos para a Doutrina vêm, invariavelmente, ansiosos pelos fenômenos e por soluções para problemas que eles não querem equacionar. A invigilância de alguns aprendizes do Espiritismo, trabalhando na mediunidade, responde pela deserção dos inseguros, pelos desequilíbrios na comunidade mediúnica. Esses Mentores estão empenhados em nos ajudar para o bom discernimento das nossas realizações.

Registro, outrossim, a presença de vários desses amigos que prosseguem colaborando, vivamente empenhados no trabalho de educação e de iluminação das almas. Eles hoje aqui capitaneados pelo espírito Dr. Camilo Chaves, que também convidou um número muito grande de antigos colaboradores da Doutrina Espírita nesta Cidade, tais como Pascoal Comanducci, Henriot, Bady Elias Curi, Dolores Abreu, professor Cícero Pereira, Virgílio Almeida, Célia Xavier, Schembri e outros trabalhadores afeiçoados ao bem, que se encontram empenhados em promover o Consolador em nossas vidas para que as mesmas sigam, por acréscimo de misericórdia, na direção de Jesus. 


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¹ Xavier, F. C. Paz e Renovação, diversos espíritos, cap. 34, 4ª ed., CEC, Uberaba-MG, 1979.

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² Referência ao Simpósio sobre Mediunidade realizado pela Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte-MG e pela Associação Espírita Célia Xavier, da mesma cidade, nos dias 16 e 17 de junho de 1984, com a participação de Divaldo Franco e Raul Teixeira.


Fonte:  Franco, Divaldo P.  Teixeira, Raul J.  Diretrizes de Segurança.  Págs. 17-19. Frates, 2002.
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Luz do Espiritismo


O Velho e o Novo Testamento




Entre o Velho e o Novo Testamento encontram-se diferenças profundas e singulares, que se revelam, muitas vezes, como fortes contrastes ao espírito observador, ansioso pelas equações imediatas da experiência religiosa.

O Velho Testamento é a revelação da Lei. O Novo é a revelação do Amor. O primeiro consubstancia elevadas experiências dos homens de Deus, que procuravam a visão verdadeira do Pai e de sua Casa de infinitas maravilhas. O segundo representa a mensagem de Deus a todos os que O buscam no caminho do mundo.

Com o primeiro, o homem bateu à porta da morada paternal, perseguido pelas aflições, que lhe flagelavam a alma, atribulado com os problemas torturantes da vida. O Evangelho é a porta que se abriu, para que os filhos amorosos fossem recebidos. No Velho Testamento, a estrada é longa e, vezes sem conta, as criaturas humanas desfaleceram entre os sofrimentos e as perplexidades. No Novo, é a estrela da manhã espiritual, resplandecendo de amor infinito, no céu de uma nova compreensão.

No primeiro, é o esforço humano. O Evangelho é a resposta divina.

A Bíblia reúne o Trabalho Santificador e a Coroa da Alegria.

O Profeta é o Operário. Jesus é o Salário na Revelação Maior. Eis porque, com o Cristo, se estabeleceu o caminho, depois da procura torturante. E é por esse caminho que a alma do homem se libertará da Babilônia do mal, que sempre lançou o incêndio no mundo, em todos os tempos.

A Bíblia, desse modo, é o divino encontro dos filhos da Terra com o seu Pai. Suas imagens são profundas e sagradas. De suas palavras, nem uma só se perderá.

Um dia, no cimo do monte da redenção, os homens entregar-se-ão, de braços abertos, ao seu Salvador e a seu Mestre. Então, nessa hora sublime, resplandecerá, para todas as consciências da Terra, a Palavra de Deus.


Emmanuel / Francisco C. Xavier
Obra: Coletâneas do Além

AUTO-FLAGELAÇÃO



"O ser humano, em sua expressão fisiológica, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida em câmbio de emissão e recepção. Toda vez que enlouquece na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exterioriza correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de sua intemperança, se voltam fatalmente contra ele mesmo, pelo princípio inelutável da atração..."


