Eternidade

Eternidade

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016







A bondade divina é infinita e, em todos os lugares, há sempre
generosas manifestações da Providência Paternal de Deus, confortando
os tristes, acalmando os desesperados, socorrendo os
ignorantes e abençoando os infelizes.


André Luiz pela psicografia de Chico Xavier
(Missionários da luz, capítulo 07)

Divaldo Pereira Franco é o entrevistado da SNEWS

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ética no contato com o paciente e consulentes



Não podemos nos esquecer de que, mesmo trabalhando no serviço do bem comum, atendendo às dores, às dificuldades e aos sofrimentos alheios, os médiuns, geralmente, não são médicos. Os trabalhadores, terapeutas do espírito, também não são médicos; ainda que detenham algum conhecimento na área da saúde, que hajam estudado a fisiologia espiritual e energética do ser humano, fato é que não são médicos. Embora possam captar o pensamento de alguém que exercesse a medicina quando encarnado, assim mesmo, não são médicos. Por isso, enfatizamos o cuidado que devem ter meus irmãos a fim de evitar a acusação de prática de curandeirismo ou de exercício ilegal da medicina.

Para as atividades espirituais, não precisamos recorrer a instrumentos que somente aos médicos é dado manejar. Aos espíritos superiores comprometidos com a recuperação da saúde humana, são completamente desnecessários o bisturi e as demais ferramentas e técnicas cujo emprego é prerrogativa médica. É bom lembrar que, na história das manifestações brasileiras de espiritualidade, já houve vários trabalhos sérios que ficaram comprometidos devido ao uso de tais elementos. Os responsáveis foram expostos às leis dos homens em razão da imprudência — mais de médiuns e trabalhadores que de espíritos. Médiuns há que resolvem lançar mão desses instrumentos para dizer ou mostrar que estão realizando cirurgias espirituais. Ora, se estas são espirituais, por que usar ferramentas da medicina terrena? Por outro lado, se querem realizar cirurgias físicas, por que deveriam se eximir de estudar medicina e formar-se na profissão? Há que ter um cuidado sério para não comprometermos o trabalho espiritual nem sermos enquadrados como praticantes ilegais da medicina ou como usuários de métodos de curandeirismo. Trata-se, repetimos, de prática absolutamente desnecessária, decorrente muito mais de aspectos ligados à expressão anímica do médium do que ao espírito manifestante, isso quando há um espírito atuando, genuinamente.

Sem desmerecer meus irmãos espirituais que, no passado, utilizaram esses recursos, a medicina espiritual está por demais avançada para que seja necessário recorrer a tais recursos, mais apropriados a profissionais da esfera física. Trabalhamos com energias, luz coagulada, ondas, radiações e vibrações; para nós, da esfera além-física, o ectoplasma é a fonte de abastecimento vital e energético, da qual nos servimos para interferir na qualidade da saúde dos consulentes, dentre outros recursos ainda invisíveis para meus irmãos encarnados. Trata-se de uma medicina puramente vibracional, que, não obstante todo o conhecimento científico do mundo, os médicos na atualidade não conseguem entender nem sequer aceitar, em sua maioria. De forma análoga, caso estes pretendam empregar recursos e aparelhos que simulem tecnologias próprias do plano extrafísico, por certo serão também responsabilizados perante os conselhos de medicina, pois além de não conhecerem os pormenores de elementos próprios do plano invisível, estes não são reconhecidos pela ciência como métodos válidos, ao menos por ora.

É prudente, portanto, que cada qual se utilize dos recursos pertinentes à sua área de atuação.

Outro aspecto importante no trato com consulentes diz respeito à comunicação clara do que se pretende fazer. Como médiuns, terapeutas do espírito ou curadores, não é elegante prometer a cura de nenhuma enfermidade nem divulgar que se está curando enfermos. Mais uma vez, afirmamos: médium não é médico. Mais determinante que isso, porém, é que nem os médicos do espaço que trabalham com seriedade divulgam que curam, pois a cura depende de diversos fatores.

Nenhum de nós é Deus; ademais, nem mesmo Jesus, o médico por excelência, curou todos os enfermos que o procuraram.

Assim sendo, prometer cura é comprometer o trabalho e os trabalhadores. No máximo, podemos oferecer auxílio espiritual como complemento ao tratamento médico.

Aqueles que nos procuram para sanar suas dores não devem, de maneira alguma, interromper o tratamento médico ou o acompanhamento de saúde a fim de receber auxílio da medicina espiritual. É útil lembrar que trabalhamos numa sociedade humana que, em sua maior parte, não reconhece a eficácia, nem sequer admite a existência das intervenções espirituais. A lembrança desse fato é essencial para evitar comprometer as tarefas realizadas em nome do eterno bem.

A ética espiritual define, ainda, que não podemos, sob nenhuma hipótese, suspender qualquer medicação, insinuar que o consulente deva interromper o tratamento médico, tampouco deixar sequer transparecer a ideia de que a terapia espiritual seja um método substitutivo à metodologia terrena. Nosso campo de atuação não é o corpo, mas o espírito, o perispírito ou psicossoma, o duplo etérico, a fisiologia dos corpos energéticos e as formas-pensamento. Trabalhamos visando eliminar os focos de contaminação fluídica, miasmática e astral, bem como os cúmulos energéticos localizados nos corpos extrafísicos de meus irmãos, cientes de que tais intervenções trazem alívio e qualidade de vida, e agem de modo a aumentar a eficacia dos tratamentos realizados pelos médicos da Terra. São somente eles, nossos amigos da ciência terrena, que podem recomendar a interrupção de tratamentos prescritos.

