Eternidade

Eternidade

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO... Caminhos a serem escolhidos e traçados...


Sorrir.
Espalhar alegria.
Contagiar o ambiente com amor.
Compartilhar o que há de melhor em nós.
Provocar milagres.
Não invocando a força fora de nós, mas emanando a força que há dentro de nós.
Força que sai de nós e encontra o alto.
Encontra Deus.
Encontra o irmão.
E transborda.
Esta força é o amor.
Que quando vivido desabrocha e cresce.
Fonte de alegrias.
Sorrisos
No ano novo que começa.
Proponha-se a amar.
Mesmo que seja difícil.
Mesmo que, às vezes, seja incompreensivo.
Que pareça bobo, sem sentido.
Deixe-o viver.
Sair de você ao encontro de si mesmo e do outro.
Deixo-o navegar pelos ambientes.
Penetrar nos corações.
Provocar milagres.
Deixo-o agir.
Fazer.
Transformar.
Neste novo ano, busque-o.
Que está seja sua meta em 2014.
Buscá-lo.
Encontrá-lo.
Vivê-lo.
Compartilhá-lo.
Não há objetivo melhor.
Maior.
Mais rico e mais fascinante.
Mais transformador e gratificante.
Se o tornar um caminho, vai caminhar feliz durante todo ano.
Porque ao buscá-lo, o encontrará.
Talvez pequeno.
Nos pequenos detalhes.
Nas mínimas ações e feitos.
E se valorizá-lo.
Ele crescerá.
E ao vivê-lo.
 Mesmo pequeno.
Perceberá que a vida faz sentido.
Que o ano valeu a pena.
Que você é feliz!
O amor é a semente do novo, do começo.
Trajetória para vida abundante e feliz!
Conquista de um futuro melhor.
Sabedoria.
Conhecimento dos porquês.
Do sentido de estar vivo.
De fazer parte desta existência.
Das múltiplas jornadas.
Simplesmente ter um porquê viver.
Caminhar, fazer, amar...
Feliz ano novo!
Que ele seja brilhante, amoroso, feliz...
Caminho para novas conquistas edificantes.
Caminho para o crescimento, para a evolução do espírito.
Fiquem em paz consigo, com o outro, com a vida que constroem todos os dias.
Deixei dicas.
Caminhos a serem escolhidos e traçados.
Não uma receita pronta.
Apenas um saber vivido há muito tempo.
Ofereço-lhes minhas experiências, meu apoio, meu amor.
Um amigo próximo.
Que já passou pelo que passam.
Que já desejou um novo caminho, um novo ano, uma nova vida.
Que finalmente aprendeu um pouquinho.
Que continua na caminhada.
Feliz 2014!


