Eternidade

Eternidade

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Visitar enfermos


A vida moderna exaustiva e, às vezes, extravagante, por necessidades reais e imaginárias, toma as horas físicas e mentais dos seres humanos, sobrecarregando-os de preocupações que os estressam. Em conseqüência, os distúrbios de comportamento aumentam a sua estatística tormentosa, demonstrando que as grandes conquistas de fora não conseguiram harmonizar a criatura interior.

A desenfreada ansiedade e a incessante busca pela posse de artefatos e de coisas para preencher o vazio existencial, de forma alguma lograram plenificar aquele que se afadiga pelo conseguir. 

Aplicando todo o tempo disponível na realização desse objetivo que parece básico para uma existência feliz, empenha-se cada vez mais, não se dando conta de outros valores que permanecem aguardando a sua atenção e interesse. 

Dessa forma, após conseguirem aquela meta inicial, perdem o encanto todos aqueles que assim procediam, transferindo para as coisas o tormento íntimo, continuando tão frustrados quanto antes, por constatar a falta de sentido e de significação de que aparentemente se revestem. 

Somente possui valor aquilo que pode ser envolvido pelo amor, preenchido pelo amor, irradiando amor. 

Não é, pois, na quantidade, que está a solução dos problemas emocionais, mas na qualidade da conquista, no seu objetivo relevante. 

Em face dessa circunstância, a que representa ambição desmedida, as amizades são apressadas, os conhecimentos humanos são superficiais, as afeições são interesseiras, não harmonizando de forma significativa a emoção pessoal. 

Diz-se que esse é um mecanismo de autodefesa, de que se utilizam as criaturas humanas, a fim de evitarem sofrer dilacerações interiores, prejuízos psicológicos, tendo em vista os insucessos iniciais experimentados. 

Não têm razão, porém, esses que assim pensam. O importante não é a resposta que advém da oferta que se faz, mas é, ela em si mesma, que tem significação, mediante o enriquecedor ato praticado. 

Se, por acaso, produz conseqüencias inamistosas ou gravames perturbadores, a raiz desse efeito encontra-se naquele que responde mal ao bem que recebe, merecendo ser realmente assistido, porque é portador de desequilíbrio e de tormentos, de que talvez não se dê conta.

O escrúpulo, que nasce do pessimismo, é tão negativo quanto o entusiasmo, que resulta da irreflexão. 

Dessa forma, amigos surgem, passam e desaparecem, substituídos por outros igualmente transitórios, rápidos. 

Vale, porém, a pena, investir mais no ser humano, oferecer-lhe mais luz de entendimento e de confiança, de respeito e de estima. 

Altera, portanto, a tua maneira de relacionar-te. Cuida mais e melhor dos teus conhecidos e evita revidar com animosidade as ondas mentais molestas que te enviam os inimigos. 

Reserva-te alguns minutos diários para a fraternidade, embora a agitação dos teus compromissos, e constatarás quanto este comportamento te fará bem.
Nem todos que se te acercam são frívolos ou insensatos, como pensas. Examina com mais cuidado as pessoas a quem te afeiçoas e descobrirás tesouros de amizade que te surpreenderão. 

Há muitos amigos que te estimam, e quando desaparecem da tua presença, talvez não seja por ingratidão ou indiferença, mas porque foram compelidos a distância, porque passam por dificuldades que desconheces, por compromissos novos, ou vitimados por enfermidades. 

Procura informar-te sobre eles, quando lhes notes a falta. 

Se enfermos, visita-os, levando-lhes a tua solidariedade, a tua palavra de amizade, a chama da tua fé espiritual. 

Essa atitude constitui generosa fonte de caridade que é pouco praticada. 

Se, de todo, as circunstâncias não te permitirem, embora sempre possas fazê-lo se te empenhares honestamente, escreve-lhes algo, endereça-lhes vibrações de saúde, telefona-lhes, diz-lhes que os estimas e que lhes sentes a ausência. 

Faze-te presente junto aos enfermos, quanto te seja possível. A saúde, na Terra, é dom precioso, que sofre periódicas alterações, convidando a pausas de reflexão e de esforço interior.

Usa-a para espalhar o bem-estar e não apenas para amealhar valores passageiros. 

