Eternidade
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O Espiritismo é uma Religião?
O Espiritismo é uma Religião?
[...]
Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam,
são fundadas na comunhão de pensamentos; com efeito, é aí que podem e
devem exercer a sua força, porque o objetivo deve ser a libertação do
pensamento das amarras da matéria. Infelizmente, a maioria se afasta
deste princípio à medida que a religião se torna uma questão de forma.
Disto
resulta que cada um, fazendo seu dever consistir na realização da
forma, se julga quites com Deus e com os homens, desde que praticou uma
fórmula.
Resulta
ainda que cada um vai aos lugares de reuniões religiosas com um
pensamento pessoal, por sua própria conta e, na maioria das vezes, sem
nenhum sentimento de confraternidade em relação aos outros assistentes;
fica isolado em meio à multidão e só pensa no céu para si mesmo.Por
certo não era assim que o entendia Jesus, ao dizer: “Quando duas ou
mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, aí estarei entre elas.”
Reunidos em meu nome, isto é, com um pensamento comum; mas não se pode
estar reunido em nome de Jesus sem assimilar os seus princípios, sua
doutrina. Ora, qual é o princípio fundamental da doutrina de Jesus?
A caridade em pensamentos, palavras e ações. Mentem os egoístas e os
orgulhosos, quando se dizem reunidos em nome de Jesus, porque Jesus não
os conhece por seus discípulos.
[...} Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço.
[...} Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço.
Uma
religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que religa os
homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças;
consecutivamente, esse nome foi dado a esses mesmos princípios
codificados e formulados em dogmas ou artigos de fé.
É
nesse sentido que se diz: a religião política; entretanto, mesmo nesta
acepção, a palavra religião não é sinônima de opinião; implica uma idéia
particular: a de fé conscienciosa; eis por que se diz também: a fé
política.
Ora,
os homens podem filiar-se, por interesse, a um partido, sem ter fé
nesse partido, e a prova é que o deixam sem escrúpulo, quando encontram
seu interesse alhures, ao passo que aquele que o abraça por convicção é
inabalável; persiste à custa dos maiores sacrifícios, e é a abnegação
dos interesses pessoais a verdadeira pedra-de-toque da fé sincera.
Todavia,
se a renúncia a uma opinião, motivada pelo interesse, é um ato de
desprezível covardia, é, não obstante, respeitável, quando fruto do
reconhecimento do erro em que se estava; é, então, um ato de abnegação e
de razão.
Há
mais coragem e grandeza em reconhecer abertamente que se enganou, do
que persistir, por amor-próprio, no que se sabe ser falso, e para não se
dar um desmentido a si próprio, o que acusa mais obstinação do que
firmeza, mais orgulho do que razão, e mais fraqueza do que força. É mais
ainda: é hipocrisia, porque se quer parecer o que não se é; além disso é
uma ação má, porque é encorajar o erro por seu próprio exemplo.
O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito.
O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito.
O
efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como
conseqüência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a
solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.
Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.
Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião?
Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.
Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião?
Em
razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias
diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da
de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o
Espiritismo não tem.
Se
o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que
uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos
em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias,
de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo
e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.
Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.
As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembléias religiosas.
Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.
As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembléias religiosas.
Não
se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente
clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra
para cada idéia.
Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?
Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas?
Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória.
Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos?
É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da
caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que
compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem
parte da Humanidade.
A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.
Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregá-la e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário.
O campo da caridade é muito vasto; compreende duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões Caridade beneficente e caridade benevolente.
A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.
Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregá-la e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário.
O campo da caridade é muito vasto; compreende duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões Caridade beneficente e caridade benevolente.
Compreende-se
facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos
materiais de que se dispõe; mas a segunda está ao alcance de todos, do
mais pobre como do mais rico. Se a beneficência é forçosamente limitada,
nada além da vontade poderia estabelecer limites à benevolência.
O que é preciso, então, para praticar a caridade benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo. Ora, se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quererá nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos que no-lo fizessem.
Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho.
O que é preciso, então, para praticar a caridade benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo. Ora, se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quererá nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos que no-lo fizessem.
Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as imperfeições de seus semelhantes e não procurar o argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho.
