Eternidade
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Algum erro cometido?
Reconsidere a própria atitude e não se constranja em aceitar
as suas deficiências, de modo a corrigi-las.
A revolta envenena-lhe a alma?
A terra só é vale de lágrimas para os olhos do pessimismo.
Saudades aflitivas laceram-lhe a memória?
A mente é a nossa primeira farmácia.
Sente remorsos, à vista de antigos passos?
Homem algum na Terra pode gabar-se de santo.
André Luiz.
Psicografia de Chico Xavier.
Forma e Ubiqüidade dos Espíritos
88. Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?
“Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.”
a) — Essa chama ou centelha tem cor?
“Tem uma coloração que, para vós, vai do
colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o
Espírito é mais ou menos puro.”
Representam-se de ordinário os gênios com
uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza
essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a
sede da inteligência.
sede da inteligência.
89. Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?
“Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento.”
a) — O pensamento não é a própria alma que se transporta?
“Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.”
90. O Espírito que se transporta
de um lugar a outro tem consciência da distância que percorre e dos
espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar onde quer
ir?
“Dá-se uma e outra coisa. O Espírito pode
perfeitamente, se o quiser, inteirar-se da distância que percorre, mas
também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da
sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada.”
91. A matéria opõe obstáculo aos Espíritos?
“Nenhum; eles passam através de tudo. O ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis.”
92. Têm os Espíritos o dom da
ubiqüidade? Por outras palavras: um Espírito pode dividir-se, ou existir
em muitos pontos ao mesmo tempo?
“Não pode haver divisão de um mesmo
Espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso
é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo.
Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva
muito longe os seus raios. Contudo, não se divide.”
a) — Todos os Espíritos irradiam com igual força?
“Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um.”
Cada Espírito é uma unidade indivisível,
mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se
fracione para tal efeito. Nesse sentido unicamente é que se deve
entender o dom da ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Dá-se com eles o
que se dá com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser
percebida de todos os pontos do horizonte; ou, ainda, o que se dá com
um homem que, sem mudar de lugar e sem se fracionar, transmite ordens,
sinais e movimento a diferentes pontos.
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Fonte: Blog Meditando
Passe Virtual - Instituto André Luiz
[Este passe virtual poderá ser acessado a qualquer momento no menu de páginas, logo abaixo do título do blog.]
Diretrizes:
1. Esteja convicto de que realmente precisa tomar um passe.
2. Não use a sala somente por curiosidade
3. Visitando a sala por visitar, de maneira informal, deixará de usufruir de seus benefícios quando dela necessitar realmente.
4. Utilize a sala com gratidão e respeito, como faria num centro espírita material.
5. Aconselhamos a utilização da sala apenas uma vez por semana, salvo em caso de grande necessidade.
6. Em silêncio, evoque a proteção de Deus e de Jesus para o passe.
7. Desejando, após a evocação, rogue também o concurso de seu Anjo da Guarda ou dos Espíritos Superiores com os quais tenha maior afinidade.
8. Procure afastar de sua mente quaisquer pensamentos negativos.
9. Respire fundo, pausadamente, com calma e confiança.
10. Prepare-se para orar.
Ouvir o passe (vídeo do You Tube a seguir):
... Fotografias do Pensamento
... Fotografias do Pensamento
(…) criando imagens fluídicas, o
pensamento se reflete no envoltório perispirítico como num espelho, ou,
então, como essas imagens de objetos terrestres que se refletem nos
vapores do ar tomando aí um corpo e, de certo modo, fotografando-se.
Se um homem, por exemplo, tiver a idéia de matar alguém, embora seu
corpo material se conserve impassível, seu corpo fluídico é acionado por
essa idéia e a reproduz com todos os matizes. Ele executa fluidicamente
o gesto, o ato que o indivíduo premeditou. Seu pensamento cria a imagem
da vítima e a cena inteira se desenha, como num quadro, tal qual lhe
está na mente.
É, assim que os mais secretos movimentos
da alma repercutem no invólucro fluídico. É assim que uma alma pode ler
noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos
corporais. Estes vêem as impressões interiores que se refletem nos
traços fisionômicos: a cólera, a alegria, a tristeza; a alma, porém, vê
nos traços da alma os pensamentos que não se exteriorizam.
