Eternidade

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sábado, 27 de maio de 2017

Fenômenos assombrosos em Watervliet


A variedade envolvendo a fenomenologia mediúnica tem sido motivo de assombro para todos os que se interessam pelo intercâmbio entre o mundo material e o espiritual. A diversidade dos talentos mediúnicos pode ser verificada mediante consulta aos mais diferentes relatos que compõem a literatura voltada para o tema, seja ou não de origem espírita.

Surpreendem-nos as levitações de religiosos católicos durante a Idade Média. Espantam-nos os relatos da execução de instrumentos musicais em pleno ar, distantes das mãos dos médiuns ou de qualquer pessoa, durante a fase experimental do Espiritualismo Moderno, na primeira metade do século XIX. Assombram-nos as materializações espirituais, realizadas em ambientes controlados, acompanhadas por cientistas, quando estes se interessaram pela investigação dos fenômenos mediúnicos, no século XIX e início do século XX. Enfim, o sem-número de médiuns e mediunidades, já catalogados ou não, instiga nossa sede de entender os mecanismos pelos quais se processam as relações interdimensionais.

Os acontecimentos envolvendo as irmãs Fox, ocorridos em Hydesville, localidade situada no estado de Nova Iorque, em solo norte-americano, constam entre os mais famosos de toda a literatura voltada para a mediunidade, não só pela forma como o intercâmbio mediúnico se deu, mas também pelo fato de ter envolvido expressivo número de pessoas, testemunhas oculares e auditivas de todo o processo. Aquele episódio foi para nós outros, os espíritas.

Aliás, é interessante notar que os registros históricos dão conta de que o estado de Nova Iorque, em meados do século XIX, experimentou significativo número de manifestações mediúnicas, em diversas pequenas cidades ali localizadas. A médium inglesa Emma Hardinge Britten (1823–1899), tendo vivido na época de tais fenômenos, aproveitou suas viagens e realizou um meticuloso trabalho de pesquisa que resultou na publicação, em 1870, do livro Modern american spiritualism. Nesse trabalho, ela reporta eventos anteriores aos ocorridos em Hydesville, mas que foram relativamente ofuscados em virtude da grandeza do ocorrido no seio da família Fox. Dentre os episódios parcialmente obscurecidos, um em especial desperta a nossa atenção: o que se deu no distrito de Watervliet, perto de Albany, vizinha de New Lebanon.

Em Watervliet, vivia um grupo que sofrera perseguições na Inglaterra por conta de suas crenças religiosas, em mais um dos diversos embates envolvendo religião naquela nação, a exemplo da Revolução Puritana de Oliver Cromwell (1599–1658). Esse grupo tinha conexões com os quakers, e eram conhecidos como shakers.  Assim que a perseguição se intensificou, os shakers migraram para a colônia inglesa Province of New York, que mais tarde originaria o estado de Nova Iorque. Foram para lá atraídos pela promessa de oportunidades e de relativa tolerância. Ali se instalaram e progrediram.

Apesar da imprecisão de datas, considerando a reserva com que o grupo tratava do assunto, procurando evitar excessiva exposição, sugerem os relatos que os primeiros fenômenos mediúnicos envolvendo os shakers se iniciaram em meados de 1837, ou seja, 11 anos antes do fato histórico ocorrido em Hydesville.

Ao que tudo indica, a mediunidade era pródiga entre os shakers, pois que, em vez de um ou outro médium manifestar a presença de um Espírito, durante os trabalhos religiosos era significativo o número de membros que entrava em transe mediúnico. O número relevante de médiuns em transe guardava relação direta com o número não menos significativo de Espíritos comunicantes. Os Espíritos manifestantes haviam pertencido a um grupo de nativos que habitavam aquela região à época da chegada dos conquistadores europeus.
A partir do relato da médium e escritora Emma Hardinge, o médico e escritor escocês Arthur Conan Doyle (1859–1930) nos apresenta fragmentos da história dos shakers, fornecendo-nos informações interessantíssimas. No relato de Conan Doyle, um detalhe se torna digno de nossa atenção: a forma como os Espíritos se anunciavam, quando pretendiam manifestar-se.

Contudo, para conhecer melhor tal detalhe, vale a pena recorrer ao texto fascinante do famoso escritor e pesquisador da mediunidade e do Espiritualismo, que nos fornecerá uma ideia mais exata sobre os acontecimentos envolvendo a mediunidade coletiva dos shakers.
Escreve Conan Doyle, no cap. 2 – Eward Irving: os shakers, p. 54:

[…] Os principais visitantes eram Espíritos de Peles Vermelhas, que vinham em grupos, como uma tribo. Um ou dois presbíteros deveriam estar na sala de baixo, aí batiam à porta e os índios pediam licença para entrar. Dada a licença, toda a tribo de Espíritos de índios invadia a casa e em poucos minutos por toda a parte ouvia-se o seu “Whoop! Whoop!” Os gritos de “whoop”, aliás, emanavam dos órgãos vocais dos próprios “shakers”. Mas, quando sob o controle dos índios, conversavam na língua destes, dançavam as suas danças e em tudo mostravam que estavam realmente tomados por Espíritos de Peles Vermelhas. (Grifo nosso.)

Pelo que pudemos observar, os Espíritos dos nativos pediam licença para adentrar o culto religioso shaker. Concedida a autorização, eles se aproximavam dos médiuns e os influenciavam de tal forma que os religiosos se comportavam à maneira dos nativos quando realizavam seus rituais religiosos.

Esse contato durou cerca de sete anos, até que a experiência mediúnica cessou, tendo os Espíritos, antecipadamente, anunciado o fim daqueles trabalhos.

