Eternidade

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sábado, 17 de dezembro de 2016

Reflexões de Chico Xavier


A Fotografia e a Telegrafia do Pensamento


Enviado em 12 de dezembro de 2016 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública |
 Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Vanessa Cavalcanti


Quando, na primeira parte do seu livro “Obras Póstumas”, Allan Kardec faz uma introdução ao estudo da  fotografia e telegrafia do pensamento pode parecer estranho porque desde os tempos de criança, na escola aprendemos que o pensamento, por ser invisível e intocável, seria uma coisa abstrata, em razão disso surge a seguinte pergunta: Se não pode ser visto nem tocado, como se consegue fotografá-lo? Essa era e continua sendo a incerteza para alguns, cuja dúvida tentaremos esclarecer.

Para melhor compreender como ocorre o procedimento fotográfico do pensamento, em primeiro lugar é imprescindível que se tenha a certeza da existência da alma, caso contrário será inútil tentar entendê-lo. De acordo com os ensinamentos da Doutrina Espírita, Deus criou os espíritos simples e ignorantes, mas, todos imortais. Vendo por esse ângulo, poderia parecer uma grande injustiça do Criador cria-los para viver eternamente na ignorância e na simplicidade, mas, isso não é verdade, essa aparente injustiça é apenas uma suposição, porque, na sua misericordiosa bondade, Ele concedeu a cada um a oportunidade de desenvolver a sua capacidade de conhecer e manipular as coisas por meio da inteligência, adquirir conhecimentos, e desse modo, gradativamente evoluir até alcançar a condição de espíritos puros.

Porém, como toda evolução exige sacrifícios, para poder alcançar essa pureza várias condições são impostas a cada espírito, e uma delas é ter que passar por uma experiência vivendo um determinado tempo no mundo material. Ocorre que, por não poder atuar diretamente sobre a matéria bruta em razão de sua natureza fluídica, ele necessita de um instrumento para lhe servir de intermediário. Para isso, retira uma porção do fluido universal e forma um corpo semimaterial e outro material, os quais o acompanharão por toda parte durante a sua passagem pela Terra, formando assim o que chamamos de ser humano.

Sendo assim, cada ser humano é formado por três elementos distintos e harmônicos, interligados entre si por laços fluídicos. O espírito, que é o ser sensível e pensante da criação, e sede de todos os sentimentos; o períspirito, corpo semimaterial, imponderável, invisível aos nossos olhos e que serve de ligação entre espírito e matéria; e corpo físico, o instrumento que o espírito utiliza para atuar no mundo material.

Esse corpo físico possui sete centros de força, também chamados de chacras, situados no corpo energético, que são responsáveis pela distribuição da energia vital, pelo equilíbrio do organismo físico, e tem como tarefa a absorção de energias do meio ambiente. Além disso, é dotado também de cinco órgãos físicos, cada um com a função específica de captar as sensações externas e, por meio do períspirito, envia-las para o espírito, e entre eles destacamos dois, que são os que mais interessam ao assunto que estamos tratando: os olhos e os ouvidos, que captam e transmitem, respectivamente, as imagens e os sons.

Por exemplo, quando olhamos para um objeto, ou assistimos uma cena qualquer, as imagens são captadas pelo nosso sentido da visão, e depois, por meio de ondas, transmitidas para o perispirito que as fotografa e arquiva no cérebro. Quando queremos lembrar daquele objeto, ou daquela cena, o arquivo se abre e reproduz aquelas fotografias que nele estão gravadas e arquivadas, exibindo-as para o nosso espírito. Por isso, o Codificador do Espiritismo, comparou a mente humana com um álbum que pode ser manuseado para reviver cenas passadas.

Quando estamos falando com alguém, o ar que sai dos pulmões passa pelas cordas vocais que vibram e produzem um som articulando as palavras. Aquele som, por nós emitido, se propaga pelo espaço por meio de ondas sonoras que obedecem a um padrão chamado frequência, é captado pelo órgão auditivo da pessoa com quem conversamos e, em seguida, transmitido ao seu períspirito que o recebe quase instantaneamente, grava e armazena.

Quando a pessoa quer lembrar daquelas palavras o períspirito abre o seu arquivo e, por meio de ondas pensantes, as repete. Foi, também, por esse motivo que o cientista e neurocirurgião Wilder Penfield, da Universidade Mc Gill em Montreal no Canadá, assim como Kardec, definiu a mente como sendo um gravador de máxima fidelidade que grava as experiências vividas, como se fosse uma fita magnética as quais, futuramente poderão ser reproduzidas, bastando, para isso, um leve toque no cérebro com um eletrodo.

Da mesma forma que as imagens e os sons podem ser recebidos, fotografados e gravados pelo perispírito, com o que pensamos ocorre o mesmo. Como o pensamento é atributo do espírito, e tem força criadora, ele consegue impor a sua vontade e atuar sobre os fluidos dando-lhes forma ou modificando-os. Desse modo, tudo o que pensamos cria imagens fluídicas que, semelhante a um espelho, reflete no nosso perispírito, onde também são fotografadas e armazenadas, podendo, igualmente, serem reproduzidas posteriormente. Portanto, nada há de estranho em se falar em fotografia e telegrafia do pensamento, já que se trata de um mecanismo de grande utilidade, que serve de advertência e nos orienta a procurar reciclar as nossas ideias.