Eis
a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a
caridade é palavra vã; é a caridade do verdadeiro espírita, como do
verdadeiro cristão; aquela sem a qual aquele que diz: Fora da caridade
não há salvação, pronuncia sua própria condenação, tanto neste quanto no
outro mundo.
[...] Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.
[...] Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus.
É
o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de
pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da
fraternidade universal.
Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.
O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.
[...]
Fonte : (Texto de Allan Kardec lido na Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, no dia 1º. de novembro de 1868. Transcrição parcial, Revue Spirite, dezembro de 1868).
Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.
O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.
[...]
Fonte : (Texto de Allan Kardec lido na Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, no dia 1º. de novembro de 1868. Transcrição parcial, Revue Spirite, dezembro de 1868).
domingo, 18 de novembro de 2012
Maria de Magdala
Maria de Magdala
Maria de
Magdala ouvira as pregações do Evangelho do Reino, não longe da vila
principesca onde vivia entregue a prazeres, em companhia de patrícios romanos, e tomara-se de
admiração profunda pelo Messias.
Que novo amor era aquele apregoado aos pescadores singelos por lábios tão divinos? Até ali, caminhara ela sobre as rosas rubras do desejo, embriagando-se com o vinho de condenáveis alegrias. No entanto, seu coração estava sequioso e em desalento.
Jovem e
formosa, emancipara-se dos preconceitos férreos de sua raça; sua beleza lhe
escravizara aos caprichos de mulher os mais ardentes admiradores; mas seu
espírito tinha fome de amor. O Profeta nazareno havia plantado em sua alma novos
pensamentos.
Depois
que lhe ouvira a palavra, observou que as facilidades da vida lhe traziam agora um
tédio mortal ao espírito sensível. As músicas voluptuosas não encontravam eco em
seu íntimo, os enfeites romanos de sua habitação se tornaram áridos e tristes.
Maria chorou
longamente, embora não compreendesse ainda o que pleiteava o profeta
desconhecido. Entretanto, seu convite amoroso parecia ressoar-lhe nas fibras
mais sensíveis de mulher. Jesus chamava os homens para uma vida nova.
Decorrida uma noite de grandes meditações e antes do famoso banquete em Naim, onde ela ungiria publicamente os pés de Jesus com os bálsamos perfumados de seu afeto, notou-se que uma barca tranquila conduzia a pecadora a Cafarnaum.
Dispusera-se
a procurar o Messias, após muitas hesitações. Como a receberia o Senhor, na
residência de Simão? Seus conterrâneos nunca lhe haviam perdoado o abandono do lar e a
vida de aventuras. Para todos, era ela a mulher perdida que teria de encontrar a
lapidação na praça pública.
Sua
consciência, porém, lhe pedia que fosse. Jesus tratava a multidão com especial
carinho. Jamais lhe observara qualquer expressão de desprezo para com as
numerosas mulheres de vida equívoca que o cercavam. Além disso, sentia-se
seduzida pela sua generosidade. Se possível, desejaria trabalhar na execução
de suas idéias puras e redentoras.
Propunha-se
a amar, como Jesus amava, sentir com os seus sentimentos sublimes. Se necessário,
saberia renunciar a tudo. Que lhe valiam as jóias, as flores raras, os banquetes suntuosos
se, ao fim de tudo isso, conservava a sua sede de amor?
Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou o umbral da humilde residência de Simão Pedro, onde Jesus parecia esperá-la, tal a bondade com que a recebeu num grande sorriso. A recém-chegada sentou-se com indefinível emoção a estrangular-lhe o peito.
Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou o umbral da humilde residência de Simão Pedro, onde Jesus parecia esperá-la, tal a bondade com que a recebeu num grande sorriso. A recém-chegada sentou-se com indefinível emoção a estrangular-lhe o peito.
Vencendo, porém, as suas mais fortes impressões, assim falou, em voz súplice, feitas as primeiras saudações: Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro!
Tendes a
clarividência do Céu e podeis adivinhar como tenho vivido! Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. Entretanto,
Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor!... Minha existência, como
todos os prazeres, tem sido estéril e amargurada.