Abraço afetuoso.
Luís
Fonte: CACEF - Casa de Caridade Esperança e Fé



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Saúde



Se o homem compreendesse que a saúde do corpo é reflexo da harmonia espiritual, e se pudesse abranger a complexidade dos fenômenos íntimos que o aguardam além da morte, certo se consagraria à vida simples, com o trabalho ativo e a fraternidade legitima por normas de verdadeira felicidade.
A escravização aos sintomas e aos remédios não passa, na maioria das ocasiões, de fruto dos desequilíbrios a que nos impusemos.
Quanto maior o desvio, mais dispendioso o esforço de recuperação. Assim, também, cresce o número das enfermidades à proporção que se nos multiplicam os desacertos, e, exacerbadas as doenças, tornam-se cada vez mais difíceis e complicados os processos de tratamento, levando milhões de criaturas a se algemarem a preocupações e atividades que adiam, indefinidamente, a verdadeira obra de educação que o mundo necessita.
O homem é inquilino da carne, com obrigações naturais de preservação e defesa do patrimônio que temporariamente usufrui.
Não se compreende que uma pessoa instruída amontoe lixo e lama, ou crie insetos patogênicos no próprio âmbito doméstico...
Existe, no entanto, muita gente de boa leitura e de hábitos respeitáveis que permite a entrada em si, de minuto a minuto, de tóxicos variados, como a cólera e a irritação, dando pasto a pensamentos aviltantes cujos efeitos por muito tempo se fazem sentir na vida diária.*
Sirvamo-nos deste símbolo, para estender-nos em mais simples considerações. Se sabemos imprescindível a higiene interna da casa, por que não movermos o espanador da atividade benéfica, desmanchando as teias escuras das ideias tristes? Por que não fazer ato salutar do uso da água pura, em vasta escala, beneficiando os mais íntimos escaninhos do edifício celular e atendendo igualmente ao banho diário, no escrúpulo do asseio? Se nos desvelamos em conservar o domicílio suficientemente arejado, por que não respirar, a longos haustos, o oxigênio tão puro quanto possível, de modo a facilitar a vida dos pulmões?
Quem construa uma habitação, cogita, não somente bases sólidas, que a suportem, senão da orientação, de tal jeito que a luz do sol a envolva e penetre profundamente; jamais voltaria esse alguém a situar o ambiente doméstico numa caverna de troglodita.
Analogamente, deve o homem assentar fundamentos morais seguros, que lhe garantam a verdadeira felicidade, colocando-se, no quadro social onde vive, de frente voltada para os ideais luminosos e santificantes, de modo que a divina inspiração lhe inunde as profundezas da alma.
Frequentemente a moradia das pessoas cuidadosas e educadas se exorna, em seu derredor, de plantas e de flores que encantam o transeunte, convidando-o à contemplação repousante e aos bons pensamentos.
Por que não multiplicar em torno de nós os gestos de gentileza e de solidariedade, que simbolizam as flores do coração?
Ninguém é tentado a descansar ou a edificar-se em recintos empedrados ou espinhosos.
Assim também, a palavra agradável que proferimos ou recebemos, as manifestações de simpatia, as atitudes fraternais e a compreensão sempre disposta a auxiliar, constituem recursos medicamentosos dos mais eficientes, porque a saúde, na essência, é harmonia de vibrações.
Quando nossa alma se encontra realmente tranqüila, o veículo que lhe obedece está em paz.
A mente aflita despede raios de energia desordenada que se precipitam sobre os órgãos à guisa de dardos ferinos, de consequências deploráveis para as funções orgânicas.
O homem comumente apenas registra efeitos, sem consignar as causas profundas.
E que dizer das paixões insopitadas, das enormes crises de ódio e de ciúme, dos martírios ocultos do remorso, que rasgam feridas e semeiam padecimentos inomináveis na delicada constituição da alma?
Que dizer relativamente à hórrida multidão dos pensamentos agressivos duma razão desorientada, os quais tanto malefício trazem, não só ao indivíduo, mas, igualmente, aos que se achem com ele sintonizados?
O nosso lar de curas na vida espiritual vive repleto de enfermos desencarnados. Desencarnados embora, revelam psicoses de trato difícil.
A gravitação é lei universal, e o pensamento ainda é matéria em fase diferentes daquelas que nos são habituais. Quando o centro de interesses da alma permanece na Terra, embalde se lhe indicará o caminha das alturas.
Caracteriza-se a mente também, por peso específico, e é na própria massa do Planeta que o homem enrodilhado em pensamentos inferiores se demorará, depois da morte, no serviço de purificação.
Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.
Os ensinamentos da fé constituem receituário permanente para a cura positiva das antigas enfermidades que acompanham a alma, século após século.
Todos os sentimentos que nos ponham em desarmonia com o ambiente, onde fomos chamados a viver, geram emoções que desorganizam, não só as colônias celulares do corpo físico, mas também o tecido sutil da alma, agravando a anarquia do psiquismo.
Qualquer criatura, conscientemente ou não, mobiliza as faculdades magnéticas que lhe são peculiares nas atividades do meio em que vive. Atrai e repele. Do modo pelo qual se utiliza de semelhantes forças depende, em grande parte, a conservação dos fatores naturais de saúde.
O espírito rebelde ou impulsivo que foge às necessidades de adaptação, assemelha-se a um molinete elétrico, armado de pontas, cuja energia carrega e, simultaneamente, repele as moléculas do ar ambiente; assim, esse espírito cria em torno de si um campo magnético sem dúvida adverso, o qual, a seu turno, há de repeli-lo, precipitando-o numa “roda-viva” por ele mesmo forjada.
Transformando-se em núcleo de correntes irregulares, a mente perturbada emite linhas de força, que interferirão como tóxicos invisíveis sobre o sistema endocrínico, comprometendo-se a normalidade das funções.
Mas não são somente a hipófise, a tireóide ou as cápsulas supra-renais as únicas vítimas da viciação. Múltiplas doenças surgem para a infelicidade do espírito desavisado que as invoca. Moléstias como o aborto; a encefalite letárgica, a esplenite, a apoplexia cerebral, a loucura, a nevralgia, a tuberculose, a coréia, a epilepsia, a paralisia, as afecções do coração, as úlceras gástricas e as duodenais, a cirrose, a icterícia, a histeria e todas as formas de câncer podem nascer dos desequilíbrios do pensamento.
Em muitos casos, são inúteis quaisquer recursos medicamentosos, porquanto só a modificação do movimento vibratório da mente, à base de ondas simpáticas, poderá oferecer ao doente as necessárias condições de harmonia.
Geralmente, a desencarnação prematura é o resultado do longo duelo vivido pela alma invigilante; esses conflitos prosseguem na profundeza da consciência, dificultando a ligação entre a alma e os poderes restauradores que governam a vida.
A extrema vibratilidade da alma produz estados de hipersensibilidade, os quais, em muitas circunstâncias, se fazem seguir de verdadeiros desastres organopsíquicos.
O pensamento, qualquer que seja a sua natureza, é uma energia, tendo, conseguintemente, seus efeitos.
Se o homem cultivasse a cautela, selecionando inclinações e reconhecendo o caráter positivo das leis morais, outras condições, menos dolorosas e mais elevadas, lhe presidiriam à evolução.
É imprescindível, porém, que a experiência nos instrua individualmente. Cada qual em seu roteiro, em sua prova, em sua lição.
Com o tempo aprenderemos que se pode considerar o corpo como o “prolongamento do espírito”, e aceitaremos no Evangelho do Cristo o melhor tratado de imunologia contra todas as espécies de enfermidade.
Até alcançarmos, no entanto, esse período áureo da existência na Terra, continuemos estudando, trabalhando e esperando...
 
