Eternidade

Eternidade

sábado, 27 de setembro de 2014

Trabalhemos




Trabalhemos


É preciso estender a luz por toda parte.
Valhamo-nos do verbo, da cultura, da arte,
Dos livros e do malho!
É mister semear o bem puro e fecundo,
Por todos os desvãos e recantos do mundo,
À força de trabalho!



Só podemos gozar de paz e de alegria
Quando o orbe viver no clima da harmonia,
Da virtude e do amor!
Preparemos, portanto, a aurora da bonança,
Nos esforços da crença e da perseverança,
Incólumes à dor!



Inflamados de fé, de vida e de verdade,
Enfrentemos as sombras densas da maldade,
Na glória de servir;
E veremos erguer-se, augusta e sublimada,
A manhã deslumbrfante, excelsa e aureolada,
Dum divino porvir!



Hernani T. Sant'Anna
Fonte: Canções do Alvorecer 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os parentes na espiritualidade



31/03/1869. Desencarnava Allan Kardec. Quem o teria recebido no mundo espiritual?


No capítulo IX do livro Roteiro, lançado em 1952, Emmanuel informou a Chico Xavier que a população espiritual do planeta era de mais de vinte bilhões de almas conscientes desencarnadas, sem considerar as bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços de progresso planetário, cercando o domicílio terrestre e demorando-se em outras faixas de evolução. Seriam os elementais, que produzem, sob o comando Superior, as alterações da natureza. Kardec cita-os no primeiro O Livro dos Espíritos, nas questões 64 a 66.

Atualmente, a Terra tem mais de 7,2 bilhões de habitantes. Restariam ainda cerca de 15 bilhões de Espíritos disponíveis para reencarnar. Quanto mais organizada é a vida no planeta, e preparadas as condições de habitabilidade, maior número de Espíritos encarnará aqui.

Em mundos de provas e expiações como o nosso, a encarnação de Espíritos se dá sempre pelo acasalamento de dois encarnados, indispensáveis à criação do novo corpo que servirá de morada para o Espírito que volta. Portanto, é por laços da consanguinidade que se formam as famílias do mundo. Segundo relato dos Espíritos, tudo organizado com cuidadosa programação, considerando-se comprometimentos anteriores e resgates que o reencarnacionista já tenha condições de suportar.

Por esse processo, uns são pais, outros mães, filhos, esposas ou maridos, entre outros parentes. O leigo duvida que a reencarnação seja realidade. Chega a perguntar com que esposa ficará na erraticidade um Espírito que tenha sido homem por várias vidas tendo se casado em muitas delas. Não entende que o parentesco é somente da Terra porque os Espíritos se preparam para voltar como parentes diferentes. A filha que hoje amamos pode ser a reencarnação da nossa avó, da nossa mãe ou da esposa da vida passada. Ou mesmo de um que foi homem quando anteriormente encarnado. Por isso é que é comum os parentes desta vida serem Espíritos que se comprometeram em situações anteriores, como familiares ou não, como inimigos ou não, ex-cônjuges, inclusive, para acerto de velhas pendências.

Conclui-se que é otimismo exagerado supor-se que ao chegar ao mundo dos Espíritos tudo vai ser como aqui, de maneira mais feliz e que o reencontro com os parentes que viveram na Terra é imediato e inevitável. Basta ter endereço, usar um GPS e chegar ao domicílio que procuramos. Dos mais de sete bilhões que existem hoje no mundo, conhecemos não mais que duzentas ou trezentas pessoas. Os que já voltaram à espiritualidade, dependendo da evolução, ocupam planos superiores ou inferiores ao que iremos. E não ficam ociosos esperando-nos chegar, porque têm ocupações. Antes de ser parentes, somos individualidades com necessidades próprias. André Luiz, segundo relatado no livro Nosso Lar, teve breve contato com sua mãe porque ela estava em lugar mais adiantado do que o que ele ocupou e tinha tarefas a cumprir.

Os filhos costumam confiar na proteção da mãe, sempre portadora de muito amor, mesmo depois que elas desencarnam. Pedem para que elas os protejam, esquecendo que elas fizeram isso a vida inteira e eles, muitas vezes, além de não agradecer, as trataram mal. Ao morrer, imaginamos que nossa mãe e nosso pai venham nos receber. Mas e se eles estiverem no umbral ou nas trevas? Não é porque foram nossos pais que são elevados. E se estiverem em planos tão adiantados que não podemos ainda penetrar? E se eles já reencarnaram? As leis valem também para eles. Mais prudente contar com nossos próprios méritos pelo bem que fizemos a pessoas na Terra e que nos antecederam na viagem de volta.

O importante no convívio familiar da Terra é transformar a família sanguínea em família espiritual. E além destes, todos os que convivem conosco, independentemente do tipo de relação. É para isso que velhos inimigos vivem juntos como parentes para se harmonizarem e crescerem juntos. Só a parentela de sangue consegue isso. Obriga-nos a amar de forma diferente, mesmo quando somos ofendidos ou desrespeitados. Suportamos nos parentes as falhas de caráter e de moral que não aceitamos num estranho.

É por isso que a maternidade e a paternidade são consideradas missões das mais importantes (O Livro dos Espíritos, 582). Ao receber um velho Espírito no nosso lar, podemos transformá-lo num homem de bem ou num marginal. E colheremos conforme plantarmos. Mesmo que nossa tarefa de correção desse Espírito não tenha êxito, se esgotamos nossos recursos para melhorá-lo, a Lei divina premiará o nosso esforço, apesar do insucesso (O Livro dos Espíritos, 583).

Na questão 208 de O Livro dos Espíritos é ensinado que os Espíritos devem contribuir para o progresso uns dos outros. Portanto os Espíritos pais têm por missão aprimorar os Espíritos filhos, educando-os, e serão culpados se falharem na tarefa, por negligência.

No capítulo sobre a Infância (O Livro dos Espíritos, 379/385), os pais tem um seguro Manual de Instruções para a criação e educação dos filhos. O grande erro dos genitores é ter medo de traumatizar o filho, enganados pela aparente fragilidade da criança que é quase sempre um Espírito antigo e também astuto. Por vezes até mais experiente do que os pais. Não sabem dizer não, fazem todas as vontades e perdem a melhor fase para colocar aquele transviado no caminho reto.

Os filhos são nossos irmãos, que Deus nos confiou para que os eduquemos e devolvamos ao verdadeiro Pai, em melhores condições do que os recebemos. Mas desconhecendo essa verdade, impedimos que qualquer estranho ouse corrigi-lo. Em vez de agradecer pelo favor, vemos nessa atitude uma interferência. Pobres pais equivocados que estão estragando as famílias, cada vez mais. Estão contribuindo para piorar o mundo, porque dão os melhores presentes para seus herdeiros descuidando-se de presenteá-los com a boa educação e os princípios morais, formadores do bom caráter.