Essa reciclagem é imprescindível porque, como espíritos encarnados que somos, vivemos aqui na Terra mergulhados nessa atmosfera fluídica que envolve todo o universo, onde cada um possui sua característica fluídica particular, dita aura, ou seja, um campo energético resultante de emanações de natureza eletromagnética, que irradia em torno do corpo. Em razão disso, estamos sempre numa constante troca de energias com aquelas vindas do cosmo, e as individuais, provenientes das outras pessoas, as quais poderão ser positivas ou negativas, e entre elas existe uma tendência a unirem-se ou afastarem-se, uma atração ou repulsão.

Em um ambiente saudável, por exemplo, onde a maioria dos pensamentos são bons, pelo processo de irradiação ocorrerá um fluxo daquelas energias positivas que se dirigirão às pessoas presentes, e aquelas que estiverem receptivas as atrairão e consequentemente, serão influenciadas ao bem. Nesse caso, mesmo que haja uma pequena parcela de pensamentos malévolos, eles não poderão impedir que as boas influências se produzam, pois, por estar em posição de minoria, serão paralisadas e repudiadas.

Portanto, quando estamos no mesmo padrão vibratório de pessoas que estejam pensando no bem, se os nossos pensamentos também forem bons, pelo processo telepático atraímos e emitimos energias salutares, melhor dizendo, haverá uma troca daquelas positivas. Porém, se o ambiente estiver infestado de pensamentos maus, (carregado), saturado de fluidos negativos e forem a maioria, enfraquecerão as boas irradiações impedindo-as de penetrar naquele meio, e, as pessoas que também estiverem sob influências maléficas, receberão cargas de energias deletérias, que irão alojar-se no períspirito de cada uma, influenciando-a ao mal. Desse modo, se a nossa sintonia for com alguém que esteja emitindo energias malévolas e estivemos pensando no mal, elas se unirão e, obviamente, a permuta será de fluidos deletérios.

O ser humano é regido por duas espécies de normas comportamentais: As leis humanas, feitas pelo homem para regular a relação material entre eles, e as Divinas, elaboradas pelo Criador, para harmoniza-los espiritualmente. Embora ambas tenham o mesmo objetivo, a diferença entre uma e outra é que, de acordo com as primeiras, somente haverá infração quando o indivíduo as desrespeitar por meio de atos ou de palavras.

Se um indivíduo pratica o mal contra o seu semelhante com ações concretas ou palavras ofensivas, desrespeita as leis humanas e terá que responder perante à Justiça reparando o dano por ele causado; enquanto as segundas, além de poderem ser infringidas por obras e palavras, poderão também pelo pensamento. Quando alguém apenas pensa em praticar o mal contra o seu próximo, mas, por um motivo qualquer, até mesmo pelo emprego do livre arbítrio, não concretiza o seu intento, permanecendo apenas na vontade, mesmo assim ocorre a infração, porque o pensamento se materializa intimamente, a cena é fotografada e arquivada no seu períspirito.

Nesse caso, em razão de ainda não conhecer a Lei de Causa e Efeito, e ignorar as consequências das normas que regem a ação dos fluidos entre as pessoas, ele acredita estar impune, o que é um grande equívoco, pois, muito embora o seu desejo não tenha se realizado, não havendo, portanto, efeito material, mesmo assim não deixa de ser uma infração, pois a causa foi plasmada, fotografada e arquivada, e, como não há um só pensamento – criminoso ou virtuoso – que não tenha ação real sobre a massa humana, e sobre cada indivíduo, terá que responder perante a Lei Divina.

Sendo assim, a conclusão que se tem é que, no dia em que o homem, que ainda não tem consciência dos efeitos que seus maus pensamentos irão produzir sobre os demais, conhecer e perceber claramente a influência que poderão exercer sobre os seus semelhantes, já que nenhum corpo serve de obstáculo ao fluido perispiritual que a todos atravessa, e constatar que aquelas más energias vindas de outras pessoas, da mesma forma poderão lhe causar grandes males, considerando que elas poderão ser alteradas, pois o controle das energias é feito através do pensamento, perceberá, também, a necessidade de não mais mantê-los, e assim, com toda certeza procurará corrigir-se e não mais pensará em fazer o mal.

Por isso, quando o Mestre Jesus nos aconselhou a orar e vigiar, foi para que mantivéssemos uma vigilância constante, não somente sobre os nossos atos e palavras, mas, também, e principalmente naquilo que pensamos. Portanto quando presenciarmos uma cena de violência, como por exemplo um processo de linchamento, onde algumas pessoas, recapitulando vivências animalescas adormecidas no seu íntimo, atuam como feras, o que devemos fazer é nos afastar dali o mais depressa possível para não nos deixar influenciar pelas energias negativas emanadas daquela turba e, consequentemente, também participar daquela chacina.

