Eternidade

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Aprendendo a Volitar



Levitação é o ato de levantar um corpo pelo simples poder da vontade; talvez possamos encontrar alguém que, por si mesmo, num fenômeno anímico, se eleve no espaço; mas, geralmente, a levitação é um fenômeno de efeito físico, produzido por Espíritos com a utilização do ectoplasma de um médium.

Volitação é a faculdade própria que permite ao espírito transportar-se, via aérea, de um lado para outro, pelo poder da vontade, sem o auxílio de qualquer veículo. É o próprio espírito, encarnado ou não, movimentando seu perispírito. 

Não encontraremos os termos levitação ou volitação em O Livro dos Espíritos nem em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.

Mas, sobre a levitação, poderemos consultar na Revista Espírita, de fevereiro de 1858, o artigo "O Isolamento dos Corpos Pesados", em que se relata o fato de uma mesa de cem quilos "librando-se no espaço sem nenhum apoio"; e nos meses de março e abril, do mesmo ano, sob o título Home, temos a explicação do modus operandi dos Espíritos para produzirem fenômenos assim; e, ainda, no mês de fevereiro de 1861, o artigo denominado "O Sr. Squire", sobre médium que produzia fenômenos similares ao de Home.

Quanto à volitação dos Espíritos, mesmo os inferiores, temos o capítulo 17 do livro de André Luiz, No Mundo Maior, psicografado por Francisco C. Xavier.

Recordadas estas noções, entremos na narrativa do que me ocorreu, certa vez, estando em desdobramento pelo sono, na condição, portanto, de espírito momentaneamente liberto do corpo físico, conquanto ainda ligado a ele por cordões fluídicos. Foi um sonho espírita, uma experiência vivida no campo espiritual, de que consegui guardar a recordação, por se tratar de um fato importante para mim.

Vi-me em residência modesta, inteiramente tomada por um grupo de pessoas em alegria comedida, parecendo uma dessas nossas festas familiares, como aqui na Terra.

Em dado momento, dois jovens se aproximaram de mim, me ladearam, e nos dirigimos os três para fora da casa. Ali, eles me apoiaram pelos cotovelos e levitamos, alçamos voo.

Eu já me sentira flutuar no espaço, outras vezes, mas em decúbito dorsal e seguida ou perseguida por pessoas que não volitavam e, estendendo suas mãos, tentavam me alcançar, sem no entanto o conseguirem nunca.

Agora, porém, amparada por aqueles dois amigos espirituais eu volitava em posição vertical, como normalmente caminhamos pelas ruas.

A certo omento, os meus amparadores me liberaram e eu me senti capaz de continuar volitando por mim mesma, o que me dava grande sensação de autonomia e bem-estar.

Assim que me vi liberada, veio-me a vontade de me dirigir a um local, que certamente eu conhecia e queria visitar em primeiro lugar, nessa minha excursão pelo espaço.

E vi-me sobrevoando uma casa térrea, com um longo quintal em que estava plantado um milharal já sem viço, restando apenas espigas fanadas.

Ao lado do milharal, duas crianças brincavam: uma menina loira, que parecia ter cerca de oito anos, e um menino moreno, menor do que ela. Eles me viram e ficaram alegres, mas logo a menina correu para o interior da casa, a fim de avisar os moradores da minha chegada, sendo seguida pelo menino.

E eu, então, me preocupei: Como é que se desce? É a primeira vez que volito assim... Que devo fazer? Porém, a chegada ao solo e o reequilíbrio do corpo perispiritual foi relativamente fácil.

Depois, de nada mais recordo. Tudo se apagou para a minha memória.

Sim, sem dúvida, foi um sonho espírita, a lembrança de uma vivência espiritual, enquanto o corpo dormia. Mas que importância teria o episódio? Que entender de todo o acontecido?

Ficou evidente que precisei de ajuda espiritual para aprender a volitar com equilíbrio e autonomia, ajuda que os dois amigos do Além me prestaram, ensinando-me o que fazer, como agir.

A casa que me apressei em visitar era, certamente, residência de familiares ou amigos, encarnados aqui em nosso mundo, que, naquele momento, estariam em condições de convivência espiritual comigo, por se encontrarem também em desdobramento pelo sono.

As crianças, porém, penso que se tratava de Espíritos queridos, que ainda se encontravam no Além, desencarnados, mas que tinham relação conosco, faziam parte de nossa família espiritual, como no futuro se comprovou.

Isto porque, alguns anos passados depois deste "sonho", meu irmão enviuvou e voltou a morar conosco. Era pai de uma menina loira e de um menino moreno, que chegaram até nós, na condição de sobrinhos e completaram nosso grupo familiar. Atualmente, já estão adultos e casados, cada qual com a pessoa escolhida pelo seu coração.

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Fonte: Therezinha de Oliveira. Coisas que Eu não Esqueci Porque me Ensinaram Muito. Págs. 91 - 95. Editora Allan Kardec.. 2010

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