Entretanto, se, vendo a intenção, pode a
alma pressentir a execução do ato que lhe será a conseqüência, não pode,
contudo, determinar o momento em que ele será executado, nem lhe
precisar os pormenores, nem mesmo afirmar que ele se realize, porque
ulteriores circunstâncias podem modificar os planos concebidos e mudar
as disposições. Ela não pode ver o que ainda não está no pensamento; o
que vê é a preocupação ocasional ou habitual do indivíduo, seus desejos,
seus projetos, suas intenções boas ou más. Daí os erros nas previsões
de alguns videntes.
Quando um acontecimento está subordinado
ao livre-arbítrio de um homem, eles apenas podem pressentir-lhe a
probabilidade, de acordo com o pensamento que vêem; mas, não podem
afirmar que se dará de tal forma, ou em tal momento. A maior ou menor
exatidão nas previsões depende, além disso, da extensão e da clareza da
vista psíquica. Nalguns indivíduos, desencarnados ou encarnados,
limita-se a um ponto ou é difusa, ao passo que noutros é nítida e
abrange todo o conjunto dos pensamentos e das vontades que hajam de
concorrer para a realização de um fato. Mas, acima de tudo, há sempre a
vontade superior que pode, em sua sabedoria, permitir uma revelação ou
impedi-la. Neste último caso, um véu impenetrável é lançado sobre a mais
perspicaz vista psíquica.
A teoria das criações fluídicas e, por
conseguinte, da fotografia do pensamento, é uma conquista do moderno
Espiritismo e pode, doravante, considerar-se como firmada em princípio,
ressalvadas as aplicações de minúcias, que hão de resultar da
observação. Este fenômeno é incontestavelmente a origem das visões
fantásticas e desempenha grande papel em certos sonhos.
Extraído de “Obras Póstumas”, de Allan Kardec.
Editora FEB – Federação Espírita Brasileira.
EM CASA
O templo doméstico é uma bênção do Céu na Terra, porque dentro dele é possível realizar o verdadeiro trabalho da santificação.
Aí temos o valioso passadiço da alma, em trânsito para as Esferas Superiores.
Nesse divino corredor para a Vida
Celestial, a criatura encontra todos os processos de regeneração, de
modo a aperfeiçoar-se devidamente.
É na consangüinidade, quase sempre, que o
homem recebe as mais puras afeições, mas é igualmente nela que
reencontra as suas aversões mais profundas.
Nossa alma é arrojada à organização familiar, no mundo, assim como o metal inferior é precipitado ao cadinho fervente.
Precisamos suportar a tensão elevada do clima em que estagiamos, a fim de apurar nossas qualidades mais nobres.
Não vale fugir ou rebelar-se.
Retroceder seria retornar às sombras do
passado e indisciplinar-se equivaleria relegar ao amanhã abençoadas
realizações que o Senhor espera de nossa boa vontade ainda hoje.
Saibamos, assim, usar a prece e a
serenidade, a compreensão e a tolerância, se desejamos reduzir o tempo
do nosso curso educativo na recuperação espiritual.
Com alguns, aprendemos a servir valorosamente a muitos.
Redimindo-nos perante o adversário de ontem, nosso coração vitorioso circulará no grande entendimento da Humanidade.
Se encontraste, em casa, o campo de
batalha, em que te sentes compelido a graves indenizações do pretérito,
não te detenhas na hesitação ou na dúvida.
Suporta os conflitos indispensáveis à
própria redenção, com o valor moral do soldado que carrega o fardo da
própria responsabilidade, enquanto se desenvolve a guerra a que foi
trazido.
Não te esqueças de que o lar é o espelho,
onde o mundo contempla o teu perfil e, por isso mesmo, intrépidos e
tranquilos nos compromissos esposados, saibamos enobrecê-lo e
santificá-lo.
Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
Chico Xavier na Intimidade
Não precisa de médico mas de prece
Livro: Chico Xavier na intimidade
Ramiro Gama
Ramiro Gama
Quando o caso Humberto de Campos vivia sua fase aguda, Chico era experimentado por todos os meios. Inimigos ocultos, que nos adversam a crença, procuravam apanhá-lo numa infração, num deslize, numa mistificação, em algo que ferisse a lei de César e pudesse servir de motivo para sua prisão e desabono de sua famosa mediunidade.
Numa tarde, descansando das lutas diárias, lia a um canto do seu humilde quarto, quando alguém lhe bate à porta e pede:
- Seu Chico, tenho um parente que esta muito doente e venho pedir-lhe, por caridade, uma receita...