Quatro anos depois do encerramento dos assombrosos fenômenos ocorridos em Watervliet, iniciaram-se os emblemáticos eventos em Hydesville, envolvendo a família Fox.  Ao saber do fato, o shaker Elder Evans organizou um grupo de correligionários e foram visitar as irmãs Fox. Segundo Conan Doyle, quando se reuniram com as meninas médiuns, os visitantes foram saudados por Espíritos, e surpresa: alguns desses Espíritos eram os nativos que haviam estado em Watervliet alguns anos antes.

Esses relatos são, de fato, instigantes, e nos convidam a aprofundar na pesquisa acerca da história da mediunidade. Principalmente, nos dão a oportunidade de relembrar os fenômenos coletivos de mediunidade que, embora raros, têm como acontecimento maior os episódios ocorridos no dia de Pentecostes, quando os apóstolos do Mestre Jesus começaram a falar em outras línguas. Obviamente, não se pode fazer um paralelo entre o ocorrido com os apóstolos e o que se deu entre os shakers, sobretudo no que se refere à mensagem decorrente dos fenômenos. Mas é inegável que a fenomenologia é a mesma: um transe mediúnico coletivo.

Enfim, quem quer que se interesse pelo estudo da mediunidade e do Espiritismo constatará pela simples observação que, com o passar do tempo, a manifestação mediúnica perdeu muito de suas características físicas, assumindo, cada vez mais, qualidades intelectuais. Assim, não é de se admirar que fenômenos semelhantes aos apresentados pelos shakers sejam cada vez menos comuns. Aliás, a “intelectualização” da mediunidade guarda sintonia com o desenvolvimento intelectual da Humanidade e, por consequência, dos médiuns. Apesar disto, não podemos deixar de nos surpreender com os acontecimentos daquele início de século, por nos terem permitido entrar em contato com  outras dimensões da vida, provando que o Espírito não somente sobrevive à morte do corpo físico, mas também é capaz de manifestar-se aos que ainda permanecem na retaguarda, encarnados na Terra.


FONTES:
DOYLE, Arthur Conan. História do espiritismo. São Paulo: Editora Pensamento.
OS ESPÍRITOS E OS SHAKERS. Mistérios do Desconhecido. Evocação dos Espíritos. Rio de Janeiro: Abril Livros Ltda, 1993.
DIAS, Haroldo Dutra. (Trad.). O novo testamento. 1. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2016.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Imagens da dor...



As imagens da dor que vês refletidas nos teus semelhantes são, inicialmente, para que te sintas compadecido do sofrimento alheio e te disponhas a auxiliar. 

Mas são também para que vejas as consequências do mal a quem delibera se entregar a ele. 

São imagens educativas, para que saibas que a Lei Divina não é omissa e que os seus infratores, mais cedo ou mais tarde, serão chamados à corrigenda. 

A criança paralítica, o cego de nascença, a tumoração que se exterioriza, o abandono, a fome, a miséria moral, a perturbação mental - imagens da dor refletindo-se no hoje as arbitrariedades do ontem. 

Compadece-te e ajuda. Mas, sobretudo, não faças o que eles, nossos irmãos, fizeram, para que não te suceda o mesmo ou pior. 



(Imagens da Dor, de Irmão José, no livro Vigiai e Orai, psicografado por Carlos A Baccelli)

sábado, 13 de maio de 2017

Terrorismo de Natureza Mediúnica




Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico. 
Existe um atavismo no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-morais, o qual deve ser examinado com imparcialidade. 
Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos. 
Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas… 

O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos. Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando, através da Lei de Causa e Efeito, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, porque sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas… De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação. 
Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos, ou de outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores. 
De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte. 

Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento. 

O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante as situações dolorosas. 

As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal. 

Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam. 

O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos. 

A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação. 

A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver. 

Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina. 

A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam. 

Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, levianos, críticos, contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas. 

Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente… 

O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina. 

Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.

Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes. 

Vianna de Carvalho 
(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no  dia 7 de dezembro de 2009, durante o XVII Congresso Espírita  Nacional, em Calpe, Espanha.)

domingo, 23 de abril de 2017

"Bem aventurados os puros porque verão a Deus."


"Se purificares o coração, identificarás a presença de Deus em toda parte, 
compreendendo que a esperança do Criador não esmorece em criatura alguma..."
Emmanuel

 
"Bem aventurados os puros porque verão a Deus."

Estudando a palavra do Mestre Divino, recordemos que no mundo, até hoje, não existiu ninguém quanto Ele, com tanta pureza na própria alma.

Cabe-nos, pois, lembrar como Jesus via no caminho da vida, para reconhecermos com segurança que, embora na Terra,sabia encontrar a Presença Divina em todas as situações e em todas as criaturas.

Para muita gente, a manjedoura era lugar desprezível; entretanto, Ele via Deus na humildade com que a Natureza lhe oferecia materno colo e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.

Para muita gente, Maria de Magdala era mulher sem qualquer valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública; no entanto, Ele via Deus naquele coração feminino ralado de sofrimento e converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.

Para muita gente, Simão Pedro era homem rude e inconstante, indigno de maior consideração; contudo, Ele via Deus no espírito atribulado do pescador semi-analfabeto que o povo menosprezava e transmutou-o em paradigma da fé cristã, para todos os séculos.

Para muita gente, Judas era negociante de expressão suspeita, capaz de astuciosos ardis em louvor de si mesmo; No entanto, Ele via Deus na alma inquieta do companheiro que os outros menoscabavam e estendeu-lhe braços amigos até ao fim da penosa deserção a que o discípulo distraído se entregou, invigilante.