Aplica-a também em favor do teu próximo, o irmão que padece enfermidades e experimenta sofrimentos, muitas vezes disfarçados em sorrisos pálidos e rostos esquálidos. 

Assim agindo, distribuindo bênçãos, recolherás preciosas gemas de paz e de bem-estar.
Somente é possível valorizar-se algo, quando se tem carência ou necessidade inadiável. 
Na doença, todos se renovam com um sorriso gentil, uma palavra de ânimo, uma visita fraternal, demonstrando-lhes que não estão a sós no testemunho evolutivo. 

Doa, portanto, hoje, e estarás acumulando haveres que não enferrujam, as traças não roem, os ladrões não roubam. 

Quando visitares enfermos, não lhes imponhas a descrição do seu quadro orgânico ou emocional, exigindo que te narre o problema de saúde que vem sofrendo. 

Se te aborda o tema, ouve-o com atenção e evita aumentar-lhe a preocupação, falando sobre outros dramas e tragédias do teu conhecimento. 

Sê otimista sem exagero, realista sem crueza. Conversa, edificando, se a ocasião o permitir. 

Não prolongues a tua visita, tornando-a cansativa. Atua de forma que o paciente anele pelo teu retorno à sua cabeceira. 

Conforta-o com uma leitura edificante, com notícias auspiciosas, com uma oração refazente. 

Se ele solicitar-te a aplicação de passes, faze-o sem jactância, não deixando falsa impressão de cura milagrosa ou pronto restabelecimento. A caridade é gentil e discreta, bondosa e calmante.

Diante de alguém enfermo, recorda-te de Jesus e entrega-o à Sua proteção, procurando ser o instrumento de que Ele se possa utilizar para encorajá-lo e apaziguá-lo.

Sempre, pois, que possível, visita os irmãos que se encontram enfermos.


Joanna de Ângelis
Livro: Diretrizes para o Êxito.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Reflexão




"Autodefesa energética contra as forças malignas é resultado da amorosidade na conduta. 

O amor é o maior escudo protetor de nossa caminhada de progresso."

Wanderley Oliveira
Pelo Espírito Pai João de Angola

"Fala, Preto-Velho" Book Trailer


Resenha: Fala, Preto Velho é um lançamento da Editora Dufaux, psicografado por Wanderley Oliveira e ditado pelo espírito Pai João de Angola. É mais uma obra espiritualista mostrando a importância dessas bondosas entidades que trazem tanta sabedoria em sua bagagem espiritual.

Numa linguagem própria, com seus "muzanfio", "fiinhos","despois" e etc, Pai João tenta despertar no leitor a autoestima, demonstrado a importância do autoamor, da fé, da oração e da ligação sincera com Deus em nossa evolução, independente da religião que seguimos.

Pai João é um trabalhador do hospital Esperança, abrigo espiritual fundado por Eurípedes Barnaulfo com o objetivo de acolher cristãos com conflitos de consciência. Lá encontram-se  católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, entre outros

A introdução do livro foi escrita por Maria Modesto Cravo, a Modesta, médium desencarnada muito conhecida através das obras do Dr. Inácio Ferreira. Dona Modesta nos diz:


A pedagogia da linguagem dos pretos-velhos é coerente com a ética de Jesus, com os princípios do espiritismo e com as crenças mais acolhidas pelo imaginário popular em relação aos assuntos do espiritualismo. Por meio de sua fala singela e metafórica, eles trabalham com valores da fé e da importância do bem no coração humano.

É com muito carinho e simplicidade, que Pai João aborda temas relevantes do espiritualismo, tais como: mediunidade na Umbanda e no Kardecismo, a necessidade ou não do uso de rituais, magias e ervas, tipos de remédios para a alma, dependência emocional, obsessão, amarrações para o amor, suicídio, entre outros.