Seria muita irresponsabilidade e falta de zelo com a seriedade do trabalho espiritual que médium, espírito ou pseudoespírito sugerissem ao consulente cessar o tratamento médico, usando a terapia espiritual como pretexto.

É bom ter em mente, também, um outro cuidado. Uma vez que a medicina e a ciência da Terra ainda não reconhecem a eficácia nem sequer a realidade da ciência espiritual, e considerando que médiuns receitistas, de cura e magnetizadores não são médicos, reza a prudência que evitem indicar medicamentos alopáticos e tratamentos próprios da medicina convencional ou tradicional. Tal campo é de competência da medicina terrena. À ciência médica espiritual cabem métodos mais brandos e naturais, a título de terapia complementar e objetivando incrementar a qualidade de vida e a saúde de meus irmãos.

Quando mencionamos essas situações, queremos sobretudo garantir a segurança dos trabalhos espirituais e a do próprio trabalhador que representa ou diz representar os Imortais. Reiteramos: mesmo na hipótese de que o necessitado de socorro venha a se sentir curado ou recuperado das enfermidades que o trouxeram ao contato com a realidade espiritual, é ético da parte do terapeuta do espírito não isentá-lo do tratamento médico convencional, mas sim recomendar que procure seu médico e siga suas orientações.

O princípio que deve pautar as ações é o seguinte: a medicina espiritual não compete com a medicina humana; antes, lhe serve de complemento, que não invalida a metodologia tampouco a atuação dos médicos do mundo.

De outro lado, mesmo não sendo médicos, os médiuns precisam saber anatomia e fisiologia; precisam ter o mínimo de conhecimento sobre o corpo humano, além de estudar constantemente fisiologia energética e espiritual. Chacras, corpos, formas-pensamento, parafisiologia do psicossoma em particular, assim como do duplo etérico, além de algo mais ou menos profundo a respeito do corpo mental, são tópicos centrais de estudo, a fim de não incorrerem em erros básicos que a simples intuição, desamparada de noções robustas, é incapaz de afastar. Ao mesmo tempo, quando os médiuns se preparam podem oferecer aos seus companheiros invisíveis instrumentos mais aprimorados, a fim de que exerçam sua atividade com mais eficácia.

A presença dos espíritos nas atividades de cura de meus irmãos não exime ninguém, sobretudo os médiuns, de continuar estudando e aperfeiçoando-se sempre. Sem estudo, sem disciplina e sem dedicação, dificilmente se terá a chancela dos espíritos superiores.

A propósito, é imperioso entender que nem todos os espíritos que pretendem atender meus irmãos em problemas relativos à saúde, entre outros de variada complexidade, são espíritos esclarecidos. Assim como na Terra há os que se passam por pessoas sérias, os que são enganadores e antiéticos, do lado de cá da vida existem os espíritos mistificadores; somente o estudo, o conhecimento e a coragem de enfrentá-los, com instrumentos espirituais apropriados, são capazes de desmascará-los. Não se iludam meus irmãos pensando que todo espírito que pretenda ajudar tenha real condição e intenção de fazê-lo.

De outro lado, existem também aqueles entre meus irmãos que são crédulos por demais. Se há espíritos que enganam, eles só encontram campo para tal por existirem pessoas que se expõem abertamente à possibilidade de ser enganadas.

De maneira análoga, assim como existem médiuns sérios e com real compromisso na área da cura, existem também aqueles que querem copiar outros, simular cirurgias espirituais e ser médiuns de cura a todo custo, ignorando que seu compromisso é em outra área da vida espiritual. Em nome do respeito, da dignidade e da fidelidade aos espíritos superiores, meus irmãos devem ficar atentos. Diante dos modismos do movimento espiritualista, qualquer um arma uma maca e se autodenomina médium de cura. E logo aparecem pessoas desavisadas, dispostas a se submeterem a tratamentos que o médium não conhece e para os quais não está preparado. Não basta uma maca e a aparência de se estar em transe para que a pessoa seja médium de cura e esteja bem assistida, do ponto de vista espiritual. As questões dessa ordem são por demais sérias para que meus irmãos se deixem levar pelos desatinos e irresponsabilidades de alguns que se julgam médiuns e não o são, ao menos nesse departamento.

Os médiuns e os trabalhadores do bem, de modo geral, precisam estudar sempre, saber mais, aprofundar os estudos e observações e conhecer as bases da filosofia espírita. Quem não estuda, candidata-se ao engano; quem não conhece nem se dedica ao aperfeiçoamento, à informação e ao incremento da cultura espiritual, torna-se porta aberta para intromissões energéticas e conscienciais indesejáveis e comprometedoras. Um elevado amigo espiritual diz, com propriedade, que médium sem estudo é ferramenta enferrujada. E nós acrescentamos que médium sem ética é ferramenta que já foi posta de lado e não nos serve mais.

