Eternidade

Eternidade

domingo, 9 de setembro de 2012

PARENTES


PARENTES
 "Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente
dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel."
Paulo (I Timóteo, 5:8) 

A casualidade não se encontra nos laços da parentela.
Princípios sutis da Lei funcionam nas ligações consangüíneas.
Impelidos pelas causas do passado a reunir-nos no presente,
é indispensável pagar com alegria os débitos
que nos imanam a alguns corações, a fim de que
venhamos a solver nossas dívidas para com a Humanidade.
Inútil é a fuga dos credores que respiram conosco
sob o mesmo teto, porque o tempo nos aguardará implacável,
constrangendo-nos à liquidação de todos os compromissos.
Temos companheiros de voz adocicada e edificante
na propaganda salvacionista, que se fazem verdadeiros trovões 
de intolerância na atmosfera caseira, acumulando
energias desequilibradas em torno das próprias tarefas.

Sem dúvida, a equipe familiar no mundo
nem sempre é um jardim de flores.
Por vezes, é um espinheiro de preocupações
e de angústias, reclamando-nos sacrifício.
Contudo, embora necessitemos de firmeza nas atitudes
para temperar a afetividade que nos é própria,
jamais conseguiremos sanar as feridas
do nosso ambiente particular com o chicote da violência
ou com o emplastro do desleixo.
Consoante a advertência do Apóstolo,
se nos falha o cuidado para com a própria família,
estaremos negando a fé.

Os parentes são obras de amor
que o Pai Compassivo nos deu a realizar.
Ajudemo-los, através da cooperação e do carinho,
atendendo aos desígnios da verdadeira fraternidade. 
Somente adestrando paciência e compreensão,
tolerância e bondade, na praia estreita do lar,
é que nos habilitaremos a servir com vitória,
no mar alto das grandes experiências.

pelo Espírito Emmanuel / psicografia de Chico Xavier

sábado, 8 de setembro de 2012

INICIAÇÃO



Arregaçando as mangas

A decisão e o momento de se iniciar nas tarefas espíritas


Em Lucas, capítulo 5, temos a parábola em que Pedro não enfrentava um bom dia como pescador, até que o Cristo pede-lhe que lance as redes, novamente. Tendo passado a noite toda pescando, sem sucesso, Pedro lança as redes ao mar muito mais por consideração ao Cristo do que por acreditar em algum ganho nessa tentativa; cumpria, desse modo, apenas uma formalidade, afinal, era um pedido do Mestre. Bem, o resultado todos sabemos: foram necessários mais pescadores para puxar as redes abarrotadas de peixe, e Pedro, mais uma vez, surpreendeu-se, sem, no entanto, compreender as façanhas do Mestre.