O autor espiritual ilustra algumas de suas mensagens contando "causos"ocorridos no hospital Esperança. Imaginem um local que reúne católicos, protestantes, espíritas e umbandistas desencarnados?! Pois é, deve ser divertido. No capítulo 8, Pai José leva uma turma de 35 alunos pra conhecer um templo umbandista; dentre esses alunos temos Anésia - que foi uma devotada espírita enquanto encarnada - e que se mostra incomodada com a visita ao templo umbandista. O desfecho de sua história é muito bacana! Já no capítulo 24, Pai João entrevista um irmão evangélico, que fica indignado frente a presença de um "escravo que não sabe conjugar os verbos corretamente". Nos dois casos, Pai João mostra que o remédio para a intolerância religiosa é saber conviver com a diferença.

Jesus não diferencia umbanda, espiritismo, catolicismo ou religião evangélica. Para Ele, são
apenas salas de aula, na universidade da vida, que tem como único propósito lecionar as preciosas lições que vão nos libertar perante a própria consciência. Não é a religião que torna o homem feliz, mas sim o amor, a vida em sintonia com o bem. Religião é o caminho. Ser melhor é a meta.

O livro é delicioso de ler, daqueles que traz paz e alegria ao coração. É um abraço de preto-velho. Só quem já recebeu um abraço de preto-velho é que vai entender o que estou escrevendo. Leiam, vocês vão adorar!

Salve os pretos-velhos! Adorei as almas!

Fonte: Blog do Livro Espírita resumo e resenha de obras espiritualistas


sábado, 14 de dezembro de 2019

Pilares de sustentação do trabalho voluntário na Casa Espírita


Considerações iniciais

O trabalho voluntário na Casa Espírita, além de contribuir para o fortalecimento das forças do bem na humanidade, é uma oportunidade ímpar, disponibilizada à criatura humana para que, de forma consciente e mais constante, se encontre com nosso Pai celestial. Daí a importância de o voluntário, ao abraçar sua tarefa, estar plenamente cônscio da relevância de sua participação, certo de que, em sua atuação, contará com a companhia e assistência do Pai celestial através de sua corte de anjos.

Dessa forma o trabalhador voluntário da seara divina deve envidar todo seu esforço no sentido de honrar esses momentos, assentando sua força de trabalho em pilares que resistam às dificuldades naturais, existentes no terreno onde as sementes do Amor serão plantadas e regadas.

1º Pilar: Amor ao próximo, respeito humano

O trabalho voluntário na Casa Espírita exige contato permanente com criaturas humanas encarnadas e desencarnadas, situadas nas mais variadas faixas vibratórias de pensamento e comportamento, daí a necessidade de o voluntário ser portador de um aceitável grau de sensibilidade para que possa bem se relacionar com essas pessoas, a fim de não prejudicar os intentos divinos em favor delas. Ao lidar com criaturas humanas nunca esqueçamos que nem sempre estamos tratando com pessoas lógicas, mas sim, na maioria das vezes, com pessoas emocionais. 

É imprescindível que, no desempenho de sua tarefa, o voluntário guarde estrita vigilância ante as investidas provenientes do plano espiritual inferior, pois as mesmas encontram terreno fértil, para sua semeadura, no lodaçal do orgulho, da vaidade, do melindre, da sede de poder, da ignorância e da fragilidade emocional e moral das pessoas, bem como em outras imperfeições próprias da natureza humana.

Assim, tratar bem aqueles com quem nos relacionamos, estimulando-os para o trabalho que desempenham e/ou incentivando- os a superar as dificuldades da jornada, são exemplos que, sempre que possível, devem ser vivenciados pelo trabalhador espírita. Ademais, não custa nada lembrar que, sempre que a oportunidade apareça devemos habitualmente cumprimentar as pessoas, com naturalidade, ser compreensivos, ser solícitos, atenciosos, enfim, educados com o semelhante. Esses “pequenos” gestos muito contribuem para o ajuste da nossa sintonia com o plano espiritual superior que nos assiste.