Para muita gente, Saulo de Tarso era guardião intransigente da Lei Antiga, vaidoso e perverso, na defesa dos próprios caprichos; contudo, Ele via Deus naquele espírito atormentado, e procurou-o pessoalmente, para confiar-lhe embaixada importante.

Se purificares, assim, o coração, identificarás a presença de Deus em toda parte, compreendendo que a esperança do Criador não esmorece em criatura alguma, e perceberás que a maldade e o crime são apenas espinheiro e lama que envolvem o campo da alma – o brilhante divino que virá fatalmente à luz...

E aprendendo e servindo, ajudando e amando passarás, na Terra, por mensagem incessante de amor, ensinando os homens que te rodeiam a converter o charco em berço de pão e a entender que, mesmo nas profundezas do pântano, podem surgir lírios perfumados e puros para exaltar a glória de Deus.

 
(Do livro "Religião dos Espíritos", pelo Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)


domingo, 19 de março de 2017

A Videira


A Videira

"Eu sou a videira verdadeira, e meu
Pai é o lavrador." - Jesus.
(João, 15:1.)

Deus é o Criador Eterno cujos desígnios permanecem insondáveis a nós outros. Pelo seu amor desvelado criam-se todos os seres, por sua sabedoria movem-se os mundos no Ilimitado.

Pequena e obscura, a Terra não pode perscrutar a grandeza divina. O Pai, entretanto, envolve-nos a todos nas vibrações de sua bondade gloriosa.

Ele é a alma de tudo, a essência do Universo.

Permanecemos no campo terrestre, de que Ele é dono e supremo dispensador.

No entanto, para que lhe sintamos a presença em nossa compreensão limitada, concedeu-nos Jesus como sua personificação máxima.

Útil seria que o homem observasse no Planeta a sua imensa escola de trabalho; e todos nós, perante a grandeza universal, devemos reconhecer a nossa condição de seres humildes, necessitados de aprimoramento e iluminação.

Dentro de nossa pequenez, sucumbiríamos de fome espiritual, estacionados na sombra da ignorância, não fosse essa videira da verdade e do amor que o Supremo Senhor nos concedeu em Jesus-Cristo. De sua seiva divina procedem todas as nossas realizações elevadas, nos serviços da Terra. Alimentados por essa fonte sublime, compete-nos reconhecer que sem o Cristo as organizações do mundo se perderiam por falta de base. NEle encontramos o pão vivo das almas e, desde o princípio, o seu amor infinito no orbe terrestre é o fundamento divino de todas as verdades da vida.


por Emmanuel e Francisco Cândido Xavier
obra: Caminho, Verdade e Vida   
  

O Pensamento de Léon Denis: II - Deus

sábado, 11 de março de 2017

Semeador da Luz



SEMEADOR DE LUZ

Esparzem os raios de luz que. espoucam na tua alma, junto ao solo dos corações, enquanto medram soberanas sombras e imprecações.
Malgrado estejam feridas tuas mãos pelo cajado das lutas quotidianas, não seja isto empecilho para o mister da sementeira. Pelo contrário, permite que as gotas de suor da face cansada e as bagas sanguinolentas, caindo na terra das
almas se transformem na umidade generosa que desenvolve o embrião a dormir no casulo do amor latente em todos.
Embora os pés assinalados pela presença dos espinhos e da urze, avança na direção do Infinito, alargando a vereda que se estreita à frente para que os da retaguarda possam avançar também.
Não fales de cansaço nem arroles decepção. Aqueles que entesouram o amor podem desdobrar em milhares as moedas da coragem, para continuarem ricos de entusiasmo.
Multiplicam os haveres na razão em que os doam e quanto mais distribuem mais possuem, conseguindo o milagre da felicidade onde se encontram.
Passam muitas vezes combatidos pela indolência de uns e perseguidos pela rebeldia de outros, mas não se detêm.
Utilizando o tempo com propriedade, por reconhecerem que a hora da semeação passa breve e é necessário aproveitar o momento azado, não se rebelam, nem recalcitram, insistindo e perseverando com otimismo.
Semeador da luz: não temas a treva nem a discórdia, a precipitação ou a preguiça.
Muitos se dizem cansados no campo; outros se afirmam desiludidos; vários desejam renovar emoções caracterizando-se por inusitada saturação; alguns simplesmente desertaram, e onde medravam as primeiras plântulas a erva daninha triunfa e a desolação governa... Prossegue tu, porém, insistentemente,
mesmo que te suponhas abandonado, a sós

Há aqueles que semeiam animosidades e deparam idiossincrasias. Abundam os que espalham a ira e defrontam resíduos de ódios onde chegam.
Na alfândega da vida muitos apresentam disfarçadas as sementes da maledicência e da infâmia esperando liberação.
O imposto da impertinência, porém, cobra taxas pesadas àqueles que se fazem fiscais em nome da impiedade.
Por isso, na gleba imensa dos homens surgem e ressurgem tantos afligentes e afligidos disputando espaço na ribalta da ilusão fisiológica. Passam disfarçados, enganadores ou enganados, na busca do desencanto. São, também, semeadores do desconcerto que defrontarão adiante...
Mesmo os cardos se enflorescem, algumas vezes, e as pedras refulgem quando lapidadas.
Semeia, pois, a luz da esperança, ainda e sempre, desde que se te depare oportunidade feliz.

Um dia, um Homem Sublime abandonou por um pouco um jardim de estrelas para depositar nas criaturas da Terra gemas de refulgente esperança em torno do Seu Reino.
Ímpios e caídos, hipócritas e pecadores, nobres e plebeus, gentes simples e prepotentes receberam Sua dádiva e fizeram que mergulhassem na terra das suas vidas os raios da Sua luz, transformando-se em sóis de bênçãos que, desde então, clareiam os destinos da Terra. E ele mesmo, quando foi desdenhado numa cruz, fulgurou numa excelente madrugada, continuando a semear a luz da imortalidade na mente e no coração dos que jaziam na sombra da saudade e do medo.
“Pondo-vos a caminho, pregai que está próximo o Reino dos Céus”.
Mateus: capítulo 10º, versículo 7.

