Eternidade
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
sábado, 24 de agosto de 2019
Depressão, um outro olhar...
É,... esse tema não é fácil de
falar e muito menos de escrever.
Mas tenho uma ânsia por conversar
sobre isso. E vou ousar fazê-lo.
O que seria mesma a depressão?
Por que há momentos em que nós “caímos”
numa tristeza profunda e (que parece) sem fim...?
Primeiramente, prefiro ver as doenças pelo prisma da medicina oriental: quando ela aparece no corpo, algo na
alma que não está bem.
Tenho uma ligeira intuição de que a depressão é uma necessidade Yin (princípio feminino) do
corpo em dizer não ao ativismo exacerbado do sistema Yang (princípio masculino)
em que vivemos.
O que poderia ser a depressão
senão abnegação ao retorno à nossa “caverna”, ao nosso “poço profundo”, às
nossas “águas escuras e lamacentas”.
Num
sistema que obriga a você ser
sempre ativa, feliz, sorridente, sexy, empreendedora, consumista e ao
mesmo
tempo econômica e equilibrada nas suas finanças, que exige um corpo
Yang: magra, mas com seios enormes e quadril largo, não me surpreende
que a depressão é a doença vilã do nosso
século.
E drogas lícitas são produzidas
em massa para negar exatamente o que é necessário a todo ser humano: o mergulho
até sua alma.
E se eu disser que esse mergulho
não dói, estarei mentindo.
Ele só não dói, como rasga,
dilacera, sangra, cria feridas; mas quando retornamos, voltamos conscientes de
nós mesmas, fortes, indissolúveis, completas.
E é disso que temos medo, da
nossa sombra, pois estamos habituadas a negar o escuro. Porque isso resulta em
solidão, e o mundo Yang renega qualquer tentativa de você ficar sozinha; renega
a introspecção, a retirada, a calmaria, a contemplação.
A boa notícia e que quanto mais
você desce, mais imerge, mais forte fica e menos tem que mergulhar tão fundo.
O ser humano é fixado em luz e
iluminação. Sim, devemos sempre nos direcionar para a luz, mas não podemos
negar a nossa sombra. Ao fazermos isso, estamos negando a nós mesmos.
Recentemente tive que entrar na “caverna”
(e há tempo que não fazia isso...). Mergulhei no lago escuro da minha alma e
realmente não gostei nada do que vi. E o pior, você precisa gostar e aceitar para
então poder saber lidar.
Fiquei dias chorando, perdida,
odiando (algo que nem sabia que podia sentir), com pena de mim mesma e não
querendo aceitar a minha escuridão.
Tive ajuda?
Sim. Não faça isso sozinha a não
ser que já esteja por demais habituada.
Mas não foi nenhum psiquiatra ou psicólogo
que me orientou (deixo claro que tenho o maior respeito por esses profissionais),
mas sim uma Mulher mais velha, uma Anciã.
Uma mistura de portuguesa,
espanhola e descendente de índios, conhecedora e guardiã de antigas tradições.
Não, não, ela não é uma xamã, curandeira ou qualquer termos utilizados para
descrever uma mulher sábia. Até muito pelo contrário.
Ela simplesmente é uma mulher que
consegue trafegar entre os dois mundos.. Uma Mentora que resolveu me ajudar.
Um encontro nas Montanhas do Sul
do Brasil (SC) que mais tarde iria mudar a visão de como eu via minha vida.
E quando nos permitirmos sermos
ajudadas, mais possibilidades, pessoas e novos caminhos emergem nos guiando
para nossa cura, nosso autoconhecimento.
Simples assim?
Sim, simples assim.
Isso não tem nada a ver com
religião, fé ou filosofia. Tem a ver com você acreditar e amar você mesma.
Acreditar que você é um ser que possui toda a sabedoria do universo dentro de
você. Saber que você faz parte de
Tudo e que este Tudo está interconectado. E que há sombra e luz, e que você deve
amá-las e aceitá-las por igual.
Feito isso, você começa a
compreender melhor o outro, e quando isso acontece sua capacidade de amar
cresce. E se começa a perceber que não existe nada e nem ninguém perfeito.