As primeiras lágrimas lhe borbulharam dos olhos, enquanto Jesus a contemplava, com bondade infinita. Ela, porém, continuou: Ouvi o vosso amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas, mas será que Deus me aceitaria?
O Profeta nazareno fitou-a, enternecido, sondando as profundezas de seu pensamento, e respondeu, bondoso: Maria, levanta os olhos para o céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias!
Acaso,
poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado eterno? Onde, então, o amor de
nosso Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As
ruínas são as criaturas humanas; porém, as flores são as esperanças em Deus.
Sobre
todas as falências e desventuras próprias do homem, as bênçãos paternais de
Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo sol a iluminar-te o destino! Caminha agora, sob a
sua luz, porque o amor cobre a multidão dos pecados.
A pecadora de Magdala escutava o Mestre, bebendo-lhe as palavras. Homem algum havia falado assim à sua alma incompreendida. Os mais levianos lhe pervertiam as boas inclinações, os aparentemente virtuosos a desprezavam sem piedade.
Engolfada
em pensamentos confortadores e ouvindo as referências de Jesus ao amor, Maria acentuou,
levemente: No
entanto, Senhor, tenho amado e tenho sede de amor! Sim, redarguiu Jesus,
tua sede é real.
O mundo
viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreenda que em suas sendas a
virtude tem de marchar por uma porta muito estreita. Geralmente, um homem
deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o
caminho onde todos passam é de fácil acesso e de marcha sem edificações.
A
virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria. Há os que amam os que lhes
pertencem ao círculo pessoal, os que são sinceros com os seus amigos, os que
defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor.
O que
verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e
vive feliz,
na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção.
O amor
sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a
primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do
sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema!
Maria o escutava, embevecida. Ansiosa por compreender inteiramente aqueles ensinos novos, interrogou: Só o amor pelo sacrifício poderá saciar a sede do coração? Jesus teve um gesto afirmativo e continuou:
Somente
o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Acreditas que o mundo
pudesse manter o equilíbrio próprio tão-só com caprichos antagônicos e por
vezes criminosos dos que se elevam à galeria dos triunfadores?
Toda luz
humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. Um
guerreiro coberto de louros ergue os seus gritos de vitória sobre os cadáveres
que juncam o chão; mas apenas os que tombaram fazem bastante silêncio, para que
se ouça no mundo a mensagem de Deus. O primeiro pode fazer a experiência para um
dia; os segundos constroem a estrada definitiva na eternidade.
Na tua condição de mulher, já pensaste no que seria o mundo sem as mães exterminadas no silêncio e no sacrifício? Não são elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?
Muitas
vezes, o campo enflorescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa
silenciosa, os corações maternais não desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Providência
Divina, que espalha sobre um cemitério os lírios perfumados de seu amor !
Maria de Magdala, ouvindo aquelas advertências, começou a chorar, a sentir no íntimo o deserto da mulher sem filhos. Por fim, exclamou: Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe!
Então, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou: E qual das mães será maior aos olhos de Deus? A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que se consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?
Aquela interrogação pareceu despertá-la para meditações mais profundas. Maria sentiu-se amparada por uma energia interior diferente, que até então desconhecera. A palavra de Jesus lhe honrava o espírito, convidava-a a ser mãe de seus irmãos em humanidade, aquinhoando-os com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida.
Experimentando
radiosa felicidade em seu mundo íntimo, contemplou o Messias com olhos nevoados
de lágrimas e, no êxtase de sua imensa alegria, murmurou comovidamente:
Senhor, doravante renunciarei
a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que
me ensinastes! Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os
infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados
e leprosos.
Nesse instante, Simão Pedro passou pelo aposento, demandando o interior, e a observou com certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial, quase denotando desprezo, e, já receosa de um dia perder a convivência do Mestre, perguntou com interesse: Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos?
Jesus compreendeu o motivo e o alcance de sua palavra e esclareceu: Certamente que partirei, mas estaremos eternamente reunidos em espírito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo.
Observando que Maria, ainda opressa pelo olhar estranho de Simão Pedro, se preparava a regressar, o Mestre lhe sorriu com bondade e disse: Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta, mas a fé remove os obstáculos... Nada temas: é preciso crer somente!