“As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo”.

FLORAÇÕES EVANGÉLICAS
DIVALDO PEREIRA FRANCO
DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Necessidade de Meditação para o Médium


A prática mediúnica exige uma preparação acurada do médium trabalhador, para que sua atuação apresente cada vez mais qualidade, no sentido de não apenas proporcionar boas comunicações dos espíritos – sejam eles sofredores ou já esclarecidos – mas com o fim de se obter progresso no próprio trabalho de aperfeiçoamento do seareiro, do ponto de vista ético-moral, dentro e fora da Casa Espírita. Não podemos esquecer, desse modo, que a tarefa do Espiritismo é iluminar consciências, promovendo a elevação espiritual dos homens.

Nesse sentido, para que a atuação dos médiuns, especificamente na sala mediúnica, se dê com proveito para a reunião de que ele participa, faz-se necessário conhecer e utilizar as quatro pontes que permitirão ao trabalhador mediúnico melhorar seu contato com a própria consciência de serviço.

Essas quatro pontes são definidas pela equipe do Projeto Manoel Philomeno de Miranda (PMPM) como a oração, a meditação, e ação no bem e o estudo, conforme é explicitado no mais recente livro do Projeto – Consciência e Mediunidade –, apresentado ao público espírita durante seminário realizado na Federação Espírita do Estado da Bahia (FEEB) no dia 14 de setembro de 2003.

No seminário, a equipe do PMPM mostrou como o médium pode reconhecer seu nível de consciência, que é o pensamento identificador do Ser, através da prática da oração, da meditação, da ação e do estudo, de modo a obter a perfeita integração entre o saber e o fazer. Aqui abordaremos a ponte da meditação, uma vez reconhecida sua importância no intercâmbio mediúnico e o pouco que ela é utilizada, porque ainda incompreendida, nas hostes espíritas, embora facilite em muito a concentração do medianeiro durante as reuniões de trabalho.


Impurezas da personalidade

Segundo Divaldo Franco – conforme nos relata o PMPM –, “enquanto o sensitivo não se habituar às disciplinas da meditação, seus registros passarão pelo seu inconsciente, como uma corrente de água circulando num tubo em forma de “U” e se contaminando, ao passo que se ele estiver harmonizado pelo hábito da meditação, seus registros transitarão pelo superconsciente, apresentando-se escoimados das impurezas de sua personalidade”.

Pela meditação, pois, adquire-se a expansão da consciência e o “eu” transcende o consciente inferior além do mundo objetivo (material), até alcançar o nível superconsciente, que é a instância capaz de tirar as “cores anímicas” do exercício mediúnico.

Se a oração na prática mediúnica (antes, durante e depois) serve tanto como preparação, invocação e terapia, a meditação facilita ainda mais o intercâmbio com os Espíritos amigos e o processo de atendimento às entidades carentes, pois “quem ora fala e quem medita ouve”, conforme assegura o Espírito Joanna de Ângelis.

A meditação, assim, reflete positivamente na atuação do médium, uma vez que “no silêncio, teu espírito se torna mais livre e pode entrar em contato conosco”, salienta a Benfeitora, revelando ainda que essa prática constitui um meio valioso de autoconhecimento e “quem se conhece identifica melhor o pensamento alheio”.

A meditação, facilitadora da concentração, tanto acalma quanto permite ao médium acessar as fibras mais íntimas de si mesmo, ampliando os sentimentos elevados em direção ao Plano Superior. “A concentração nas reuniões mediúnicas deve ser dinâmica, centrada na compaixão pelos que sofrem” – informa o Projeto Manoel Philomeno de Miranda.

Isso é exigido do médium porque “somente uma lâmina d’água tranquila e límpida transmite bem as imagens nela incidentes”, posto que o médium, “abrindo-se para os ideais superiores, fecha a chave de transmissão pelo inconsciente e aciona a transmissão superconsciente”.


Noções técnicas sobre meditação


As informações que aqui apresentamos são ensinamentos da benfeitora Joanna de Ângelis, contidos nos livros “Momentos de meditação”, “Alegria de viver”, “Vida: desafios e soluções” e “O homem integral”, citados na obra de Manoel Philomeno de Miranda ora em estudo (“Consciência e mediunidade”).

Para se iniciar na arte da meditação, ao médium sem conhecimentos dessa prática é recomendado se fixar num pensamento do Cristo, repetindo-o e aplicando-o diariamente na conduta através da ação, ou seja, vivenciar uma pequena lição evangélica, aumentando a pouco e pouco o tempo de dedicação, “treinando o inquieto corcel mental e aquietando o corpo desacostumado”.

Nesse trabalho poderão surgir sensações e comichões que devem ser atendidos, com calma, mantendo-se a mente ligada à ideia central, até que os incômodos sejam superados, pois “a meditação deve ser atenta, mas não tensa, rígida”.

O praticante precisa escolher, de preferência em casa ou num local mais compatível, um lugar asseado, agradável (se possível) e torna-lo habitual, de forma que sua psicosfera seja enriquecida com a qualidade superior dos pensamentos do meditante.

Para essa tarefa importa reservar uma hora calma do dia, durante a qual o praticante esteja repousado. Caso prefira exercitar-se em grupo, é imperioso procurar a companhia de pessoas moralmente sadias e sábias, que primem pela harmonização.