Quer um exemplo bem louco?
Numa primavera atrás, eu estava
no meu jardim e uma mosca pousou em mim. Nossa que nojo!!! Matei sem dó nem
piedade. Argh...
No mesmo dia, uma linda e pequena
borboleta azulada quase pousou em mim. Ai que emoção, que linda. Mas ela
preferiu seguir para outro lugar. E eu a segui como uma fada no bosque,.... e
fiquei estupefata quando eu vi a “preciosa” borboleta pousar em cima do “cocô”
do meu cachorro e se deleitar com tal feito.
Sim, as borboletas tem sua
sombra.... (risos).
Hoje em dia eu continuo a gostar
de borboletas, mas passei a não odiar tanto as moscas.
Então quando vir aquela tristeza
infinda, aquele momento de se recolher e novamente entrar na caverna, encare
isso de outra forma, com respeito, aceitação e amor. Pois é um momento todo
seu, de mais ninguém. E diga: “e lá vou eu, visitar minhas profundezas, minhas
tristezas, minha dor, minha sombra”.
Não estou dizendo para ninguém
largar seu remédio de tarja preta neste momento. Mas que se comece a refletir
sobre isso que escrevi. E que comece a procurar um caminho que você consiga
chegar até sua alma, e em tudo que ela representa e traz.
E a “depressão” vai sumir?
Não, ela não vai nunca sumir.
Você só vai aprender a lidar com ela.
Existem terapias e vivências nas quais você tem um despertar da alma; Reiki, Constelação Familiar, Mandala de Tara, Círculos
de Mulheres, Danças femininas.
Experimente-as!
Aos poucos, em dose lenta, em
ritmo Yin, ela irá se afastar, adormecer, dando
lugar a consciência da sua alma.
Aí você pode me dizer neste
momento: “Isso não é fácil!!!”
Parafraseando uma grande Guia
Espiritual, Prema Dasara, eu respondo: “E quem disse que seria fácil?”
Apenas tente!
Dê essa chance a você!
Fonte: Postado por Bianca Furtado, blog oficial da Autora dos livros "Brumas da Ilha" e "Filhas da Lua"
domingo, 11 de agosto de 2019
Reencarnação
Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um
corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse
processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos,
auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.
O reencarne obedece a um princípio de identidade de freqüências, ou
seja, o espírito reencarna em um determinado continente, em um
determinado país, em uma determinada região desse país, em uma
determinada localidade dessa região, com determinadas características
culturais (idioma, usos, costumes, valores, tradições, história etc.),
bem como em uma determinada família, de acordo com a sintonia que a
freqüência do seu pensamento consiga estabelecer em relação a cada um
desses elementos.
O espírito realiza a reencarnação conscientemente, inclusive traçando
o seu próprio plano geral para a existência material que está se
iniciando. O espírito reencarnante, de acordo com suas limitações, será
mais ou menos auxiliado por espíritos com mais conhecimento e com os
quais tenha afinidade. No entanto, se não estiver suficientemente
equilibrado ou consciente, será orientado no planejamento de sua
passagem pelo polissistema material.
Todavia, reencarnado o espírito, inicia-se o processo de existência
corporal no polissistema material. É um processo aberto, pois a
trajetória pessoal do encarnado segue o exercício do seu livre-arbítrio.
Portanto, não há que se falar em destino, em caminhos previamente
traçados.
O espírito encarnado, fundamentando-se em seu existente (a bagagem de
conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de toda a sua
história, seja encarnado, seja desencarnado), passa a exercitar sua
capacidade, a constatar e desenvolver suas potencialidades, enfim, passa
a construir seu momento presente e seu momento futuro. Vai enfrentando
contradições, dificuldades, obstáculos, facilidades, administrando
encontros e desencontros, permanecendo no seu plano geral ou se
desviando em função de algumas variáveis do processo, mas sempre de
acordo com sua vontade.