Chico atendeu. Era um senhor idoso, desconhecido em Pedro Leopoldo. Toma-lhe o papel com o nome, a idade e a residencia do enfermo e diz:
- Espere um instante, vou ver o que posso fazer.
Ao sentar-se, concentra-se e o espírito de Emamnuel vem e lhe diz:
- Cuidado, Chico, com os pedidos de receitas e as aparencias dos que lhe batem à porta...Escreva:
"Este doente não precisa mais de remédio, mas de prece, pois já é um desencarnado..."
O médium arregala os olhos e agradece ao seu guia. Compreende tudo e promete a si mesmo ter mais cautela...E entrega a RECEITA ao portador, que a recebe pressuroso, se surpreende com o que lê e sai correndo...
Adiante, numa esquina, outros amigos o esperavam ansiosos.
Lêem o remédio receitado pelos espíritos e saem às pressas, verificando que o espiritismo não é uma mentira como supunham, mas uma verdade triunfante em marcha para seus destinos consoladores traçados por Jesus.
E compreenderam mais: que os Mortos estão de Pé e mais VIVOS do que nunca!
domingo, 2 de dezembro de 2012
Implicações da Mediunidade
A mediunidade não é boa nem má; é neutra. O uso que fizermos dela, sim, é que poderá conduzir-nos às esferas psíquicas mais elevadas, se esse uso for mesmo dedicado ao próximo, indistintamente, como nos ensina O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.
A mediunidade poderá jogar-nos no abismo, complicando a nossa caminhada evolutiva, se não obedecermos aos ensinamentos evangélicos. Por isso, é muito grande a responsabilidade dos que a praticam.
O médium precisa ter boa conduta, ser dotado de qualidades morais exemplares,, possuir humildade e estar sempre em contato com todas as obras da Codificação Kardequiana. O medianeiro que não estuda a Doutrina Espírita fica sujeito à estagnação, retardando seu progresso. Além disso, precisa evitar os perigos do exercício da mediunidade, tais como: vaidade, ambição, falta de perseverança no bem, maledicência e julgar-se indispensável.
Deve também extinguir preocupações, impressões negativas que se relacionam com a mediunidade, assim como "combater as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos", conforme ensina André Luiz em Conduta Espírita (Ed.. FEB, cap. 4).
Que estes ensinamentos ora recordados possam servir para nós, porque, como lutadores nas tarefas mediúnicas, sentimos grandes dificuldades em pôr tudo isso em prática.
Compreendemos que a mediunidde não constitui um privilégio mas sim, uma grande responsabilidade.
por Militão Ferreira dos Santos
Fonte: O Reformador nº 2.084, de novembro/2002
O Problema da Cremação
Observando o Plano Espiritual a celeuma de muitas cidades, em torno da incineração dos cadáveres, a ser estabelecida por lei, reparamos que o assunto não é realmente para rir.
De um lado, temos os legisladores preocupados com a terra dos cemitérios e, de outro, determinadas autoridades eclesiásticas lançando a censura sobre os responsáveis pelo movimento inovador. Entre os atores da peça, vemos os defuntos de amanhã, sorridentes e bem-humorados, apreciando a pugna entre a religião e a edilidade.
Aqueles, como nós, que já atravessaram a garganta da sombra, seguem a novidade com a apreensão das pessoas mais velhas, à frente dum parque de crianças.
O problema da cremação do corpo, realmente, deveria merecer mais demorado estudo nos gabinetes legislativos.
Há muito caminho por andar, antes que o homem comum se beneficie com a verdadeira morte.
A cessação dos movimentos do corpo nem sempre é o fim do expressivo transe.
O túmulo é uma passagem especial, a cujas portas muitos dormem, por tempo indeterminado, criando forças para atravessá-las com o precioso valor.
Morrer não é libertar-se facilmente.
Para quem varou a existência na Terra, entre abstinências e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos "comes e bebes" de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões de conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxílio e boa vontade.
Por trás da máscara mortuária, muitas vezes, esconde-se a alma inquieta e dolorida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de angústia.
Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata do comboio fisiológico será pesadelo terrível e doloroso.
Eis, por que, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos.
Se a Lei Divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido à cinza com a carne ainda quente?
Sabemos que há cadáveres, dos quais, enquanto na Terra, estimaríamos a urgente separação, entretanto, que mal poderá trazer aos vivos o defunto inofensivo, sem qualquer personalidade nos cartórios?