Se estivermos com intenção de praticar o mal contra alguém, devemos, de imediato, procurar substituir aquelas más energias – nocivas ao próximo – por pensamentos benevolentes, a fim de impedir que aquela ideia malévola seja plasmada, fotografada e arquivada na nossa mente, podendo a qualquer momento se exteriorizar.


 Fonte: Rádio Boa Nova

Medo: Doutrina Espírita explica a origem desta sensação


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016







A bondade divina é infinita e, em todos os lugares, há sempre
generosas manifestações da Providência Paternal de Deus, confortando
os tristes, acalmando os desesperados, socorrendo os
ignorantes e abençoando os infelizes.


André Luiz pela psicografia de Chico Xavier
(Missionários da luz, capítulo 07)

Divaldo Pereira Franco é o entrevistado da SNEWS

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ética no contato com o paciente e consulentes



Não podemos nos esquecer de que, mesmo trabalhando no serviço do bem comum, atendendo às dores, às dificuldades e aos sofrimentos alheios, os médiuns, geralmente, não são médicos. Os trabalhadores, terapeutas do espírito, também não são médicos; ainda que detenham algum conhecimento na área da saúde, que hajam estudado a fisiologia espiritual e energética do ser humano, fato é que não são médicos. Embora possam captar o pensamento de alguém que exercesse a medicina quando encarnado, assim mesmo, não são médicos. Por isso, enfatizamos o cuidado que devem ter meus irmãos a fim de evitar a acusação de prática de curandeirismo ou de exercício ilegal da medicina.

Para as atividades espirituais, não precisamos recorrer a instrumentos que somente aos médicos é dado manejar. Aos espíritos superiores comprometidos com a recuperação da saúde humana, são completamente desnecessários o bisturi e as demais ferramentas e técnicas cujo emprego é prerrogativa médica. É bom lembrar que, na história das manifestações brasileiras de espiritualidade, já houve vários trabalhos sérios que ficaram comprometidos devido ao uso de tais elementos. Os responsáveis foram expostos às leis dos homens em razão da imprudência — mais de médiuns e trabalhadores que de espíritos. Médiuns há que resolvem lançar mão desses instrumentos para dizer ou mostrar que estão realizando cirurgias espirituais. Ora, se estas são espirituais, por que usar ferramentas da medicina terrena? Por outro lado, se querem realizar cirurgias físicas, por que deveriam se eximir de estudar medicina e formar-se na profissão? Há que ter um cuidado sério para não comprometermos o trabalho espiritual nem sermos enquadrados como praticantes ilegais da medicina ou como usuários de métodos de curandeirismo. Trata-se, repetimos, de prática absolutamente desnecessária, decorrente muito mais de aspectos ligados à expressão anímica do médium do que ao espírito manifestante, isso quando há um espírito atuando, genuinamente.

Sem desmerecer meus irmãos espirituais que, no passado, utilizaram esses recursos, a medicina espiritual está por demais avançada para que seja necessário recorrer a tais recursos, mais apropriados a profissionais da esfera física. Trabalhamos com energias, luz coagulada, ondas, radiações e vibrações; para nós, da esfera além-física, o ectoplasma é a fonte de abastecimento vital e energético, da qual nos servimos para interferir na qualidade da saúde dos consulentes, dentre outros recursos ainda invisíveis para meus irmãos encarnados. Trata-se de uma medicina puramente vibracional, que, não obstante todo o conhecimento científico do mundo, os médicos na atualidade não conseguem entender nem sequer aceitar, em sua maioria. De forma análoga, caso estes pretendam empregar recursos e aparelhos que simulem tecnologias próprias do plano extrafísico, por certo serão também responsabilizados perante os conselhos de medicina, pois além de não conhecerem os pormenores de elementos próprios do plano invisível, estes não são reconhecidos pela ciência como métodos válidos, ao menos por ora.

É prudente, portanto, que cada qual se utilize dos recursos pertinentes à sua área de atuação.

Outro aspecto importante no trato com consulentes diz respeito à comunicação clara do que se pretende fazer. Como médiuns, terapeutas do espírito ou curadores, não é elegante prometer a cura de nenhuma enfermidade nem divulgar que se está curando enfermos. Mais uma vez, afirmamos: médium não é médico. Mais determinante que isso, porém, é que nem os médicos do espaço que trabalham com seriedade divulgam que curam, pois a cura depende de diversos fatores.

Nenhum de nós é Deus; ademais, nem mesmo Jesus, o médico por excelência, curou todos os enfermos que o procuraram.

Assim sendo, prometer cura é comprometer o trabalho e os trabalhadores. No máximo, podemos oferecer auxílio espiritual como complemento ao tratamento médico.

Aqueles que nos procuram para sanar suas dores não devem, de maneira alguma, interromper o tratamento médico ou o acompanhamento de saúde a fim de receber auxílio da medicina espiritual. É útil lembrar que trabalhamos numa sociedade humana que, em sua maior parte, não reconhece a eficácia, nem sequer admite a existência das intervenções espirituais. A lembrança desse fato é essencial para evitar comprometer as tarefas realizadas em nome do eterno bem.