No exercício do livre-arbítrio, o espírito encarnado vai construindo
seu equilíbrio ou seu desequilíbrio, de acordo com a maneira pela qual
enfrenta as situações e a vida. Vai, por assim dizer, determinando-se,
segundo a natureza de seus pensamentos e atos. Por menos que faça, ou
por mais que se desequilibre, o espírito sempre alcança progressos em um
ou outro aspecto do seu ser.
A evolução não está necessariamente vinculada ao tempo de vida
material, mas à intensidade com que ela é vivida. A quantidade de
experiências e o aproveitamento que é feito delas é fundamental para o
crescimento do espírito, não importando se as experiências estão sendo
vivenciadas no polissistema material ou espiritual.
É de se ressaltar que, entre uma encarnação e outra, o espírito
continua trabalhando, continua aprendendo, continua evoluindo, de modo
que ele não reencarna no mesmo estágio em que desencarnou.
A Doutrina Espírita trabalha, atualmente, com a hipótese de que o
processo reencarnatório envolve os conceitos de missão, provação,
expiação e carma.
Vale ressaltar que no entendimento atual da Doutrina, os processos
reeencarnatórios apresentam facetas desses quatro conceitos, mas que
algumas reencarnações podem apresentar o predomínio de algumas dessas
características. Eles não são conseqüência de uma interferência ou
controle externo ao espírito reencarnante, descartando-se portanto
qualquer idéia de castigo, punição ou recompensa. Eles são decorrentes
da lei de causa e efeito e das condições de equilíbrio e harmonia do
espírito.
Missão é a situação na qual o espírito reencarnante aplica
conhecimentos internalizados a favor de uma pessoa ou do grupo de sua
convivência.
Provação é a situação na qual o conhecimento em processo de
acomodação e internalização deve ser vivenciado; é a situação na qual o
espírito é desafiado ao limite de seu conhecimento.
Expiação não se refere à aplicação de conhecimento, mas, sim, a uma
conseqüência de um conhecimento aplicado, que provocou conseqüências
difíceis, desagradáveis, muitas vezes dolorosas, que o seu responsável
deverá enfrentar.
Carma ainda é um conceito útil dentro da concepção da Doutrina, desde
que se esteja atento para o seu significado, diverso do de outras
Doutrinas. Para o Espiritismo, carma caracteriza a situação na qual o
espírito está enfrentando as conseqüências de atos seus que lhe
provocaram um desequilíbrio muito intenso, tanto em qualidade como em
quantidade, e que, pela sua intensidade, o espírito poderá levar toda
uma encarnação, ou mais de uma, para recuperar seu equilíbrio.
A pessoa em desequilíbrio estará sempre em recuperação tanto pela sua
reação própria como pela ajuda de outras pessoas ( curar, aliviar,
consolar; conhecimento técnico, moral e afetivo). O que varia é apenas o
tempo necessário para que o equilíbrio seja novamente retomado. É
importante frisar que as dificuldades que o espírito encarnado encontra
em seu cotidiano muitas vezes não são explicadas pela reencarnação.
Reencarnação não explica tudo. Há muitas situações de desequilíbrio
causadas em sua encarnação atual.
Em resumo, rencarnação não serve para explicar tragédias e desgraças;
não serve para esconder a ignorância, não serve como desculpa ao
imobilismo; não serve como consolo para aquelas situações que deveriam
ser modificadas e não o são; não serve para destacar o passado e
paralisar o presente. Reencarnação é oportunidade de aprendizado, é
oportunidade de se aplicar o que se sabe e superar as limitações através
de vivências sucessivas no polissistema material. Reencarnação é
afirmação da unidade e da continuidade da vida.
Fonte: SBEE - Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas
Copyright: Todos os direitos reservados. A SBEE autoriza a reprodução
dos textos para fins não comerciais desde que seja mencionada a fonte"
sábado, 3 de agosto de 2019
domingo, 16 de junho de 2019
O auxílio do Alto
O AUXÍLIO DO ALTO
O Ser Humano evoca o auxílio da Espiritualidade Superior em seus
momentos de dificuldade. Cada qual a seu modo e segundo a crença ora,
buscando merecer a misericórdia divina para se livrar do mal e de suas
próprias e assumidas tentações. Mas nem sempre, ou melhor dizendo, quase
nunca, se apercebe auxiliado. Aquele que pretendia um resultado
iminente não associa seu pedido ao atendimento que tardou. Outro nada
faz por merecer ou insiste num pedido cuja satisfação lhe será
prejudicial ao desenvolvimento espiritual, e quando recebe dádiva
diferente não consegue associá-la às súplicas.