Não podemos olvidar que a importância do trabalho do bem e a consideração que lhe é devida estão acima das pretensões e da leviandade das pessoas, sejam elas médiuns, trabalhadores, médicos ou quem for. Convém a cada um chamado a servir à humanidade, em nome do bem geral, desenvolver o senso de responsabilidade em relação à tarefa com a qual colaborará. Sabendo que ninguém é dono da atividade que realiza, é possível ser remanejado a qualquer momento, tanto quanto ser convidado a se afastar, a fim de que outro mais comprometido assuma o que não demos conta de fazer. O trabalho não nos pertence; ninguém é insubstituível, nem incapaz de realizar algo. A todos é dada a oportunidade de servir em alguma atividade, mas compete a cada um fazer-se necessário à tarefa por meio da dedicação e do esforço, do respeito e da dignidade que o trabalho merece.

Quando se trata do bem comum, o trabalho é mais importante do que o trabalhador. Tanto quanto é verdade que, quando se trata das necessidades humanas e da dor particular, o trabalhador é tão importante quanto o trabalho que ele representa. 

Por isso, merece, como qualquer ser humano, carinho, atenção e cuidados equivalentes aos do necessitado que procura atendimento. Não obstante, na tarefa diária, é bom não confundir os dois papéis; é preciso saber em que lugar nos colocamos: se no do consulente necessitado ou no do enfermeiro que serve em nome de Cristo.

Joseph Gleber

Fonte: A Casa do Espiritismo

terça-feira, 29 de novembro de 2016

"EU PERDOO"


Brryan Jackson foi deliberadamente infectado pelo vírus HIV, aos 11 meses de vida, por seu próprio pai – um técnico em hematologia que estava se separando da mãe de Brryan e estava preocupado com o pagamento de pensão.
 
O episódio aconteceu durante uma internação hospitalar por causa de uma asma. O pai, Brian, aproveitou uma saída da mãe do quarto para injetar o vírus na corrente sanguínea do filho. Quando descobriram o que afetava o Brryan, já aos cinco anos de idade, os médicos lhe deram apenas cinco meses de vida. Os clínicos temiam não apenas os efeitos da doença, mas do coquetel de remédios que ele precisava tomar para tentar mantê-la sob controle.

Atualmente, a rotina médica de Brryan Jackson já não envolve mais andar com sondas pelo corpo, como nos tempos de escola. As 23 pílulas diárias hoje são apenas uma, embora de três em três meses ele precise ir ao médico para checar seu sistema imunológico. A doença, obviamente, afetou sua vida social. Diversos relacionamentos foram interrompidos por pais receosos.

Hoje, aos 25 anos, Jackson confessa que cogitou o suicídio, mas optou pela religião. A conversão ao Cristianismo fez com que decidisse “perdoar” o pai, que foi condenado à prisão perpétua em 1998. Conta que nunca teve contato com o progenitor. Contudo poderá ficar frente a frente com ele ainda este ano, quando uma junta examinará um pedido de liberdade condicional. Jackson, apesar de o ter “perdoado”, pretende ler um comunicado em que recomenda que o pai continue preso. (1)

Como agir diante de uma situação dessas? Será que realmente Brryan perdoou seu pai? O assunto é ingrato e merece algumas avaliações doutrinárias. Em verdade, aprendemos com os Benfeitores espirituais que se alguém nos prejudicou, não podemos permitir que o sentimento de vingança desgaste nosso estado psicoemocional. (2) Nem que seja por “egoísmo” é importante perdoar incondicionalmente. Até porque, quem sofrerá com a mágoa guardada somos nós e não quem nos lesou, causando consternação ou desgosto.

Quantos são aqueles que dizem que desejam perdoar, mas não o conseguem? Ora, distanciando-nos do caso Brryan Jackson, urge ponderar alguns aspectos. Será que quem nos magoa queria nos prejudicar propositalmente? Muitos erros são cometidos sem a intenção de nos danificar. Porém, se tiverem sido intencionais, será que o nosso agressor se arrependeu? Neste caso, será que estamos realmente dispostos a indultá-lo?

Em verdade, só podemos perdoar o outro se perdoarmos a nós mesmos. Reflitamos nos erros que cometemos com o próximo e desculpemo-nos. Livremo-nos da culpa e estaremos prontos para perdoar. efetivamente, esquecer a ofensa nos favorece porque faxina o coração da ira e da contrariedade. Perdoar alguém que nos fez mal revoga o ciclo de pensamentos negativos, que só servem para nos abater moral e espiritualmente.

É um sinal de amadurecimento, pois ofertar o perdão favorece o agressor, contudo beneficia muito mais quem perdoa. Proporciona uma duradoura percepção de liberdade. É verdade! Ao saírmos da posição de vítimas, a sensação é de grande liberdade – deixamos de ser escravizados de um sentimento que antes nos aprisionava. Ajuda-nos a retomar as rédeas da vida.

Quem profere do fundo d’alma “eu perdoo” se sente mais forte e capaz de comandar o próprio destino.