A parentela na Terra é provisória e se alterna constantemente. Portanto, uma dúzia de Espíritos pode fazer muitas experiências convivendo entre si como parentes de diferentes classes e cada vez mais comprometidos entre si. Logo, em dez encarnações não significa que um homem tenha dez esposas diferentes, necessariamente. Nem mesmo que ele nasça homem em dez oportunidades seguidas.

Sintetizando, na espiritualidade somos todos Espíritos irmãos, tão logo cessem as impressões e lembranças da vida na Terra. Lá somos parentes por afinidade espiritual e não pelo sangue. Lá formaremos a família verdadeira, caso a tenhamos preparado enquanto cumprimos mais uma encarnação.

Boa sorte para nós e fiquemos sempre atentos! A lei chama-se ação e reação!



autor: Octávio Caúmo Serrano
Fonte: Casa Editora O Clarim

domingo, 21 de setembro de 2014

O rabino Eliachim Bem Sadoch



O Enfrentamento com a Treva – Compilado do livro
Transição Planetária – Manoel P. de Miranda e Divaldo Franco
Os membros, que foram convocados entre os encarnados, eram companheiros adestrados no socorro aos Espíritos renitentes no mal e acostumados aos debates que sempre se travam durante os atendimentos especializados. O médium Joseval, que fora responsável pela dissertação da noite, veio trazido pelo mentor amigo, apresentando significativa lucidez, acostumado como se encontrava com os desdobramentos parciais pelo sono fisiológico e com as realizações espirituais em nossa esfera de residência.
Nesse comenos, um dos vigilantes que se encontravam à porta de entrada da instituição, veio notificar-nos que o grupo de rabinos judeus acercava-se, apresentando-se de maneira pomposa, com indumentárias extravagantes e o sumo sacerdote “Eliachim Ben Sadoch”, à frente, caminhava com orgulho mal disfarçado, estampando uma carantonha de ódio e soberba.