2º Pilar: Fidelidade aos princípios espíritas

Em função da natureza do trabalho realizado na Casa Espírita, é fundamental que seu trabalhador voluntário não só tenha conhecimento doutrinário, mas também o abrace e nele tenha fé. Afirmamos que o trabalho espírita é diferente dos demais, porque não leva em consideração somente as necessidades de ordem material da criatura humana, mas, principalmente as mais imediatas. O trabalho sob a égide do Espiritismo também leva em consideração a vida espiritual das pessoas e seu retorno à carne em vidas futuras. Para que essa consciência se firme, de forma mais efetiva na conduta do voluntário, é necessário que saiba o que é reencarnação, quais os princípios que a regem e que a compreenda à luz do Espiritismo; que tenha conhecimento e acredite na comunicabilidade dos Espíritos, em como essa comunicação se processa e que efeitos provoca na vida da criatura humana; que tenha fé em Deus, em sua bondade, misericórdia e justiça, para melhor entender as desventuras com que se deparará ao longo do seu trabalho e que acredite na imortalidade da alma, para citar alguns requisitos básicos necessários a que se guarde fidelidade aos princípios doutrinários espíritas.

A falta de conhecimento do que seja o Espiritismo, dos recursos de que dispõe e dos princípios em que se assenta, indubitavelmente levará o voluntário espírita a desenvolver seu esforço de trabalho em direção contrária à que se recomenda a Doutrina Espírita, gerando assim sérios conflitos de identidade na Instituição. Um exemplo funesto dessa ausência de fé e fidelidade às recomendações do autêntico Espiritismo é a realização de práticas estranhas ou exóticas na Casa Espírita.

3º Pilar: Convivência fraterna e companheirismo

Jesus com seu exemplo nos ensinou que o trabalho na seara divina não dispensa a participação de ninguém que esteja imbuído de boa vontade e sintonizado com os propósitos divinos. Para cumprir sua missão entre nós, Ele se fez acompanhar de discípulos das mais variadas condições sociais e culturais, com destaque para os doze apóstolos que lhe eram mais próximos. Poderia, certamente, cumpri-la sozinho, mas em sua sabedoria optou por partilhá-la com seus irmãos de caminhada e de ideal. Assim deve ser na Casa Espírita, pois todos os que nela se encontram são irmãos que abraçam a mesma fé, dispostos a seguir as recomendações de vida eterna, trazidas pelo Cristo, uns espiritualmente mais amadurecidos que outros, mas todos desejosos de crescimento espiritual.

Diante dessa heterogeneidade evolutiva, é natural que em alguns momentos ocorram desencontros de opinião e comportamento, todavia, nesses momentos devemos nos lembrar de que viemos para unir pessoas e não para separá-las. Que o companheiro de espírito mais amadurecido na prática do bem se apresente junto ao mais fragilizado, não para confrontá-lo, mas para, juntos, trabalharem em favor da causa do Cristo, uma vez que os discípulos de Jesus são conhecidos por muito se amarem. Que nosso proceder no desempenho de nossa tarefa seja o de partilha, de companheirismo e de compreensão para com as limitações humanas. Dar asas ao destempero emocional, ao “disse me disse”, à soberba, à arrogância, à exaltação da personalidade, por exemplo, só serve para obstaculizar a efetivação dos propósitos do Espiritismo na humanidade. Os tempos são chegados e esse tempo é o da solidariedade e da fraternidade. Nós, os trabalhadores da última hora, já perdemos muito tempo com os braços cruzados, portanto, temos muito trabalho pela frente.

4º Pilar: Amor ao trabalho

No exercício de sua tarefa, o trabalhador voluntário da Casa Espírita deve estar imbuído do sentimento de amor ao que faz e não do da obrigação ou da prestação de um favor a alguém, seja encarnado, seja desencarnado. Não esqueçamos que Jesus espera de cada um de nós misericórdia (compaixão) para com a dor e o sofrimento alheio e gestos conscientes de amor ao próximo e não sacrifícios ou mesmo obrigações forçadas de qualquer ordem.

A alegria de poder contribuir para a felicidade daqueles que a Providência divina coloca em nosso caminho deve ser a motivação que nos leve a realizar o trabalho voluntário, principalmente na Casa Espírita. Isso exige que eduquemos nossos sentimentos e reavaliemos nossa postura ética (como estamos nos relacionando com nossos semelhantes, principalmente os mais próximos?), moral (que valores tomamos como referência para nossa conduta cotidiana?) e comportamental (nosso comportamento na vida está coerente com o que acreditamos e professamos, como espíritas que somos?). Meditar sobre esses três pontos e esforçar-se, o mais que possível, para vivenciar atitudes coerentes com a proposta divina, referente a cada um deles, é tarefa urgente e inadiável, haja vista a necessidade de adquirirmos o equilíbrio exigido para o trabalho na lida espírita. Sem esse equilíbrio, como enfrentaremos as dificuldades e incompreensões que fatalmente surgirão no decorrer da tarefa? É fundamental que saibamos, adequadamente, nos desviar das pedras que surgirem no caminho, contornando-as ou removendo-as, uma vez que, se elas ali permanecerem, poderão ser motivo de tropeço e até mesmo de queda daqueles que com elas se depararem.