Mais tarde, depois de sua gloriosa visão do Cristo ressuscitado, Maria de Magdala voltou de Jerusalém para a Galiléia, seguindo os passos dos companheiros queridos. A mensagem da ressurreição espalhara uma alegria infinita.
Após algum tempo, quando os apóstolos e seguidores do Messias procuravam reviver o passado junto ao Tiberíades, os discípulos diretos do Senhor abandonaram a região, a serviço da Boa Nova.
Ao
disporem-se os dois últimos companheiros a partir em definitivo para Jerusalém,
Maria de Magdala, temendo a solidão da saudade, rogou fervorosamente lhe
permitissem acompanhá-los à cidade dos profetas; ambos, no entanto, se negaram a anuir
aos seus desejos.
Temiam-lhe
o pretérito de pecadora, não confiavam em seu coração de mulher. Maria
compreendeu, mas lembrou-se do Mestre e resignou-se.
Humilde e sozinha, resistiu a todas as propostas condenáveis que a solicitavam para uma nova queda de sentimentos. Sem recursos para viver, trabalhou pela própria manutenção, em Magdala e Dalmanuta.
Foi
forte nas horas mais ásperas, alegre nos sofrimentos mais escabrosos, fiel a Deus nos
instantes escuros e pungentes. De vez em quando, ia às sinagogas, desejosa de cultivar a
lição de Jesus; mas as aldeias da Galiléia estavam novamente subjugadas pela
intransigência do Judaísmo.
Ela
compreendeu que palmilhava agora o caminho estreito, onde ia só, com a sua
confiança em Jesus. Por
vezes, chorava de saudade, quando passeava no silêncio da praia, recordando a
presença do Messias.
As aves
do lago, ao crepúsculo, vinham pousar, como outrora, nas alcaparreiras mais
próximas; o
horizonte oferecia, como sempre, o seu banquete de luz. Ela contemplava as
ondas mansas e lhes confiava suas meditações.
Certo dia, um grupo de leprosos veio a Dalmanuta. Procediam da Iduméia aqueles infelizes, cansados e tristes, em supremo abandono. Perguntavam por Jesus Nazareno, mas todas as portas se lhes fechavam.
Maria foi ter com eles e, sentindo-se isolada, com triplo direito de empregar a sua liberdade, reuniu-os sob as árvores da praia e lhes transmitiu as palavras de Jesus, enchendo-lhes os corações das claridades do Evangelho. As autoridades locais, entretanto, ordenaram a expulsão imediata dos enfermos.
A grande
convertida percebeu tamanha alegria no semblante dos infortunados, em face de suas
fraternas revelações a respeito das promessas do Senhor, que se pôs em marcha
para Jerusalém, na companhia deles. Todo o grupo passou a noite ao relento, mas
sentia-se que os júbilos do Reino de Deus agora os dominavam.
Todos Interessavam pelas descrições de Maria, devoravam-lhe exortações, contagiados de sua alegria e de sua fé. Chegados à cidade, foram conduzidos ao vale dos leprosos, que ficava distante, onde Madalena penetrou com espontaneidade de coração. Seu espírito recordava as lições do Messias e uma coragem indefinível se assenhoreara de sua alma.
Dali em diante, todas as tardes, a mensageira do Evangelho reunia a turba de seus novos amigos e lhes dizia o ensinamento de Jesus. Rostos ulcerados enchiam-se de alegria, olhos sombrios e tristes tocavam-se de nova luz.
Maria
lhes explicava que Jesus havia exemplificado o bem até à morte, ensinando que todos
os seus discípulos deviam ter bom ânimo para vencer o mundo. Os agonizantes
arrastavam-se até junto dela e lhe beijavam a túnica singela. A filha de
Magdala, lembrando o amor do Mestre, tomava-os em seus braços fraternos e
carinhosos.
Em breve tempo, sua epiderme apresentava, igualmente, manchas violáceas e tristes. Ela compreendeu a sua nova situação e recordou a recomendação do Messias de que somente sabiam viver os que sabiam imolar-se. E experimentou grande gozo, por haver levado aos seus companheiros de dor uma migalha de esperança.