Acolitado por mais de uma centena de outros chefes, igualmente portadores de semblantes ferozes, alguns com visíveis deformações, deteve-se à porta principal. Cães amestrados, que pareciam anteriormente seres humanos, ora hipnotizados, assumindo formas animalescas, em razão da crueldade de que se fizeram portadores durante as existências anteriores, evitavam que grande número de adeptos e de vitimados pelos administradores da triste corte gerassem qualquer embaraço.
Chegando à área fronteiriça à porta de entrada, tomaram ridícula posição de combate, nos antigos moldes medievais, empunhando estranhos instrumentos de guerra, e, em gritaria selvagem quê repercutia em todo o ambiente, pareciam aguardar a voz de comando. Veneranda entidade feminina acercou-se do fanfarrão desencarnado e desarmou-o com a simplicidade das suas vestes, a irradiação de compaixão e ternura, convidando-o a adentrar-se no recinto, onde era aguardado com respeito e afetividade, sendo permitida também a entrada de alguns membros do seu séquito que, confessamos, era estranho e sombrio.
Carregando volumoso número de pergaminhos amarelecidos e gastos, entregou-os a um dos auxiliares, seguindo após a anfitrioa gentil. Dez outros sacerdotes das antigas seitas que se derivaram do judaísmo na Europa, igualmente tiveram acesso à sala que os aguardava, enquanto ficavam, furibundos e agitados, os demais membros da estranha caravana de honra e a malta de desesperados servidores e subalternos.
Nesse comenos, o diretor espiritual dos trabalhos exorou a Jesus: Senhor Jesus, Augusto Mestre: “Embora as sombras da ignorância predominem em nosso mundo interior, permite que a sublime claridade do Teu inefável amor nos inunde de esclarecimentos, libertando-nos da perversidade que persiste, dominadora. Não somos outros Espíritos, senão aqueles réprobos que Te negamos, mais de uma vez, embora situados nas fileiras do Teu Evangelho, assumindo compromissos perniciosos que nos envergonham até este momento.
Hoje, novamente convocados pela Tua misericórdia, ao serviço iluminativo, sentimos a fragilidade em que nos demoramos, e, por isso, deixamo-nos conduzir pelas Tuas santas mãos, cobrindo as pegadas luminíferas que ficaram pelos caminhos, sinalizando a Tua passagem pela Terra. Ajuda-nos, portanto, a ajudar, socorrendo aqueles que foram nossas vítimas quando defraudamos a Tua mensagem, infelicitados pelos interesses sórdidos da nossa mesquinhez.
Torna a nossa palavra, suave e enérgica, os nossos sentimentos, elevados e meigos, a nossa mente, lúcida e compreensiva, a fim de que não venhamos a dificultar a concretização dos Teus planos para com os infelizes, que somos quase todos nós. Raiando a nova madrugada, propicia-nos a incomum felicidade de ampliar os horizontes ainda em sombras para a luz da verdade de que Te fazes portador.
O irmão, que iremos receber, ao lado de outros que tombaram nos fossos profundos do ódio, guarda as lembranças do que lhe fizemos ontem, quando conspurcamos o Teu nome com as nossas paixões. Apieda-Te de todos nós, os Teus servos humilíssimos, e sê conosco a partir deste momento, através dos Teus mensageiros sublimes, a fim de que consigamos melhor contribuir na Tua seara fecunda. Que assim seja!”
Ao silenciar, apresentava a emoção que a todos nos tomara. Uma indescritível onda de paz dominava-nos a todos, que nos encontrávamos unidos em suave harmonia de enternecimento.
Chegando ao recinto, devidamente protegido por correntes fluídicas cuidadosamente distribuídas em torno do edifício e, em especial, da sala mediúnica, o desafiador iracundo não pôde sopitar os sentimentos infelizes de que se fazia portador, exigindo mais consideração e destaque, no que, certamente, não pôde ser atendido.
Seja bem-vindo à Casa de Jesus, saudou-o, propositalmente, Dr. Sílvio, demonstrando respeito e amizade. Não me fale esse nome — reagiu, totalmente esfogueado, porquanto não tenho a mínima consideração por essa nefanda criatura mitológica da tradição dos dominadores da Terra. E permitiu-se estertorar em estrondosa gargalhada.
Embora houvesse reação de todos os recém-chegados, que se puseram a blasfemar, Dr. Sílvio acercou-se do médium Joseval, que se encontrava em semitranse, e, antes mesmo que o sumo sacerdote se desse conta, foi atraído ao seu campo perispiritual, como uma limalha de ferro à ação do ímã. O médium em incorporação atormentada, moveu-se, tomando uma atitude arrogante, enquanto o Espírito gritava: “Caímos numa cilada típica dos nefastos cristãos de todos os tempos. Avancem e ataquem os infelizes traidores, rápido...”
Movimentaram-se os demais convidados, sem qualquer facilidade, porque as energias ambientais impediam-nos de tomar as atitudes para as quais se haviam preparado, permanecendo imobilizados pelas vibrações que lhes eram dirigidas por todos os presentes. Ante a impossibilidade, puseram-se a gritar em situação deplorável de desespero, esperando ser ouvidos pelos asseclas que permaneceram fora do recinto, e que os acompanharam, mantendo a expectativa de uma batalha a céu aberto...
Dr. Sílvio manteve-se tranqüilo, e após muito breve momento entre as acusações do comunicante e os seus acompanhantes, respondeu com bondade irrepreensível: “Não tem fundamento a sua afirmação de que os traímos, atraindo-os para uma cilada, porquanto, o desafio partiu do respeitável amigo, desafio que aceitamos para um encontro de esclarecimento, não para uma batalha que caracterizasse o Armagedom bíblico, a que se apega, em plano de vingança e de guerra...”
Não ficarei aqui, reagiu com ferocidade, retorcendo-se nos equipamentos mediúnicos, ouvindo suas arengas muito conhecidas minhas, vítima que fui, mais de uma vez, dos argumentos mentirosos dos infames cristãos... Batamos em retirada. Muitas vezes, o recuo é a melhor estratégia num combate, especialmente quando a tropa é vítima da vilania e da sordidez do adversário que a atraiu para o fosso de torpe armadilha.
Nunca os cristãos terão qualquer tipo de dignidade para o enfrentamento com a verdade que se encontra na “Tora”, e jamais nas falsas palavras desse adversário de Israel, que foi justamente castigado. Dr. Silvio: “Confesso-lhe, amigo e irmão, que não existe em nós nenhum sentimento inferior em relação à sua pessoa. Aceitando a sua oferta de decisão em torno da peleja que se alonga pela noite de alguns séculos, o nosso, é o desejo da fraternidade e da paz.”
Reconhecemos o seu poder nas regiões infernais onde se homizia com outros Espíritos que foram vilmente enganados e traídos no passado, quando ainda nos encontrávamos dominados pela ferocidade das paixões inferiores. O tempo correu na ampulheta das horas e todos mudamos, penso que, para melhor, porquanto, a clara mensagem de Jesus, por fim, alcançou as paisagens da nossa mente e o país dos nossos sentimentos.
Suplicamos-lhe, bem como a todos aqueles a quem magoamos, o perdão sincero, reconhecendo o nosso erro lamentável e de graves conseqüências. Honestamente arrependidos, desejamos demonstrar a nossa transformação moral, recebendo-o e a todos quantos anelem pela paz que não fruem desde há muito, paz de que Jesus é o único possuidor.
Não volte a pronunciar esse nome, revidou furibundo. Lamento não poder atendê-lo, porque o servo não é maior do que o amo, nem o escravo melhor do que o senhor. Jesus é o nosso Caminho, nossa Esperança de libertação total, nosso Porto de segurança.
Fosse Ele tudo isso, resmungou, irônico, e eu não estaria aqui, constrangido e impossibilitado de fazer o que me apraz, confirmando a minha desconfiança em relação a Ele e à escória que O segue. Dr. Silvio: “Ocorre, que o amigo, esclareceu, paciente, trazia planos de belicosidade, utilizando as armas do ressentimento e da vingança, instrumentalizado por outras de caráter destrutivo, conforme as manipula na área que lhe parece pertencer.
Deflagrada está a guerra, ripostou, com os olhos fora das órbitas, deixando que a máscara afivelada à face desaparecesse e venceremos os adversários, não permitindo que mais se expanda a nefasta doutrina agora renascida no Espiritismo, essa peçonhenta herança do maldito Cristianismo dos padres e príncipes da igreja enganosa.
De fato, respondeu o nobre esclarecedor, o Espiritismo ora esplende nos céus do planeta, confirmando a promessa de Jesus, de que não nos deixaria órfãos, o que realmente aconteceu. O Seu amor e a Sua compaixão permitiram que fossem revistas as páginas que Ele escreveu no santuário da Natureza, através das palavras sublimes e dos exemplos inigualáveis, e que nós adulteramos, adaptando-as aos nossos interesses miseráveis, dando lugar a uma doutrina muito distante da sua legitimidade. Como, porém, nunca é tarde para se recomeçar, refazer caminhos e corrigir enganos, estamos empenhados no compromisso da reabilitação.