Como Pedro, todos temos os nossos momentos, o nosso tempo. Existe o período em que adentramos a casa espírita, para sermos assistidos e tomarmos as primeiras informações acerca da Doutrina. Passamos, então, de assistidos para admiradores dos conceitos e filosofia da Doutrina Espírita, com os quais nos encantamos com as possibilidades, atualidade e a forma de abordagem direta e certeira dos problemas íntimos e sociais. Imaginamos as possibilidades de aplicação da "Ciência Espírita", dentro das diversas profissões, tais como a medicina, pedagogia, psiquiatria, filosofia, psicologia, etc. Enfim, nos sentimos equilibrados, motivados e seguros para nos iniciarmos nos grupos de estudo, oferecidos pela casa. Deixamos de ser unicamente atendidos, para sermos também estudantes; cruzamos as portas do "hospital", para adentrarmos na "escola". Iniciamos a nossa segunda fase. Nesta, a informação deve ser passada de forma a instruir e, principalmente, aplicar em nós mesmos. É a hora de espiritualizar-se, adquirir maior ciência de valores éticos, conhecer-se e trilhar, de forma mais reta, os caminhos da reeducação dos sentimentos. Com o alvorecer dos estudos, despertam-se, em nós, novas possibilidades e visão do mundo; passamos a levar o espiritismo para fora das portas do centro, dentro de nós mesmos, e o cenário da vida ganha novas cores e matizes. Chegamos ao momento "Pedro". Já estamos prontos para nos iniciarmos nos trabalhos da seara, mas não sabemos, pois ainda não nos descobrimos. Já temos os recursos e os conhecimentos necessários, para nos iniciarmos nos trbalhos de atendimento, bastando-nos apenas a confiança e o ânimo. Na parábola acima, o Cristo precisou dar um "empurrãozinho" para que Pedro se movimentasse, e este, meio que a contragosto, aceitou, por pura convenção, sem estar lá muito a fim... Assim funciona conosco, uma vez que o "empurrãozinho" aparece na forma de um aviso da necessidade de novos trabalhadores para algumas atividades, tais como a escala da biblioteca, um curso de atendimento inicial e, às vezes, um convite pessoal do coordenador de estudos. "Torcemos o nariz" é natural, bem como não aceitarmo a ideia, de primeira; afinal, as atividades acontecem justamente no horário da novela ou no período de descanso. Foi assim com Pedro: ele estava cansado, indisposto, havia trabalhado a noite toda... Realmente, não é fácil ceder aos impulsos da mudança de hábito, pois somos tão avessos quanto necessitados da mudança. Toda mudança gera o desconforto da readaptação. Mas, o que teria acontecido, se Pedro se negasse a jogar as redes? O mesmo serve para nós. Devemos identificar e nos motivar para o nosso momento de "jogar as redes". Ou temos a ilusão de que apenas seremos frequentadores de grupos de estudo pelo resto da vida? Cabe a nós buscarmos o nosso espaço, nos conscientizarmos da responsabilidade adquirida e aceita, antes mesmo de nascermos. É hora de nos identificarmos e nos prepararmos para a tarefa. Qual a surpresa, ao nos depararmos com os frutos da nossa colheita pessoal... Uma pessoa atendida, uma lágrima consolada, uma palavra de conforto aplicada. Será que nos lembramos de alguém, quando vemos uma pessoa atendida, chegando, pela primeira vez, ao centro espírita, oprimida pelo sofrimento do cotidiano, angustiada por respostas e ávida por reencontrar a paz interior e o sentido da vida? Finalmente, o ciclo se fecha... A alegria e a surpresa nos tomam; afinal, chega a descoberta de que somos capazes de "apascentar as ovelhas" e "pescar homens". Mal sabemos que tal surpresa é nossa, apenas; se pudéssemos vislumbrar o plano espiritual, não seria supresa o amigo espiritual levantar um desses cartazes muito usados nos campos de futebol, com a frase: "Eu já sabia". Pedro também se surpreendeu, ao ver os frutos do trabalho; pôs-se aos pés do Cristo, num misto de surpresa e agradecimento; afinal, sem o tal "empurrãozinho", ele ainda estaria sem peixes e cansado, e nós, sem adentrarmos na "terceira fase", quando, após passarmos pelo "hospital", para sermos unicamente atendidos; nos determos, nos estudos, para adquirirmos cultura espírita e autoconhecimento, finalmente, nos encontrarmos na "oficina", para darmos curso ao trabalho, na seara, e em nós mesmos. É o amor que vence a barreira das preocupações íntimas e busca confortar lágrimas, assim como nos foi feito no passado. Vence-se o desconforto da mudança de hábito; conforma-se, de forma prazerosa, com a perda do programa ou descanso habitual, e se lança, de coração aberto, ao atendimento fraterno, à leitura edificante, nas oportunidades de trabalho nas bibliotecas e livrarias espíritas. As primeiras tarefas são a base dos trabalhos futuros mais complexos.

Muitos acreditam que algumas atividades da casa são de pouca importância, como o atendimento inicial, a entrevista fraterna e as funções nas bibliotecas e livrarias; poré, a cultura advinda do hábito de ler forma, juntamente com a prática, os futuros expositores e palestrantes. O atendimento consolador e fraterno do irmão angustiado, revoltado, repleto das mazelas físicas e morais nos dará a prática necessária ao consolo e assitência no diálogo mediúnico. Aqueles que se candidatam a dar o suporte e amparo nas visitas aos hospitais são igualmente os candidatos às atividades do passe, da doação de amor, em form de fluidos. Uma escada é vencida aos degraus e não aos lances. Todo o trabalho é importante. No entanto, o mais importante é começar, sentir-se útil, na seara do Cristo, e termos a motivação interior e própria daqueles que querem vencer-se e descobrirem-se, servindo ao Cristo, voluntariamente, independe da idade, grau de instrução, porém, através da capacidade e possibilidades individuais de amar.