De qualquer sorte, todos os que o fazem estão convictos a respeito da
intervenção dos Espíritos porque, do contrário, seria assumir uma
estultice. Essa convicção resulta do conhecimento, ainda que incipiente
dos informes transmitidos pelos profetas, contidos na Bíblia,
especialmente em o Novo Testamento. Alguns exemplos: 1 – a volta de
Elias foi anunciada por um “anjo” que disse a Zacarias: “não temas,
porque tua oração foi ouvida e Izabel, tua mulher, dará à luz um filho, e
lhe porás o nome de João. […] e irá adiante dele no espírito e virtude
de Elias” (Lucas, 1:11 a 13); 2 – outro “anjo” aconselhou o centurião
Cornélio a mandar chamar a Pedro para um auxílio de urgência: “Agora,
pois, envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome
Pedro. Este está com um certo Simão, o curtidor, que tem a sua casa
junto do mar. Ele te dirá o que deves fazer” (Atos, 10:20 e 21).
Recordemos que neste caso, o beneficiado deixou claro que o mensageiro
espiritual era “um varão com vestes resplandecentes”, de sorte que não
poderia ser confundido com um encarnado; 3 – o apóstolo Pedro livrou-se
das correntes e da prisão também graças a um “anjo”. O episódio é
narrado em Atos, 12:7 e 8), com detalhes. “E eis que sobreveio o anjo do
Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro no lado, o
despertou, dizendo: Levanta-te depressa! E caíram-lhe das mãos as
cadeias. E disse-lhe o anjo: cinge-te e ata as tuas sandálias. E ele o
fez assim. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me”.
Inumeráveis foram as incursões de pesquisadores ao longo dos séculos
para descortinar a verdade que se ocultava – e ainda se pretende manter
obscurecida – acerca desses “anjos” e sobre suas atribuições junto aos
que jazem prisioneiros do corpo físico. O Consolador prometido por Jesus
abriu o leque do conhecimento, já no primeiro livro editado por Allan
Kardec, em 18 de abril de 1857. Em O Livro dos Espíritos, de acesso
fácil a todos os níveis de intelectualidade, encontram-se explicações
irrefutáveis fornecidas pelas entidades espirituais que amorosa e
pacientemente responderam às indagações do Codificador, qual se vê no
Capítulo 9, primeira e segunda partes (perguntas 456 a 472).
Outras tantas fontes de conhecimento sobre o Mundo Espiritual
espocaram em várias partes do Planeta, ratificando as experiências e as
teorias. Mas foi com a colaboração do Espírito André Luiz, através da
mediunidade do incansável Chico Xavier, que essa realidade despertou as
mentes mais resistentes. Do conjunto de sua magnifica obra doutrinária
complementar, prenhe de explicações científicas para cada caso
examinado, extraímos exemplos marcantes que bem elucidam o presente
estudo.
Em Os Mensageiros há referência expressa a serviços específicos para
atendimento e encaminhamento de Espíritos necessitados, os quais contam
com garantias institucionais e sistema hierárquico para cumprimento dos
projetos divinos em face das criaturas. Também aponta uma ocorrência
tipicamente humana, da qual os prestimosos socorristas extraíram essa
preciosa lição: “…um homem jazia por terra, numa poça de sangue, ao lado
de pequeno veículo sustentado por um muar impaciente, dando mostras de
grande inquietação. Dois companheiros encarnados prestavam socorro ao
ferido, apressadamente [..]. O número de desencarnados que auxiliava o
pequeno grupo, todavia, era muito grande. Um amigo espiritual que me
pareceu o chefe, naquela aglomeração, recebeu Aniceto e a nós com
deferência e simpatia, explicou rapidamente a ocorrência. O carroceiro
havia recebido a patada de um burro e era necessário socorrer o ferido.