5º Pilar: Presença

O trabalho espírita, devido às bases em que se assenta e coerente com os fins a que se propõe, em hipótese alguma deve promover a infelicidade de seus agentes. Por isso, quem se dispuser a trabalhar na seara espírita deve planejar bem seu tempo de modo a não se prejudicar na condução de suas outras atividades, fora do Centro, e também para que a tarefa da qual participa no Movimento Espírita não venha a sofrer nenhum tipo de prejuízo. É imperativo que haja tranquilidade e satisfação por parte do trabalhador voluntário, principalmente no desempenho de sua tarefa, e isso só será possível se, dentre outros fatores, houver, no mínimo, um equilíbrio razoável do binômio: trabalho assumido versus tempo disponível à sua realização. Para que esse equilíbrio se estabeleça e o encargo seja satisfatoriamente realizado, se faz necessário administrar bem a ocupação do tempo disponibilizado, uma vez que esse tempo, competentemente distribuído, mesmo sendo pouco, pode gerar frutos mais proveitosos do que os produzidos por alguém muito ocupado com realizações desnecessárias e assumindo atitudes incompatíveis com os propósitos da tarefa e com as finalidades do Espiritismo. Nesse quesito, a assiduidade e a responsabilidade são duas condições que não podem faltar. 

Conclusão

Aos que desejam participar do trabalho voluntário na Casa Espírita e aos que já estão nele integrados deixamos a seguinte mensagem de Francesco, il poverello de Assis:

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.