Palavras e palavras, que não alteram os atos ignóbeis do passado, nem alteram os nossos planos de desforço, explodiu, caviloso. Erguendo o médium em atitude ameaçadora, interrogou com hostilidade irrefreável: “Veja a paisagem da Terra infeliz. Onde estão a mansidão e a cordura, a compaixão e a misericórdia, tão decantadas? Não vê, por acaso, o que ocorre no mundo rico de poderes ilusórios e de degradação? Em que lugar se ocultam os discípulos do Crucificado portador de muitas culpas, que os engabelou com as Suas palavras e promessas vás?”
Sim, vemos a presença da luz onde predominava a treva, do amor onde o ódio semeava destruição, da ternura no lugar em que a agressividade reinava e do trabalho de reconstrução sobre os escombros das glórias mentirosas do passado. Anunciam-se novos tempos, quando o sofrimento cederá lugar à alegria de viver, e quando os sentimentos entorpecidos oferecerão campo à floração dos elevados ideais da dignificação humana.
Essa lamentável situação será questão de pouco tempo, para ser resolvida, porquanto, momento chega em que a Terra e os seus habitantes serão constrangidos a alcançar patamares superiores da evolução. “Quando os filhos de Alcione se instalarão, expulsando os terrícolas? Indagou, dominado por refinado sarcasmo.”
Não exatamente conforme assinalado. Estamos recebendo visitantes de outra dimensão, que se propõem a ajudar-nos nas transformações que já se vêm operando no planeta, porque a Lei que vige no Universo é a da harmonia, da solidariedade, dos princípios morais estabelecidos pelo Pai Criador.
Gargalhada horripilante estrugiu por entre os lábios deformados do ser que se comunicava, agora apresentando-se em toda a sua hediondez de fera, vítima que se permitira ser da licantropia. Vimos o médium vergar-se e uivar dolorosamente, apresentando comportamento lupino. Um odor fétido tomou conta do ambiente, à medida que os demais acompanhantes do antigo rabino sofriam equivalentes modificações. Passamos a aspirar uma psicosfera pesada, muito densa, quase asfixiante.
Enquanto isso ocorria, os diversos membros da reunião em prece de profunda intensidade, tomados de compaixão e sinceramente tocados pelo espetáculo doloroso, lentamente geraram vibrações que diluíram as densas nevoas psíquicas, e, inopinadamente, entre dentes, em convulsão, o comunicante estridulou: “Nada agora me deterá... Voltaremos a encontrar-nos, infame traiçoeiro... noutro lugar... Sim - redarguiu nosso benfeitor - Encontrar-nos-emos, sim, no seu reduto.
Como se fosse arrancado violentamente, desprendeu-se do perispírito do médium que, por pouco, não tombou ao solo, não estivesse Dr. Sílvio em vigília, amparando-o e pondo-o sentado em postura equilibrada. As outras entidades que o acompanharam, igualmente foram atraídas na mesma onda vibratória e a sala, a pouco e pouco, voltou a adquirir a harmonia inicial.
Deixando revelar a emoção de júbilo, nosso mentor explicou-nos: Estava programada essa reação, porquanto, em realidade, não tivemos aqui, o antigo sacerdote Eliachim Ben Sadoch, mas um clone dele, um Espírito que lhe assimilou as características com o objetivo de enganar-nos, já que, no seu reduto, ele acompanhou todos os lances do nosso encontro.
Hábil e astuto, não quis correr o risco de um enfrentamento direto, enviando, primeiro, simuladores do seu reino de horror, fortemente vinculados à sua poderosa mente, que os arrancou do nosso recinto, com a permissão dos nossos Guias, sem dúvida, para que não descobríssemos a farsa.
Como em nossos labores espirituais a violência é desnecessária, e não nos cabia evitar a evasão dos visitantes, foram tomadas providências para que o diálogo se prolongasse pelo tempo apenas necessário para que ocorressem as metamorfoses, diluindo-se as máscaras fluídicas de que se utilizaram para ocultar a atual identidade. O enganador é sempre alguém que se equivoca, iludindo-se, enquanto supõe estar ludibriando o seu próximo. Consideramos exitosa a tarefa sob as bênçãos de Jesus, que terá seu natural prosseguimento em ocasião oportuna que virá.
Refazendo a concentração de todos, vimos a irmã Arlinda, veneranda trabalhadora com mais de meio século de dedicação à Causa do Bem, entrar em transe e passar a eliminar “energia em forma de ectoplasma”, pelos orifícios naturais da face, formando um Espírito nobre que, banhado de azulínea luz, condensou-se no recinto saturado de vibrações perfumadas e elevadas. Tratava-se de um embaixador de Ismael, guia espiritual do Brasil, que logo se fez identificar, trazendo o apoio do nobre mentor:
Irmãos queridos: Guarde-nos Jesus na Sua paz e misericórdia. As vossas preces alcançaram as regiões felizes, e o anjo benfeitor do Brasil enviou-nos, a fim de receberdes o seu apoio honroso, na bendita realização a que vos entregais. A pátria do Cruzeiro desempenhará o seu papel cristão no cenário do mundo conturbado da atualidade.
Missionários do amor e da libertação de consciências encontram-se renascidos entre vós, com a tarefa de devolver ao mundo a mensagem gloriosa do suave-doce Rabi galileu, que sofreu as previstas modificações ao longo dos séculos. Comprometidos com a Verdade, têm a tarefa de viver o que ensinam, trabalhando os metais da alma, de forma a amoldá-los às novas finalidades.
Embora os caminhos ainda permaneçam com espinheirais dominando-os e pedrouços em todo lugar dificultando a marcha, esses peregrinos do dever encontram-se forrados de coragem e de destemor para não se deterem em momento algum, avançando sempre. Espíritos missionários de outras eras, acostumados à austeridade e à renúncia, inspiram-nos em favor do êxito no desiderato. Incompreendidos e malsinados, sofrendo escárnio e enfrentando desafios colossais, avançam confiantes no resultado feliz do empreendimento com o qual se comprometeram desde antes do berço.
A sua palavra vibrante e os seus exemplos dignos sensibilizam os públicos que os ouvem e as pessoas que convivem com eles reconhecem que estamos realmente no limiar de um novo tempo de amor, de paz e de verdade. Não mais os engodos de outrora, nem as louvaminhas da viagem equivocada ao reino da ilusão. A seriedade e o sacrifício são lhes as condecorações que carregam nas vestes da alma, identificando-os como seguidores de Jesus, que não teve outra escolha entre a glória mentirosa da Terra e a cruz libertadora que o reconduziu à imortalidade em triunfo.
Percorrem os mesmos caminhos do passado, nos quais deixaram pegadas assinalando crimes e vícios, que ora deverão apagar, sobrepondo as luminosas propostas do amor sem jaca e da verdade sem disfarce. Vinculados psiquicamente à nossa Esfera, recebem contínuo estímulo para não esmorecerem nas lutas difíceis, nem se desviarem do roteiro que percorrem, animados pelo espírito da alegria e a compensação da paz interna.
Perseguidos pelos adversários da Luz, equipam-se com os instrumentos de defesa, que são a oração e os atos enobrecidos. Mesmo quando a grande nação brasileira mergulha em abismos de devassidão, de corrupção, de desrespeito aos códigos da justiça e da honradez, fase passageira do seu processo de evolução, Ismael, compassivo, intercede, junto a Jesus, em favor de todos, confiando nos reajustamentos que já se vêm operando com uma nova geração de mulheres e de homens de bem.
Certamente, o mesmo ocorre nos diversos países da Terra, no entanto, ao Brasil coube, por determinação do Mestre incomparável, a tarefa de devolver ao mundo a Sua mensagem de misericórdia e de libertação total. Porfiai, pois, nos objetivos abraçados, sem jamais temerdes as forças do mal, que se diluem como a neblina ante o calor do Sol da verdade, instituindo o período do amor como essencial para a felicidade de todos.
Tendes sido objeto de ciladas e traições, de testemunhos que guardais em silêncio, nunca revidando ao mal, sempre compreendendo que sois discípulos daquele que não se defendeu das acusações indébitas que lhe foram atiradas na face, sendo-vos, portanto, o modelo a seguir.
Solidão, desapreço, sofrimentos íntimos por anseios que se não converteram em realidade são as injunções a que fazeis jus em decorrência do vosso comportamento em outras passadas reencarnações. Mantende, hoje, o brilho da alegria e da bondade na face e no sentimento, gerando harmonia onde quer que vos apresenteis.
Nunca experimentareis abandono, nem sofrereis a ausência dos vossos guias espirituais afetuosos, que seguem convosco até a conclusão da tarefa encetada, quando retornareis à grande pátria espiritual. Que o Senhor vos abençoe e vos guarde sempre, vosso irmão e servidor. Bittencourt Sampaio
Enquanto enxugávamos as lágrimas espontâneas, diluiu-se a luminosa figura do Espírito embaixador de Ismael, deixando aragens fluídicas de peculiar bem-estar, que a todos nos penetravam com efusão.
  