Para meditar, no entanto, não é necessário fugir do contato com a sociedade, nem é preciso buscar fórmulas ou práticas místicas, impor-se novos hábitos em substituição aos anteriores, a fim de se obter um estado de paz, decorrente da meditação.

A “reoxigenação” das “células da alma”, revigorando as disposições otimistas para a ação do progresso espiritual, começa preponderantemente com a respiração calma, em ritmo tranquilo e profundo. Em seguida vem o relaxamento muscular, eliminando-se pontos de tensão física e mental, a partir do afastamento da ansiedade e da falta de confiança.

Então, resta manter-se sereno, imóvel o quanto possível, com a mente fixada “em algo belo, superior e dinâmico, qual o ideal de felicidade, além dos limites e das impressões objetivas”.

Quem medita está necessariamente num processo de silêncio mental, procurando não fugir da realidade objetiva, mas superá-la. A ideia não é perseguir um alvo à frente, mas buscar harmonizar-se no todo.

Com o passar do tempo, o praticante já mais familiarizado com essas técnicas poderá exercitar-se também fora do ambiente escolhido. Por isso é que é possível praticar a meditação enquanto se executa um trabalho rotineiro, como a faxina doméstica ou banho, por exemplo.


Fonte: Alma Espírita, por Francisco Muniz


sábado, 14 de janeiro de 2017

Educação e função dos médiuns


Nada verdadeiramente importante se adquire sem trabalho. Uma lenta e laboriosa iniciação se impõe aos que buscam os bens superiores. Como todas as coisas, a formação e o exercício da mediunidade encontram dificuldades, bastantes vezes já assinaladas; convém insistirmos nisso, a fim de prevenir os médiuns contra as falsas interpretações, contra as causas de erro e de desânimo.
Desde que, por um trabalho preparatório, as faculdades do médium adquirem certa flexibilidade, os resultados que se começam a obter são quase sempre devidos às relações estabelecidas com os elementos inferiores do mundo invisível.
Uma multidão de Espíritos nos cerca, sempre ávidos de se comunicarem com os homens. Essa multidão é sobretudo composta de almas pouco adiantadas, de Espíritos levianos, algumas vezes maus, que a densidade de seus próprios fluidos conserva presos à Terra. As inteligências elevadas, animadas de nobres aspirações, revestidas de fluidos sutis, não permanecem escravizadas à nossa atmosfera depois da separação carnal: remontam mais alto, a regiões que o seu grau de adiantamento lhes indica. Daí baixam muitas vezes - é certo - para velar pelos seres que lhes são caros; imiscuem-se conosco, mas unicamente para um fim útil e em casos importantes. Donde resulta que os principiantes quase nunca obtêm senão comunicações sem valor, respostas çhocarreiras, triviais, às vezes inconvenientes, que os impacientam e desanimam.
Noutros casos o médium inexperto recebe, pela mesinha ou pelo lápis, ditados subscritos por nomes célebres, contendo revelações apócrifas que lhe captam a confiança e o enchem de entusiasmo. O inspirador invisível, conhecendo-lhe os lados vulneráveis, lisonjeia-lhe o amor-próprio e as opiniões, superexcita-lhe a vaidade, cumulando-o de elogios e prometendo-lhe maravilhas. Pouco a pouco o vai desviando de qualquer outra influência, de todo exame esclarecido, e o leva a se insular em seus trabalhos. É o começo de uma obsessão, de um domínio exclusivista, que pode conduzir o médium a deploráveis resultados.
Esses perigos foram, desde os primórdios do Espiritismo, assinalados por Allan Kardec; todos os dias, estamos ainda vendo médiuns deixarem-se levar pelas sugestões de Espíritos embusteiros e serem vítimas de mistificações que os tornam ridículos e vêm a recair sobre a causa que eles julgam servir.
Muitas decepções e dissabores seriam evitados se compreendesse que a mediunidade percorre fases sucessivas, e que, no período inicial de desenvolvimento, o médium é sobretudo assistido por Espíritos de ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados de matéria, se adaptam melhor aos seus e são apropriados a esse trabalho de bosquejo, mais ou menos prolongado, a que toda faculdade está sujeita.
Só mais tarde, quando a faculdade mediúnica, suficientemente desenvolvida, adquiriu a necessária maleabilidade e se tornou dúctil o instrumento, é que os Espíritos elevados podem intervir e utilizá-la para um fim moral e intelectual.
O período de exercício, de trabalho preparatório, tão fértil muitas vezes em manifestações grosseiras e mistificações, é, pois, uma fase normal de desenvolvimento da mediunidade; é uma escola em que a nossa paciência e discernimento se exercitam, em que aprendemos a nos familiarizar com o modo de agir dos habitantes do Além.
Nessa fase de prova e de estudo elementar, deve sempre o médium estar de sobreaviso e nunca se afastar de uma prudente reserva. Cumpre-lhe evitar cuidadosamente as questões ociosas ou interesseiras, os gracejos, tudo, em suma, que reveste caráter frívolo e atrai os Espíritos levianos.
É preciso não se deixar esmorecer pela mediocridade dos primeiros resultados, pela abstenção e aparente indiferença dos nossos amigos do Espaço. Médiuns principiantes, ficai certos de que alguém vela por vós e de que a vossa perseverança é posta à prova. Quando houverdes chegado ao ponto requerido, influências mais altas baixarão a vós e hão de continuar a vossa educação psíquica.
Não procureis na mediunidade um objetivo de mera curiosidade ou de simples diversão; considerai-a de preferência um dom do Céu, uma coisa sagrada, que deveis utilizar com respeito, para o bem de vossos semelhantes. Elevai o pensamento às almas generosas que trabalham no progresso da Humanidade; elas virão a vós e vos hão de amparar e proteger. Graças a elas, as dificuldades do começo, as inevitáveis decepções que experimentareis não terão desagradáveis consequências; servirão para vos esclarecer a razão e vos desenvolver as forças fluídicas.
A boa mediunidade se forma lentamente, no estudo calmo, silencioso, recolhido, longe dos prazeres mundanos e do tumulto das paixões. Depois de um período de preparação e expectativa, o médium colhe o fruto de seus perseverantes esforços; recebe dos Espíritos elevados a consagração de suas faculdades, amadurecidas no santuário de sua alma, ao abrigo das sugestões do orgulho. Se guarda em seu coração a pureza de ato e de intenção, virá, com a assistência de seus guias, a se tornar cooperador utilíssimo na obra de regeneração que eles vêm realizando.

