Eternidade

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quarta-feira, 5 de março de 2014

Luz do Espiritismo


A intervenção dos Espíritos



O Homem é um pequeno mundo que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo.

O homem é formado por matéria e espírito.


O Espírito é o ser principal, a razão, a inteligência; o corpo é envoltório de matéria que reveste, temporariamente, o espírito para o cumprimento de sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário à sua evolução, ao seu adiantamento.

O corpo, usado, se destrói, o espírito sobrevive à sua destruição. O corpo sem o espírito não é senão matéria. O espírito sem corpo reentra no mundo espiritual de onde saiu para o reencarne.


Ensina o Espiritismo que os homens que viveram na Terra, ao deixarem o corpo físico através da morte, continuam a viver em um outro plano, chamado mundo espiritual. Quando passam para este plano da vida, levam consigo o que tiverem acumulado de virtudes e defeitos, todos, adquiridos durante a existência material, ou seja, a encarnação. Os homens bons trazem consigo a caridade que praticavam, a paz de espírito e a benevolência. Vivem em lugar feliz e trabalham constantemente pelo progresso do Planeta.


Já os homens que, quando encarnados viveram nas sendas do mal, levam para o plano espiritual as más tendências. Continuam suas atividades perniciosas, inspirando-nos todos os vícios e defeitos a que ainda estão apegados. Estes são os que podemos chamar de espíritos maus, nocivos, pois que são absolutamente perniciosos. Não podemos atribuir a Deus estas ações, pois que não se admitiria esta consciência da divindade. Uma concepção de divindade punitiva, carrasco, cruel, tende hoje a desaparecer por que todos, pelo menos os que já temos uma noção dos ensinamentos dos espíritos, sabemos que Deus é bom e justo. Assim, jamais ele estaria envolvido com ações más, perversas ou de qualquer meio ilícito e nocivo.


A maioria dos espíritos que povoam a terra, tanto no estado errante, desencarnados, quanto os encarnados, compõe-se de espíritos imperfeitos, que fazem mais o mal que o bem. Daí a predominância do mal na Terra.
Temos, portanto, o mundo corporal, composto de espíritos encarnados, e o mundo espiritual, composto de espíritos desencarnados.


O homem, por ser composto de matéria, está ligado a Terra; e o Espírito, por sua natureza fluídica, está em toda parte, percorre distâncias enormes com a rapidez do pensamento.


A morte do corpo é a ruptura dos laços que unem corpo a espírito.


Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas com aptidões para tudo conhecer e progredir, dependendo de seu livre arbítrio, de seu próprio trabalho, razão porque tantos somos diferentes uns dos outros. Em nossas reencarnações sucessivas, através do livre arbítrio, da própria vontade. Uns realizam mais rapidamente suas necessidades de progresso, cumprindo as leis naturais, as leis morais da vida, adquirindo uma maior gama de conhecimentos e aprendizado.Outros, também em razão de seu livre arbítrio, vivem “adiando” suas necessidades de trabalho e vivência de melhoramento espiritual-moral, deixando tudo para depois, o que lhes é permitido, entretanto não é recomendável. Desta forma, uns evoluem mais rapidamente e outros permanecem na ignorância por mais tempo.


A falta de vigilância, certamente, é um dos fatores mais sérios e que mais nos atrasam a caminhada, pois que na maior parte das vezes, esta invigilância é que nos faz permitir as influenciações negativas daqueles espíritos errantes que estão procurando apenas uma brecha, uma passagem, uma ação ou pensamento, para se utilizarem de nós e assim satisfazer suas necessidades maléficas.


A felicidade está na razão do progresso alcançado. Os que deixam para depois, adiando a prática do bem, da caridade, do trabalho, do amor ao próximo e as demais leis divinas ou naturais, estes, certamente são mais infelizes e se mantêm na ignorância por mais tempo.


Aí já podemos entender, perfeitamente, o porquê de embora criados simples e ignorantes, uns já se adiantaram no progresso e outros estão ainda muito atrasados.


A compreensão da influência que os Espíritos Desencarnados exercem sobre os Espíritos Encarnados, passa, inicialmente pelo entendimento de que há espíritos mais e menos evoluídos.


Sabemos que estamos constantemente rodeados por Espíritos que nos vêem, ouvem e conhecem nossos pensamentos e até nossos desejos mais íntimos. Quando nos acreditamos sós sempre estamos acompanhados por Espíritos e, com freqüência, somos influenciados por eles através de nosso pensamento.
A interação que existe entre encarnados e desencarnados, muito especialmente daqueles que praticam o mal, é nítida e não nos deixa dúvidas de sua existência.


Já na Bíblia, em Mt.16. 15-17, Jesus pergunta: -“Vós quem dizeis quem eu sou?”


Pedro responde:- “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”.


Para esta resposta Pedro entrou em sintonia com o mundo espiritual, mais precisamente com Deus, como esclarece Jesus no Vs. 17 quando diz:


-“Tu não revelaste a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus”.