Lentamente a médium recobrou a lucidez, consciente de que havia servido de instrumento à materialização de um mensageiro especial, agradecendo ao Senhor a bênção em sentida oração. Por nossa vez, não podíamos conter as emoções que se sucediam em calidoscópio de lembranças afetuosas que procediam da última existência, na Terra, quando tivemos ocasião de ler as obras escritas por esse venerável mentor, antigo presidente da Federação Espírita Brasileira.

Chegando a hora do encerramento das atividades, Dr. Sílvio comunicou ao dirigente que orou, comovidamente, despedindo-se de todos nós até a próxima oportunidade. A sorridente face do Sol ainda não se apresentara, mas os seus cabelos de luz já desenhavam sinais nas sombras antes em predomínio na noite...

Estendendo Luzes



A morte é um fenômeno normal da vida dos homens. Mesmo que estes não se acostumem com ela, ela existe, e deve ser considerada, como sendo uma colecionadora de talentos. O Espírito é um viajor eterno, que cada vez sobe mais como na decantada fábula bíblica, a escada de Jacó. Subir é a ordem que Deus deixou nas mãos do homem, diante da vida e do progresso.

O que queremos é que os homens não fiquem distantes de nós, Espíritos desencarnados,e que aquele tradicional medo de fantasmas acabe, juntamente com a ignorância. Somos os mesmos homens; a diferença é que perdemos a capa, mas ainda nos resta a túnica, como corpo espiritual que nos obedece, qual animal domesticado.

Coma perda da roupagem, não se perderam as qualidades, ao contrário, ficamos mais conscientes dos nossos deveres e mais sensíveis às belezas imortais de que somos herdeiros, por parte do nosso Pai Celestial. Negar as leis de Deus não pode ser procedimento do homem inteligente, cujo raciocínio completa os sentimentos.

O despertar dos dons espirituais é uma ordem divina, no entanto, se não for feita a parte que nos toca, o andar nosso em busca da luz, será lento.

O Evangelho já é conhecido por quase todas as pessoas, espalhadas por toda a Terra, e é repetido e divulgado por variados meios que o progresso emprestou. Somente falta uma etapa, a mais importante, que é a vivência.

Começa hoje a estender luzes. Sabes como? Cortando as arestas que ainda existem na tua personalidade. Não é preciso que alguém aponte os teus defeitos. Tu mesmo poderás descobri-los, se existir vontade para tal empreendimento interior.

Quem consegue viver os preceitos do nosso Mestre está livre porque conheceu a verdade.

MIRAMEZ

sábado, 20 de setembro de 2014

Luta contínua


Firmado o compromisso com Jesus, não te olvides das graves responsabilidades que assumiste perante a própria consciência assim como a Cósmica.

No grande litígio que se trava em toda parte, resultado da Sombra mórbida que domina a criatura humana, dificultando-lhe a ascensão ao planalto da plenitude, as Forças que se denominam adversárias, estão sempre vigilantes e combatendo-te sem descanso.

Insinuam-se no teu programa de realizações com sutileza ou intensidade irresistível, esperando qualquer brecha moral e emocional em ti, a fim de desarticular as tuas iniciativas.

Todos os teus projetos são vistos como desafios que elas devem combater, não cessando de buscar meios, para alcançar as metas infelizes a que se dedicam.

Enfermidades simulacros, olvidos inesperados, contrariedades frequentes, decepções variadas, desestímulos de todo porte, são-te impostos sempre que agasalhas as suas insinuações pérfidas.

Descobrirás inimigos que te surpreendem, e sequer os conheces, mas que se voltam contra o teu trabalho com o firme propósito de desacreditar-te no círculo em que te movimentas, assim como fora dele, ferindo-te nos belos labores a que te entregas.

Encorajadas pelos primeiros êxitos com os que te invejam e antipatizam com ou sem motivos reais, avançam, intempestivas, somando dificuldades no terreno por onde segues, confiando que desistirás.

Aumentam a fúria contra ti, na razão direta em que permaneces intimorato, sem preocupação com os males que ocasionam, procurando retirar preciosas lições de paciência e de compaixão para autoenriquecimento.

Esses inimigos espirituais são tirânicos, não descansando nunca e porque são destituídos de qualquer princípio ético, utilizam-se de todos os recursos possíveis para atingir-te, para derrubar-te um pouco mais à frente.

Sempre te chocam as informações desses adversários do teu trabalho, da tua pessoa, em razão da tua conduta pautada dentro das linhas do Evangelho. Se és fiel ao compromisso, taxam-te de fanático, ortodoxo, enfermo. Se negligencias em algo ou, se por acaso não consegues viver o que preconizas, apontam-te como hipócrita, mentiroso, covarde, traidor dos postulados abraçados.

Por mais as farpas do ódio gratuito te alcancem, prossegue adiante com as tuas possibilidades, mínimas que sejam, não te defendendo, não gastando tempo em sofrimento inútil, não te imobilizando, pois que o objetivo que têm é exatamente esse.

Quanto mais firme permaneças, mais acusado e contraditado serás, porque te considerarão inimigo ferrenho delas.

Haja o que houver, nunca desanimes, nem dês atenção aos impedimentos. Todos os desafios existem para estimular o crescimento do ser humano, proporcionar-lhe as realizações dignificantes.

Jamais receies a vitória do mal, porque tens ao teu lado os anjos tutelares que nunca te abandonam e te ajudam de maneira discreta ou visível, conforme a circunstância, demonstrando que não estás a sós.

Não podem nem devem esses benfeitores impedirem as ocorrências negativas, nem os testemunhos, porque te empurrariam para a inutilidade ou para a preguiça moral.

Ademais, tens dívidas na contabilidade divina, que te cabe resgatar, e, por isso, o Senhor da Vinha permite que sejas convidado à regularização dos antigos deslizes morais e espirituais.

Ele próprio, no Seu tempo entre nós, sempre esteve cercado pelas personagens desditosas dessas legiões maléficas, que as utilizavam em tentativas inúteis de confundi-lO, de lançá-lO contra Roma ou o Sinédrio...

Ele, sempre compreendeu a situação, pois que escolheu uma das épocas mais perturbadoras que viveu Israel, a fim de semear a esperança e a paz.

De todo lado surgiam exaltados no bem e no mal, defensores de ocasião, revolucionários apaixonados, messias equivocados, que desejavam libertar o país da subjugação, terminando em mortes horrendas pelo poder das legiões romanas aquarteladas por todo lado. Sóbrio e, sábio, Ele procurou ensinar a mansidão e a cordura, a compaixão e o cumprimento dos retos deveres, a misericórdia e a humildade, demonstrando que o Seu reino não é deste mundo. E mesmo assim, não foi poupado de infâmias, de ultrajes, de acusações injustas dos perenes inimigos encarnados e desencarnados da humanidade.

Também tu não te verás livre de equivalentes injunções, de perseguições persistentes, que fazem parte do programa de sublimação de todos os servidores fiéis.

Insiste na tua campanha de amor, não dando campo à autocompaixão, nem ao sofrimento, pois que não fazem parte do teu esquema evolutivo.

Supera as proposituras do ego, compreendendo que a Sombra que te sitia os passos provém das tuas tendências inferiores que ainda não conseguiste superar.

Ora mais, mantendo a tua mente antenada com Aquele a quem amas e é o dono da seara.

Desse modo, não te deprimas quando descobrires novos combatentes que se comprazem em infernizar-te as horas.

Enriquece-as de luz e de paz, de alegria pelo trabalho realizado, pelas palavras de bondade daqueles que seguem contigo e são teus irmãos e amigos, nunca dando valor ao mal, que se desenvolve na razão direta em que é aceito.

Numa sociedade em que o consumismo, o utilitarismo, os desvios de conduta e a violência tornam-se naturais, é realmente estranhável a conduta saudável, o idealismo nobre e desinteressado das retribuições mundanas, o devotamento do bem incessantemente...