A ética espiritual define, ainda, que não podemos, sob nenhuma hipótese, suspender qualquer medicação, insinuar que o consulente deva interromper o tratamento médico, tampouco deixar sequer transparecer a ideia de que a terapia espiritual seja um método substitutivo à metodologia terrena. Nosso campo de atuação não é o corpo, mas o espírito, o perispírito ou psicossoma, o duplo etérico, a fisiologia dos corpos energéticos e as formas-pensamento. Trabalhamos visando eliminar os focos de contaminação fluídica, miasmática e astral, bem como os cúmulos energéticos localizados nos corpos extrafísicos de meus irmãos, cientes de que tais intervenções trazem alívio e qualidade de vida, e agem de modo a aumentar a eficacia dos tratamentos realizados pelos médicos da Terra. São somente eles, nossos amigos da ciência terrena, que podem recomendar a interrupção de tratamentos prescritos.

Seria muita irresponsabilidade e falta de zelo com a seriedade do trabalho espiritual que médium, espírito ou pseudoespírito sugerissem ao consulente cessar o tratamento médico, usando a terapia espiritual como pretexto.

É bom ter em mente, também, um outro cuidado. Uma vez que a medicina e a ciência da Terra ainda não reconhecem a eficácia nem sequer a realidade da ciência espiritual, e considerando que médiuns receitistas, de cura e magnetizadores não são médicos, reza a prudência que evitem indicar medicamentos alopáticos e tratamentos próprios da medicina convencional ou tradicional. Tal campo é de competência da medicina terrena. À ciência médica espiritual cabem métodos mais brandos e naturais, a título de terapia complementar e objetivando incrementar a qualidade de vida e a saúde de meus irmãos.

Quando mencionamos essas situações, queremos sobretudo garantir a segurança dos trabalhos espirituais e a do próprio trabalhador que representa ou diz representar os Imortais. Reiteramos: mesmo na hipótese de que o necessitado de socorro venha a se sentir curado ou recuperado das enfermidades que o trouxeram ao contato com a realidade espiritual, é ético da parte do terapeuta do espírito não isentá-lo do tratamento médico convencional, mas sim recomendar que procure seu médico e siga suas orientações.

O princípio que deve pautar as ações é o seguinte: a medicina espiritual não compete com a medicina humana; antes, lhe serve de complemento, que não invalida a metodologia tampouco a atuação dos médicos do mundo.

De outro lado, mesmo não sendo médicos, os médiuns precisam saber anatomia e fisiologia; precisam ter o mínimo de conhecimento sobre o corpo humano, além de estudar constantemente fisiologia energética e espiritual. Chacras, corpos, formas-pensamento, parafisiologia do psicossoma em particular, assim como do duplo etérico, além de algo mais ou menos profundo a respeito do corpo mental, são tópicos centrais de estudo, a fim de não incorrerem em erros básicos que a simples intuição, desamparada de noções robustas, é incapaz de afastar. Ao mesmo tempo, quando os médiuns se preparam podem oferecer aos seus companheiros invisíveis instrumentos mais aprimorados, a fim de que exerçam sua atividade com mais eficácia.

A presença dos espíritos nas atividades de cura de meus irmãos não exime ninguém, sobretudo os médiuns, de continuar estudando e aperfeiçoando-se sempre. Sem estudo, sem disciplina e sem dedicação, dificilmente se terá a chancela dos espíritos superiores.

A propósito, é imperioso entender que nem todos os espíritos que pretendem atender meus irmãos em problemas relativos à saúde, entre outros de variada complexidade, são espíritos esclarecidos. Assim como na Terra há os que se passam por pessoas sérias, os que são enganadores e antiéticos, do lado de cá da vida existem os espíritos mistificadores; somente o estudo, o conhecimento e a coragem de enfrentá-los, com instrumentos espirituais apropriados, são capazes de desmascará-los. Não se iludam meus irmãos pensando que todo espírito que pretenda ajudar tenha real condição e intenção de fazê-lo.

De outro lado, existem também aqueles entre meus irmãos que são crédulos por demais. Se há espíritos que enganam, eles só encontram campo para tal por existirem pessoas que se expõem abertamente à possibilidade de ser enganadas.

De maneira análoga, assim como existem médiuns sérios e com real compromisso na área da cura, existem também aqueles que querem copiar outros, simular cirurgias espirituais e ser médiuns de cura a todo custo, ignorando que seu compromisso é em outra área da vida espiritual. Em nome do respeito, da dignidade e da fidelidade aos espíritos superiores, meus irmãos devem ficar atentos. Diante dos modismos do movimento espiritualista, qualquer um arma uma maca e se autodenomina médium de cura. E logo aparecem pessoas desavisadas, dispostas a se submeterem a tratamentos que o médium não conhece e para os quais não está preparado. Não basta uma maca e a aparência de se estar em transe para que a pessoa seja médium de cura e esteja bem assistida, do ponto de vista espiritual. As questões dessa ordem são por demais sérias para que meus irmãos se deixem levar pelos desatinos e irresponsabilidades de alguns que se julgam médiuns e não o são, ao menos nesse departamento.