Serenada a situação, vi o referido superior hierárquico chamar um guarda
do caminho, interpelando: – Glicério, como permitiu semelhante
acontecimento? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade
direta. O subordinado, respeitoso, considerou sensatamente: – Fiz o
possível por salvar este homem, que, aliás, é um pobre pai de família.
Meus esforços foram improfícuos, pela imprudência dele. Há muito procuro
cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui; entretanto, o infeliz
não tem o mínimo de respeito pelos dons naturais de Deus. É de uma
grosseria inominável para com os animais que o auxiliam a ganhar o pão.
Não sabe senão gritar, encolerizar-se, surrar e ferir. Tem a mente
fechada às sugestões do agradecimento. Não estima senão a praga e o
chicote. Hoje, tanto perturbou o pobre muar que o ajuda, tanto o
castigou, que pareceu mais animalizado… Quando se tornou quase
irracional, pelo excesso de fúria e ingratidão, meu auxílio espiritual
se tornou ineficiente. Atormentado pelas descargas de cólera do
condutor, o burro humilde o atacou com a pata. Que fazer? Minha
obrigação foi cumprida…”
A par da lição sobre o desequilíbrio humano diante dos fatos da vida,
em prejuízo do auxílio espiritual, avulta a convicção de que todas as
criaturas são assistidas em suas necessidades, por obreiros espirituais
que cumprem os deveres que lhe estão afetos, não importa onde. Se numa
estrada erma de um lugar distante, em condições precárias de atendimento
médico há Espíritos encarregados de assistir aos poucos encarnados que
por ali passavam, é intuitivo que em logradouros de maior movimento haja
grupos socorristas mais amplos fazendo o que esteja ao seu alcance para
atender a todas as ocorrências e mesmo para evitá-las, quando possível.
Sim, evitar é possível, tanto que as condições sejam favoráveis. Há
incontáveis situações concretas em que alguém se viu impedido, em
virtude de incidentes muitas vezes inexplicáveis, de embarcar num avião
que findou por se acidentar, matando todos os ocupantes, ou num navio
que foi a pique, levando para o fundo do mar centenas de corpos de
passageiros e tripulantes. Em No Mundo Maior, o mesmo autor espiritual
revela a intervenção do Espírito Calderaro para impedir o suicídio de
uma jovem chamada Antonina (Cap. 13), ocorrência essa semelhante àquela
que se dá na ambiência física quando alguém interfere com ascendência
moral diante da tortura íntima de outrem. Certo é que ninguém é órfão do
amparo divino, o qual se efetiva em benefício da criatura através das
entidades espirituais, hoje e sempre, em toda parte.
As questões acima têm a ver com a sintonia que se estabelece entre as
entidades espirituais – sempre atentas – e o assistido encarnado; com o
grau de necessidade da experiência para o desenvolvimento espiritual do
encarnado, segundo seja o seu plano de vida adrede traçado; e também
com os méritos adquiridos nessa romagem. O carroceiro do exemplo acima
não foi capaz de sintonizar mentalmente o auxiliar espiritual e merecia a
corrigenda para passar a valorizar o colaborador irracional, enquanto
Antonina, que muito fez em benefício da genitora e de sua irmã,
registrou plenamente os conselhos do instrutor Calderaro e de outros que
acompanharam esse atendimento durante seu sono noturno.
A prece e a disciplina em busca do equilíbrio individual constituem
os melhores meios para se obter essa sintonia. Mas haveremos de nos
vigiar para que nossos pensamentos e obras sejam dignos dessa sintonia.
Marcus Vinicius
FONTES:
O Reformador – janeiro 2014.
Kardec, Allan – O Livro dos espíritos – Trad. Herculano Pires – Lake, 66ª edição, págs. 182/185.
André Luiz – psicografia de Chico Xavier – OS Mensageiros – FEB – 35ª edição, págs. 214/218.
Idem, No mundo maior – FEB – 23ª edição, págs. 219/232.