Quanto mais atacado estejas, compreende que isso é resultado da tua imbatível decisão de persistir na ação, jamais arrefecendo o entusiasmo e nunca te afastando do compromisso com Jesus que te espera em triunfo após o portal de cinzas da desencarnação.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 26 de junho de 2014, em Lima, Peru.
Fonte: Centro Espírita Caminhos de Luz-Pedreira-SP-Brasil

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Ante a vida mental



Quando a criatura passa a interrogar o porquê do destino e da dor e encontra a luz dos princípios espiritistas a clarear-lhe os vastos corredores do santuário interno, deve consagrar-se à apreciação do pensamento, quanto lhe seja possível, a fim de iniciar-se na decifração dos segredos que, para nós todos, ainda velam o fulcro mental.

Se as incógnitas do corpo fazem no mundo a paixão da ciência, que designa exércitos numerosos de hábeis servidores para a solução dos problemas de saúde e genética, reconforto e eugenia, além túmulo a grandeza na mente desafia-nos todos os potenciais de inteligência, no trato metódico dos assuntos que lhe dizem respeito.

A psicologia e a psiquiatria, entre os homens da atualidade, conhecem tanto do espírito, quanto um botânico, restrito ao movimento em acanhado círculo de observação do solo, que tentasse julgar um continente vasto e inexplorado, por alguns talos de erva, crescidos ao alcance de suas mãos.

Libertos do veículo de carne, quando temos a felicidade de sobre pairar além das atrações de natureza inferior, que, por vezes, nos imantam à crosta da Terra, indefinidamente, compreendemos que o poder mental reside na base de todos os fenômenos e circunstâncias de nossas experiências isoladas ou coletivas.

A mente é manancial vivo de energias criadoras.

O pensamento é substância, coisa mensurável.

Encarnados e desencarnados povoam o Planeta, na condição de habitantes dum imenso palácio de vários andares, em posições diversas, produzindo pensamentos múltiplos que se combinam, que se repelem ou que se neutralizam.

Correspondem-se as ideias, segundo o tipo em que se expressam, projetando raios de força que alimentam ou deprimem, sublimam ou arruínam, integram ou desintegram, arrojados sutilmente do campo das causas para a região dos efeitos.

A imaginação não é um país de névoa, de criações vagas e incertas. É fonte de vitalidade, energia, movimento...

O idealismo operante, a fé construtiva, o sonho que age, são os pilares de todas as realizações.

Quem mais pensa, dando corpo ao que idealiza, mais apto se faz à recepção das correntes mentais invisíveis, nas obras do bem ou do mal.

E, em razão dessa lei que preside à vida cósmica, quantos se adaptarem, ao reto pensamento e à ação enobrecedora, se fazem preciosos canais da energia divina, que, em efusão constante, banha a Humanidade em todos os ângulos do globo, buscando as almas evoluídas e dedicadas ao serviço de santificação, convertendo-as em médiuns ou instrumentos vivos de sua exteriorização, para benefício das criaturas e erguimento da Terra ao concerto dos mundos de alegria celestial.



pelo Espírito Emmanuel / psicografia de Chico Xavier
obra: Roteiro 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Mortes Violentas - o que acontece com os Espíritos?



Ontem e hoje, conversando e/ou teclando com muitas pessoas via internet, algumas delas me questionaram o que acontece com as pessoas que desencarnam com os seus corpos destroçados, como foi o caso do presidenciável Eduardo Campos e das demais pessoas que estavam no avião com ele? Como chegam ao mundo espiritual? Sentem, no outro lado da vida, as dores dos ferimentos e das rupturas do corpo físico? Sentem também destroçados?

Aprendemos com os Benfeitores Espirituais, que a morte do corpo físico, quase sempre, nem é notada pelo espírito, tamanha é a naturalidade da passagem de um plano para o outro.

Isso significa que muitos espíritos desencarnam e levam muito tempo para descobrir, perceberem que já deixaram o corpo material.

Aprendemos, também, com a doutrina espírita, que quando reencarnado, o espírito dispõe de dois corpos de manifestação: o corpo físico e o períspirito (corpo espiritual), sendo o segundo, o elo de ligação da alma e do corpo físico.

Isso significa que quando estamos em vigília, o espírito se vale do corpo físico e quando está desdobrado pelo sono ou quando desencarna, se vale do corpo espiritual para as suas manifestações e atividades.

Quando acontece da pessoa ir, aos poucos, perdendo a vitalidade para a vida física, ou seja, vai envelhecendo o corpo material, o espírito vai também desprendendo naturalmente desse corpo, até a sua total ruptura com ele. Assim sendo, muitas vezes, a morte poderá significar para o espírito a libertação de suas aflições da vida material.

Já quando o ser humano está em plena força física e desencarna, entra em um estado de perturbação, não entendendo o que está lhe acontecendo, vindo a ser ajudado pelos amigos espirituais e familiares que utilizam-se de hospitais ou casas transitórias para atender em suas primeiras necessidades. Geralmente os Benfeitores mantém o espírito em sono profundo pelo tempo que esse precisar, até que ele possa saber ou perceber a sua nova condição.

Em casos de morte violenta, onde o corpo físico se destroça por completo, como foi o caso dos ocupantes do avião acidentado em Santos, na questão de número 162 de O Livro dos Espíritos, os Benfeitores afirmam que, pelo fato, do homem, não raro, conservar a consciência de si mesmo durante alguns minutos até que a vida orgânica se extingui completamente, quase sempre, a apreensão da morte lhe faz perder a consciência antes do momento do suplício. 
Ou seja, essa apreensão pode durar alguns minutos, segundos, e nada mais ser observado pelo espírito. Casos existem que, por merecimento, a pessoa entra em sono profundo antes mesmo da sua morte física e nada vê ou percebe dela. Só no Mundo Espiritual irá saber do ocorrido e observar que, apesar de ter sido da forma que foi, seu corpo espiritual está intacto, sem nenhum arranhão sequer.

Lembro-me de uma noite de psicografia na Casa da Prece em Uberaba, quando Chico Xavier começou a ler as mensagens que chegaram por seu intermédio, uma me tocou profundamente.
 Tratava-se de um jovem ciclista de Santa Catarina, estudante de medicina, que numa manhã de sol, como de costume, saiu para pedalar e foi bruscamente atropelado por um caminhão. Sua mãe imaginava que pelos destroços de seu corpo físico, ele sofria muito no Mundo Espiritual. Em sua carta ele afirmava e acalmava sua mãe dizendo apenas lembrar-se de sua apreensão quando observou a aproximação do caminhão e nada viu e sentiu do acidente. Dizia:

- Mãe acredite em mim, cheguei aqui sem nenhum arranhão sequer. Foi tudo muito rápido. Fui carinhosamente envolvido pela vovó que me levou para um abrigo confortador. Não sofra minha mãe querida, pois não sofri nada como a senhora imagina.

Os Benfeitores afirmam que a única morte que lesa o períspirito e faz o espírito sentir a dor daquilo que exterminou a vida do corpo físico, é a morte pelo suicídio. Não é castigo, trata-se apenas do inicio do processo reeducativo que o espírito suicida precisará experimentar, para valorizar as suas existências corpóreas futuras, como instrumento de sua evolução.