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Terminada a primeira fase de desenvolvimento de suas faculdades, o importante para o médium é obter a proteção de um Espírito bom, adiantado, que o guie, inspire e preserve de qualquer perigo.
Na maior parte das vezes é um parente, um amigo desaparecido que desempenha ao pé dele essas funções. Um pai, uma mãe, uma esposa, um filho; se adquiriram a experiência e o adiantamento necessários, podem-nos dirigir no delicado exercício da mediunidade. Mas o seu poder é proporcional ao grau de elevação a que chegaram, e nem sempre a sua ternura e solicitude bastam para nos defender das investidas dos Espíritos inferiores.
Dignos de louvor são os médiuns que, por seu desinteresse e fé profunda, têm sabido atrair, como uma espécie de aliados, os Espíritos de escol, e participar de sua missão. Para fazer baixar das excelsas regiões esses Espíritos, para os decidir a mergulhar em nossa espessa atmosfera, é preciso oferecer-lhes aptidões, notáveis qualidades.
Seu ardente desejo de trabalhar na regeneração do gênero humano torna, entretanto, essa intervenção muito menos rara do que se poderia imaginar. Centenas de Espíritos superiores pairam acima de nós e dirigem o movimento espiritualista, inspirando os médiuns, projetando sobre os homens de ação as vibrações de sua vontade, a fulguração do seu próprio gênio.
Conheço vários grupos que possuem uma assistência dessa ordem. Pela pena, pelos lábios dos médiuns, os Espíritos-guia ditam instruções, fazem ouvir exortações; e não obstante as imperfeições do meio e as obscuridades que lhes amortecem e velam as irradiações do pensamento, é sempre um penetrante enlevo, um gozo da alma, um gratíssimo conforto saborear a beleza de seus pensamentos escritos, escutar as inflexões de sua palavra, que nos vem como longínquo e mavioso eco das regiões celestes.
A descida ao nosso mundo terrestre é um ato de abnegação e um motivo de sofrimento para o Espírito elevado. Nunca seriam demasiados a nossa admiração e reconhecimento à generosidade dessas almas, que não recuam diante do contacto dos fluidos grosseiros, à semelhança dessas nobres damas, delicadas, sensitivas, que, ao impulso da caridade, penetram em lugares repugnantes, para levar socorros e consolações.
Quantas vezes, em sessões de estudo, temos ouvido dizerem os nossos guias: "Quando, do seio dos Espaços, vimos até vós, tudo se restringe, se amesquinha e se vai pouco a pouco retraindo. Lá, nas alturas, possuímos meios de ação que nem podeis compreender, esses meios se enfraquecem logo que entramos em relação com o ambiente humano."
Tanto que um desses grandes Espíritos baixa ao nosso nível e se demora em nossas obscuras regiões, logo o invade uma impressão de tristeza; ele sente como que uma depressão, uma diminuição de seus poderes e percepções. Só por um constante exercício da vontade, com o auxílio das forças magnéticas hauridas no Espaço, é que se habitua ao nosso mundo e nele cumpre as missões de que é encarregado.
Porque, na obra providencial, tudo se acha regulado para o ensino gradual e o progresso da Humanidade. Os Espíritos missionários e instrutores vêm revelar, por meio das faculdades mediúnicas, as verdades que o nosso grau de evolução nos permite apreender e compreender. Desenvolvem, na esfera humana, as elevadas e puras concepções da divindade e nos vão, passo a passo, conduzindo a uma compreensão mais vasta do objetivo da existência e dos humanos destinos. Não se deve esperar de tais Espíritos as provas banais, os testemunhos de identidade que tantos experimentadores exigem; mas de nossos colóquios com eles se exala uma impressão de grandeza, de elevação moral, uma irradiação de pureza, de caridade, que sobre excederá todas as provas materiais e constituirá a melhor das demonstrações morais.
Os Espíritos superiores lêem o que em nosso íntimo se passa, conhecem as nossas intenções e dão muito pouco apreço às nossas fantasias e caprichos. Para atender aos nossos chamados e prestar-nos assistência, exigem de nossa parte uma vontade firme e perseverante, uma fé elevada, um veemente desejo de nos tornarmos úteis. Reunidas essas condiçõeos, aproximam-se de nós; começa então, muitas vezes sem o sabermos, um demorado trabalho de adaptação dos seus fluidos aos nossos. São as preliminares forças de toda relação consciente. À medida que se estabelece a harmonia das vibrações, a comunicação se acentua sob formas apropriadas às aptidões do sensitivo; audição, visão, escrita, incorporação.
Os Espíritos superiores, indiferentes às satisfações de opiniões materiais e interesseiras, comprazem-se ao pé dos homens que procuram no estudo um meio de aperfeiçoamento. A pureza de nossos sentimentos lhe facilita a ação e aumenta a influência.
Outros Espíritos de menor categoria, por um impulso de dedicação, ligam-se a nós e nos acompanham até ao termo de nossa peregrinação terrestre. São os gênios familiares ou Espíritos protetores. Cada pessoa tem o seu. Eles nos guiam, em meio das provações, com uma paciência e uma bondade admiráveis, sem jamais se cansarem. Os médiuns devem recorrer à proteção desses amigos invisíveis, quase sempre membros adiantados de nossa família espiritual, com quem outrora vivemos neste mundo. Aceitaram a missão, tantas vezes ingrata, de velar por nós; através de nossas alegrias e aflições, de nossas quedas e reabilitações, nos encaminham para uma vida melhor, em que nos acharemos de novo reunidos para uma mesma tarefa, identificados em um mesmo amor.