Os médiuns e os trabalhadores do bem, de modo geral, precisam estudar sempre, saber mais, aprofundar os estudos e observações e conhecer as bases da filosofia espírita. Quem não estuda, candidata-se ao engano; quem não conhece nem se dedica ao aperfeiçoamento, à informação e ao incremento da cultura espiritual, torna-se porta aberta para intromissões energéticas e conscienciais indesejáveis e comprometedoras. Um elevado amigo espiritual diz, com propriedade, que médium sem estudo é ferramenta enferrujada. E nós acrescentamos que médium sem ética é ferramenta que já foi posta de lado e não nos serve mais.

Não podemos olvidar que a importância do trabalho do bem e a consideração que lhe é devida estão acima das pretensões e da leviandade das pessoas, sejam elas médiuns, trabalhadores, médicos ou quem for. Convém a cada um chamado a servir à humanidade, em nome do bem geral, desenvolver o senso de responsabilidade em relação à tarefa com a qual colaborará. Sabendo que ninguém é dono da atividade que realiza, é possível ser remanejado a qualquer momento, tanto quanto ser convidado a se afastar, a fim de que outro mais comprometido assuma o que não demos conta de fazer. O trabalho não nos pertence; ninguém é insubstituível, nem incapaz de realizar algo. A todos é dada a oportunidade de servir em alguma atividade, mas compete a cada um fazer-se necessário à tarefa por meio da dedicação e do esforço, do respeito e da dignidade que o trabalho merece.

Quando se trata do bem comum, o trabalho é mais importante do que o trabalhador. Tanto quanto é verdade que, quando se trata das necessidades humanas e da dor particular, o trabalhador é tão importante quanto o trabalho que ele representa. 

Por isso, merece, como qualquer ser humano, carinho, atenção e cuidados equivalentes aos do necessitado que procura atendimento. Não obstante, na tarefa diária, é bom não confundir os dois papéis; é preciso saber em que lugar nos colocamos: se no do consulente necessitado ou no do enfermeiro que serve em nome de Cristo.

Joseph Gleber

Fonte: A Casa do Espiritismo

terça-feira, 29 de novembro de 2016

"EU PERDOO"


Brryan Jackson foi deliberadamente infectado pelo vírus HIV, aos 11 meses de vida, por seu próprio pai – um técnico em hematologia que estava se separando da mãe de Brryan e estava preocupado com o pagamento de pensão.
 
O episódio aconteceu durante uma internação hospitalar por causa de uma asma. O pai, Brian, aproveitou uma saída da mãe do quarto para injetar o vírus na corrente sanguínea do filho. Quando descobriram o que afetava o Brryan, já aos cinco anos de idade, os médicos lhe deram apenas cinco meses de vida. Os clínicos temiam não apenas os efeitos da doença, mas do coquetel de remédios que ele precisava tomar para tentar mantê-la sob controle.

Atualmente, a rotina médica de Brryan Jackson já não envolve mais andar com sondas pelo corpo, como nos tempos de escola. As 23 pílulas diárias hoje são apenas uma, embora de três em três meses ele precise ir ao médico para checar seu sistema imunológico. A doença, obviamente, afetou sua vida social. Diversos relacionamentos foram interrompidos por pais receosos.

Hoje, aos 25 anos, Jackson confessa que cogitou o suicídio, mas optou pela religião. A conversão ao Cristianismo fez com que decidisse “perdoar” o pai, que foi condenado à prisão perpétua em 1998. Conta que nunca teve contato com o progenitor. Contudo poderá ficar frente a frente com ele ainda este ano, quando uma junta examinará um pedido de liberdade condicional. Jackson, apesar de o ter “perdoado”, pretende ler um comunicado em que recomenda que o pai continue preso. (1)

Como agir diante de uma situação dessas? Será que realmente Brryan perdoou seu pai? O assunto é ingrato e merece algumas avaliações doutrinárias. Em verdade, aprendemos com os Benfeitores espirituais que se alguém nos prejudicou, não podemos permitir que o sentimento de vingança desgaste nosso estado psicoemocional. (2) Nem que seja por “egoísmo” é importante perdoar incondicionalmente. Até porque, quem sofrerá com a mágoa guardada somos nós e não quem nos lesou, causando consternação ou desgosto.

Quantos são aqueles que dizem que desejam perdoar, mas não o conseguem? Ora, distanciando-nos do caso Brryan Jackson, urge ponderar alguns aspectos. Será que quem nos magoa queria nos prejudicar propositalmente? Muitos erros são cometidos sem a intenção de nos danificar. Porém, se tiverem sido intencionais, será que o nosso agressor se arrependeu? Neste caso, será que estamos realmente dispostos a indultá-lo?