Tenhamos a ciência de que temos as nossas limitações, somos eternos aprendizes. Certa vez, atendi um espírito o qual não era revoltado, apenas ansioso, impaciente, e que já iniciou o diálogo, referindo-se a mim como "novato". Confessoo que não entendi, de início, pois já exercia aquela função, havia alguns anos. No entanto, agora percebo a importância de ser um novato, disposto ao aprendizado, aberto a novas descobertas. Devemos ponderar que novos conhecimentos sempre surgirão; a Doutrina Espírita é um mundo novo, e devemos ter a humildade de sempre considerar fatos novo nunca nos considerando "formados" e com ideias imutáveis. Ao mesmo tempo, cabe-nos a lucidez necessária par aque não aceitemos tudo que nos é oferecido em relação a novas ideias. A pesquisa, os livros e as nossas experiências serão nossas aliadas no processo de amadurecimento pelo qual passaremos, por longas datas, digo, séculos. Portanto, tenhamos a consciência de novatos; não somos "super-heróis" e não estamos aqui para mudar o mundo e, sim, a nós mesmos, através da prática do amor, da caridade, da assistência, do exemplo e da divulgação da nossa doutrina.

Ainda, aos que se acham "indignos" de servirem nas fileiras do Cristo, não nos coloquemos na retaguarda das ações de trabalho, na seara, por conta de "culpismos" desnecessários; todos nós temos os nossos erros, dificuldades e arrependimentos. Onde está o limite da dignidade para servir ao Cristo? O pensamento deve ser contrário; se nos consideramos culpáveis, devemos trabalhar e ressarcir os erros, eis a única ação a nos devolver a paz da consciência. Pedro também se achou indigno. Disse ele: "Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador." Mal sabia ele que já era tarde, poi o "bichinho" do amor já o havia mordido, e o Cristo já sabia disso, respondendo: "Não temas; de agora em diante serás pescador de homens." Em outras palavras:Pedro já estava "fisgado".

Coragem e fé em nós mesmos, e nos deixemos "fisgar" pela tarefa e abraçar a redenção das nossas almas, através do servir ao Cristo. Amemos aos nossos irmãos necessitados, pois o que quer que façamos a eles estaremos igualmente fazendo ao Cristo.

Mateus 25:40.


(autoria de Pedro Valiati, Coordenador de grupos de estudos, preletor e palestrante espírita)
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo nº 11 - dezembro/2010

MENSAGEM DE ÃNIMO



ORAÇÃO


Senhor!

Os homens reúnem-se no mundo para pedir, reclamar, maldizer; legiões humanas devotadas à fé entregam-se para que as comandes; multidões sintonizam Contigo buscando servir-Te.

Permite-nos agora um espaço para a gratidão por estes dias de entendimento fraternal que vivemos na Casa que nos emprestastes para o planejamento das atividades evangélicas do futuro.

Como não estamos habituados a agradecer e louvar sem apresentar o rol das nossas súplicas permite-nos fazê-lo de forma diferente.

Quando quase todos pedem pelos infelizes, nós nos atreveremos a suplicar pelos infelicitadores; quando os corações suplicam em favor dos caídos, dos delinquentes, dos que se agridem, nós nos propomos a interferir em benefício dos que fomentam as quedas, os delitos e a violência; quando os pensamentos se voltam para interceder pelos esfaimados, os carentes, os desiludidos, nós nos encorajamos a formular nossas rogativas por  aqueles que respondem por todos os erros que assolam a Terra, estabelecendo a miséria social, a falência moral e a derrocada nas rampas éticas do comportamento.

Não Te queremos pedir pelas vítimas de todos os matizes, senão, pelos seus algozes, os que entenebreceram os sentimentos, a consciência e a conduta, comprazendo-se, quais chacais sobre os cadáveres dos vencidos.

Tu que és o nosso Pastor e prometeste apoio a  todas as ovelhas, tem misericórdia deles, os irmãos que se cegaram a si mesmos e, ensandecidos, ateiam as labaredas do ódio na Terra e fomentam as desgraças que dominam no Mundo.

Tu podes fazê-lo, Senhor, e é por isto que, em Te agradecendo todas as dádivas da paz que fruímos, não nos podemos esquecer desses que ardem nas labaredas cruéis da ignorância, alucinados pelos desequilíbrios que os tornam profundamente desditosos.

Retira dos nossos sentimentos de amor a cota melhor e canaliza-a para os irmãos enlouquecidos na volúpia do prazer, que enregelaram o coração longe dos sentimentos de humanidade e que terão que despertar, um dia, sob o látego da consciência que  a ninguém poupa.

Porque já passamos, em épocas remotas, por estes caminhos, é que Te suplicamos por eles, os irmãos mais infelizes que desconhecem a própria desdita.

Quanto a nós, ensina-nos a não fruir de felicidade enquanto haja na Terra e na Pátria do Cruzeiro os que choram, os que se debatem nos desvãos da perturbação, e, consciente ou inconscientemente, Te negam a sabedoria, o amor e a condução de ternura como Pastor de nossas vidas.