Ainda em Mateus, 16.21-23, pouco tempo depois, o mesmo Pedro teve a influenciação espiritual dos maus espírito e Jesus o repreendeu dizendo “Para traz Satanás”. Pedro que recebera há pouco a influência de Deus, por não saber discernir a informação do bem ou do mal, tinha a propensão de ligar-se com o inimigo pois que ainda não havia sido treinado para discernir entre as influenciações boas ou más.


Kardec, ao perguntar para os Espíritos Superiores se poderíamos ser influenciados pelos espíritos, e se eles influem diretamente em nossos pensamentos lhe foi respondido[¹]:


-“A sua influência é muito maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.”
Estas orientações nos calreiam o porquê que tantas vezes temos pensamentos duplos e contraditórios, mistura entre o nosso próprio pensamento e o do Espírito que está junto a nós. Estas distorções de pensamentos não nos são aparentes. Não percebemos nem sabemos exatamente distingui-los, mas sempre nos deixamos influenciar por sugestões que vão de encontro aos nossos anseios mais profundos.


Todos temos, desde o nosso nascimento, a proteção de espíritos amigos que nos guardam e procuram nos influenciar de forma positiva, sempre levando à pratica das leis morais de Cristo. Em contrapartida os espíritos pouco evoluídos, malévolos, os que não estão ligados às boas ações, ficam sempre prontos a aproveitar nossas más tendências, nossas más inclinações, para nos incentivar mais, nos influenciando sempre e mais para o mal.


Está claro, portanto, que nossos pensamentos dirigidos para o bem, para o bom, geralmente nos remetem a níveis também bons de energia, o que nos faz sintonizar com espíritos de semelhantes, e, sempre que lhes acatamos as sugestões, temos uma vida equilibrada e feliz; assim como nossos maus pensamentos atraem espíritos menos evoluídos e que nos influenciarão de forma negativa.


Pensamentos e prática do mal, tristezas, angústias, egoísmo, malícia, maledicência, todas estas atitudes de comportamento e pensamento de pouco ou nenhum proveito moral, nos fazem atrair espíritos que nos instigam e sugerem ações e pensamentos piores, nos incentivam a pensamentos menos nobres, a ações ilegítimas, porque são eles Espíritos inferiores, levianos, plenos de inveja e ódio, resultado, justamente, de suas imperfeições, procurando sempre nos fazer assemelhar a eles, induzindo-nos a proferir palavras e a concretizar atos contrários às leis cristãs para que possamos ficar absolutamente sintonizados com eles e cada vez mais à sua mercê.
Normalmente podemos ter a percepção do conselho íntimo de um Espírito. A isto chamamos de pressentimento. As advertências que sentimos ao estarmos prestes a praticar um ato desvairado, impróprio e inadequado à boa conduta, são avisos de nossos protetores para nos auxiliarem em nosso crescimento e evolução espiritual. Muitas e muitas vezes não damos atenção a estes avisos, sejam pressentimentos ou quando, obstados de acatar as orientações que nos querem passar, utilizam-se de outras pessoas, de amigos ou companheiros para poderem fazer chegar até nós a palavra de sua advertência.


Nas leis da vida observamos que os iguais se atraem, assim, os bons pensamentos atraem os bons Espíritos e os maus pensamentos, obviamente, atraem os espíritos imperfeitos.


Ao observarmos detidamente nossos sentimentos podemos observar que sempre que temos sentimentos de angústia, ansiedade indefinida ou mesmo satisfação ou insatisfação interior sem causa conhecida, estamos tendo a comunicação inconsciente de espíritos ou até mesmo entrando em contato com eles durante o sono.


É, no descanso do corpo físico, o Espírito desprende-se e aproveita para retomar parcialmente sua relativa liberdade, permanecendo ligado ao corpo físico por um cordão fluídico/energético. Dependendo de seus interesses e evolução poderá aproveitar estes momentos para visitar outras esferas espirituais onde terá oportunidade de aprender e trocar ideias com seres que, com ele, se afinizam. Pode, também, visitar amigos que estão no plano físico ou no plano espiritual. Se forem Espíritos excessivamente apegados a matéria, poderão buscar ambientes mundanos para se satisfazerem.


Se, ao despertar sentimos paz e alegria, é que estivemos em boas companhias, mas se acordamos de mau humor, cansados e oprimidos, é porque estivemos com Espíritos ignorantes.


Como escolher a companhia que teremos durante o sono? Seria possível evitar a ida a lugares sombrios ou juntar-se aos espíritos nocivos e viciosos?


Sim, a terapêutica é tão simples quanto difícil de ser seguida por todos.


Devemos ter como hábito, antes de dormir, orar a Deus e aos bons Espíritos para que, durante o sono, nossa Alma possa estar em sintonia com os planos elevados da Criação.


Mas como poderemos nos libertar da influência dos espíritos imperfeitos?


A prece é antídoto aos maus pensamentos, às más ações, às comunicações desastrosas.


Desta forma, a receita mais fácil de ser dada mas bastante difícil de ser seguida: é a execução de boas ações; a oração que nos eleva o padrão vibratório, rompendo a sintonia que temos com os espíritos imperfeitos, colocando-nos em harmonia com espíritos mais evoluídos; o constante bom pensamento evitando sempre, e até mesmo reprimindo, os pensamentos que nos sugerem o mal, a discórdia e que estimulem as paixões, sobretudo as que exaltem nosso orgulho. A humildade é um trunfo, a caridade uma arma.