Jorge Hessen

Brasília DF

Nota e Referência:
(1) Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36608335 acesso 23/10/2016
(2) É aquela nossa ação interior para vivermos emoções através de nosso intelecto

domingo, 27 de novembro de 2016

PROMETER


"Prometendo-lhes liberdade,
sendo eles mesmos servos
da corrupção"
(II Pedro, 2:19.)


É indispensável desconfiar de todas as promessas de facilidades sobre o mundo.

Jesus, que podia abrir os mais vastos horizontes aos olhos assombrados da criatura, prometeu-lhe a cruz sem a qual não poderia afastar-se da Terra para colocar-se ao seu encontro.

Em toda parte, existem discípulos descuidados que aceitam o logro de aventureiros inconscientes. É que ainda não aprenderam a lição viva do trabalho próprio a que foram chamados para desenvolver atividade particular.

Os fazedores de revoluções e os donos de projetos absurdos prometem maravilhas. Mas, se são vítimas da ambição, servos de propósitos inferiores, escravos de terríveis enganos, como poderão realizar para os outros a liberdade ou a elevação de que se conservam distantes?

Não creias em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos.

Deves saber que fostes criado para a gloriosa ascensão, mas que só é fácil descer. Subir exige trabalho, paciência, perseverança, condições essenciais para o encontro do amor e da sabedoria.

Se alguém te fala em valor das facilidades, não acredites; é possível que o aventureiro esteja descendo. Mas quando te façam ver perspectivas consoladoras, através do suor e do esforço pessoal, aceita os alvitres com alegria. Aquele que compreende o tesouro oculto nos obstáculos, e dele se vale para enriquecer a vida, está subindo e é digno de ser seguido.


da obra Caminho, Verdade e Vida, por Francisco Cândido Xavier,
ditado pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A potência do Amor - por Einstein


"Fragmento da última carta de Einstein à sua filha Lieserl!

O Amor...
Quando propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam, e o que lhe revelarei agora para que o transmita à humanidade, também se chocará contra a incompreensão e os preconceitos do mundo.

Peço-lhe mesmo assim, que o guarde o tempo todo que seja necessário, anos, décadas, até que a sociedade haja avançado o suficiente para acolher o que lhe explico a seguir.

Existe uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma explicação formal.

É uma força que inclui e governa todas as outras, e que está inclusa dentro de qualquer fenômeno que atua no universo e que ainda não foi identificada por nós.

Esta força universal é o Amor.

Quando os cientistas buscam uma teoria unificada do universo, esquecem da mais invisível e poderosa das forças.

O amor é luz, já que ilumina quem o dá e o recebe.
O amor é gravidade porque faz com que umas pessoas sejam atraídas por outras.
O amor é potencia, porque multiplica o melhor que temos e permite que a humanidade não se extinga no seu egoísmo cego.
O amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre.

Esta força explica tudo e dá sentido em maiúscula à vida.

Esta é a variável que temos evitado durante tempo demais, talvez porque o amor nos dá medo, já que é a única energia do universo que o ser humano não aprendeu a manobrar segundo seu bel prazer.

Para dar visibilidade ao amor, fiz uma simples substituição na minha mais célebre equação. Si no lugar de E=mc² aceitamos que a energia necessária para sanar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque não tem limite.

Após o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se voltaram contra nós, é urgente que nos alimentemos de outro tipo de energia.

Se quisermos que nossa espécie sobreviva, se nos propusermos encontrar um sentido à vida, se desejarmos salvar o mundo e que cada ser sinta que nele habita, o amor é a única e última resposta.

Talvez ainda não estejamos preparados para fabricar uma bomba de amor, um artefato bastante potente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o planeta.

Porém, cada indivíduo leva no seu Interior , um pequeno mas poderoso gerador de amor cuja energia espera ser liberada.

Quando aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl, comprovaremos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor é a quintessência da vida.

Lamento profundamente não ter sabido expressar o que abriga meu coração, que há batido silenciosamente por você toda minha vida.

Talvez seja tarde demais para pedir-lhe perdão, mas como o tempo é relativo, preciso dizer-lhe que a amo e que graças a você, cheguei à ultima resposta.

Seu pai,
Albert Einstein "

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Virtudes e Defeitos


Do latim virtus, utis, que significa força corpórea, ânimo, valor, bravura, coragem, força de alma, energia, boas qualidades morais, mérito, vejamos outras definições para a palavra virtude:

a. Minidicionário Aurélio: "disposição firme para a prática do bem; qualidade moral".

b. Houaiss: "qualidade do que se conforma com o considerado correto e desejável; conformidade com o Bem, com a excelência moral ou de conduta".

c. Aristóteles: disposição adquirida de fazer o bem, que se aperfeiçoa com o hábito.

d. O Livro dos Espíritos - p. 893: "Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências".

e. Miramez em Horizontes da Vida: "Virtudes são qualidades morais que a alma deve exercitar a cada dia em proveito de sua própria vida".

Conclusão: virtudes são qualidades morais do homem, a serem despertadas, desenvolvidas, cultivadas, exercitadas. Mas por quê?

Deus criou tudo o que existe: o universo, a natureza, a humanidade. Deus, que é o Bem e a Perfeição absolutos, não criaria nada incompleto, imperfeito ou defeituoso. Então, tudo o que Deus criou foi criado para o Bem, inclusive a humanidade.

