Eternidade

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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O Livro dos Médiuns

 


Anunciada há muito tempo, mas com a publicação retardada em virtude de sua própria importância, esta obra aparecerá entre os dias 5 e 10 de janeiro, na livraria do Sr. Didier, nosso editor, localizada no Quai des Augustins, 351. Representa o complemento de O Livro dos Espíritos e encerra a parte experimental do Espiritismo, assim como este último contém a parte filosófica.

Fruto de longa experiência e de laboriosos estudos, nesse trabalho procuramos esclarecer todas as questões que se ligam à prática das manifestações. De acordo com os Espíritos, contém a explicação teórica dos diversos fenômenos, bem como das condições em que os mesmos se podem reproduzir. Não obstante, sobretudo a matéria relativa ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade mereceu de nossa parte uma atenção toda especial.

O Espiritismo experimental é cercado de muito mais dificuldades do que geralmente se pensa, e os escolhos aí encontrados são numerosos. É isso que ocasiona tantas decepções aos que dele se ocupam, sem a experiência e os conhecimentos necessários. Nosso objetivo foi o de prevenir contra esses escolhos, que nem sempre deixam de apresentar inconvenientes para quem se aventure sem prudência por esse terreno novo. Não podíamos negligenciar um ponto tão capital, e o tratamos com o cuidado que a sua importância reclama.

Os inconvenientes quase sempre se originam da leviandade com que é tratado problema tão sério. Sejam quais forem, os Espíritos são as almas dos que viveram, no meio das quais estaremos infalivelmente, de um momento para outro. Todas as manifestações espíritas, inteligentes ou não, têm, pois, por objeto, pôr-nos em contato com essas mesmas almas; se respeitamos os seus restos mortais, com mais forte razão devemos respeitar o ser inteligente que sobrevive e que constitui a sua verdadeira individualidade. Fazer das manifestações uma brincadeira é faltar com o respeito que talvez amanhã reclamaremos para nós mesmos, e que jamais é violado impunemente.

O primeiro momento de curiosidade causado por esses estranhos fenômenos já passou. Hoje, que se lhes conhece a fonte, guardemo-nos de profaná-la com brincadeiras descabidas e nos esforcemos por nela haurir o ensinamento apropriado que nos assegurará a felicidade futura. O campo é muito vasto e o objetivo por demais importante para cativar toda a nossa atenção. Até hoje, todos os nossos esforços tenderam para fazer o Espiritismo entrar neste caminho sério. Se esta nova obra, tornando-o ainda mais bem conhecido, puder contribuir para impedir que o desviem de sua destinação providencial, estaremos amplamente recompensados de nossos cuidados e de nossas vigílias.

Não negamos que esse trabalho suscitará mais de uma crítica da parte daqueles a quem incomoda a severidade dos princípios, bem como dos que, vendo as coisas de um outro ponto de vista, já nos acusam de querer fazer escola no Espiritismo. Se fazer escola é procurar nesta ciência um fim útil e proveitoso para a Humanidade, teríamos o direito de nos sentir envaidecidos com essa acusação. Mas uma tal escola não necessita de outro chefe que não seja o bom-senso das massas e a sabedoria dos Espíritos bons, que a teriam criado sem a nossa participação. Eis por que declinamos da honra de a ter fundado, felizes de nos colocarmos sob a sua bandeira, não aspirando senão o modesto título de propagador. Se for necessário um nome, inscreveremos em seu frontispício: Escola de Espiritismo Moral e Filosófico, e para ela convidaremos todos quantos têm necessidade de esperanças e de consolações.

Allan Kardec

Fonte: Revista Espírita, janeiro, 1861.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

A hora de ajudar

                                     

                                                                                  Divaldo Franco

                                                                             Professor, médium e conferencista espírita 


Estando em festa a formidanda Mansão dos Churchill na Escócia, muitas crianças vieram com seus pais para o grandioso evento de reinauguração dos edifícios há pouco restaurados.

Enquanto brincavam, uma delas caiu numa piscina e começou a afogar-se. Em desespero, as demais se puseram a gritar enquanto o garoto se debatia.

Estando próximo o filho do jardineiro, sem raciocinar quase, atirou-se às águas e, por ser também uma criança, conseguiu com sacrifício salvar o outro.

Logo os adultos tomaram conhecimento, e o pai, reconhecido, muito agradeceu ao menino.

De imediato, disse-lhe ao genitor: – Em gratidão por seu filho haver salvado a vida do meu, eu lhe darei refinada educação. Diga-me o que mais ele deseja para si mesmo no futuro.

O homem humilde pensou um pouco e respondeu: – Meu filho disse-me uma vez que, quando crescesse, desejava ser médico para ajudar as pessoas.

– Pois o levarei para Londres e o educarei atendendo o seu desejo.

Assim aconteceu.

Passaram-se os anos e em 1947, terminada a Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro da Inglaterra Winston Churchill participava da Conferência de Paz, em Teerã, no Irã, quando adoeceu gravemente de pneumonia.

A notícia consternou o mundo, mas o Dr. Alexander Fleming, o autor da descoberta da penicilina, viajou de Londres e cuidou do paciente, salvando-lhe a vida.