Quando os Teus discípulos, aqui reunidos, encerramos esta etapa, damo-nos as mãos, e, emocionados, repetimos como os mártires do passado: - Ave Cristo! Em Tuas mãos depositamos nossas vidas, para que delas faças o que Te aprouver, sem nos consultar o que queremos, porque só Tu sabes o que é de melhor para nós.

Filhos da alma: que vos abençoe o Pai de Misericórdia e que Jesus permaneça conosco são os votos do servidor humílimo e paternal de sempre.


Bezerra
Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de
18.11.1990, no encerramento da reunião do Conselho Federativo
Nacional, em Brasília, DF.
Em 28.02.2012.
 

PLENITUDE DA VIDA


O ser querido, que a morte arrebatou, não se extinguiu, prosseguindo, em outra dimensão, conforme as suas conquistas morais e espirituais.
A morte, em realidade, é a porta que se abre e conduz à vida plena, onde estuam, indestrutíveis, os tesouros incomparáveis da Eternidade.
Logo após o decesso tumular, não ocorre o enfrentamento com os demônios representativos do Inferno mitológico, nem com os querubins em júbilo para a condução do Espírito aos Céus.
Tem lugar, sim, o encontro com a consciência que desperta para a análise do comportamento vivido em relação àquele que deveria ter sido experienciado.
Nos primeiros dias após a desencarnação, o Espírito geralmente permanece adormecido, de modo que, ao despertar, defronta a realidade na qual prosseguirá a partir daquele momento...
Não existem, porém, duas desencarnações e reconquistas da consciência iguais. Cada ser é um cosmo pessoal, diferindo dos demais, vivenciando emoções e aspirações compatíveis com o seu nível de evolução.
Assim, cada qual acorda no Além-túmulo conforme adormeceu sob o anestésico da morte. 

* 

É natural que sofras a saudade daquele a quem amas e partiu da Terra no rumo da Imortalidade.
Não te desesperes, porém, pensando que não mais compartilharás da sua convivência, da sua afetividade, do relacionamento abençoado.
Ao invés de te permitires o arrastamento pelo desespero, acalma-te e envolve o ser querido em lembranças felizes, direcionando-lhe pensamentos edificantes e orações consoladoras. Eles receberão as tuas vibrações de paz e de amor que os reconfortarão, diminuindo-lhes também as angústias pela viagem realizada, as dores que, por acaso, experimentem.
Logo que lhes seja possível, volverão a visitar-te, envolvendo-te em ternura e em gratidão.
Nunca penses na morte em termos de destruição e de aniquilamento.
Tudo, em a natureza, morre para ressurgir, para transformar-se. Por que o ser humano deveria desaparecer?
Se não o vês, isto não lhe significa a desintegração, considerando que a maioria de tudo aquilo em que crês é invisível aos olhos, mas captado por instrumentos especiais torna-se realidade palpável. O mesmo ocorre com os chamados mortos, que podem ser vistos, ouvidos, sentidos e manifestos através do instrumento mediúnico.
Se não és dotado de faculdade ostensiva, és possuidor de sentimentos que te facultam a captação dos pensamentos e dos sentimentos dele.
Se desejas comunicar-te com o afeto que desencarnou, faze silêncio interior e o perceberás, assim lenindo as dores da aflição de ambos com o ungüento da alegria e da esperança do reencontro. 

* 

Após a morte dilaceradora e cruel sofrida por Jesus, veio a madrugada da Imortalidade, quando Ele ressuscitou, iluminado e triunfante ao túmulo, confirmando as Suas palavras e promessas, desse modo iniciando a Era nova da felicidade sem interrupção pela morte.
Nunca te olvides, pois, da ressurreição que sempre somente se dará, havendo antes a desencarnação. 


Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 31 de maio de 2004, em Zurique, Suíça

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MENSAGEM FRATERNA


Missão do Espiritismo




A missão do Espiritismo, tanto quanto o ministério do Cristianismo, não será destruir as escolas de fé, até agora existentes.

Cristo acolheu a revelação de Moisés.

A Doutrina dos Espíritos apoia os princípios superiores de todos os sistemas religiosos.

Jesus não critica a nenhum dos Profetas do Velho Testamento. O Consolador Prometido não vem para censurar os pioneiros dessa ou daquela forma de crer em Deus.

O Espiritismo é, acima de tudo, o processo libertador das conciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos.