Isso significa que o ser humano, de natureza divina, foi criado potencialmente bom, virtuoso, ou seja, todos os homens têm latentes, em si mesmo, todas as virtudes necessárias ao seu progresso espiritual, à sua verdadeira felicidade.

Portanto, desenvolver virtudes é, na verdade, desenvolver nossa própria natureza, evoluir espiritualmente, para alcançar a felicidade que tanto buscamos, mesmo sem o sabermos. Assim, o desenvolvimento das virtudes é uma necessidade instintiva natural de todo ser humano. Mesmo inconscientemente, o homem deseja ser virtuoso, busca o cultivo das virtudes por instinto.

Mas, se é assim tão natural, por que é sempre tão difícil despertar, cultivar, desenvolver, exercitar as virtudes? Será que somos fracos? Estamos sem a proteção de Deus? Somos incapazes?

Não. Deus nada criou para a imperfeição, portanto, temos tudo para sermos perfeitos. Acontece que, durante muito tempo, por uma questão de sobrevivência, o homem foi obrigado a se preocupar mais com o mundo material e as necessidades físicas, e sua atenção esteve completamente voltada para a busca de alimento, abrigo, defesa, moradia, etc. Não sobrava tempo e espaço para que percebesse e se preocupasse com as coisas espirituais, pois as coisas materiais tomavam todo seu tempo e suas energias.

Isso foi necessário durante algum tempo, como parte do aprendizado do homem no planeta. Era necessário que ele conhecesse as emoções básicas antes pelo ponto de vista material, concreto, palpável, para depois abstrair-se e entendê-las pelo ponto de vista intelectual, filosófico e espiritual, conhecendo também os sentimentos mais elevados. Era apenas mais um estágio a ser vencido em sua caminhada evolutiva.

Nessa intensa luta pela sobrevivência, as virtudes acabaram confundidas com coisas do mundo material, mais objetivas e práticas como força e resistência físicas, coragem para a luta corporal, capacidade para estratégias de guerra, fertilidade, harmonia estética, etc. E, com as virtudes moldadas pela visão exclusivamente material, o homem acabou criando um mundo de luta, competição e disputa, onde o que valia era a lei do mais forte, do olho por olho, do jogo de poder e acúmulo de bens.

Com o tempo, entretanto, seu entendimento aumenta e ele alcança uma percepção instintiva das coisas espirituais. É sua natureza latente para o em chamando mais forte. E o homem passa a não se satisfazer mais só com as coisas materiais. E essa insatisfação começa a gerar vazio, culpa, arrependimento, desconforto, constrangimento de consciência, incômodo, pois o homem começa a perceber que lhe falta alguma coisa e que, talvez, ele tenha "defeitos".

Começa, então, a luta interior do homem contra si mesmo, a luta moral, o conflito consciencial do homem velho contra o homem novo, de que fala Paulo de Tarso em suas epístolas e de que falam muitos outros místicos e filósofos ao longo da história. Essa é a batalha mais árdua de todo ser humano, sem tréguas, sem disfarces, 24 h por dia, sem possibilidade de fuga, pois, mais cedo ou mais tarde, somos forçados a nos olhar frente a frente.

É nesse ponto que surgem a Religião e a Filosofia, como forma de encontrar alívio para o mal-estar interior e para o conflito que se instalou em nossa consciência. Em todas as Religiões vamos encontrar referências às virtudes. Todas as Religiões reconhecem o valor e a necessidade de se cultivar virtudes como qualidades das pessoas de bem, como qualidades a serem cultivadas para se tornar pessoas de bem.

Acontece que as Religiões, manifestações humanas, nunca foram perfeitas e, influenciadas pelas culturas e pela época em que estão inseridas, acabaram por dar às virtudes definições particulares, distorcidas, exagerando algumas características, tornando-as inacessíveis, difíceis de serem compreendidas ou vivenciadas pelas pessoas comuns, transformando-as em coisas para santos, místicos, anjos, iluminados, avatares, iniciados, missionários, etc.

Assim, as Religiões falham e não conseguem explicar e sanar o conflito vivido pelo homem, aliviando o desconforto espiritual em que vive. Sem poder alcançá-las, esse homem perde o interesse pelas virtudes e volta ao seu estado materialista. E instituiçõs religiosas, por sua vez, erguidas e cheias de homens também em conflito tanto quanto o povo, receosas de perder o controle sobre seus fiéis, criam mecanismos e leis que só fazem aumentar a culpa, o medo e o constrangimento da consciência humana.

Desse modo, as virtudes, além de não serem compreendidas, ainda são desvalorizadas e praticamente esquecidas, consideradas utopias, coisas de gente ingênua, crédula e ignorante. Ser virtuoso se torna sinônimo de ser bobo e ignorante.