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Em todo o ser humano existem rudimentos de mediunidade, faculdades em gérmen, que se podem desenvolver pelo exercício. Para o maior número, um longo trabalho perseverante é necessário. Em alguns, essas faculdades se revelam desde a infância, e sem esforço vêm a atingir, com os anos, um alto grau de perfeição. Representam, em tal caso, o resultado das aquisições anteriores, o fruto dos labores efetuados na Terra ou no Espaço, fruto que conosco, ao renascer, trazemos.
Entre os sensitivos, muitos têm a intuição de um mundo superior, extraterrestre, em que existem, como em reserva, poderes que lhes é possível adquirir mediante íntima comunhão e elevadas aspirações, para em seguida os manifestarem sob diversas formas, apropriadas à sua natureza: adivinhação, ensinamentos, ação curativa, etc.
Aplicada em tal sentido, a mediunidade torna-se uma faculdade preciosa, por meio da qual podem ser liberalizados imensos benefícios e realizadas grandes obras.
À Humanidade seria facultado um poderoso elemento de renovação, se todos compreendessem que há, acima de nós, um inesgotável manancial de energia, de vida espiritual, que se pode atingir por gradativo adestramento, por constante orientação do pensamento e da vontade no sentido de assimilar as suas ondas e radiações, e com o seu auxílio desenvolver as faculdades que em nós jazem latentes.
A aquisição dessas forças nos bloqueia contra o mal, nos coloca acima dos conflitos materiais e nos torna mais firmes no cumprimento do dever. Nenhum dentre os bens terrenos é comparável à posse desses dons. Sublimados a seu mais alto grau, fazem os grandes missionários, os renovadores, os grandes inspirados.
Como podemos adquirir esses poderes, essas faculdades superiores? Descerrando nossa alma, pela vontade e pela prece, às influências do Alto. Do mesmo modo que abrimos as portas da nossa casa, para que nela penetrem os raios do Sol, assim também por nossos impulsos e aspirações podemos franquear aos eflúvios celestes o nosso ego interior.
É aí que se manifesta a ação benéfica e salutar da prece. Pela prece humilde, breve, fervorosa, a alma se dilata e dá acesso às irradiações do divino foco. A prece, para ser eficaz, não deve ser uma recitação banal, uma fórmula decorada, senão antes uma solicitação do coração, um ato da vontade, que atrai o fluido universal, as vibrações do dinamismo divino. Ou deve ainda a alma projetar-se, exteriorizar-se por um vigoroso surto e, consoante o impulso adquirido, entrar em comunicação com os mundos etéreos.
Assim, a prece rasga uma vereda fluídica pela qual sobem as almas humanas e baixam as almas superiores, de tal modo que uma íntima comunhão se estabeleça entre umas e outras, e o espírito do homem seja iluminado e fortalecido pelas centelhas e energias despedidas das celestiais esferas.