(Do livro "Falando à Terra", pelo Espírito Joaquim Murtinho - Francisco Cândido Xavier/Espíritos Diversos)

sábado, 28 de dezembro de 2013

Da Segurança Íntima



Se cumpres o teu dever e não aspiras a outro
prêmio que não seja a consciência tranquila,
quem te poderá fazer o mal, se procuras
somente o bem?

Pense nisso, atendendo a isso, e verificarás que a
segurança íntima reside em ti mesmo, qual
acontece à paz da alma, que vem a ser
patrimônio de cada um.


Emmanuel / Chico Xavier
Livro: Bênção de Paz

EU MAIOR (Higher Self)


O documentário EU MAIOR é uma iniciativa da Associação Dobem, organização sem fins lucrativos, cuja missão é disseminar conhecimento voltado para um desenvolvimento integral do ser humano.

EU MAIOR traz uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca da felicidade, por meio de entrevistas com expoentes de diferentes áreas, incluindo líderes espirituais, intelectuais, artistas e esportistas (alguns exemplos: Prof. Hermógenes, Mario Sergio Cortella, Marcelo Gleiser, Monja Coen, Marina Silva, Rubem Alves, Richard Simonetti, Leonardo Boff, Letícia Sabatella, e por aí vai). Um filme sobre questões essenciais e universais, numa época de grandes transformações e desafios, que pedem níveis mais altos de discernimento e consciência individual.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Morte ou desencarnação?

Bibiana Caldeiron




A morte é o fim da estrutura física, animal ou vegetal.
 
A desencarnação significa o ato ou o efeito da separação do corpo e do espírito, o retorno da alma ao mundo espiritual.
 
Segundo o escritor francês Léon Denis, contemporâneo de Allan Kardec, no livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, o que chamamos morte é simplesmente a retomada da liberdade, enriquecida de valores espirituais.
 
Uma mudança de estado, a destruição de uma forma frágil.
 
Quando ocorre a desencarnação, a matéria que formava o corpo se decompõe e vai formar outros organismos. O princípio vital esgota-se e retorna ao seio da natureza.
 
Nas obras espíritas, principalmente, e em outras obras que tratam do assunto, encontramos relatos comuns que identificam alguns fenômenos considerados marcantes, como os relacionados abaixo:
 
 
1) REGRESSÃO DE MEMÓRIA: nos primeiros instantes da morte, como na cinematografia, imagens de momentos relevantes da existência retornam à consciência, afligindo ou alegrando, de acordo com a natureza, positiva ou negativa, dos atos cometidos.
 
2) EMOÇÃO DA SURPRESA: muitos não sabem que desencarnaram, mormente quando a morte ocorre subitamente e, ao despertarem para a nova realidade, chocam-se ante o inusitado, gerando a emoção do desespero, pelo apego ao corpo físico e à saudade que se instala.
 
3) VISÕES ESPIRITUAIS: o moribundo começa a penetrar as dimensões da espiritualidade, percebendo vultos e fisionomias de parentes, amigos, benfeitores ou entidades perturbadas que se identificam com a linha de comportamento mantida durante a vida.
 
4) SONO REPARADOR: na proporção dos méritos, o desencarnante é magneticamente adormecido logo após o transe da morte, para não perceber momentos desagradáveis e descansar merecidamente.
 
5) SEPARAÇÃO DOS LAÇOS FLUÍDICOS: a materialidade da vida provoca a criação de fluidos que se acumulam na estrutura físico-perispiritual, impõem a necessidade de passes próprios que vão lentamente desfazendo esses laços, algumas vezes, de forma dolorosa.
 
6) MEDO: a insegurança promovida pelo desconhecimento e pelo despreparo causa um medo incontrolável que dificulta o processo de desencarnação.
 
7) FORMA PERISPIRITUAL: o perispírito ou o corpo espiritual mantém a mesma aparência do corpo físico em extinção.
 
8) UMBRAL: um número assustador de desencarnados fica retido nas regiões espirituais inferiores por força da indiferença com que viveram e pelos males que praticaram, sem nada de construtivo terem feito em favor de seus semelhantes. O Catolicismo e o Protestantismo chamam essa região de inferno.
 
A única regra para se morrer bem é viver bem
 
 
Fonte: Revista Espírita Online, setembro/dezembro 2008

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A espada e o processo evolutivo



A apreensão que muitos ficam ao ler alguns ensinamentos e declarações de Jesus, onde Ele aparentemente afirma a necessidade das discórdias entre amigos, companheiros de trabalho, de doutrina e principalmente com os familiares, sendo Ele a personificação da doçura e da bondade, cabe uma análise mais profunda.

O que Jesus quis dizer com divisão, separação, era a possibilidade de assimilar e entender o processo evolutivo do ser humano, o que até hoje muitos não entendem ainda. O Mestre trouxe a doutrina da purificação, a finalidade era e ainda é, combater o abuso, preconceitos e plantar a paz.