Há milênios, a mente humana gravita em derredor de patrimônios efêmeros, quais sejam os da precária posse física, atormentada por pesadelos carnais de variada espécie. Guerras de todos os matizes consomem-lhe as forças. Flagelos de múltiplas expressões situam-lhe a existência em limitações aflitivas e dolorosas. 

Com a morte do corpo não atinge a liberação. Além-túmulo, prossegue atenta às imagens que a ilusão lhe armou ao caminho, escravizada a interesses inconfessáveis. Em plena vida livre, guarda, ordinariamente, a posição da criatura que venda os olhos e marcha, impermeável e cega, sob pesadas cargas a lhe dobrarem os ombros. 

A obstinação em disputar satisfações egoísticas, entre os companheiros da carne, constitui-lhe deplorável inibição e os preconceitos ruinosos, os terríveis enganos do sentimento, os pontos de vista pessoais, as opiniões preconcebidas, as paixões desvairadas, os laços enfermiços, as concepções cristalizadas, os propósitos menos dignos, a imaginação intoxicada e os hábitos perniciosos representam fardos enormes que constrangem a alma ao passo vacilante, de atenção voltada para as experiências inferiores.

A nova fé vem alargar-lhe a senda para mais elevadas formas de evolução. Chave de luz para os ensinamentos do Cristo, explica o Evangelho não como um tratado de regras disciplinares, nascidas do capricho humano, mas como a salvadora mensagem de fraternidade e alegria, comunhão e entendimento, abrangendo as leis mais simples da vida.

Aparece-nos, então, Jesus, em maior extensão de sua glória. Não mais como um varão de angústia, insinuando a necessidade de amargura e lágrimas e sim na altura do herói da brandura e do amor, educando para a felicidade integral, entre o serviço e a compreensão, entre a boa vontade e o júbilo de viver.

Nesse aspecto, vemo-lo como o maior padrão de solidariedade e gentileza, apagando-se na manjedoura, irmanando-se com todos na praça pública e amparando os malfeitores, na cruz, à extrema hora, de passagem para a divina ressurreição. 

O Espiritismo será, pois, indiscutivelmente, a força do Cristianismo em ação para reerguer a alma humana e sublimar a vida.

O espaço infinito, pátria universal das constelações e dos mundos, é, sem dúvida, o clima natural de nossas almas, entretanto, não podemos esquecer que somos filhos, devedores, operários ou companheiros da Terra, cujo aperfeiçoamento constitui o nosso trabalho mais imediato e mais digno.

Esqueçamos, por agora, o paraíso distante para ajudar na construção do nosso próprio céu. Interfiramos menos na regeneração dos outros e cogitemos mais de nosso próprio reajuste, perante a Lei do Bem Eterno, e, servindo incessantemente com a nossa fé à vida que nos rodeia, a vida, por sua vez, nos servirá, infatigável, convertendo a Terra em estação celestial de harmonia e luz para o acesso de nosso espírito à Vida Superior.


(pelo Espírito Emmanuel)
Livro: Roteiro, Médium: Francisco C. Xavier

A INDEPENDÊNCIA




O movimento da emancipação percorria todos os departamentos de atividades políticas da pátria; mas, por disposição natural, era no Rio de Janeiro, cérebro do país, que fervilhavam as idéias libertárias, incendiando todos os espíritos. Os mensageiros invisíveis desdobravam sua ação junto de todos os elementos, preparando a fase final do trabalho da independência, através dos processos pacíficos. 

Os patriotas enxergavam no príncipe D. Pedro a figura máxima, que deveria encarnar o papel de libertador do reino do Brasil. O Princípe, porém, considerando as tradições e laços de família, hesitava ainda em optar pela decisão suprema de se separar, em caráter definitivo, da decisão da metrópole.

Conhecendo as ordens rigorosas das cortes de Lisboa, que determinavam o imediato regresso de D. Pedro a Portugal, reúnem-se os cariocas para tomar as providências de possível execução e uma representação com mais de oito mil assinaturas é levada ao Príncipe regente, pelo Senado da Câmara, acompanhada de numerosa multidão, a 9 de janeiro de 1822. D. Pedro, diante da massa de povo, sente a assistência espiritual dos companheiros de Ismael, que o incitam a completar a obra da emancipação política da Pátria do Evangelho, recordando-lhe, simultaneamente, as palavras do pai no instante das despedidas. Aquele povo já possuía consciente da sua maioridade e nunca mais suportaria o retrocesso à vida colonial, integrado que se achava no patrimônio das suas conquistas e das suas liberdades. Em face da realidade positiva, após alguns minutos de angustiosa expectativa, o povo carioca recebia, por intermédio de José Clemente Pereira, a promessa formal do Princípe, de que ficaria no Brasil, contra todas as determinações das cortes de Lisboa, para o bem da coletividade e para a felicidade geral da nação. Estava, assim, proclamada a Independência do Brasil, com a sua audaciosa desobediência às determinações da metrópole portuguesa. 