Fonte: Centro Espírita Caminho da Paz
sábado, 4 de maio de 2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
Divaldo Franco
Professor, médium e conferencista
Professor, médium e conferencista
No momento em que escrevo este artiguete, arde em devoradoras chamas a
incomparável Catedral de Notre-Dame de Paris, um dos mais grandiosos
símbolos da capital francesa.
Não posso negar a dor íntima que experimento ao ver a destruição de um dos mais notáveis templos góticos da humanidade.
Visitei-a mais de quinze vezes, em todas ocasiões em que estive em
Paris. Exercia sobre mim um fascínio indescritível, evocando o período
das Cruzadas como o da Revolução de 1789.
No seu interior estiveram reis e a ralé, potentados e miseráveis,
bárbaros e santos, imperadores e o povo em súplica, rogando as bênçãos
de Nossa Senhora, em períodos de guerra, de peste, no passado, e de
júbilo.
Napoleão Bonaparte, no dia 2 de dezembro de 1804, ali fez-se coroar
imperador dos franceses, enquanto, anos antes, ela fora palco do
materialismo em famoso discurso que expulsava Deus do país…
Começou a ser construída em 1163 e é um dos monumentos históricos
mais extraordinários do engenho humano, na pequena Île de la Cité,
dedicada à Mãe de Jesus.
Tudo nela era especial, desde suas imensas colunas, suas torres,
teto, vitrais, subsolo onde eram guardados tesouros de valor
incalculável, repositório de histórias vivas da cultura francesa.
Recordo-me do incêndio do Museu Histórico do Rio de Janeiro, que destruiu documentos insubstituíveis e a memória de acontecimentos únicos do nosso país.
Recordo-me do incêndio do Museu Histórico do Rio de Janeiro, que destruiu documentos insubstituíveis e a memória de acontecimentos únicos do nosso país.
Penso, nestes dias de ódio e de primarismo, acompanhando na França os
casacos amarelos, vândalos destruidores da pior espécie, assim como os
anarquistas de todo o mundo e da nossa Pátria que não perdem
oportunidade de destruir tudo, em alucinada volúpia de prazeres
patológicos, inclusive matando seres humanos.
Se ambos incêndios foram por negligência humana, igualmente
considerada criminosa, estarrece-nos mais, porém, se foram com o
objetivo de instalar na Terra o pavor e no último caso anular “o
Cristianismo que comanda o ocidente há dois mil anos e deve ser
aniquilado a qualquer preço”, muito pior para a nossa paradoxal
civilização.
Estamos numa encruzilhada sociocultural das mais complexas.
De um lado, predominam as paixões mais asselvajadas que se possa
imaginar ao lado de especial tecnologia de ponta e de ciência avançada,
sem ética nem moral, nem paz ou alegria de viver. E do outro, as
perspectivas de mudança de comportamento, voltando-se aos valores da
dignidade, da família e da humanidade.
Nas sombras das incertezas, cabe-nos a todos nós e a cada um em
particular a conduta nobre e o desenvolvimento da cultura da paz e do
amor.
Seja Notre-Dame de Paris o último espetáculo truanesco destes dias desafiadores, que devem ceder lugar aos deveres de elevação moral do ser humano.
Seja Notre-Dame de Paris o último espetáculo truanesco destes dias desafiadores, que devem ceder lugar aos deveres de elevação moral do ser humano.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 18 de abril 2019.
MEDIUNIDADE - Diretrizes de Segurança
21 - Qual a finalidade de médiuns curadores?
Divaldo - A prática do bem, do auxílio aos doentes. O Apóstolo Paulo já dizia: "Uns falam línguas estrangeiras, outros profetizam, outros impõem as mãos".
Como o Espiritismo é o Consolador, a mediunidade, sendo o campo, a porta por meio da qual os Espíritos Superiores semeiam e agem, a faculdade curadora é o veículo da Misericórdia para atender a quem padece, despertando-o para as realidades da Vida Maior, a Vida Verdadeira. Após a recuperação da saúde, o paciente já não tem o direito de manter dúvidas nem suposições negativas ante a realidade do que experimentou.
O médium curador é o intermediário para o chamamento aos que sofrem, para que mudem a direção do pensamento e do comportamento, integrando-se à esfera do bem.