Desde a
sua chegada, em todo o vale se falava daquele Reino de Deus que a criatura
devia edificar no próprio coração. Os moribundos esperavam a morte com um
sorriso ditoso nos lábios, os que a lepra deformara ou abatera guardavam bom ânimo
nas fibras mais sensíveis.
Sentindo-se ao termo de sua tarefa meritória Maria de Magdala desejou rever antigas afeições de seu círculo pessoal, que se encontravam em Éfeso. Lá estavam João e Maria, além de outros companheiros dos júbilos cristãos. Adivinhava que as suas últimas dores terrestres vinham muito próximas; então, deliberou pôr em prática seu humilde desejo.
Nas despedidas, seus companheiros de infortúnio material vinham suplicar-lhe os derradeiros conselhos e recordações. Envolvendo-os no seu carinho, a emissária do Evangelho lhes dizia apenas: Jesus deseja intensamente que nos amemos uns os outros e que participemos de suas divinas esperanças, na mais extrema lealdade a Deus!
Dentre aqueles doentes, os que ainda se equilibravam pelos caminhos lhe traziam o fruto das esmolas escassas e as crianças abandonadas vinham beijar-lhe as mãos.
Na fortaleza de sua fé, a ex-pecadora abandonou o vale, através das estradas ásperas, afastando-se de misérrimas choupanas. A peregrinação foi-lhe difícil e angustiosa. Para satisfazer aos seus intentos, recorreu à caridade, sofreu penosas humilhações, submeteu-se ao sacrifício.
Observando
as feridas pustulentas que substituíam sua antiga beleza, alegrava-se em
reconhecer que seu espírito não tinha motivos para lamentações. Jesus a esperava e sua
alma era fiel.
Realizada a sua aspiração, por entre dificuldades infinitas, Maria achou-se, um dia, às portas da cidade; invencível abatimento lhe dominava os centros de força física. No justo momento de suas efusões afetuosas, quando o casario de Éfeso se lhe desdobrava à vista, seu corpo alquebrado negou-se a caminhar.
Realizada a sua aspiração, por entre dificuldades infinitas, Maria achou-se, um dia, às portas da cidade; invencível abatimento lhe dominava os centros de força física. No justo momento de suas efusões afetuosas, quando o casario de Éfeso se lhe desdobrava à vista, seu corpo alquebrado negou-se a caminhar.
Modesta
família de cristãos do subúrbio recolheu-a a uma tenda humilde, caridosamente. Madalena pôde ainda
rever amizades bem caras, consoante seus desejos. Entretanto, por largos dias de padecimentos
debateu-se entre a vida e a morte.
Uma noite, atingiram o auge as profundas dores que sentia. Sua alma estava iluminada por brandas reminiscências e, não obstante seus olhos se acharem selados pelas pálpebras intumescidas, via com os olhos da imaginação o lago querido, os companheiros de fé, o Mestre bem-amado.
Uma noite, atingiram o auge as profundas dores que sentia. Sua alma estava iluminada por brandas reminiscências e, não obstante seus olhos se acharem selados pelas pálpebras intumescidas, via com os olhos da imaginação o lago querido, os companheiros de fé, o Mestre bem-amado.
Seu
Espírito parecia
transpor as fronteiras da eternidade radiosa. De minuto a minuto, ouvia-se lhe um
gemido surdo, enquanto os irmãos de crença lhe rodeavam o leito de dor, com as
preces sinceras de seus corações amigos e desvelados.
Em dado instante, observou-se que seu peito não mais arfava. Maria, no entanto, experimentava consoladora sensação de alívio. Sentia-se sob as árvores de Cafarnaum e esperava o Messias.
As aves
cantavam nos ramos próximos e as ondas sussurrantes vinham beijar-lhe os pés. Foi quando viu Jesus
aproximar-se, mais belo que nunca. Seu olhar tinha o reflexo do céu e o
semblante trazia um júbilo indefinível. O Mestre estendeu-lhe as mãos e ela se
prosternou, exclamando, como antigamente: Senhor!