Todo o Rio de Janeiro se enche de esperança e de alegria. Mas as tropas fiéis a Lisboa resolvem normalizar a situação, ameaçando abrir luta com os brasileiros, a fim de se fazer cumprirem as ordens da Coroa. Jorge de Avilez, comandante da divisão, faz constar, imediatamente, os seus propósitos, e, a 11 de janeiro, as tropas portuguesas ocupam o Morro do Castelo, que ficava a cavaleiro da cidade. Ameaçado de bombardeio, o povo carioca reúne as multidões de milicianos, incorpora-os às tropas brasileiras e se posta contra o inimigo no Campo de Santana. O perigo iminente faz tremer o coração fraterno da cidade. Não fosse o auxílio do Alto, todos os propósitos de paz se teriam malogrado numa pavorosa maré de ruína e de sangue. Ismael acode ao apelo das mães desveladas e sofredoras e, com o seu coração angélico e santificado, penetra as fortificações de Avilez e lhe faz sentir o caráter odioso das suas ameaças à população. A verdade é que, sem um tiro, o chefe português obedeceu, com humildade, à intimação do príncipe D. Pedro, capitulando a 13 de janeiro e retirando-se com as suas tropas para a outra margem da Guanabara, até que pudesse regressar com elas para Lisboa. 

Os patriotas, daí por diante, já não pensam noutra coisa que não seja a organização política do Brasil. Todas as câmaras e núcleos culturais do país se dirigem a D. Pedro em termos elogiosos, louvando-lhe a generosidade e exaltando-lhe os méritos. Os homens eminentes da época, a cuja frente somos forçados a colocar a figura de José Bonifácio, como a expressão culminante dos Andradas, auxiliam o Príncipe regente, sugerindo-lhe medidas e providências necessárias. Chegando ao Rio por ocasião do grande triunfo do povo, após a memorável resolução do "Fico", José Bonifácio foi feito ministro do Reino do Brasil e dos Negócios Estrangeiros. O Patriarca da Independência adota as medidas políticas que a situação exigia, inspirando, com êxito, o Príncipe regente nos seus delicados encargos de governo.

Gonçalves Ledo, Frei Sampaio e José Clemente Pereira, paladinos da imprensa da época, foram igualmente grandes propulsores do movimento da opinião, concentrando as energias nacionais para a suprema afirmação da liberdade da pátria.

Todavia, se a ação desses abnegados condutores do povo se fazia sentir desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, o predomínio dos portugueses, desde a Bahia até o Amazonas, representava sério obstáculo ao incremento e consolidação do ideal emancipacionista. O governo resolve contratar o serviço das tropas mercenárias de Lorde Cochrane, o cavaleiro andante da liberdade da América Latina.  Muitas lutas se travam nas costas baianas, e verdadeiros sacrifícios se impõem os mensageiros de Ismael, que se multiplicam em todos os setores com o objetivo de conciliar seus irmãos encarnados, dentro da harmonia e da paz, sempre com a finalidade de preservar a unidade territorial do Brasil, para que se não fragmentasse o coração geográfico do mundo.

José Bonifácio aconselha a D. Pedro uma viagem a Minas Gerais, a fim de unificar o sentimento geral em favor da independência e serenar a luta acerba dos partidarismos. Em seguida, outra viagem, com os mesmos objetivos, realiza o Príncipe regente a São Paulo. Os bandeirantes, que no Brasil sempre caminhavam na vanguarda da emancipação e da autonomia, recebem-no com o entusiasmo da sua paixão libertária e com a alegria da sua generosa hospitalidade, e, enquanto há música e flores nos teatros e nas ruas paulistas, comemorando o acontecimento, as falanges invisíveis se reúnem no Colégio de Piratininga. O conclave espiritual se realiza sob a direção de Ismael, que deixa irradiar a luz misericordiosa do seu coração. Ali se encontram heróis das lutas maranhenses e pernambucanas, mineiros e paulistas, ouvindo-lhe a palavra cheia de ponderação e de ensinamentos. Terminando a sua alocução pontilhada de grande sabedoria, o mensageiro de Jesus sentenciou:

- A independência do Brasill, meus irmãos, já se encontra definitivamente proclamada. Desde 1808, ninguém lhe podia negar ou retirar essa liberdade. A emancipação da Pátria do Evangelho consolidou-se, porém, com os fatos verificados nestes últimos dias e, para não quebrarmos a força dos costumes terrenos, escolheremos agora uma data que assinale aos pósteros essa liberdade indestrutível. 