Jesus sabiamente introduziu na oração que nos ensinou:


“Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.


São constante as “justificativas” que escutamos perante as intempéries da vida:


- “Não pratico o mal, não faço mal a ninguém”;


Estes deixam de praticar também, com frequência, o bem, não cumprindo com a caridade tão eficaz ao aprimoramento nesta existência. A inércia não justifica, pois sem fazer o mal também não praticam o bem. O egoísmo falando mais alto. A decadência, males, doenças, drogas etc., não fazem mal apenas a nós mesmos, mas envolvem todos os que nos querem bem, família e amigos, sendo necessária que seja exercida a caridade a nós mesmos para, só assim, dizer: “eu não pratico o mal a ninguém”, “eu nada fiz para merecer isto” pois quando nada se faz, faz-se muito, e mal, deixando os espíritos inferiores dominarem nossa vida.
Não raro, alguns irmãos crêem que qualquer evento desagradável é punição divina ou pagamento de dívidas do passado. Esta não é uma verdade tão absoluta assim. Na generalidade, através de nosso livre arbítrio, “escolher agir contra as leis, contra a caridade o amor e ao bem” é-nos permitido, entretanto nos acarretam influenciações desastrosas pois que se nos aproximam de espíritos imperfeitos, sedentos do mal e as intempéries, não raro, são consequências destas nossas más ações e das influenciações que nos permitimos por nossos pensamentos ou atos. Caracterizando-se uma ação má, reverter-se-á, ao seu agente, acontecimentos tristes e desastrosos. Resultado de nossa invigilância.


Os espíritos adiantados podem receber a tarefa de estarem junto a nós para proteger-nos. A estes Espíritos denominamos de Espírito Protetor, Bom Espírito, Bom Gênio, Anjo Guardião.


Todos nós temos um Espírito protetor que procura guiar-nos para o bom caminho, sustentar nossa coragem e nos conduzir, ou tentar conduzir, nas provas da vida. Este Espírito protetor nos assiste deste o nosso nascimento e segue-nos até depois de nossa morte e mesmo em várias existências corpóreas a fim de que consigamos abstrairmo-nos do mal e prosseguir com nossa evolução espiritual. Ocorre que nem sempre o protegido aceita a ajuda. Reage e age de forma rebelde, não aceitando suas vibrações e sugestões positivas, provocando assim o afastamento do espírito protetor que, respeita o livre arbítrio, mas retorna tão logo seja chamado. Este Anjo Guardião alegra-se com os bons feitos de seu protegido, mas também se entristece quando o vê sem querer seguir-lhe os conselhos e introduz-se pelas veredas contrárias ao bem.


A influência que os Espíritos exercem sobre nós é bastante grande. Observe-se a própria vida sob o aspecto moral. São perceptíveis as interferências. Podemos ilustrar a ideia contando um caso de um homem que saca de um revólver e atira em outro que está seu próximo. Surpreendentemente e quase que incompreensivelmente o tiro passa de raspão, mas não pega, o que aconteceu, como explicar este erro podendo-se dizer impossível? No caso relatado acima podemos observar a interferência espiritual tanto de um espírito de pouca evolução, inferior, como também a interferência incisiva de um espírito superior, de grande valor moral que entendeu que não poderia deixar que acontecesse a execução daquele ato desvairado e contrário a Lei de Deus. O espírito inferior sugere o tiro, mas, ao lado dele, está também o espírito elevado que, desvia o projétil ou ofusca-lhe a visão, de forma que evita assim o assassinato. A interferência dos espíritos é sempre motivada pelo amor ou pelo ódio. Quando é movida pelo amor temos a ajuda, o auxílio, e quando movida pelo ódio temos a inveja e o prazer do mal pelo mal. Sempre que sentimos a presença de um espírito malévolo temos que orar, e orar muito, para que ele seja perdoado e afastado de nós e pedir sempre pela proteção de nossos Anjos Guardiões para que não nos deixem de auxiliar agradecendo a constante ajuda.


Há casos, ainda, que espíritos encarnados, por livre arbítrio pretendem fazer o mal e evocam o auxílio de espíritos inferiores para que lhes ajudem na tarefa, mas esquecem-se estes, que a prática da má ação tem reação imediata, pois aquele que pede ajuda para o mal é obrigado a fazer o mal para quem o ajudou, é obrigado a “servir” aquele que o ajudou, pois sempre precisam de alguém para executar o mal que eles pretendem cometer. Desta forma podemos entender o que na linguagem comum frequentemente chamamos de “pacto com o demônio”, que nada mais é que a ajuda recíproca entre espíritos encarnado e desencarnado para a execução de ações contrárias às Leis Morais.


Neste nosso pequeno estudo sobre a interferência dos espíritos desencarnados aos encarnados, não poderemos deixar de citar, de fazer referência, às Bênçãos e maldições, se fazendo necessário entender seu alcance e sua valia, para bem compreender os ensinamentos dos Espíritos.