Seja qual for o tipo de morte que uma pessoa tiver, a única coisa que o seu espírito precisará, é do conforto das preces e da aceitação daqueles que aqui ficaram. A morte só existe para o corpo físico porque o espírito é imortal. Deus não tem nenhum dos seus filhos morto. Confiemos mais na nossa imortalidade, pois com ela tudo mudará em nós.
 

Ismael Batista da Silva Site Rede Amigo Espírita
 

A Mediunidade reconhecida pelos Papas




Já se sabe que os fenômenos envolvendo a mediunidade não são recentes, mas que têm sido registrados desde os tempos mais antigos da civilização. A Igreja também reconheceu o fenômeno, e muitos papas estiveram envolvidos em ocorrências mediúnicas.
 
Em 18 de abril de 2005, ocorreu a eleição de Joseph Ratzinger (1927), o novo papa da Igreja Católica Apostólica Romana, que adotou o nome Bento XVI, em substituição a Karol Wojtyla (1920-2005), chamado papa João Paulo II.
 
Aproveitaremos a oportunidade para destacar a mediunidade e a comunicabilidade dos Espíritos, presentes entre os papas desde a origem do papado e ao longo de sua história de quase dois mil anos. Tínhamos ouvido referência de fenômenos espirituais com Pio V e Pio XII, em palestras do médium Divaldo Franco (1927-), e quisemos aprofundar e completar o assunto.
                                                                                     
                                                                                    Constantino, o Imperador
 
Consultando a historiografia católica sobre a origem doutrinária do papado, o imperador romano Constantino (272-337) é apontado entre os teólogos como um dos seus principais precursores, pois foi ele quem historicamente começou a dar forma ao Sistema Católico Romano. Constantino presidiu o 1º Concílio das Igrejas, no ano 313, construindo depois a primeira basílica em Roma, tornando o cristianismo religião oficial do Império, seguido de Teodósio (347-395) e outros imperadores.
 
Começava-se a criar os fundamentos que possibilitaram que Valentiniano III (Flávio Plácido, 419-455), no ano 445, reconhecesse oficialmente ao papa (a palavra "papa" significa pai) o exercício de autoridade sobre as Igrejas, ganhando o papado poder mundial com Carlos Magno (747-814), no século 8.
 
Ocorre que Constantino, que os católicos consideram como o precursor da estruturação papal, converteu-se ao cristianismo através de uma visão espiritual, conforme relatou o historiador católico Eusébio de Cesaréia (275-339), em sua obra Vita Constantini (Cap. XXVIII). Durante a batalha contra o imperador Maxêncio (séc. 3/4), com seu exército em desvantagem, Constantino viu no céu um grupo de Espíritos, liderados pelo Espírito (chamado Anjo) São Miguel, mostrando-lhe uma cruz luminosa com os dizeres: "Com este sinal vencerás".
 
A visão de Constantino
 
O impacto que sentiu foi tão grande que mandou pintar uma cruz em todas as bandeiras, venceu a batalha e se converteu ao cristianismo, estabelecendo o famoso Edito de Milão, do ano de 313. O escritor Nicéforas (séc. 16) escreveu que Constantino viu este Espírito mais duas vezes - numa delas, orientando-o a edificar Constantinopla; e, na outra, para ajudá-lo numa revolta por parte dos moradores da antiga Bizâncio.
 
Portanto, encontramos visões espirituais nos primórdios da estruturação da Igreja e da criação do papado.
 
                                                                                            Papa Pio V
Encontramos exemplos de mediunidade dos papas numa ocorrência com Antônio Michele Ghislieri (1504-1572), o papa Pio V, que foi o Sumo Pontífice no período de 1566 a 1572. Em 1570, os turcos otomanos invadiram a ilha de Chipre e tomaram Veneza, e os venezianos pediram ajuda. O papa Pio V enviou uma frota de 208 navios, sob o comando de Don John da Áustria. Essa frota encontrou 230 navios turcos em Lepanto, Grécia, em 7 de outubro de 1571. A batalha durou três horas. Miguel de Cervantes (1547-1616), o novelista espanhol, autor de Dom Quixote, participou dessa batalha histórica. Em Roma, Pio V aguardava notícias, orava e jejuava, juntamente com monges, cardeais e fiéis. Em 7 de outubro, ele trabalhava com seu tesoureiro, Donato Cesi, que lhe expunha problemas financeiros. De repente, separou-se de seu interlocutor, abriu uma janela, entrou em êxtase e teve uma visão em desdobramento espiritual. Voltou-se para Donato e lhe disse: "Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer a batalha". Duas semanas depois chegaram as notícias da vitória de sua esquadra, confirmando sua visão espiritual.
 
        Papa Pio XII
 
Mais recentemente, no século 20, encontramos outro exemplo de ação espiritual entre os papas, com o Cardeal Eugênio Pacelli (1876-1958), que viria a ser o papa Pio XII, no período de 1939 a 1958. O fato foi relatado pela própria Igreja Católica, em seu jornal oficial L'Observatore Romano, e depois publicado no Brasil, no jornal Ave Maria, de Petrópolis, transcrito pelo Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, em setembro de 1956. 
 
Em 19 de fevereiro de 1939, nos aposentos do Vaticano, na ala esquerda da Catedral de São Pedro, o cardeal Eugênio Pacelli estava orando; ele era um diplomata da Santa Sé junto aos governos do Ocidente. Em seus aposentos de cardeal, ele ouviu uma voz chamando: "Pacelli, Pacelli". Ele se voltou e viu o Espírito do papa Pio X (1835-1914). Emocionado, ele se ajoelhou e chamou-o de Santidade. O Espírito respondeu-lhe: "Não sou Santidade, mas apenas um irmão; venho avisá-lo que, dentro de alguns dias, se tornará papa, e que a Terra será devorada por uma avalanche de tragédia.É da vontade do Senhor que seja papa para governar a Igreja com sabedoria, bondade diplomática e equilíbrio".
 
O cardeal Eugênio Pacelli redarguiu dizendo que não entendia aquilo, porque Pio XI (1857-1939) era o papa de então, e governava a Igreja com sabedoria. O Espírito Pio X não discutiu com o cardeal, desvaneceu-se.
 
Emocionado, Eugênio Pacelli desceu de seus aposentos e adentrou na Catedral de São Pedro. Foi até o subterrâneo, onde estão os túmulos papais, ajoelhando-se na cripta de Pio X, permanecendo em oração até o amanhecer. Ao raiar do dia, adentrou novamente na Catedral de São Pedro, e um guarda suíço perguntou-lhe se estava sentindo-se bem, pois estava muito pálido. Eugênio Pacelli respondeu que tinha dialogado com Pio X. Surpreso, o guarda contrapôs que Pio X estava morto. Mas Eugênio Pacelli disse que, naturalmente, o sabia, pois fora ele quem tinha feito o discurso laudatório. Além do quê, Pio X tinha sido seu padrinho de cardinalato.
 