Dirigindo-se ao Tiradentes, que se encontrava presente, rematou:

- O nosso irmão, martirizado há alguns anos pela grande causa, acompanhará D. Pedro em seu regresso ao Rio e, ainda na terra generosa de São Paulo, auxiliará o seu coração no grito supremo da liberdade. Uniremos assim, mais uma vez, as duas grandes oficinas do progresso da pátria, para que sejam as registradoras do inesquecível acontecimento nos fastos da História. O grito da emancipação partiu das montanhas e deverá encontrar aqui o seu eco realizador. Agora, todos nós que aqui nos reunimos, no sagrado Colégio de Piratininga, elevemos a Deus o nosso coração em prece, pelo bem do Brasil.

Dali, do âmbito silencioso daquelas paredes respeitáveis, saiu uma vibração nova de fraternidade e de amor.

Tiradentes acompanhou o Príncipe nos seus dias faustosos, de volta ao Rio de Janeiro. Um correio providencial leva ao conhecimento de D. Pedro as novas imposições das cortes de Lisboa e, ali mesmo, nas margens do Ipiranga, quando ninguém contava com essa última declaração sua, ele deixa escapar o grito de "Independência ou Morte!", sem suspeitar de que era dócil instrumento de um emissário invisível, que velava pela grandeza da pátria.

Eis por que o 7 de Setembro, com escassos comentários da história oficial, que considerava a independência já realizada nas proclamações de 1º de Agosto de 1822, passou à memória da nacionalidade inteira como o Dia da Pátria e data inolvidável da sua liberdade. 

Esse fato despercebido da maioria dos estudiosos, representa a adesão intuitiva do povo aos elevados desígnios do mundo espiritual.


(pelo espírito Humberto de Campos)
Fonte: Xavier, Francisco C.  Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. 33. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 19.
Publicado na Revista Reformador 349, em Setembro/2010

ALLAN KARDEC



O Mandamento Maior


"Amar o próximo como a si mesmo; fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós", é a expressão mais completa da caridade, porque resumo todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros, aquilo que para nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissensões, mas, tão somente, união, concórdia e benevolência mútua. 


Allan Kardec
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB, cap. 11, item 4)


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

REFLEXÃO


EVOLUÇÃO





Na Arena da Evolução
Livro: Alma e Luz
Emmanuel e Francisco C. Xavier

Sob a infecção mental do pessimismo, afirmas-te, por vezes, irremediavelmente, cansado, à frente da luta e proclamas, tanta vez, em desânimo e desespero, que a Terra se converteu em charco de podridão; que a sociedade é um jogo de máscaras; que a honestidade foi banida do mundo; que os maus tripudiam, impunes, sobre o amor dos bons; que a crueldade é a norma da vida; que cataclismos diversos tombarão no horizonte, incendiando a atmosfera de que os homens se nutrem e dizes desalentado que te apartaste da confiança, que perdeste a fé; que não tornarás ao prazer de servir; que não estenderás o coração ao culto do amor e que te retirarás da arena qual soldado rebelde, fugindo à própria luta. Entretanto, ao contrário de tua assertiva, a Eterna Providência não descrê de nossa alma e renova-nos, cada dia, a oportunidade de crescimento e sublimação.

Cada manhã, volves ao corpo que te suporta a intemperança e recebes a bênção do sol que te convida ao trabalho, a palavra do amigo que te induz à esperança, o apoio constante da Natureza, o reencontro com os desafetos para que aprendas a convertê-los em laços de beleza e harmonia, e, sobretudo, a graça de lutar, por teu próprio aprimoramento, a fim de que o tempo te erga à vitória do Bem. 

Não te rendas, portanto, ao derrotismo e à dúvida que te lançam na sombra, porque, além do tormento a que o homem se atira, teimoso e imprevidente, Deus permanece em paz, acendendo as estrelas e unindo as gotas d´água para que todos nós possamos elevar-nos dos abismos da treva para os Cimos da Luz. 