Fonte: Revista Reformador - FEB - 2014

domingo, 17 de novembro de 2019

O Primado do Espírito



  A humanidade atual, tanto quanto a que anteriormente perlustrou os caminhos terrenos, ainda está infelizmente imbuída da falsa ideia de que é preciso enriquecer materialmente para poder desfrutar situações de abastança, e prosperidade, como única razão de sua existência.  
  Nada mais errado do que semelhante conceito, nada mais falso do que tal convicção, filha do desconhecimento das leis do amor e do progresso moral que regem a vida em todos os mundos do Universo.  
  Tivessem os seres humanos um pouco mais de conhecimento daquelas leis, dispusessem os homens e mulheres de um pouco do seu tempo para meditar nos verdadeiros motivos de sua vinda à Terra, uma, duas, dez, vinte e mais vezes no decorrer de sua existência como seres humanos, tivessem todos um pouquinho mais de tempo para isso, e muitas desgraças, muitos crimes, muitas infelicidades deixariam de existir ao longo da existência humana. 
  Exatamente porque uns e outros insistem em cuidar apenas dos interesses da matéria, visando exclusivamente à sua elevação entre os semelhantes à custa da posse da fortuna perecível, é que surgem os desentendimentos na sociedade humana, mercê de ambições que crescem de todos os lados, superpondo-se lamentavelmente ao primado do Espírito. 
  O primado do Espírito, que todos sabeis ser o predomínio dos interesses espirituais sobre os da matéria, significa para o ser humano a construção segura de sua verdadeira felicidade. É preciso esclarecer devidamente que o primado do Espírito é a única força a impulsionar a vida terrena dos encarnados, e é também a única que sobrevive, uma vez terminada a vida do corpo de cada um.
  Ora, bem. Explicado assim que o encarnado nada mais é que um Espírito revestido de carne e ossos em sua estrutura física, e que tudo isso voltará a se desagregar ao cabo de uma existência demasiado curta, pois que em média ainda não atinge sequer a meio século — por que esse empenho denodado da grande maioria dos homens e mulheres de hoje, como o foram inúmeros do passado, em querer a todo custo reunir fortuna para que esta por sua vez se desagregue após sua partida, de regresso ao mundo espiritual?  
   Irmãos meus, já compreendestes bem que eu me empenho em esclarecer vossa mente física acerca do vosso próprio objetivo neste mundo, que é exatamente a aquisição de luz para o vosso Espírito. Infelizmente porém, nem todos manifestam desejo de aprofundar o assunto, sob a alegação de lhes faltar tempo e disposição para isso. Como eu lamento, irmãos meus, que tal pensamento manifesteis! Gostaria de poder eu próprio penetrar em vosso coração e nele gravar esta grande verdade bíblica: Ninguém consegue servir a Deus e Mamon. Ninguém consegue viver para o dinheiro, para a fortuna, para a abastança, vivendo ao mesmo tempo para o seu verdadeiro interesse. Deus, no caso da parábola, é o próprio indivíduo espiritual, é o Espírito que na Terra construiu um organismo físico desde o ventre materno e o alimenta através do tempo, até ao fim de sua peregrinação por este mundo terreno. Ao passo que Mamon é o interesse pura e simplesmente material, ligado exclusivamente à matéria perecível até ao seu desagregamento. Ninguém, por conseguinte, poderá viver ao mesmo tempo para os dois senhores, porque seus desígnios se distanciam cada dia que passa. 
  Enquanto, porém, os que vivem para o Espírito, pensando, agindo, operando em termos do Espírito, se sentem cada dia mais integrados nas leis divinas, ou no próprio Deus, sentindo a paz no coração, a tranquilidade de consciência, a felicidade enfim, aqueles que cultivam as leis de Mamon que são as leis da matéria, perecível como essas mesmas leis, sentem no íntimo do ser a intranquilidade, o temor, o receio de que a roda de sua fortuna possa vir a desandar, reduzindo a nada os seus castelos de cartas ou de areia que não resistem ao mais leve vendaval.  
  Uma vez esclarecida a diferença, será o caso de se perguntar a cada um dos leitores destes conselhos: Qual dos dois caminhos prefere você: o de Deus ou o de Mamon?
   Bem certo estou de que nenhum dos meus leitores vacilará um só instante em sua resposta em favor do caminho de Deus. Em verdade, irmãos queridos, não pode haver dúvida na escolha. E bem felizes se encontrarão a partir de agora os que, desconhecendo certos princípios espirituais, levaram vida cem por cento terrena, por assim dizer, até ao momento presente.  
  Todo interesse puramente material entrou em declínio na face da Terra, uma vez que a Terra mesma converter-se-á, muito breve, num dos mundos espiritualizados. Notai que eu não digo Mundo Espiritual, por ser isto impossível; porém mundo espiritualizado, onde deverá começar a predominância do primado do Espírito.  
  E o que vem a ser o primado do Espírito? — perguntareis vós. Eu vos responderei pleno de satisfação que o primado do Espírito é a característica de todos os mundos evoluídos. Um mundo em que predomine o primado do Espírito, é um mundo onde a paz e o entendimento fraternal entre seus habitantes constitui a sua constante, onde as lutas fratrícidas, os apetrechos bélicos, as condições de domínio de uns sobre os outros, a discriminação racial, foram completamente banidos.O primado do Espírito é, numa palavra, o ideal na vida de todos os povos espiritualmente evoluídos.  
  Os mundos onde o primado do Espírito exerce completa predominância, permutam-se continuamente mensagens de amor e fraternidade, possuindo comunicações tão rápidas e perfeitas entre si, muito semelhantes ao vosso sistema radiotelegráfico.  
   Do Alto têm sido observados com muito carinho os esforços dos cientistas terrenos em suas tentativas de comunicação com outros planetas do sistema solar em que viveis. Embora isto já represente um certo adiantamento científico em vosso tempo, tais objetivos não serão concretizados antes das transformações por que está próxima de passar a humanidade de hoje, assim como as condições peculiares da própria Terra. Quando a massa de pensamentos bons, sadios, puros, elevados, sobrepujar a de pensamentos grosseiros, ambiciosos e maus, aí sim, poderemos esperar para breve a ligação interplanetária, independente de foguetes nem de satélites artificiais. Essa ligação se fará através de meios outros que surgirão na Terra aproximadamente dentro de meio século, e muito há de contribuir para o adiantamento da humanidade da época. 
   Isto tudo, irmãos queridos, só pode acontecer com o apoio e orientação das Forças do Bem que superintendem a vida desta humanidade de hoje. Vós todos que me ledes podeis começar a contribuir desde hoje para essa desejada era, reformando vossa própria maneira de viver, abandonando velhos hábitos incorretos ou malsãos que têm dificultado até agora a vossa iluminação espiritual, pelo desconhecimento dos princípios de que ora venho falar-vos.
  Se Nosso Senhor Jesus Cristo puder receber de cada um de vós, ao fim do vosso dia de trabalho, a prece de agradecimento com o pedido daquilo que vos falte, podeis ter então a certeza certa de estardes contribuindo seguramente para o advento da era de paz e de felicidade em que muito justamente desejareis viver. 
 Fazei isso meus queridos, e, sempre que alguma dúvida vos ocorrer neste caminho, chamai sinceramente por este vosso dedicado amigo que logo estará convosco, o vosso — Irmão Tomé.