Desta forma podemos entender que sempre que proferimos ou temos um pensamento de benção é imperativo o benefício do abençoado que deles aproveitará, sempre segundo seu merecimento, razão porque tantas vezes não entendemos o tempo que leva para que consigamos obter êxito em nosso intento. Nosso pensamento é dignificante e abençoa. Mas a intensidade do aproveitamento depende do merecimento do favorecido, da aceitação deste e até mesmo do pensamento positivo para a, recepção da bênção. Já os pensamentos de maldição atingem ocasionalmente as pessoas que estão afastadas de seus protetores e isoladas em sua materialidade, ficando sujeitas às maldições que, aliás, sempre são prejudiciais, bem mais prejudiciais, a quem as formula.


Podemos observar que o esforço próprio é absolutamente necessário a todos os caminhos evolutivos e ninguém aprende ou evolui se não souber aproveitar o concurso dos Benfeitores Espirituais. Entretanto, como dependemos, e muito, do auxílio dos amigos espirituais, não podendo esquecer que a Providência Divina é de infinita bondade e extrema misericórdia e funciona através de sublimes mensageiros.


Sejamos, pois maleáveis e fiéis ao executarmos nossas idéias, abrindo nossa percepção aos espíritos elevados, para que lhes seja mais fácil o cumprimento de seu papel, no progresso e na felicidade das criaturas, perseguindo um só objetivo qual seja o de tornar-nos, hoje, um pouco melhor que ontem e, amanhã, menos imperfeitos que hoje.


Queiramos ou não, estamos numa batalha e nos tornamos vencedores na medida em que nos enchemos de Cristo, do Poder de Seu Espírito, do exercício do Evangelho de Jesus, cultivando amizades sadias, vigiando, orando e ajudando ao próximo para que possamos sempre mais e mais nos aperfeiçoar e receber as orientações de nossos Anjos da Guarda ou de outros espíritos que nosso Mestre nos tenha permitido pressentir, agindo com empenho em favor da retificação moral, no caminho do progresso e ficando alerta, para que espíritos impuros e pouco evoluídos não nos possam influenciar, mas sim e sempre, possamos entender e aceitar todas as que sejam de espíritos adiantados e que possa nos auxiliar na caminhada e no exercício do amor que Cristo nos veio ensinar.


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[¹] Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos, Perg. 459

Fonte: Fórum Entendimento Espírita 

terça-feira, 4 de março de 2014

Allan Kardec: Embaixador dos Céus


            Alavancando a cultura impoluta,
            Que altera o ser mudando-lhe a conduta,
Com todo o brilho das suas ideias,
Allan Kardec investe no saber
E pensa a qualidade do viver,
Desbancando as posturas mais pigméias.

Desde menino, atado aos compromissos
De progredir sem negar-se aos serviços,
Avança, radiante, rumo ao futuro,
Vibrante, aprende e aplica o magnetismo,
E sente o bem de viver o altruísmo,
Num plano de ação formoso e seguro.

Deslumbra-lhe o vigor da natureza;
Quanto ao progresso fala com certeza,
Impõe à vida sóbria disciplina.
Vê na criança a base do futuro,
Convida o jovem ao pensar maduro,
- Lógica e lucidez descortina.

Pulsa seu coração pela alegria
De poder realizar, dia por dia,        
O trabalho que acorda o gênio humano.
Deixa bem claro o seu amor à Terra,
Rechaça tudo o que o equilíbrio emperra
Nas mais torpes ações do cotidiano.

Homenageia o ser que, além da morte,
Tem na bagagem nobre o próprio norte,
Sabe encontrar a paz na ação do bem.
E nos contatos sempre venturosos
Allan Kardec logra os mais formosos
Diálogos manter com o Grande Além.

Toca o cerne dos irmãos vivos-mortos
De hábitos nobres ou viveres tortos,
A todos entendendo com bondade.
Instrumento das luzes sublimadas,
Traz lições para o mundo, credenciadas,
Na lucidez do Espírito Verdade.     

A França e o mundo inteiro se aprimoram
Embora as multidões que ainda ignoram
Com ensinos de excelsa inspiração.
E é assim que a Doutrina chega ao mundo,
É o Espiritismo sereno e fecundo.
Nasce, pujante, a Codificação!
                                            
Embaixador dos Céus, nós te saudamos
Nessa alvorada em que todos chegamos,
Rompidos com a pose de corifeus.
Roga ao Senhor por nós, onde estagias;
Vela pela honradez dos nossos dias,
Nessa áspera jornada rumo a Deus.

                                                                                                         Espírito Ivan de Albuquerque

Obs: Essa mensagem foi psicografada pelo médium Raul Teixeira na noite de 01-10-2003, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói, RJ, sendo publicada em seu mais recente livro "Quando a vida responde", pela Editora Frater.