Não seria justo conferir pelo menos três dias de preparação e refazimento ao peregrino das sombras para a desistência voluntária dos enigmas que o afligem na retaguarda?
Acreditamos que ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar apressadamente costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual.
Meditando na pungente situação dos recém-desencarnados, observo quão longe vai o tempo em que os mortos eram embalados com a doce frase latina: "Requiescat in pace."
Não basta agora o enterro pacífico! É imprescindível a apressada desintegração dos despojos! E se a lei não for suavizada, com as setenta e duas horas de repouso e compaixão para os desencarnados, na laje fria de algum necrotério acolhedor, resta aos mortos a esperança de que os saltitantes conselheiros da cremação de hoje sejam amanhã, igualmente, torrados.
Irmão X & Chico Xavier
Do livro Escultores de Almas
PRIMEIRAS PREGAÇÕES
Primeiras pregações
Livro: Boa Nova - Cap. 3
Humberto de Campos & Francisco Cândido Xavier
Nos primeiros dias do ano 30, antes de suas gloriosas manifestações, avistou-se Jesus com o Batista, no deserto triste da Judéia, não muito longe das areias ardentes da Arábia. Ambos estiveram juntos, por alguns dias, em plena Natureza, no campo ríspido do jejum e da penitência do grande precursor, até que o Mestre Divino, despedindo-se do companheiro, demandou o oásis de Jericó, uma bênção de verdura e águas entre as inclemências da estrada agreste. De Jericó dirigiu-se então a Jerusalém, onde repousou, ao cair da noite.Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi notado por um grupo de sacerdotes e pensadores oCiOSOS, que se sentiram atraidos pelos seus traços de formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido e profundo. Alguns deles se afastaram, sem maior interesse, mas Hanã, que seria, mais tarde, o juiz inclemente de sua causa, aproximou-se do desconhecido e dirigiu-se-lhe com orgulho:- Galileu, que fazes na cidade?- Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! exclamou o Cristo, com modesta nobreza.- Reino de Deus? tornou o sacerdote com acentuada ironia. E que pensas tu venha a ser isso?- Esse Reino é a obra divina no coração dos homens! esclareceu Jesus, com grande serenidade.- Obra divina em tuas mãos? revidou Hanã, com uma gargalhada de desprezo.E, continuando as suas observações irônicas, perguntou:- Com que contas para levar avante essa difícil empresa? Quais são os teus seguidores e companheiros?... Acaso terás conquistado o apoio de algum príncipe desconhecido e ilustre, para auxiliar-te na execução de teus planos?- Meus companheiros hão de chegar de todos os lugares respondeu o Mestre com humildade.= Sim observou Hanã —, os ignorantes e os tolos estão em toda parte na Terra. Certamente que esse representará o material de tua edificação. Entretanto, propões-te realizar uma obra divina e já viste alguma estátua perfeita modelada em fragmentos de lama?- Sacerdote - replicou-lhe Jesus, com energia serena —, nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e nenhum cinzel é superior ao da boa-vontade.Impressionado com a resposta firme e inteligente, o famoso juiz ainda interrogou: - Conheces Roma ou Atenas?- Conheço o amor e a verdade disse Jesus convictamente.- Tens ciência dos códigos da Corte Provincial e das leis do Templo? inquiriu Hanã, inquieto.- Sei qual é a vontade de meu Pai que está nos céus respondeu o Mestre, brandamente.O sacerdote o contemplou irritado e, dirigindo-lhe um sorriso de profundo desprezo, demandou a Torre Antônia, em atitude de orgulhosa superioridade.No dia seguinte, pela manhã, o mesmo formoso peregrino foi ainda visto a contemplar as maravilhas do santuário, antes alguns minutos de internar-se pelas estradas banhadas de sol, a caminho de sua Galiléia distante.* * *Daí a algum tempo, depois de haver passado por Nazaré, descansando igualmente em Caná, Jesus se encontrava nas circunvizinhanças da cidadezinha de Cafarnaum, cómo se procurasse, com viva atenção, algum amigo que estivesse à sua espera.Em breves instantes, ganhou as margens do Tiberíades e se dirigiu, resolutamente, a um grupo alegre de pescadores, como se, de antemão, os conhecesse a todos.A manhã era bela, no seu manto diáfano de radiosas neblinas. As águas transparentes vinham beijar os eloendros da praia, como se brincassem ao sopro das virações perfumadas da Natureza. Os pescadores entoavam uma cantiga rude e, dispondo inteligentemente as barcaças móveis, deitavam as redes, em meio de profunda alegria.Jesus aproximou-se do grupo e, assim que dois deles desembarcaram em terra, falou-lhes com amizade: - Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a trabalhar pela instituição de seu reino na Terra!André lembrou-se de já o ter visto, nas cercanias de Betsaida, e do que lhe haviam dito a seu respeito, enquanto que Simão, embora agradavelmente surpreendido, o contemplava, enleado. Mas, quase a um só tempo, dando expansão aos seus temperamentos acolhedores e sinceros, exclamaram respeitosamente:- Sede bem-vindo!...Jesus então lhes falou docemente do Evangelho, com o olhar incendido de júbilos divinos.Estando muitos outros companheiros do lago a observar de longe os três, André, manifestando a sua tocante ingenuidade, exclamou comovido:- Um rei? Mas em Cafarnaum existem tão poucas casas!..Ao que Pedro obtemperou, como se a boa-vontade devesse suprir todas as deficiências:- O lago é muito grande e há várias aldeias circundando estas águas, O reino poderá abrangê-las todas! Isso dizendo, fixou em Jesus o olhar perquiridor, como se fora uma grande criança meiga e sincera, desejosa de demonstrar compreensão e bondade, O Senhor esboçou um sorriso sereno e, como se adiasse com prazer as suas explicações para mais tarde, inquiriu generosamente:- Quereis ser meus discípulos? André e Simão se interrogaram a si mesmos, permutando sentimentos de admiração embevecida. Refletia Pedro: que homem seria aquele? onde já lhe escutara o timbre carinhoso da voz íntima e familiar? Ambos os pescadores se esforçavam por dilatar o domínio de suas lembranças, de modo a encontrá-lo nas recordações mais queridas, Não sabiam, porém, como explicar aquela fonte de confiança e de amor que lhes brotava no âmago do espírito e, sem hesitarem, sem uma sombra de dúvida, responderam simultaneamente:- Senhor, seguiremos os teus passos.Jesus os abraçou com imensa ternura e, como os demais companheiros se mostrassem admirados e trocassem entre si ditérios ridicularizadores, o Mestre, acompanhado de ambos e de grande grupo de curiosos, se encaminhou para o centro de Cafarnaum, onde se erguia a Intendência de Ântipas. Entrou calmamente na coletoria e, avistando um funcionário culto, conhecido publicano da cidade, perguntou-lhe:- Que fazes tu, Levi? O interpelado fixou-o com surpresa; mas, seduzido pelo suave magnetismo de seu olhar, respondeu sem demora:- Recolho os impostos do povo, devidos a Herodes.- Queres vir comigo para recolher os bens do céu? perguntou-lhe Jesus, com firmeza e doçura.Levi, que seria mais tarde o apóstolo Mateus, sem que pudesse definir as santas emoções que lhe dominaram a alma, atendeu, comovido:- Senhor, estou pronto!..- Então, vamos disse Jesus, abraçando-o.Em seguida, o numeroso grupo se dirigiu para a casa de Simão Pedro, que oferecera ao Messias acolhida sincera em sua residência humilde, onde o Cristo fez a primeira exposição de sua consoladora doutrina, esclarecendo que a adesão desejada era a do coração sincero e puro, para sempre, às claridades do seu reino. Iniciou-se naquele instante a eterna união dos inseparáveis companheiros.* * *Na tarde desse mesmo dia, o Mestre fez a primeira pregação da Boa Nova na praça ampla, cercada de verdura e situada naturalmente junto às águas.No céu, vibravam harmonias vespertinas, como se a tarde possuísse também uma alma sensível. As árvores vizinhas acenavam os ramos verdes ao vento do crepúsculo, como mãos da Natureza que convidassem os homens à celebração daquele primeiro ágape. As aves ariscas pousavam de leve nas alcaparreiras mais próximas, como se também desejassem senti-lo, e na praia extensa se acotovelava a grande multidão de pescadores rústicos, de mulheres aflitas por continuadas flagelações, de crianças sujas e abandonadas, misturados publicanos pecadores com homens analfabetos e simples, que haviam acorrido, ansiosos por ouvi-lo.Jesus contemplou a multidão e enviou-lhe um sorriso de satisfação.Contrariamente às ironias de Hanã, ele aproveitaria o sentimento como mármore precioso e a boa-vontade como cinzel divino. Os ignorantes do mundo, os fracos, os sofredores, os desalentados, os doentes e os pecadores seriam em suas mãos o material de base para a sua construção eterna e sublime. Converteria toda miséria e toda dor num cântico de alegria e, tomado pelas inspirações sagradas de Deus, começou a falar da maravilhosa beleza do seu reino. Magnetizado pelo seu amor, o povo o escutava num grande transporte de ventura. No céu havia uma vibração de claridade desconhecida.Ao longe, no firmamento de Cafarnaum, o horizonte se tornara um deslumbramento de luz e, bem no alto, na cúpula dourada e silenciosa, as nuvens delicadas e alvas tomavam a forma suave das flores e dos arcanjos do Paraíso.