Em verdade, só podemos perdoar o outro se perdoarmos a nós mesmos. Reflitamos nos erros que cometemos com o próximo e desculpemo-nos. Livremo-nos da culpa e estaremos prontos para perdoar. efetivamente, esquecer a ofensa nos favorece porque faxina o coração da ira e da contrariedade. Perdoar alguém que nos fez mal revoga o ciclo de pensamentos negativos, que só servem para nos abater moral e espiritualmente.

É um sinal de amadurecimento, pois ofertar o perdão favorece o agressor, contudo beneficia muito mais quem perdoa. Proporciona uma duradoura percepção de liberdade. É verdade! Ao saírmos da posição de vítimas, a sensação é de grande liberdade – deixamos de ser escravizados de um sentimento que antes nos aprisionava. Ajuda-nos a retomar as rédeas da vida.

Quem profere do fundo d’alma “eu perdoo” se sente mais forte e capaz de comandar o próprio destino.

Jorge Hessen

Brasília DF

Nota e Referência:
(1) Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36608335 acesso 23/10/2016
(2) É aquela nossa ação interior para vivermos emoções através de nosso intelecto

domingo, 27 de novembro de 2016

PROMETER


"Prometendo-lhes liberdade,
sendo eles mesmos servos
da corrupção"
(II Pedro, 2:19.)


É indispensável desconfiar de todas as promessas de facilidades sobre o mundo.

Jesus, que podia abrir os mais vastos horizontes aos olhos assombrados da criatura, prometeu-lhe a cruz sem a qual não poderia afastar-se da Terra para colocar-se ao seu encontro.

Em toda parte, existem discípulos descuidados que aceitam o logro de aventureiros inconscientes. É que ainda não aprenderam a lição viva do trabalho próprio a que foram chamados para desenvolver atividade particular.

Os fazedores de revoluções e os donos de projetos absurdos prometem maravilhas. Mas, se são vítimas da ambição, servos de propósitos inferiores, escravos de terríveis enganos, como poderão realizar para os outros a liberdade ou a elevação de que se conservam distantes?

Não creias em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos.

Deves saber que fostes criado para a gloriosa ascensão, mas que só é fácil descer. Subir exige trabalho, paciência, perseverança, condições essenciais para o encontro do amor e da sabedoria.

Se alguém te fala em valor das facilidades, não acredites; é possível que o aventureiro esteja descendo. Mas quando te façam ver perspectivas consoladoras, através do suor e do esforço pessoal, aceita os alvitres com alegria. Aquele que compreende o tesouro oculto nos obstáculos, e dele se vale para enriquecer a vida, está subindo e é digno de ser seguido.


da obra Caminho, Verdade e Vida, por Francisco Cândido Xavier,
ditado pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A potência do Amor - por Einstein


"Fragmento da última carta de Einstein à sua filha Lieserl!

O Amor...
Quando propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam, e o que lhe revelarei agora para que o transmita à humanidade, também se chocará contra a incompreensão e os preconceitos do mundo.

Peço-lhe mesmo assim, que o guarde o tempo todo que seja necessário, anos, décadas, até que a sociedade haja avançado o suficiente para acolher o que lhe explico a seguir.

Existe uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma explicação formal.

É uma força que inclui e governa todas as outras, e que está inclusa dentro de qualquer fenômeno que atua no universo e que ainda não foi identificada por nós.

Esta força universal é o Amor.

Quando os cientistas buscam uma teoria unificada do universo, esquecem da mais invisível e poderosa das forças.

O amor é luz, já que ilumina quem o dá e o recebe.
O amor é gravidade porque faz com que umas pessoas sejam atraídas por outras.
O amor é potencia, porque multiplica o melhor que temos e permite que a humanidade não se extinga no seu egoísmo cego.
O amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre.

Esta força explica tudo e dá sentido em maiúscula à vida.

Esta é a variável que temos evitado durante tempo demais, talvez porque o amor nos dá medo, já que é a única energia do universo que o ser humano não aprendeu a manobrar segundo seu bel prazer.

Para dar visibilidade ao amor, fiz uma simples substituição na minha mais célebre equação. Si no lugar de E=mc² aceitamos que a energia necessária para sanar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque não tem limite.

Após o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se voltaram contra nós, é urgente que nos alimentemos de outro tipo de energia.

Se quisermos que nossa espécie sobreviva, se nos propusermos encontrar um sentido à vida, se desejarmos salvar o mundo e que cada ser sinta que nele habita, o amor é a única e última resposta.

Talvez ainda não estejamos preparados para fabricar uma bomba de amor, um artefato bastante potente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o planeta.

Porém, cada indivíduo leva no seu Interior , um pequeno mas poderoso gerador de amor cuja energia espera ser liberada.

Quando aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl, comprovaremos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor é a quintessência da vida.

Lamento profundamente não ter sabido expressar o que abriga meu coração, que há batido silenciosamente por você toda minha vida.

Talvez seja tarde demais para pedir-lhe perdão, mas como o tempo é relativo, preciso dizer-lhe que a amo e que graças a você, cheguei à ultima resposta.