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Em Espiritismo, a questão de educação e adestramento dos médiuns é capital; os bons médiuns são raros - diz-se muitas vezes - e a ciência do invisível, privada de meios de ação, só com muita lentidão vem a progredir.
Quantas faculdades preciosas, todavia, não se perdem, à míngua de atenção e de cultura! Quantas mediunidades malbaratadas em frívolas experiências, ou que, utilizadas ao sabor do capricho, não atraem mais que perniciosas influências e só maus frutos produzem! Quantos médiuns inconscientes de seu ministério e do valor do dom que lhes é outorgado, deixam inutilizadas forças capazes de contribuir para a obra de renovação!
A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem fazê-la produzir frutos prematuros, e desde logo ela se estiola e fana ao contato dos Espíritos atrasados.
Na antiguidade, os jovens sensitivos que revelavam aptidões especiais eram retirados do mundo, segregados de toda influência degradante, em lugares consagrados ao culto, rodeados de tudo o que lhes pudesse elevar o sentido do belo. Tais eram as vestais, as druidesas, as sibilas, etc. O mesmo acontecia nas escolas de profetas e videntes da Judéia, situadas longe do ruído das cidades. No silêncio do deserto, na paz dos alterosos cimos, melhor podiam os iniciados atrair as influências superiores e interrogar o invisível. Graças a essa educação, obtinham-se resultados que a nós nos surpreendem.
Tais processos são hoje inaplicados. As exigências sociais nem sempre permitem ao médium dedicar-se, como conviria, ao cultivo de suas faculdades. Sua atenção é distraída pelas mil necessidades da vida de família, suas aspirações estorvadas pelo contato da sociedade mais ou menos corrompida ou frívola.
Muitas vezes é ele chamado a exercer suas aptidões em círculos impregnados de fluidos impuros, de inarmônicas vibrações, que reagem sobre o seu organismo tão impressionável e lhe produzem desordens e perturbações.
É preciso que, ao menos, o médium, compenetrado da utilidade e grandeza de sua função, se aplique a aumentar seus conhecimentos e procure espiritualizar-se o mais possível, que se reserve horas de recolhimento e tente então, pela visão interior, alçar-se até às coisas divinas, à eterna e perfeita beleza. Quanto mais desenvolvidos forem nele o saber, a inteligência, a moralidade, mais apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do Espaço. Uma organização prática do Espiritismo comportará, no futuro, a criação de asilos especiais, onde os médiuns encontrarão reunidas, com os meios materiais de existência, as satisfações do coração e do espírito, as inspirações da Arte e da Natureza, tudo o que às suas faculdades pode imprimir um caráter de pureza e elevação, fazendo em torno deles reinar uma atmosfera de paz e confiança.
Em tais meios, poderiam os estudos experimentais produzir muito melhores resultados que os que até agora se têm muitas vezes obtido em condições defeituosas. A intrusão dos Espíritos levianos, as tendências à fraude, os pensamentos egoísticos e os malévolos sentimentos se atenuariam pouco a pouco e terminariam por desaparecer. A mediunidade se tornaria mais regular, mais segura em suas aplicações. Não mais se havia de, com tanta frequência, observar esse mal-estar que experimenta o sensitivo, nem ocorreriam esses períodos de suspensão das faculdades psíquicas, culminando mesmo em seu completo desaparecimento em seguida ao mau uso delas feito.
Os espiritualistas de além-mar cogitam de fundar, em muitos dos grandes centros americanos, "homens" ou edifícios dotados de certo número de salas apropriadas aos diferentes gêneros de manifestações e munidas de aparelhos de experimentação e fiscalização. Cada sala, vindo, com o uso, a impregnar-se do magnetismo particular que convém a tais experiências, seria destinada a uma ordem especial de fenômenos: materializações, incorporações, escrita, tiptologia, etc. Um órgão, colocado no centro do edifício, propagaria a todas as suas partes, nas horas de sessão, enérgicas vibrações, a fim de estabelecer nos fluidos circulantes e no pensamento dos assistentes a unidade e harmonia tão necessárias. A música exerce, com efeito, uma soberana influência nas manifestações, facilitando-as e tornando-as mais intensas, como inúmeros experimentadores o têm reconhecido.
Merecem inteira aprovação esses projetos e devemos fazer votos pela sua realização em todos os países, porque viriam, por sua natureza, uma vez realizados, a dar vigoroso impulso aos estudos psíquicos e facilitar em larga escala essa comunhão dos vivos e dos mortos, mediante a qual se afirmam tantas verdades de valor incalculável, capazes de, em sua propagação pelo mundo, renovar a Fé e a Ciência.

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O importante para o médium, dissemos mais acima, é assegurar-se uma proteção eficaz. O auxílio do Alto é sempre proporcionado para o fim a que nos propomos, aos esforços que empregamos para o merecer. Somos auxiliados, amparados, conforme a importância das missões que nos incumbem, tendo-se em vista o interesse geral. Essas missões são acompanhadas de provas, de dificuldades inevitáveis, mas sempre reguladas conforme as nossas forças e aptidões.
Desempenhadas com dedicação, com abnegação, as nossas tarefas nos elevam na hierarquia das almas. Negligenciadas, esquecidas, não realizadas, nos fazem retrotrair a escala de progresso. Todas acarretam responsabilidades. Desde o pai de família que incute em seus filhinhos as noções elementares do bem, o preceptor da mocidade, o escritor moralista, até o orador que procura arrebatar as multidões às culminâncias do pensamento, cada um tem sua missão a preencher.
Não há mais nobre, mais elevado cargo que ser chamado a propagar, sob a inspiração das potências invisíveis, a verdade pelo mundo, a fazer ouvir aos homens o atenuado eco dos divinos convites, incitando-os à luz e à perfeição. Tal é o papel da alta mediunidade.
Falamos de responsabilidade. É necessário insistir sobre esse ponto. Muitos médiuns procuram, no exercício de suas faculdades, satisfações de amor-próprio ou de interesse. Descuram de fazer intervir em sua obra esse sentimento grave, refletido, quase religioso, que é uma das condições de êxito. Esquecem muitas vezes que a mediunidade é um dos meios de ação pelos quais se executa o plano divino, e que ele não tem o direito de utilizá-la ao sabor de sua fantasia.
Enquanto se não tiverem compenetrado os médiuns da importância de sua função e da extensão de seus deveres, haverá no exercício de suas faculdades uma fonte de abusos e de males. Os dons psíquicos, desviados de seu eminente objetivo, utilizados para fins de interesses medíocres, pessoais e fúteis, revertem contra os seus possuidores, atraindo-lhes, em lugar dos gênios tutelares, as potências malfazejas do Além.
Fora das condições de elevação de pensamento, de moralidade e desinteresse, pode a mediunidade constituir-se um perigo; ao passo que tendo por fim firme propósito no bem, por suas aspirações ao ideal divino, o médium se impregna de fluidos purificados; uma atmosfera protetora se forma em torno dele, o envolve, o preserva dos erros e das ciladas do invisível.
E se, por sua fé e comprovado zelo, pela pureza da alma em que nenhum cálculo interesseiro se insinue, obtém ele a assistência de um desses Espíritos de luz, depositários dos segredos do Espaço, que pairam acima de nós e projetam sobre a nossa fraqueza as suas irradiações; se esse Espírito se constitui seu protetor, seu guia, seu amigo, graças a ele sentirá o médium uma força desconhecida penetrar-lhe todo o ser, uma chama lhe iluminar a fronte. Todos quantos tomarem parte em seus trabalhos e colherem os seus resultados sentirão reanimar-se-lhes o coração e a inteligência às fulgurações dessa alma superior; um sopro de vida lhes transportará o pensamento às regiões sublimes do Infinito.

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