O missionário Allan Kardec e o Espírito da Verdade


Em 25 de março de 1856, Allan Kardec estava em seu gabinete de trabalho, prestes a compulsar as comunicações e organizar O Livro dos Espíritos, quando escutou repetidas pancadas no tabique; investigou, sem encontrar a causa disso, e voltou a entregar-se à obra. Sua mulher, tendo entrado por volta das dez horas, escutou os mesmos ruídos; procuraram, mas inutilmente, o lugar de onde provinham.
“No dia imediato, sendo dia de sessões em casa do Sr. Baudin – escreve Allan Kardec, narrei o acontecido e pedi a explicação dele.


PERGUNTA: Ouviste o fato que acabo de contar; podereis me explicar a razão dessas pancadas que se fizeram ouvir tão insistentemente?
RESPOSTA: Era teu Espírito familiar.
P: Com que finalidade vinha bater assim?
R: Desejava comunicar-se contigo.
P: Podereis me dizer o que desejava?
R: Podes dirigir a Ele mesmo a pergunta, porque está presente.
P: Meu espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos por virdes me visitar. Quereis ter a bondade de esclarecer-me quem sois?
R: Meu nome, para ti, será A Verdade, todos os meses, por um quarto de hora, aqui estarei, ao teu dispor.


Comunicação feita em 12 de junho de 1856, através da médium Mille Aliene C:

P: Quais são as razões que me fariam fracassar? Seria a insuficiência de minhas aptidões?

R: Não; porém, a missão dos reformadores é repleta de obstáculos e perigos; a tua é áspera; aviso-te, porque é ao mundo todo que se trata de agitar e transformar. Não acredites te seja bastante publicar um livro, dois, dez livros, e estares sossegadamente em tua casa; não é necessário que te mostres no conflito; ódios terríveis estão açulados contra ti, implacáveis inimigos tramarão tua perda; estarás sujeito à calúnia, à traição, ainda dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão impugnadas e desnaturadas; desfalecerás, mais de uma vez, ao peso da fadiga; em uma palavra, é uma batalha quase incessante que terás de suportar, com sacrifícios de teu repouso, de tua paz, de tua saúde até, e mesmo de tua vida, porque não hás de viver muito tempo. Pois bem. Mais uma volta atrás, quando, em vez de uma vereda florida, encontra apenas sob seus passos espinhos, pontiagudas pedras e serpentes. Antes do mais, é preciso agradar a Deus, com humildade, a modéstia, o desinteresse que abate os orgulhosos e os presumidos. Para combater os homens, é necessário ainda, prudência e tato para encaminhar as coisas a propósito e não comprometer-lhes o êxito por medidas ou palavras inadvertidas; precisa-se, enfim, devotamento, abnegação, e estar preparado para todos os sacrifícios.
Vês que tua missão está sujeita a condições que dependem de ti.
ESPÍRITO DA VERDADE.


NOTA – (É Allan Kardec que se expressa deste modo) “Esta nota escrevo no dia 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio após ter-me sido dada a comunicação retro transcrita, e verifico ter ela se realizado em todos os pontos, porque passei por todas as vicissitudes que nela me foram profetizadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da calúnia, da inveja, do ciúme; contra mim têm-se publicado infames libelos; minhas melhores instruções foram deturpadas; tenho sido traído por aqueles a quem prestei serviços. A Sociedade de Paris fez-se um foco de intrigas, tramadas por aqueles que se diziam a meu favor, os quais, em minha presença amáveis, na ausência me destratavam. Afirmaram que os que seguiam em meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava com o Espiritismo. Não sei mais o que é repouso; mais de uma vez desfaleci; devido ao excesso de trabalho, minha saúde se alterou e comprometi minha existência.

Contudo, graças a proteção e assistência dos bons Espíritos, que incessantemente me têm dado provas evidentes de sua solicitude, sou feliz por reconhecer que não experimentei ainda nenhum instante de esmorecimento, nem de desânimo, e que constantemente prossegui em minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a maledicência de que me faziam alvo. De acordo com a comunicação do Espírito da Verdade, devia eu esperar tudo isso, e tudo se verificou.”  
(Do Livro: Biografia de Allan Kardec / por Henri Sausse)


“Quando o céu está prestes a confiar uma grande missão a um ‘homem’, primeiro exercita sua mente com sofrimento, e seus nervos e ossos com fadiga. Expõe seu corpo à fome e o sujeita a extrema miséria.Para confundir suas tarefas. Dessa maneira, estimula seu espírito, fortalece sua natureza e supre suas deficiências!” 
(MÊNCIUS: Filósofo/Chinês)

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Fonte: Planeta Azul

Existe Deus?



Existe Deus?


Conta-se que Buda, o grande líder religioso, estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou e perguntou:

- Existe Deus?

O mestre penetrou no olhar do desconhecido por alguns segundos e respondeu objetivamente:

- Sim, Deus existe.

O tempo passou e, após o almoço, um outro homem se acercou do sábio e questionou:

- Existe Deus?

Buda fitou o homem rapidamente, e logo lhe respondeu:

- Não, não existe.

Ao final da tarde, então, uma terceira pessoa se achegou a ele, e lhe fez a mesma pergunta:

- Mestre, existe Deus?

O sereno e experiente sábio procurou os olhos do questionador, e explicou:

- Você é quem irá decidir.