Texto do Irmão X (Humberto de Campos)
Fonte: Harmonia Espiritual
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Gratidão... Bezerra de Menezes
É de justiça que tenhamos gratidão por todos os gestos que venham em nosso encontro a nos ajudar, desde o olhar magnânimo ao desprendimento da vida e de coisas.
A gratidão é, pois, a luz do entendimento de quem recebe as bênçãos de quem oferta.
Quando fechamos os sentimentos, no sentido de impedir a liberação da gratidão, abafamos o coração na luz das luzes, que vem de Deus.
Sê grato a quem te olha com amor, a quem te ajuda a pensar, a quem te abençoa no conforto, à natureza que te oferece a água, o ar, a presença de todos os meios de seres feliz. Gratidão não é violência de pensar nem de expressão de gestos. .
Gratidão é força que desprende no silêncio do ser.
Ao amanhecer o dia, agradece a Deus por mais uma oportunidade de viver e de servir! Todos os instantes da existência são momentos de receber e dar e a razão educada nos indica, que a gratidão é sinal de amor, na pureza da própria vida.
Sê alegre, na pureza dos sentimentos. A alegria pode ser gratidão, expressa nas direções em que pode ofertar-se à fonte que nos beneficiou.
Agradecimento é juventude e riqueza de paz de consciência, é harmonia de vida e luz da alma para a luz de Deus!
Bezerra de Menezes
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Lembra-te
| Analisando o conceito de superioridade na esfera carnal, quase sempre
demoras, desavisado, no fácil julgamento dos companheiros em prova... E observas o usuário infeliz, confinado às ganas da sovinice, entre a perturbação e a insensatez, acentuando os desvarios da posse, como se a vida pudesse esperar dele vantagens imediatas... Recordas o condutor humano, atrabiliário e impulsivo, entre a ilusão e a loucura, nos cargos a que se junge, desesperado, à caça e o poder, como se pudesse, de improviso, recolher-lhe o concurso na edificação do progresso. Reportas-te a legisladores e juízes, a generais e sacerdotes, a tiranos e senhores da convivência terrestre como se fossem super-homens, de cuja fulguração passageira o campo social devesse aguardar a consolidação dos valores eternos do espírito... Em verdade, cada criatura responderá pelos compromissos que assume, à frente da Lei, e mordomos e apóstolos da evolução planetária serão constrangidos à prestação de contas dos bens que houveram usufruído para a melhoria e iluminação do mundo, no entanto, não olvides a superioridade espiritual com Cristo e nem te esqueças de que foste chamado por Jesus a partilhar-Lhe o Conhecimento Divino da paz e da justiça, e da tolerância fraterna. Na orientação ou na subalternidade, na carência de recursos materiais, ou na abundância deles, na cultura menos compacta ou na exaltação dos recursos intelectuais, não desdenhes servir. Com o Divino Mestre aprendemos que somente a altura do amor prevalece, na direção da Luz Imperecível. Descerra, assim, a própria alma ao entendimento cristão e caminhemos com o Senhor, aprendendo e auxiliando incessantemente. Onde a ignorância ensombra o caminho, seja tua fé, viva e operante, um raio de luz que diminua a extensão das trevas... Onde a miséria se agigante, multiplicando angústias e problemas, seja tua bondade a migalha de carinho e reconforto que atenue o sofrimento... Lembra-te do Eterno Benfeitor na extrema renúncia e, em matéria de superioridade, não olvides, com o Evangelho, que o maior no Reino dos Céus será sempre aquele que se fizer o mais simples e mais diligente servidor na Terra. |
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pelo Espírito Emmanuel & Francisco
C. Xavier.
Livro: Tarefa Espírita
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Se Semeias
Se semeias com amor, não te espante a terra eriçada de
espinhos...
Que seria da lavoura sem o arado firme e prestimoso, que opera a renovação? Que seria da vida, sem a persistência da boa-vontade?
Ergue-te cedo, cada dia, e espalha os grãos do entendimento e do serviço.
Provavelmente, surgirão, cada hora, mil surpresas inquietantes.
As ruínas conseqüentes do temporal, o bote da serpe oculta, os seixos pontiagudos da estrada, a soturna visão do pântano, a guerra sem tréguas contra os animálculos daninhos, os calos dolorosos das mãos e dos pés, a expectativa torturante, são o que vive em sua luta diária o semeador que se decide a trabalhar...