    "Meus amigos:

    Embora não nos seja possível, por enquanto, apreciar convosco a fisiologia da alma, como seria desejável, de modo a imprimir ampla clareza ao nosso estudo, para breve comentário, em torno da flagelação que muitas vezes impomos, inadvertidamente, a nós mesmos, imaginemos o corpo terrestre como sendo a máquina da vida humana, através da qual a mente se manifesta, valendo-se de três dínamos geradores, com funções específicas, não obstante extremamente ligados entre si por fios e condutos, de variada natureza.

    O ventre é o dínamo inferior.
    O tórax é o dínamo intermediário.
    O cerebelo é o dínamo superior.

    O primeiro recolhe os elementos que lhe são fornecidos pelo meio externo, expresso na alimentação usual, e fabrica uma pasta aquosa, adequada à sustentação do organismo.

    O segundo recebe esse material e, combinando-o com os recursos nutritivos do ar atmosférico, transmuta-o em líquido dinâmico.

    O terceiro apropia-se desse líquido, gerando correntes de energia incessante.

    No dínamo-ventre, detemos a produção do quilo.
    No dínamo-tórax, presenciamos a metamorfose do quilo em glóbulo sanguíneo.
    No dínamo-cerebelo, reparamos a transubstanciação do glóbulo sanguíneo em fluido nervoso.

    Na parte superior da região cerebral, temos o córtex encefálico, representando a sede do espírito, algo semelhante a uma cabine de controle, ou a uma secretária simbólica, em que o <<eu>> coordena as suas decisões e produz a energia mental com que governa os dínamos geradores a que nos reportamos.

    O ser humano, desse modo, em sua expressão fisiológica, considerado superficialmente, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida, em câmbio de emissão e recepção.

    Concentramos, assim, força mental em ação contínua e despendemo-la nos mínimos atos da existência, através dos múltiplos fenÿmenos da atenção com que assimilamos as nossas experiências diuturnas, atuando sobre as criaturas e coisas que nos cercam e sendo por elas constantemente influenciados.

    Toda vez, contudo, em que nos tresmalhamos na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exteriorizamos correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de nossa intemperança, se voltam fatalmente contra nós, pelo princípio inelutável da atração que podemos observar no imã comum.

    Em nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, provocamos sobre nós verdadeira tempestade magnética que nos desorganiza o veículo de manifestação, seja nos círculos espirituais em que nos encontramos, ou, na Terra, enquanto envergamos o envoltório de matéria densa, sobre a qual os efeitos de nossas agressões mentais, verbais ou físicas, assumem o caráter de variadas moléstias, segundo o ponto vulnerável de nossa usina orgânica, mas particularmente sobre o mundo cerebral em que as vibrações desvairadas de nossa impulsividade mal dirigida criam doenças neuropsíquicas, de diagnose complexa, desde a cefalagia à meningite e desde a melancolia corriqueira à loucura inabordável.

    Toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos.

    Guardemo-nos, assim, na humildade e na tolerância, cumprindo nossos deveres para com o próximo e para com as nossas próprias almas, porque o julgamento essencial daqueles que nos cercam, em verdade, não nos pertence.

    Desempenhando pacificamente as nossas obrigações, evitaremos as deploráveis ocorrências da autoflagelação, em que quase sempre nos submergimos nas trevas do suicídio indireto, com graves compromissos.

    Preservando-nos, pois, contra semelhante calamidade, não nos esqueçamos da advertência de nosso Divino Mestre no versículo 41, do capítulo 26, das anotações do apóstolo Mateus: - "Orai e vigiai, para não entrardes em tentação." Dias da Cruz"


(Do livro "Vozes do Grande Além", pelo Espírito Dias da Cruz, Francisco Cândido Xavier, 29/09/1955)