O homem se afastou pensativo e logo os discípulos de Buda lhe exigiram satisfações:

Mestre, que absurdo! - disse o mais surpreso deles - como o senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?

Com paciência e tranqüilidade, respondeu então o iluminado:

- Porque são pessoas diferentes! E cada uma delas se aproximará de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação e da dúvida.

O fundador do budismo estava certo: somos pessoas diferentes, almas que já viveram as mais diversas experiências através das inúmeras existências.

Assim, cada um de nós irá se aproximar da verdade da sua forma.

E esta é uma das razões pela qual encontramos no mundo religiões diferentes, crenças distintas, e as mais diversas formas de interpretar a verdade.

Cada uma dessas interpretações aplica-se a um grupo de espíritos, conforme suas necessidades naquele momento da sua evolução.

É por essa razão que não podemos criticar as crenças que divergem da nossa, pois cada um encontrará a verdade de uma maneira e cada um encontrará a religião, a doutrina que lhe preencha a alma, que lhe complete, que lhe console.

Não podemos jamais ter a pretensão de que a nossa seja a melhor crença.

Ela é a melhor sim, para nós, para nossos anseios, para as nossas necessidades pessoais, mas nunca teremos o direito de impor, de converter alguém à força, à doutrina que abraçamos.

É muito importante lembrar da lição de Buda, que nos convida à reflexão, e à mudança de atitudes em relação à liberdade de crença.

Cada um de nós se aproximará de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação, ou da dúvida.

Você sabia?

Você sabia que Kardec, na primeira obra da codificação, questiona aos espíritos por que sinal se poderá reconhecer a religião que realmente seja a expressão da verdade?

A resposta dos espíritos foi a seguinte:

"Será aquela que fizer mais homens de bem e menos hipócritas, quer dizer, praticantes da lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua mais larga aplicação."



Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, baseado no livro Maktub,
de Paulo Coelho, 1ª edição e em "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, qst. 842.

domingo, 2 de março de 2014

Alerta aos Neófitos



Entre os espíritas, há sempre muita preocupação com as doutrinas que atacam o Espiritismo.

Para desfazer equívocos ou defender-se das críticas, os espíritas participam de reuniões ecumênicas. Isso nos surpreende, porque o Espiritismo tem propostas que conflitam com os demais credos. São leis que fazem a espinha dorsal da doutrina espírita. A reencarnação, uma delas, única justificativa para as desigualdades do mundo, se aceitarmos que Deus é todo justiça, amor e caridade, é menosprezada pelas outras seitas cristãs.

A lógica do Espiritismo atrai mais e mais adeptos, a cada dia. Encontramos hoje nas casas espíritas doutores de todas as áreas e jovens que sempre contestaram as religiões, porque são dogmáticas e agridem a racionabilidade.

Depois de um culto na igreja, ao ouvir uma palestra espírita, a pessoa de bom senso percebe logo a diferença. Enquanto os primeiros oferecem o céu com facilidade, o Espiritismo cobra do praticante um esforço titânico de melhoramento individual. Dá-lhe receitas para o sucesso da tarefa e mostra-lhe as conseqüências dessa luta íntima. É mais justo, porque representa a colheita do que é plantado e não um favorecimento com privilégios de merecimento duvidoso.
Ao chegar no Centro Espírita, o novo praticante, pela lógica, conclui que o Espiritismo detém a perfeição. Procura adaptar-se e participar das atividades da casa para poder, na prática, chegar à almejada evolução.

Nesse momento, esbarra no nosso comportamento de espíritas com anos de casa, fincados nos velhos hábitos, sem que o Espiritismo possa modificar-nos. Da teoria que conhecemos, pouco praticamos.

Allan Kardec advertiu que, por sua natureza,  o homem quer ligar seu nome às obras e que no Espiritismo nada seria diferente. E o que vemos nos nossos agrupamentos é exatamente isso. Pessoas vaidosas, desgastadas pela luta dos cargos, pelas honras, pelos títulos, pelas palmas e todo tipo de evidência, sem perceber que afrontam a doutrina e são mau exemplo. Especialmente para os recém-chegados, que têm uma visão do espírita como homem de virtude, com destaque para a humildade. Diante desse comportamento, desiludem-se.

O alerta que fazemos aos noviços, apesar de ainda sermos dos que navegam entre a teoria e a prática, é para que não se desencantem com a doutrina com base nos espíritas. O Espiritismo é divino e os espíritas, humanos. E estão entre os maiores devedores, corrigindo erros por meio de repetidas provas e expiações. Mas, apesar dos obstáculos que lhe criamos, o Espiritismo seguirá sua trajetória. Na Parte III do seu livro “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, A. Wantuil de Freitas declara: “Sejam quais forem as barreiras que os homens lhe oponham, o Espiritismo cumprirá sua missão de transformação do mundo: com os homens sem os homens ou apesar dos homens”.