sábado, 1 de dezembro de 2012
APEGO
"Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto".
Eis a excelência da mensagem: tudo em nossa vida terrena é transitório, vai passar; vai mudar e ir além...
Os "grãos de trigo" vão tomar uma nova feição: se transformarão num imenso trigal e, mais adiante, se converterão na prodigalidade do alimento generoso.
Apego é a não-aceitação da impermanência das coisas. Na Terra nada se perpetua, somente a alma é imortal.
Eis a excelência da mensagem: tudo em nossa vida terrena é transitório, vai passar; vai mudar e ir além...
Os "grãos de trigo" vão tomar uma nova feição: se transformarão num imenso trigal e, mais adiante, se converterão na prodigalidade do alimento generoso.
Apego é a não-aceitação da impermanência das coisas. Na Terra nada se perpetua, somente a alma é imortal.
(Hammed, em "Os prazeres da alma")
Fé, Esperança, Consolações
A fé é a confiança da criatura em seus destinos, é o sentimento que
a eleva à infinita Potestade, é a certeza de estar no caminho que
vai ter à verdade. A fé cega é como farol cujo vermelho clarão não
pode traspassar o nevoeiro; a fé esclarecida é foco elétrico que
ilumina com brilhante luz a estrada a percorrer.
Ninguém adquire essa fé sem ter passado pelas tribulações da dúvida, sem ter padecido as angústias que embaraçam o caminho dos investigadores. Muitos param em esmorecida indecisão e flutuam longo tempo entre opostas correntezas. Feliz quem crê, sabe, vê e caminha firme. A fé então é profunda, inabalável, e habilita-o a superar os maiores obstáculos. Foi neste sentido que se disse que a fé transporta montanhas, pois, como tais, podem ser consideradas as dificuldades que os inovadores encontram no seu caminho, ou seja, as paixões, a ignorância, os preconceitos e o interesse material.
Geralmente se considera a fé como mera crença em certos dogmas religiosos, aceitos sem exame. Mas a verdadeira fé está na convicção que nos anima e nos arrebata para os ideais elevados. Há a fé em si próprio, em uma obra material qualquer, a fé política, a fé na pátria. Para o artista, para o pensador, a fé é o sentimento do ideal, é a visão do sublime fanal aceso pela mão divina nos alcantis eternos, a fim de guiar a Humanidade ao Bem e à Verdade.
É cega a fé religiosa que anula a razão e se submete ao juízo dos outros, que aceita um corpo de doutrina verdadeiro ou falso, e dele se torna totalmente cativa. Na sua Impaciência e nos seus excessos, a fé cega recorre facilmente à perfídia, à subjugação, conduzindo ao fanatismo. Ainda sob este aspecto, é a fé um poderoso incentivo, pois tem ensinado os homens a se humilharem e a sofrerem. Pervertida pelo espírito de domínio, tem sido a causa de muitos crimes, mas, em suas conseqüências funestas, também deixa transparecer suas grandes vantagens.
Ora, se a fé cega pôde produzir tais efeitos, que não realizará a fé esclarecida pela razão, a fé que julga, discerne e compreende? Certos teólogos exortam-nos a desprezar a razão, a renegá-la, a rebatê-la. Deveremos por isso repudiá-la, mesmo quando ela nos mostra o bem e o belo? Esses teólogos alegam os erros em que a razão caiu e parecem, lamentavelmente, esquecer que foi a razão que descobriu esses erros e ajudou-nos a corrigi-los.