Posteriormente, quando Churchill referiu-se ao notável acontecimento, afirmou que por duas vezes a sua vida fora salva pela mesma pessoa.

Fleming era o pequeno que o salvara do afogamento na Escócia.

Na vida de todos nós jamais faltam oportunidades para ajudar o nosso próximo, e esse sentido existencial tem sido responsável por tudo de bom e belo que acontece na humanidade.

Quem não vive para servir ainda não aprendeu a viver.

A vida humana é um hino ao serviço constante, porquanto tudo serve em a Natureza.

Faz-se necessário somente descobrir-se a melhor maneira de servir, colocando-se na condição de edificador da felicidade na Terra.

O egoísmo tem sido responsável pela desgraça moral e espiritual das criaturas e somente o altruísmo é-lhe o oposto dignificador.

Quando compreendermos o sentido do serviço edificante entre todos e em toda parte, haverá uma sinfonia harmônica entre as massas, e o mal, que persiste nos corações, cederá lugar ao amor, que se enfloresce em bênçãos.

Nunca desperdices a oportunidade de ajudar no crescimento ético das criaturas e nas suas necessidades.

Ajudando, estarás auxiliando-te a entender que realmente feliz e abastado é todo aquele que auxilia.

Foi por esta razão psicológica e real que Allan Kardec estabeleceu no conteúdo do Espiritismo que “fora da caridade não há salvação”.

Expandir a caridade é dever nosso.

Artigo originalmente publicado no Jornal A Tarde, coluna Opinião, no dia 27 de janeiro de 2023.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

O trabalhador espírita da Nova Era

Predita e confirmada pela Doutrina Espírita, a transição para uma nova realidade vai conduzindo a Humanidade para a Regeneração.

O trabalhador espírita que não estiver atento a este fato, que continuar com os mesmos hábitos da época de provas e expiações necessita refletir sobre a necessidade de progresso para acompanhá-lo no rumo que conduz a um mundo melhor, regenerado.

Estar na transição e agir nos moldes da expiação e provas é estagnar-se e não perceber a necessidade de progresso que reclama hábitos e costumes diferentes dos até então praticados.

O mundo regenerado reclama atitudes diferentes do de provas e expiações; os herdeiros deste futuro serão aqueles renovados e em condições de usufruir a regeneração com espírito colaborativo; atitudes de respeito; entendimento ampliado sobre a vida do Espírito imortal; coração bondoso; responsabilidade coletiva; desprendimento das ideias não mais compatíveis com a realidade regenerada e ação caridosa em todas as circunstâncias.

Para isso, impõe-se a transição dos remanescentes do mundo de provas e expiações, porque as gerações novas já se compromissaram antes do nascer com as mudanças necessárias para que se faça a renovação da Humanidade.

O espírita da Nova Era realizará suas tarefas de maneira impessoal, portanto, coletivamente, para que surja a personalidade única, Jesus, que aguarda as consciências se iluminarem para reconhecê-lo como o único Pastor, Guia e Modelo, Governador da Mãe Terra.

O espírita dessa Nova Era terá o seu coração forjado à bondade; vivenciará a benevolência para com todos indistintamente, compartilhará suas tarefas para que a responsabilidade seja ampliada ao coletivo; deixará no abandono as ideias não compatíveis com as verdades luminíferas do Evangelho de Jesus, substituindo-as por tudo que é coerente com a Lei Divina ínsita nas consciências; pautará a vida com exemplos de amor, conforme Jesus elucidou e viveu, na demonstração ativa da prática da caridade.

Aquele que augurar ser espírita da Nova Era, encontra-se frente a frente com o grande desafio da renovação para melhor, de retirar as sombras acumuladas no passado sombrio e de fazer a escolha correta do caminho a seguir.

Ele, o Mestre Nazareno, já apontou a direção e a maneira de extirpar as sombras: Eu sou o caminho…. Aquele que me segue jamais estará em trevas.

Ave, Cristo!

Sigamo-lo, pois, intimoratos, no rumo da regeneração.

 Fonte: O Reformador - FEB - junho/2021

domingo, 6 de dezembro de 2020

VASO ESCOLHIDO

(Tim e Moisés Luna)


No deserto das incompreensões o amor de Deus a nos chamar

A nos levantar das lutas humanas e enxugar lágrimas de um mundo afã

Em Damasco, num portal de luz o inolvidável tecelão

Vai se encantar com a visão celeste, se curvar ante o seu Mestre

Se ofuscar com a luz amiga e entender a razão da vida enfim

Palavra em harmonia, canções maestralmente entoadas

Por anjos de esferas sublimadas ao clarão que ofusca

O brilho do sol compadecido, inspirado, amável

Percorre os caminhos, acalma o gemido dos aflitos

De todos irmãos pequeninos, dos sedentos de Deus

De amor, pois Tu és o meu Vaso Escolhido

Necessário se faz amar, renovar-se no entendimento

Necessário é trabalhar, ser fiel no pouco e no muito

Necessário é esperar, a esperança é companheira

Necessário é perdoar, o amor mais puro se doa