No cotidiano, as opções de vida são diferentes entre os seres humanos, devemos respeitá-las como fez Jesus, sem impor. Mas a diferença de entendimento provocará a discórdia, a divisão. “Vim separar de seu pai o filho… Não vim trazer a paz, mas a espada”. Mateus – Cap. X; 34 a 36.

A ideia quando é nova, e quanto maior for a importância do conceito, mais discórdia ela provocará, a polêmica acontecerá, e é ai que Jesus queria que nós chegássemos. Ele previu com toda a sua sabedoria o futuro de debates e dissensões. A guerra de opiniões entre familiares, seitas e continentes, contribuiria para o expurgo do orgulho, da vaidade, do egoísmo, encarcerada no espírito individualizado. A doutrina espírita veio para fechar este ciclo da fase evolutiva dos habitantes do planeta Terra. Então quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o espírito de verdade, que virá restabelecer todas as coisas. A aqueles que compreenderem as suas palavras porá fim ao sofrimento.

Ao analisar a situação atual do mundo, deparamos com as discórdias, a falta de compreensão, muita luta íntima, procurando, às vezes, em desespero, a resposta para tudo o que acontece ao nosso redor. Vamos atrás de conforto material, achando que ele vai saciar as nossas aflições, grandes conquistas financeiras povoam os nossos sonhos e desejos, sem nunca trazer as respostas. Até que um dia, cansados de sofrer, resolvemos aceitar os “antigos” conceitos de Jesus.

O crescimento espiritual da humanidade, por seus diferentes níveis, causa a separação e a divisão dita por Jesus, é a proporcionalidade do crescimento de cada um. Mas o dia de união chegará, e está próximo, as lutas atuais não são mais sanguinolentas, mas de ordem moral, que todos nós dentro da razão, não nos preocupemos mais, pois todos compreenderão um dia a imortalidade do espírito e sua constante evolução, teremos a fé raciocinada e não fanatizada, usaremos com mais eficácia o nosso livre arbítrio. As primeiras lutas duraram séculos, estas durarão apenas alguns anos e construiremos a felicidade e a paz.

Na desenfreada corrida pelas conquistas íntimas, desde há muito séculos, a humanidade confunde o conceito. No entender comum, a conquista de momentos felizes e tranquilidade duradoura, estão atreladas a garantias materiais. A ociosidade, a curtição, a vida desregrada, contribui para que muitos fiquem afastados da realidade da vida. Essa tranquilidade enganosa não poderia ser avalizada por Jesus.

Vivendo erroneamente nesses conceitos, o homem adquiriu débitos morais, durante muitos séculos, o que o obrigou a lutas regeneradoras por várias encarnações. A espada, que simboliza a luta, mostrou ao homem a necessidade da mudança, do aprimoramento moral e cognitivo. A luta não tem sangue, o combate é individual e o caminho é rumo à perfeição do espírito; regrado a sacrifícios e testemunhos, impulsionando a renovação e a verdadeira paz.

Que a nossa busca não seja enganosa, fugindo da realidade, ao qual o processo evolutivo determina e que estamos vinculados. A vida espiritual é uma verdade incontestável, não permitindo que ignoremos o processo santificante. O homem segue equivocado em suas tarefas diárias, os interesses imediatos predominam na corrida desenfreada das posses exteriores.

Em suas explanações incontestáveis, Emmanuel nos alerta sobre a necessidade do aproveitamento do “tempo” em favor do nosso aprimoramento. Descreve-o sobre o tema dizendo: “É lógico que todo o homem conte com o tempo, mas se esse tempo tiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho? Não obstante a oportunidade da indagação importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda a parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma… Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida”.

Que o trabalho seja a nossa tarefa, e que Jesus nos inspire nas escolhas diárias.


Fonte: Seareiros de Jesus

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Roteiro do Servidor



No inicio cremos que o resultado do Bem, fosse diferente.

A serviço do ideal abraçamos a caridade, na expectativa de nossas dores e incompreensões. Isso, no entanto, é um engodo proporcionado pela vida.

O missionário sempre enfrentou os piores desafios. Aquele que abre estradas defronta maiores obstáculos.

Quando desejamos drenar pântanos e águas putrefatas, encontramos a presença de odores nefastos e lama pestilenta.

É natural que assim ocorra, por quanto, o processo da alteração de conceitos morais e da conduta pessoal, faz-se, normalmente, penoso.

Não nos deixemos desgastar emocionalmente com as ocorrências que tem lugar à nossa volta.

Mantenhamos o ânimo e avancemos em paz. Não fôssemos idealistas, e não encontrássemos a ação cristã, sofreríamos outras circunstâncias perturbadoras.

A Terra é planeta de provas, portanto, a luta é labor incessante.



- Quando estivermos cansados, renovemo-nos pela prece.

- Quando nos sentirmos aturdidos pelas ocorrências desagradáveis, recorramos à meditação.

- Quando depararmos com estresse e mau humor, recuperemos nossas energias pensando em Jesus, buscando-O.

- Certamente jamais estaremos a sós.



Seres amados nos envolverão com dulcidas vibrações sustentando nossas energias preservando a saúde e vitalizando a disposição para continuar servindo.

Renasçamos para o serviço, pois que, aceitemos a tarefa como terapia salvadora.




- Não há duvida que comportamentos anteriores determinaram as experiências atuais.