A razão é uma faculdade superior, destinada a esclarecer-nos sobre todas as coisas. Como todas as outras faculdades, desenvolve-se e engrandece pelo exercício. A razão humana é um reflexo da Razão eterna. É Deus em nós, disse São Paulo. Desconhecer-lhe o valor e a utilidade é menosprezar a natureza humana, é ultrajar a própria Divindade. Querer substituir a razão pela fé é ignorar que ambas são solidárias e inseparáveis, que se consolidam e vivificam uma à outra. A união de ambas abre ao pensamento um campo mais vasto: harmoniza as nossas faculdades e traz-nos a paz interna.
A fé é mãe dos nobres sentimentos e dos grandes feitos. O homem profundamente firme e convicto é Imperturbável diante do perigo, do mesmo modo que nas tribulações. Superior às lisonjas, às seduções, às ameaças, ao bramir das paixões, ele ouve uma voz ressoar nas profundezas da sua consciência, instigando-o à luta, encorajando-o nos momentos perigosos.
Para produzir tais resultados, necessita a fé repousar na base sólida que lhe oferecem o livre exame e a liberdade de pensamento. Em vez de dogmas e mistérios, cumpre-lhe reconhecer tão-somente princípios decorrentes da observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé espírita.
A filosofia dos Espíritos vem oferecer-nos uma fé racional e, por isso mesmo, robusta, O conhecimento do mundo invisível, a confiança numa lei superior de justiça e progresso imprime a essa fé um duplo caráter de calma e segurança.
Efetivamente, que poderemos temer, quando sabemos que a alma é imortal e quando, após os cuidados e consumições da vida, além da noite sombria em que tudo parece afundar-se, vemos despontar a suave claridade dos dias infindáveis?
Essencializados da idéia de que esta vida não é mais que um instante no conjunto da existência integral, suportaremos, com paciência, os males inevitáveis que ela engendra. A perspectiva dos tempos que se nos abrem dar-nos-á o poder de dominar as mesquinharias presentes e de nos colocarmos acima dos vaivéns da fortuna. Assim, sentir-nos-emos mais livres e mais bem armados para a luta.
O espírita conhece e compreende a causa de seus males; sabe que todo sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar; sabe que a morte nada aniquila, que os nossos sentimentos perduram na vida de além-túmulo e que todos os que se amaram na Terra tornam a encontrar-se, libertos de todas as misérias, longe desta lutuosa morada; conhece que só há separação para os maus. Dessas crenças resultam-lhe consolações que os indiferentes e os cépticos ignoram. Se, de uma extremidade a outra do mundo, todas as almas comungassem nessa fé poderosa, assistiríamos à maior transformação moral que a História jamais registrou.
Mas essa fé, poucos ainda a possuem, O Espírito de Verdade tem falado à Terra, mas insignificante número o tem ouvido atentamente. Entre os filhos dos homens, não são os poderosos os que o escutam, e, sim, os humildes, os pequenos, os deserdados, todos os que têm sede de esperança. Os grandes e os afortunados têm rejeitado os seus ensinos, como há dezenove séculos repeliram o próprio Cristo. Os membros do clero e as associações sábias coligaram-se contra esse “desmancha-prazeres”, que vinha comprometer os interesses, o repouso e derruir-lhes as afirmações. Poucos homens têm a coragem de se desdizerem e de confessarem que se enganaram. O orgulho escraviza-os totalmente! Preferem combater toda a vida esta verdade ameaçadora que vai arrasar suas obras efêmeras. Outros, muito secretamente, reconhecem a beleza, a magnitude desta doutrina, mas se atemorizam ante suas exigências morais. Agarrados aos prazeres, almejando viver a seu gosto, Indiferentes à existência futura, afastam de seus pensamentos tudo quanto poderia induzi-los a repudiar hábitos que, embora reconheçam como perniciosos, não deixam de ser afagados. Que amargas decepções irão colher por causa dessas loucas evasivas!
A nossa sociedade, absorvida completamente pelas especulações, pouco se preocupa com o ensino moral. Inúmeras opiniões contraditórias chocam-se; no meio desse confuso turbilhão da vida, o homem poucas vezes se detém para refletir.
Mas todo ânimo sincero, que procura a fé e a verdade, há de encontrá-la na revelação nova. Um influxo celeste estender-se-á sobre ele a fim de guiá-lo para esse sol nascente, que um dia Iluminará a Humanidade Inteira.
(Leon Denis, Depois da Morte, Quinta
Parte, cap. 44.)
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