22 - É normal que médiuns dessa natureza se utilizem de instrumental cirúrgico, de indumentária, que os caracterizem como médicos?
Divaldo - Na minha forma de ver, trata-se de ignorância do espírito comunicante, que deve ser devidamente esclarecido, e de presunção do médium, que deve ter alguma frustração e se realiza dessa forma, ou de uma exibição, ou, ainda, para gerar maior aceitação do consulente que, condicionado pela aparência, fica mais receptivo. Já que os espíritos se podem utilizar dos médiuns que normalmente não os usam, não vejo porque recorrer à técnica humana quando eles a possuem superior.
23 - Quais os cuidados se deve tomar para que o médium curador não se apresente como um curandeiro e não esteja enquadrado no Código Penal, pela prática ilegal da medicina?
Divaldo - Primeiro, que ele estude a Doutrina Espírita, porque todo e qualquer médium que ignora o Espiritismo é alguém que caminha em perigo.
Por que é alguém que caminha em perigo? Porque aquele que ignora os recursos que possui, que se desconhece a si mesmo, é incapaz de realizar um trabalho em profundidade e com equilíbrio. Se estuda a Doutrina, fica sabendo que a faculdade de que se encontra revestido é temporária, é o acréscimo de responsabilidade, também uma provação, na qual ele estará sendo testado constantemente e deve sempre, em cada exame, lograr um resultado positivo.
Depois de se dedicar ao estudo da Doutrina, deve se vincular a um Centro Espírita, porque um dos fatores básicos do nosso comportamento é a solidariedade, em trabalho de equipe. Estando a trabalhar num Centro Espírita, ele estará menos vulnerável às agressões das pessoas frívolas, irresponsáveis, dos interesseiros; terá um programa de ação, em dias e horas adrede estabelecidos. Então, não ficará à mercê da mediunidade, em função dela, mas será um cidadão normal, que tem seus momentos de atender, trabalhando para viver com dignidade e renunciando as suas horas de descanso em favor do ministério mediúnico.
Para que ele se poupe de ficar incurso no Código Penal, deve fazer o exercício da mediunidade sem prometer, sem anunciar curas retumbantes, porque estas não podem ser antecedidas, e a Deus pertencente, e não retire da mediunidade nenhum proveito imediato, porque o curandeirismo implica em exploração da ingenuidade do povo, da superstição e da má-fé. Se ele é dotado de uma faculdade mediúnica, seja qual seja, dentro de uma vida regular e equilibrada, preservar-se-á a si mesmo. Se, eventualmente, for colhido nas artimanhas e nas malhas da Lei, isto será consequência da Lei Divina.
Que ele saiba pagar o preço do ministério que executa, que lhe foi confiado pelo Senhor.
quarta-feira, 3 de abril de 2019
sábado, 16 de março de 2019
Música e Espiritismo
Muitos questionamentos têm sido aventados quanto à pertinência ou não
do uso da música em reuniões espíritas, públicas ou mesmo mediúnicas.
Alega-se, muito freqüentemente, se não estaríamos incidindo em práticas
ritualísticas comuns a outras correntes religiosas.
Preliminarmente, recorramos à questão 251, de O Livro dos Espíritos, na qual se faz referência aos encantos da música celeste, praticada nas esferas espirituais elevadas, como sendo “tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber”.
Em Obras Póstumas, Segunda Parte, temos o relato de uma jovem
musicista, que, conduzida pelos protetores espirituais em estado
sonambúlico, mergulha em intenso êxtase, ao sentir a magnífica harmonia
celestial.
Alguns anos após, o Espírito André Luiz, em sua obra intitulada Nosso Lar, psicografada
por Francisco Cândido Xavier, viria nos oferecer fortes subsídios que
confirmariam a imprescindibilidade da música nas atividades
desenvolvidas no plano espiritual, principalmente às páginas 67 e 68,
onde deparamos com decisiva elucidação acerca da temática ora abordada;
vejamos:
”Em plena via pública, ouviam-se, tal qual observara à saída,
belas melodias atravessando o ar. Notando-me a expressão indagadora,
Lísias explicou fraternalmente: Essas músicas procedem das oficinas onde
trabalham os habitantes de “Nosso Lar”. Após consecutivas observações,
reconheceu a Governadoria que a música intensifica o rendimento do
serviço, em todos os setores de esforço construtivo. Desde então,
ninguém trabalha em “Nosso Lar” sem esse estímulo de alegria”.