- Hoje é nosso dia de servir. Não nos arrependamos da opção elegida.

- Dia virá que colheremos a luz que espalhamos e o amor que incutimos em outras vidas.




Ninguém até hoje se revelou maior servidor do que Jesus. Teu exemplo continua através dos tempos iluminando vidas incontáveis. Ele nunca se queixou por que sabia que, como criaturas humanas ainda nos encontramos na infância espiritual.

Quanto mais difíceis e extenuantes forem as lutas, mais expressivas serão as vitórias.

Devemos servirmos, sem cessar, prosseguindo sem enfado e desencanto.

Continuemos lutando para sermos o construtor do futuro, o que Jesus aguarda de todos no memorável final.




pelo Espírito Joanna de Ângelis / psicografia Divaldo P. Franco
do livro: Fonte de Luz

domingo, 22 de dezembro de 2013

O TREM DA VIDA - Silvana Duboc

À Virgem



À Virgem


Do teu trono de róseas alvoradas,
Estende, mãe bendita, as mãos radiosas
Sobre a angústia das sendas escabrosas
Onde choram as mães atormentadas.


Mãe de todas as mães infortunadas,
Com tua alma de lírios e de rosas,
Mitiga a dor das almas desditosas
Entre as sombras de míseras estradas.


Anjo consolador dos desterrados,
Conforta os corações encarcerados
Nas algemas do mundo amargo e aflito.

 

Ao teu olhar, as lágrimas da guerra
E os quadros de amargor, que andam na Terra,
São caminhos de luz para o Infinito.



pelo Espírito Bittencourt Sampaio,
psicografia de Francisco C. Xavier
obra: Parnaso de além-túmulo 
(Poesias mediúnicas)



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Seminário Carlos Baccelli - "Reencarnação no Mundo espiritual" - AELUZ -...

Animação: Paulo e Estevão em Sonetos


FAMILIARES ( 65 )



FAMILIARES  ( 65 )


Mt. 12:46
"E, falando ele ainda à multidão, eis que
estavam fora sua mãe e seus irmãos,
pretendendo falar-lhe."




"E, falando ele ainda"  Ensinar foi uma constante na vida de Jesus, sendo a lição falada, tônica de sua mensagem, portadora da vantagem de ser adequada às circunstâncias, necessidades do momento e atender às reações dos presentes.

O Mestre permanece falando, através das pessoas de boa vontade e bem intencionadas.

O advérbio "ainda" traz em seu íntimo o conteúdo da Misericórdia, assegurando a manutenção de Sua mensagem, atingindo os corações.





"À multidão,"  - A massa é, sem dúvida, o ponto de partida de todos aqueles que se dispõem ao caminho da redenção. Na medida em que a consciência se faz, torna-se natural a saída vibratória da multidão, ao lado do respeito e valorização da sua presença como instrumento operacional necessário ao crescimento.

Jesus trabalhava com a multidão, era seguido, reverenciado por ela, que o aplaudiu em sua entrada em Jerusalém e bradou irreverente, manifestando: "crucifica-O", poucos dias depois. Ciente desta volubilidade, recomendou Ele, como providência acauteladora: "Não ireis pelo caminho das gentes," (Mt. 10:5).

Qual tem sido a nossa posição? Integramos a multidão? Estamos saindo dela? O conhecimento que hoje nos felicita, nos conduz a reflexões capazes de estabelecerem conclusões claras, de que, se a luta é individual, a alienação quanto a própria real situação espiritual, só nos afastaria do objetivo: a vitória do "Eu Crístico".





"Eis que estavam fora"  - O povo aglomerado impedia seus familiares de se aproximarem. Do mesmo modo, nós mesmos, pertencentes à grande família de Deus e, em consequência de Jesus, também. Multidão que inclui vasta gama de valores externos e internos, na forma de obstáculos naturais, e de convenções, conceitos e condicionamentos milenares.

Frente a esta verdade, quando identificada com discernimento, o ser que deseja aproximar-se dos legítimos padrões que o Evangelho propõe, diligenciará recursos a fim de vencer os óbices, que passam a ser instrumentos de projeção, no rumo de novos degraus evolutivos.





"Sua Mãe"  - Maria de Nazaré, esposa de José, carpinteiro, profissão que ensinou a seu filho Jesus: "Não é este o Carpinteiro, filho de Maria..." (Mc. 6:3). Espírito de evolução extraordinária, tanto que o anjo Gabriel, enviado por Deus, a sua cidade, na Galiléia, para anunciar-lhe o nascimento de Jesus, falou assim: "Salve agraciada; o Senhor é contigo: bendita és tu entre as mulheres" (Lc. 1:28). Primou pela humildade e obediência. Nas "Bodas de Caná" nos advertiu ao dizer aos serventes: "Fazei tudo quanto Ele vos disser." (Jo. 2:5). Sobreviveu a seu esposo José. Desencarnou em Éfeso, onde morava em companhia de João, o apóstolo e evangelista.