O homem, cansado de ir e vir, continua lutando consigo mesmo, intuindo que alguma coisa está errada, que falta algo, mas sem saber como corrigir. E é nesse estágio em que nos encontramos hoje. O homem moderno, pelo excesso de materialismo e pela decepção com as Religiões, perdeu a referência divina de sua criação e, ao mesmo tempo, não se contenta com a referência mais animalizada e limitada de seu passado. Ele não quer voltar a ser o que foi, e não consegue enxergar ou entender o que pode vir a ser. Com a falta de compreensão de sua natureza divina e as distorções criadas com o passar dos séculos, o homem continua a agir de forma equivocada, manifestando qualidades que se parecem cada vez mais defeitos para ele.

O que são, então, os defeitos? Defeitos nada mais são que manifestações da nossa ignorância em relação à nossa natureza divina; são agressões a essa natureza virtuosa latente com que fomos criados desde o princípio; são agressões à nossa consciência e ao fluxo do amor divino que está em nós e nos transpassa ao longo da vida. Uma vez que entendemos as virtudes como parte de nossa natureza, aspectos naturais de nosso caráter, potenciais divinos latentes em todos nós para nosso sucesso espiritual, entendemos que o único caminho natural para nossa felicidade é a prática constnte e consciente dessas virtudes, cessando o conflito íntimo, o desconforto, a insatisfação.

A única e verdadeira função da virtude é fortalecer o espírito para a caminhada em direção ao progresso espiritual, reconduzindo-nos à posse de nossa natureza divina, libertando-nos de nosso passado limitado por distorções, ilusões e enganos.

Como diz Miramez em Horizontes da Vida, "a criatura virtuosa assegura força poderosa na sua vida, que lhe faz alcançar um bem estar indizível, na intimidade do coração. [...] A função da virtude é a de libertar as criaturas dos cansados trilhos das ilusões e do enfado torturante das paixões inferiores".

Assim, a nossa atitude natural deve ser cultivar virtudes e não combater defeitos. Cultivando virtudes, os defeitos, naturalmente, deixam de existir, de forma gradativa, pois não são parte de nós. São apenas manifestações de nossa ignorância em relação a nossa natureza; reflexo de nossa agressão a nossas características latentes naturais: as virtudes. Essas, sim, partes de nossa essência.

É importante, no entanto, que essa prática das virtudes não se torne uma obsessão, pois poderia levar a outro equívoco grave: o fanatismo. A busca das virtudes deve ser natural, gradativa, sem sofrimento, sem sacrifícios, sem privações, repressões ou imposições cruéis. O que não quer dizer que não implique algum sacrifício de nossa parte. Para conquistarmos as virtudes, teremos de abrir mão de alguns interesses pessoais, de alguns apegos materiais, de algumas crenças arraigadas, de alguns conceitos equivocados, de algumas percepções distorcidas ou egoístas... Mas tudo de forma natural, sem que seja necessário forçar nada, sem que nos tornemos chatos, implicantes, fiscais ou cobradores de nós mesmos ou de quem quer que seja.

Também não devemos, na ânsia de alcançar as virtudes, virar as costas aos defeitos. Para podermos evitar um perigo, precisamos saber exatamente como é esse perigo, onde ele está, como se comporta, quando se manifesta etc... Devemos procurar conhecer todos os nossos defeitos para melhor empreender a busca das virtudes contrárias a eles, e não bancar os cegos e ingênuos, fingindo não ver o perigo em que nos encontramos ou o quanto ainda estamos sujeitos a fraquejar.

E, principalmente, aceitemos os nossos eventuais defeitos com naturalidade, sem decepção, sem desânimo, pois eles são características naturais do estágio em que nos encontramos agora. Precisamos manifestar esses defeitos para nos conhecermos melhor e para sabermos quais são nossas maiores necessidades. Somente através de nossos defeitos, percebidos de forma consciente ou inconsciente, pudemos chegar ao momento em que nos encontramos hoje, aqui e agora, fazendo questionamento em busca de esclarecimento, orientação e aperfeiçoamento de nós mesmos.


Fonte: STUM - Somos Todos Um - por Maísa Intelisano


domingo, 30 de outubro de 2016

IMORTALIDADE



A morte não é o fim.
Criado para a vida, o Espírito transfere-se constantemente
de um estado vibratório para outro, sem perder a imortalidade.
Repara nos exemplos da natureza.
A destruição da semente em contato com o solo
não passa de transformação da vida gerando mais vida.
O sol, que se oculta com a chegada da noite, 
ressurge a cada amanhecer, sem jamais deixar de brilhar.

Se te ressentes da ausência do afeto que a desencarnação
transferiu para a vida no Além,
não te revoltes nem te desesperes.
Corações amoráveis o acompanham, tanto quanto a ti,
a fim de que a vida de cada um siga em paz 
na direção do progresso.
Confia no Pai e prossegue vivendo, fazendo o melhor
ao teu alcance.

A felicidade de quem segue no Além muitas vezes
depende do equilíbrio de quem permanece na Terra.
Entrega-te ao trabalho construtivo,
orando e servindo, e contarás com os eflúvios 
de luz e paz que vertem do Alto,
favorecendo-te na jornada redentora, até que te
reencontres com os corações queridos,
em comunhão de amor nos domínios da eternidade.