Seu pai,
Albert Einstein "

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Virtudes e Defeitos


Do latim virtus, utis, que significa força corpórea, ânimo, valor, bravura, coragem, força de alma, energia, boas qualidades morais, mérito, vejamos outras definições para a palavra virtude:

a. Minidicionário Aurélio: "disposição firme para a prática do bem; qualidade moral".

b. Houaiss: "qualidade do que se conforma com o considerado correto e desejável; conformidade com o Bem, com a excelência moral ou de conduta".

c. Aristóteles: disposição adquirida de fazer o bem, que se aperfeiçoa com o hábito.

d. O Livro dos Espíritos - p. 893: "Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências".

e. Miramez em Horizontes da Vida: "Virtudes são qualidades morais que a alma deve exercitar a cada dia em proveito de sua própria vida".

Conclusão: virtudes são qualidades morais do homem, a serem despertadas, desenvolvidas, cultivadas, exercitadas. Mas por quê?

Deus criou tudo o que existe: o universo, a natureza, a humanidade. Deus, que é o Bem e a Perfeição absolutos, não criaria nada incompleto, imperfeito ou defeituoso. Então, tudo o que Deus criou foi criado para o Bem, inclusive a humanidade.

Isso significa que o ser humano, de natureza divina, foi criado potencialmente bom, virtuoso, ou seja, todos os homens têm latentes, em si mesmo, todas as virtudes necessárias ao seu progresso espiritual, à sua verdadeira felicidade.

Portanto, desenvolver virtudes é, na verdade, desenvolver nossa própria natureza, evoluir espiritualmente, para alcançar a felicidade que tanto buscamos, mesmo sem o sabermos. Assim, o desenvolvimento das virtudes é uma necessidade instintiva natural de todo ser humano. Mesmo inconscientemente, o homem deseja ser virtuoso, busca o cultivo das virtudes por instinto.

Mas, se é assim tão natural, por que é sempre tão difícil despertar, cultivar, desenvolver, exercitar as virtudes? Será que somos fracos? Estamos sem a proteção de Deus? Somos incapazes?

Não. Deus nada criou para a imperfeição, portanto, temos tudo para sermos perfeitos. Acontece que, durante muito tempo, por uma questão de sobrevivência, o homem foi obrigado a se preocupar mais com o mundo material e as necessidades físicas, e sua atenção esteve completamente voltada para a busca de alimento, abrigo, defesa, moradia, etc. Não sobrava tempo e espaço para que percebesse e se preocupasse com as coisas espirituais, pois as coisas materiais tomavam todo seu tempo e suas energias.

Isso foi necessário durante algum tempo, como parte do aprendizado do homem no planeta. Era necessário que ele conhecesse as emoções básicas antes pelo ponto de vista material, concreto, palpável, para depois abstrair-se e entendê-las pelo ponto de vista intelectual, filosófico e espiritual, conhecendo também os sentimentos mais elevados. Era apenas mais um estágio a ser vencido em sua caminhada evolutiva.

Nessa intensa luta pela sobrevivência, as virtudes acabaram confundidas com coisas do mundo material, mais objetivas e práticas como força e resistência físicas, coragem para a luta corporal, capacidade para estratégias de guerra, fertilidade, harmonia estética, etc. E, com as virtudes moldadas pela visão exclusivamente material, o homem acabou criando um mundo de luta, competição e disputa, onde o que valia era a lei do mais forte, do olho por olho, do jogo de poder e acúmulo de bens.

Com o tempo, entretanto, seu entendimento aumenta e ele alcança uma percepção instintiva das coisas espirituais. É sua natureza latente para o em chamando mais forte. E o homem passa a não se satisfazer mais só com as coisas materiais. E essa insatisfação começa a gerar vazio, culpa, arrependimento, desconforto, constrangimento de consciência, incômodo, pois o homem começa a perceber que lhe falta alguma coisa e que, talvez, ele tenha "defeitos".

Começa, então, a luta interior do homem contra si mesmo, a luta moral, o conflito consciencial do homem velho contra o homem novo, de que fala Paulo de Tarso em suas epístolas e de que falam muitos outros místicos e filósofos ao longo da história. Essa é a batalha mais árdua de todo ser humano, sem tréguas, sem disfarces, 24 h por dia, sem possibilidade de fuga, pois, mais cedo ou mais tarde, somos forçados a nos olhar frente a frente.

É nesse ponto que surgem a Religião e a Filosofia, como forma de encontrar alívio para o mal-estar interior e para o conflito que se instalou em nossa consciência. Em todas as Religiões vamos encontrar referências às virtudes. Todas as Religiões reconhecem o valor e a necessidade de se cultivar virtudes como qualidades das pessoas de bem, como qualidades a serem cultivadas para se tornar pessoas de bem.

Acontece que as Religiões, manifestações humanas, nunca foram perfeitas e, influenciadas pelas culturas e pela época em que estão inseridas, acabaram por dar às virtudes definições particulares, distorcidas, exagerando algumas características, tornando-as inacessíveis, difíceis de serem compreendidas ou vivenciadas pelas pessoas comuns, transformando-as em coisas para santos, místicos, anjos, iluminados, avatares, iniciados, missionários, etc.