Maria era prima de Isabel: "E eis que Isabel, tua prima, concebeu..." (Lc. 1:36), tinha irmã, também de nome Maria, casada com Cleofas ou Alfeu, mãe de Tiago (menor), Judas, Levi, José e Simão, e outra, de nome Salomé, casada com Zebedeu, cujos filhos eram João, o Evangelista, e Tiago (maior) um dos mais íntimos apóstolos de Jesus.

Tiago (maior) e João, ao lado de Pedro, presenciaram, praticamente, todos os fatos culminantes da vida de Jesus, como, por exemplo, a transfiguração.

Em sua obra escreve Emmanuel: "Geralmente, quando os filhos procuram a carinhosa intervenção da mãe é que se sentem órfãos de ânimo ou necessitados de alegria. Por isso mesmo, em todos os lugares do mundo, é comum observarmos filhos discutindo com os pais e chorando ante corações maternos. Interpretada com justiça por anjo tutelar do cristianismo, às vezes, é com imensas aflições que recorremos a Maria"(Caminho, Verdade e Vida - cap. 171)

A par desta referência, evidencia-se o sublime ensinamento que a expressão "mãe" sugere ao nosso entendimento. Aí reside, a sede inarredável dos mais valiosos sentimentos, que gerados nas fibras do coração serão capazes, ao lado da razão, de nortearem rotas, e promover os mais extraordinários lances na jornada empreendida.



 
 
"E seus irmãos,"  - Nas línguas faladas na Palestina naquele tempo, não havia o termo "primo". Todos eram chamados irmãos. Mesmo no Brasil, em vários lugares, subsiste a designação primos-irmãos. Segundo consta, o vocábulo foi usado por São Jerônimo - sábio que dedicou sua vida ao estudo das Escrituras (347/420), quando realizou a tradução denominada "Vulgata Latina", para evitar dúvidas.

Em Lucas, temos o anjo Gabriel falando a Maria: "E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice, e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril." (Lc. 1:36).

Ainda hoje persistem as polêmicas sobre o fato de que Jesus tenha ou não tenha tido outros irmãos. A par disso o estudo visando retirar da letra o espírito que vivifica sugere que por primogênito não se considere apenas o primeiro de vários filhos mas, principalmente, de que Ele estará sempre à frente de quantos vão se elegendo conscientemente como filhos do mesmo Pai. "E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência." (Col. 1:17 e 18)

Para nós espíritas a questão da virgindade de Maria envolve o conhecimento e exemplificação do Evangelho. Todos nós precisamos "dar corpo" ao Cristo em nossas vidas. Só conseguiremos fazê-lo com o sentimento, o pensamento, a palavra e a ação "virgens" de tudo que for contrário ao Bem.

Legitimamente, o ser consciente de seu papel no contexto evolutivo reconhece sempre, em cada companheiro, o irmão em Cristo, constituindo isso na certeza de que há uma e única família no Universo, tendo o Criador por Pai de bondade e misericórdia.





"Pretendendo falar-lhe."  - Podemos ter o propósito de nos dirigir a Jesus, aos amigos espirituais. Os impedimentos, quando existem, não são da parte deles, mas da nossa, a expressarem deficiências e dificuldades que ainda nos são inerentes. O Evangelho é a fonte que nos ensina, através de exemplos, como superá-los. Zaqueu subiu a uma figueira brava, para vê-lo, já que a sua pequena estatura e a multidão constituíam empecilhos, quase que insuperáveis. Pequena estatura refletindo sua pequenez espiritual e a multidão, de caráter externo, na forma de obstáculos do caminho, e, interno, pela soma das próprias imperfeições. A mulher cananéia soube insistir e cultivar a humildade, o cego de Jericó vence a reação negativa da multidão e é chamado por Ele.

"Pretendendo falar-lhe convoca o espírito a refletir quanto às disposições íntimas em procurar, objetivamente, aquele que é a "Luz do Mundo" (Jo. 8:12). Movidos pela proposta sincera da mudança recorremos sempre a Ele, na certeza de que seremos atendidos.





Obra: Luz Imperecível, Coordenação: Honório Onofre de Abreu
Estudo Interpretativo do Evangelho
à Luz da Doutrina Espírita

A força do Espiritismo



O Espiritismo progrediu principalmente depois que foi sendo mais bem compreendido na sua essência íntima, depois que lhe perceberam o alcance, porque toca nas fibras mais sensíveis do homem: as da sua felicidade, mesmo neste mundo. Aí está a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Enquanto aguarda que sua influência se estenda sobre as massas, ele já torna felizes os que o compreendem. Mesmo os que não tenham presenciado qualquer fenômeno material, dizem: fora desses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que nenhuma outra me havia explicado; nela encontro, tão-somente pelo raciocínio, uma demonstração racional dos problemas que interessam no mais alto grau ao meu futuro; ela me dá calma, firmeza, confiança e me livra do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isso, a questão dos fatos materiais se torna secundária. 


O Espiritismo é forte porque se apóia sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; é forte sobretudo, porque mostra essas penas e recompensas como consequências naturais da vida terrestre e também porque, no quadro que apresenta do futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar. Vós, cuja doutrina consiste na negação do futuro, que compensação ofereceis aos sofrimentos deste mundo? Enquanto vos apoiais na incredulidade, ele se apóia na confiança em Deus; ao passo que convida o homem à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós lhe ofereceis o nada por perspectiva e o egoísmo por consolação. Ele prova pelos fatos, vós nada provais. Como quereis que o homem vacile entre essas duas doutrinas? 