Recompensas? Não aguardes a remuneração da Terra.
O mundo está repleto de bocas famintas que devoram o pão, sem cogitar dos sacrifícios ou das lágrimas que lhe deram origem.
Enquanto peregrinares entre os homens, o teu prêmio virá do perfume das flores, da luminosa vestidura da paisagem ou do caricioso beijo do vento.
Se semeias com amor, não indagues de causas.
Consagra-te ao esforço do bem, para que o solo se renove e produza.
Compadece-te da terra sem água.
Não desampares o deserto.
Não te irrite o charco.
Ajuda sempre.
A felicidade vem do amor, o progresso vem da cooperação.
A lavoura do espírito é semelhante ao amanho do campo.
Auxilia sem cessar...
Se semeias com amor, jamais desanimes, porque se é teu o trabalho do plantio, a semente, o crescimento e a frutificação pertencem ao Divino Semeador, que nunca se cansa de semear.
Que seria da lavoura sem o arado firme e prestimoso, que opera a renovação? Que seria da vida, sem a persistência da boa-vontade?
Ergue-te cedo, cada dia, e espalha os grãos do entendimento e do serviço.
Provavelmente, surgirão, cada hora, mil surpresas inquietantes.
As ruínas conseqüentes do temporal, o bote da serpe oculta, os seixos pontiagudos da estrada, a soturna visão do pântano, a guerra sem tréguas contra os animálculos daninhos, os calos dolorosos das mãos e dos pés, a expectativa torturante, são o que vive em sua luta diária o semeador que se decide a trabalhar...
Recompensas? Não aguardes a remuneração da Terra.
O mundo está repleto de bocas famintas que devoram o pão, sem cogitar dos sacrifícios ou das lágrimas que lhe deram origem.
Enquanto peregrinares entre os homens, o teu prêmio virá do perfume das flores, da luminosa vestidura da paisagem ou do caricioso beijo do vento.
Se semeias com amor, não indagues de causas.
Consagra-te ao esforço do bem, para que o solo se renove e produza.
Compadece-te da terra sem água.
Não desampares o deserto.
Não te irrite o charco.
Ajuda sempre.
A felicidade vem do amor, o progresso vem da cooperação.
A lavoura do espírito é semelhante ao amanho do campo.
Auxilia sem cessar...
Se semeias com amor, jamais desanimes, porque se é teu o trabalho do plantio, a semente, o crescimento e a frutificação pertencem ao Divino Semeador, que nunca se cansa de semear.
por Francisco Malhão
Fonte: Centro Espírita Caminho da Luz
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Os nossos chacras e as doenças de retenção
Vivemos num momento histórico delicadíssimo.
Não podemos aqui tratar de todos os temas que a complexidade e a sofisticação do mundo moderno nos pede, mas desejamos apenas abordar o problema das doenças de retenção.
São distúrbios de ordem metabólica, de natureza crônica que ocorrem em qualquer idade e obedecem a uma desordem no processo do metabolismo espiritual.
Nosso viver é simples.
O metabolismo do corpo biológico é preponderantemente anabólico ou construtivo até os 20 ou 30 anos.
É equilibradamente anabólico e catabólico ou destrutivo a partir dos 30 anos e até os 50 anos.
E é predominantemente catabólico a partir dos 50.
Estes limites são variáveis, levando-se em consideração caracteres genotípicos, isto é a predisposição de cada história genética que existe em cada ser; e fenotípicos, levando em consideração o estilo de vida e da cultura de cada indivíduo.
Do mesmo modo, a biologia espiritual tem um metabolismo que faz com que em uma parte da vida o circuito energético desça do alto da cabeça até o ânus e vice versa.
É natural, assim que a criança viva o desenvolvimento de sua sexualidade em etapas reconhecidas por estudiosos como Sigmund Freud e conhecidas como fase anal, fase genital, fase oral. Esta evolução da sexualidade é representada pela passagem da energia vital pelos chacras ou centros de força que correspondem em nosso corpo físico às glândulas endócrinas, "ligando-as", isto é, ativando-as para o pleno funcionamento do ser vivo.