Não aconselhamos a que alguém que não se sinta bem num agrupamento ali  permaneça em nome da caridade, em auto-agressão. Se vamos ao Centro preocupados com um certo alguém com quem não simpatizamos, por falha dele ou nossa, devemos tomar alguma providência. Primeiro, verificar o que é possível fazer para harmonizar-nos. Quase sempre temos sucesso. Mas se for impossível, busquemos outro grupo para colaborar porque os espíritos do bem  não trabalham em lugares onde há desarmonia.

O objetivo deste comentário é dizer que se buscamos  santos nos agrupamentos espíritas, seguramente ali não os encontraremos. Jamais confundir o Espiritismo com o espírita, deixando que as atitudes de dirigentes, oradores, aconselhadores, professores,  médiuns e pessoas em geral, interfiram nos propósitos de buscar o conhecimento doutrinário, porque à medida que avançamos no saber espírita, melhor compreenderemos a imperfeição dos companheiros de jornada e também a nossa. Somos todos espíritos inferiores em luta contra as imperfeições.

Diante do fracasso do confrade, não abandone o Espiritismo, porque o prejuízo será seu. O outro continuará ouvindo as lições e conseguirá, mais dia menos dia, o almejado progresso. Se fizer o mesmo, cuidando de melhorar-se antes de tentar consertar o mundo, receberá do Espiritismo tudo o que ele pode nos dar.

Rogue a Jesus que ampare cada um de nós, velhos ou novos de casa, para que colaboremos com esta notável revelação que é a Doutrina dos Espíritos. Tenha paciência e, com o tempo, verá que valeu a pena.

Olho 1 – A lógica do Espiritismo atrai mais e mais adeptos, a cada dia. Encontramos hoje nas casas espíritas doutores de todas as áreas e jovens que sempre contestaram as religiões, porque são dogmáticas e agridem a racionabilidade.

Olho 2 - Allan Kardec já advertiu que, por sua natureza,  o homem quer ligar seu nome às obras e que no Espiritismo nada seria diferente. E o que vemos nos nossos agrupamentos é exatamente isso. Pessoas vaidosas, desgastadas pela luta dos cargos, pelas honras, pelos títulos, pelas palmas, e todo tipo de evidência, sem perceber que afrontam a doutrina e são mau exemplo.



(Artigo originalmente publicado na Revista Internacional do Espiritismo, Março de 2003)

A prece recompõe



                      "E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos." ( Atos, 4:31.)


Na construção de simples casa de pedra, há que despender longo esforço para ajustar ambiente próprio, removendo óbices, eliminando asperezas e melhorando a paisagem.

Quando não é necessário acertar o solo rugoso, é preciso, muitas vezes, aterrar o chão, formando leito seguro, à base forte.

Instrumentos variados movimentam-se, metódicos, no trabalho renovador.

Assim também na esfera de cogitações de ordem espiritual.

Na edificação da paz doméstica, na realização dos ideais generosos, no desdobramento de serviços edificantes, urge providenciar recursos ao entendimento geral, com vistas à cooperação, à responsabilidade, ao processo de ação imprescindível. E, sem dúvida, a prece representa a indispensável alavanca renovadora, demovendo obstáculos no terreno duro da incompreensão.

A oração é divina voz do espírito no grande silêncio.

Nem sempre se caracteriza por sons articulados na conceituação verbal, mas, invariavelmente, é prodigioso poder espiritual comunicando emoções e pensamentos, imagens e ideias, desfazendo empecilhos, limpando estradas, reformando concepções e melhorando o quadro mental em que nos cabe cumprir a tarefa a que o Pai nos convoca.

Muitas vezes, nas lutas do discípulo sincero do Evangelho, a maioria dos afeiçoados não lhe entende os propósitos, os amigos desertam, os familiares cedem à sombra e à ignorância; entretanto, basta que ele se refugie no santuário da própria vida, emitindo energias benéficas do amor e da compreensão, para que se mova, na direção de mais alto, o lugar em que se demora com os seus.

A prece tecida de inquietação e angústia não pode distanciar-se dos gritos desordenados de quem prefere a aflição e se entrega à imprudência, mas a oração tecida de harmonia e confiança é força imprimindo direção à bússola da fé viva, recompondo a paisagem em que vivemos e traçando rumos novos para a vida superior.


Emmanuel & Francisco C. Xavier

Livro: Vinha de Luz

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

MEDIUNIDADE - Diretrizes de Segurança


05. De que dispõe o médium psicofônico consciente para distinguir seu pensamento do pensamento da entidade comunicante?

Divaldo - O médium consciente dispõe do bom senso. Eis porque, antes de exercitar a mediunidade deve estudá-la; antes de entregar-se ao ministério da vivência mediúnica é-lhe lícito entender o próprio mecanismo do fenômeno mediúnico. Allan Kardec, aliás, sábio por excelência, teve a inspiração ditosa de primeiro oferecer à Humanidade O Livro dos Espíritos, que é um tratado de filosofia moral. Logo depois, O Livro dos Médiuns, que é um compêndio de metodologia do exercício da faculdade mediúnica. Há de ver-se, no capítulo III, que é dedicado ao método, sobre a necessidade de o indivíduo conhecer a função que vai disciplinar. Então o médium tem conhecimento de suas próprias aptidões e de sua capacidade de exercitá-las.