Clayton Levy / Scheilla (espírito) 







 

 A morte não existe - somos espíritos imortais em aprendizado,
ora vestindo um corpo de carne, ora estagiando na Pátria Espiritual.
Encarnamos, sempre que necessário ao nosso aprendizado.
E passamos aqui na Terra um breve tempo, muito breve mesmo,
se comparado à nossa existência imortal.

Temos parentes e amigos a quem muito amamos - aqui e lá.
Porque nossa parentela não se limita a que ora conhecemos
no mundo carnal.

Nossa parentela espiritual é imensa - fruto
das várias encarnações que tivemos.
E, de lá, também eles torcem, vibram por nós.

Quando encarnamos, continuamos ligados a eles, pelos fios do amor.
E estes mesmos fios nos mantêm ligados aos que aqui permanecem,
quando desencarnamos.
Ou seja, o amor permanece nos unindo. 
Sempre.
Lá ou cá, continuamos juntos, em processo de crescimento.

Então, sabendo disso, que possamos enviar
para os nossos amores que nos antecederam
muita energia de amor, paz, alegria e certeza de que
um dia estaremos todos juntos, sem mais adeus.

Que sua semana seja de introspecção.
E, em agindo assim, você sinta expandir-se em amor,
amor este capaz de envolver com suavidade todos
os que lhe são caros,
deste e do Plano Maior.





Fonte: Casa Espírita Eurípedes Barsanulfo
Núcleo Chico Xavier

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A disciplina do pensamento


Vivemos numa época de anemia intelectual, que é causada pela raridade dos estudos sérios, pela procura abusiva da palavra pela palavra, da forma enfeitada e oca, e, principalmente, pela insuficiência dos educadores da mocidade. Apliquemo-nos a obras mais substanciais, a tudo o que pode esclarecer-nos a respeito das leis profundas da vida e facilitar nossa evolução.
Pouco a pouco, edificar-se-ão em nós uma inteligência e uma consciência mais fortes e nosso corpo fluídico iluminar-se-á com os reflexos de um pensamento elevado e puro. Dissemos que a alma oculta profundezas onde o pensamento raras vezes desce, porque mil objetos externos ocupam-no incessantemente.
 
 
Sua superfície, como a do mar, é muitas vezes agitada; mas por baixo se estendem regiões inacessíveis às tempestades. Aí dormem as potências ocultas, que esperam nosso chamamento para emergirem e aparecerem. O chamamento raras vezes se faz ouvir e o homem agita-se em sua indigência, ignorante dos tesouros inapreciáveis que nele repousam.