Assim, as Religiões falham e não conseguem explicar e sanar o conflito vivido pelo homem, aliviando o desconforto espiritual em que vive. Sem poder alcançá-las, esse homem perde o interesse pelas virtudes e volta ao seu estado materialista. E instituiçõs religiosas, por sua vez, erguidas e cheias de homens também em conflito tanto quanto o povo, receosas de perder o controle sobre seus fiéis, criam mecanismos e leis que só fazem aumentar a culpa, o medo e o constrangimento da consciência humana.

Desse modo, as virtudes, além de não serem compreendidas, ainda são desvalorizadas e praticamente esquecidas, consideradas utopias, coisas de gente ingênua, crédula e ignorante. Ser virtuoso se torna sinônimo de ser bobo e ignorante.

O homem, cansado de ir e vir, continua lutando consigo mesmo, intuindo que alguma coisa está errada, que falta algo, mas sem saber como corrigir. E é nesse estágio em que nos encontramos hoje. O homem moderno, pelo excesso de materialismo e pela decepção com as Religiões, perdeu a referência divina de sua criação e, ao mesmo tempo, não se contenta com a referência mais animalizada e limitada de seu passado. Ele não quer voltar a ser o que foi, e não consegue enxergar ou entender o que pode vir a ser. Com a falta de compreensão de sua natureza divina e as distorções criadas com o passar dos séculos, o homem continua a agir de forma equivocada, manifestando qualidades que se parecem cada vez mais defeitos para ele.

O que são, então, os defeitos? Defeitos nada mais são que manifestações da nossa ignorância em relação à nossa natureza divina; são agressões a essa natureza virtuosa latente com que fomos criados desde o princípio; são agressões à nossa consciência e ao fluxo do amor divino que está em nós e nos transpassa ao longo da vida. Uma vez que entendemos as virtudes como parte de nossa natureza, aspectos naturais de nosso caráter, potenciais divinos latentes em todos nós para nosso sucesso espiritual, entendemos que o único caminho natural para nossa felicidade é a prática constnte e consciente dessas virtudes, cessando o conflito íntimo, o desconforto, a insatisfação.

A única e verdadeira função da virtude é fortalecer o espírito para a caminhada em direção ao progresso espiritual, reconduzindo-nos à posse de nossa natureza divina, libertando-nos de nosso passado limitado por distorções, ilusões e enganos.

Como diz Miramez em Horizontes da Vida, "a criatura virtuosa assegura força poderosa na sua vida, que lhe faz alcançar um bem estar indizível, na intimidade do coração. [...] A função da virtude é a de libertar as criaturas dos cansados trilhos das ilusões e do enfado torturante das paixões inferiores".

Assim, a nossa atitude natural deve ser cultivar virtudes e não combater defeitos. Cultivando virtudes, os defeitos, naturalmente, deixam de existir, de forma gradativa, pois não são parte de nós. São apenas manifestações de nossa ignorância em relação a nossa natureza; reflexo de nossa agressão a nossas características latentes naturais: as virtudes. Essas, sim, partes de nossa essência.

É importante, no entanto, que essa prática das virtudes não se torne uma obsessão, pois poderia levar a outro equívoco grave: o fanatismo. A busca das virtudes deve ser natural, gradativa, sem sofrimento, sem sacrifícios, sem privações, repressões ou imposições cruéis. O que não quer dizer que não implique algum sacrifício de nossa parte. Para conquistarmos as virtudes, teremos de abrir mão de alguns interesses pessoais, de alguns apegos materiais, de algumas crenças arraigadas, de alguns conceitos equivocados, de algumas percepções distorcidas ou egoístas... Mas tudo de forma natural, sem que seja necessário forçar nada, sem que nos tornemos chatos, implicantes, fiscais ou cobradores de nós mesmos ou de quem quer que seja.

Também não devemos, na ânsia de alcançar as virtudes, virar as costas aos defeitos. Para podermos evitar um perigo, precisamos saber exatamente como é esse perigo, onde ele está, como se comporta, quando se manifesta etc... Devemos procurar conhecer todos os nossos defeitos para melhor empreender a busca das virtudes contrárias a eles, e não bancar os cegos e ingênuos, fingindo não ver o perigo em que nos encontramos ou o quanto ainda estamos sujeitos a fraquejar.

E, principalmente, aceitemos os nossos eventuais defeitos com naturalidade, sem decepção, sem desânimo, pois eles são características naturais do estágio em que nos encontramos agora. Precisamos manifestar esses defeitos para nos conhecermos melhor e para sabermos quais são nossas maiores necessidades. Somente através de nossos defeitos, percebidos de forma consciente ou inconsciente, pudemos chegar ao momento em que nos encontramos hoje, aqui e agora, fazendo questionamento em busca de esclarecimento, orientação e aperfeiçoamento de nós mesmos.


Fonte: STUM - Somos Todos Um - por Maísa Intelisano