Eternidade

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O exemplo de Simão, o Cireneu



Registrado de maneira tão breve pelos Evangelistas, o testemunho de Simão, o cireneu toma maior volume na obra “Sou Eu” do Espírito Amélia Rodrigues, psicografada por Divaldo Franco, tornando-se símbolo de bondade e ação. Testemunho esse que o mundo nos solicita até hoje.

Em determinado trecho da distância dos quinhentos metros que separavam o local do julgamento de Jesus e o acume do monte da Caveira, Simão deixou a cena anônima para atender ao chamado do soldado romano e auxiliar aquele Estranho. Claro que ouvira falar de Jesus, conhecia-O, admirava-O à distância. Agora, porém, O amava. Jamais o esqueceria.  Buscou mais tarde os discípulos, ouviu-lhes as narrativas e passou a segui-los, convertendo-se e aos filhos àquele incomparável amor.

Todos nós encontramos pelo nosso caminho cireneus em nome e honra de Jesus. São eles amigos, irmãos, desconhecidos, voluntários, que em momentos de nossas vidas confortam-nos, orientam-nos, acolhem-nos, auxiliam-nos, suavizam nossas dores e tristezas. Sem nos tomar o lugar de nossas experiências, aparecem para aliviar nossas cruzes.

A nosso turno, também nós encontraremos oportunidades de nos tornarmos homens de Cirene e ajudar os que passam por nosso caminho necessitados, aflitos e sobrecarregados.

Mesmo com nossas lutas diárias não cessemos de servir e amar, contribuindo para a felicidade alheia, para o melhoramento do ambiente de trabalho, para a harmonia no lar, para a educação da sociedade com nossos bons pensamentos, atitudes e condutas. Estejamos atentos para apoiar nosso viver nos ensinamentos da doutrina que abraçamos com persistência e alegria por estarmos trabalhando na obra de Deus, nosso Pai criador, sob a orientação de Jesus, nosso Mestre e Irmão.

Mesmo enfrentando dores, dificuldades e problemas, o convite ao trabalho não declina de nossa porta. Pois, há diferença entre atravessar esta reencarnação deixando-se abater pelos problemas ou mostrar resignação perante nossas provas e expiações. Porém, maior ainda é a diferença se alcançarmos o patamar da compreensão, da maturidade de consciência, de crescimento espiritual se atravessarmos esta reencarnação com problemas, mostrando resignação e servindo.

Vencer dificuldades é crescer moral e psicologicamente. Vencer dificuldades e ajudar o nosso semelhante é cimentar virtudes em nossa alma que deixarão muito mais consistente a base sustentadora de nossa consciência.

Se estagiamos na reclamação, na dor, na tristeza, no isolamento, na apatia, na indiferença, na revolta, no desequilíbrio, na irritabilidade, na impaciência e tantas outras más tendências, estamos mantendo uma postura de teimosia, de falta de vontade, de preguiça, de inadimplência ao compromisso assumido.

Espíritos imortais que somos, temos uma única fatalidade: atingir a perfeição. E para isso é preciso trabalhar para evitarmos os desvios que atrasam nossa ascensão e tornar nossas cruzes mais leves.

É possível que surja a dúvida de que se existe alguma categoria, posição, estado em que nos encontremos que nos isente de sermos úteis. Porém os Espíritos superiores na resposta da pergunta 643 feita por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos deixam bem claro a resposta:

“Questão: Haverá pessoas que, pela sua posição, não tenham possibilidades de fazer o bem?

Resposta: Não há ninguém que não possa fazer o bem. Só o egoísta não encontra jamais oportunidade. Bastará estar em relação com outros homens para encontrar ocasião, cada dia da vida dá oportunidade a qualquer que não esteja cego pelo egoísmo, fazer o bem não é só ser caridoso, mas ser útil.”
 
Essa não é nossa verdadeira pátria. Para construirmos a escada segura para alcançarmos a dimensão espiritual e não mais precisarmos voltar ao mundo material temos que manifestar sentimentos que vibrem na freqüência de onda do Bem: fraternidade, solidariedade, bondade, paciência, humildade, gentileza, compaixão, amor. Pois, os tesouros que levaremos, são os que a traça não come, o ladrão não rouba e a ferrugem não corrói. Os degraus firmes para nossa ascensão são as boas obras, os bons pensamentos. Não basta termos a boa intenção, é preciso manifestá-la na prática.
 
Para isso, não esperemos que nos chamem, nos busquem, ao contrário, busquemos nós o trabalho no bem. “Pedi e se vos dará, buscai e achareis”, quem pede recebe e quem procura acha. Coloquemos em ação as forças de nossa inteligência em prol de sentimentos nobres. Busquemos a dor para aplacá-la, o pranto para enxugá-lo, a miséria para diminuí-la. Busquemos em nosso lar aquele que precisa de nosso amparo, compreensão, carinho, abraço fraterno, palavra amiga, um sorriso sincero. Onde quer que nos encontremos perceberemos que podemos exercitar os sentimentos do Bem.
 
Nós temos o conhecimento, precisamos aplicá-lo. Se nos abate o peso de nossas imperfeições, reflitamos sobre a questão 909 de O Livro dos Espíritos:

“Questão: O homem poderia vencer suas más tendências pelos seus esforços?

Resposta: Sim e algumas vezes, por fracos esforços. É a vontade que lhe falta! Quão poucos de vós fazem esforços.”
 
O mundo está repleto de pessoas esperando várias realizações: a volta de um parente, o dia do casamento, um novo emprego, a recuperação de um amigo. O que fazer enquanto estamos nestas expectativas? Emmanuel nos faz um convite em duas palavras:”Espera servindo”. Ser a palavra pacificadora, o ouvinte atento, a paciência que acalma, a bondade que compreende e constrói. O trabalho no bem cabe em todos os lugares e momentos. É uma fórmula sugerida pelo querido benfeitor espiritual, temos toda a liberdade para aplicá-la no nosso dia-a-dia, mas façamos a tentativa de Esperar Servindo, mesmo que isso exija o rompimento com nosso orgulho, egoísmo, preguiça, acomodação, indiferença. Comecemos a domar nossos defeitos e não sermos domados por eles. Com certeza veremos uma grande mudança em nossas vidas.
 
Antes de alcançarmos as lides terrenas, prometemos servir na causa do Bem. No começo foram esperanças e alegrias. Mas, a viagem re-começou e assumiu aspectos inesperados, dificuldades apareceram, testes ficaram mais complicados, tropeços aumentaram.
 
Mesmo assim, continuemos aprendendo e auxiliando. Não estamos sós ou desamparados. Não contemos as amarguras, consideremos as bênçãos.
 
Sustentemos a cruz das provas, servindo. Jesus segue à frente. Haja o que houver, não desistamos ou retrocedamos. A sombra escura da noite é anúncio de novo alvorecer.

Deus escuta nossa oração, nunca duvidemos. Quando pedimos por nós, o Céu nos pede por outros. Necessitamos de Deus, Deus precisa de nós. Sejamos os novos cireneus dos tempos modernos.

Andréa Linhares


Fontes:
Kardec, A. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa.Araras,
SP, IDE, 131ª. Edição , 2000.
Rodrigues, A. (Espírito) Sou Eu: a paixão do Cristo na visão dos espíritos. [psicografado por] Divaldo P. Franco; Álvaro Chrispino, organizador. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2007.
Xavier, F. C. Espera Servindo (pelo Espírito de) Emmanuel. São Bernardo do Campo, SP:
Grupo Espírita Emmanuel, 1985

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