É necessário o choque das provações, as horas tristes e desoladas para fazer-lhe compreender a fragilidade das coisas externas e encaminhá-lo para o estudo de si mesmo, para a descoberta de suas verdadeiras riquezas espirituais.
É por isso que as grandes almas se tornam tanto mais nobres e belas quanto mais vivas são suas dores. A cada nova desgraça que as fere têm a sensação de se haverem aproximado um pouco mais da verdade e da perfeição, e com esse pensamento experimentam uma espécie de volúpia amarga.
Levantou-se no céu de seu destino uma nova estrela, cujos raios trêmulos penetram no santuário de sua consciência e lhe iluminam os recônditos. Nas inteligências de cultura elevada faz sementeira a desgraça: cada dor é um sulco onde se levanta uma seara de virtude e beleza.
Em certas horas de nossa vida, quando morre nossa mãe, quando se desmorona uma esperança ardentemente acariciada, quando se perde a mulher, o filho amado, cada vez que se despedaça um dos laços que nos ligavam a este mundo, uma voz misteriosa eleva-se nas profundezas de nossa alma, voz solene que nos fala de mil leis augustas, mais veneráveis que as da Terra, e entreabre-se todo um mundo ideal.
Mas os ruídos do exterior abafam-na bem depressa e o ser humano recai quase sempre em suas dúvidas, em suas hesitações, na vulgaridade de sua existência. Não há progresso possível sem observação atenta de nós mesmos. É necessário vigiar todos os nossos atos impulsivos para chegarmos a saber em que sentido devemos dirigir nossos esforços para nos aperfeiçoarmos.
Primeiramente, regular a vida física, reduzir as exigências materiais ao necessário, a fim de garantir a saúde do corpo, instrumento indispensável para o desempenho de nosso papel terrestre; em seguida, disciplinar as impressões, as emoções, exercitando-nos em dominá-las, em utilizá-las como agentes de nosso aperfeiçoamento moral; aprender principalmente a esquecer, a fazer o sacrifício do “eu”, a desprender-nos de todo o sentimento de egoísmo.
A verdadeira felicidade neste mundo está na proporção do esquecimento próprio. Não basta crer e saber, é necessário viver nossa crença, isto é, fazer penetrar na prática diária da vida os princípios superiores que adotamos; é necessário habituarmo-nos a comungar pelo pensamento e pelo coração com os Espíritos eminentes que foram os reveladores, com todas as almas de escol que serviram de guias à humanidade, viver com eles numa intimidade cotidiana, inspirarmo-nos em suas vistas e sentir sua influência pela percepção íntima que nossas relações com o mundo invisível desenvolvem.
Entre essas grandes almas é bom escolher uma como exemplo, a mais digna de nossa admiração e, em todas as circunstâncias difíceis, em todos os casos em que nossa consciência oscila entre dois partidos a tomar, inquirirmos o que ela teria resolvido e procedermos no mesmo sentido.
Assim, pouco a pouco iremos construindo, de acordo com esse modelo, um ideal moral que se refletirá em todos os nossos atos. Todo homem, na humilde realidade de cada dia, pode ir modelando uma consciência sublime. A obra é vagarosa e difícil, mas para isso são-nos dados os séculos.
Concentremos, pois, muitas vezes nossos pensamentos, para dirigi-los, pela vontade, em direção ao ideal sonhado. Meditemos nele todos os dias, à hora certa, de preferência pela manhã, quando tudo está sossegado e repousa ainda à nossa volta, nesse momento a que o poeta chama “a hora divina”, quando a Natureza, fresca e descansada, acorda para as claridades do dia.
Nas horas matinais, a alma, pela oração e pela meditação, eleva-se com mais fácil impulso até às alturas donde se vê e compreende que tudo – a vida, os atos, os pensamentos – está ligado a alguma coisa grande e eterna e que habitamos um mundo em que potências invisíveis vivem e trabalham conosco.
Na vida mais simples, na tarefa mais modesta, na existência mais apagada, mostram-se, então, faces profundas, uma reserva de ideal, fontes possíveis de beleza. Cada alma pode criar com seus pensamentos uma atmosfera espiritual tão bela, tão resplandecente, como nas paisagens mais encantadoras; e na morada mais mesquinha, no mais miserável tugúrio, há frestas para Deus e para o infinito!
Em todas as nossas relações sociais, em nossas relações com os nossos semelhantes, é preciso lembrarmo-nos constantemente de que os homens são viajantes em marcha, ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte, nada devemos exigir, nada devemos esperar deles que não esteja em relação com seu grau de adiantamento.
A todos devemos tolerância, benevolência e até perdão; porque se nos causam prejuízo, se escarnecem de nós e nos ofendem, é quase sempre pela falta de compreensão e de saber, resultantes de desenvolvimento insuficiente. Deus não pede aos homens senão o que eles têm podido adquirir à custa de lentos e penosos trabalhos.
Não temos o direito de exigir mais. Não fomos semelhantes aos mais atrasados deles? Se cada um de nós pudesse ler em seu passado o que foi, o que fez, quanto não seria maior nossa indulgência para com as faltas alheias! Às vezes, também nós carecemos da mesma indulgência que lhes devemos. Sejamos severos conosco e tolerantes com os outros. Instruamo-los, esclareçamo-los, guiemo-los com doçura, é o que a lei de solidariedade nos preceitua.
Enfim, é preciso saber suportar todas as coisas com paciência e serenidade. Seja qual for o procedimento de nossos semelhantes para conosco, não devemos conceber nenhuma animosidade ou ressentimento; mas, ao contrário, saibamos fazer reverter em benefício de nossa própria educação moral todas as causas de aborrecimento e aflição.
Nenhum revés poderia atingir-nos, se, por nossas vidas anteriores e culpadas, não tivéssemos dado margem à adversidade. É isso o que muitas vezes se deve repetir. Chegaremos, assim, a aceitar todas as provações sem amargura, considerando-as como reparação do passado ou como meio de aperfeiçoamento.
De grau em grau chegaremos, assim, ao sossego de espírito, à posse de nós mesmos, à confiança absoluta no futuro, que dão a força, a quietação, a satisfação íntima, permitindo-nos permanecer firmes no meio das mais duras vicissitudes.
Quando chega a idade, as ilusões e as esperanças vãs caem como folhas mortas; mas as altas verdades aparecem com mais brilho, como as estrelas no céu de inverno através dos ramos nus de nossos jardins. Pouco importa, então, que o destino não nos tenha oferecido nenhuma glória, nenhum raio de alegria, se tiver enriquecido nossa alma com mais uma virtude, com alguma beleza moral.
As vidas obscuras e atormentadas são, às vezes, as mais fecundas, ao passo que as vidas suntuosas nos prendem, bastas vezes e por muito tempo, na corrente formidável de nossas responsabilidades. A felicidade não está nas coisas externas nem nos acasos do exterior, mas somente em nós mesmos, na vida interna que soubermos criar.
Que importa que o céu esteja escuro por cima de nossas cabeças e os homens sejam ruins em volta de nós, se tivermos a luz na fronte, alegria do bem e a liberdade moral no coração? Se, porém, eu tiver vergonha de mim mesmo, se o mal tiver invadido meu pensamento, se o crime e a traição habitarem em mim, todos os favores e todas as felicidades da Terra não me restituirão a paz silenciosa e a alegria da consciência.
O sábio cria, desde este mundo, para si mesmo, um refúgio seguro, um lugar sagrado, um retiro profundo, aonde não chegam as discórdias e as contrariedades do exterior. Do mesmo modo, na vida do espaço a sanção do dever e a realização da justiça são de ordem inteiramente íntima; cada alma traz em si sua claridade ou sua sombra, seu paraíso ou seu inferno.
Mas, lembremo-nos de que nada há irreparável; a situação atual do Espírito inferior não é mais que um ponto quase imperceptível na imensidade de seus destinos.
Texto do Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor
Autor: Leon Denis