Allan Kardec

Fonte: O Livro dos Espíritos, Conclusão, Item V

Fonte: Reformador nº 2.137, abril/2007


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A paz na consciência



Maria de Nazaré



Maria de Nazaré


Maria de Nazaré é certamente uma das figuras mais emblemáticas e importantes da era cristã, não somente por receber a missão de trazer ao mundo Jesus, mas também pela forma com a qual conduziu o Mestre, sempre demonstrando amor, fé e sabedoria, mesmo durante o calvário de seu filho.

Boa parte dos cristãos enxerga Maria como uma santidade, outros, apenas a mulher que trouxe ao mundo o Messias. Em comum, há no mínimo um grande respeito pela personalidade mariana. Através de diversas manifestações de fé e religiosidade pelo mundo, Maria recebeu diferentes nomes, e é lembrada de diversas formas, tornando-a um grande vulto do Cristianismo.


A História de Maria


A história da genitora do Mestre de Nazaré, para muitos, é cercada de mistérios desde o período que antecede a seu próprio nascimento no plano físico. Segundo os registros contidos no Protoevangelho de Tiago[1], Maria era filha de Joaquim, um judeu de posses que vivia na região de Nazaré, o qual sempre oferecia doações aos pobres e oferendas aos templos. Tiago narra que, em certa feita, um sacerdote chamado Ruben proibiu Joaquim de realizar doações, pois o mesmo não havia gerado nenhum rebento em Israel, o que contrariava as leis judaicas. Joaquim, diante das circunstâncias, caiu em profunda tristeza e decidiu jejuar por 40 dias e 40 noites em uma montanha deserta, dizendo a si mesmo: "Não voltarei ao lar nem pra comer ou beber, até que o senhor venha visitar-me. As minhas orações me servirão de bebida e comida aqui no deserto". Enquanto isso, em sua casa, Ana chorava a ausência do marido, dividida entre a dúvida da viuvez e a culpa da esterilidade. Até que um dia, em meio a suas súplicas, Ana recebe a visita de um "anjo" que lhe disse: "Ana, Ana, o senhor ouviu as tuas preces. Eis que conceberás e darás a luz a um filho. E o fruto do teu ventre será conhecido em todo mundo". No mesmo dia, Joaquim, ainda sobre a montanha, avista dois mensageiros de Deus que lhe dirigiram a palavra: "Joaquim, o senhor ouviu tuas preces, desce daqui e vai a Ana, tua mulher, porque ela conceberá em seu ventre". Desta forma, Joaquim retornou ao lar e, pouco tempo depois, Ana engravidou e deu a luz a uma menina, a qual recebeu o nome de Maria.

Ao completar 3 anos, Maria é levada por seus pais ao templo judaico e lá permanece sob a tutela dos sacerdotes até os 12 anos, idade em que deveria ser retirada do templo, antes do período de sua menarca[2]. O problema é que, nessa época, Maria já havia se tornado órfã. Foi então que os sacerdotes reuniram os viúvos da região e, através da orientação de um "anjo", escolheram José para recebê-la.

Segundo o apócrifo atribuído a Tiago, José era um homem idoso, portanto, bem mais velho que Maria. Seu dever era proteger a jovem, que era considerada pelos representantes do judaísmo uma enviada de Deus, portanto, a mesma permaneceu intocada.

 

A concepção da virgem segundo a tradição


O maior mistério atribuído a Maria, pelo menos para os mais religiosos, indubitavelmente é o que diz respeito à concepção virginal. Os evangelhos canônicos de Lucas e Mateus contam que Maria manteve-se virgem e que Jesus fora concebido pelo "Espírito Santo", ou seja, a fecundação de Maria aconteceu de forma "milagrosa", sem a participação de um pai natural.

De acordo com as escrituras sagradas, Maria recebeu a visita do anjo Gabriel, o qual anunciou à jovem sua concepção através da intervenção do "Espírito Santo". A partir de então, Maria fora acolhida por sua prima Isabel, mãe de João Batista, pois José tivera que se ausentar por um período para trabalhar. Ao retornar, o marido de Maria se deparou com a mesma, já no sexto mês de gravidez, não acreditando na fidelidade da virgem. Então, José é visitado por uma entidade angelical que lhe esclarece a situação. Depois deste evento, a mãe de Jesus segue tranquilamente sua gestação até o nascimento do enviado de Deus, que ocorreu através de um parto fisiológico, conforme a história que todos conhecem.



A concepção de Maria segundo o Espiritismo


O Espiritismo é uma ciência de observação e ao mesmo tempo uma doutrina filosófica de consequências religiosas, que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos e de suas relações com a vida material. Além disso, a Doutrina Espírita nos convida a desenvolver uma fé raciocinada, analisando os fatos de forma coerente, buscando compreender a razão daquilo que acreditamos. Allan Kardec defende que a religião deve caminhar em consonância com a ciência, de modo que a primeira não ignore a última e vice-versa. E é baseado nesses princípios que analisaremos a questão proposta neste artigo.