Obra: As Forças do Bem,  ditada pelo Irmão Tomé, o Apóstolo do Senhor, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes, que foi a reencarnação do Espírito Thiago, também Apóstolo do Senhor. 

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Sublime investimento



O MUNDO conturbado suplica paz.
A sociedade em desalinho pede equilíbrio moral.
O lar clama por defensivas da harmonia.
O homem necessita das diretrizes da educação.
Comunidades religiosas definham à falta de fé.
Berçários da instrução se estiolam baldos de idealismo.
Oficinas do progresso transformam-se a uma Babel de dimensões agigantadas.
Generalizam-se quadros de sombra e dor, tormento e fel, sofrimento e angústia.
Busca-se a paz e fomenta-se a guerra.
Exalta-se o amor e estimula-se o ódio.
Louva-se o trabalho e serve-se à preguiça.
Fala-se em ordem e abraça-se a desordem.
Busca-se a luz e multiplica-se a treva.
Enaltece-se a Fé e caminha-se em descrença.
Investe-se no progresso material e olvida-se o plantio moral.
Prosseguimos, de fato, entre paradoxos de aflitivas consequências.

.

NUNCA o mundo necessitou tanto de Jesus e o homem do Evangelho!
O momento atual aguarda ação decisiva do Bem, deplorando as expectativas da inércia.
Não basta analisar; é inadiável construir.
O futuro está na forja do presente.
Arrolar sombras sem iniciativas de luz significa somar trevas.
Evitemos a contabilização das angústias que desesperam o presente; esforcemo-nos pela disseminação da moral cristã que clareará o porvir.
Jesus, o Operário de Deus, está a postos construindo seu Reino de esperanças na Terra. Aprestemo-nos,  como colaboradores do Cristo, na obra de redenção do mundo.
O Mestre convoca seus discípulos à divulgação do Evangelho. Os tempos são chegados!
Eis que surge o momento de investirmos no Amor, para que o Amor se multiplique em benefício do amanhã.
Sementeira de agora, promessa para depois.
Plantio efetivado, esperança crescente.
Acreditemos no Homem! Mas, semeemos, pois jamais ceifaremos onde não se plantou.
A Humanidade melhorada refletirá na melhoria do mundo.
Evangelizemos, com Jesus, para alcançarmos os valores indeformáveis da educação integral sob os auspícios do Mestre por excelência.
A velhice ergue as mãos suplicando o carinho que lhe aqueça o rigor do inverno na colheita de experiências dolorosas.
A madureza pede amparo que lhe contorne frustrações inevitáveis.
A profilaxia do amor, contudo, atende bem antes, agindo ao alvorecer.
Escancare as janelas de seu mundo interior para que o sol do Evangelho lhe amplie as potencialidades do ideal da confiança em Deus. 
Repare nas gerações de agora. São desafios à sua participação na melhoria do amanhã.
A Criança e o Jovem reclamam direção no Bem.
Evangelize!
Coopere com Jesus!

Estevão

(Página psicografada em reunião pública da Casa Espírita Cristã, Vila Velha-ES, na noite de 13-6-1977, pelo médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro.)
Extraída de Reformador, fevereiro de 1988