Na mediunidade consciente ou lúcida o fenômeno é, a princípio, "inspirativo".

Naturalmente os espíritos se utilizam do nível cultural do médium, o mesmo ocorrendo nas demais expressões mediúnicas: na semiconsciente e na inconsciente ou sonambúlica. O médium, no começo, terá que vencer o constrangimento da dúvida, em cujo período ele não tem maior certeza se a ocorrência parte do seu inconsciente, dos arquivos da memória anterior, ou se provém da indução de natureza extrínseca. Através do exercício, ele adquirirá um conhecimento de tal maneira equilibrada que poderá identificar quando se trata de si próprio - animismo - ou de interferência espiritual - mediunismo. Através da lei dos fluidos, pelas sensações que o médium registra, durante a influência que o envolve, passa a identificar qual a entidade que dele se acerca. A partir daí, se oferece numa entrega tranquila, e o espírito que o conduz inspira-o além da sua própria capacidade, dando leveza às suas ideias às quais não está acostumado e que ocorrem somente naquele instante da concentração mediúnica. Só o tempo, porém, pelo exercício continuado, oferecerá a lucidez, a segurança para discernir quando se trata de informação dos seus próprios arquivos ou da interferência dos Bons Espíritos.


06. Pode o médium, em algumas comunicações, não conseguir evitar, totalmente as atitudes desequilibradas dos espíritos comunicantes?

Divaldo - À medida que o médium educa a força nervosa, logra o impacto do desequilíbrio do comunicante. É compreensível que, em se comunicando um suicida, não venhamos a esperar harmonia por parte da entidade em sofrimento; alguém que foi vítima de uma tragédia sendo arrebatado do corpo sem o preparo para a vida espiritual apresentará no médium o estertor do momento final, na própria comunicação, algumas convulsões em virtude do quadro emocional em que o espírito se encontra.

Há, porém, certos cacoetes e viciações que nos cumpre disciplinar. Há médiuns que só incorporam (termo incorreto), isto é, somente dão comunicação psicofônica, se bocejarem bastante. Para dar um toque de humor, quando eu comecei a frequentar a Casa Espírita, na minha terra natal, a primeira parte era um Deus-nos-acuda! Porque as pessoas bocejavam e choravam, demasiadamente. Eu, como era médium, principiante, cria que também deveria bocejar de quebrar o queixo. A "médium principal", que era uma senhora muito católica, iniciava as comunicações sempre depois de intermináveis bocejos e tosses que levavam às lágrimas. Hoje não bocejo, nem no meu estado normal. Quando eles vêm eu cerro os dentes e os evito.

É lógico que uma entidade sofredora nos impregna de energia perniciosa, advindo o desejo de exteriorizar pelo bocejo. É uma forma de eliminar toxinas. Mas nós podemos eliminá-las pela sudorese, por outros processos orgânicos, não necessariamente o bocejo. Há outros médiuns que têm a dependência de todas as vezes em que vão comunicar-se os espíritos, bater na mesa, ou bater os pés, porque se não baterem não se comunicam. Lembro de uma vez em que tivemos uma mesa redonda. O presidente da mesa era um homem muito bom, muito evangelizado, mas não havia entendido bem a Doutrina, tendo ideias doutrinárias muito pessoais. Ele me perguntou quando é que o espírito incorpora no médium. Mas logo respondeu: "A gente chupa... chupa... até engolir!  Não é verdade?" São cacoetes, destituídos de sentido e lógica.

Os médiuns têm o dever de coibir o excesso de distúrbios da entidade comunicante.

Na minha terra, vi senhoras que se jogavam no chão, e vinham os cavalheiros prestimosos ajudá-las... Graças a Deus eram todas magrinhas...

O médium deve controlar o espírito que se comunica, para que este lhe respeite a instrumentalidade, mesmo porque o espírito não entra no médium.

A comunicação é sempre através do perispírito, que vai oferecer campo ao desencarnado. Todavia, a diretriz é do encarnado.


Fonte: Divaldo P. Franco / Raul Teixeira, Diretrizes de Segurança  

 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Luz do Espiritismo


Qual a percepção dos fluidos para os Espíritos?




[...] “esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.”

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Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. 
  • Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; 
  • mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.

    • Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção;  
    • outras vezes, são produto de um pensamento inconsciente
       
    • Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.
       É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista_psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações. Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores - enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc. - que tinha então. Um decapitado se apresentará sem a cabeça. Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido. Se, pois, de uma vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento.
  
        Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos que ele esteja habituado a usar. 
  • Um avarento manuseará ouro, 
  • um militar trará suas armas e seu uniforme, 
  • um fumante o seu cachimbo, 
  • um lavrador a sua charrua e seus bois, 
  • uma mulher velha a sua roca. 
        Para o Espírito, que é, também ele, fluídico, esses objetos fluídicos são tão reais, como o eram, no estado material, para o homem vivo; mas, pela razão de serem criações do pensamento, a existência deles é tão fugitiva quanto a deste.
 
 
Fonte: Allan Kardec. A Gênese, cap. XIV, itens 3 e 14.