Pio X disse-lhe que ele seria papa e, em seguida, a humanidade entraria em guerra. O fato permaneceu em sigilo, mas dois ou três meses depois, Pio XI morreu de uma doença misteriosa. Eugênio Pacelli foi eleito o novo papa, Pio XII, e logo depois eclodiu a Segunda Guerra Mundial, conforme lhe dissera o Espírito Pio X. É mais um fato mediúnico, registrado pela história, de comunicabilidade espiritual com os papas.
 

É interessante registrar que não foi por acaso que Pio X apareceu em Espírito e se comunicou mediunicamente com Pio XII. O papa Pio X conhecia os fenômenos espíritas, pois seu médico, Dr. José Lapponi (1851-1906), foi uma pessoa interessada nos estudos espíritas e até publicou um livro à época - Hipnotismo e Espiritismo (1897) - aprovado pelo papa Leão XIII, e que foi traduzido e publicado no Brasil pela editora da Federação Espírita Brasileira (mais detalhes).
 
O DR. LAPPONI TAMBÉM FOI MÉDICO do papa Leão XIII (1810-1903). Vale anotar que, quando da segunda edição do livro Hipnotismo e Espiritismo, em 1904, o periódico Diário de Noticias, de Madri, do dia seis de julho, publicou carta do Dr. Lapponi na qual ele comentava que o órgão jesuíta La Civilitá Cattolica censurava seu livro porque ele divulgava teorias que não eram aprovadas pela Igreja, e que o próprio papa Pio X reprovara a obra. Mas à época, dom Eduardo Checci, redator do Giornale d'Italia, foi entrevistado sobre isso, desmentindo que o papa Pio X tivesse reprovado a obra. O Dr. Lapponi acrescentou que Pio X conhecia o trabalho desde sua primeira edição e o tinha aprovado, e que o livro tinha merecido louvores até do papa Leão XIII, que disse que a ciência católica não devia ser contrária ao estudo do Espiritismo e suas manifestações.
 
É importante esclarecer que o Dr. Lapponi não era espírita e, nesse livro, ele adotou uma postura até de prevenção com relação aos fenômenos do hipnotismo e do Espiritismo, porque poderiam ensejar fraudes e mistificações. Chega a ser curiosa essa sua atitude, pois a verdade é que, se ele admitiu os fenômenos espíritas (e, para nós, é o que importa), não se compreende por que ele recrimina sua prática.
 
O Dr. Lapponi demonstrou que não conheceu realmente o Espiritismo, uma vez que se ateve somente à parte fenomênica; não conheceu a parte filosófica e ética da Doutrina Espírita. Nem no aspecto fenomênico ele se aprofundou, pois só se referiu às situações duvidosas; por temer fraudes e a ação de Espíritos brincalhões e zombeteiros (que, portanto, ele admitia), achou temerário e perigoso ocupar-se do Espiritismo.
 
Para nós vale que o Dr. Lapponi, médico de dois papas, historiou a ocorrência de fenômenos espíritas desde a Antiguidade e reconheceu a intervenção dos Espíritos no mundo material.
 
                                        A transfiguração de Jesus

A transfiguração de Jesus é citada como exemplo de fenômeno mediúnico que aparece na Bíblia, com Moisés e Elias aparecendo em espírito material. Ao final do livro, ele afirmou que o Espiritismo só deveria ser estudado com as necessárias precauções e por ação de pessoas reconhecidamente competentes (op.cit., pág. 219).
Portanto, a Doutrina Espirita e os fenômenos mediúnicos transitaram pelo Vaticano no século 19, entre os papas e pelo médico que cuidou de dois deles nesse período e escreveu um livro sobre o assunto, reconhecendo sua existência, apesar de sua atitude de temor.
Mesmo nos tempos mais recuados, os fenômenos mediúnicos estavam presentes na sociedade, em todos os lugares, já que fazem parte da Natureza. Por isso, encontramos referência a eles desde há dois mil anos. Basta citarmos o apóstolo Pedro, que é considerado como o primeiro papa da Igreja. Na Bíblia, encontramos várias ocorrências mediúnicas e de interferência dos Espíritos, ocorridos com Pedro. Por exemplo:

  • Em Mateus, 17:1-6, está descrita a transfiguração de Jesus na qual, estando Ele num monte, acompanhado por Pedro, Tiago e João, apareceram, em Espírito, Moisés e Elias, que já estavam mortos havia séculos, e conversaram com Jesus;
  • Em Atos dos Apóstolos, 2:1-14, ocorreu o fenômeno chamado Pentecostes, no qual os doze apóstolos ouviram um som vindo do céu, como um vento, e como que línguas de fogo pousaram sobre cada um deles, que então começaram a falar em diversos idiomas;
  • Em Atos dos Apóstolos, 3:2-8, é descrita a mediunidade curativa de Pedro, quando ele curou um coxo de nascimento que todo dia ia à porta do templo para pedir esmolas. Ele tomou o coxo pela mão e ordenou-lhe que se levantasse e andasse, e assim ocorreu;
  • Em Atos dos Apóstolos, 11:5-10, Pedro teve um arrebatamento espiritual e teve vidência e audiência. Viu, a céu aberto, um vaso que descia, como grande lençol atado pelas quatro pontas, vindo para a terra, e ouviu uma voz: "Levanta-te Pedro, mata e come". Pedro disse ao Senhor que nunca tinha comido coisa imunda. A Voz disse-lhe que não devia chamar de imundo o que Deus purificou; isso se repetiu por três vezes;
  • Em Atos dos Apóstolos,11:11-1, Pedro viu três homens de Cesareia que o buscavam, e estavam em frente à casa onde estava; um Espírito lhe disse que fosse com eles, nada duvidando;
  • Em Atos dos Apóstolos, 12:5-11, Pedro estava dormindo na prisão, vigiado por dois guardas. Quando Herodes ia chamá-lo, houve uma luz na prisão, e apareceu um Espírito (chamado anjo) despertando-o, rompendo as correntes e dizendo-lhe para fugir; e conduziu-o, fazendo-o passar pelos guardas, chegando à porta da cidade, pela qual saíram. E Pedro percebeu que Deus havia enviado um Espírito para ajudá-lo.
Um anjo liberta Pedro
       
Para encerrar esse importante registro histórico sobre a mediunidade e seu reconhecimento entre os papas, temos necessariamente que citar o recém-falecido papa João Paulo II, reconhecido como um grande missionário do bem. A revista Veja, de 6 de abril de 2005, na página 93, transcreveu uma frase pronunciada por ele numa pregação na Basílica de São Pedro, em novembro de 1983, e que dispensa comentários: "O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".
Portanto, fica registrado, segundo as próprias fontes católicas e as não espíritas, que a mediunidade e a comunicabilidade espiritual têm se manifestado e sido reconhecidas pela Igreja, mesmo entre os seus maiores representantes, desde a Antiguidade. E ainda hoje ocorre, demonstrando que a vida não se restringe à realidade material nem é interrompida com a morte.