Para algumas religiões, a concepção de Maria é tida como um milagre, através da ação do "Espírito Santo". Este fato, explicaria uma fecundação assexuada. Já segundo a Doutrina Espírita, não existem milagres, todos os acontecimentos fazem parte da Lei Natural, criada por Deus em sua infinita perfeição, desta forma, não há a necessidade de o Criador realizar milagres para provar sua grandiosidade. A questão dos milagres para o Espiritismo é elucidada em "A Gênese", no tópico, "Faz Deus milagres?":

"Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo como são perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários".

O fato de Jesus ter sido gerado de forma milagrosa contraria as vias normais de reprodução, e para o Espiritismo esta é uma questão relevante, uma vez que a reprodução humana é uma consequência das Leis Naturais de Deus.

A doutrina codificada por Allan Kardec não nega a participação do "Espírito Santo" na concepção de Jesus, até porque sua reencarnação foi minimamente planejada pela espiritualidade superior (aqui entra a participação do "Espírito Santo"), entretanto, a fecundação de Maria se deu por vias normais, através de relação sexual entre ela e José, como acontece entre todos os casais.

 
Mas então, como surgiu o mito da virgindade de Maria?

Acredita-se que a Igreja tenha disseminado essa tese, a fim de diminuir a promiscuidade entre as pessoas. A prática sexual naquela época era permitida apenas com o intuito de procriação, isso para não provocar a extinção da raça humana. Quanto menor fosse a relação sexual entre os casais, menores seriam os seus pecados.

Jesus com o passar do tempo tornou-se uma figura mitológica e, como sendo um Deus, não poderia ter nascido do pecado original cometido por Adão e Eva. Apesar dessas considerações, o Novo Testamento utiliza o termo "O Filho do Homem" 88 vezes. Esse termo refere-se a Jesus como um ser humano, e como tal, seu nascimento só poderia ter acontecido de forma natural.

Nas epístolas de Paulo, que são os registros mais antigos contidos na Bíblia, não há evidências da virgindade de Maria; o apóstolo refere-se a ela apenas como a mãe de Jesus. Os evangelhos bíblicos reforçam ainda que Maria e José tiveram outros filhos, não podendo persistir a virgindade de Maria:

"Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José Simão e Judas?" (Mateus 13, 55)

A grande diferença em tudo isso é que o Espiritismo não interpreta o ato sexual como um pecado. O que torna o sexo imoral é como as pessoas o praticam. Não devemos viver para a prática sexual, mas o sexo é importante para gerar a vida, sendo um mecanismo natural do ser humano.


 A Visão do Espiritismo sobre Maria


É certo que Maria faz parte de um grupo de Espíritos evoluídos que vieram para preparar a chegada de Jesus. É um Espírito tão puro, que recebeu a missão nobre de conduzir o governador da Terra, modelo e guia da humanidade.

Maria é sinônimo de amor, prova disto foi a sua resignação ao presenciar o sofrimento de seu filho, em nome da salvação da humanidade. E é por isso que este Espírito desperta tanta simpatia e admiração entre as pessoas. Há quem acredite que pedir a intercessão de Maria é o método mais eficaz de se chegar a Jesus, pois um filho não negaria o pedido de uma mãe.

Na literatura espírita, encontramos vários registros sobre Maria na espiritualidade. O livro Memórias de um Suicida descreve as atividades da Legião dos Servos de Maria, um grupo de Espíritos especializados no resgate de suicidas nas zonas inferiores. Após o socorro dos réprobos, os mesmos são encaminhados ao Hospital Maria de Nazaré. Esta instituição é dirigida pela mãe de Jesus. Camilo Cândido Botelho, autor espiritual desta obra, relata que a tarefa de cuidar de Espíritos suicidas não poderia ser desempenhada por outro Espírito a não ser Maria, por ela ser a referência de amor e de dedicação fraternal.

Além disso, milhares de fiéis pelo mundo todo dedicam sua fé e devoção a Maria. Em virtude disso, existem Espíritos abnegados que trabalham em seu nome, recebendo os pedidos e as orações e auxiliando aqueles que sofrem.

É importante ressaltar que a Doutrina Espírita alimenta um profundo respeito a qualquer forma de convicção religiosa, mesmo posicionando-se de forma diferente. E sabemos que Maria é um Espírito de luz e trabalha ao lado de Jesus em benefício da humanidade.


Referências:

A Epístola Lentuli - Pedro de Campos.
A Gênese - Allan Kardec.
O Evangelho de Tiago - Autor desconhecido.
Memórias de um Suicida - Yvonne A. Pereira, pelo Espírito Camilo Cândido Botelho.

[1] Este apócrifo também conhecido como "Livro de Tiago" ou, ainda, "A Natividade de Maria", tem sua autoria e data atualmente tidas como desconhecidas, embora o autor se identifique como Tiago. Muitos estudiosos consideram o seu texto muito remoto, anterior mesmo aos Evangelhos Canônicos ou até à base deles.
Os Pais da Igreja, Orígenes, Clemente, Pedro de Alexandria, São Justino e São Epifânio citam este evangelho com muita frequência.

[2] Primeira Menstruação.


(autor: André Luiz Alves Jr.)