No capítulo 45, daquela mesma obra, o autor espiritual discorre sobre as atividades no “Campo da Música”, aprazível
localidade destinada aos mais interessantes exercícios musicais, onde,
inclusive, teve a grata oportunidade de maravilhar-se com um belíssimo
hino, cantado por duas mil vozes simultâneas.
Ressalte-se, oportunamente, que o Espiritismo há de concorrer
decisivamente para o processo de sublimação da música no planeta em que
vivemos, como conseqüência de sua salutar influência na reforma moral
dos homens. A propósito, transcrevemos uma interessante orientação,
inserida em Obras Póstumas, também na Segunda Parte, na qual o
Espírito Rossini, que na Terra foi conhecido compositor lírico italiano,
fala-nos sobre a ação que a Doutrina Espírita certamente terá como
elemento refinador das composições musicais, tendo assim se expressado:
“O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá, pois, grande
influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que
comunicarão suas virtudes através de suas composições.(…) Por outro
lado, os ouvintes que o Espiritismo preparar para receber mais
facilmente a harmonia, sentirão verdadeiro encantamento ao ouvir a
música séria; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as
massas”.
Plenamente justificada, então, a utilização da música, em qualquer de
suas manifestações, desde que consonante com os objetivos superiores a
que nos dediquemos, notadamente no ambiente espírita, guardando-se a
devida cautela na seleção das melodias a serem entoadas, de modo a
conduzir encarnados e desencarnados a um clima mental satisfatório.
Por extensão, a música far-se-á poderoso e legítimo coadjuvante na
condução dos ensinamentos espíritas, seja nas tarefas de evangelização
da infância e da juventude; nas preliminares ou encerramento de reuniões
públicas e mediúnicas, ou em quaisquer outras ocasiões em que a
Doutrina Espírita se apresente.
Deixemo-nos levar, portanto, pelas melodias edificantes que o mundo
nos ofereça, ou que as nossas vozes ou instrumentos possam produzir,
reconhecendo que, onde quer que se situe, a música, desde que sublime, é
prece que enleva e enobrece o espírito eterno que todos somos,
permitindo-nos entrar em estreita comunhão com os planos superiores da
expressão espiritual.
José Marcelo Gonçalves Coelho
Fonte: Portal do Espírito.
Referências Bibliográficas:
- Xavier, Francisco Cândido;
- Nosso Lar, Espírito André Luiz, Editora FEB;
- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec;
- Obras Póstumas, Allan Kardec.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
Espinheiros
O cristão é um combatente ativo.
Despertando no campo do Senhor, aturde-se-lhe a visão com a amplitude e complexidade do trabalho.
Dificuldades, tropeços, cipoais, ervas daninhas…
E o Evangelho, com propriedades de conceituação, elucida que não se pode vindimar nos espinheiros.
Entretanto, teria Jesus assumido a paternidade de semelhante afirmativa para que cruzemos os braços em falsa beatitude?
Se o terreno permanece absorvido pelos abrolhos, o discípulo recebeu inúmeras ferramentas do Mestre dos mestres.
Indispensável, pois, enfrentar o serviço.
O Cristo encarou, face a face, o sacrifício pela Humanidade inteira.
Será a existência de alguns espinheiros a causa de nossos obstáculos insuperáveis?
Não. Se hoje é impossível a vindima, ataquemos o chão duro. Lavremos o solo árido. Adubemos com suor e lágrimas.
Haverá sempre chuvas fecundantes do Céu ou generosos mananciais da Terra, abençoando-nos o esforço.
A Divina Providência reside em toda parte.
Não olvidemos o imperativo do trabalho e, depois, em lugar dos abrolhos, colheremos o fruto suave e doce da videira.
Fonte: XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 1. ed. 11. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 121.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
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