É equilibradamente anabólico e catabólico ou destrutivo a partir dos 30 anos e até os 50 anos.
E é predominantemente catabólico a partir dos 50.
Estes limites são variáveis, levando-se em consideração caracteres genotípicos, isto é a predisposição de cada história genética que existe em cada ser; e fenotípicos, levando em consideração o estilo de vida e da cultura de cada indivíduo.
Do mesmo modo, a biologia espiritual tem um metabolismo que faz com que em uma parte da vida o circuito energético desça do alto da cabeça até o ânus e vice versa.
É natural, assim que a criança viva o desenvolvimento de sua sexualidade em etapas reconhecidas por estudiosos como Sigmund Freud e conhecidas como fase anal, fase genital, fase oral. Esta evolução da sexualidade é representada pela passagem da energia vital pelos chacras ou centros de força que correspondem em nosso corpo físico às glândulas endócrinas, "ligando-as", isto é, ativando-as para o pleno funcionamento do ser vivo.
Viver é despojar-se de alguma coisa.
A fase do anabolismo espiritual é a fase da assimilação das forças espirituais da vida que recebemos de nossos pais.
A fase do equilíbrio anabólico-catabólico espiritual é a fase em que precisamos administrar os nosso valores espirituais, a nossa vontade, o nosso instinto, os nossos vícios, a fim de que nos despojemos deles ao fim de nossa existência.
A fase catabólica espiritual é de administrar o que já se fez e raramente uma decisão de peso é tomada nesta fase pelo espírito de mediana evolução espiritual. Raros os valorosos espíritos que podem tomar decisões no ocaso de sua vida.
A Retenção é um processo de obstrução à natural canalização do nosso princípio vital. Este princípio precisa fluir dos chacras básicos para os chacras superiores, isto é dos centros de força que nos ligam à terra, para os centros de força que nos ligam aos planos mais altos da criação.
Frequentemente o ser humano não quer sublimar a sua energia e produz as Doenças de Retenção, ou seja de obstrução do fluir natural destes impulsos eletromagnéticos para centros acima do abdome.
O Envelhecer é também o lento desligar de certos centros como os básicos da digestão e o do sexo.
Ao longo do tempo o nosso metabolismo diminui a velocidade e o ser humano precisa comer menos. Precisa ter menos voracidade.
Precisa salgar menos a comida, comer menos doce, usar pouca gordura.
Paralelamente, necessita diminuir um pouco o seu ritmo e a sua fúria sexual.
Se nós não fizermos força nenhuma, a tendência do organismo é acalmar lentamente o apetite voraz e a instintividade sexual exacerbada.
A própria natureza se incumbe de nos preparar para uma nova existência menos dominados pela autoridade dos instintos.
O perigo é o homem ou a mulher entregar-se à terapia de reposição hormonal na terceira idade, que visa nada mais, nada menos que re-ligar os chacras básicos e reativá-los. Na desculpa de que isso é importante para o nosso corpo, vamos fomentando técnicas de exaltação da fora em detrimento do conteúdo. Vamos também retendo o fluxo nos chakras básicos, uma vez que o seu caminho normal seria o seu caminho ascendente .
Ao longo do tempo o nosso metabolismo diminui a velocidade e o ser humano precisa comer menos. Precisa ter menos voracidade.
Precisa salgar menos a comida, comer menos doce, usar pouca gordura.
Paralelamente, necessita diminuir um pouco o seu ritmo e a sua fúria sexual.
Se nós não fizermos força nenhuma, a tendência do organismo é acalmar lentamente o apetite voraz e a instintividade sexual exacerbada.
A própria natureza se incumbe de nos preparar para uma nova existência menos dominados pela autoridade dos instintos.
O perigo é o homem ou a mulher entregar-se à terapia de reposição hormonal na terceira idade, que visa nada mais, nada menos que re-ligar os chacras básicos e reativá-los. Na desculpa de que isso é importante para o nosso corpo, vamos fomentando técnicas de exaltação da fora em detrimento do conteúdo. Vamos também retendo o fluxo nos chakras básicos, uma vez que o seu caminho normal seria o seu caminho ascendente .
Fonte: Espiritismo Cristão
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