FLUIDIFICAÇÃO DA ÁGUA


ALLAN KARDEC


Examinando Kardec

Livro: A Luz do Espiritismo
Viana de Carvalho & Divaldo P. Franco

Não que outros missionários não tivessem aportado antes dele: ases do conhecimento que dilataram os imensos horizontes do saber; místicos que se embrenharam nos dédalos do “eu”, aprendendo vitória sobre si mesmos; santos que rasgaram sendas luminosas no matagal das aflições; apóstolos que fizeram da renúncia e da humildade os baluartes da própria força; filósofos que ensejaram à razão o campo da investigação; cientistas corajosos e audazes que ofereceram a vida em prol de pesquisas inapreciáveis na preservação de milhões de vidas... E heróis, missionários do amor, sacerdotes da fraternidade, operários sublimes, todos eles, do Pai Construtor, encarregados de impulsionar o progresso da Terra conjugado à felicidade dos homens.
Ele, entretanto, guardadas as proporções fez-se nauta de uma experiência antes não tentada nos mares ignotos da verdade: auscultou o insondável além-da-morte, inquirindo e estudando, selecionando e fazendo triagem das informações recebidas dos imortais, de modo a edificar o colossal edifício do Espiritismo.
Nem um só momento se deixou empolgar pela vitória conseguida ao peso das lágrimas, nem jamais se quedou desanimado sob o fardo das incompreensões, quando crivado pelas farpas da inveja e da calúnia.
Não se permitiu o luxo dos triunfos fáceis, nem aceitou a coroa da consagração. A própria vida celeremente se lhe extinguiu no corpo somático, logo se permitiu conquistar o país do conhecimento, demandando a Imortalidade antes que os lauréis da gratidão ou de qualquer glória lhe pesassem sobre a cabeça veneranda.
Antes, outros espíritos de escol também velejaram pelas regiões desconhecidas do após-o-túmulo, tomando apontamentos, registando observações.
Muitos se embrenharam pelas veredas da vida-além-da-vida e se detiveram deslumbrados no pórtico da revelação.
Os que se atreveram a adentrar pelos recônditos da Imortalidade, procuraram explicações mirabolantes, formulando hipóteses rocambolescas ou, fortemente impressionados, se recolheram à meditação profunda, ao flagício, à oração.
Os que se facultaram apresentar o resultado do descobrimento, experimentaram a zombaria dos contemporâneos e, não raro, desencantados, refugiaram-se no silêncio ou arderam em piras crepitantes...
Ele, não!
Não se deteve a observar somente, nem se aquietou a experimentar emoções.
Após o meticuloso exame do mediunismo, patenteada a veracidade da vida incessante mesmo depois da disjunção celular, entregou-se ao conhecimento libertador.
Do fenômeno extraiu a doutrina.
Do informe puro e simples conseguiu o fato comprovado.
Enfrentando os Imortais não os temeu, não os exaltou. Inquiriu-os e analisou-os a todos quantos passaram suas informações pelo crivo da discussão, do debate franco, do exame rigoroso.
Compulsou os alfarrábios dos tempos e aprofundou-se na cultura da época. Armado de equilíbrio invulgar, esteve a todo instante à altura da investidura e, quando o reboliço da aventura cedeu lugar ao marasmo e à monotonia, ele apresentou o resultado dos seus estudos sérios, apoiados na razão e no bom-senso.
Kardec foi, sem dúvida, o magnífico missionário da Humanidade, precursor do Mundo Novo.
Em sua obra reacendem os aromas específicos da tríade perfeita do conhecimento: Ciência, Filosofia e Religião. São o esquema ímpar da sabedoria em todos os seus ângulos e faces.
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Transcorrido o primeiro século da Codificação Kardequiana, mais se fazem atuais os seus ensinos e conclusões, ensejando elucidações valiosas para os enigmas que surgem no momento em que ruem os tabus e os preconceitos, em que necessidades aparecem para substituir as manifestações místicas da ignorância e da falsa pudicícia da fé que se esboroam.
Por essa razão é que se faz imperioso estudar o Espiritismo, trazendo os informes destes dias para examiná-los à luz meridiana da Doutrina, clareando as nebulosas informações de psiquistas e parapsicólogos, os problemas morais ao estudo sistemático da moral espírita e as conclusões da ciência ao ensinamento doutrinário. Não olvidar, no entanto, que os descobrimentos e as informações de caráter eminentemente revelador, no campo do mundo, aos homens do mundo competem, sendo a Doutrina mesma o guia moral e espiritual para todos nós, não pretendendo como não o fez o Codificador, resolver ou realizar as tarefas que ao homem incumbem como medidas imperiosas de crescimento e evolução.
Estudemos mais e analisemos melhor o Espiritismo, porquanto com as suas lições no coração e na mente encontraremos o pão e a luz, o instrumento e a rota para levar-nos à harmonia e à paz real.



MENSAGEM FRATERNA